domingo, 15 de janeiro de 2012

Por que as promessas de “prosperidade material” no Antigo Testamento não são para os nossos dias?

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Abaixo segue um esboço que apresentarei neste domingo na Escola Bíblica Dominical. O esboço procura responder a pergunta acima.



Por que as promessas de “prosperidade material” no Antigo Testamento não são para os nossos dias?


1. Porque hoje Deus não trabalha com uma nação específica, como era Israel no Antigo Pacto, mas sim com a Igreja. Hoje todos aqueles que aceitam o sacrifício de Cristo são o Israel de Deus (Gálatas 6.16).


2. Algumas promessas bíblicas foram feitas para indivíduos específicos. A promessa de Deus para um personagem bíblico não significa o mesmo para nós. Exemplo é Abraão em Gênesis 12.2: “Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção”. É claro que nenhum de nós pode reivindicar essa promessa.



3. Algumas promessas bíblicas foram feitas somente para a nação de Israel. Exemplo disso é o famoso capítulo de Deuteronômio 28.1-68.


4. Em nenhum texto do Novo Testamento a saúde perfeita ou a prosperidade material é prometida como fruto da obediência a Deus. As “promessas” do Novo Testamento são perseguições e provações. Como disse Paulo: “E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3.12). Leia também Mateus 5. 10-11. e Marcos 10. 29-30.


5. Os versos de sabedoria contidos em Provérbios não podem ser traduzidos como promessas. O livro de Provérbios mostra princípios gerais observados sobre o cotidiano e a vida das pessoas. Um exemplo está em Provérbios 24.25, que diz: “mas para os que julgam retamente haverá delícias, e sobre eles virá copiosa bênção”. De fato, como observa o Rei Salomão, os que julgam retamente desfrutam de delícias derivadas da justiça. É uma observação que Salomão viu na vida dele e de muitos outros, mas essa observação não é uma promessa. O autor quer dizer que a prática da justiça conduz normalmente para uma vida de delícias, mas isso não é automático. É possível praticar a justiça e desfrutar de amargura. Jesus mesmo disse: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça” (Mateus 5.10). Nenhuma perseguição é uma delícia. Portanto, os versos dos provérbios devem ser vistos como princípios gerais e não como promessas automáticas.


6. Os conceitos de alguns personagens registrados na Bíblia não significam promessas bíblicas. O maior exemplo está no livro de Jó. Muito do que é dito pelos amigos de Jó depois é contestado pelo próprio Deus no início ou no final do livro. Para Bildade, por exemplo, Jó sofria aquele mal porque não era justo: “Se fores puro e reto, certamente mesmo agora ele despertará por ti, e tornará segura a habitação da tua justiça” Jó 8.6. O próprio Deus testemunhou a justiça de Jó (1.8). Bildade estava errado, mas as palavras deles estão registradas para entendermos a história e não para aplicarmos os seus conceitos equivocados para os nossos dias.


7. A chave de compreensão do Antigo Testamento passa por Jesus Cristo. A Bíblia diz: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo” (Hebreus 1. 1-2) A chave de interpretação das promessas do Antigo Testamento precisam ser feitas a partir de uma leitura geral das Escrituras.


8. A Bíblia é mais do que um livro de experiências. O esquema “espiritualize, alegorize e devocionalize” não serve para todos os textos bíblicos e pode distorcer o conteúdo de muitos textos. É necessário um exercício de correta interpretação do texto bíblico levando em conta o contexto imediato, a gramática, o tempo, o tipo de literatura, o contexto histórico, as interpretações históricas etc. Exemplos dessas contextualizações abusivas são as campanhas neopentecostais, tais como “318 pastores”, “Ano de Elias”, “Jejum de Sansão” etc.





Bibliografia:

LUTZER, Erwin W. Quem é Você para Julgar? 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p 64-66.

RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 19-27.

ROMEIRO, Paulo. Decepcionados com a Graça. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2005. p 117- 131.

