quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O iraniano Yousef Nadarkhani pode ser morto por um grave crime no seu país: ser cristão!


Ore pelo pastor iraniano Yousef Nadarkhani e sua família. Ele pode ser morto a qualquer momento por não negar a fé em Jesus Cristo. Infelizmente, o nosso governo não escreverá uma nota de repúdio por esse absurdo. Liberdade religiosa já!

Leia mais:

EUA pedem clemência ao Irã por pena de morte contra pastor
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5384680-EI308,00-EUA+pedem+clemencia+ao+Ira+por+pena+de+morte+contra+pastor.html


Este homem foi condenado à morte no Irã por ser cristão. Ele pode se salvar: basta renunciar a Cristo

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pentecostal que faz barulho está com defeito de fabricação!

Assim, se toda a igreja se reunir e todos falarem em línguas, e entrarem alguns não instruídos ou descrentes não dirão que vocês estão loucos? (1 Coríntios 14.23)

O barulho ensurdecedor de um culto pentecostal contradiz a recomendação bíblica de um culto racional (Rm 12.1-2) e edificante (cf. I Co 12-14). Não é necessário ser barulhento para exercer os dons espirituais, já que nenhuma manifestação divina anula o livre-arbítrio. A edificação mútua sempre será anulada na grande barulheira. Quem gosta de culto irracional e ensurdecedor então tome consciência que precisa de outra Bíblia para justificar tal liturgia.

E quem disse que esse culto "dinâmico" seja de fato "único" e "não enfadonho"? Os "cultos" barulhentos são uma cópia um do outro. Sempre começa meio devagar e depois com clichês de autoajuda e uma dose de emocionalismo do pregador "animado" o ambiente "pega fogo". Onde Deus está sendo louvado nesse frenesi todo?

Várias pessoas falando em línguas ao mesmo tempo e outras tantas pulando descontroladamente são um indício de um culto cuja carnalidade tomou conta sob forma de espiritualidade. Por que carnalidade? Ora, nesse ambiente ninguém está pensando em edificação mútua, mas simplesmente no prazer da experiência espiritual individualizada. O culto barulhento é um conjunto de pequenos cultos individuais não conectados, ou seja, é um culto sem comunhão. É uma tragédia.

Falar em línguas não é errado. O problema é falar sem interpretação. Não havendo quem interprete, logo fale baixo, como Paulo deixou bem claro em 1 Coríntios 14.27-28: "Se, porém, alguém falar em língua, devem falar dois, no máximo três, e alguém deve interpretar. Se não houver intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus". Mas claro do que isso? Impossível! Como um dirigente de um culto "pentecostal" pode desprezar tamanha clareza descrita em um capítulo inteiro da Bíblia?

O exegeta pentecostal Gordon Donald Fee observa: "Paulo não condena falar em línguas com um louvor comedido, como alguns têm argumentado, nem reverencia o dom, como os coríntios aparentemente haviam feito- e como fazem alguns defensores de falar línguas. Como com toda atividade fortalecida pelo Espírito, Paulo a tem em alta conta, mas em seu lugar apropriado"(grifo do autor) [1]. Ora, todo pentecostal deveria ter 1 Coríntios 14 decorado.

E Atos 2? Ali os discípulos não foram considerados como bêbados após o derramamento do Espírito Santo e mesmo assim não houve ali milhares de conversões? Sim, é verdade. Mas a conversão não aconteceu porque as pessoas observavam a manifestação coletiva, mas sim porque todos os discípulos calaram e Pedro levantou a voz inteligível e anunciou o Evangelho para aquelas pessoas. Além disso, a manifestação era de xenolalia (línguas estrangeiras) e não contorções corporais. O texto e contexto na língua grega deixam bem claro que os discípulos estavam sentados! A Carta os Coríntios já é uma disciplina no culto coletivo às manifestações espirituais.

O autocontrole (e não o controle da soberania do Espírito Santo) é essencial para um culto onde todos possam sair edificados. "As instruções que Paulo deu no tocante à cortesia, e o amor e as limitações às línguas não fariam sentido se os que falavam não tivessem pleno controle dos seus sentidos e consciência do que acontecia em redor deles"[2], como lembra o teólogo pentecostal Stanley Horton.

Paulo, sob autoridade apostólica, conclui o capítulo com uma fala que soa forte nos dias de hoje: "Se alguém pensa que é profeta ou espiritual, reconheça que o que lhes estou escrevendo é mandamento do Senhor". 1 Coríntios 14.37

Referências Bibliográficas:

[1] FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. 1 ed. Campinas: United Press, 1997. p 185.

[2] HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1993. p 248.

"Lata vazia também faz muito barulho", como dizia o pastor assembleiano Estevam Ângelo de Souza (1922 - 1996) 

sábado, 24 de setembro de 2011

Esboço da EBD


Amigos, segue abaixo meu esboço da aula de amanhã na EBD. Como é encerramento do semestre será dado um resumo de toda revista.

A Missão Integral

O que é Missão Integral?

Missão Integral é uma ação cristã mais ampla, completa. É a ação redentora do homem como uno-triplo: corpo, alma e espírito (integral). É a ação redentora da sociedade por meio de valores e exemplo, e não coerção política. É ação educacional, mas sem ser impositiva na sociedade. É a transformação da cultura. É o comprimento do mandato cultural de Gênesis. É a manifestação do Reino de Deus na terra.

Qual é a missão da Igreja?

“Alguns dizem que a missão da igreja é adorar a Deus. Paulo ensina, em Romanos 12, que o verdadeiro culto a Deus é oferecer-se em sacrifício vivo, o que implica em algo mais que a adoração e o louvor na compreensão popular dos conceitos. Alguns dizem, em contrapartida, que a missão da igreja é evangelizar o mundo. De fato, mas aqui cabe perguntar o que isso significa. Seria apenas levar os homens a se decidirem por Cristo? A se tornarem membros de igrejas evangélicas? Ou seria a difusão do Reino de Deus? Ou seria ainda mais, a infusão dos valores do reino na cultura e na sociedade?” (Ricardo Quadros Gouvêa)

O Evangelho e a Cultura

Cultura é o conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social (Houaiss)

O teólogo norte-americano Helmut Richard Niebuhr, no seu clássico Cristo e Cultura (Editora Paz e Terra, 1967), distingue cinco diferentes possibilidades sobre a compreensão do relacionamento entre Evangelho e a Cultura, que ele denomina:

(i) Cristo contra a cultura; (ii) Cristo da Cultura;  (iii) Cristo acima da cultura; (iv) Cristo e Cultura em Paradoxo;
(v) Cristo transformador da cultura

(i) Cristo contra a cultura (fundamentalismo)

“A tendência do Cristianismo exclusivista é a de confinar os mandamentos de lealdade a Cristo, de amor  a Deus e ao próximo, dentro dos limites da comunidade cristã. Aqui também as outras exigências do evangelho devem ser impostas. Mas, como Martin Dibelius, entre muitos outros, tem observado, ‘as palavras de Jesus não foram propostas como regras éticas para uma cultura cristã e, mesmo que fossem assim aplicadas, não seriam suficientes para prover uma resposta a todas as questões da vida cotidiana’”.(NIEBUHR, p. 94, 95, 1967)


(ii) Cristo da Cultura (liberalismo)

“Estes homens são cristãos não somente no sentido de que se consideram crentes no Senhor, mas também no sentido de que procuram manter-se em comunhão com todos os outros  crentes. Todavia, eles se sentem igualmente em casa na comunidade da cultura. Eles não sentem nenhuma tensão entre Igreja e mundo, entre as leis sociais e o Evangelho, entre as operações da divina graça e o esforço humano, entre a ética de salvação e as éticas de preservação ou progresso. Por um lado, eles interpretam a cultura através de Jesus Cristo, considerando como os seus elementos mais importantes àqueles que estão mais de acordo com a sua obra e pessoa; e, por outro lado, eles entendem Cristo através da cultura, selecionando de seu ensino e ação, bem como da doutrina cristã a respeito dele, os pontos que parecem concordar com o que há de melhor na civilização”. (NIEBUHR, p 109-110, 1967)
- A tentação da acomodação intelectual (ver. Francis A. Schaeffer)

(v) Cristo transformador da cultura (Missão Integral)

Transformar a cultura significa redimi-la, não necessariamente alterá-la.

Esquema de Mark Driscoll sobre a relação da Igreja e Cultura (p. 17, 18)

EVANGELHOCULTURAIGREJARESULTADO
EVANGELHOCULTURAORGANIZAÇÃO PARA-ECLESIÁSTICA
CULTURAIGREJALIBERALISMO
EVANGELHOIGREJAFUNDAMENTALISMO
EVANGELHOCULTURAIGREJAREFORMISSÃO (MISSÃO INTEGRAL)


“A cultura no sentido mais amplo é o propóstio pelo qual Deus criou o homem à sua imagem... [o que] inclui não somente os mais antigos chamados de... caça e pesca, agricultura e criação de animais, mas também intercâmbio, comércio, ciência e arte” (Herman Bavinck)

- Tríade  da análise cultural de Pearcey:: Criação, Queda e  Redenção (p. 28)
1. CRIAÇÃO: Como tudo começou? De onde viemos?
2. QUEDA: O que deu errado? Qual é a fonte do mal e do sofrimento?
3. REDENÇÃO: O que fazer a esse respeito? Como consertar o mundo?



