quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Marcos e Jonathan Witt - Yo Te Busco



Ouça a linda canção "Yo Te Busco" de Marcos Witt. O cantor nascido no Texas (EUA) é, apesar da nacionalidade, uma das principais vozes da música evangélica latino-americana, já que passou parte de sua vida no México. A música evangélica latino-americana é pouco conhecida no Brasil, mas vale a pena conhecer as belas canções produzidas pelos "hermanos".

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O preconceito “sustentável” de Eliane Brum!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Antes de ler este post, por favor, leia neste link o artigo da jornalista Elaine Brum sobre A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico (sic).
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Sou um leitor da jornalista Eliane Brum. O primeiro livro que li da jornalista gaúcha foi A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial), obra que ganhou o Prêmio Jabuti de 2007, a principal premiação do mercado editorial brasileiro. Outro ótimo livro de Brum é Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), onde ela desmistifica a história de um grupo que agia com violência e espalhava o medo por onde passava em nome de uma ideologia. No Brasil, ela é uma representante do chamado “novo jornalismo”, que é o casamento da literatura com a arte da notícia. É um talento.

Mas eis que me deparo com o artigo escrito para o site da revista Época. Já adianto que não acho recomendável o comportamento do “Deus me livre” expresso pelo taxista, mas não sou cego ao ponto de não enxergar o forte teor preconceituoso do texto. Também não tenho a mínima simpatia pelo neopentecostalismo, mas não posso desprezar como a generalização do texto é fruto de uma ignorância sobre o universo evangélico brasileiro.

Tolerância

A democracia, a tolerância e o “homem cordial brasileiro” estariam ameaçados pelo crescente número de evangélicos no Brasil? Dizer que sim só pode ser preconceito puro e simples. Em nenhum país de maioria evangélica reina um autoritarismo religioso/secular. Uma das maiores bandeiras do protestantismo sempre foi a nítida separação da Igreja e o Estado, a liberdade religiosa e a liberdade de expressão. Não é à toa que as tiranias islâmicas e os totalitarismos fascistas e comunistas desprezavam (e desprezam) o cristianismo.

O caso do bispo da Universal que chutou uma santa católica não pode ser usado para atacar os evangélicos, pois a Igreja Universal é uma anomalia. Que “Deus nos livre” de usarem a seita Universal para generalizar os evangélicos. Aquilo nunca foi uma igreja de tradição protestante, pois na verdade usa alguns elementos do catolicismo popular, espiritismo e alguns princípios evangélicos. É uma mistureba sem identidade.

A tolerância e a cordialidade do brasileiro também estão bem presentes entre os evangélicos. A minha família, por exemplo, tem evangélicos de três denominações diferentes e muitos católicos e outros sem religião. Nunca que houve nenhum debate intenso sobre religiosidade nos tradicionais almoços e jantares de Natal. Mas já política e futebol...

Mas talvez tolerantes sejam os neoateus que sonham com o "fim da religião"?! Fico com medo só de ouvir que cientistas e estudiosos respeitados no mundo, como Richards Dawkins, sonham com esse "totalitarismo messiânico secular".  O neoateísmo é a expressão mais retrógrada quando pensamos no exercício da democracia e da tolerância desenvolvida na cultura e na filosofia ocidental.

Os cultos, os funkeiros e a civilidade!

Quer maior exemplo de respeito pelo outro e civilidade? Os evangélicos respeitam a Lei do Silêncio. Na igreja onde congrego, por exemplo, em hipótese alguma um culto passa das 22 horas. Quando uma vigília é feita a congregação mais isolada é a escolhida, normalmente em um ponto mais comercial, para que o som não atrapalhe a vizinhança. O nível de civilidade dos evangélicos na periferia nem se compara com os funkeiros e outros baderneiros que não respeitam ninguém. Som no volume máximo às duas horas da madrugada de uma segunda-feira é comum nas periferias, mas nunca será por um evangélico.

Se os índices de violência entre evangélicos fossem estendidos para toda a população brasileira estaríamos com uma realidade mais próxima da segurança escandinava do que dos carteis mexicanos. Se todos os brasileiros lessem, em média, setes livros como os evangélicos, talvez não seríamos um país tão atrasado. A senhora pobre e evangélica não quer ser analfabeta, pois o seu sonho é ler a Bíblia... Quem é que vai na “escola” domingo pela manhã? Os evangélicos! Quem ainda estuda música clássica?

Portanto, Eliane Brum, um Brasil mais evangélico será um Brasil mais democrático. O preconceito de Brum é “sustentável” porque é cult. É feio ser cristão, como sempre foi. O politicamente correto respeita até uma barata, mas jamais vai “tolerar” (ô tolerância, quantos mataram em teu nome!) o cristianismo em suas manifestações, como o protestantismo evangelical.

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PS: Por conta desse artigo o pastor Silas Malafaia chamou Eliane Brum de “vagabunda”. O Malafaia calado é um poeta. A forma mal-educada do pastor carioca não é somente uma questão de personalidade, mas de baixaria mesmo. Como alguém pode achar bacana ser comparado de “Ratinho gospel”? Que coisa mais cafona e baixa! O jornal The New York Times (leia, em inglês, aqui) escreveu um perfil do Malafaia na edição de sábado e um especialista ouvido pelo jornal comparou o Malafaia com o Pat Robertson. Foi uma boa sacada, pois Robertson fala bobagens, faz da “guerra cultural” um fim e ainda é metido na "teologia da prosperidade".

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Teologia da Batalha Espiritual

Por Esequias Soares

Uma análise dos erros e acertos do ensino que tem criado muitas dúvidas entre os membros das igrejas evangélicas

Análise do tema Batalha Espiritual, aqui, enfoca o conjunto de crenças e práticas neopentecostais, mas que vem alcançando espaço em nosso arraial. São inovações provenientes de várias fontes: erros de interpretação de textos bíblicos, experiências pessoais e revelações de origem estranha. Trata-se de distorção doutrinária que está muito em voga na mídia evangélica e que, nos últimos anos, vem recebendo aceitação de muitos líderes desavisados.

REALIDADE DA BATALHA ESPIRITUAL

É verdade que no trabalho da pregação do Evangelho ocorrem muitos fenômenos inexplicáveis. Reconhecemos que os demônios existem. Eles são reais e manifestam-se de várias maneiras, principalmente nas pessoas possessas. Tais espíritos precisam ser expulsos. É verdade, que oração e jejum são indispensáveis e muito importantes na vida do crente, principalmente, quando se encontra numa situação dessa. Esses fatos são atestados nos Evangelhos (Mateus 12.22; 17.19-21).

Antes de sair a campo para evangelização, devemos orar, pedindo a Deus que prepare o campo para a semeadura. Oração e jejum por uma cidade ou um bairro a serem evangelizados são como tropas de artilharia, que primeiro destrói a fortaleza do inimigo, como na guerra, destruindo pontes, aeroportos, rodovias, centrais elétricas, emissoras de rádio e televisão, para que depois as tropas de infantaria possam completar o trabalho.

No plano espiritual há muita semelhança (2Coríntios 10.4). Orar, também, para que o Espírito Santo prepare cada coração para ouvir o Evangelho é muito importante, porque é o próprio Espírito quem convence o homem do pecado (João 16.8).

A batalha espiritual é, portanto, um tema bíblico: “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”, Efésios 6.12.

Nessa anáfora, a preposição pros, “contra”, é usada cinco vezes para reforçar a idéia de que a esfera principal de atuação do Príncipe das Trevas não é apenas como muitos pensam: na prostituição e no crime, mas principalmente no reino das religiões, religiões falsas etc. É uma batalha espiritual.

Na versão Revista e Corrigida, a tradução de kosmokratoras tou skotous por “príncipes das trevas” é mais precisa. Segundo o dicionário de Horst Balz e Gerhard Schneider, o referido termo significa: “…Senhor do mundo”. À margem da Bíblia, o termo serve para designar os deuses que regem o mundo (Hélios, Zeus, Hermes), e também os seres espirituais ‘cósmicos’ (os planetas)” 1. Os termos entre parênteses são partes da obra citada. Esse conceito está dentro do pensamento paulino nessa passagem.

Nesse aspecto, a teologia da batalha espiritual está de acordo com as Escrituras Sagradas. Os fatos estão registrados na Bíblia e nenhum cristão ousa negar essa realidade. Mas, a interpretação desses fatos apresentada pelos teólogos da batalha espiritual torna-os mais próximo do esoterismo e do ocultismo do que dos pentecostais. Isso envolve a doutrina da maldição hereditária, dos espíritos territoriais, e a idéia de expulsar demônios dos próprios crentes em Jesus.

MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

Os expositores dessa doutrina afirmam que seus ensinos têm apoio bíblico e pinçam a Bíblia em busca de versículos aqui e acolá na tentativa de consubstanciar as novidades apresentadas ao povo. Marilyn Hickey é a principal promotora da referida doutrina, também conhecida como maldição de família. A doutrina resume-se nisso: se alguém têm problemas com adultério, pornografia, divórcio, alcoolismo, tendência suicida é porque alguém de sua família, no passado – não importa se avós, bisavós, tataravôs – teve esse problema.

Segundo essa doutrina, a pessoa afetada pela maldição hereditária deve, em primeiro lugar, descobrir em que geração seus ancestrais deram lugar ao Diabo. Uma vez descoberta a tal geração, pede-se perdão por ela, e dessa forma, a maldição de família será desfeita. Uma espécie de perdão por procuração, muito parecido com o batismo pelos mortos, praticado pelos mórmons.

