terça-feira, 10 de abril de 2012

Anencéfalos!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Amanhã (11 de abril) o nosso Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá se o aborto de anencéfalos é legal ou não. Ora, alguém duvida sobre a decisão que triunfará? Infelizmente, nos últimos anos a Suprema Corte mostrou mais preocupação com uma agenda militante do que com o rigor da Carta. Portanto, é espantoso um país que chama de “direito” a morte de crianças com deficiência física. A eugenia, mesmo com justificativas “humanistas”, cheira a um cruel genocídio.

Ratzinger, em uma análise pertinente, afirmou:
Quando se chegou ao consenso de que uma criança, que se supõe nascerá com deficiências, deve ser abortada para poupar, a ele e às outras pessoas, o peso da sua existência, está-se a fazer um escárnio a todos os deficientes: está-se a dizer-lhes que só existem porque a ciência não tinha ainda alcançado o progresso atual. (Cristianismo y Democracia Pluralista, in Scripta Theologica 16, 1984/3)
Hoje mantam um bebê sem cérebro. E amanhã?

Oremos!

16 comentários:

Luciano disse...

Li um interessante artigo intitulado "O último homem", na revista Filosofia Ciência & Vida, da Editora Escala, edição no. 68, no qual se definiam alguns pontos de contato entre a definição de pós-humano, que surge com as novas tecnologias de manipulação genética, e a velocidade com que se avança em direção a uma equiparação de direitos entre os animais e os homens.
No referido artigo, o autor argumenta que o humano, nós, após a concretização do pós-humano, ficaria para trás, se equiparando aos animais, cujo status vem se aproximando rapidamente do do homem. Assim, deixado para trás o homem junto com os animais, as gerações de pós-humanos, aqueles gerados a partir de seleção genética, querendo suprimir os privilégios de existência dos que lhe estariam abaixo na escala evolutiva - aí incluídos animais e humanos - poderia facilmente exterminá-los com o apoio da opinião pública de então.
Parece um pouco ficção científica, mas só na conclusão, porque os ingredientes formadores da situação cogitada já estão aí entre nós.
É Gutierrez, você tem razão, oremos, e eu acrescento, vem, Senhor Jesus!

jose da paixão disse...

É JUSTO TOMAR DECISÕES COMPETENCIA)SOBRE A VIDADE OU MORTE DE ALGUEM INOCENTE?

CARO AMIGO, É TRISTE VER ALGO ASSIM TÃO DESUMANO, ILEGAL E PROFANO. O UNICO QUE PODE E TEM O DIREITO DE DECIDIR SOBRE VIDA OU MORTE DE ALGUEM É DEUS.

É INTERESSANTE O SALMOS 139 VV 13.
OS TEUS OLHOS VIRAM O MEU CORPO AINDA INFORME, E NO TEU LIVRO TODAS ESTAS COISAS FORAM ESCRITA...

CAROS AMIGOS, SE DEUS PERMITIU QUE UMA CRIANÇA FOSSE FORMADA MESMO COM DEFICIENCIA, É QUE ELE (DEUS) TEM UM PROPOSITO,O SALMISTA É BEM CLARO QUANDO DIZ QUE TUDOJÁ ESTAVA ESCRITO SOBRE ESSA CRIANÇA. ANTES QUE ESSA CRIANÇA FOSSE FORMADA DEUS JÁ SABIA E SABE QUE ELA TERIA UMA DEFICIENCIA, A PERGUNTA É: POR QUE DEUS NÃO INTERROMPEU ESSA VIDA? SE ELE NÃ INTERROMPEU, COM QUE DIREITO VAMOS DECIDIR SOBRE SE ESSA CRIANÇA VIVA OU MORRA?
A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 88 DIZ NO SEU ARTIGO 5º O SEGUINTE: TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI, SEM DISTINÇÃO DE QUALQUER NATUREZA,GARANTINDO-SE AOS BRASILEIROS E AOS ESTRANGEIROS RESIDENTES NO PAÍS A INVIOLABILIDADE DO DIREITO À VIDA, A LIBERDADE,À IGUALDADE,À SEGURANÇA NOS TERMOS QUE SE SEGUEM...NO INCISO III DIZ NINGUEM SERÁ SUBMETIDO A TORTURA NEM A TRATAMENTO DESUMANO OU DEGRADANTE.
O ARTIGO 7º DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DIZ O SEGUINTE: A CRIANÇA E O ADOLESCENTE TÊM DIREITO A PROTEÇÃO À VIDA E À SAÚDE...
PORTANTO O QUE VEJO É UM DESRESPEITO A LEI E A VIDA, E É DE SE CAUSAR ESTRANHEZA, É QUE ESTAS ATITUDES ADVEM DE QUEM PODERIAMOS ESPERAR SEGURANÇA E PROTEÇÃO.
O STF HOJE, NÃO DEFENDE MAIS A CARTA MAIOR E SIM INTERESSES DE UMA PEQUENA PARCELA DE PSEUDOS MANDATÁRIOS.

