quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Irreverência. Quanta, irreverência!

Pregação expositiva? Isso non ecziste!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Não faz muito tempo levei alguns amigos para conhecer uma importante igreja pentecostal aqui em São Paulo (SP). E, apesar de morar na cidade, eu também queria conhecer o culto dominical noturno daquela igreja. Mas, para mim, a experiência foi decepcionante.

Por que a decepção? Bom, uma igreja que deveria servir de referência, pois é um marco entre as igrejas pentecostais da cidade, simplesmente mostra exatamente os mesmos vícios e manias que mancham as demais igrejas pentecostais. 


Vejamos:

1) Pregação temática e mal interpretada. A pregação foi sofrível. O pregador falou de Abraão sem citar Jesus Cristo. Como pode? Abraão e a sua aliança com Deus deve nos levar para a lembrança da aliança de Cristo com todos nós. Colocar Abraão meramente como um exemplo de fé para as dificuldades do dia a dia é uma distorção gritante do texto de Gênesis 12. Não há problema em uma pregação temática, mas desde que ela seja fiel ao texto bíblico. Além disso, se possível, seria mais interessante uma pregação expositiva. Mas, eu sei, é pedir demais!

2) Irreverência no púlpito. Por que tanta conversa na plataforma que abriga o púlpito? É um troca-troca de papéis e recados que chamam a atenção de qualquer um. É um púlpito ou um escritório? Além disso, qual é o motivo para toda aquela tropa de engravatados sentados em uma plataforma? É um converseiro sem fim.

3) Excesso de oportunidades. Crianças, adolescentes, senhoras, quartetos, corais, orquestras, cantores individuais... E assim são “oportunidades” sem fim. Há, ainda, as famosas “saudações”, pois o “visitante ilustre” não pode ficar sem uma “palhinha”. É um culto a Deus ou sei lá o quê?

4) Personalismo. Bem, personalismo é uma doença cada vez mais presente no meio pentecostal. Antes, em igrejas pentecostais históricas, em uma sadia iconoclastia, havia um repúdio a qualquer imagem em seus templos. Hoje, a imagem do líder impera nos cartazes e nas paredes das igrejas.

Bom, é ruim quando você guarda uma expectativa que não é cumprida. E, pior, ainda não temos um grande modelo e isso é uma pena.

6 comentários:

Marcos Wimmer disse...

É, Gutierres, infelizmente são vícios que acompanham as igrejas. Nunca concordei com os caciques no púlpito, sentados em suas confortáveis cadeiras enquanto o povo tem que se contentar com os bancos duros. Lá em cima fazem de tudo, menos cultuar a Deus que é uma segunda opção. Se distraem com o movimento da congregação e vice-versa.

E as saudações? Para que servem? Respondo: para enaltecer os "caciques", ou, para constranger o visitante que está pisando pela primeira vez na congregação. Na minha própria família tem pessoas que não vão à igreja por causa disso. Os pastores não podem ver alguém diferente no meio da multidão e pedem para se colocar em pé, e depois cantar aquele famigerado corinho "visitante seja bem vindo..."

Outro vício específico dos pentecostais que é muito recorrente: levantar o som no último volume, pra arrebentar com os tímpanos de qualquer um! Meu Deus! Quem falta de bom senso!

Os líderes pentecostais precisam fazer um cursinho de reciclagem. Sim! Cursinho mesmo! Pois são coisas tão simples que não precisa ser mestre na teologia para enxergar.

tadeu disse...

E eu pensava que isso só acontecia por aqui. A irreverência no culto a Deus está demais:1)celular que toca e as pessoas saem pra atender sem o menor constrangimento.2)O dirigente da congregação que deixa o púlpito pra resolver assuntos na secretaria(um presbitero assume a direção).3)conversas paralelas entre os congregados, etc. E agora, como viveremos?

Aprendiz disse...

Gutierres

Na sua opinião, qual o motivo do fortíssimo personalismo nas igrajs petencotais e neopetencostais?

João Emiliano Neto disse...

Viveremos com Jesus: caminho, verdade e vida. Orando, jejuando, fazendo nosso devocional periodicamente, lendo a Bíblia, sobretudo testemunhando e fazendo proselitismo individual.

Sem precisar renegar a Igreja local, mas com a prudência dos justos, afastarmo-nos um pouco da mesma até que Deus se digne a chamar, enfim, os predestinados filhos d'Ele.

Assim viveremos...


JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

Gutierres Siqueira disse...

Aprendiz,

Eu respondi em forma de artigo.

http://www.teologiapentecostal.com/2012/11/personalismo-so-falta-colocar-uma.html

Luciano disse...

Conversava um dia desses com um casal de amigos que, há algum tempo, recém-chegados ao Rio de Janeiro vindos do norte do país, procuravam uma igreja onde congregar, constantemente dando com locais como esse descrito na postagem.
Lembrei-me deles diante do questionamento do Tadeu - "E agora, como viveremos?"
Eles me contavam que, enquanto não encontraram um local adequado - não a congregação perfeita, que essa não existe, mas isso mesmo, um local adequado -, iam com os filhos à congregação mais próxima de casa, porque entendiam que precisavam congregar, e quando voltavam para casa, reuniam a família para explicar aos filhos o que se fez e o que se falou fora da sã doutrina.
Dava trabalho, mas funcionou. São uma família cristã sadia que, hoje, já encontraram o que procuravam.
E com todo o respeito sincero que merece o João Emiliano Neto, vou discordar dele somente quanto ao afastamento, porque há um lugar de adoração, como se diz lá em Dt 12:4-7, texto que tem me sustentado e a minha família enquanto buscamos também o nosso.