Seu livro intitulado Quebre a Cadeia da Maldição Hereditária, publicado no Brasil, pela Adhonep, em 1988, mostra que seus argumentos são baseados essencialmente em experiências humanas e em perversões exegéticas.

A autora procura fundamentar suas idéias da maldição de família nos problemas de origem espiritual da dinastia de Herodes. Quer provar que a natureza perversa e desnatural de Herodes, o Grande, foi passado de pai para filho. Segundo ela, todos os seus descendentes foram afetados pelo pecado do pai 2.

Será que isso prova a doutrina da maldição de família? A resposta é não! Caim e Abel eram filhos dos mesmos pais, receberam a mesma educação religiosa; entretanto, um era fiel, e o outro ímpio (1João 3.12). O que dizer de Jacó e Esaú, irmãos gêmeos, educados num mesmo lar. Um tornou-se crente e o outro profano (Malaquias 1.2 e Hebreus 12.16-17). Não existe na Bíblia registro de profeta ou apóstolo praticando ou ensinando a inovação defendida aqui pela autora, para quebrar a maldição de Caim, nem de Cão e nem de Esaú.

É óbvio que o ambiente em que vivem os filhos influencia muito na formação moral, psicológica e espiritual deles (Jeremias 13.23). É perfeitamente normal que as características dos pais passem para os filhos, tanto pelo convívio como pela hereditariedade genética e, também, espiritual. Assim, o exemplo da dinastia de Herodes, citado na referida obra, não se reveste de peso, é inconsistente, porque conseqüência genética e natural. Além disso, a dinastia de Herodes era uma família ímpia que não se converteu ao cristianismo. Colocar uma situação dessa como defesa da maldição hereditária é uma camisa-de-força.

A Bíblia ensina que a maldição dos pais não vai além da quarta geração: “Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu Deus, souDeus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quartageração daqueles que me aborrecem”, Êxodo 20.5.

Esse texto muito conhecido é o segundo mandamento do Decálogo. Interessante que essa passagem é contra a idéia da senhora Hickey, no entanto, ela mesma usou a referida passagem para dar consistência bíblica a sua doutrina.

Vinculando de maneira aleatória, o segundo mandamento do Decálogo ao relato de Cão, descendente de Noé (Gênesis 9.24-27), Hickey conclui: “Visto afirmar a Bíblia que ela é visitada até a quarta geração daqueles que o aborrecem – você poderá observar como ela recaiu sobre as gerações dos cananeus. Quando um pai pratica um pecado, seu filho o assimila. Estabelece-se logo uma fraqueza para pecar, e a velha natureza que vem do pai se transmite ao filho. Então vem o diabo e tenta o filho, e ele também cai”3 (Grifo nosso). Isso não é verdade, pois nem sempre o filho assimila o pecado do pai. Há muitos exemplos na história dos reis de Israel e de Judá registrado nos livros dos Reis e das Crônicas. O rei Amom “fez o que era mal aos olhos do SENHOR”, 2Crônicas 33.22, no entanto, o rei Josias, seu filho: “E fez oque era reto aos olhos do SENHOR e andou nos caminhos de Davi, seu pai, sem se desviar deles nem para a direita nem para a esquerda”, 2Crônicas 34.2.

O segundo mandamento do Decálogo diz que Deus visita a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que aborrecem a Deus. Quando alguém se converte a Cristo, deixa de aborrecer a Deus, logo essa passagem bíblica não pode se aplicar aos crentes (Romanos 5.8-10), pois se tornou nova criatura, “as coisas velhas já passaram, e eis que tudo se fez novo”, 2Coríntios 5.17.

A Bíblia ensina que a responsabilidade é pessoal. Havia em Israel um provérbio muito antigo: “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram”, Ezequiel 18.2. Os hebreus usavam este adágio para lançar a culpa de seus pecados nos antepassados. “Uvas verdes” são os pecados e, os “dentes embotados” são a conseqüência deles. Veja que Deus proibiu esse dito em Israel: “Que pensais, vós, os que usais esta parábola sobre a terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor Deus, que nuca mais direis parábola em Israel”, Ezequiel 18.2-3.

Todo o capítulo 18 de Ezequiel gira em torno da responsabilidade individual do homem diante de Deus: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”, Ezequiel 18.20. Não há espaço no cristianismo para essa crença estranha da maldição de família.

Outra tentativa para dar roupagem bíblica a essas inovações é a interpretação errônea ao termo “espíritos familiares” (Levíticos 19.31; 20.6 e Isaías 8.19). A autora afirma que os espíritos familiares são “maus espíritos decaídos que se tornaram familiares numa família” 4. Interessante, é que a escritura insinua que essas referências bíblicas só valem se for na versão inglesa do rei Tiago, King James Version, porque nela se traduz por “espíritos familiares” nas três passagens em apreço acima citadas.

A palavra hebraica usada para “espíritos familiares” é ‘obh, ou ‘õbhôth no plural, e significa uma pessoa que tem um espírito familiar. O Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento registra o seguinte: “As traduções modernas têm uma variedade de termos. Dentre eles temos: médium, espírito, espírito de mortos, necromante e mágico” 5. É a “técnica de necromancia rotulada de ventriloquismo. A LXX usa engastrimythos‘ventriloquismo’ em todas as passagens, exceto Isaías 29.4″ 6. Traduzida da Vulgata Latina por magus, que significa “feiticeiro, médium”, e por python, “advinho”, em Isaías 8.19; 29.4.

O que a Bíblia chama de médium, necromante ou algo do gênero, a autora diz serem espíritos que passam de pai para filhos, na tentativa de substanciar uma doutrina extra-bíblica.

ESPÍRITOS TERRITORIAIS

Os expositores desse ensino fundamentam essa crença em experiências humanas, nos relatos de missionários e não na Palavra de Deus. Peter Wagner, no capítulo três do livro Espíritos Territoriais, demonstra isso.

Em resumo, a doutrina consiste na crença de que Satanás designou seus correligionários para cada país, região ou cidade. O Evangelho só pode prosperar nesses lugares quando alguém, cheio do Espírito Santo, expulsar esse espírito maligno.

Em decorrência disso surgiu a necessidade de uma geografia espiritual, daí o mapeamento espiritual. Os espíritos territoriais são identificados por nomes que eles mesmos teriam revelado com suas respectivas regiões que supostamente comandam.

O apóstolo Paulo diz que “o deus desse século cegou o entendimento dos incrédulos”, 2Coríntios 4.4. Peter Wagner usa o mesmo método das seitas no sentido de tirar conclusões em mera possibilidade. Ele julga ser possível considerar o termo “incrédulos”, como “territórios”, sendo “nações, estados, cidades, grupos culturais, tribos, estruturas sociais” (pág. 72), e sobre essa falsa premissa, constrói seu pensamento doutrinário.

Ainda de maneira sutil, ela procura fundamentar sua idéia nas palavras: “príncipe do reino da Pérsia” (Daniel 10.13), “príncipe da Grécia” (v20) para justificar o mapeamento espiritual. O capítulo três da citada obra apresenta, até, nomes desses supostos espíritos territoriais, os quais teriam se revelado a si mesmos, como Tata Pembele, Guarda dos Antepassados, Espírito de Viagens, entre outros.

Narai seria o espírito-chefe na Tailândia. Isso evidência que os defensores da crença dos espíritos territoriais também crêem na mensagem demoníaca e, isso é muito perigoso, pois Satanás é o pai da mentira (João 8.44).

Não existe vínculo entre a doutrina do mapeamento espiritual com a mensagem de Daniel 10.13, 20, pois o texto sagrado trata de uma guerra angelical e não há indícios da presença humana. O profeta está completamente alheio a essa batalha, seu papel é outro.

Os promotores da doutrina dos espíritos territoriais costumam, também, citar a passagem do endemoninhado gadareno (Marcos 5.10). Quando o demônio, porta-voz da legião, “rogava muito que os não enviasse para fora daquela província”. Isso parece, à primeira vista, que os promotores do tal ensino estão certos. Mas o texto deve ser interpretado à luz do contexto.

A passagem paralela mostra que tal pedido aconteceu porque Jesus havia mandado os tais espíritos para o abismo: “E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo” (Lucas 8.31), por isso pediram para ficar na região, não se trata, portanto, de espíritos territoriais. Essas inovações são perturbadoras e destoam completamente do pensamento do Novo Testamento.

EXISTE CRISTÃO ENDEMONINHADO?

Esses pregadores da batalha espiritual defendem a prática de expulsar demônios de cristãos e isso como resultado de uma teologia distorcida. Segundo essa teologia, o homem seria um espírito que tem alma e habita num corpo. Isso é defendido por muitos líderes da Confissão Positiva, como Essek William Kenyon e Kenneth Hagin.

Partindo desse falso conceito, afirmam que o Espírito Santo habita no espírito humano, na salvação e, os espíritos imundos “estão relegados à alma e ao corpo do cristão” 7. Outros citam, ainda, passagens bíblicas, como: “o mau espírito da parte de Deus, se apoderou de Saul” (1Samuel 18.10) e fraseologia similar (1Samuel 19.9); Judas Iscariotes (Lucas 2.3); Ananias e Safira (Atos 5.1-10). Essas três passagens são interpretadas por eles de maneira distorcida.

CARACTERÍSTICA DE UMA SEITA

Uma das características de uma seita é reavaliar conceitos teológicos a fim de adaptá-los às suas crenças, fugindo do padrão ortodoxo. À luz da Bíblia, o homem é um ser metafísico e moral, feito à imagem e semelhança de Deus, constituído de corpo, alma e espírito (Gênesis 1.26; 2.7 e 1Tessalonicenses 5.23). Alma e espírito são entidades imateriais, distintos um do outro, embora inseparáveis.