JOSÉ DA PAIXÃO
BACHARELANDO EM DIREITO.

Rodrigo disse...

Não acho que a Suprema Corte esteja mostrando "mais preocupação com uma agenda militante do que com o rigor da Carta" ao aprovar o aborto de fetos anencéfalos.

Para mim, a questão se resolve da seguinte maneira: o Estado deve garantir a liberdade do indíviduo. Se é assim, deve garantir às mães que quiserem ter o parto do anencéfalo o direito de tê-lo e àquelas que não o quiserem o direito ao aborto.

Grande abraço,

Rodrigo

Gutierres Siqueira disse...

Rodrigo,

Já diziam os antigos liberais: “a minha liberdade termina onde começa a do outro". Como podemos falar que a mãe tem o "direito" de matar um filho com deficiência? E a liberdade dessa criança? Onde está a liberdade da criança em todo esse debate?

Amanda disse...

E como matar o que "nasce" sem vida? Ou será que há uma nova maneira que a ciência ou a igreja encontrou de fazer com que sobreviva um corpo que (mal) se forma sem o cérebro? Quando há o parto - arriscadíssimo na maioria das vezes - de um bebê anencéfalo, não há certidão de nascimento: apenas de óbito. Assim, as mães que se sentirem mais seguras e confortáveis não criando, costumeiramente com afeto, um bebê morto por nove meses em sua barriga poderá optar (ou não!) pelo aborto - que na verdade mal é aborto, já que não há vida a ser interrompida. Grata.

JOSÉ DA PAIXÃO disse...

O STF ao aprovar o aborto de anencéfalos atropelou a Lei, a Ética e acima de tudo, decidiu por algo que não é de sua competencia, e sim de inteira responsabilidade do poder Legislativo.
A minha pergunta é: quem será a próxima vitima hem?

JOSÉ DA PAIXÃO

Rodrigo disse...

Gutierres,

Podemos falar de direito se partirmos do princípio que a deficiência (no caso, a anencefalia) inviabiliza 75% dos fetos ainda no útero materno, e os 25% restantes falecem poucas horas depois do parto. O problema com a análise do Ratzinger, citado por vc, passa por aí tb, pois pressupõe uma uniformidade inexistente no termo "deficiências".

Em tempo, sou contra o aborto quando ele é levantado como "bandeira de libertação" (por exemplo, para eliminar os problemas gerados por uma gravidez indesejada). O que não é o caso dos anencéfalos, pois, como disse o relator Marco Aurélio Mello, "Não se trata de vida potencial, mas de morte segura".

Gutierres Siqueira disse...

Amanda,

Por favor, o seu comentário contém graves erros científicos.

1) O anencéfalo não é necessariamente um bebê sem cérebro, mas os casos de anencefalia se referem a formação incompleta do encéfalo.