Bibliografia:

COLSON, Charles e PEARCEY, Nancy. E Agora, Como Viveremos? 2 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

DRISCOLL, Mark. Confissões de um Pastor da Reformissão. 1 ed. Rio de Janeiro: Tempo de Colheita, 2009.

GOUVÊA, Ricardo Quadros (org.). O Que Eles Estão Falando da Igreja? 1 ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2010.

NIEBUHR, Helmut Richard. Cristo e Cultura. 1 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967.

PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

SCHAEFFER, Francis A. A Igreja no Século XXI. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Lição 13 - A plenitude do Reino de Deus

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

A BENDITA ESPERANÇA

Por Willian W. Menzies e Stanley M. Horton

“A ressurreição e o arrebatamento dos que dormem em Cristo, juntamente com os santos que estiverem vivos, é a iminente e bendita esperança da Igreja” (Rm 8.23; 1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.16,17; Tt 2.13)

Até a vitória de Jesus, no Calvário, toda a raça humana achava-se sobe a servidão devido ao temor da morte (Hb 2.14,15). Mas Ele, através de sua morte vicária, derrotou o diabo, e afastou a ira divina que pairava sobre nós em consequência de nossos muitos pecados. Em seguida, Cristo ressuscitou visando a nossa justificação (Rm 4.25). Visto já termos sido justificados, vivemos em comunhão com Ele. Agora, podemos dizer juntamente com o apóstolo Paulo: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21). Noutras palavras, morrer é ter um lucro certo em Cristo; é ter mais de Cristo; é “habitar com o Senhor” (2ª Co 5.8).

No entanto, a verdadeira esperança de Paulo achava-se na ressurreição dos santos por ocasião da segunda vinda do Senhor. Eis como o apóstolo elogia os crentes de Tessalônica: “... e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a seu filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura”(1 Ts 1.1.9,10).

A ressurreição de Cristo era o tema central da pregação da Igreja Primitiva. Devemos tê-la também como o centro de nossa mensagem, porquanto ela é a garantia de nossa fé e esperança. Uma das grandes afirmações do Novo Testamento encontra-se nestas palavras de Jesus:“... porque eu vivo, e vós vivereis” (Jo 14.19). Paulo classifica a ressurreição de mistério; algo que não havia sido revelado nos tempos do Antigo Testamento, mas que agora é-nos descoberto: “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal ser revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e isto que é mortal ser revestir de imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória” (1ª Co 15.51-54).

“Todos”, na passagem acima citada, inclui todos quanto estamos “em Cristo”. Neste mesmo capítulo, Paulo comparou o presente corpo a um mero grão que, para brotar e frutificar, deve primeiro ser sepultado (1ª Co 15.37). No entanto, ele ressalta que nem todos dormiremos. O apóstolo não queria dizer com isso que estaria vivo quando da volta de Jesus. O que ele faz questão de enfatizar é que todos os crentes, tanto vivos quanto mortos, serão transformados por ocasião do arrebatamento da Igreja.

Tal como o corpo de Jesus, o corpo ressurreto, do qual Ele é a vida animadora, não será nem este corpo mortal que hoje possuímos, nem o espírito desencarnado, mas um corpo espiritual. Um corpo real e espiritual. Realidade não significa necessariamente tangibilidade. Será o ar menos real do que o chumbo, ou o som menos real do que um gramado, ou a luz menos real do que uma pedra? Há a carne de um bebê, tão suave que você a toca com cuidado para não machucá-la, e há a carne de rinoceronte, que você não consegue atravessar nem com bala de rifle. Assim é o corpo ressurreto – real, mas uma realidade gloriosa jamais dantes conhecida. Trata-se de um corpo espiritual de vida humana imortalizada pela vida ressurreta de Jesus. (Nathan R. Wood, de uma preleção feita na Gordon Divinity School, Boston, Mass., 1944.)

A Bíblia declara que seremos como Jesus quando o virmos por ocasião de sua vinda (1ª Jo 3.2). Nossos corpos serão gloriosos e dotados de esplendor e beleza; serão corpos poderosos e apropriados às regiões celestiais. Essa mudança será repentina e sobrenatural. Isto acontecerá ao soar da última trombeta. Então, encontrar-nos-emos como Senhor nos ares; e, com Ele estaremos para sempre (1ª Ts 4.17).

Não são poucos os que, amedrontados com as guerras e a poluição ambiental, dizem que já não nos resta qualquer esperança. Mas Deus não permitirá que as circunstâncias lhe prejudiquem os planos, nem que lhe frustrem os decretos. O certo é que Jesus voltará, e porá fim à corrupção, à miséria e às artimanhas. Ele instaurará [plenamente] o seu reino glorioso.

Texto extraído da obra: “Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé”, editada pela CPAD.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Deísmo Reformado

Há muito tempo li em uma revista de Escola Dominical de uma igreja reformada sobre milagres. O autor argumentava que Deus não fazia mais milagres, pois Ele não contrariaria suas próprias leis da física. Sim, é um argumento fraquíssimo, mas aparentemente aceito por muitos. Simplificando o conceito de deísmo: seria aquela ideia que Deus criou o mundo e depois foi passear por aí. É um deus que não intervém.

Claudionor de Andrade define deísmo como:
Deísmo [Do lat. Dei + ismo]  Doutrina que, apesar de admitir a existência do Supremo Ser, ensina não estar Ele interessado no curso que a história toma, ou venha a tomar. Noutras palavras: de acordo com o deísmo, Deus limitou-se tão somente a criar-nos, abandonando-nos a seguir à própria sorte. [...] A Bíblia afiança-nos, porém, estar o bondoso Deus não apenas preocupado conosco, como também acha-se sempre presto a intervir em nossa história. No Salmo 104, Davi mostra quão solícito é o Criador para com as suas criaturas. E o que dizer da mensagem de João 3.16? Deus jamais enviaria seu Unigênito a morrer por nós, caso não se interessasse pelo nosso bem-estar! [...] O deísmo, por conseguinte, é o paganismo travestido de piedade. É a distorção do teísmo bíblico [1]. 
O deus que não intervém não é bíblico. Aliás, os "teístas abertos" e os radicais "reformados cessacionistas" têm uma crença em comum. Veja como o calvinismo radical (hipercalvinismo) e o arminianismo radical (teísmo aberto) são próximos! Como assim que Deus já não intervém na história do homem? Como podemos negar a realidade do milagre? Sim, não devemos viver em função dos milagres, mas daí a negar sua existência é outra história.

Graças a Deus que somente parte dos reformados pensam assim, mas alguns poucos costumam fazer barulho. Sim, os milagres existem. É entranho que alguns reformados conservadores abracem um naturalismo que contraria o sobrenaturalismo bíblico. O naturalismo não é necessariamente ateísmo, pois há um deus para essa teoria, que é o deus deísta, ou como lembrou C. S. Lewis: "O que o Naturalismo não pode aceitar é a ideia de um Deus que se coloque fora da Natureza e que a tenha criado" [2]. Deus, então, ficaria preso nas leis da físicas (sua criatura)? É claro que não!

Referência Bibliográfica:

[1] ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 16 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 132.

[2] LEWIS, C. S. Milagres. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. p 21.

domingo, 18 de setembro de 2011

A sã doutrina está sob ameaça quando...

Gr. hupokrisía,as (forma posterior) e hupókrisis,eós 'resposta, resposta de oráculo; ação de desempenhar um papel, uma peça, uma pantomima; desempenho teatral, declamação; simulação, dissimulação, falsa aparência'
Nós, cristãos conservadores, somos muitos preocupados com o relativismo quando falamos de preservação doutrinária. É, realmente, impossível crer em doutrinas da fé cristã e ainda ser um relativista prático. Bem que nenhum relativista é totalmente prático e coerente, pois todos os humanos vivem em função de crenças. O relativismo é uma "doutrina que segundo a qual os valores morais não apresentam validade universal e absoluta, diversificando-se ao sabor de circunstâncias históricas, políticas e culturais" (Houaiss).

Mas seria o relativismo a única ameaça para as doutrinas da fé cristã? Longe disso, pois a principal ameaça reside justamente no cristianismo prático que nós dizemos viver. O mundo pós-moderno ou ultramoderno, como queiram definir, cobra coerência dos crentes de qualquer crença, mesmo que eles sejam os primeiros hipócritas. Sim, hoje somos mais cobrados pela coerência entre a nossa fé (que pregamos) e a nossa prática (que vivemos).

E aí? A sã doutrina está sob ameaça quando não vivemos o que pregamos. Mas você já ouviu esse discurso moralista por aí. Não preciso lembrar que nós devemos ser coerentes. Mas também não se engane. Nunca seremos totalmente coerentes. A nossa fé é de uma beleza tal que nós somos maus demais para vivê-la integralmente, mesmo sabendo que contamos com a graça divina para tal. Porém, devemos lutar contra a hipocrisia, mas ela sempre será uma das nossas principais tentações. É o teatro da vida querendo nos conquistar.

Lutando contra a hipocrisia

O primeiro caminho para vencer a hipocrisia é reconhecer a nossa limitação. Uma das grandes verdades do cristianismo é a realidade presente do pecado na vida do homem, mesmo que esse seja regenerado, pois "se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós" (I Jo 1.8). A nossa era é a muito hipócrita, pois todo mundo se acha "bonzinho". O segundo caminho para vencer a hipocrisia é nunca vender a imagem de sócio do céu. Não façamos marketing pessoal da santidade, pois enganar pessoas é fácil, mas a Deus é impossível. O terceiro caminho é tomar cuidado com ambientes rígidos demais, muito legalista. O que move o legalismo, muitas vezes, não é o desejo de santidade, mas sim a dissimulação do pecado.