O corpo é o invólucro material da alma e do espírito. O texto de Hebreus 4.12 fala da “divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas”. Isso refere-se às três partes distintas da constituição humana.

Fazer jogo de palavras envolvendo corpo, alma e espírito para redefinir teologicamente o homem, afirmando ser ele um “espírito que tem alma e habita num corpo”, facilita a manipulação do texto para adulterar a teologia ortodoxa. A constituição bíblica do ser humano contraria o falso conceito da presença dos demônios no corpo e na alma do cristão.

O argumento sobre o estado espiritual e psicológico de Saul precisa ser analisado com muito cuidado. Há, de fato, quem afirme que ele ficou endemoninhado. Os que defendem esta linha de pensamento sustentam que Deus deu permissão aos demônios para atormentarem Saul, assim como permitiu ferir o patriarca Jó (1.12).

Se isso puder ser confirmado, deve-se levar em conta que Saul, nessa época, estava desviado, Deus o havia rejeitado por causa de sua desobediência (1Samuel 15.23). Entretanto, o texto bíblico não afirma que Saul ficava endemoninhado. É dito que o Espírito Santo retirou-se dele e que “o assombrava um espírito mau da parte do SENHOR” (1Samuel 16.14). Trata-se de um espírito da parte de Deus e não de Satanás. De qualquer forma, é muito temerário usar tal passagem bíblica para fundamentar uma doutrina dessa.

FALSO ARGUMENTO

O exemplo de Judas Iscariotes é inconsistente. A Bíblia revela, de fato, que Judas Iscariotes foi possesso, mas é como disse Paulo Romeiro: “dizer que ele foi um cristão é forçar demais o texto bíblico, e nem foi essa a opinião do Senhor sobre ele” 8. O Senhor Jesus disse que Judas Iscariotes era “um diabo” (João 6.70), e que não estava limpo (João 13.10, 11). O texto sagrado revela ainda que ele era ladrão (João 12.6).

A passagem de Ananias e Safira que o texto bíblico afirma que Ananias e Safira mentiram e não que ficaram possessos ou endemoninhados.

O acontecido é que eles não vigiaram e, por isso, agiram sob influência de Satanás. Eles mentiram ao Espírito Santo (Atos 5.3). Isso pode acontecer com um cristão vacilante, e não é indício de possessão maligna, por isso devemos orar e vigiar, para não cairmos em tentação, disse Jesus: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca”, Mateus 26.41.

O Senhor Jesus disse que todos os espíritos demoníacos deixam o corpo da pessoa que se converte ao seu Evangelho (Lucas 11.24). O tal corpo fica varrido e adornado, pela obra do Espírito Santo (v25). A Bíblia, ensina ainda, que o corpo do cristão é templo do Espírito Santo (1Coríntios 6.19) e que o corpo, a alma e o espírito do cristão pertencem a Deus (v20). Nós temos promessas de Deus de que o maligno não nos toca: “o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca”, 1João 5.18. O cristianismo baseia-se na Bíblia, e não em experiências humanas, contrárias às Escrituras Sagradas.

ERROS E ACERTOS

Colocando na balança os erros e acertos da Teologia da Batalha Espiritual muito pouco se tem de positivo. Ainda assim o positivo é praticamente neutralizado pelos seus inúmeros malefícios. O incentivo à oração e à dependência divina é um ótimo estímulo ao cristão. Todavia, o povo de Deus está habituado à oração sem essas inovações dos proponentes da batalha espiritual.

À luz da Bíblia essa teologia é falsa e perniciosa. Ela vem trazendo muita confusão nas igrejas.

Outro problema sério: a tal teologia fascina os evangélicos de maneira assustadora, mais que qualquer outro assunto teológico.

Os livros nessa área sobre reavivamento satânico, sobre experiências satânicas, de testemunhos e visões sobre o reino das trevas, são campeões de vendas, cuja leitura não recomendamos, pois em nada edificam o Corpo de Cristo.


NOTAS

1 BALZ Horst e SCHNEIDER, Gerard. Dicionário Exegético Del Nuevo Testamento, 2ª. Ed. vol. I, Ediciones Sigueme, Salamanca, 2001, pág. 2.379.
2 HICHEY, Marilyn. Quebre a Cadeia da Maldição Hereditária, Adhonep, Rio de Janeiro, 1993, pág. 37-43.
3 HICHEY, Marilyn. Op. Cit., pág. 32.
4 HICHEY, Marilyn. Op. Cit. pág. 62.
5 HARRIS, R. Laird, ARCHER, JR, Gleason L., WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, Vida Nova, S. Paulo, 1998, pág. 24.
6 BOTTERWECK, G. J., RINGGREN, Helmer. Theological Dictionary of the Old Testament, vol. I, WM. B. Eerdmans Publishing CO., Grand Rapids, Michigan, USA., 1990, pág. 131.
7 HAMMOND, Frank e Ida Mãe. Porcos na Sala, Editorial Unilit, S. Paulo, 1973, 132.
8 ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise, Editora Mundo Cristão, S. Paulo, 1995, pág. 125.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Lição 09 - A organização do serviço religioso

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD.

Leia a primeira parte neste link.

PREGAÇÃO EXPOSITIVA

Por George O. Wood (Continuação)

Como Fazer Sermões Expositivos

Agora vem a questão crítica. Você quer pregar sermões expositivos. Mas como fazê-los? Deixe-me levá-lo ao longo desse processo, utilizando uma das passagens mais familiares da Bíblia: Mateus 28.18-20. De fato, esse texto é tão familiar, que muitos nunca chegam a pregar sobre ele.

[...] Exige-se que os pregadores expositivos incluam todas as palavras do texto em seus sermões. Mateus 28.18-20 concentra-se em assuntos mais inclusivos do que no fato de “ir” ou para onde devemos ir.
Lembra-se da primeira pergunta sobre os preparativos de uma mensagem expositiva? O que o texto disse? Para responder a essa pergunta devemos fazer boa exegese. Contudo, não comece sua exegese correndo comentários. O pregador expositivo deve primeiro estudar o texto apenas com a Bíblia na mão; sem comentários ou ferramentas de ajuda de qualquer tipo.

É importante que você comece a formar uma opinião sobre a passagem. O que o texto está dizendo? De que forma o Espírito Santo pode ajudá-lo a entender o texto novo? Que partes parecem chamar mais sua atenção? O que você não compreende? Onde estão os substantivos? Os verbos? Os adjetivos? Os advérbios? Qual o pensamento principal da passagem? Quais os subtemas? Não custa escrever sua própria paráfrase do texto.

[...] Durante esse embate inicial e direto entre você e o texto, comece a se perguntar: Como esboçarei estes versículos? Que título parece mais apropriado?

Passe pelo menos uma hora sozinho com o texto antes de consultar seus recursos de estudo bíblico. Se, é claro, você sabe o grego ou hebraico, gaste esse tempo no texto original obtendo as nuanças da linguagem bíblica. Você não deve começar a examinar os comentários até que o próprio texto fique incrustado em seu espírito.

Depois, sirva-se dos recursos: dicionários, concordância, tradução interlinear, paráfrases e outras versões, estudos por palavras, comentários bíblicos. Não permita que seu repertório de comentário seja escasso. Alguns cometem o erro de confiar quase exclusivamente em um ou dois comentários, e seus sermões passam a ser apenas um rearranjo, uma nova apresentação do que aquele estudioso disse. Nunca tento usar menos do que sete ou oito comentários sobre qualquer texto. Isso assegura que estou tirando conclusões de múltiplos pontos de vista, alguns dos quais em nada me ajudarão, mas preciso da multiplicidade de informações para corretamente compreender o texto. Tenho de resistir ao impulso de passar depressa para a aplicação do texto, sem primeiro me envolver em todo o processo de exame.

À medida que você explora cuidadosamente a mina do texto de Mateus 28.18-20, começa a notar os temas principais. Eles se sobressaem. No versículo 18, Jesus faz uma declaração muito surpreendente. Nos versículos 19 e 20a, dá uma ordem. E na última frase do versículo 20, faz uma promessa.

Portanto, um sermão expositivo será desenvolvido nessa estrutura, dentro do próprio texto. Lembre-se: é sempre o próprio texto que deve reger o esboço. A pregação expositiva não dá licença para o pregador forçar ideias no texto. Deve-se permitir que o texto fale por si mesmo. Quando você se concentrar nos aspectos exegéticos do texto, comece a notar algumas coisas que se destacam, como por exemplo, a palavra “todo”. No texto da versão ARA [Almeida Revista Atualizada], a palavra “todo” (em suas declinações) ocorre quatro vezes: “toda a autoridade [ou poder]“, “todas as nações”, “todas as coisas” e “todos dos dias”. Bem de acordo com o texto grego subjacente, onde o vocábulo “todo” (da raiz grega pas) ocorre quatro vezes: “toda a autoridade”, “todas as nações”, “todas as coisas” e “todos os dias”. Quando percebi isso, disse comigo mesmo: Esta é repetição importante. Isto precisa ser incluído na mensagem. Mas como?

Minha exegese também me leva a focalizar nos conectivos. Primeiro, Jesus proclama ter autoridade. Depois, emite uma ordem. E, no fim, faz uma promessa. Tudo isso não está relacionado? Sua autoridade não serve de escora para a ordem? Jesus nos enviaria para uma missão que não tivesse esperança de sucesso? Por conseguinte, nossa responsabilidade não está associada ao sucesso de sua própria missão? A menos que Ele tenha autoridade, não temos responsabilidade. Mas somos enviados a fazer sua obra por nossa conta? Não! Com a comissão, temos também a garantia: Ele estará conosco.