19 comentários:

Jr. Soares disse...

Abordagem interessante. Embora creia que neste esboço caberia uma nota tratando das promessas veterotestamentarias que compreendem a Igreja. Obviamente, dentro do tema/assunto "prosperidade". Shalom!
www.gracasurpreendente.blogspot.com
"Pois nada fizemos para merecer."

Anônimo disse...

Só faltou vc falar a verdade sobre o dízimo,que não vale para a Nova Aliança.

- O dízimo de Abraão a Melquisedeque se embasou numa tradição pagã.

O falso ensino é que Abraão deu voluntariamente o dízimo porque foi a vontade de Deus.

contudo, pelas seguintes razões, Gênesis 14:20 não pode ser usado como exemplo para os cristãos dizimarem:


1 - A Bíblia não diz que Abraão deu “voluntariamente” esse dízimo.

2 - O dízimo de Abraão não foi um dízimo santo, da Terra Santa de Deus, produzido pelo povo santo de Deus.

3 - O dízimo de Abraão foi do espólio de guerra - HB 7:4, o que era comum a muitas nações.

4 - Em Números 31, Deus exige apenas 1% dos espólios de guerra.

5 - O dízimo de Abraão a Melquisedeque aconteceu apenas uma vez e Abraão mudava sempre de lugar.

6 - O dízimo de Abraão não proveio de sua riqueza pessoal.

7 - Abraão nada conservou para si mesmo, tendo devolvido tudo.

8 - O dízimo de Abraão não é mencionado em nenhuma parte da Bíblia, a fim de respaldar o ato de dizimar.

9 - Gênesis 14:21 é o texto chave. Visto como muitos comentários explicam o verso 21 como exemplo da tradição pagã árabe, é uma contradição explicar os 90% do verso 21 como pagão, ao mesmo tempo insistindo-se em que os 10% do verso 20 eram a vontade de Deus.

10 - Se Abraão serve de exemplo para o cristão dar 10% a Deus, então deveria também ser um exemplo para ele dar os restantes 90% a Satanás, ou ao Rei de Sodoma!

11 - 0 Visto como nem Abraão nem Jacó tinham um sacerdócio levítico para manter, eles não tinham lugar algum onde entregar os dízimos, durante os seus muitos movimentos.

Anônimo disse...

Na Palavra de Deus o vocábulo ”dízimo” não aparece sozinho. Ele é sempre “o dízimo do alimento”. O dízimo bíblico era muito estritamente definido e limitado pelo próprio Deus.

Os verdadeiros dízimos bíblicos sempre eram:

1. - Apenas em alimentos.

2. - Somente de fazendeiros e pecuaristas.

3. - Somente dos israelitas.

4. - Somente de quem vivia dentro da Terra Santa de Deus, das fronteiras nacionais de Israel.

5. - Somente sob os termos da Antiga Aliança.

6. - A fartura só poderia provir da mão de Deus.



Por conseguinte:


1. - Itens não alimentícios não podiam ser dizimados.

2. - Animais limpos caçados e peixes não podiam ser dizimados.

3. - Os não israelitas não podiam dizimar.

4. - Alimentos que viessem de fora da Terra Santa de Deus não podiam penetrar no Templo.

5. - O dízimo legítimo não acontecia quando não houvesse o sacerdócio levítico.

6. - O dízimo não podia provir do que fosse fabricado pelas mãos do homem, produzido ou apanhado na pesca.

Anônimo disse...

O dízimo não é ensinado no Novo Testamento.



O falso ensino é que Jesus ensinou a dizimar, em Mateus 23:23, dizendo que isso está claro no Novo Testamento.



