domingo, 31 de julho de 2011

O cristianismo suicida: como o “evangelicalismo cult” gosta de veneno!

Minha geração precisa perceber que o cristianismo é mais do que fragilidade chique, autorrevelação infindável e a impassividade que vem com a autenticidade. (Kevin DeYoung) [1]

Recentemente a revista Veja entrevistou o filósofo judeu Luiz Felipe Pondé nas suas famosas “páginas amarelas”.  Ele, que não é e nunca foi cristão, fez uma interessante defesa do cristianismo na revista mais lida do país.  Ora, isso é motivo de alegria para os cristãos, pensariam aqueles guiados pelo óbvio. Mas não! Para um grupo a entrevista foi um horror!  Como assim?

Pondé cometeu o pecado de atacar a sacrossanta Teologia da Libertação. Então, um grupo enorme de devotos da dupla Boff e Betto desqualificou a entrevista do filósofo, não cristão, que defende o cristianismo.  É difícil entender esse povo!  É a síndrome suicida. Eles preferem filósofos atacando o cristianismo!  Esse mesmo grupo estaria em êxtase se um Leonardo Boff da vida dissesse à Carta Capital que o cristianismo é a coisa mais horrenda do mundo.  

O próprio filósofo Pondé brinca com essa tendência suicida dos cristãos: “Só que a Teologia da Libertação toma como ferramenta o marxismo, e isso sim é um erro. Um cristão que recorre a Marx, ou a Nietzsche – a quem admiro –, é como uma criança que entra na jaula do leão e faz bilu-bilu na cara dele” [2]. E o leão não costuma ser manso.

Conheço um pastor que fez doutorado em Ciências da Religião em uma famosa universidade protestante.  Ele me disse que foi o lugar onde mais ouviu sobre a “herança maldita” do cristianismo. Ali, tudo era culpa dos cristãos, desde a escravidão à opressão econômica. Todos os males do mundo têm um dedo da cristandade, assim se professa nessa universidade cristã (?).  Não que devamos ignorar os erros do cristianismo, mas nessa academia seguir a cristandade é sinônimo de desgraça.

A autocrítica é essencial para o cristianismo. Ler a Bíblia é ler um livro que nunca teve medo de esconder o pecado de ninguém, mesmo que esse seja o poderoso Rei Davi ou o espetacular apóstolo Paulo. Nem Pedro e nem ninguém escapou das reprimendas.  Mas ao criticarmos a polícia, nos dizia o inglês G. K. Chersteton, não nos esqueçamos dos ladrões:

A autoridade religiosa sem dúvida foi muitas vezes opressora e exorbitante, exatamente como todos os sistemas legais (e especialmente o nosso sistema atual) tem sido insensíveis e cruelmente apáticos. É racional atacar a polícia. Mais que isso, é maravilhoso. Mas os críticos modernos da autoridade religiosa são como homens que atacariam a polícia sem jamais ter ouvido falar de ladrões. Pois a mente humana corre um grande perigo concreto: um perigo tão prático como o latrocínio. Contra esse perigo a autoridade religiosa foi erigida, certo ou errado, como uma barreira. E contra ele algo certamente deve ser erguido como uma barreira, se quisermos evitar a destruição de nossa raça. [3]

Os evangelicais cults (já escrevi sobre eles) são pessoas engraçadas, pois se alguém fala bem do cristianismo eles acham um pecado. Eles escrevem textos descrevendo a tragédia que seria um país de maioria protestante (!).  Não que eu ache que o país viraria um paraíso com uma maioria cristã-protestante, mas não vejo nenhuma tragédia se isso um dia acontecer.  O “princípio protestante” tem em seu cerne um impeditivo para tendências teocráticas, graças ao bom Deus.  Eu também tenho ojeriza pela Teologia do Domínio, mas creio que o protestantismo pode contribuir para o bem do país.

Aliás, como seria bom que alguns valores protestantes influenciassem a nossa cultura ibérica. Valores como a meritocracia, a livre-iniciativa, a liberdade de expressão e outras formações da cultura ocidental devem muito ao protestantismo. Seja o liberalismo norte-americano ou a social-democracia nórdica, o protestantismo teve o seu papel determinante.  Já a cultura ibérica prefere o “capitalismo de compadrio”...