Percebe o que estamos fazendo? Estamos trabalhando com os conectivos. Às vezes, um sermão contém um esboço simples: pontos um, dois e três. Não obstante, o pregador nunca conecta os pontos. Se temos o ponto um, de que maneira se relaciona com o ponto dois? E com o ponto três? Você quase sempre pode dizer está conectando os pontos, se está silenciosamente inserindo entre eles as palavras “portanto” ou “porque”. Por exemplo, nesse texto, Jesus tem autoridade. Portanto, temos responsabilidade quanto a essa autoridade. Porque temos responsabilidade, necessitamos de sua presença, e devemos cumprir o que mandou fazer.

Procure seguir o fluxo lógico que o próprio texto proporciona. Quando Deus fala, como apresentado na Bíblia, Ele não gagueja. As palavras não são dadas em ordem aleatória, mas na seqüência certa. Há um propósito e método na revelação divina. Busque-os e proclame-os!

Ainda estamos trabalhando na exegese: “O que o texto disse?” Em meus estudos, comecei a notar que quatro verbos dominam o meio de Mateus 28.18-20. Em português, na versão ARA, dois dos verbos estão no imperativo, ou seja, são ordens: “ide” e “fazei discípulos”. E os outros dois verbos estão no gerúndio: “batizando” e “ensinando”. Em princípio, isso nada significa para o desenvolvimento do sermão; simplesmente tomo nota.

Quando consulto o texto grego, descubro que apenas um verbo está no imperativo: “fazei discípulos”. Os outros três estão todos no gerúndio: “indo” (ou quando fordes” ou “tendo ido”, “batizando” e “ensinando”) [Aqui, o Novo Testamento Interlinear é imprescindível para quem consegue pelo menos consultar o dicionário grego e uma chave linguística grega]. Não tenho ideia do que planejo fazer com essa descoberta. Terei de pensar um pouco sobre isso e trabalhar mais extensamente nos comentários. Você frequentemente experimentará esse mesmo fenômeno ao preparar seus sermões.

Durante todo o tempo em que estou estudando, estou tomando notas. Entrementes, só tenho páginas cheias de anotações. Meu estudo exegético está concluído. Acho que atingi um entendimento positivamente acurado do significado das palavras. Agora chegou o momento de desenvolver o sermão e começar a responder a segunda pergunta: “O que o texto diz?” [Concluiremos no próximo subsídio].


Texto extraído do: “Manual Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais”, editado pela CPAD.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O “Plano Divino Através dos Séculos” e o domínio da história em um desenho!

Por Gutierres Fernandes Siqueira
O Plano Divino Através dos Séculos: O passado e o futuro em suas mãos!

Os assembleianos conhecem bem o quadro “O Plano Divino Através dos Séculos”. Conheci alguns que mantinham em suas paredes esse cartaz, que é um símbolo do ensino dispensacionalista popular.  Lembro a primeira vez que vi o desenho e fiquei verdadeiramente impressionado que a chave da história, sendo do primeiro ato criativo ao último julgamento, estava em minhas mãos. Na época, como pré-adolescente curioso pela escatologia, a posse do “Plano Divino Através dos Séculos” era como a de um mapa do tesouro.

A escatologia não é um tema tão presente como há dez anos, mas ainda percebo que a “doutrina das últimas coisas” desperta grande curiosidade, principalmente entre adolescentes. Vejo isso em conversas sobre o assunto, mas a curiosidade está mais para detalhes e mais detalhes de um filme como “Deixados para Trás” ou “Meggido” do que o olhar a vinda de Cristo como a “bendita esperança”. Todos querem saber como será o amanhã. E o “Plano Divino Através dos Séculos” segue a velha mania do dispensacionalismo popular de detalhar o futuro como se tivéssemos lendo o “jornal de amanhã”.

A grade cronológica pré-estabelecida

Vejo como problemático o fato de uma escola escatológica achar que tem a chave da cronologia futura. É impressionante como a leitura do Livro de Daniel e o Apocalipse de João, textos de difícil exercício interpretativo, são expostos em uma leitura fácil do futuro. E mais, com uma incrível riqueza de detalhes. Há dispensacionalistas que “sabem” até o continente onde o anticristo, em pessoa, vai nascer ou já nasceu. Não estou falando de pregadores populares e suas especulações de púlpito, mas isso eu li de um teólogo dispensacionalista muito respeitado.

O problema de um “quadro escatológico” e os seus desenhos é que a Bíblia acaba sendo dividida em um quebra-cabeças para que cada encaixe escriturístico seja coerente com um desenho especulativo sobre o futuro. Assim, a exegese (extrair o pensamento bíblico para fora) dá lugar para a eisegese (incutir um pensamento humano na estrutura bíblica).

Os dispensacionalistas estão certos em sua ênfase escatológica, pois o Novo Testamento é bem escatológico, mas talvez seja interessante meditar que a ênfase neotestamentária no porvir não é uma especulação de detalhes e mais detalhes. No passado bíblico, quem tinha uma escatologia cronológica pré-estabelecida eram os líderes religiosos de Israel e, vejam só, Jesus não se encaixava nela. Maranata!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A fé do fã e a fé do Filho

Por Gutierres Fernandes Siqueira 
"E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus". Tiago 2.23

Ouvi nesta semana a história de um crente que acordava todos os dias de madrugada para orar e ler a Bíblia, mas antes do devocional essa pessoa tomava um banho e vestia o seu terno. A história foi contada como exemplo de compromisso. Mas sempre fui cético com esses comprometimentos radicais...

Quando mais eu leio a história de Cristo, mas eu vejo um “cara normal” que não era dado a extravagâncias. Sim, ele era o próprio Deus encarnado, mas não agia como o alien perdido do espaço. Falo isso, pois inúmeras vezes já ouvi que devemos ser fanáticos por Jesus! Será mesmo?

Jesus gostava muito de orar sozinho, somente Ele e o Pai. A manifestação de fé de Jesus era incrivelmente simples. A Sua fé não era extravagante, a Sua adoração não era louca. O Seu compromisso não era de um fã, mas de um filho, aliás, do Filho!

O nosso relacionamento com Cristo deve ser de filho, amigo e servo, mas não de fã. O amor do fã é irracional. O fã fica cinco dias em uma fila de estádio para ouvir o seu ídolo, mas ninguém espera ansiosamente a mãe de uma viagem acampado no aeroporto por cinco dias. Apesar da diferença gritante, o amor pela mãe é de melhor qualidade. Esse amor não é excêntrico, é maduro, pois é fruto de uma relação e não de uma paixão doentia.

Eu não quero ser fã de Jesus. Eu não quero adorá-lo de maneira extravagante. Eu não que ser fanático pelo cristianismo. Eu quero ser filho de Deus! Eu quero ser amigo de Deus! Conseguir tal posição é uma dádiva tremenda da salvação. É um lindo desafio que se alcança pela graça do próprio Deus.

domingo, 20 de novembro de 2011

A força do mercado evangélico

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Leia abaixo reportagem do jornal Folha de S. Paulo sobre o mercado de produtos evangélicos. Comento no final.

Em crise, gravadoras tradicionais buscam mercado religioso 
Bons números de vendas de CDs e DVDs gospel e baixa pirataria atraem empresas como Som Livre e Sony Music
"As pessoas estão cansadas de problema", diz a cantora Aline Barros, que já vendeu 7 milhões de discos 
ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER DE SÃO PAULO 
A indústria fonográfica não tem do que reclamar. Vender 50 mil cópias de um disco, hoje, é mamão com açúcar. Consumidores se interessam mais em abrir a carteira do que links para download pirata.
O negócio de livros também vai bem, obrigado. O de DVDs, então, nem se fala.
O cenário descrito acima pode soar como milagre para o mercado de entretenimento, que apanha ano após ano com o tombo nas vendas.
Já o setor gospel, bastião de bonança no meio da crise, pode soltar "aleluias" por aí.
Veja o caso da cantora Aline Barros, 35. Já ouviu falar dela? Talvez não, se você for um "secular" (como evangélicos se referem a quem não compartilha da mesma fé).
Mas tudo o que Aline toca vira ouro -até disco de diamante, conquistado pelas mais de 360 mil cópias vendidas, em menos de dez meses, do álbum "Extraordinário Amor de Deus" (2011).
O extraordinário poder das vendas, com certeza, a atingiu. Casada com pastor, frequentadora todos os domingos de uma igreja na zona sul do Rio, ela é uma espécie de Ivete Sangalo do gospel. Na carreira, já vendeu 7 milhões de discos.
Assim ela avalia o sucesso, inclusive no tal "mundo secular": "As pessoas estão buscando algo maior, cansadas de falar só sobre problemas, problemas, problemas".
Lucros, lucros e lucros são o que grandes gravadoras viram no potencial de Aline -premiada quatro vezes no Grammy Latino, que em 2004 criou categoria especial para álbum gospel em português.
Disputada, a cantora acabou renovando contrato com a MK Music, maior gravadora gospel do país. Presidente da MK, Yvelise de Oliveira, 60, desdenha do "súbito interesse" das gigantes do ramo.
Para ela, as "majors" desprezaram a força do público antes. Como "quando vieram os sertanejos, e diziam 'absurdo, que bregalhada'", compara Yvelise. 
NOVO NICHO
Diretor-geral da Som Livre, Marcelo Soares considera que "o público não religioso pouco gasta em suas crenças pessoais". Já o cristão, "além desses gastos", tende a gastar mais com cultura.
O selo representa nomes como Ana Paula Valadão, 35 (7 milhões de CD e DVDs vendidos). Diz a pastora: "Rádios seculares estão começando a tocar nossas canções. Os apresentadores sempre dizem que antes tinham preconceito".
A Sony Music inaugurou, em 2010, um departamento especializado em gospel. Seu diretor, Maurício Soares, levanta o perfil desse consumidor. "O evangélico lê mais, cerca de sete livros por ano. E as rádios do segmento, na maioria, são líderes do tempo médio de audiência."
Na Central Gospel, império tocado pelo pastor Silas Malafaia, DVDs vendem cerca de 1 milhão de cópias por ano. Diretora-executiva, Elba Alencar destaca: "Como a própria Bíblia diz, 'a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus'".
Comento: 

O espaço crescente de cantores evangélicos na mídia não representa necessariamente o avanço do Evangelho no país. Motivos? 1) Quem garante que o cantor ou pregador na mídia está de fato expondo o Evangelho? 2) O interesse dos órgãos comunicativos é meramente comercial e não há pecado nisso, pois eles simplesmente vivem de vender CDs e DVDs.  3) A exposição muitas vezes garante emoção sem conteúdo. 4) A exposição constante pode gerar personalismo.