Sim, a sã doutrina é ameaçada pelo relativismo, pelo descaso com o estudo bíblico, mas também pela hipocrisia nossa de cada dia. Parece que Jesus não gostava muito de gente que vendia a imagem de piedosa e era, na verdade, outra coisa (Mt 23.28; Mc 12.15; Lc 12.1. cf. Mt 6.2; 6.5; 6.16; 7.5; 15.7; 23.13; 24.51 e Lc 13.15). Por isso, quando fizermos o papel de exortadores, que também sejamos moderados pela lembrança de que somos humanidade caída.

sábado, 17 de setembro de 2011

Edir Macedo está desesperado, nada além disso!

Começo este texto demarcando posições: 

01) Eu não concordo com a "bênção de Toronto". 

02) Vejo que o "cair no espírito" não é de Deus e nem atividade demoníaca, mas simplesmente "emocionalismo humano". (Leia mais aqui: http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/01/cair-no-esprito.html)
  
03 ) As diretrizes do culto pentecostal estão em I Coríntios 14 e não em interpretações alegóricas de João 3.8. 

04) Eu não aprecio parte desse mundão da música evangélica.

Mas discordo profundamente do autointitulado bispo Edir Macedo, o defensor do aborto e dono de uma das maiores podridões da TV brasileira. As declarações de Edir Macedo são parte de desespero, somente isso. Edir Macedo perde terreno religioso a cada dia e isso certamente afeta suas receitas. Edir Macedo só pensa em dinheiro e está vendo uma coluna do seu império desmoronando. É apenas desespero. Ele não tem nenhum apreço pela boa ordem do Evangelho.

Edir Macedo é o introdutor das maiores aberrações cúlticas no seio evangélico, como as famosas "rosas ungidas" e "sal grosso" e ainda fica falando dos outros. É um coitado. É um "teólogo" de meia tigela que estabeleceu doutrina conversando com demônios, segundo mesmo relata nos seus livrinhos. Em um país sério Edir Macedo já estaria preso, não por pregar mentiras, mas sim por enriquecimento ilícito.

A falência ou estagnação da Igreja Universal do Reino de Deus é uma boa notícia. Aquela seita nunca pregou o Evangelho e não fará falta. Só é triste pelas milhares de pessoas ludibriadas. Conheci pessoas que eram membros da IURD e eram seres humanos ótimos, mas infelizmente comprometidos com as mentiras do Macedo. É lamentável. 
Edir Macedo, ops, Mr. Burns está desesperado com receitas menores da empresa, ops, igreja.
Quando Edir Macedo mandou uma banana para os seus críticos isso só mostrou o nível podre dele.

Você, amigo que congrega na Universal, lembre do conselho bíblico sobre a Babilônia: "Então ouvi outra voz do céu que dizia: 'Saiam dela, vocês, povo meu, para que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam'!" (Apocalipse 18.4)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Lição 12 - A integridade da doutrina cristã

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

Por Jerry McCamey

Certo dia, tive verdadeira experiência de aprendizagem em um posto de gasolina a poucas quadras do meu gabinete pastoral. Parei para consertar um pneu furado. Enfiei a cabeça pela porta do posto e perguntei se poderia deixar o pneu e vir apanhá-lo depois. Pensei que isso daria tempo necessário para consertar o pneu, de modo que eu não tivesse de esperar. Fiquei totalmente sem ter o que dizer, quando o funcionário me informou: “Nós não fazemos esse tipo de serviço aqui!” Dei uma olhada no letreiro do posto de gasolina para me certificar de que acidentalmente eu não tivesse parado em um restaurante fast-food. Realmente, era um posto de gasolina nacionalmente conhecido.

Esse foi apenas um pequeno lembrete do quão especializados nos tornamos nestes tempos modernos. Não faz muito tempo, podíamos levar o carro ao posto de gasolina e dizer: “Algo não está funcionando direito. Conserte!” O que quer que estivesse mecanicamente avariado logo seria descoberto e consertado, pouco importando qual fosse o problema. Hoje levamos o carro para um lugar se o problema é no silenciador, para outro para consertar os freios, para algum outro lugar se a transmissão não funciona direito, para outro para abastecer e para mais algum outra para trocar o óleo.

Essa síndrome de especialidade vigente nos Estados Unidos também acontece com os serviços de comida. Houve época em que você poderia entrar num café e pedir ampla variedade de comida. Hoje, se você quer um hambúrguer, vai ao McDonald’s. Para um taco (comida mexicana), vai ao Taco Bell. Se deseja comer frango pronto, vai ao Colonel Sanders. Todos os amantes de carne de peixe têm de se dirigir ao Long John Silvers para se saciarem. Minha família, muitas vezes, tem de parar em três ou quatro lugares diferentes a caminho de casa, a fim de que todos os gostos sejam satisfeitos. Essa tendência das indústrias que servem comida e das que prestam serviços a carros em geral é algo bom e bem-vindo. Não apresenta problema de proporção importante para mim ou para qualquer outra pessoa. Alegremente a aceitamos pela conveniência que traz.

O que acho alarmante é o número crescente de pastores e igrejas que estão caindo vítimas desta mentalidade de “especialidades”. Muitas igrejas parecem só se envolverem em determinadas áreas ministeriais nas quais ou têm prazer ou acham particularmente fáceis. Temos igrejas da “Palavra”, igrejas do “louvor, igrejas do “fogo e enxofre”, igrejas da “família”, igrejas do “discipulado”, e a lista prossegue sem fim. Em resposta a muitas pessoas feridas, cujas necessidades ou problemas não se ajustam em uma especialidade em particular, muitas igrejas teriam a dizer: “Desculpe, não fazemos esse tipo de serviço aqui”.

Nestes últimos dias, a igreja precisa ser lugar de cura e refúgio para todo aquele que precisar – pouco importando qual seja a necessidade. Temos de insistir em ser uma igreja equilibrada. Podemos e devemos redescobrir que temos a imutável sã doutrina da Palavra de Deus e que ainda fluímos com o vento e a espontaneidade do Espírito.

Jesus disse à mulher junto ao poço de Jacó: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Nessas palavras, encontro o esquema para conservar a sã doutrina e a manifestação do Espírito na igreja. O Senhor estava dizendo a essa mulher e àqueles de nós hoje pegos no debate da “tradição versus liberdade no Espírito”, que estamos desperdiçando nosso tempo.

Todo aquele que advoga ser guiado pelo Espírito, mas de modo absoluto não insiste em tudo o que se alinha com a Palavra, está claramente em erro. O mesmo é verdade a respeito de qualquer um que reivindica ser doutrinariamente são, não obstante esquece que ser espontâneo e guiado pelo Espírito é doutrina completamente sólida. Não é questão de um ou de outro. É questão de espírito e verdade!
Essa grande verdade é salientada repetidamente ao longo da Bíblia.

Texto extraído da obra: “Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais”, editada pela CPAD.

Encontro Apologético

Clique na imagem para ampliar!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A decadência dos decadentes!

Veja abaixo duas matérias: 01) A primeira sobre denúncias do Ministério Público contra Edir Macedo e sua turma. 02) A segunda apresenta o declínio da Igreja Renascer. Comento no final.

Doleiros dizem que Igreja Universal enviou R$ 400 milhões ao exterior

Evasão. Revelação de sócios da casa de câmbio Diskline, que aceitaram colaborar com as investigações do Ministério Público no Brasil e da Promotoria de Nova York pela chamada delação premiada, indica que remessas foram feitas entre 1995 e 2001.

Bruno Tavares e Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo

A Igreja Universal do Reino de Deus é acusada de ter enviado para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, o que faria o total chegar a cerca de R$ 400 milhões. A revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ontem ao Ministério Público Estadual e confirmou o que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York.

Continue lendo aqui. 

O declínio da igreja da bispa Sônia

Revista Istoé

A líder evangélica enfrenta a decadência de sua Renascer em Cristo, que já fechou 70% dos templos, a doença do filho e sucessor natural, em coma há dois anos, e os processos na Justiça por formação de quadrilha e estelionato.

"É difícil pensar em alguém menos apropriado que a bispa Sônia para escrever um livro intitulado ‘Vivendo de Bem com a Vida’." A frase é de um ex-bispo que foi do alto escalão da Igreja Renascer em Cristo por mais de uma década e sintetiza o momento da instituição neopentecostal brasileira liderada pelo casal Sônia, 52 anos, e Estevam Hernandes, 57. No ano em que comemora um quarto de século, a denominação, tida como a grande promessa evangélica dos anos 1990, dá sinais claros de que está em franca decadência. Com cisões internas, uma complicada crise sucessória, um crescente número de lideranças migrando para outras denominações, templos fechados por falta de pagamento de aluguel e um sem-número de indenizações a serem pagas num futuro próximo, as perspectivas não são nada boas. “O futuro da igreja está nas mãos de Deus”, disse a bispa em entrevista exclusiva à ISTOÉ.

Continue lendo aqui.


