terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Citações (6)

‎"O amor, de fato, é capaz de amar a amada quando sua beleza se perdeu: mas não porque a beleza se perdeu. O Amor pode perdoar todas as fraquezas e assim mesmo amar, a despeito delas, mas não pode deixar de querer que elas sejam eliminadas. O Amor é mais sensível que o próprio ódio a cada imperfeição no ser amado".

C. S. Lewis em "O Problema do Sofrimento".

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Teologia da Libertação e a Teologia da Prosperidade são gêmeos fraternos!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

[OBS: Recomendo a impressão deste texto, pois o tamanho é cansativo para leitura em tela]

Os gêmeos fraternos são aqueles formados a partir de óvulos e espermatozoides diferentes, mas que se desenvolvem no mesmo período. Esses gêmeos, normalmente, possuem sexo e tipo sanguíneo divergente. Como a Teologia da Libertação e a Teologia da Prosperidade podem ser gêmeos fraternos como sugerido no título? Ora, ambas seguem tendências diferenciadas (comunismo versus consumismo), mas o tronco e a origem são comuns. Ambas são filhas da modernidade.

Talvez a doutrina que mais aproxime as duas teologias é a própria antropologia. A forma como as teologias da libertação e os evangelistas da prosperidade veem o homem mostra o foco antropocêntrico dos modernos. A autoajuda popular dos megatemplos e o “bom selvagem” dos tratados teológicos “progressistas” são tão próximos quanto os adeptos gostariam de admitir.

A graça divina e a maldade humana

Nesse mundo-cão o cristão é exortado a ser generoso para com os mais necessitados. Como fazê-lo? Somente pela graça generosa de Deus. É assim que a história da teologia cristã, baseada nas Escrituras, ensina. Aliás, tudo na vida é graça de Deus. Quão enganados somos quando pensamos que os nossos méritos são capazes de expressar verdadeira generosidade. Há uma síndrome contemporânea onde todos acreditam que são bons, tolerantes, generosos, sem-preconceitos etc. Assim como descreveu C. S. Lewis:

Todos se sentem benevolentes quando nada os está aborrecendo. Dessa forma, o ser humano facilmente vem a se consolar de todos os seus outros vícios com a convicção de que “seu coração está no lugar certo” e de que “ele não faria mal a uma mosca”, embora nunca tenha feito o menor sacrifício pelo próximo. Julgamo-nos benevolentes quando estamos apenas contentes. Não é tão fácil, com os mesmo parâmetros, imaginarmo-nos comedidos, castos e humildes.

O maior símbolo desse autoengano moderno é o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, o pai dos autointitulados “progressistas” e politicamente-corretos do século XXI. O francês abandonou os seus cinco filhos que teve com a serviçal ThérèseleVasseu na “roda dos enjeitados”, uma pequena porta de madeira que existia na Igreja Católica para receber crianças rejeitadas. O homem que acreditava no “bom selvagem” jogou para a igreja a responsabilidade e o amor que lhe cabia como pai. O próprio autor é uma antítese de sua tese.

Não quero dizer com isso que o homem seja mal sobre mal. Além da maldade, há beleza e bondade no ser humano, independente se essa pessoa professa a fé cristã ou não, mas por mais bela que essa bondade seja ela é insuficiente para a salvação. E, como dito acima, a bondade e generosidade do homem é fruto da graça. Como escreveu Matthew Henry: “A graça de Deus deve ser reconhecida como a raiz e a fonte de tudo que é bom em nós, em todos os momentos. Quando somos úteis para os outros e realizarmos alguma boa obra, devemos nos conscientizar de que isso foi em decorrência da graça e do favor de Deus” [2].

As virtudes não estão ligadas à religião. Ser religioso não significa ser virtuoso, mas a virtude é graça divina, seja a graça comum ou a graça como dom. A graça de Deus, o presente divino, nos faz generosos contra a nossa própria natureza corrompida. A graça se recebe. A graça é uma ação divina doada na regeneração, mas possui resultados continuados. A graça uma vez recebida muda a relação com o mundo de maneira continuada.

Essa ideia, obviamente, bate contra toda a crença moderna (e/ou pós-moderna) na “capacidade da natureza humana”. É um incômodo ouvir que somos pecadores e que dependemos de Deus e de sua graça (graça comum) para sermos um pouco mais humanos e generosos.

Uma das doutrinas mais combatidas pelos modernos da autoajuda ou da academia é a idéia do pecado e da responsabilidade pessoal.

A fantasia do antropocentrismo

O filho bastardo do humanismo do Iluminismo é a fantasia da autoajuda contemporânea. No “acredite em seu potencial” e “você é um vencedor” nada mais é do que uma versão popular do antropocentrismo das Luzes. Em sua antropologia positiva, ou seja, quando os filhos de Rousseau acreditam na bondade nata do ser humano, eles expressam a mesma convicção infantil e desconectada da vida real. O homem das Luzes e da autoajuda não precisa se preocupar com pecado, insuficiência ou mesmo com a dependência de Deus. Esse homem só precisa acreditar em sua bondade e no seu potencial. Esse é o momento que as Teologias da Libertação (comunista) e a Teologia da Prosperidade (consumista) casam em um estranho matrimônio. A Teologia da Libertação é autoajuda disfarçada.

Talvez você não ligasse as duas teologias no mesmo tronco, mas podemos ver que ambas são filhas da modernidade. Ambas olham o homem desprovido de suas responsabilidades e o infantilizam, pois ambas deslocam o mal para fora do homem, quando este está diretamente ligado ao coração humano.

A Teologia da Prosperidade e a sua fantasia de negação do sofrimento e a exaltação do sucesso mostram que falta a clara noção do pecado. Comentando Eclesiastes, o filósofo Luiz Felipe Pondé observa:

A tarefa humana consiste, em primeiro lugar, em tomar conhecimento de que “tudo é vento que passa”. Peca, portanto, aquele que nega esse estado de coisas, fugindo à dor necessária e inevitável e escondendo-se dela atrás de uma barreira de coisas contingentes (sucesso, dinheiro, prazer pelo prazer): “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido” Eclesiastes 5.10. [3]

Na Teologia da Libertação todo o fracasso do homem é fruto de uma conspiração do “sistema”, ou seja, a culpa é sempre de um grande ser abstrato [4]. Você é sempre vítima e nunca parte do processo. Exemplo é o pensamento de um dos principais expoentes da Teologia da Libertação no meio evangélico, o leigo católico Jung MoSung, que afirmou:

A culpabilização das vítimas, os excluídos, se dá por um mecanismo ideológico muito importante. A sociedade capitalista prega que todos têm a liberdade de fazer o que quer e que querer é poder. Dizem: “basta ter competência e fora de vontade”! Segundo essa lógica, se o pobre não pode comprar é porque, no fundo, ele não quer de verdade, não tem força de vontade, e não tem competência. Daí, concluem que os fracos de vontade e incompetentes merecem seu sofrimento e sua frustração [5].