Mas esse espaço pode ser aproveitado para o avanço da evangelização. A questão é saber aproveitar a oportunidade com sabedoria e coração missionário. É um grande desafio que nasceu nesses últimos meses, mas ele será vencido?

sábado, 19 de novembro de 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Lição 08 - O compromisso com a Palavra de Deus

Subsídio preparado pela equipe de Educação da CPAD

PREGAÇÃO EXPOSITIVA

Por George O. Wood

O que É Pregação Expositiva?

Pregação expositiva é tomar um trecho das Escrituras (um versículo, um parágrafo, um capítulo, um livro) e responder a duas perguntas: (1) O que disse? e: (2) O que diz? Ao responder a essas duas perguntas, o assunto, os pontos principais e o subpontos da mensagem são regidos pelo próprio texto. Na pregação temática, o pregador pode escolher seu esboço. Na pregação textual, os pontos principais são regidos pelo texto, e o pregador pode colocar entre os pontos o que quer se sinta levado a colocar. Entretanto, na pregação expositiva, o texto rege inteiramente o conteúdo da mensagem: não se tem liberdade de buscar ou escolher o que se quer enfatizar ou deixar passar. Vamos considerar as duas perguntas acima. Para pregar expositivamente, devo responder a ambas.

A primeira pergunta – “O que disse?” – envolve exegese e hermenêutica. Quero entender da melhor maneira possível o que cada palavra ou frase significativa para o escritor bíblico, para o povo de Deus a quem essa palavra foi primeiramente dirigida. Para isso, sirvo-me de dicionários, léxicos, concordâncias, comentários bíblicos, ou seja, qualquer coisa que me chegue às mãos para melhor entender o texto. Na grande maioria das vezes queremos passar por alto a difícil tarefa de realmente compreender a Escritura, a fim de imediatamente passarmos a aplicação. Essa é uma das razões por que certos trechos difíceis das Escrituras (como Levítico) são frequentemente deixados de lado.

Entretanto, nenhum sermão está completo se tivermos respondido apenas a primeira pergunta. Também devemos considerar: “O que diz?” Em outras palavras, tenho de passar da exegese para a aplicação. De que forma essa clássica Palavra viva se relaciona com as necessidades contemporâneas das pessoas a quem pregarei? Pregar sempre implica em se ter um pé plantado firmemente na exegese e o outro na aplicação. Os sermões serão secos como o deserto se forem somente exegéticos. A exegese apresenta o que a Escritura disse para as pessoas da época em que foi escrita; a aplicação mostra o que ela diz para as pessoas dos dias de hoje.

Não poucas vezes, uma congregação foi colocada para dormir por um sermão que nunca foi bem-sucedido em ressaltar o imediatismo das experiências cotidianas. O sermão torna-se em lição de história muito árida e tediosa. Entretanto, sermões que negligenciam a exegese em favor da aplicação eventualmente produzirão uma congregação biblicamente analfabeta, presa fácil dos falsos ventos de doutrina e dos vendavais da adversidade satânica. Em geral, se um sermão deixa de despertar interesse, inspiração ou desafio, é porque uma ou ambas as perguntas não foram devidamente respondidas pelo pregador. Philips Brooks, o grande pregador americano de outra geração, assim se expressou, com muita propriedade: “Nenhuma exortação para uma vida melhor, que não esteja fundamentada em alguma verdade tão profunda como a eternidade, pode atingir e prender a consciência [grifo nosso]”.

Paulo ordenou que Timóteo conservasse “o modelo das sãs palavras” (2Tm 1.13). Essencialmente, Paulo estava dizendo que seguia um sistema de ensino, que seus métodos de pregação e ensino não consistiam de porções de informações isoladas e exortações espirituais dispersas. Qualquer pessoa só tem de ler os escritos de Paulo para detectar o quanto são bem-ordenados. No estudo bíblico, o crente não mostrará sensatez se optar pelo método do “pula-pula”. Se, um dia, o crente lê um capítulo de Romanos, no outro, passa para um trecho de Apocalipse e, no seguinte, vai para o livro de Êxodo, permanecendo nesse procedimento aleatório por longos períodos de tempo, realmente não estará tirando nenhum proveito. Imagine estudar um manual de língua estrangeira, de história ou de ciência nesse padrão ametódico! O estudo da Bíblia não dispensa os mesmos princípios aplicados ao estudo de outros assuntos.

Se os comentários acima são verdadeiros no que tange ao estudo pessoal, também se aplicam à pregação. A minha pregação rege a exposição sistemática da verdade?

Estou produzindo um modelo das sãs palavras? O que aconteceria se um operário da construção civil tentasse construir uma casa assentando os tijolos em lugares desconexos, em vez de ajuntá-los adequadamente? Com muita frequência nossos sermões, semana após semana, são tijolos sem nenhuma relação uns com os outros. Não deveria haver uma relação entre os sermões da semana passada e os desta? Ou os do mês passado e os deste? Ou mesmo os dos últimos anos e os deste?

Alguns acham que seguir um plano de sermões, no qual o pregador leva semanas ou meses para sequencialmente levar o rebanho através de um livro da Bíblia, está na verdade inibindo o Espírito Santo. “Você não está descartando a direção do Espírito?” perguntam eles. Não, de forma alguma, a menos que sua visão do Espírito signifique que tudo o que Ele faz deva ser instantaneamente, espontâneo. Eu creio que o Espírito Santo pode me dar direção para uma série completa de estudos tão facilmente quanto para uma única mensagem. Mas nunca devo ser inflexível. Se, no meio de uma série de estudos, o Espírito Santo colocar em meu coração alguma palavra especial, não hesito em interromper a série (Obs: Continua no subsídio da próxima semana; com o subtópico: Como Fazer Sermões Expositivos).

Reflexão:
“Duas perguntas: O que disse? O que diz”.

Texto extraído do: “Manual Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais”, editado pela CPAD.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Minhas impressões sobre o Centenário das Assembleias de Deus em São Paulo

Por Gutierres Fernandes Siqueira
Eu estava lá debaixo de garoa!
Neste mês de novembro o Centenário das Assembleias de Deus teve o encerramento das comemorações na cidade de São Paulo. No dia 14 e 15 tive a oportunidade de participar do Congresso de Jovens e da concentração no estádio do Pacaembu. Neste post trago as minhas observações sobre os dois dias. Já resumo que em si o Centenário merecia uma festa melhor. Vejamos:

Organização

O pecado mais grave do evento no Pacaembu foi a organização. O som, por exemplo, simplesmente tinha "pontos cegos" por todo o estádio. E a programação? O tanto que o "apresentador" do evento conversava com outras pessoas parecia que tudo estava sendo decidido na hora. A pregação simplesmente não houve e eu esperava naquele dia ansiosamente pelas palavras do pastor norte-americano George O. Wood, que é presidente do Concílio Geral das Assembleias de Deus nos Estados Unidos. Wood falou por pouco tempo e infelizmente acabou não expondo a Palavra. Nos primeiros minutos do discurso de Wood ele dividia o mesmo microfone com o pastor que fazia a tradução simultânea. O Painel Humano nem apresentou a sua parte. A peça teatral simplesmente acabou sem um "fim" e outros detalhes mais mostraram a desordem. Se a falta de organização é uma marca da cultura assembleiana, então a festa do Centenário em São Paulo confirmou esse estereótipo.

Música

É sabido que no meio assembleiano, infelizmente, reina o triunfalismo musical. O pior é saber que a própria alta liderança incentiva tais programações onde o homem é o centro (antropocentrismo) e as necessidades humanas são o foco. Exemplo disso é que uma das cantoras convidadas foi a triunfalista-mor Lauriete. Além dela, pelo menos outras três cantoras do mesmo estilo proclamaram vitória pra cá, bênção pra lá e aquele clichê cansativo da "música pentecostal". A grata surpresa foi o cantor americano Don Moen, que dispensa apresentações, mas que acabou cantando apenas um hino no estádio.

Política

Sim, a bendita política estava lá. Sim, e tomou muito tempo precioso.Vários minutos foram perdidos com o representante da presidente Dilma Rousseff, o secretário-geral Gilberto Carvalho (PT-SP) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB- SP) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD- SP). Cada um deles recebeu até uma placa de "lembrança" do Centenário. O filho do pastor José Wellington, o pastor e deputado federal Paulo Freire (PR- SP), foi apresentado como "o nosso representante no Congresso". Qual era a necessidade disso tudo? Certamente foi a parte mais cansativa.