Na sua famosa carta, Pedro Vaz de Caminha fala que as terras brasileiras são boas e aproveita para pedir um emprego estatal ao rei. Eis um documento que é a cara do país: terra rica com um povo que busca sempre uma “boquinha do Estado”.  Tudo é baseado nas relações (que sejam boas) com o poder.

O Estado laico, por exemplo, é uma típica produção protestante. André Biéler observa:

Mesmo que um Estado laico nunca exista verdadeiramente, tão grande é o poder de sedução das ideologias de substituição, que os políticos no poder procuraram sempre impor, que o crente cristão prefere um Estado laico a qualquer outro, porque, em princípio, este não lhe propõe oficialmente uma ideologia ou uma religião de forma compulsória. [4]

O Estado laico não ensina religião e nem impõe uma educação sexual, por exemplo.  Só que em nosso país só existe laicidade para a religião, pois o Estado vive a querer gerir aspectos individuais dos cidadãos, como se esses fossem crianças indefesas.  O Estado brasileiro quer, inclusive, determinar que comida possa se comer ou não. É o Estado babá.

Nesse aspecto, a cultura advinda do protestantismo só faria bem ao nosso país. É engraçado ver cristãos (?) empenhados em colocar o cristianismo no armário. Eles sonham com um cristianismo que não saia da casa do sujeito crente. Nada de Teologia do Domínio e a falaciosa Batalha Espiritual que expulsa demônios que guardam cidades, mas o cristão precisa ser visto como cristão em todos os aspectos de sua vida. Não se pode dividir a vida cristã entre o sagrado escondido na intimidade e o secular aos olhos do mundo. Não se deve privatizar a fé. O sagrado permeia toda a vida, como escreveu Francis A. Schaeffer:

A verdadeira espiritualidade abrange toda a realidade. Há coisas que a Bíblia nos mostra como pecaminosas- as quais não estão de acordo com o caráter de Deus. Mas, tirando isso, o senhorio de Cristo abrange toda a vida e toda a vida igualmente. Isto é, a verdadeira espiritualidade abrange não somente toda a vida, mas abrange todas as partes do espectro da vida igualmente.  Neste sentido, não há nada na nossa realidade que não seja espiritual. [5]

Não há sacerdotes versus leigos. Todos são sacerdotes do Senhor e em todo o tempo, inclusive no meio cultural. É um princípio protestante, como nos lembra Paul Tillich:

Os que são chamados ao ministério da igreja, ministram exatamente como qualquer outra profissão.  Se depois de algum tempo o pastor abandona o seu ministério e se torna comerciante, ou professor, ou sapateiro, ele deixa de ser ministro e não retém em sim nenhum poder sacramental. Qualquer cristão piedoso, por outro lado, pode ter esse poder sacerdotal em relação a outras pessoas sem necessidade de qualquer tipo de ordenação. [6]

Portanto, é sempre espantosa a campanha do evangelicalismo Cult para que o cristianismo saia da arena pública. Não que queremos ser donos da arena, mas por que não podemos participar dela com as demais vozes do mundo? Estado laico não é exclusão da religião, mas sim o impedimento de uma religião majoritária e censuradora das demais. Estado laico não é Estado secular que exclui a religião complemente do debate. Isso não é democracia.

A teologia que perde a Revelação é uma filosofia de quinta categoria!

O problema da chamada teologia contemporânea, que não é tão contemporânea assim, é que essa despreza a revelação. A teologia cristã sem revelação é mera filosofia chata e pobre, inferior a todas as outras filosofias.  A Teologia da Libertação, por exemplo, trocou a revelação pelo marxismo. Os teólogos da libertação nada mais não do que sociólogos que fariam sucesso em um partido de extrema-esquerda falando mal do “sistema” enquanto fumariam maconha no campus de FFLCH da USP.  Nada mais boçal.