Comento:

Os próximos números do Censo-IBGE, sobre o perfil religioso dos brasileiros, confirmarão a decadência da Igreja Universal do Reino De Deus (IURD) e a Igreja Apostólica Renascer em Cristo (IARC). É a decadência dos decadentes. A IURD, especialmente, é o grupo religioso que mais trouxe escândalos para os nomes dos evangélicos que nenhuma ligação tem com o autointitulado bispo Edir Macedo. O falso evangelho é enjoativo, não dura para sempre! Mas, infelizmente, sempre nascem novos decadentes...

domingo, 11 de setembro de 2011

09/11

Foto: The New York Times
O 11 de setembro de 2001 revelou duas coisas: 1) O fundamentalismo islâmico, ou seja, uma fé totalitária e sem misericórdia. 2) O fundamentalismo antiamericano, ou seja, um monte de ocidentais que se alegraram com a queda das torres e, inclusive, alguns brasileiros boçais que sorriram com a desgraça alheia. Qual é o pior fundamentalismo?

Hoje, 11 de setembro de 2011, é necessário lembrar que a fé cristã é um exercício de misericórdia. O melhor enfrentamento contra o terrorismo mundial, na ótica cristã, é o exemplo de compaixão e amor encarnado em Cristo Jesus. O fundamentalismo islâmico e sua escatologia enlouquecida mostram que uma interpretação radical e desconectada da misericórdia é o gerador das piores atrocidades. 

Que nós, cristãos que somos, sejamos exemplos de fé autêntica, conhecimento doutrinário firme e, acima de tudo, como pessoas amorosas e misericordiosas.

God bless America! 

PS: É lamentável ver cristãos presos em teorias conspiratórias e outras bobagens que assistem no You Tube. Além disso, é também triste esses "profetas da Ira Divina" que buscam em atitudes pecaminosas da sociedade americana uma justificativa para o 11 de setembro como obra de Deus. Não, Deus não trabalhou com Bin Laden!

sábado, 10 de setembro de 2011

Lição 11- A Influência Cultural da Igreja

Definindo Cultura e o Papel da Igreja

Por Terrence R. Lindvall e J. Matthew Melton. 

(Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD)

“Cultura”, derivado do latim cultura, refere-se aos costumes e produtos sociais inventados pelos seres humanos e refletindo suas crenças e valores. Segundo é interpretada nos dias de hoje, a cultura é caracterizada pelas artes, hábitos e comportamentos de um grupo social. Assim as meninas vitorianas da década de 1890 eram tão constrangidas por sua cultura quanto eram as meninas materiais da década de 1980. Ambas seguiam a moda e a novidade que compunham a cultura popular, quer seja a “baixa” cultura das massas ou a “alta” cultura da elite.

No século XIX, Matthew Arnold, poeta e crítico inglês, descreveu a cultura como o ato normativo de “nos familiarizarmos com o melhor do que era conhecido e dito no mundo”. As pessoas tendem a ver a cultura como a “cultivação” do melhor e mais esplêndido, dos ideais mais sublimes em termos de gosto e refinamento, das coisas boas com as que se esperava estar associado: livros bons, companhia boa, roupas boas, música boa, teatro bom e coisas assim. A bondade incluía as dimensões morais e estéticas: Podia-se ser instruído nas coisas boas e simultaneamente achar prazer.

Sob o ideal da alta cultura está a cultura que a massa das pessoas quer de fato. A cultura popular contemporânea raramente se preocupa com o que é “bom”. Tornou-se mais associado com o que é mantido em comum numa dada sociedade ou com o que venderá. A cultura que é consumida em larga escala torna-se “cultura popular”. O álbum Thriller, de Michael Jackson, os filmes Titanic, de James Cameron e O Parque dos Dinossauros, de Stephen Spielberg, qualificam-se – não necessariamente porque sejam intrinsecamente bons, mas porque são de grande popularidade. Estas artes da mídia atraem às massas e não requerem alto grau de sofisticação intelectual ou refinamento cultural.

A cultura popular que tratamos aqui é o entretenimento visual: cinema, televisão, vídeo e as novas formas de tecnocultura, como vídeo games interativos. De muitas formas, esta mídia baseada em imagem mostra uma influência às vezes evidente, às vezes sutil, mas sempre poderosa no desenvolvimento de nossa cultura. Neste sentido, Neil Postaman vê a questão de se a mídia visual molda ou reflete a cultura como antiquada. Na sua visão, a televisão e o cinema tornaram-se nossa cultura.

Se a avaliação de Postman está ligeiramente exagerada, sua avaliação da influência da mídia visual na cultura contemporânea indubitavelmente levanta questões básicas para o povo da fé. Por exemplo, será que verdadeiramente entendemos até que ponto nossa vida e cosmovisão são influenciadas pela mídia visual – particularmente pela mídia de entretenimento baseada em imagens? [...] A possibilidade de que a mídia substitua o papel historicamente vital desempenhado pela igreja na formação dos valores de uma comunidade é desconcertante, mas compreensível. Para muitos, o cinema se tornou uma igreja virtual.

Mesmo dentro de nossa casa, verificamos que as devoções familiares são suplantadas pelos deuses domésticos eletrônicos. A televisão pode funcionar como santuário privado ao deus das imagens – um deus do lar grego ou olímpico da ESPN, um Buda pessoal da Televisão Pública ou um deus dionísio da TV a cabo. Cada um oferece sua própria visão da vida boa. E frequentemente jazemos prostrados diante de nosso deus, ficando até preguiçosos e indolentes.

A transformação de uma cultura oral centrada na palavra para uma cultura eletrônica centrada na imagem apresenta desafio especial para estudiosos e estudantes cristãos, sobretudo levando-se em conta o poder hoje reconhecido das imagens. Os valores promovidos na cultura popular da televisão e do cinema raramente são os da fé cristã. O egoísmo, o hedonismo, a cobiça, a vingança, a luxúria, o orgulho e uma legião de outros vícios são muito bem-sucedidos em competir com o fruto do Espírito de amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança (Gálatas 5.22,23). A tarefa dos cristãos é descobrir se algum destes valores bíblicos existe em expressões particulares da cultura popular, para expor o falso e celebrar o bom e o verdadeiro. Neste sentido, a recomendação de Paulo aos cristãos filipenses permanece verdadeira: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4.8). Nossa contribuição à cultura popular, seja como espectador (o consumidor) ou como artista (o produtor), deve seguir a exortação de Paulo para abranger a integridade, a virtude e a beleza em nossos pensamentos e ações, independente da ênfase comum demais que a cultura popular dá aos valores opostos. 

Dissemos que a cultura popular contemporânea raramente se preocupa com o que é bom. Portanto, os cristãos devem ser extremamente seletivos nas atividades da cultura popular nas quais escolhem participar. Ainda que a escolha entre o que é popular e o que é biblicamente apropriado não seja fácil, é necessária a fim de mantermos um relacionamento saudável com o Senhor.

Texto extraído da obra “Panorama do Pensamento Cristão”, editada pela CPAD.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ei, o conferencista internacional vem aí!

Megalomania (Dicionário Houaiss)

Acepções
■ substantivo feminino
1 Rubrica: psicopatologia.
supervaloração mórbida de si mesmo; macromania

2 Derivação: por extensão de sentido.
predileção pelo grandioso ou majestoso; mania de grandeza

3 Derivação: sentido figurado.
ambição ou orgulho desmedidos


É trivial piadas sobre "novos ricos". O senso comum indica que aqueles antes pobres que ficam ricos de uma hora para outra manifestam a breguice misturada com a arrogância. No meio evangélico também há os "novos ricos", ou melhor, as "celebridades instantâneas" que abraçam o brega com o orgulho. Não é somente no meio musical, mas principalmente na "indústria da pregação". Os púlpitos, que deveriam levar as palavras da cruz, servem como o palco dos pequenos egos. Vejamos:

a) O conferencista internacional

Talvez o meio evangélico seja o maior produtor de "conferencistas", ou seja, aja assunto importante para debater! Na verdade, qualquer pregador que grita como o Galvão Bueno na hora do gol é chamado de conferencista, mesmo sem nunca ter pisado em uma conferência de fato. Além disso, não conformados com títulos, como "pastor" ou "evangelista",  o megalomaníacos querem ser chamados de "conferencistas internacionais". Bobagem ou vaidade? As duas coisas. O sujeito prega na fronteira do Paraguai e já faz a autopropaganda de sua fama internacional. É muita besteira para descrever em pouco espaço.

b) O reverendo doutor Fulano da Silva

Quando alguém deve ser chamado de doutor? Apenas no ambiente acadêmico. É somente na academia que os títulos de pós-graduação fazem sentido e são necessários para identificar o padrão de uma aula ou conferência. Conheço vários doutores e não vejo nenhum deles ostentando tal título por aí. É somente na breguice de pregadores que compram diplomas falsos e que fazem questão de serem chamados "reverendos doutores" em qualquer circunstância. É simplesmente boçal.

c) A terceirização do elogio

Parece combinado ou talvez até seja. O pregador convidado enche o pastor local de elogios e o pastor local enche o pregador convidado de louvores. É uma babação de ovo sem fim. Cansa ouvir e ao mesmo tempo é constrangedor. Até parece conversa de deputados federais diante de uma entrevista na TV Câmara. Elogiar é parte de uma boa educação, mas tudo tem limite!

Eu acho que vi um gatinho!

Certamente que a cultura brasileira é viciada em tais bobagens. Essas atitudes mostram a mundanização do meio evangélico, mas lembrando que o fenômeno não é recente.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tendências da Hermenêutica Pentecostal

Amigos, segue abaixo um artigo do teólogo Roger Stronstad, um dos principais eruditos pentecostais ainda vivo. O texto fala sobre a construção da hermenêutica pentecostal, inclusive citando o ótimo trabalho do teólogo assembleiano William Menzies, que morreu recentemente aos 80 anos. O artigo é originalmente do periódico Enrichment Journal, uma publicação do Concílio Geral das Assembleias de Deus norte-americana. A tradução é do blog Personaret.