É claro que uma “vida melhor” não depende somente da nossa força de vontade. Quem nasce em um país miserável e envolto em guerras civis é provável que morra miserável. Isso não dependeu de sua vontade e da falta dela. É uma terrível contingência. E um acidente? Uma doença na família? Uma crise econômica que resulte em amplo desemprego? Agora, a grande questão é a ideia por traz desse discurso piedoso e social: o homem sempre é vítima. Sim, é extremo dizer que o homem é dono de seu destino, mas é igualmente pensar que é isento totalmente de responsabilidades.

Veja o exemplo da escravidão. Aprendemos na escola que os escravos negros foram explorados pelos portugueses brancos e ricos no Brasil. Isso é um fato histórico. Mas a escola esquecia-se de dizer que os escravos africanos eram vendidos por outros africanos. O que quero trazer com esse exemplo? Ora, sempre víamos os africanos como vítimas e os portugueses como algozes. Só que o mundo é mais complicado do que esse maniqueísmo “progressista”. Entre os algozes estavam, também, outros africanos que vendiam seres humanos para portugueses. Isso justifica a escravidão dos portugueses? É claro que não. A escravidão é uma das principais violações dos direitos humanos praticadas pelas gerações passadas. Mas o exemplo mostra que “mocinhos e vilões” é coisa de Hollywood.

Outro exemplo é o debate sobre drogas. O usuário de crack é vítima? Sim e não. Sim, quando já dominado pelo vício o drogado é um completo dominado, ou seja, um caso de saúde pública. Agora, a primeira “tragada” foi fruto de uma escolha individual. Ah, mas a miséria o levou a isso, dizem os adeptos da antropologia positiva. Ora, se todo pobre (classe E) fosse usar drogas para “esquecer os problemas” já teríamos 16 milhões de usuários e a maior cracolândia do país estaria nos rincões do interior. No fundo é uma visão preconceituosa contra os pobres.

Mais um exemplo é o debate sobre a violência urbana. Na tese “progressista” o combate à violência passa por melhorias sociais, ou seja, a causa da violência é a pobreza. Mais uma vez volta aquela visão piedoso-preconceituosa. Se miséria produzisse violência urbana de maneira automática, logo a cidade do Rio de Janeiro seria infinitamente mais segura do que Lima, capital do Peru. E Mumbai, uma das cidades com as maiores favelas do mundo e com um dos menores índices de homicídios do mundo. E o que falar da Nova York da década de 1980? Era uma cidade riquíssima (e ainda é) e extremamente violenta (já não é mais).

Todas essas teses tentam jogar fora a responsabilidade individual.

A visão infantil

Na Teologia da Prosperidade também não há responsabilidade individual, pois o sucesso é saber os segredos de Deus, ou seja, é uma cabala de resultados práticos e a responsabilidade pela miséria ou prosperidade está em soluções mágicas. O homem de sucesso, no Movimento da Fé, é aquele sujeito que manipula o divino e é bom o suficiente para exigir de Deus. Ele faz por merecer suas bênçãos pelos sacrifícios da fé. Em ambas, a responsabilidade do homem nada conta. O escritor inglês G. K. Chesterton, escrevendo sobre livros que ensinavam o sucesso, afirmou:

Esperemos que vivamos todos para ver esses livros absurdos sobre o Sucesso cobertos propriamente de escárnio e abandono. Eles não ensinam as pessoas a obterem o sucesso, mas ensinam-nas a serem esnobes; eles realmente difundem um tipo de má poesia do materialismo. Os puritanos estão sempre denunciando livros que inflamam a luxúria; o que diremos dos livros que inflamam as mais vis paixões da avareza e do orgulho? Cem anos atrás, tínhamos o ideal do Aprendiz Diligente; era ensinado aos garotos que com parcimônia e trabalho eles todos se tornariam LordMayors. Isso era falacioso, mas era viril, e continha um mínimo de verdade moral. Em nossa sociedade, temperança não evitará que um pobre enriqueça, mas pode ajudá-lo a se respeitar. Trabalho duro não o fará um homem rico, mas fá-lo-á um bom trabalhador. O Aprendiz Diligente sobe por meio de poucas e limitadas virtudes, mas ainda assim virtudes. Mas o que dizer do evangelho pregado pelo novo Aprendiz Diligente; o aprendiz que sobe não pelas suas virtudes, mas abertamente pelos seus vícios [6].

A graça de Deus é a fonte de tudo, portanto, a graça de Deus é a fonte da generosidade para o coração corrompido. Como os modernos acreditam em si mesmo, logo o exercício da graça fica difícil. O teólogo da libertação vê sempre bondade no homem e o teólogo da prosperidade sempre vê triunfo no ser humano. A visão infantilizante impede de enxergar os limites do humano. Quando se enxerga os limites do homem se começa a ver a operação de Deus.

Quando o evangelicalismo brasileiro não estava contaminado pelas versões de Teologia da Libertação e Teologia da Prosperidade a assistência e a dignidade dos pobres eram mais bem trabalhadas, não em discursos piedosos, mas na prática evangelística. Que possamos voltar a essa realidade.

Referências Bibliográficas:


[1] LEWIS, Clive Staples. O Problema do Sofrimento. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. p 67.

[2] HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Mattew Henry. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p 530

[3] PONDÉ, Luiz Felipe. Um punhado de pó. Dicta e Contradicta. Número 01. São Paulo: Junho, 2008, p 37.

[4] Talvez os teólogos da libertação devessem ler a famosa frase de George Bernard Shaw, escritor irlandês e Nobel de Literatura em 1925, que disse: "As pessoas sempre põem a culpa nas circunstâncias por serem quem são. Não acredito em circunstância: os indivíduos de sucesso são aqueles que saem e procuram as condições que desejam; e, se não as encontram, criam-nas”. A Teologia da Libertação sofre a síndrome de Adão: a culpa é sempre do outro.