Karl Barth, grande teólogo suíço, já percebia isso no seu enfrentamento com os antigos cults:

A teologia perdeu a sua peculiaridade ao perder a revelação e com isso o grão de mostarda da fé, com a qual se pode transportar montanha. Mesmo a montanha da cultura humanística moderna. A prova de que a teologia havia perdido realmente a revelação está em que lhe foi possível vender seu direito de primogenitura- viver da revelação- ao mudar para receber a noção de religião. [7]

E Barth completa:

Ao tentar comparar e harmonizar a revelação com a religião denuncia uma incompreensão do que seja a revelação como tal. A revelação, obra de Deus, no marco do problema que nos ocupa, deve ser considerada como de natureza superior à religião, obra de homens. Não pode ser de outra maneira. [8]

Comentando um dos textos de Barth sobre as tarefas da teologia, o teólogo católico Joseph Ratzinger observa: “Ao recusar uma filosofia independente da fé como fundamento da fé: a nossa fé estaria então fundamentada, em última análise, em teorias filosóficas mutantes” [9]. É uma verdadeira miséria, já que não temos nem boa teologia e simplesmente uma filosofia rasa.

Isso não quer dizer que a teologia cristã deve desprezar as questões contemporâneas, longe disso, mas sim observar o método que faz a sua leitura do mundo.  O método da teologia cristã é a revelação de Jesus Cristo e não uma escola sociológica. A teologia, quando traída pelos próprios teólogos que desprezam a revelação, torna-se mera “antropologia moral inconsistente” [10], para usar uma expressão do filósofo Luiz Felipe Pondé.


Referências Bibliográficas:

[1] DEYOUNG, Kevin e KLUCK, Ted. Não Quero um Pastor Bacana. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p 39.
[2] Leia a entrevista completa neste link: http://www.blogdokimos.com/entrevista-de-luiz-felipe-ponde-a-veja
[3] CHESTERTON, Gilbert K. Ortodoxia. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p 55-56.
[4] BIÉLER, André. A Força Oculta dos Protestantes. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999. p 164.
[5] SCHAEFFER, Francis A. Um Manifesto Cristão em: A Igreja no Século 21. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010. p 166.
[6] TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. 4 ed. São Paulo: ASTE, 2007. p 236.
[7] BARTH, Karl. Revelação de Deus: como sublimação da Religião. 1 ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2011. p 29-30.
[8] Idem. p 31.
[9] RATZINGER, Joseph. Fé, Verdade , Tolerância: O Cristianismo e as Grandes Religiões do Mundo. 1 ed. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio, 2007.  p 127.
[10] PONDÉ, Luiz Felipe. Do Pensamento no Deserto: Ensaios de Filosofia, Teologia e Literatura.  1ed. São Paulo: Edusp, 2009. p 15-16.

sábado, 30 de julho de 2011

Lição 05 - O Reino de Deus através da Igreja





Texto Bíblico: Lucas 17.20,21; Mateus 18.1-5; Marcos 10.42-45




Subsídio preparado equipe de educação da CPAD.

Introdução

I. O Reino de Deus e a igreja
II. O Reino de Deus presente na igreja
III. Quem é o maior no Reino de Deus

A Igreja como agente do Reino de Deus

Como se vê, o Reino de Deus sobrepuja a esfera de ação da Igreja, pois, como se afirmou acima, tem a ver com a soberania de Deus sobre todas as eras. Entretanto, assim como o povo de Israel constituía-se na congregação de Deus do Antigo Testamento, com a responsabilidade de consubstanciar diante das nações pagãs o conteúdo do Reino de Deus, igualmente foi a Igreja comissionada por Deus com a mesma finalidade. Por viver a maior parte de sua história sob o domínio de outros povos, Israel não soube interpretar as profecias bíblicas acerca do Reino. Esta herança cultural serviu de ambiente propício à proliferação da chamada literatura apocalíptica judaica, como já vimos, cuja essência vislumbrava um juízo que libertasse a nação da opressão política. Este, no entanto, não era o conteúdo da proclamação do Reino de Deus por Jesus. Razão pela qual foi rejeitado pelos seus contemporâneos. Com a rejeição de Jesus pelos judeus, a implantação do Reino de Deus na Terra torna necessária a existência da Igreja para que a soberania divina, mediante o ministério de Cristo, confrontasse os indivíduos a ‘manifestarem uma resposta positiva, introduzindo-os em um novo grupo de comunhão’. Como bem afirmou um respeitado erudito, ‘a Igreja não é senão o resultado da vinda do Reino de Deus ao mundo por intermédio da missão de Jesus Cristo’. A Igreja, portanto, não é o Reino de Deus em sua plenitude, mas a sua expressão entre os homens. 