Esta é uma parte da série de palestras sobre Hermenêutica Pentecostal dada no Seminário de Teologia das Assembleias de Deus, Springfield, Missouri.

Por Roger Stronstad*

Em 01 de janeiro de 1901, o movimento pentecostal nasceu. O mundo foi um berçário para o novo século; a cidadezinha do meio-oeste chamada Topeka, no Kansas, foi o berçário para o nascimento de um novo movimento. O século 20 nasceu para a celebração pública; o movimento pentecostal nasceu nas experiências individuais de um membro de uma pequena reunião de oração privada na Escola Bíblica Betel. Embora o movimento pentecostal tenha se iniciado em humilde anonimato, hoje, com pouco mais de uma década antes de chegar ao seu centenário, ele cresceu e se tornou em uma grande força para a cristandade.

A Tradição do Pentecostalismo Clássico: Uma hermenêutica "Pragmática"
Charles F. Parham

Charles F. Parham: Origens da Hermenêutica "Pragmática"

Assim como Martinho Lutero é a fonte do luteranismo, João Calvino da teologia reformada, e João Wesley da Igreja Metodista, assim Charles F. Parham é a fonte do pentecostalismo. Parham não foi o primeiro a falar em línguas. Em certo sentido, a honra vai para a senhorita Agnes N. 0zman.[1] Em outro sentido, o nascimento do movimento pentecostal é o clímax do crescente volume de experiências entre os vários avivamentos e movimentos de Fé Apostólica.[2] O que fez Charles F. Parham a pai do pentecostalismo e de Topeka, Kansas, o foco do pentecostalismo, e Ozman Agnes, a primeira pentecostal, não foi a singularidade desta experiência, mas a nova compreensão bíblica/hermenêutica dessa experiência.

Charles F. Parham legou ao movimento pentecostal a sua hermenêutica definitiva e, consequentemente, a sua teologia e apologética definitiva. Sua contribuição surgiu do problema da interpretação do segundo capítulo de Atos e da sua convicção de que a experiência cristã do século 20 "deveria corresponder exatamente com a Bíblia, [porém], nenhuma santificação nem unção existente ... correspondia com o capítulo 2 de Atos dos Apóstolos."[3] Assim ele relata: "Eu ponho os alunos para estudar diligentemente sobre qual é a evidência bíblica do batismo no Espírito Santo para que possamos ir diante do mundo com algo que seja irrefutável, pois corresponde absolutamente com a Palavra . "[4] Ele conta os resultados da sua busca com as seguintes palavras: "Deixando a escola por três dias nesta tarefa, fui para a cidade do Kansas para três dias de cultos. Voltei para a escola na manhã anterior ao culto da Vigília Noturna do ano de 1900."

"Por volta das 10:00 horas da manhã, tocou a campainha chamando todos os alunos à capela para obter o relatório deles sobre o assunto. Para meu espanto, todos tinham a mesma história, que, apesar de várias coisas estarem ocorrendo quando caiu a benção pentecostal, a prova irrefutável em cada ocasião era que eles falaram em outras línguas ".[5]

No relato de Parham encontramos a distinção essencial do movimento pentecostal, ou seja, (1) a convicção de que a experiência contemporânea deve ser idêntica ao cristianismo apostólico, (2) a separação entre batismo no Espírito Santo e santificação (os movimentos de santidade já haviam separado isso da conversão/iniciação), e (3) que o falar em línguas era a evidência irrefutável ou prova do batismo no Espírito Santo.

A descoberta de que o falar em línguas era a prova bíblica irrefutável do batismo no Espírito Santo, foi confirmada no dia seguinte, a experiência de uma aluna da Escola Bíblica Betel, Agnes Ozman. Ela testificou que: "O espírito de oração estava sobre nós durante a noite. Era quase sete horas do dia primeiro de Janeiro, quando veio em meu coração pedir ao irmão Parham para colocar as suas mãos sobre mim, para que eu pudesse receber o dom do Espírito Santo. Quando as suas mãos foram impostas sobre a minha cabeça, então o Espírito Santo desceu sobre mim e comecei a falar em outras línguas, glorificando a Deus. Falei em várias línguas, era claramente manifesto quando um novo dialeto estava sendo falado."[6]
Agnes Ozman foi a primeira, mas não a última pessoa a falar em línguas na Escola Bíblica. Em 03 de Janeiro de 1901, outros alunos, e até mesmo o próprio Parham, falaram em línguas. Quando questionado sobre a sua experiência, a senhorita Ozman "apontou-lhes as referências bíblicas, mostrando que [ela] tinha recebido o batismo de acordo com Atos 2:4 e 19:1-6."[7]

Assim, na semana que encerreou a temporada de Natal de 1900 e do Ano Novo de 1901, as línguas foram identificadas como a evidência bíblica do batismo no Espírito e foram confirmadas pela experiência contemporânea (século 20). Essa identificação das línguas bíblicas e a experiência carismática contemporânea ocorreu por causa de uma hermenêuticapragmática. Essa hermenêutica pragmática passou para o recente movimento pentecostal como uma "tradição oral". Essa tradição foi posteriormente "recebida" pelo conselho das igrejas e codificada em declarações doutrinais.

Como resultado dessa codificação da hermenêutica e teologia de Parham, a hermenêutica pentecostal permaneceu em um vácuo analítico por boa parte da sua breve história. Na verdade, a hermenêutica pentecostal tem sido mais exposta do que investigada e analisada. Contudo, essa hermenêutica pragmática tornou-se o baluarte da apologética pentecostal e o pilar do pentecostalismo clássico, que, embora possa ser articulada com maior clareza, elegância e sofisticação, manteve-se inviolada até recentemente.
Carl Brumback:

Carl Brumback: Um Exemplo de Hermenêutica Pentecostal Clássica "Pragmática"


Assim como o fogo é impulsionado pelo vento através da pradaria seca, assim, nas décadas seguintes aos decisivos eventos na Escola Bíblica Betel, os ventos do Espírito varreram as chamas do pentecostes sobre os corações espiritualmente secos. O recente avivamento pentecostal avançou e cresceu, tornando-se rapidamente mais internacional do que a tábua das nações do primeiro pentecostes cristão (Atos 2:9-11). O avivamento espalhou-se rapidamente a partir do Kansas e Missouri, até o Texas e Califórnia.[8] E dali para os confins da terra. Contrariamente às expectativas e desejos da maioria do incipiente movimento, ele coligou-se em várias estruturas denominacionais. Depois de 50 anos ele foi cautelosamente admitido na principal corrente do evangelicalismo.[9] Através desse caleidoscópio de variedades que caracteriza o pentecostalismo localmente, nacionalmente e até mesmo internacionalmente, um aspecto permaneceu constante - a hermenêutica pragmática que olhou para o pentecostes como o padrão para a experiência contemporânea.

Escrevendo sobre o meio caminho andado entre o início do movimento pentecostal até o presente, um expositor declarou: "Cremos que a experiência dos cento e vinte em Atos 2:04 - 'E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem' é o padrão bíblico para os crentes de toda era da igreja."[10]

Essa afirmação foi escrita por Carl Brumback, a quem escolhi como um exemplo de hermenêutica pentecostal.[11] Essa afirmação da hermenêutica pentecostal, no entanto, poderia ter sido escrita em qualquer década da história do movimento, ou por qualquer pessoa pertencente ao movimento.
Isto porque a hermenêutica pentecostal é tradicional e, portanto, essencialmente intemporal e anônima.

Em seu livro, "What Meaneth This?: A Pentecostal Answer to a Pentecostal Question", Brumback não se cansa de afirmar esse Pentecostes como o padrão de orientação hermenêutica. Por exemplo, "O batismo ou enchimento com o Espírito Santo, conforme registrado em Atos", escreve ele, "deve ser o padrão para os crentes de hoje"; além disso, "nos dias apostólicos falar em línguas acompanhava constantemente o batismo com o Espírito Santo, e assim deve ser nestes dias"; ainda mais, "falar em línguas formou o padrão para cada batismo ou revestimento carismático semelhante " ; e finalmente, "as línguas de Pentecostes ... definiram o padrão para o futuro batismo no Espírito Santo."[12]

Para os pentecostais, então, as línguas são normativas para sua experiência, assim como elas foram normativas na experiência da Igreja Apostólica registrada em Atos. Apesar de normativa, as línguas não são o propósito do batismo. Para os pentecostais, em geral, e Brumback em especial: "Jesus estabeleceu o propósito do batismo ou o enchimento com o Espírito Santo em Lucas 24:49 - 'permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.' Novamente em Atos 1:8 Ele disse: 'mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo.' " [13]

Admitindo que existem visões opostas sobre o significado dessas promessas, Brumback insiste "que o principal (para não dizermos o único) propósito do batismo, no e desde o Pentecostes, era e é o revestimento dos crentes com 'o poder do alto.' " [14] Esse dom de poder, certamente, é para possibilitar ou capacitar o testemunho ou o serviço dos crentes.