[5] SUNG, Jung Mo. Se Deus existe, por que há pobreza?1 ed. São Paulo: Editora Reflexão, 2008. p 88.

[6] CHESTERTON, Gilbert Keith. A falácia do sucesso. Blog do Angueth: traduções, comentários e algumas relíquias do passado. Belo Horizonte, 2009. Em: <http://angueth.blogspot.com/2009/08/falacio-do-sucesso.html> Acesso: 22/01/2012.

Leia também: 

domingo, 29 de janeiro de 2012

O lado liberal da proibição...

"A verdade é, claramente, que a rigidez dos Dez Mandamentos é uma evidência, não da obscuridade e estreiteza da religião, mas, ao contrário, da sua liberalidade e humanidade. É mais econômico afirmar as coisas proibidas do que as permitidas: precisamente porque muitas coisas são permitidas e apenas poucas proibidas". [G. K. Chesterton]
Chesterton foi um grande frasista!

sábado, 28 de janeiro de 2012

O que há de errado com pessoas religiosas?

Uma argumentação simplesmente fantástica do Mark Driscoll sobre os traços da religiosidade que muitas vezes manifestamos por aí. Recomendo!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Lição 05 - As bênçãos de Israel e o que cabe à Igreja

Abaixo temos um subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

(OBS: Eu também preparei um subsídio para a lição deste domingo. Veja neste link.)


ALIANÇA DA TERRA DE ISRAEL

Por Thomas Ice

A primeira ampliação da promessa da terra veio após Abrão deixar Harã e chegar à terra de Canaã. Gênesis 12.7 relata que o Senhor apareceu a Abrão em Canaã e disse: “[...] À tua semente darei esta terra”. O contexto mostra que Abrão acreditou que o Senhor se referia à terra de Canaã. A promessa é claramente dirigida aos descendentes de Abrão.

Deus volta a ampliar a promessa da terra após Ló, sobrinho de Abrão, separar-se de seu tio. Dessa vez, o Senhor Disse a Abrão: “[...] Levanta, agora, os teus olhos e olha desde o lugar onde estás, para a banda do norte, e do sul, e do oriente, e do ocidente; porque toda esta terra que vês te hei de dar a ti e à tua semente, para sempre” (Gn 13.14-15). A promessa mais uma vez enfatiza que Deus deu a terra a Abrão e sua descendência. O novo elemento que aqui surge diz respeito ao tempo ― ela é dada para sempre. Muito se discutiu acerca desta expressão. Via de regra, sua duração é determinada pelo contexto. A menos que existam outros indícios, ela diz respeito à duração da história humana e pode incluir a eternidade.

Gênesis 15 registra a essência da aliança e descreve os limites da terra com maior precisão: “Naquele mesmo dia, fez o Senhor um concerto com Abrão, dizendo: À tua semente tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates [...]” (Gn 15.18).

Deus não apenas prometeu fazer de Abraão o pai de uma grande nação, como também a esta garantiu que daria um território. Uma nação não está realmente formada até que tenha seu próprio território. Sem sua terra natal, um povo perde a identidade étnica e nacional. Surpreendentemente, Israel manteve sua identidade nacional mesmo após 1800 anos de afastamento de sua terra natal.

Deuteronômio 30.1-10 amplia este aspecto da aliança abraâmica, estabelecendo uma aliança acerca do território de Israel: a Aliança da Terra de Israel (também conhecida como Aliança Palestina). Esta passagem declara que todas as promessas que Deus fez em relação à terra de Israel serão cumpridas “E será que, sobrevindo-te todas estas coisas, a bênção ou a maldição [...]” (Dt 30.1-2). Deus cumprirá esta promessa para com a nação de Israel, juntamente com o retorno do Messias e o reinado no Milênio.

Texto extraído da “Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica”, editada pela CPAD.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Edir Macedo perturba um país africano miserável!

Sede da Igreja Universal em Maputo, capital de Moçambique. A miséria da prosperidade!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Edir Macedo certamente é a maior aberração que os evangélicos brasileiros produziram. Eu sei que não é bom citar nomes, pois combatemos ideias e não pessoas, mas a figura de Edir Macedo é altamente representativa daquilo tudo que devemos evitar. Qual “bispo” que reúne “atributos” como a pregação pelo aborto, a confissão positiva, o sincretismo religioso, os métodos obscuros de arrecadação financeira etc.? É muita heresia para um homem só!

A revista Carta Capital, da última semana, traz uma interessante reportagem (algo raro nesse periódico) sobre a expansão da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Moçambique, um país africano de colonização portuguesa (leia um trecho aqui). A matéria mostra como o império de Edir Macedo já possui a maior emissora daquele país e com amplas relações com o governo local e até com o judiciário.

Moçambique é um país onde 90% da população “vive” abaixo da linha da pobreza. No Brasil, que não é nenhum paraíso prospero, esse número é de 8%. Apesar de toda miséria daquele lugar a IURD tem uma pregação agressiva sobre prosperidade material mediante os “sacrifícios da fé”. Muitos moçambicanos, que misturam superstição com desejo de uma vida melhor, doam parte do pouco que possuem para a IURD.

Moçambique é um país altamente místico e a IURD é especialista em manipular símbolos religiosos como parte de sua própria liturgia com o propósito de arrecadar dinheiro. No Brasil, a IURD já não faz o mesmo sucesso da década de 1990, em parte por causa do crescimento da concorrência e, em parte, pela estabilidade econômica. Bom seria se a causa fosse o crescimento do evangelicalismo bíblico, mas...

E só podemos concluir: como o juízo de Deus vai encarar a exploração da miséria alheia para enriquecimento pessoal? Difícil saber, mas certamente não será nada bom!

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Veja abaixo uma reportagem produzida pela Christianity Today sobre as falácias do "evangelho'' da prosperidade na África.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O cristianismo e a felicidade

Um leitor perguntou:
"Qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade?"