Personalismo


As fotos do pastor José Wellington Bezerra da Costa e sua esposa Wanda Freire eram onipresentes. Seja em uma badeira, no palco ou em um folheto... lá estava o rosto do casal. O nome do pastor foi mais citado que de Jesus Cristo (não estou exagerando!) ou mesmo dos pioneiros Gunnar Vingren e Daniel Berg! Na noite anterior, parte do Congresso de Jovens foi dedicado para a entrega de uma placa que homenageava o líder assembleiano enviada pela Câmara Municipal de uma cidade cearense. Além disso, a programação foi quase familiar.

Reações do público

O mais interessante foi ouvir as manifestações de várias pessoas que estavam perto de mim. A grande maioria reclamava da demora com homenagens aos líderes e palavras de políticos. Isso é um bom sinal, talvez indique que no bicentenário (se o mundo ainda existir) tais pecados não se repitam.


PS: Leia o artigo do pastor Geremias do Couto que sem ufanismo levanta outras questões importantes. Aqui.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Terceira Via na CGADB inaugura blog



Após a repercussão da proposta da Terceira Via na CGADB, não só nas redes sociais, mas também entre centenas de pastores filiados à instituição, um novo passo foi dado para ajudar na propagação da ideia por todo o país: a criação de um blog, que passou a fazer parte da blogosfera no dia 15 de novembro e pode ser conectado através do seguinte endereço: www.terceiraviacgadb.com.br

Segundo o pastor Geremias do Couto, que tem sido um dos principais motivadores da ideia, com a chegada de novos companheiros, aliada à proporção que a proposta alcançou, era necessário criar um espaço formal para galgar mais uma etapa neste processo de aglutinação das lideranças pastorais que compreendem a necessidade se ter uma nova opção para a presidência da CGADB, além dos nomes já conhecidos e polarizados.

A criação do novo blog teve a colaboração de várias pessoas, que também participaram da campanha pela unidade nas comemorações do Centenário, entre eles o pastor Daladier Lima, de Pernambuco, que será um dos moderadores, e o irmão Elian Soares, de Sergipe, que formatou o “template” e criou a logo para dar uma identidade visual à proposta.

Em sua página de apresentação, o blog se propõe a ser um espaço aberto para discutir a proposta da Terceira Via, ouvir as sugestões e permitir até mesmo o contraditório para que todos tenham a noção clara do que se pretende com essa nova opção para a CGADB. Diversas iniciativas estão previstas, na página inicial, além das seguintes janelas: O Projeto, Propostas, Entrevistas e Movimento de Oração.

Segundo os responsáveis, o Movimento de Oração é a prioridade das prioridades nesta fase. Ele terá como propósito - afirmam - permitir que as pessoas se inscrevam e, com isso, a Terceira Via na CGADB, a proópria instituição e todos os procedimentos previstos até a Assembleia Geral Ordinária, em 2013, estejam cobertos pela oração de milhares de intercessores em todo o pais.

Fonte: Blog do Pr. Geremias do Couto

PS: O Blog Teologia Pentecostal apoia a ideia da necessidade de uma Terceira Via na CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Rede Record e esse tal “jornalismo verdade”? E o movimento do “cair no Espírito” é de fato um escândalo!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Sou formado em jornalismo, mas nunca atuei na área. Se eu pudesse voltar no tempo eu teria entrado em uma faculdade de economia. Com uma graduação em Ciências Econômicas estaria certamente mais confortável. Agora sou obrigado a fazer outra graduação para “direcionar a carreira”. Mas a faculdade de jornalismo abriu um leque de informações importantes para a minha formação. Ela não foi inútil. E foi uma faculdade que fiz com prazer.

Por que escrevo isso? Ora, isso porque na faculdade lembro de uma garota que era estagiária na Rede Record. Não esqueço de um comentário dessa colega, pois ela disse que tinha vergonha da emissora em que trabalhava. E logo lembrei do slogan “jornalismo verdade” ostentado pela emissora. Será que esse jornalismo é tão qualificado?

Qualquer veículo de informação não é totalmente isento. A imparcialidade no jornalismo é um mito. Nenhuma revista, emissora de TV ou rádio, portal de internet, blogs e qualquer mídia age com imparcialidade. O motivo é simples: o jornalismo é feito por pessoas e pessoas são parciais. Mas o bom jornalismo, apesar de conhecer o mito da imparcialidade, deve buscar na sua parcialidade a verdade, os fatos e a fiel descrição dos acontecimentos.

O jornalismo da Rede Record está muito preso aos desejos de vingança do chefão. É claro que o “cair no Espírito” é uma falsa doutrina, mas é um fenômeno bem antigo. Então, por que somente agora a Rede Record teve interesse pelo tema? A linguagem da reportagem traz a ideia que o movimento é recente, porém essas meninices já têm mais de duas décadas. O motivo? Uma forma de combater a Ana Paula Valadão, que é adepta do “cair no Espírito” e a uma contratada da gravadora Som Livre. A apologética do Edir Macedo só tem uma motivação: dinheiro, dinheiro e dinheiro!

Escândalo!

Mas convenhamos: o Edir Macedo e o seu jornalismo não teriam imagens toscas de histeria se parte dos pentecostais e neopentecostais observassem 1 Coríntios 14. O apóstolo Paulo foi bem claro: “Portanto, as línguas são um sinal para os descrentes, e não para os que crêem; a profecia, porém, é para os que creem, e não para os descrentes. Assim, se toda a igreja se reunir e todos falarem em línguas, e entrarem alguns não instruídos ou descrentes não dirão que vocês estão loucos?” (1 Coríntios 14. 22-23). O vingativo autointitulado bispo Edir Macedo só espalha o escândalo do dia a dia.

O cair no Espírito é uma prática bizarra e sem sustentação bíblica, mas a apologética do Edir Macedo não é motivada pelo zelo do Evangelho. Edir Macedo é um exemplo que algumas vezes você pode falar a verdade pela motivação errada.

PS: Em janeiro de 2008 eu escrevi sobre o tema “cair no Espírito” e a opinião é a mesma. Perdoem-me por falhas no texto, pois ele precisa de uma revisão gramatical e de estilo. Leia aqui

PS 2: Assista a reportagem da Rede Record aqui.

domingo, 13 de novembro de 2011

I See The Lord (Vejo o Senhor) por Ron Kenoly

Fechando este domingo com a linda (e antiga) canção I See The Lord (Vejo o Senhor), de Ron Kenoly, um ótimo representante da música negra americana. Segue abaixo:

sábado, 12 de novembro de 2011

Lição 07 - Arrependimento, a base para o concerto

Subsídio preparado pela CPAD

O ARREPENDIMENTO E FÉ

Por Daniel B. Pecota

O arrependimento e a fé são os dois elementos essenciais da conversão. Envolvem uma “virada contra” (o arrependimento) e uma “virada para” (a fé). As palavras primárias, no Antigo Testamento, para expressar a ideia de arrependimento são shuv (“virar para trás”, “voltar”) e nicham (“arrepender-se”, “consolar”). Shuv ocorre mais de cem vezes no sentido teológico, seja quanto ao desviar-se de Deus (1 Sm 15.11; Jr 3.19), seja no sentido de voltar para Deus (Jr 3.7; Os 6.1). A pessoa também pode desviar-se do bem (Ez 18.24,26) ou desviar-se do mal (Is 59.20; 3.19), isto é, arrepender-se. O verbo nicham tem um aspecto emocional que não fica evidente em shuv; mas ambas palavras transmitem a ideia do arrependimento.

O Novo Testamento emprega epistrephô no sentido de “voltar-se” para Deus (At 15.19); 2 Co 3.16) e metanoeô/metanoia para a ideia de “arrependimento” (At 2.38; 17.30; 20.21; Rm 2.4). Utiliza-se de metanoeô para expressar o significado de shuv, que indica uma ênfase à mente e à vontade. Mas também é certo que metanoia, no Novo Testamento, é mais que uma mudança intelectual. Ressalta o fato de uma reviravolta da pessoa inteira, que passa a operar uma mudança fundamental de atitudes básicas.

Embora o arrependimento por si só não possa nos salvar, é impossível ler o Novo Testamento sem tomar consciência da ênfase deste sobre aquele. Deus “anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17.30). A mensagem inicial de João Batista (Mt 3.2), de Jesus (Mt 4.17) e dos apóstolos (At 2.38) era “Arrependei-vos!” Todos devem arrepender-se, porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23).

Embora o arrependimento envolva as emoções e o intelecto, é a vontade que está profundamente envolvida. Quanto a isso, basta citarmos como exemplos os dois Herodes. O evangelho de Marcos apresenta o enigma de Herodes Antipas, um déspota imoral que encarcerou João Batista por ter este denunciado o casamento com a esposa de seu irmão Filipe, mas ao mesmo tempo “Herodes temia a João, sabendo que era varão justo e santo” (Mc 6.20). Segundo parece, Herodes acreditava em algum tipo de ressurreição (6.16). Portanto, possuía algum entendimento teológico. Dificilmente poderíamos imaginar que João Batista não lhe tenha proporcionado uma oportunidade de se arrepender.

