domingo, 8 de julho de 2012

A expansão evangélica e alguns pontos do Censo 2010 [Parte 03]: O tradicionalismo legalista e o crescimento das igrejas pentecostais!

AD no bairro do Belém em São Paulo
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Na edição deste domingo o jornal O Estado de S. Paulo [leia aqui] divulgou dados interessantes sobre um processo que o periódico chama de “pulverização”, ou seja, a fragmentação da membresia evangélica acentuada em pequenas igrejas e entre evangélicos desigrejados. Mas há outro dado curioso: o pentecostalismo cresceu, mas o pentecostalismo legalista e sectário caiu drasticamente na cidade de São Paulo.

Enquanto que a Assembleia de Deus ganhou mais de 140 mil membros na cidade de São Paulo na última década, a Congregação Cristã do Brasil perdeu 72 mil membros e a Igreja Pentecostal Deus é Amor perdeu 23 mil. É ainda cedo para uma conclusão, mas parece que o modelo de igreja megarígida e inflexível chegou ao fim em uma grande cidade como São Paulo. Não houve década que a Assembleia de Deus tenha mais aderido a flexibilização do que a década de 2000 e isso, ao que parece, ajudou no grande crescimento.

Resumindo em pontos:

1. Igrejas pentecostais rígidas (legalistas) e não flexíveis perdem membros.
2. Igrejas pentecostais que eram legalistas, mas que abandonam aos poucos essa tendência “fechada” ganham membros.
3. A flexibilização nos costumes e o crescimento pelo interesse no estudo teológico não prejudicaram o crescimento.

Portanto, falar em crescimento pentecostal demanda uma “vírgula”, pois as igrejas pentecostais que mantiveram as suas tradições como “ferro e diamante” perderam membros. E aí nasce outro ponto: os defensores da manutenção ad aeternum dos “usos e costumes” costumam alegar que a sua equilibrada liberalização inibirá o crescimento da denominação, pois se o crescimento sempre existiu, então por que introduzir mudanças nas tradições? Ora, se a Assembleia de Deus continuasse aquela igreja “sectária e legalista” da década de 1990 teria perdido membros da mesma forma que a Congregação Cristã e a Deus é Amor.

Outro mito bobo é que uma Assembleia de Deus mais voltada para a teologia prejudicaria o crescimento. Essa era a tese mais apaixonada dos anti-intelectuais, mas a década de 2000 provou ser uma análise totalmente errada, assim como é errada a análise dos defensores do legalismo institucionalizado.

É bom deixar bem claro que não estou escrevendo sobre a qualidade desse crescimento, pois esse assunto não é objeto de análise deste post, mas já foi de outro texto [leia aqui]. O que discuto aqui é um fato simples: o mito que a liberalização dos costumes prejudicaria o crescimento das Assembleias de Deus. A Assembleia de Deus no bairro do Belenzinho (São Paulo, SP) é um exemplo disso [foto acima]. A congregação-sede neste bairro mudou muito nos últimos quinze anos em relação aos “usos e costumes”. O discurso um tanto conservador do seu líder não é compatível com a membresia que ele lidera. No Belenzinho já não há (graças a Deus!) aquela opressão legalista dantes e continua com forte crescimento. Agora, se a igreja é melhor hoje do que ontem é uma outra discussão.

5 comentários:

sousa disse...

CARA IRMÃO A BÍBLIA DIZ QUE O CAMINHO É ESTREITO E LARGO É O Q CONDUZ A PERDIÇÃO,Ñ SEI QUAL O PONTO DO ESTREITO Q A BÍBLIA DIZ,MAS POSSO Q O CRISTÃO TEM Q SER LUZ DO MUNDO E SAL DA TERRA,TEM Q A HAVER UMN DIFERENÇA.

Daladier Lima disse...

Prezado Gutierres, tenho ressalvas às suas conclusões, especialmente às que ligam liberalização dos costumes ao crescimento. A fase que mais a AD atraiu membros foi quando era mais rígida. Claro que os exageros aconteceram. Aliás, a abordagem conservadora nos permitiu uma razoável e positiva diferenciação, como registra o Reinaldo Azevedo, um jornalista católico. Nas palavras dele, quanto mais a Igreja Católica se abria, mas se diferenciava. E mais perdia adeptos!

Mario Sérgio disse...

Creio que essa fase a qual o Daladier se refere se situava num momento em que a AD era a única igreja que realmente que evangelizava. Era pioneira, e líder na evangelização. Mas nos anos 70 e 80 veio a concorrência, e as suas lideranças tiveram que ser pragmáticas. Caso contrário aconteceria isso que o Gutierres destacou em seu blog.

Abraços!

Gutierres Siqueira disse...

Daladier, a paz!

Bom, na análise do jornalista Reinaldo Azevedo, da qual eu também li, ele não estava falando de “usos e costumes”, mas naquele texto ele fazia uma crítica aos católicos "progressistas", ou seja, aqueles que estão mais preocupados com uma suposta agenda social (que na verdade é política) da Teologia da Libertação. Com toda certeza, o Azevedo não se referia aos costumes, mas sim falava da essência doutrinária na área de valores.

E, como lembrado pelo Mário, o crescimento forte da década de 1970 e 1980 se deu no contexto hiperlegalista, mas certamente que isso não se repetiria na última década. Exemplo disso é a Igreja Pentecostal Deus é Amor. É visível que essa denominação, dominada pela ideias tresloucadas dos assembleianos de antes, está cada vez mais vazia. Já quase não existe grupos juvenis nessas igrejas.

Abraços!

Anônimo disse...

Prezados irmãos,

Acredita-se que todo extremo é prejudicial, pois atrapalha o crescimento genuinamente bíblico. Particularmente e baseado na bíblia, acredito que toda mudança não deve trazer escândalo e possíveis prejuízos para a obra do Senhor Jesus. Acredito que às pessoas( liderança Cristã) deveriam perguntar para Jesus se ele concordaria com tais mudanças. Percebe-se que essas questões são consensuais, é óbvio, após consultar a teologia( bíblia) e passar pelo concílio.

Um forte abraço!