Como Igreja, ela não proclama a si mesma, mas o Reino de Deus. Ela não é um fim, mas o instrumento que apresenta ao mundo o Senhor do Reino e introduz em suas fronteiras os seres humanos arrancados do reino das trevas. Aqui e agora, em seu confronto com as forças do mal, antecipa as características da vida abundante e da glória divina a serem integralmente experimentadas na dimensão escatológica do Reino de Deus. Nesse sentido, Abraão de Almeida definiu o Reino de Deus como o nosso bem, alinhando oito áreas em que é percebida a sua presença benéfica: a área espiritual, emocional, física, intelectual, política, social, econômica, nacional e internacional. Veja parte do que ele afirma: 
 
O Reino de Deus é, em primeiro lugar, o nosso bem espiritual. Quando recebemos o Reino, recebemos a nossa plena realização espiritual. O nosso espírito, antes morto, revive com aquela vida abundante que Cristo oferece aos que creem nEle.
Essa realização espiritual, por sua vez, resulta em nosso bem emocional. Nossas emoções, antes confusas, se harmonizam quando adentramos o Reino. O ódio desaparece, dando lugar ao amor, e o amor tudo perdoa (...). 
Quando nossa mente é assim purificada de quaisquer sentimentos de inimizade, de mágoas ou ressentimentos, nosso corpo desfruta saúde, pois o Reino de Deus é também o nosso bem físico. 

São inúmeros os casos de cura física através do perdão. Os médicos confirmam o que acabamos de dizer. A causa de muitas enfermidades está exatamente em nossa recusa em perdoar. Quando abrigamos no coração desejo de vingança, inimizades e invejas, abrigamos também distúrbios circulatórios, respiratórios, glandulares, etc. E quando sobre nós reina o Deus de amor, também reina a saúde. 

O bem físico produzido pelo Reino de Deus em nossa vida resulta em nosso bem intelectual. Centralizados em Deus, os nossos conhecimentos têm amparo universal, cósmico. A própria Bíblia afirma que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Isso equivale a dizer que fora do âmbito do temor do Senhor, ou seja, fora do Reino, nossa intelectualidade se perde, fica sem propósito, e totalmente confusa. Deus considerou louca a sabedoria deste mundo, diz a Bíblia, que também afirma que aprouve a Deus salvar o homem pela loucura da pregação, pois a loucura da pregação, pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens (...).

Como se observa, todos os que vivem dentro do Reino podem, por isso mesmo, exercer influência em todas as áreas da vida, mesmo que a pressão contrária do reino das trevas tente criar barreiras. Numa sociedade onde os cidadãos do Reino de Deus ocupem os lugares estratégicos e ajam à luz de seus princípios, quer na administração do país, quer na formulação de políticas educacionais, quer estabelecendo diretrizes para o bem-estar social, com certeza a ação deletéria do mal não terá como avançar os seus tentáculos. Por conseguinte, para que o ser humano seja alcançado por esse bem da realeza, a Igreja realiza as obras do Reino mediante a proclamação do evangelho de poder que lhe foi entregue por Cristo. A mesma instrumentalidade que operou em Jesus durante o seu ministério terreno - o Espírito Santo - está presente na vida da Igreja para que os milagres se realizem, as boas novas cheguem até os confins da Terra e ela possa confrontar o orgulho, a falsidade e o egoísmo disseminado pelo reino das trevas, manifestando em sua existência as qualidades do fruto do Espírito que antecipam a verdadeira natureza da era vindoura.

Texto extraído da obra: “Transparência da Vida Cristã”, editada pela CPAD. 


Geremias do Couto é pastor da Assembleia de Deus em Teresópolis (RJ). É mestre em teologia pelo Gordon-Conwell Theological Seminary (EUA). É responsável pelo projeto Minha Esperança da Billy Ghaham Evangelistic Association

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Eu sou diferente, igual a todo mundo!