Essa breve pesquisa sobre o Pentecostes por Brumback como um padrão hermenêutico é um exemplo de hermenêutica pentecostal no ponto médio da história do movimento e uma reafirmação da hermenêutica pragmática dos alunos de Parham mais de uma geração anterior. Tal como aconteceu com os alunos de Parham, aqui há a mesma convicção de que a experiência do cristianismo apostólico e contemporâneo deva ser idêntica, que o batismo é para o serviço e não para salvação ou santificação, e que as línguas são a evidência irrefutável do batismo com o Espírito Santo. 

Uma peculiaridade marcante da discussão de Brumback para quem o leu a 40 anos atrás é que esse Pentecostes/pragmático como um padrão hermenêutico é simplesmente assumido por ser auto-evidente e auto-autenticado. Em nenhum lugar ele analisa ou explica essa hermenêutica, ele simplesmente a afirma. Em nenhum lugar ele demonstra qualquer auto-consciência que, em um livro de apologética pentecostal, ele precisa discutir, defender e justificar a sua base hermenêutica para o desenvolvimento de "uma resposta pentecostal contemporânea a essa pergunta pentecostal antiga."

Até 1970 os pentecostais clássicos permaneceram confiantes, se não sempre em silêncio, insensíveis às críticas do seu Pentecostes pragmático como um padrão hermenêutico. Enquanto eles continuam confiantes, o pentecostalismo clássico já não está insensível ao debate hermenêutico. Em 1970 e 80 os pentecostais começaram a tratar das questões hermenêuticas e a articular novas abordagens hermenêuticas, ao mesmo tempo, validando tanto a sua experiência quanto a sua tradição. Vários fatores de variada importância tem produzido essa nova atitude.

Primeiro, o próprio movimento amadureceu; ele já não é um jovem movimento que luta para dar forma a sua identidade e para sobreviver em um mundo hostil.

Segundo, atualmente o pentecostalismo é mais amplamente aceito e está totalmente integrado na principal corrente do evangelicalismo. Como resultado disso, ele está menos defensivo do que em gerações anteriores. 

Terceiro, os neo-pentecostais ou movimento carismático mostrou aos pentecostais clássicos uma variedade de hermenêuticas alternativas, adoração e estilos de vida.

Finalmente, a liderança pentecostal, pelo menos em suas instituições de ensino, tem agora formação em seminários e universidades. Como resultado disso, essa liderança tem formação em metodologia crítica e especialização no diálogo acadêmico. Consequentemente, o movimento pentecostal clássico trouxe a sua hermenêutica pragmática para o mercado intelectual, para comprar e vender. O mercado está repleto de grandes perigos para o comerciante descuidado, mas também promete ganhos espirituais para o comerciante sábio. 

Quando se discute a hermenêutica pragmática dos pentecostais clássicos se está discutindo a exposição de uma tradição, por isso, pode-se escolher praticamente qualquer exemplar de qualquer época, como um representante do movimento. Quando se discute o debate atual, no entanto, já não se está discutindo uma tradição, por isso, é preciso olhar para alguns indivíduos e a sua contribuição particular para o debate. As obras de três estudiosos pentecostais em 1970 e 80 exige atenção: Dr. Gordon D. Fee, professor de Novo Testamento no Regent College em Vancouver, British Columbia; Dr. Erwin M. Howard, professor de Antigo Testamento na Universidade Oral Roberts em Tulsa, Oklahoma; e Dr. William W. Menzies, professor de Estudos Bíblicos, Evangel College em Springfield, Missouri. Em contraste com a hermenêutica pragmática adotada por pentecostais clássicos, esses estudiosos defendem respectivamente uma hermenêutica de gênero, pneumática e holística.
Gordon D. Fee
Gordon D. Fee: Uma Hermenêutica do "Gênero"

Dr. Gordon Fee moveu-se para preencher o vácuo da análise do pentecostalismo clássico, talvez, com mais vigor do que qualquer outro estudioso contemporâneo. Sua análise da hermenêutica pentecostal e as suas propostas para os novos rumos na hermenêutica são encontradas em vários artigos, incluindo o seguinte: "Hermeneutics and Historical Precedent—a Major Problem in Pentecostal Hermeneutics",[15] "Acts—The Problem of Historical Precedent",[16] e "Baptism in the Holy Spirit: The Issue of Separability and Subsequence."[17] Como um filho do movimento pentecostal e um erudito de renome internacional, as credenciais de Fee são impecáveis. Sua principal contribuição para o debate hermenêutico é defender um "gênero" hermenêutico como uma alternativa para a hermenêutica pragmática dos pentecostais clássicos.

Como princípio geral Fee defende: "Deve ser um axioma de hermenêutica bíblica em que o intérprete leva em conta o gênero literário da passagem que está interpretando, junto com a questão do texto, gramática, filosofia e história." [18] Então, em Atos, sobre o qual está baseado a teologia pentecostal: "... não é uma epístola, nem um tratado teológico. Mesmo que se ignore o seu valor histórico, não pode-se, e de fato não se deve, ignorar o fato de que [Atos] é moldado em forma de narrativa histórica. " [19] A importância da plena noção de que Atos é moldado em forma de narrativa histórica "é que, na hermenêutica da história bíblica, a principal tarefa do intérprete é descobrir a intenção do autor (eu acrescentaria, do Espírito Santo) no registro histórico." [20] Três princípios surgem a partir dessa visão no que diz respeito à hermenêutica da narrativa histórica:

a. A Palavra de Deus em Atos, que pode ser considerada como normativa para os cristãos, está relacionada principalmente com qualquer narrativa com a intenção de ensinar.

b. Que é incidental à principal intenção da narrativa poder realmente refletir a teologia do autor, ou como ele entendia as coisas, mas não poder ter o mesmo valor didático que a narrativa com intenção de ensinar tem.

c. O precedente histórico, para ter valor normativo, deve estar relacionado com a intenção. Ou seja, se puder ser demonstrado que o propósito de uma narrativa é estabelecer precedentes, tal precedente deve ser considerado como normativo. [21]

Tendo discutido o uso da hermenêutica da narrativa histórica em geral, Fee, em seguida, dá três princípios específicos para a utilização de um precedente histórico:

1. O uso do precedente histórico como uma analogia pelo qual se estabelece uma norma nunca é válido em si mesmo.
2. Apesar de não ter sido o proósito principal do autor, as narrativas históricas têm sido ilustrativas e, por vezes, "padrão" de valor.

3. Em matéria de experiência cristã, e mais ainda na prática cristã, os precedentes bíblicos podem ser considerados como padrões repetitivos - mesmo caso eles não estejam sendo considerados como normativos. [22]

Com base nas suas orientações para o uso do precedente histórico, Fee, em seguida, discute as distinções pentecostais - batismo no Espírito distinto e subsequente à conversão, e falar em línguas como evidência física inicial. Seguindo James D. G. Dunn, Fee afirma: "Para Lucas (e Paulo) o dom do Espírito Santo não é uma espécie de complemento para a experiência cristã, nem é um tipo de segunda maior parte da experiência cristã. Ele é sim o elemento principal no evento (ou processo) da conversão cristã ". [23] E ainda: "A questão de saber se as línguas são a evidência física inicial de qualidade de vida carismática no Espírito é um ponto discutível." [24] De fato, "insistir para que elas sejam o único sinal válido parece colocar muito peso sobre os precedentes históricos de três (talvez quatro) ocorrências em Atos." {25]
"O que, então," Fee pergunta: "pode o pentecostal dizer sobre sua experiência, tendo em vista os princípios hermenêuticos sugeridos neste artigo?" [26] À sua pergunta, ele dá uma resposta quíntupla, concluindo:

"Visto que falar em línguas era uma expressão repetida dessa dinâmica, ou carismática, dimensão da vinda do Espírito, o cristão contemporâneo pode esperar isso, também, como parte de sua experiência no Espírito. Se os pentecostais não podem dizer que se deve falar em línguas, eles podem certamente dizer, por que não falar em línguas? Eles tem repetido o precedente bíblico, que tinha valor probatório na casa de Cornélio (Atos 10:45, 46), e - apesar do muito que tem sido escrito ao contrário - elas tem valor, para a edificação do indivíduo crente (1 Coríntios 14:2-5) e, com a interpretação, para a edificação da igreja (1 Coríntios 14:5, 26-28). [27]

Artigos posteriores de Fee cobrem, repetem, esclarecem e acrescentam novas ênfases para sua discussão. Contudo, eles não modificam substancialmente o gênero hermenêutico que ele expôs em seu primeiro artigo. Como alguém que abordou o tema dentro do movimento clássico sua discussão exige respeito e uma análise cuidadosa. Há muito que podemos concordar. Por exemplo, ele está correto na observação de que "a hermenêutica não é simplesmente uma coisa pentecostal." [28] Correctamente ele insiste que Atos deve ser interpretado como narrativa histórica, e não como um tratado teológico. [29] Ele também é correto em precaver os pentecostais a não elevar um elemento incidental na narrativa a uma posição de importância teológica fundamental. Finalmente, ele afirma corretamente que a intenção do autor determina o valor normativo da narrativa. [30]