A Nova Aliança não teve princípio no nascimento de Jesus, mas na Sua morte (Gálatas 3:19, 24, 25; 4:4). O dízimo não é ensinado na igreja, depois do Calvário. Quando Jesus falou sobre o assunto em Mateus 23:23, Ele estava simplesmente ordenando a obediência às leis da Antiga Aliança, a qual ele endossou e obedeceu até chegar ao Calvário. Em Mateus 23:23, Ele mandou que os judeus obedecessem aos escribas e fariseus, porque estes se assentavam na cadeira de Moisés. Por acaso Ele ordenou que os gentios por Ele curados comparecessem diante dos sacerdotes judeus?

Não existe um único texto do Novo Testamento que ensine a dizimar após o período do Calvário. (Atos 2:42-47 e 4:32-35 não são exemplos para se dizimar, a fim de sustentar os líderes da igreja). Conforme Atos 2:46, os cristãos judeus continuavam a adorar no Templo. E conforme Atos 2:44 e 4:33,34, os líderes da igreja compartilhavam igualmente o que recebiam com todos os membros da igreja (o que hoje não se faz). Finalmente, Atos 21:20-25, prova que os cristãos judeus ainda observavam fielmente toda a Lei de Moisés - até 30 anos depois - devendo aí ser incluído o dizimar, pois se não o fizessem, não poderiam ter permissão de entrar no Templo para adorar. Desse modo, todos os dízimos coletados pelos primeiros cristãos judeus eram para o sustento do Templo e não para sustentar a igreja.

Anderson Cruz disse...

Paz,
Mas Graças a Deus, a maior e melhor promessa é de vida eterna, e essa é para nós.

Gutierres Siqueira disse...

Caro anônimo,

Fique a vontade para contribuir com o assunto, mas, por favor, se identifique. Obrigado.

Joabe disse...

Gutierres, a Paz do SENHOR!

Fiz uma pergunta a um pastor e peço sua contribuição também :

A nota de comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal sobre gálatas 6.16 afirma que “Israel de Deus” se refere a todo povo de Deus debaixo do novo concerto, tanto judeus como gentios. Já o Norman Geisler, na pagina 851 da Teologia Sitemática, afirma que se trata dos israelitas que são crentes verdadeiros. Qual a interpretação correta? Geisler também defende o sensus unum em detrimento do sensus plenior. Qual sua posição sobre isso?

Ricardo Goulart disse...

Parabéns Gutierres, gosto de opniões fundamentadas na razão e na reflexão da palavra de Deus. Isso é muito bom. Gosto de ler assunto de pessoas que mostram o quanto são pessoas equilibradas, e isso é para poucos, principalmente em nossos dias que muitos "cristãos" tem procurado ganhar espaço ainda que inconscientemente levantando polêmicas no meio "evangélico", críticas e expondo até mesmo em redes sociais como se isso fosse demonstrar uma "apologia" sadia. Embora a intenção seja boa, na verdade tem feito mais o mal, causando o inverso, trazendo mais debates e contendas do que edificando.

Deus te conserve assim!

Em Cristo

Ricardo Goulart

Gutierres Siqueira disse...

Joabe, a paz!

Para mim o contexto é bem claro. Qualquer um, seja gentio ou judeu, que recebe o sacrifício de Cristo como seu (justificação pela fé) é o Israel de Deus. Portanto, concordo plenamente com a interpretação do Donald Stamps.

Alliadoo disse...

Tremenda mensagem. Tenho me dedicado à meditação do livro de Provérbios e já vinha percebido o mesmo que você, embora seja difícil se desintoxicar do discurso das igrejas emergentes que falam justamente o contrário.
Permaneçamos firmes!

Aprendiz disse...

Anônimo, você até diz algumas coisas corretas, mas comete alguns erros gritantes:

1. Que tradição árabe? Para comoçar, que árabes? Que sentido tem chamar os habitantes da então terra de Canaã de árabes?

2. Sua interpretação seria considerada absurda pelos autores do bíblicos. Pergunte a Davi e ao autor de Hebreus se eles consaideram que Melquisedeque era um pagão. Mas além de dizer que era pagão, você quer dar a entebder que Melquisedeque era um assaltante, que tomou dinheiro de Abraão a força. E um assaltante muito burro, que roubou apenas 10%. E Abraão seria um tanto tolo, pois tendo, com seus homnes e confederados, vencido 5 reis, foi depois assaltado por um rei obscuro.