C. S. Lewis respondeu:
"Qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade? Enquanto dura, a religião da auto-adoração é a melhor. Tenho um velho conhecido já com seus 80 anos de idade, que vive uma vida de inquebrantável egoísmo e auto-adoração e é, mais ou menos, lamento dizer, um dos homens mais felizes que conheço. Do ponto de vista moral, é muito difícil. Eu não estou abordando o assunto segundo esse ponto de vista. Como vocês talvez saibam, não fui sempre cristão. Não me tornei religioso em busca da felicidade. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do Porto me daria isso. Se você quiser uma religião que te faça feliz, eu não recomendo o cristianismo. Tenho certeza que deve haver algum produto americano no mercado que lhe será de maior utilidade, mas não tenho como lhe ajudar nisso".


domingo, 22 de janeiro de 2012

Por que as promessas de “prosperidade material” no Antigo Testamento não são para os nossos dias? [Parte 2]

A próxima lição da Escola Bíblica Dominical nas Assembleias de Deus falará sobre como podemos diferenciar as promessas feitas por Deus a Israel e aqueles que são para a Igreja neotestamentária. Eu já escrevi um post com algumas respostas sobre a questão: Por que as promessas de “prosperidade material” no Antigo Testamento não são para os nossos dias? Leia aqui.

Abaixo reproduzo um texto sobre o mesmo assunto escrito pelo pastor John Piper e traduzido pela equipe do blog Voltemos ao Evangelho.


Ensine-os o Ide 

As promessas de prosperidade para Abraão se aplicam aos crentes de hoje?
Por John Piper


Uma mudança fundamental aconteceu com a vinda de Cristo ao mundo. Até aquele tempo, Deus focou sua obra redentora em Israel com obras eventuais entre as nações. Paulo disse: “Nas gerações passadas, [Deus] permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos” (Atos 14:16). Ele os chamou de “tempos da ignorância.”

“Não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos 17:30).

Agora o foco passou de Israel para as nações. Jesus disse: “O reino de Deus vos será tirado [Israel] e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos [seguidores do Messias]” (Mateus 21:43). Um endurecimento veio sobre Israel até que o número total das nações entrasse (Romanos 11:25).

Uma das principais diferenças entre essas duas épocas é que, no Antigo Testamento, Deus glorificou amplamente a si mesmo ao abençoar Israel, de modo que as nações pudessem ver e saber que o Senhor é Deus.

“Faça ele [o Senhor] justiça ao seu [...] povo de Israel, segundo cada dia o exigir, para que todos os povos da terra saibam que o SENHOR é Deus e que não há outro” (1Reis 8:59-60).

Israel não foi enviada como uma “Grande Comissão” para ajuntar as nações; pelo contrário, ela foi glorificada para que as nações vissem sua grandeza e viessem a ela. Então, quando Salomão construiu o templo do Senhor, foi espetacularmente abundante em revestimentos de ouro.

O Santo dos Santos tinha vinte côvados de comprimento, vinte côvados de largura e vinte côvados de altura. E foi coberto com ouro puro. Ele também cobriu de ouro um altar de cedro. E Salomão revestiu o interior da casa com ouro puro, e fez passar correntes de ouro frente ao Santo dos Santos, o qual também cobriu de ouro. E cobriu de ouro toda a casa, inteiramente. Também cobriu de ouro todo o altar que estava diante do Santo dos Santos. (1Reis 6:20-22)

E quando ele mobiliou o templo, o ouro mais uma vez se tornou igualmente abundante.

Então Salomão fez todos os utensílios que estavam na casa do Senhor: o altar de ouro, a mesa de ouro para os pães da proposição, os castiçais de ouro finíssimo, cinco à direita e cinco no lado sul e cinco no norte diante do Santo dos Santos; as flores, as lâmpadas e as linguetas, também de ouro; as taças, espevitadeiras, bacias, recipientes para incenso e braseiros, de ouro finíssimo; as dobradiças para as portas da casa interior e do Santo dos Santos, também de ouro. (1Reis 7:48-50)

Salomão levou sete anos para construir a casa do Senhor. E então levou treze anos para construir sua própria casa (1Reis 6:38 e 7:1). Ela também era abundante em ouro e pedras de valor (1Reis 7:10).

Então, quando tudo estava construído, o nível de sua opulência é visto em 1Reis 10, quando a rainha de Sabá, representando as nações gentias, vai ver a glória da casa de Deus e de Salomão. Quando ela viu, “ficou como fora de si” (1Reis 10:5). Ela disse: “Bendito seja o SENHOR, teu Deus, que se agradou de ti para te colocar no trono de Israel; é porque o SENHOR ama a Israel para sempre, que te constituiu rei” (1Reis 10:9).

Em outras palavras, o padrão no Antigo Testamento é uma religião venha-ver. Há um centro geográfico do povo de Deus. Há um templo físico, um rei terreno, um regime político, uma identidade étnica, um exército para lutar as batalhas terrenas de Deus, e uma equipe de sacerdotes para fazer sacrifícios animais pelos pecados.

Com a vinda de Cristo tudo isso mudou. Não há centro geográfico para o Cristianismo (João 4:20-24); Jesus substituiu o templo, os sacerdotes e os sacrifícios (João 2:19; Hebreus 9:25-26); não há regime político Cristão porque o reino de Cristo não é deste mundo (João 18:36); e nós não lutamos batalhas terrenas com carruagens e cavalos ou bombas e balas, mas sim batalhas espirituais com a palavra e o Espírito (Efésios 6:12-18; 2Coríntios 10:3-5).

Tudo isso sustenta a grande mudança na missão. O Novo Testamento não apresenta uma religião venha-ver, mas uma religião vá-anunciar. “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28:18-20).

As implicações disso são enormes para a forma que vivemos e a forma que pensamos a respeito de dinheiro e estilo de vida. Uma das implicações principais é que nós somos “peregrinos e forasteiros” (1Pedro 2:11) na terra. Nós não usamos este mundo como se ele fosse nosso lar de origem. “A nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

Isso leva a um estilo de vida em pé de guerra. Isso significa que nós não acumulamos riquezas para mostrar ao mundo o quão rico nosso Deus pode nos fazer. Nós trabalhamos duro e buscamos uma austeridade em pé de guerra pela causa de espalhar o evangelho até os confins da terra. Nós maximizamos o esforço de guerra, não os confortos de casa. Nós criamos nossos filhos com a visão de ajudá-los a abraçar o sofrimento que irá custar para finalizar a missão.

Então, se um pregador da prosperidade me questiona sobre as promessas de riqueza para pessoas fiéis no Antigo Testamento, minha resposta é: Leia seu Novo Testamento com cuidado e veja se você encontra a mesma ênfase. Você não irá encontrar. E a razão é que as coisas mudaram dramaticamente.

“Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Timóteo 6:7-8). Por quê? Porque o chamado a Cristo é um chamado para participar de seus sofrimentos “como um bom soldado de Cristo Jesus” (2 Timóteo 2:3). A ênfase do Novo Testamento não são as riquezas que nos atraem para o pecado, mas o sacrifício que nos resgata dele.

