terça-feira, 14 de agosto de 2012

A santidade falsificada!


Por Gutierres Fernandes Siqueira

O falso santo é uma figura marcante na Igreja Evangélica Brasileira. Vejamos suas características:

Cita o nome do diabo a cada cinco frases. Se cai da escada foi o diabo quem o derrubou. Se pega trânsito foi o diabo quem o provocou para perturbá-lo. Se alguém olha com cara feia para ele... É o diabo agindo na vida do seu oponente. A visão do falso santo é dualista, pois a força do demônio é proporcional a força de Deus.

É vingativo. Despreza o exercício de misericórdia quando de todos exige uma perfeição inexistente em sua própria vida. Deseja o mal do outro com uma "vestimenta espiritual", ou seja, costuma orar para que Deus "cuide" daqueles que o ofenderam.

Acha tudo pecaminoso. O falso santo normalmente é "santo" em demasia. Tudo é pecado. Nada é puro. Comemorar o Natal? É pecado! Usar maquiagem? É pecado! Tomar banho na praia? É pecado! Jogar bola? É pecado... Ora, quando tudo que eu enxergo é podre pode ser que a minha visão esteja suja.  "Para os puros, todas as coisas são puras; mas para os impuros e descrentes, nada é puro. De fato, tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas". [Tito 1.15]

O falso santo é malicioso. Este parágrafo tem ligação com o tópico anterior. Ora, se eu vejo pecado em uma praia será que o problema é realmente a água e a areia ou o meu coração cheio de malícia? Será que a condenação do banho marítimo não é uma forma velada de esconder o descontrole sexual que um simples passeio no litoral revelaria? Assim como o ciúme é uma forma de autocontrole para o sujeito inseguro, assim é o legalismo para um sujeito sem controle.

Só fala de assuntos "espirituais". Certa vez um pastor disse que o único jornal que lia era a Bíblia. Bom, é certo que uma leitura cuidadosa das Sagradas Escrituras não deixa ninguém isolado. "Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno" [João 17.15], disse Jesus. Somos como estrangeiro em terra estranha, mas não como ET em outro planeta.

Despreza qualquer atividade cultural como um mal a ser combatido. O falso santo precisa entender que a cultura é uma atividade humana. Não é, em si, nem divina e nem diabólica. Assim, a cultura como um produto humano pode refletir a sua natureza pecaminosa (mundanismo) ou expressar a imagem de Deus em sua vida (graça comum). Cabe discernimento. A questão não é abraçar ou rejeitar toda cultura produzida pelo homem, mas filtrá-la segundo os valores do Evangelho.

7 comentários:

Ricardo Goulart disse...

Gostei do post, principalmente da parte que citada: "Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno" [João 17.15], disse Jesus. Somos como estrangeiro em terra estranha, mas não como ET em outro planeta.

Muito bom!

Abraao Azarias disse...

isso é a mais pura verdade!!!!

George Gonsalves disse...

Muito bom. Observo que a santidade falsa nunca é social, mas individualista. Um abraço.
www.gracaesaber.com

Anderson Cruz disse...

Olá Gutierres

Quanto ao achar tudo pecaminoso, acho que é um dos mais comuns, principalmente em círculos legalistas.
Geralmente pessoas que acham que tudo é pecado, vieram de uma vida da "lama do pecado", que praticaram as coisas mais abomináveis possíveis, (claro que toda regra tem sua exceção), e quando se convertem a cada coisa que o faz lembrar de sua vida em total depravação ele condena, acho isso normal do ser humano, já que somos imperfeitos e em todo coração há um pouco de religiosidade querendo ou não, mas caminhemos sempre para o que é perfeito e que Deus nos ajude ser mais cristão e menos religiosos.

Falo sobre Santificação no meu blog
Palavra e Fé - (anderscrz.blogspot.com.br)

Anônimo disse...

Os "santos justiceiros" agem mais como um fiscal,ou como os discípulos cujo desejo era ver o fogo descer e queimar os contrários.São os xerifes do Reino dos céus cuja estrela na lapela é a ostentação de uma santidade que diante do espelho se volta contra eles,diminuindo-lhes a visão,ou mesmo cegando-os para a própria realidade da vida em busca da VIDA.
Que Deus cuide de cada um de nós, e que suportemos as fraquezas dos fracos , e possamos orar assim: "Senhor,abre os olhos dele para que veja".
Ou que pelo menos - como díz Paulo - "não tenha um conceito de si mesmo mais elevado do que deve ter".Que tenha um conceito equilibrado.
Vosso em Cristo:José Nascimento Rodrigues.Um alcançado por Jesus que luta para enxergar os próprios erros e lançá-los aos pés da Cruz.

Adenilton Turquete disse...

se eu tivesse a inteligencia do Guitierres faria este texto um pouco mais inchado de caracteristicas destes "falsos santos" que atrapalham o crescimento da obra de Deus dentro da igreja, pois se colocam em pedestais inacessiveis, pouco contribuindo com a comunhão e mantém sempre o dedo em riste contra seu irmão impedindo-o de crescer na fé.

Nilma Victoria disse...

Gutierres,

Ontem mesmo fiz questão de EXCLUSIVAMENTE, comentar sobre e indicar a leitura de seu Blog, para o meu sobrinho.
Pois são textos como esses que os nossos jovens precisam ler e se esclarecer para se tornarem maduros espirituais no arraial evangélico brasileiro.

Eu o aconselhei também a "curtir" a Página do Teologia Pentecostal no Facebook para não perder nenhuma atualização e ler o que lhe interessar e assim, despertar o discernimento e adquirir possíveis argumentos contra ou a favor de alguma situação que vier acontecer na igreja.


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+Nilma Boston Rio
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