Paulo confrontou Herodes Agripa II com a própria crença do rei nas declarações proféticas a respeito do Messias, mas o rei não quis ser persuadido a tornar-se cristão (At 26.28). Não quis arrepender-se, embora não negasse a veracidade do que Paulo lhe dizia a respeito de Cristo. Todos nós precisamos dizer, assim como o filho pródigo: “Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai” (Lc 15.18). A conversão subentende “voltar-se contra” o pecado, mas igualmente “voltar-se para” Deus. Embora não devamos sugerir uma dicotomia absoluta entre duas ações (pois só quem confia em Deus dá o passo do arrependimento), não está fora de propósito uma distinção. Quando cremos em Deus e confiamos totalmente nEle, voltamo-nos para Ele.

Texto extraído da obra: “Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal”, editada pela CPAD.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O pós-pentecostalismo!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Hoje, nós pentecostais, vivemos a era do pós-pentecostalismo. Como assim? O pentecostalismo, o braço carismático do protestantismo, avança a cada dia para a irrelevância prática. Não falo da teoria, pois o pentecostalismo já possui os seus eruditos (poucos, mas já há alguns), mas falo da experiência pentecostal em si. Falo de experiência real, não de gritarias histéricas ou línguas monossilábicas que são frutos da repetição mecânica. Falo da experiência carismática bíblica. Onde está?

Vivemos dois extremos no pentecostalismo. Ambos provocam e aprofundam o "pós-pentecostalismo". Vejamos:

01) O primeiro grupo é o composto pelos histéricos. Os inventores do blasfemo e irreverente "reteté" banalizam o pentecostalismo com suas invencionices e espetáculos particulares sem o mínimo "senso do ridículo". É um circo de horrores! O culto pode ser confundido com a rebelião de alucinados que jamais vão glorificar a Deus com posturas que chamam a atenção para si. Os movimentos são repetitivos e trazem a falsa ideia de uma suposta “dinâmica” do Espírito. Não é preciso dizer que reina o estrelismo, a megalomania, a vaidade, a politicagem e a infantilidade. Estando Paulo vivo ele chamaria tal grupo, no mínimo, de insensatos.
O pós-pentecostalismo é na essência uma "crise de púlpito"

02) O segundo grupo é o "pentecostalismo de tradição". Não falo contra a tradição, mas sim contra a tradição como mera lembrança de um passado bonito e romântico. A tradição que esquece de viver o hoje, o presente. O pentecostalismo de tradição não vive o que prega. É um grupo que só revive a história do movimento. É um pentecostalismo com muita história (dos outros) e pouco experiência para contar. Dons espirituais? Uns objetos raríssimos! Oração por cura? Não, obrigado! Uma oração silenciosa em línguas com Deus? Quando foi a última vez?! É tudo teoria e pouca prática. O pentecostalismo de tradição não é histérico, ou seja, não peca pelo excesso, mas sim pela falta.

Sim, vivemos o pós-pentecostalismo quando constatamos que estamos entre dois extremos que sufocam o pentecostalismo real, ou seja, aquele que deve se inspirar nas práticas da primitiva igreja. O que sobra hoje é teoria ou histeria.

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PS: Leia um artigo de Joseph L. Castleberry, deão acadêmico do Seminário Teológico das Assembléias de Deus em Springfield, Missouri (EUA), sobre o mesmo tema. Link aqui.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Citações (3)

"Recordem-se, como ministros, de que toda a sua vida, especialmente toda a sua vida pastoral, será afetada pelo vigor de sua piedade. Se o seu zelo se amortecer, vocês não orarão bem no púlpito, oração pior no seio da família e pior ainda a sós, no gabinete pastoral. Quando a alma se empobrece, os seus ouvintes, sem que saibam como e por que, acharão que as suas orações, em público têm pouco sabor para eles. Sentirão a sua aridez antes que vocês percebam". 
Charles Spurgeon

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Uma teologia latino-americana não faz o menor sentido!

Por Gutierres Fernandes Siqueira 
"El nacionalismo, lo mismo el centralista que los periféricos, es una catástrofe en todas sus manifestaciones". Mario Vargas Llosa, escritor peruano e Prêmio Nobel de Literatura.

Sim, acabei de proclamar uma "heresia" para muitos evangelicais brasileiros. Mas reafirmo: uma teologia latino-americana não faz nenhum sentido para a nossa realidade. Escrevo este texto motivado pela leitura da última edição da revista EXAME CEO (Out/2011 ed. 10, Editora Abril). A revista especial sobre a América Latina traz algumas reflexões acadêmicas, na perspectiva econômica e cultural, que se encaixam perfeitamente na tentativa de construir uma "teologia latino-americana".

A teologia latino-americana faz sentido? Não. Vejamos três motivos:

1) Uma teologia regionalista/nacionalista é sinal de imaturidade cultural e crise de identidade

O historiador brasileiro Evaldo Cabral de Melo afirmou que "a obsessão por escrever romances calcados em folclore ou em realismo extremado é típico de países jovens e em crise de identidade"[1]. A frase de Melo é sobre a "literatura latino-americano", mas cabe perfeitamente na "teologia latino-americana". Alguém já viu um movimento na Inglaterra na "busca pela teologia inglesa" ou na Holanda na "busca pela teologia holandesa"? Os países de tradição teológica mais sólida não ficam nessa infantilidade acadêmica em busca de uma identidade regional.

2) Uma teologia regionalista/nacionalista desenha o seu próprio povo como exemplo de perfeição

Oh, como somos bons! Assim pensam aqueles teólogos que refletem "segundo a nossa dura realidade latino-americana"! O povo latino seria, como sofrido que são pela "exploração imperialista", mais puros na sua reflexão teológica. Meu Deus, que sono! Há coisa mais ingênua do que acreditar em pureza humana? Pobreza ou riqueza não é categoria de pensamento e de reflexão profunda. O sofrimento pode render um livro maravilhoso como o de Jó, mas pode também render uma literatura amarga, vingativa, ignorante e rancorosa.

3) Uma teologia regionalista/nacionalista é pobre na sua leitura de mundo

A Igreja de Cristo é universal. A nossa leitura de mundo costuma ser influenciada pela região em que vivemos. Agora, a teologia cristã, mesmo com as suas influências locais, deve ler universalmente. O nacionalismo de alguns teólogos desembarca na categoria mais retrógrada que possa existir: não consumir uma literatura que ele julga fora de "sua realidade". É uma visão estreita, pobre e que nutre preconceitos descabidos com a ótima teologia produzida no mundo desenvolvido.

E agora vem mais uma pergunta: Nós, brasileiros, somos latino-americanos?

Não, essa não é uma pergunta maluca, pois esse debate é bem antigo. Seriam os brasileiros latino-americanos? O conceito "América Latina" nasceu no século 19 como sinônimo de América espanhola. Sim, não nasceu como sinônimo de países colonizados pelos impérios de línguas românicas (espanhol, português, francês e italiano). O historiador Leslie Bethell comenta:
A América Latina foi inventada nos anos 50 e 60 do século 19. Escritores e intelectuais hispano-americanos- colombianos, chilenos e argentinos- utilizaram a expressão pela fragmentação da América Espanhola em 16 repúblicas, existia uma consciência e uma identidade latino-americana em comum que superava os nacionalismos locais e regionais. Ao mesmo tempo, alguns intelectuais franceses argumentam que havia uma afinidade cultural e linguística entre todos os povos latinos e, para a "Amérique Latine", a França era inspiração e líder natural- e seu defensor contra a influência e a dominação anglo-saxãs. Nenhum desses intelectuais incluiu o Brasil no seu conceito de América Latina. Tratava-se, pura e simplesmente, de outro nome para a América Espanhola.[2]
É um debate profundo, mas certamente interessante. Há uma tentativa crescente de unificação na América Latina, mas o Brasil é um país pouco afeito a olhar para fora. A interatividade entre os povos é uma atividade rica e produtiva. Mas a integração latina é um sonho acadêmico antigo um tanto irreal. Os jornalistas Leandro Narloch e Duda Texeira comentam:
"América Latina" se tronou assim uma ideia tão vazia quanto abrangente. Reúne sujeitos e povos dos mais diversos: o que há em comum entre ribeirinhos amazônicos, vaqueiros gaúchos, executivos da Cidade do México, índios das ilhas flutuantes do lago Titicaca e haitianos praticantes do vodu? Eles falam línguas derivadas do latim, mas... e daí? Colocar todos em um mesmo saco não seria o mesmo que igualar sujeitos tão diferentes quanto um xeque radical egípcio, um fazendeiro branco da África do Sul e um pigmeu do Congo? São todos africanos, é certo, mas pouca gente fala em uma única identidade para a África. [3]
Se a própria ideia de América Latina não faz sentido, então imagine uma "teologia latino-americana". Como falar em uma categoria que não é homogênea? Muitas vezes quando um teólogo identificado com a "teologia latina" fala, na verdade ele está preso em ideias tão (mas tão) antigas. É uma categoria de intelectuais que ainda vive na Guerra Fria ou esquecem dos avanços econômicos recentes nos países emergentes, inclusive entre alguns latinos como Peru, Colômbia, Uruguai e Chile. E como lembra o peruano Vargas Llosa, na abertura desse texto, qualquer espécie de nacionalismo/regionalismo (mesmo teológico) é uma catástrofe.

Referências Bibliográficas:

[1] LIMA, João Gabriel. Ser ou não SerExame CEO. São Paulo: 2011.Out/2011. p 108-112.

[2] BETHELL, Leslie. O que quer o Brasil? Exame CEO. São Paulo: 2011.Out/2011. p 79-83.