Uma confirmação providencial de que Deus planejou esta distinção entre uma orientação venha-ver no Antigo Testamento e uma orientação vá-anunciar no Novo Testamento, é a diferença entre o idioma do Antigo Testamento e o idioma do Novo. Hebraico, o idioma do Antigo Testamento, não era compartilhado por nenhum outro povo no mundo antigo. Era unicamente de Israel. Isto é um contraste surpreendente com o Grego, o idioma do Novo Testamento, que era o idioma de comércio do mundo romano. Então, os próprios idiomas do Antigo e do Novo Testamentos sinalizam a diferença de missões. O hebraico não era apropriado para missões no mundo antigo. O grego era perfeitamente apropriado para missões no mundo romano.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Lição 04 - A prosperidade em o Novo Testamento

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD


O NOVO TESTAMENTO

Nome dado à segunda parte da Bíblia que compreende 27 documentos escritos por testemunhas oculares de Cristo ou pelos seus contemporâneos. Esse título implica um contraste com o AT, ou com as Sagradas Escrituras que a Igreja herdou do judaísmo. O nome Novo Testamento (gr. he kaine diatheke) pode ser melhor traduzido como “nova aliança” e revela um contrato estabelecido por Deus que o homem pode aceitar ou rejeitar, mas não pode alterar. O termo foi usado, pela primeira vez, pelo Senhor Jesus ao instituir a Ceia, com a finalidade de definir a nova base da comunhão com Deus que Ele pretendia estabelecer através de sua morte (Lc 22.20; 1 Co 11.25). A essência dessa nova aliança reside no cumprimento da antiga aliança por meio de um sacrifício que fosse adequado para remover todos os pecados (Hb 9.11-15), e operasse nas motivações interiores ao invés de ser meremente um regulamento para conduta exteriores (Jr 31.31-34; Hb 10.14-25). A declaração desse novo método, pelo qual Deus trataria agora com o homem, foi registrada nessa coleção de obras, e o nome “Novo Testamento” foi aplicado a elas por metonímia.

Conteúdo

Os livros do NT podem ser divididos em quatro seções gerais: a primeira, contém livros históricos, que incluem os quatro Evangelhos e Atos; a segunda, contém as 13 epístolas de Paulo; e a terceira, refere-se às epístolas em geral, duas de pedro, uma de Tiago, uma de Judas e quadro que não estão ligadas a nenhum nome específico. Geralmente três dessas epístolas são atribuídas a João, porque revelam uma significativa semelhança com o quarto evangelho em vocabulário e estilo, e a autoria do livro dos Hebreus tem sido discutida desde os primeiros séculos. A quarta e última seção refere-se ao livro de Apocalipse, que é profético e apocalíptico e descreve, através de termos simbólicos, a realização do propósito divino no mundo. Todos estes livros podem ser datados dentro do primeiro século da era cristã, embora a ordem exata em que foram escritos ainda seja tema de muitos debates.

Os Evangelhos fornecem as principais fontes para o conhecimento da vida de Cristo, embora nenhum deles contenha uma biografia completa. Mateus enfatiza o caráter real e profético da obra de Jesus; Marcos apresenta seus atos de autoridade moral e espiritual; Lucas trata o aspecto humano de seu ministério; e João apresenta sua divindade e o significado de crer nele. O livro de Atos registra o movimento da pregação missionária desde Jerusalém até Roma, em meados do primeiro século, e está centralizado na vida Paulo. As epístolas são as cartas inspiradas que trazem em si mesmas a autoridade do Senhor. São correspondências de Paulo e de outros autores às igrejas ou a indivíduos que precisavam de ensinos e conselhos. O Apocalipse é uma representação pictórico-dramática do estado das sete igrejas típicas da Ásia, e das coisas que em breve deveriam acontecer. Escrita por volta do ano 95 d.C., no reinado de Domiciano, ele reflete o conflito entre Igreja e o Império Romano, e pressagia a luta final que precederá a volta de Cristo.

Várias epístolas de Paulo, como Gálatas, Tessalonicenses e Coríntios, precedem a elaboração dos Evangelhos, e refletem o conhecimento e a história da Igreja relacionada a Cristo, antes que essas informações fossem registradas de forma permanente. Todo o NT desenvolveu-se por causa da necessidade de instrução.

Texto extraído do “Dicionário Bíblico Wycliffe”, editado pela CPAD.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Atenção! Bandido(s) na blogosfera está (ão) usando o meu nome para fazer comentários em alguns blogs!

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Hoje recebi um e-mail do blogueiro Orlando Reimão que me avisou sobre um anônimo que usou o meu nome para fazer um comentário ofensivo no seu blog. Veja o comentário logo acima.

O anônimo mau-caráter usa uma linguagem vulgar, mal escrita e ainda defende ideias que eu jamais defenderia. O anônimo mau-caráter usou um recurso do BLOGGER que permite que você escreva qualquer nome sem fazer o login, ou seja, sem colocar a senha de uma conta real.

Essa pessoa, que aparentemente é evangélica, comete um pecado e um crime. O mau-caráter comete o crime de “falsidade ideológica”, onde o artigo 299 do Código Penal Brasileiro define como: “omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante”.

Não é a primeira vez que isso acontece. No início de 2007 alguém usou o meu nome, da mesma forma, para fazer um comentário reprobatório no blog do pastor Ciro Zibordi. Em outra ocasião um mau-caráter usou meu nome para destratar as pessoas em um chat que eu mantinha em 2007-2008 na coluna do blog.

Outros blogueiros já sofreram o mesmo. É hora de um basta. Infelizmente, a blogosfera evangélica tem bandidos que devem ser desmascarados e, quem sabe, até processados. De Deus o pecado não é anônimo!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Não se combate a Teologia da Prosperidade com uma Teologia Franciscana!

Um garoto fala para o seu pastor que um cristão não pode ter uma Ferrari, pois há muitos pobres no mundo! O pastor responde, sabiamente, que ele deveria vender a sua mochila Adidas, pois há muitos pobres no mundo! Diga não à Teologia da Prosperidade, mas sem hipocrisias piegas de uma falsa piedade!


Por Gutierres Fernandes Siqueira

A riqueza é sinal de espiritualidade elevada. Jesus Cristo precisou sofrer no inferno para a nossa redenção. Toda doença é uma espécie de possessão demoníaca. Jesus Cristo era rico etc. Eis alguns dos ensinamentos absurdos advindos dos pregadores da prosperidade. O remédio? É a Bíblia Sagrada, mas não uma Teologia Franciscana.