3. Abraão não "deu 90%" ao reino do Diabo coisa nenhuma. Devolveu aos sodomitas apenas aquilo que deles havia sido tomadoo. Isso não se aplica ao restante do despojo, pois não foi só o despojo de sodoma que Abraão recuperou. Poderia ter exigido uma parte, pelo risco que correu e trabalho que teve. Abraão não quis parte do despojo de Sodoma, especificamente para não ser assiciado ao rei de Sodoma, e você agora diz uma barbaridade dessas.

4. Ao transformar Melquisedeque em um pagão que tomava os dízimos a força, você ofende também o próprio Yeshua (Jesus), que é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.

Você poderia ter questinado, com sucesso, a atual doutrina do dízimo, tal qual é ensinada na maioria das igrejas. Mas em vez disso, você meteu os pés pelas mãos e cometeu uma série de horríveis erros exegéticos.

André, vulgo Alliadoo disse...

Gutierres, eu posso republicar no meu blog? Abs,

Gutierres Siqueira disse...

Pode sim, André.

Anônimo disse...

A polêmica (para alguns))sobre o dízimo é antiga,mesmo entre os evangélicos.Há os que o dfendem com unhas e dentes(e com ameaças a quem não dizima),outros,constrangidos tem até vergonha de falar sobre o mesmo na igreja.
O problema é que quando se fala em dízimo mexe com o bolso e a carteira da membresia operária assalariada e velhinhas(os) aposentadas(os).No entanto,são estes os mais fiéis dizimistas nas igrejas.Dizimam fielmente do pouco que recebem de suas minguadas aposentadorias.
Quanto aos CAIXAS-ALTA,(não generalizando) dão do que lhes sobeja e são tratados de maneira principesca pela liderança da igreja.
Mas sem dinheiro - na atual conjuntura igrejista - nem mesmo o Evangelho se prega.
Dar ou não o dízimo é uma questão de fé e obediência da parte do crente e não uma barganha com Deus para "sangrá-lo" e obrigá-lo a distribuir riquezas aos dizimistas.

Vosso N'Ele que só me pede que O ame e seja fiel e dependente de sua graça:JESUS CRISTO.

JOSÉ NASCIMENTO RODRIGUES

Anônimo disse...

Irmãos quero ressaltar uma coisa ao irmão José que realmente sua postagem deve ser considerada e ao irmão aprendiz deve tomar cuidado ao falar que o irmão cometeu algum erro exegético pois seria necessário um Doutorado de 4 anos para o irmão se tornar um exegeta profissional creio que o irmão não possui tal grau, outro sim o dizimo deve ser reinterpretado pois a base para o dizimo e uma aberração bíblica. Ao Gutierres Deus abençoe sou Teólogo conheço alguns Doutores que o irmão posta artigos sou do ministério do Belém e gostaria de estar entrando em contato como o irmão para alguns negócios acerca do nosso ministério.

Gutierres Siqueira disse...

Caro anônimo,

O meu e-mail para contatos é gutierres.siqueira@uol.com.br

Daladier Lima disse...

Prezado Gutierres, mesmo sem pedir antecipadamente vou utilizar seu texto aqui na EBD. Não se preocupe quanto aos créditos, você e seu blog serão citados.

Abraços!

Gutierres Siqueira disse...

Daladier, a paz!

Fique a vontade.

Abraços

Frank Brito disse...

Escrevi sobre isso aqui:

http://resistireconstruir.wordpress.com/2012/08/17/o-antigo-testamento-ensina-a-teologia-da-prosperidade-i/

Se puder, dê uma lida... :)