[3] NARLOCH, Leandro e TEIXEIRA, Duda. Guia Politicamente Incorreto da América Latina. 1 ed. São Paulo: Editora Leya, 2011. p 17.

domingo, 6 de novembro de 2011

Citações (2)

"Para o apóstolo Paulo, o Espírito Santo era uma realidade presente que habilita com experiências. Paulo não teria compreendido o protestantismo mais histórico. Eu sei que parece cruel, mas é verdade. A razão pela qual ele não teria compreendido é porque Paulo não teria entendido uma vida cristã em que a experiência no Espírito não era a chave para todas as dimensões da vida ". 
Gordon D. Fee - falando em Holy Trinity Brompton em 1996 - citado por Greg Haslam em : "Be filled with the Spirit" - Preach the Word! (Ed. Greg Haslam) - Sovereign World, London (2006) - p 606.

sábado, 5 de novembro de 2011

Lição 06 - Neemias lidera um genuíno avivamento

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

AVIVAMENTO: A RESTAURAÇÃO DO VERDADEIRO SENTIDO DA VIDA

O salmista orou: “Não tornarás a vivificar-nos, para que o teu povo se alegre em ti?” (Sl.85.6). Ele reconhecia que o povo de Deus era espiritualmente impotente; o fogo da devoção estava baixo; a alegria se fora: “Vivifica-nos”, clamou, mas o que queria dizer? Que é avivamento?

Muitos hoje pensam que o avivamento é uma série de encontros com o fim de acender o interesse pela Igreja. Outros acham que é uma forma de emocionalismo religioso. Mas duvido que tais ideias acerca do termo tenham passado pela cabeça do salmista.

Avivamento significa acordar e viver. No Antigo Testamento, a palavra para avivamento vem de outra que significa “viver”, que originalmente carregava o sentido de respiração, visto que a respiração é a expressão de vida em todos os seres animados. Daí poder-se dizer dos ossos secos: “Eu porei respiração dentro de vocês e os farei viver de novo” (Ez 37.5 [BLH]; cf. 37.6,14; Jó 33.4; 1 Rs 17.22). Avivamento, ou vida, era “respirar na respiração de Deus”. Como vimos aqui, a ideia enfatizada é que a fonte dessa vida está em Deus.

A palavra correspondente no Novo Testamento significa “ressuscitar” (Ap 22.5; Rm 14.9; cf. 7.9). O termo, conforme usado por Jesus, denota a mudança na vida de um filho pródigo penitente que retorna à casa do pai, no sentido de que o filho que estava “morto” e agora “reviveu” (Lc 15.24,32). Outras palavras comparam o avivamento ao reacender de uma chama que se apagava aos poucos (2 Tm 1.6) ou a uma planta que lança novos brotos e “floresce novamente” (Fp 4.10).

A ideia básica de avivamento é sempre o retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito. De acordo com a história da redenção, o avivamento pode ser visto como “uma obra diferente e soberana de Deus, em que Ele visita seu povo, restaurando, reanimando e liberando-o para a plenitude de sua bênção”. Por seu poder, “grandes energias, até então adormecidas, são despertadas, e novas forças – que há muito vêm sendo preparadas no interior – ganham vida”. No despertar do avivamento, vem a vida – vida em sua plenitude, vida transbordante de amor e poder divino.

É claro que nem todos os detalhes sobre essa nova vida podem ser plenos. Sendo uma ação sobrenatural do Espírito, há sempre um quê de mistério. Mas uma coisa é certa – no avivamento, homens e mulheres revivem para a vida de Deus.

Transformação pessoal


O avivamento torna-se evidente pela mudança operada no coração pelo Espírito Santo. A extensão de sua ação pode variar, e há diferenças na forma como se expressa, mas o avivamento é manifesto “onde quer que você veja [a vida espiritual] levantando-se de um estado de considerável depressão para uma situação de vigor e força maior”.

A transformação mais imediata é a renovação da experiência cristã individual. Quando alguém corresponde inteiramente à divina graça, há uma maravilhosa certeza do perdão dos pecados; o coração é limpo, a alma é livre. A fé não vacila ante as promessas de Deus. A oração palpita com o aroma do céu. O amor enche o coração com canções, e o louvor é espontâneo. Ainda há sofrimentos e tentações, mas no centro de tudo está o rosto resplandecente de Deus, brilhando no interior do ser. Cristo é real, a sua paz preenche a alma, sua vitória derrota o mundo.

Do ponto de vista do cristianismo do Novo Testamento, não há nada de incomum na experiência do avivamento. É assim que as pessoas deveriam sempre viver. Nas palavras de Roy Hession: “É simplesmente você e eu andando pela Estrada em completa identidade com o Senhor Jesus e uns com os outros, com cálices continuamente purificados, deles transbordando a vida e o amor de Deus”.

Ou, como Charles G. Finney explica, avivamento simplesmente “consiste em obedecer a Deus”, o que significa que é obrigação mais elementar do homem.

O avivamento, no sentido pessoal, deveria ser uma realidade constante. A ideia de que o avivamento é “algo que ocorre em épocas e períodos especiais” é consequencia da natureza volúvel do homem, não da vontade de Deus. Infelizmente, a maioria de nós experimenta aqueles momentos de apatia espiritual que tornam o avivamento necessário. Mas se vivêssemos continuamente na plenitude do Espírito de Cristo, como Deus deseja, o avivamento seria um estado permanente.

Nova vitalidade para a igreja


Mas o avivamento implica mais que bênçãos pessoais. Quando pessoas se despertam para a realidade de Cristo e essa experiência é multiplicada em outras vidas, a igreja sente uma nova unidade de fé e propósito – uma genuína comunhão no Espírito. Quando os crentes são aproximados da Cabeça do corpo, eles são “aproximados uns dos outros em amor santo”. Isso não implica em acordo fechado em qualquer situação, mas, de forma bem marcante, o avivamento cria um ambiente em que discípulos de verdade, sinceros, caminham juntos, enquanto as diferenças menores são resolvidas no compromisso maior de uma missão comum.

Ao encher nossos corações, o amor de Cristo nos faz preocupar com as pessoas a quem Deus ama e por quem Ele deu seu filho. Dessa compaixão, nasce a força que compele à evangelização. O mandamento de fazer discípulos de todas as nações não pode ser desprezado. No mesmo espírito, nossa preocupação social se volta para os oprimidos e aflitos. A obrigação torna-se uma alegria. O amor transborda naturalmente quando o coração está cheio.

É inevitável que a sociedade sinta o impacto de uma renovação entre os cristãos. Quando o Evangelho progride em palavras e ações, o mundo percebe que aquelas pessoas estiveram com Jesus. Os pecadores são tocados e passam a buscar o salvador. Restituições são feitas. Lares destruídos são restaurados. Os padrões morais do povo melhoram. A integridade começa a ganhar espaço no governo. À medida que o Espírito do avivamento prevalece, a misericórdia, a justiça e a honestidade vão enchendo a terra.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Citações (1)

"O propósito dos dons espirituais é chamar a atenção para o Senhor ... O segundo objeto dos dons é evangelístico ... Devemos testar tudo o que alega ser um movimento do Espírito em termos de seu poder evangelístico... O propósito de Deus é reavivar o seu povo e, em seguida, porque eles são reavivados, Deus quer se manifestar em sua pregação, em seu testemunho e em toda a sua vida ". 
Dr. Martyn Lloyd-Jones - "Joy Unspeakable" - Kingsway Books, Eastbourne (2000) - (p 256).

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Queda

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Compartilho com vocês um trecho do artigo "Por que acredito no Cristianismo" do escritor G. K. Chesterton (1874- 1936). Chesterton, para quem não conhece, foi um jornalista e ensaísta britânico que se tornou uma das principais vozes apologéticas do século XX. As ideias de Chesterton influenciaram outro grande escritor e apologista, o irlandês C. S. Lewis (1898- 1963). Nesse trecho, o escritor Chesterton expõe com clareza, como era de sua natureza, a verdade cristã sobre o tema da Queda. Leia:
Finalmente, há uma palavra a dizer sobre a Queda. Só poderá ser uma palavra, e ela é esta. Sem a doutrina da Queda, toda a idéia do progresso é sem sentido. O Sr. Blatchford diz que não houve uma Queda, mas uma ascensão gradual. Mas, a própria palavra “ascensão” implica que você saiba em que direção está ascendendo. A menos que haja um padrão, você não pode se dizer em ascensão ou em queda. Mas o ponto principal é que a Queda, tal como todos os outros largos caminhos do cristianismo, está embebida, invisivelmente, na linguagem comum. Qualquer um pode dizer, “Muito poucos homens são realmente humanos.” Ninguém diria, “Muito poucas baleias são realmente, ‘baleiais’.”
Se você quisesse dissuadir um homem de beber sua décima dose de whisky, você bateria em suas costas e diria, “Seja homem.” Ninguém que desejasse dissuadir um crocodilo de comer seu décimo explorador, bateria nas costas da fera e diria, “Seja crocodilo.” Pois, não temos nenhuma noção de um crocodilo perfeito, nenhuma alegoria de uma baleia expulsa do Éden ‘baleial’. Se uma baleia viesse ao nosso encontro e dissesse: “Eu sou um novo tipo de baleia, eu abandonei a ‘baleiez’,” não deveríamos nos preocupar. Mas, se um homem viesse até nós (como muitos logo virão) e dissesse, “Eu sou um novo tipo homem. Eu sou o super-homem. Eu abandonei a misericórdia e a justiça;” deveríamos responder, “Sem dúvida você é novo, mas nem um pouco parecido com o homem perfeito, pois este sempre esteve na mente de Deus. Caímos com Adão e ascenderemos com Cristo; mas preferimos cair com Satã, que ascender com você.”
G. K. Chesterton
Publicado em: The American Chesterton Society
Traduzido por: Antonio Emilio Angueth de Araujo