Por que não devemos combater os tele-evangelistas da prosperidade com a pregação piegas dos franciscanos?

1) As Sagradas Escrituras não exaltam a pobreza como condição econômica para comunhão com Deus.

Se for uma heresia pregar que a riqueza é sinal de “graça divina” para os “bons cristãos”, logo é igualmente a pregação que coloca os pobres com o Reino de Deus já garantido. A redenção do homem passa pela regeneração e justificação em Jesus Cristo, mas não por sua condição econômica, seja ela a riqueza ou a pobreza ou a classe média.

Diante de Deus pouco importa a classe econômica, mas sim a disposição do coração. A Bíblia mostra que Deus teve grandes servos em diversas condições, como vaqueiros, carpinteiros, pescadores, líderes políticos, reis, fazendeiros e intelectuais. Deus, de fato, “não faz acepção de pessoas” (Atos 10.34).

O próprio Paulo, ao que tudo indica, foi criado em uma família rica, mas experimentou a pobreza quando fazia missões cristãs. Paulo escreveu: “Sei estar abatido e sei também ter abundâncias; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade” (Filipenses 4.12).

2) As Sagradas Escrituras alertam contra a obsessão pela riqueza, mas não ensinam o conformismo preguiçoso.

O apóstolo Paulo escreve:

Mas o que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda7 espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se transpassaram a si mesmos com muitas dores (I Timóteo 6. 9-10).

No grego esse versículo começa com um particípio presente, ou seja, a colocação do verbo indica uma ação continuada e/ou repetida. Portanto, o apóstolo está falando da obsessão. Todos nós desejamos uma vida mais confortável, pois quem anda de ônibus quer um carro 1.0 e quem tem um carro 1.0 quer condições para um carro 2.0 e quem tem um carro 2.0 quer ter condições para comprar um SUV. O desejo é legítimo, mas é a obsessão que devemos jogar fora, pois ela conduz às tentações. Quantos não enriqueceram baseados em propinas e alianças espúrias? Quantos não perderam a alma?

Eu fiz minha graduação em uma faculdade católica. No primeiro ano da faculdade eu tinha um colega que era (ou ainda é) seminarista, ou seja, estudava para ser padre. Certo dia, na biblioteca, eu estava lendo uma dessas revistas semanais onde tinha uma propaganda de um carro importado. Quando mostrei para o meu colega seminarista ele fez o sinal da cruz e olhou para o céu dizendo: “que Deus me livre dessa tentação!”. Certamente é um exagero franciscano, pois a Bíblia não condena o desejo de melhores bens, mas sim a obsessão.

A Bíblia, também, não abre espaço para o conformismo, que nada mais é que uma preguiça justificada, pois o apóstolo Paulo escreveu para os tessalonicenses, que usavam a escatologia para não trabalhar, de maneira bem firme:

Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto: que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes, fazendo coisa vãs. A esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. (2 Tessalonicenses 3. 10-12).

3) As Sagradas Escrituras não condenam a riqueza em si, mas sim os pecados que os ricos estão mais propensos a praticar.


O texto de Paulo a Timóteo deixa essa questão bem clara:

Ordene aos que são ricos no presente mundo que não sejam arrogantes, nem ponham sua esperança na incerteza da riqueza, mas em Deus que tudo nos provê ricamente, para a nossa satisfação. Ordene-lhes que pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e prontos a repartir. Dessa forma, eles acumulação um tesouro para si mesmos, um firme fundamento para a era que há de vi, e assim alcançarão a verdadeira vida. (I Timóteo 6. 17-19 NVI).

É interessante que tais bens são providos por Deus para a “nossa satisfação”, ou como diz a versão Almeida Corrigida, que “abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos”. Não é errado se satisfazer em uma compra ou promoção na carreira, pois veja que a Bíblia não coloca esse sentimento como imoral, como muitos pensam, mas devemos lembrar a nossa “porção é o Senhor”!

Os ricos são mais tentados para a arrogância e para tendência de esquecer Deus diante de sua falsa “suficiência”. Apesar das tentações, um cristão com posses deve resistir a tais pecados.

É bom lembrar que você e eu somos mais pobres que muitos ricos por aí, mas também somos mais ricos do que muita gente pelo mundo. Você talvez esteja lendo este texto a partir de um smartphone ou mesmo um notebook. Há bilhões de pessoas neste mundo que vivem com menos de um dólar por dia e certamente essa não é a realidade dos leitores deste blog. Portanto, é fácil falarmos que os mega-ricos são indiferentes e orgulhosos, mas será o mal também não nos afeta como classe média?

Vamos combater a Teologia da Prosperidade, mas sem romantizar a pobreza, pois isso soa como pura hipocrisia. Vamos pregar mais a Teologia do Trabalho, pois o nosso país precisa mudar essa cultura de associar trabalho a maldição. O trabalho foi criado por Deus.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Teologia da Prosperidade: série para estudos!


Por Gutierres Fernandes Siqueira

Neste trimestre estamos estudando as Lições Bíblicas (CPAD) sobre a Teologia da Prosperidade. É uma  oportunidade ímpar para combatermos os males dessa falsa doutrina.

Algumas vezes a Teologia da Prosperidade parece ser algo distante de nós, ou seja, um mal exclusivo dos grandes figurões do neopentecostalismo. Mero engano! A versão light da Teologia da Prosperidade, também conhecida como Triunfalismo, faz grande sucesso no meio pentecostal, especialmente nas pregações explosivas e ufanistas, além da hinologia das cantores mais famosas que fazem sucesso nos "Círculos de Oração" espalhados pelo país.

Não é exagero afirmar que as principais divulgadoras da Confissão Positiva light sejam as cantoras pentecostais, especialmente aquelas de formação assembleiana. Não preciso citar nomes, pois basta analisar as letras das principais melodias. O Triunfalismo é pernicioso e sutil, pois não é tão claro como a Confissão Positiva de Hagin ou Soares.

Portanto, através desse link há acesso a todos os posts sobre o assunto já publicados neste blog.

Publico abaixo um vídeo legendado em 2007 que traz um trecho da uma pregação de John Piper sobre a Teologia da Prosperidade. O vídeo já foi assistido mais de 170 mil vezes. É uma mensagem forte e verdade.