Dedico a música abaixo para cantores e pregadores pentecostais que vivem mergulhados no triunfalismo desconectado com a vida real. O sofrimento sempre é ruim e desagradável (isso é óbvio), mas sempre fará parte do nosso cotidiano. Sem desistir, nós devemos lutar contra o sofrimento, mas nunca iludindo as pessoas dizendo que seja possível viver sem ele. Não somos o superman.
Superman
Composição: Bene, Marcão, Sylas e Alexandre Carvalho

Nessas horas que eu me lembro
Que o sofrimento é um megafone
É Deus pra mim gritando que eu não sou o super-homem
Que eu sou de carne e osso que eu vou passar sufoco
Vou fazer o quê? Não vou esconder meu choro
Às vezes é mais fácil fingir, eu sei
Fazer de conta que tá tudo bem que tá tudo zen
Disfarçar que não tem nada dando errado
Mas eu não sou o superman

Se não fosse por Você eu jogava a toalha

Tenho visto tanta coisa errada nesta estrada
Muito falso herói se achando o tal
Iludido com aplausos, elogios... com o pedestal
Até eu já vacilei, dei bobeira, viajei
Esqueci que levo tombo como qualquer um
Esqueci que levo tombo, esqueci que sou normal
Alguém aqui é normal?

Eu sou diferente, igual a todo mundo
Sem Você eu não sou ninguém
Eu sou igual a todo mundo
Não existe superman

Eu vou insistir em Te acompanhar

Haja o que houver, acredite quem quiser
Mesmo tropeçando eu tô aprendendo
Tô descobrindo que pra tudo existe um tempo
Por isso eu tô na luta, tô sobrevivendo
São nessas horas que eu me lembro
Que às vezes eu machuco, às vezes me machuco
Explodindo por fora, explodindo por dentro
Mas eu tô aprendendo, tô aprendendo
Agora eu tô sabendo

Que o sofrimento é um megafone

É Deus pra mim gritando que eu não sou super-homem
Que eu sou de carne e osso que eu vou passar sufoco
Agora eu não esquento não vou esconder meu choro
Afinal eu sou um cara comum
Que também leva tombo como qualquer um
Que tropeça, levanta mas não sai da dança
Tropeça, levanta e não sai da dança

Eu sou diferente, igual a todo mundo
Sem Você eu não sou ninguém
Eu sou igual a todo mundo...

Às vezes é mais fácil

Fazer de conta que tá tudo bem
Mas você sabe que eu não sou o superman

Eu sou diferente, igual a todo mundo
Sem Você eu não sou ninguém

Eu sou igual a todo mundo

Não existe superman

quarta-feira, 27 de julho de 2011

John Stott morre aos 90 anos


Hoje, em Londres, morreu o teólogo anglicano John Stott. A morte aconteceu por complicações de saúde devido à avançada idade. Stott é aquele que foi capelão da rainha e também um dos principais nomes do movimento evangelical junto com Billy Graham. Enquanto Graham teve um papel de evangelista, o inglês Stott teve o papel de teólogo do evangelicalismo moderno.

Stott escreveu dezenas de livros sobre a vida cristã e a pregação do Evangelho. Livros como A Cruz de Cristo (Editora Vida), Cristianismo Equilibrado (CPAD), Eu Creio na Pregação (Editora Vida), I II e III João- Introdução e Comentário (Edições Vida Nova), Ouça o Espírito, Ouça o Mundo (ABU Editora), A Missão Cristã no Mundo Moderno (Editora Ultimato), Entenda a Bíblia (Mundo Cristão) e tantos outros títulos. Não li todos os títulos, mas o que li sempre gostei.

Stott não escapou de posições polêmicas. Ele causou espanto ao defender o aniquilacionismo, ou seja, uma doutrina que prega ser o castigo dos ímpios a aniquilação, a não existência, em detrimento da glória eterna para os justificados pela fé em Cristo. Apesar dessa posição, John Stott foi um anglicano conservador. Não foi um “anglicano reformado” como J. C. Ryle e James Packer, mas era bem mais próximo a eles do que a ala liberal dos anglicanos.

É, certamente, uma grande perda para o Movimento Evangélico.