2) Onde você tirou que os partos de anencéfalos são arriscados "na maioria das vezes"? Qual a base para uma afirmação dessas? Ora, o risco é o mesmo da gravidez de um bebê saudável.

3)Outro erro grave é afirmar que o bebê anencéfalo é um feto morto na barriga da mãe! Meu Deus, donde você tirou essa ideia absurda?

Grato pelo comentário.

Gutierres Siqueira disse...

Rodrigo,

Todos nós nascemos com o potencial de morte. Hoje, graças ao avanço da ciência, a mortalidade infantil é baixa, mas todos nós temos histórias de bisavós e avós que contam sobre os seus diversos bebês que morreram no parto.

Portanto, se eu julgo que uma vida não tem potencial de sobrevivência devo matá-la? Voltamos aos tempos de Roma!

Amanda disse...

Tirei de rodas de debates com especialistas de todas as áreas, e estes dados foram fornecidos por ginecologistas e obstetras. Além disso, e obrigada por sua contribuição no que diz respeito a anencefalia não tratar apenas da ausência total do cérebro, a tecnologia avançada na medicina permite que haja uma análise do tamanho do agravamento da situação, e de quais as chances desse bebê de sobreviver - ainda que com deficiência. Concordo contigo a respeito de não ferir o direito a vida do feto, mas creio que a proibição nunca é bem vinda. Um aborto nunca é bem vindo. E acho digno que as mulheres, que consigam constatar uma gravidade extrema na situação de seus bebês, possam optar por anteceder o sofrimento.

Oseias B. Ferreira disse...

Vá com calma amigo. Somente quem "quiser" poderá abortar, certo?

Ora, se uma gestante rica quiser "abortar" ela poderá fazer sem qualquer "impecilho". Agora, se uma mulher pobre escolher por não querer a criança sem cérebro, terá que se sujeitar a quê?

Rodrigo disse...

Gutierres,

No caso dos anencéfalos, o que existe de "potencial" é a vida, não a morte, e mesmo assim apenas por algumas horas.

E eu não afirmei que se deve matar aquele que julgamos que vai morrer. Disse que a possibilidade de abortar o anencéfalo deve ser dada aos pais que assim o quiserem.

Gutierres Siqueira disse...

Oseias B. Ferreira,

Sim, somente quem quiser poderá matar um bebê com aval do Estado. E aí, se for pobre, poderá usar o SUS para tal feito, ou seja, o dinheiro do meu e do seu imposto financiará tal coisa.

Gutierres Siqueira disse...

Rodrigo,

Você escreveu: "E eu não afirmei que se deve matar aquele que julgamos que vai morrer. Disse que a possibilidade de abortar o anencéfalo deve ser dada aos pais que assim o quiserem".

Bom, queria entender a diferença, pois o aborto de anencéfalo decidida por esses pais será baseada na ideia que o bebê viverá poucas horas... Na prática é matar quem julgamos que viverá poucas horas.

Rodrigo disse...

Gutierres,

Vc disse: "se eu julgo que uma vida não tem potencial de sobrevivência devo matá-la?". Eu não disse que o aborto é um dever, uma necessidade. Quem não quiser abortar que não aborte. O que estou dizendo desde a primeira postagem é que o aborto do anencéfalo deve ser garantido como possibilidade, como opção para os pais que não quiserem tê-lo. É essa a diferença.

Oséias,

Vc disse: "Agora, se uma mulher pobre escolher por não querer a criança sem cérebro, terá que se sujeitar a quê?". Terá que se sujeitar ao SUS, como disse o Gutierres. Qual o problema?

Ale disse...

Creio que estamos argumentando entre cristãos. Então com base nessa afirmação, o que a bíblia diz sobre a vida? A ciência afirma dentro de seu campo de estudo, o mundo natural, que a vida está no cérebro, mas e para Deus onde está a vida? A questão levantada aqui, é sobre o direito de uma mãe decidir sobre a vida de um Ser Humano, que não terá condições de sobreviver com seu corpo mal formado. Deus dá esse direito ao homem?