PS: No próximo post vou falar sobre o perigo que muitos abraçam para combater a Teologia da Prosperidade, ou seja, um glamour entusiasta da Teologia Franciscana. A pobreza não é maldição, mas também não é bênção para espirituais. Nem oito e nem oitenta! Mas deixa para depois...

domingo, 15 de janeiro de 2012

Por que as promessas de “prosperidade material” no Antigo Testamento não são para os nossos dias?

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Abaixo segue um esboço que apresentarei neste domingo na Escola Bíblica Dominical. O esboço procura responder a pergunta acima.



Por que as promessas de “prosperidade material” no Antigo Testamento não são para os nossos dias?


1. Porque hoje Deus não trabalha com uma nação específica, como era Israel no Antigo Pacto, mas sim com a Igreja. Hoje todos aqueles que aceitam o sacrifício de Cristo são o Israel de Deus (Gálatas 6.16).


2. Algumas promessas bíblicas foram feitas para indivíduos específicos. A promessa de Deus para um personagem bíblico não significa o mesmo para nós. Exemplo é Abraão em Gênesis 12.2: “Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção”. É claro que nenhum de nós pode reivindicar essa promessa.



3. Algumas promessas bíblicas foram feitas somente para a nação de Israel. Exemplo disso é o famoso capítulo de Deuteronômio 28.1-68.


4. Em nenhum texto do Novo Testamento a saúde perfeita ou a prosperidade material é prometida como fruto da obediência a Deus. As “promessas” do Novo Testamento são perseguições e provações. Como disse Paulo: “E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3.12). Leia também Mateus 5. 10-11. e Marcos 10. 29-30.


5. Os versos de sabedoria contidos em Provérbios não podem ser traduzidos como promessas. O livro de Provérbios mostra princípios gerais observados sobre o cotidiano e a vida das pessoas. Um exemplo está em Provérbios 24.25, que diz: “mas para os que julgam retamente haverá delícias, e sobre eles virá copiosa bênção”. De fato, como observa o Rei Salomão, os que julgam retamente desfrutam de delícias derivadas da justiça. É uma observação que Salomão viu na vida dele e de muitos outros, mas essa observação não é uma promessa. O autor quer dizer que a prática da justiça conduz normalmente para uma vida de delícias, mas isso não é automático. É possível praticar a justiça e desfrutar de amargura. Jesus mesmo disse: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça” (Mateus 5.10). Nenhuma perseguição é uma delícia. Portanto, os versos dos provérbios devem ser vistos como princípios gerais e não como promessas automáticas.


6. Os conceitos de alguns personagens registrados na Bíblia não significam promessas bíblicas. O maior exemplo está no livro de Jó. Muito do que é dito pelos amigos de Jó depois é contestado pelo próprio Deus no início ou no final do livro. Para Bildade, por exemplo, Jó sofria aquele mal porque não era justo: “Se fores puro e reto, certamente mesmo agora ele despertará por ti, e tornará segura a habitação da tua justiça” Jó 8.6. O próprio Deus testemunhou a justiça de Jó (1.8). Bildade estava errado, mas as palavras deles estão registradas para entendermos a história e não para aplicarmos os seus conceitos equivocados para os nossos dias.


7. A chave de compreensão do Antigo Testamento passa por Jesus Cristo. A Bíblia diz: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo” (Hebreus 1. 1-2) A chave de interpretação das promessas do Antigo Testamento precisam ser feitas a partir de uma leitura geral das Escrituras.


8. A Bíblia é mais do que um livro de experiências. O esquema “espiritualize, alegorize e devocionalize” não serve para todos os textos bíblicos e pode distorcer o conteúdo de muitos textos. É necessário um exercício de correta interpretação do texto bíblico levando em conta o contexto imediato, a gramática, o tempo, o tipo de literatura, o contexto histórico, as interpretações históricas etc. Exemplos dessas contextualizações abusivas são as campanhas neopentecostais, tais como “318 pastores”, “Ano de Elias”, “Jejum de Sansão” etc.





Bibliografia:

LUTZER, Erwin W. Quem é Você para Julgar? 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p 64-66.

RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 19-27.

ROMEIRO, Paulo. Decepcionados com a Graça. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2005. p 117- 131.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Lição 03 - Os frutos da obediência na vida de Israel

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD

MALDIÇÃO

As várias palavras hebraicas e gregas para maldição denotam a expressão de um desejo ou oração para que o mal sobrevenha a alguém. Esta ideia encontrou uma grande variedade de usos na vida de Israel, e era universalmente conhecida entre os seus vizinhos.

[...] Na mente hebreia, a maldição falada era considerada como o agente ativo do prejuízo, vestida com o poder da alma que a levava adiante. Mas apenas o indivíduo que era um servo fiel de Jeová tinha uma verdadeira fonte de poder: daí por diante era o próprio Senhor, o Deus vivo, que tinha e tem a última palavra quanto ao poder da maldição ou da palavra proferida por alguém. Portanto, uma maldição (ou bênção) uma vez expressa de uma forma sensata não poderia ser revogada ou anulada (Gn 27.27-40; cf. 1 Sm 14.24-30, 43-45).

A lei mosaica proibia que uma pessoa amaldiçoasse o próprio pai ou a própria mãe (Êx 21.17) sob pena de morte, ao príncipe do povo (Êx 22.28), e àquele que fosse surdo (Lv 19.14). Blasfemar ou amaldiçoar a Deus era uma ofensa capital (Lv 24.10-16). Mas as maldições pronunciadas contra indivíduos por homens de Deus (por exemplo, Gn 9.25; 49.7; Dt 27.14-26; 2 Sm 3.29; 39; Js 9.23) não eram expressões de paixão, impaciência, ou vingança; elas eram previsões proféticas ou estatutos do decreto divino e, portanto, não eram condenadas por Deus.

Os Salmos que trazem súplicas ou os que amaldiçoam alguém são aqueles em que o salmista lança uma maldição sobre os inimigos de Israel (Sl 83.9-17) ou sobre os seus oponentes ou opressores pessoais (Sl 69.21-28). Para entender estas orações, que são tão estranhas ao Novo Testamento, é necessário nos lembrarmos de que a revelação do Antigo Testamento era a preparação para a revelação que viria no Novo Testamento e, portanto, estava incompleta. Além disso, a maldição no antigo Oriente Próximo, incluindo Israel, era considerada um meio legítimo de defesa. A linguagem do Oriente era também mais comovente, e, para o israelita, mais concreta do que a nossa.