Abaixo reproduzo três de suas inúmeras pérolas:

  1. A cultura é ambígua porque o homem é ambíguo. O homem é nobre, porque foi feito à imagem de Deus; é ignóbil, porque é decaído e pecador. E sua cultura reflete fielmente esses dois aspectos. [John Stott comenta o Pacto de Lausanne, Visão Mundial, 1975, p 26]
  1. A experiência jamais deve ser o critério da verdade; a verdade tem sempre de ser o critério da experiência. [Batismo e Plenitude do Espírito Santo, Edições Vida Nova, 1975, p 15]

  2. Diálogo não é sinônimo nem substituto para o evangelismo. Diálogo é uma conversa séria na qual somos preparados para escutar e aprender, bem como falar e ensinar. É, portanto, um exercício para nossa integridade. [The Contemporany Christian, Leicester and Downers Grove, 1992, p 111]

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Essa obra vale a pena!


Critiquei diversas vezes a CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) por gastar tempo e recursos com a publicação da Bíblia de Estudo Dake. A Dake é uma publicação fraquíssima, rasa e com comentários controversos (para não dizer heréticos). Mas isso parece ser página virada. A editora, ao que tudo indica, desistiu da obra.

Mas hoje quero recomendar uma ótima publicação da CPAD: é a Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico Grego. Diferente de algumas bíblias de estudo que prometem muito e cumprem pouco, essa grande obra vale cada centavo investido. É pura filologia bíblica. A obra contém o clássico Dicionário de Strong. E o material é muito bom.

A edição conta com a tradução de Almeida Corrida- 4ª edição- 2009. É uma tradução que fez pequenos ajustes da Almeida Corrigida- 3ª- 1995 e está segundo a Nova Ortografia da Língua Portuguesa.

A interpretação da Bíblia não é uma tarefa trivial. Essa bíblia de estudo é muito bem-vinda. É mais um auxílio em língua portuguesa para os milhões de pregadores e professores cristãos deste país. Agora, precisamos aproveitar e aplicar nos púlpitos uma ótima interpretação das Sagradas Escrituras.

Eu recomendo!

domingo, 24 de julho de 2011

O perigoso clima belicoso entre grupos homossexuais e grupos evangélicos

A PLC 122/2006 é uma lei que precisa de reformas. Ao mesmo tempo que os homossexuais precisam de proteção, aliás, todos nós precisamos, não é possível criminalizar alguém pelas suas opiniões. A Constituição garante liberdade de expressão e de crença. Vivemos em democracia. Ponto. Agora, a democracia também é a proteção das minorias. Não é possível ignorar o crescimento de grupos neonazistas que aterrorizam homossexuais nas ruas das grandes cidades. Esses mesmos grupos perseguem negros, ciganos e nordestinos. Indivíduos perigosos como esses devem receber pena maior do que a levíssima legislação brasileira permite até hoje.

Não há nada de errado na preocupação de grupos evangélicos com a liberdade de expressão ameaçada pela PLC 122/2006. A lei é defendida por partidos e parlamentares sem nenhuma simpatia ideológica pela democracia liberal e representativa. A correção política, ou seja, a “polícia das ideias” de George Orwell é, de fato, uma ameaça ao Estado Democrático de Direito. Essas observações são sempre necessárias. A liberdade é um valor que o protestantismo sempre deve defender.

Mas é preocupante o clima belicoso entre militantes gays e grupos evangélicos. O debate simplesmente morreu. Recentemente, em um dos poucos momentos em que escreveu sem contar piadas, o humorista José Simão, que é homossexual assumindo, perguntou na sua coluna na Folha de S. Paulo aos parlamentares evangélicos sobre o caso do pai e filho que apanharam de um grupo por serem confundidos como um casal gay. Por acaso os violentos rapazes homofóbicos eram evangélicos saindo de um culto munidos de Bíblias? É claro que não. Mas a culpa recai logo sobre os evangélicos. Isso está ficando muito sério.

A igreja evangélica sempre teve dificuldades de receber os raros homossexuais que buscam a igreja para ouvir a mensagem do Evangelho. Com o clima belicoso essa cena ficará ainda mais rara. Enquanto os evangélicos falam da “mordaça gay” os gays falam em “fundamentalistas retrógrados homofóbicos”. Quando dois se bicam não há como conversar. Vamos mudar isso?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lição 04 - A Comissão cultural e a grande comissão

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD.