Fee é mais produtivo quando ele discute hermenêutica pentecostal como um estudioso do Novo Testamento, ou seja, quando ele está defendendo um gênero hermenêutico. Sua hermenêutica apresenta-se mais problemática quando ele, muitas vezes, está se dirigindo e seguindo a caricatura - como as críticas da hermenêutica pentecostal que são defendidas nas duas monografias de referência, "A Theology of the Holy Spirit" por Frederick Dale Bruner e "Baptism in the Holy Spirit" por James D. G. Dunn. Em violação da sua própria advertência sobre elevar as coisas incidentais para uma posição de importância, ele faz isso sobre os assuntos da separabilidade e subsequência, por exemplo. [31] Para os pentecostais, a coisa mais importante é o batismo do Espírito Santo como o poder para o serviço. Para Lucas-Atos é a unção/batismo - ministério no Espírito Santo - por Jesus (Lucas) e para os discípulos (Atos). Essa é a intenção da narrativa histórica de Lucas para a sua geração de leitores, e para essa geração também - não sabe se o batismo é distinto da, e subsequente, à conversão.
Howard M. Ervin:


Howard M. Ervin: Uma Hermenêutica "Pneumática"

Como observamos, Gordon D. Fee defende um gênero hermenêutico para os pentecostais. Em seu ensaio, "Hermeneutics: A Pentecostal Option," [32] Howard M. Ervin propõe uma abordagem diferente para a hermenêutica pentecostal, chamada, hermenêutica "pneumática". Fee é um filho natural do movimento pentecostal. Ervin não é um filho natural, mas é, por assim dizer, um estrangeiro residente no movimento. Ele foi pastor por 17 anos na Igreja Batista Emanuel, Atlantic Highlands, New Jersey, que participou de um encontro internacional da Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno em Miami, Flórida. Em uma reunião de oração em que David DuPlessis e Dennis Bennett oraram por ele, ele recebeu o seu pentecostes pessoal, falou em línguas como o Espírito lhe concedia que falasse. [33] As preocupações de Fee são previsivelmente as de um filho natural, isto é, precedente histórico, separabilidade e subseqüência. Em contraste, as preocupações de Ervin são as de um filho naturalizado, ou seja, a epistemologia da Palavra e experiência.

Ervin lança sua discussão, "Hermeneutics: A Pentecostal Option", com a observação: "Fundamental ao estudo da hermenêutica, como a qualquer disciplina acadêmica, é a questão da epistemologia." [34] Para o homem ocidental duas formas de conhecimento são axiomáticas: a experiência sensorial e a razão. Não só para a ortodoxia, mas também para o pietismo e neo-ortodoxia, o resultado é uma dicotomia perene entre fé e razão. Ele resume as consequências deste problema epistemológico com estas palavras: "A consequência para a hermenêutica tem sido em alguns setores um racionalismo destrutivo (neo-ortodoxia), em outros, uma intransigência dogmática (ortodoxia), e ainda em outros, um misticismo não-racional (pietismo). " [35]

Diante desse impasse epistemológico, "O que é necessário", escreve ele, "é uma epistemologia firmemente enraizada na fé bíblica com uma fenomenologia que atenda aos critérios de experiência sensorial empiricamente verificável (cura, milagres, etc.) e não viole a coerência das categorias racional" [36] Para Ervin, uma epistemologia pneumática não só atende a esses critérios, mas também oferece uma resolução de (a) a dicotomia entre fé e razão, que o existencialismo procura preencher, embora ao custo do pneumático; (b) o antídoto para um racionalismo destrutivo que, muitas vezes, acompanha uma exegese histórico-crítica; e (c) uma responsabilidade racional para o misticismo de uma piedade baseada nasola fide. [37]
A base para uma hermenêutica pneumática reside na natureza da Escritura como a absoluta, definitiva e transcendente Palavra de Deus. Esta palavra "é fundamentalmente uma realidade ontológica (a encarnação)." [38] A pré-condição para a compreensão de que a Palavra "é a ontológica recreação do homem pelo Espírito Santo (o novo nascimento)." [39] Porém, enquanto o novo nascimento preenche a distância entre o criador e a criatura ele não a apaga. Assim: "essa distância torna a palavra ambígua até que o Espírito Santo, que 'sonda ... até mesmo as coisas mais profundezas de Deus' (1 Coríntios 2.10, NVI), interpreta-a para o ouvinte." [40] Portanto: "Ela é uma palavra para a qual, de fato, não há hermenêutica a menos ou até que o divino hermeneuta (o Espírito Santo) medeie um entendimento. " [41]

O movimento pentecostal, observa Ervin, tem contribuído para essa hermenêutica pneumática. Ele escreve: "A contribuição para a hermenêutica da atual renovação carismática, ou pentecostal, da Igreja é a sua insistência na experiência imediata do Espírito Santo. Há contato direto com a realidade não-material que liga-se a uma epistemologia pentecostal, portanto, a sua herrneneutica. " [42]

Além disso: "A experiência pentecostal com o Espírito Santo dá conhecimento existencial dos milagres na visão bíblica de mundo. Esses eventos não são mais mitológicos (a visão da neo-ortodoxia), mas objetivamente reais. A experiência contemporânea da cura divina, profecia, milagres, línguas e exorcismo são uma evidência empírica do impacto de uma esfera de realidade não-material sobre a nossa existência no espaço-tempo, com a qual se pode e não há contato imediato. O conhecimento e a interação com a presença desse continuum espiritual é axiomática em uma epistemologia pentecostal que afeta decisivamente a sua hermenêutica. " [43]

Embora o seu ensaio seja intitulado, "Hermeneutics: A Pentecostal Option", Ervin contribui pouco ao tema da hermenêutica pentecostal. Além de alguns parágrafos no final do seu ensaio, ele escreve principalmente sobre epistemologia e não sobre hermenêutica. É lamentável que ele não tenha explorado a sua hermenêutica pneumática em maior profundidade, para a dimensão pneumática, ou vertical, é uma dimensão essencial na hermenêutica pentecostal. Afinal, é o Espírito, que é ao mesmo tempo atemporal e imanente, que prevê estabelece o continuum existencial e pressuposicional entre a palavra escrita no passado e essa mesma palavra no presente.
William W. Menzies

William W. Menzies: Uma Hermenêutica "Holística"


Dr. William W. Menzies é o terceiro estudioso pentecostal que está contribuindo significativamente para a discussão da hermenêutica pentecostal. O seu pensamento atual sobre o assunto está resumido no recente artigo, "The Methodology of Pentecostal Theology: An Essay in Hermeneutics." [44] Ao contrário de Gordon Fee, que enfoca o gênero da literatura bíblica, e Ervin, que enfoca a epistemologia, Menzies enfoca a teologia. Menezies entende que, "o problema corrente da teologia carismática" hoje, é a conexão entre os fenômenos tais como línguas e o batismo no Espírito. [45] Para Menzies, no centro desta batalha teológica de hoje está a questão básica da hermenêutica ou metodologia. [46] Considerando que Fee propõe uma hermenêutica de gênero e Ervin propõe uma hermenêutica pneumática, Menezies propõe uma hermenêutica holística para interpretar o fundamento bíblico da teologia pentecostal.

A hermenêutica holística de Menzies possui três níveis: (1) o nível indutivo, (2) o nível dedutivo, e (3) o nível de verificação. O nível indutivo é a exegese científica das Escrituras. Ele vê três tipos de acesso indutivo: (a) declarativa, ou seja, aqueles textos "cuja transparência torna o seu significado relativamente inequívoco", (b) implicacional, para algumas verdades importantes, como a doutrina da Trindade "é implícita nas Escrituras , ao invés de afirmações em declarações categóricas de um tipo evidente", e (c)descritivo, que é o verdadeiro campo de batalha.

Neste campo de batalha, "O livro de Atos é a questão quente em todo o debate." [47] Essa é a questão de Fee sobre o gênero e, como observa Menezies, é o verdadeiro cerne do debate. Se pode ser demonstrado que Lucas não tinha a intenção de ensinar teologia pelo que ele descreveu, portanto, "não há base genuína para uma teologia pentecostal em tudo." [48] Essa concepção leva Menzies a rejeitar as orientações de Fee sobre o precedente histórico e normatividade, e ele conclui, contra Fee, que os dados bíblicos implicam normatividade, ao invés de mera repetição. [49]

Na hermenêutica holística de Menzies o nível dedutivo complementa o nível indutivo. Se o nível indutivo é a exegese, então o nível dedutivo pertençe a teologia bíblica. Integra-se "passagens díspares e por vezes sem ligação em um todo significativo." [50] Ele prossegue sobre "o princípio da analogia da fé". [51]

Finalmente, a hermenêutica holística de Menzies inclui o nível de verificação. Este é o nível da experiência contemporânea. Menzies acredita que, "se uma verdade bíblica pode ser promulgada, então ela deve ser demonstrada em vida." [52] Em outras palavras, embora a experiência não estabeleça teologia, caso não verificada ou demonstrada a verdade teológica. Assim, no Dia de Pentecostes, "os apóstolos, guiados pelo Espírito, instruíram os discípulos sobre a conexão entre a revelação e a experiência. 'Isso é que ", Pedro anunciou (Atos 2:16)." [53]

A hermeneutica holística de Menzies em três níveis - indutivo, dedutivo, e verificação - tem muito a ser elogiada. Por exemplo, ela integra o analítico, o sintético, e os processos existenciais. Além disso, integra o exegético, o teológico, e as dimensões aplicacionais da interpretação bíblica. Aplicando esta hermenêutica holística para o Livro dos Atos, Menzies acha que pode reafirmar os quatro aspectos da hermenêutica e teologia pentecostal; a saber: (1) Pentecostes como padrão, (2) a normatividade teológica desse padrão, (3)subsequência e (4) o sinal das línguas.