Introdução

I. Missão Integral – Uma ordenança divina
II. Comissão Cultural – Uma convocação à Igreja
III. Grande Comissão – A Igreja proclama o evangelho no mundo


Prezado professor, para a aula deste domingo disponibilizamos o documento do Pacto de Lausanne. Leia-o, faça os seus apontamentos e, se possível, reproduza para os seus alunos. Esta é uma excelente oportunidade para promover a integralidade do Evangelho. Boa aula!

PACTO DE LAUSANNE

Sumário

Introdução

1. O Propósito de Deus
2. A Autoridade e o Poder da Bíblia
3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo
4. A Natureza da Evangelização
5. A Responsabilidade Social Cristã
6. A Igreja e a Evangelização
7. Cooperação na Evangelização
8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização
9. Urgência da Tarefa Evangelística
10. Evangelização e Cultura
11. Educação e Liderança
12. Conflito Espiritual
13. Liberdade e Perseguição
14. O Poder do Espírito Santo
15. O Retorno de Cristo

Introdução

Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações.
Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.

1. O propósito de Deus

Afirmamos a nossa crença no único Deus eterno, Criador e Senhor do Mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. Ele tem chamado do mundo um povo para si, enviando-o novamente ao mundo como seus servos e testemunhas, para estender o seu reino, edificar o corpo de Cristo, e também para a glória do seu nome. Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente. Contudo, regozijamo-nos com o fato de que, mesmo transportado em vasos de barro, o evangelho continua sendo um tesouro precioso. À tarefa de tornar esse tesouro conhecido, no poder do Espírito Santo, desejamos dedicar-nos novamente.

2. A autoridade e o poder da Bíblia

Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática. Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.

3. A unicidade e a universalidade de Cristo

Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se deu uma só vez em resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e o homem. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam. Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como "o Salvador do mundo" não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor.

4. A natureza da evangelização

Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.

5. A responsabilidade social cristã

Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.

6. A Igreja e a evangelização

Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.

7. Cooperação na evangelização

Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências.

8. Esforço conjugado de Igrejas na evangelização

Regozijamo-nos com o alvorecer de uma nova era missionária. O papel dominante das missões ocidentais está desaparecendo rapidamente. Deus está levantando das igrejas mais jovens um grande e novo recurso para a evangelização mundial, demonstrando assim que a responsabilidade de evangelizar pertence a todo o corpo de Cristo. Todas as igrejas, portando, devem perguntar a Deus, e a si próprias, o que deveriam estar fazendo tanto para alcançar suas próprias áreas como para enviar missionários a outras partes do mundo. Deve ser permanente o processo de reavaliação da nossa responsabilidade e atuação missionária. Assim, haverá um crescente esforço conjugado pelas igrejas, o que revelará com maior clareza o caráter universal da igreja de Cristo. Também agradecemos a Deus pela existência de instituições que laboram na tradução da Bíblia, na educação teológica, no uso dos meios de comunicação de massa, na literatura cristã, na evangelização, em missões, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados. Elas também devem empenhar-se em constante auto-exame que as levem a uma avaliação correta de sua eficácia como parte da missão da igreja.

9. Urgência da tarefa evangelística

Mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, ainda estão por serem evangelizadas. Causa-nos vergonha ver tanta gente esquecida; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a igreja. Existe agora, entretanto, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que esta é a ocasião para que as igrejas e as instituições para-eclesiásticas orem com seriedade pela salvação dos não-alcançados e se lancem em novos esforços para realizarem a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas. Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas. Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam. Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles.

10. Evangelização e cultura

O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões, muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.

11. Educação e liderança

Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiásticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.

12. Conflito espiritual

Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e postestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. A igreja tem que estar no mundo; o mundo não tem que estar na igreja.

13. Liberdade e perseguição

É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem impedimentos. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal do Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que foram injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Não nos esqueçamos de que Jesus nos preveniu de que a perseguição é inevitável.

14. O poder do Espírito Santo

Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.

15. O retorno de Cristo

Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a idéia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.

Conclusão

Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!

[Lausanne, Suíça, 1974]