Na conclusão desta pesquisa sobre as tendências da hermenêutica pentecostal, e como o movimento pentecostal abordou-a na ultima década, e finalmente, o seu centenário, nos lembramos que a hermenêuticapragmática dos nossos pais fundadores tem servido o movimento bem em sua pregação e ensino direcionados para aqueles que estavam dentro do movimento. Ela não é mais adequada para a apologética dirigida àqueles de fora do pentecostalismo clássico, sejam eles carismáticos ou não-carismáticos. Por essa razão, as longas décadas da era do vácuo analítico da hermenêutica pragmática do pentecostalismo clássico está para sempre e irreversivelmente encerrado.

Fee, Ervin e Menzies chamaram a atenção para importantes componentes de uma hermenêutica pentecostal em geral. Assim, como nos lembra Fee, o gênero distinto de Lucas-Atos como narrativa histórica deve ser levado em conta na equação hermenêutica. Além disso, como Ervin nos lembra, a experiência dos pneumáticos estabelece um continuum entre os pentecostais contemporâneos e o mundo bíblico antigo. Finalmente, como nos lembra Menzies, tanto a teologia quanto a hermenêutica são um complexo processo que combina adequadamente os níveis: indutivo, dedutivo e verificação. Fee, Ervin e Menzies provaram ser grandes estrategistas no desenvolvimento da nova hermenêutica pentecostal, mas cada um tem um enfoque parcial ou fragmentário. Embora Menzies chegue mais próximo, ainda aguardamos a formação de uma hermenêutica pentecostal plenamente desenvolvida.

Em junho de 1976 questão da revista "His" moveu uma revisão de um livro de Michael Green recentemente publicado, "I Believe in the Holy Spirit". A revisão conclui com a afirmação: "Mesmo não-carismáticos como Green, estão abertos e sensíveis à renovação, parecem incapazes de admitir que os pentecostais podem compreender Atos melhor do que eles." [54] Essa conclusão não é a reivindicação de alguns pentecostais dogmáticos. Também não é o exagero de algum simpatizante ignorante. Pelo contrário, ela é considerada a avaliação cuidadosa do respeitado teólogo batista e apologista, o Dr. Clark H. Pinnock.

Vários anos depois, ele reafirmou sua conclusão de que os pentecostais compreendem Atos melhor que os não-pentecostais. Ele escreve: "Não podemos considerar o pentecostalismo como um tipo de aberração nascido de excessos experimentais, mas um avivamento do século 20 da teologia do Novo Testamento e da religião. [O pentecostalismo] não só tem restaurado a alegria e o poder da igreja, mas também uma leitura clara da Bíblia." [55]

Aqui reside a grande anomalia do movimento pentecostal. Realmente, compreende-se Atos melhor do que não-carismáticos, e tem restaurado uma leitura clara da Bíblia para o cristianismo do século 20. Mas quase 90 anos após o Movimento ter iniciado, ele ainda não tem articulado totalmente a base de sua compreensão hermenêutica de Atos. Essa é a agenda da hermenêutica, que ainda enfrenta o pentecostalismo contemporâneo.

Notas

1. Mrs. Charles F. Parham, The Life of Charles F. Parham Founder of the Apostolic Faith Movement (Joplin, Mo.: Hunter Printing Company, 1930), 52,53,65–68.

2. J. Philip Newell, “Scottish Intimations of Modern Pentecostalism: A.J. Scott and the 1830 Clydeside Charismatics,” Pneuma, Vol. 4, No. 2 (1982): 1–18, Newell inicia o seu artigo com o seguinte relato: “Em 28 de Março de 1830, Mary Campbell, uma jovem devota escocesa de Clydeside, durante um ato de oração comunitária em sua própria casa, falou em ‘uma língua desconhecida.’ Mary e aqueles que ouviram isso, acreditaram ser o ressurgimento do dom apostólico de línguas.” Sobre a história da igreja Católica Apostólica do mesmo período veja Larry Christensen, “Pentecostalism’s Forgotten Forerunner,” em Aspects of Pentecostal-Charismatic Origins, editado por Vinson Synan (Plainfield, N.J.: Logos International, 15–37. Compare Harold Hunter, “Spirit-Baptism and the 1896 Revival in Cherokee County, North Carolina,” Pneuma, Vol. 5, No. 2 (1983): 1–17, Donald W. Dayton, “From ‘Christian Perfection’ to the ‘Baptism of the Holy Ghost,’ ” Melvin E. Dieter, “Wesleyan Holiness Aspects of Pentecostal Origins: As Mediated Through the 19th-Century Holiness Revival,” e William W. Menzies, “The Non-Wesleyan Origins of Pentecostal Movement,” em Synan, Aspects, 40–98.

3. Parham, Life, 52.

4. Ibid.

5. Ibid.
6. Ibid., 66.

7. Ibid.

8. Veja o capítulo 3, “The Revival Spreads to Los Angeles (1901–1906,” em William W. Menzies, Anointed to Serve (Springfield, Mo.: 1971), 41–59.

9. Veja o capítulo 9, “Cooperation: From Isolation to Evangelical Identification,” em Menzies Anointed, 177–227. 

10. Carl Brumback, “What Meaneth This?” A Pentecostal Answer to a Pentecostal Question (Springfield, Mo.: Gospel Publishing House, 1947), 192.

11. Por exemplo, compare as duas exposições seguintes sobre teologia pentecostal da mesma editora de Brumback, “What meaneth This?”: Frank Lindblad, The Spirit Which Is From God (Springfield, Mo.: 1928), e L. Thomas Holdcroft, The Holy Spirit: A Pentecostal Interpretation (Springfield, Mo.: Gospel Publishing House, 1979).

12. Brumback, “What Meaneth This?”, 186,187,200.

13. Ibid., 197.

14. Ibid.

15. Gordon D. Fee, “Hermeneutics and historical Precedent — A Major Problem in Pentecostal Hermeneutics,” em Perspectives on the New Pentecostalism, editado por Russell P. Spittler (Grand Rapids, Mich.: Baker Book House, 1976), 118–132.

16. Gordon D. Fee, “Acts—The Problem of Historical Precedent,” em How to Read the Bible For All Its Worth: A Guide to Understanding the Bible, por Gordon D. Fee e Douglas Stuart (Grand Rapids, Mich.: Baker Book House, 1982), 87–102.

17. Gordon D. Fee, “Baptism in the Holy Spirit: The Issue of Separability and Subsequence”: Pneuma, Vol. 7, No. 2 (1985): 87–99.
18. Fee, “Hermeneutics,” 124.

19. Ibid., 125.

20. Ibid.

21. Ibid., 126.

22. Ibid., 128,129.
23. Ibid., 130.

24. Ibid.

25. Ibid., 131.

26. Ibid.

27. Ibid., 132.

28. Ibid., 121.

29. Ibid., 125.

30. Ibid.

31. Fee, “Baptism,” 87–99. Em “Suggested Areas for Further Research in Pentecostal Studies,” Pneuma, Vol. 5, No. 2 (1983) Russell P. Spittler comenta: “Subsequência … é uma não-questão. Os primeiros pentecostais não tinham a intenção de criar um novo ordo salutis, um algoritmo para a piedade. Ao contrário, eles estavam dizendo que é possível aos cristãos desanimados serem renovados” (p. 43).

32. Howard M. Ervin, “Hermeneutics: A Pentecostal Option,” Pneuma, Vol. 3, No. 2 (1981): 11–25. Reimprimido com pequenas alterações sob o mesmo título em Essays on Apostolic Themes: Studies in Honor of: Howard M. Ervin, editado por Paul Elbert (Peabody, Mass.: Hendrickson Publishers, 1985), 23–35.

33. Charles Farah, Jr. e Steve Durasoff, “Biographical and Bibliographical Sketch,” em Essays, editado por Elbert, xi.

34. Ervin, “Hermeneutics,” 11.

35. Ibid., 12.

36. Ibid.

37. Ibid.

38. Ibid., 17.

39. Ibid.

40. Ibid.

41. Ibid., compare pp. 18,22,23.

42. Ibid., 23.

43. Ibid.

44. William W. Menzies, “The Methodology of Pentecostal Theology: An Essay on Hermeneutics,” em Essays, editado por Elbert, 1–14.

45. Menzies, “Methodology,” 4.

46. Ibid.

47. Ibid., 5,6.

48. Ibid., 6.

49. Ibid., 8–10.

50. Ibid., 10.

51. Ibid., 11.

52. Ibid., 13.

53. Ibid. 54. Clark H. Pinnock, revisto por Michael Green, “I believe in the Holy Spirit” em His, junho, 1976: 21. 55. Clark H. Pinnock, “Foreward,” para The Charismatic Theology of St. Luke, por Roger Stronstad (Peabody, Mass.: Hendrickson Publishers, 1987), viii.

Dr. Roger J. Stronstad é um teólogo pentecostal canadense. Ele é professor-associado de teologia na Summit Pacific College em Abbotsford, British Columbia. Ele publicou seis livros.

Em The Charismatic Theology of St. Luke (A Teologia Carismática de São Lucas), de 1984, Stronstad defende uma interpretação pentecostal de Lucas-Atos pela formação de uma teologia lucana. Stronstad argumenta alega que Lucas acreditava que o dom do Espírito era serviçal, ao invés de soteriológico ou ético, ou seja, o Espírito Santo foi dado para capacitar os cristãos a serem testemunhas do Evangelho. Ele também é co-editor (com o French L. Arrington e JenneyTimothy) do Life in the Spirit New Testament Commentary (2003), publicado no Brasil pela CPAD como Comentário Bíblico Pentecostal.