No Novo Testamento, amaldiçoar os inimigos ou perseguidores é uma atitude proibida pelo exemplo e pela palavra de Jesus (Lc 23.34; Mt 5.44). Paulo, entretanto, amaldiçoou aqueles que não amassem a Cristo (1 Co 16.22) ou que pregassem um Evangelho diferente daquele que ele pregava (Gl 1.8ss.). O próprio apóstolo desejaria se tornar uma maldição se precisa fosse, para que o seu povo aceitasse a Cristo prontamente (Rm 9.3). A “maldição da lei” era a sentença de condenação pronunciada contra o transgressor (Gl 3.10), e da qual Cristo nos redimiu quando se fez maldição por nós (Gl 3.13).

Texto extraído do “Dicionário Bíblico Wycliffe”, editado pela CPAD.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Os cristãos estão promovendo o BBB?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O único programa que assisto da Rede Globo é o ótimo Jornal da Globo, o melhor telejornal da TV aberta (na minha opinião). Como só assisto esse telejornal eu nem sabia que brevemente o BBB, o pior programa da TV aberta, teria mais uma série. Como fiquei sabendo dos detalhes desse programa? Através das redes sociais, especialmente Facebook e o Twitter.

Mas a propaganda do programa não veio dos fãs dessa porcaria, mas sim de inúmeros cristãos militantes que passam horas espalhando mensagens nas redes sociais contra a referida produção. É engraçado ver inúmeras mensagens dizendo “não coloque o BBB no Facebook ou Twitter” e ironicamente acabam enchendo o Facebook e Twitter do... BBB!

Deixa-me ser mais claro: É tanta campanha contra o BBB que o efeito propagandístico acaba acontecendo. É como o ditado (de mal gosto) repetido pelos sedentos da fama: “falem mal, mas falem de mim”. A propaganda negativa constante acaba produzindo efeito positivo para aqueles que vivem da fama. Se uma pessoa ou instituição vive de reputação, logo a propaganda negativa acaba trazendo grandes sofrimentos. Se uma pessoa ou programa televisivo vive somente da sua medíocre fama, logo a propaganda negativa acaba servindo aos seus interesses.

Os cristãos no desejo de combater o programa estão fazendo o jogo do próprio programa.

Qual deveria ser a nossa postura?

Ignorar. Existe maior tortura para um programa de massas que é o desprezo? Mas, infelizmente, isso não tem acontecido. Nós, cristãos, estamos dando um espaço de importância que não deveríamos ter dado. Além disso, temos que lembrar que um programa tão ruim como esse só existe porque existe uma audiência. Não é um programa que cria audiência, mas sim uma audiência que deseja um programa. Uma grande emissora nunca colocará um programa educacional no horário nobre, pois não existe demanda para essa oferta.

Cuidado!

Há mensagens do tipo: “temos que acabar com o BBB” ou “temos que acabar como o programa Mulheres Ricas”. Como assim? Vamos ser promotores da censura? Pelo amor de Deus, essa não deve ser a nossa bandeira. A bandeira do cristão é a pregação do Evangelho e não o desejo de criar uma “sociedade perfeita”. Todo autoritarismo começa como esse desejo de “sociedade ideal”. Leia a Bíblia, pois ela nunca nos vendeu essa idéia. A pregação do Evangelho é transformação do indivíduo que influencia uma sociedade, mas não a transformação de uma sociedade que influencia indivíduos.

E aí, vamos ignorar a porcaria da TV ou vamos alimentá-las pela militância?

domingo, 8 de janeiro de 2012

Citações (5)

‎"A ideia de que vivemos numa cultura pós-moderna é um mito. Aliás, uma cultura pós-moderna é impossível; ela é completamente inabitável. Ninguém é pós-moderno quando o assunto é ler a bula de um remédio em contraste com a bula de um veneno de rato. Se você está com dor de cabeça, é melhor acreditar que textos têm significado objetivo! As pessoas não são relativistas quando se trata de questões de ciência, engenharia e tecnologia; mas são relativistas e pluralistas quando se trata de questões de religião e ética. Mas isso não é pós-modernismo; isso é modernismo! Isso vem do velho positivismo e verificacionismo, que defendiam que qualquer coisa que não se pode experimentar com os cinco sentidos é simplesmente uma questão de gosto e expressão emotiva pessoal. Vivemos num ambiente cultural que continua sendo profundamente modernista. As pessoas que acham que vivemos numa cultura pós-moderna interpretaram de forma muito equivocada a nossa situação cultural."

William L. Craig, in: Reasonable Faith, p. 18

sábado, 7 de janeiro de 2012

Esboço: “O Surgimento da Teologia da Prosperidade”.

Breve Esboço para a ministração da primeira aula: “O Surgimento da Teologia da Prosperidade”.

Leia abaixo algumas frases absurdas dos principais pregadores do Movimento da Fé, um modismo que também é conhecido como Teologia da Prosperidade e Confissão Positiva, e a contra argumentação bíblica.

01. O Movimento da Fé acredita que Jesus teve que pagar no inferno o preço para obter a nossa salvação. A Bíblia ensina que Jesus pagou o preço do nosso pecado na cruz.

“Satanás venceu Jesus na cruz”. – (Kenneth Copeland)

“E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (João 19.30).

02. O Movimento da Fé acredita que somos pequenos deuses. Já a Bíblia nos ensina que somos homens pecadores.

“Você não está olhando para Morris Cerullo - Você está olhando para Deus, está olhando para Jesus”. – (Morris Cerullo)

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23)

03. O Movimento da Fé ensina que se soubermos os segredos da “oração da fé” Deus nunca dirá um "não" para as nossas orações. Já a Bíblia mostra que Deus é Soberano sobre os nossos desejos e que Ele não é um boneco manipulável por palavras mágicas corretamente pronunciadas pelos homens. A oração não é um "abracadabra".  

“Nunca, jamais, em tempo algum, vá ao Senhor e diga: ‘Se for da tua vontade...’ Não permita que essas palavras destruidoras da fé saiam de sua boca”. (Benny Hinn)

“E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu” (Lucas 11.2).

“Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua”. (Lucas 22.42)

“E ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo” (2 Coríntios 12.9).

04. O Movimento da Fé acha que o homem detém poderes e autoridade para acabar com todo o mal existente em sua vida, mas a Bíblia insiste que os cristãos passam por tribulações e que o homem é uma simples criatura que o Criador de nada depende. E pior, o Movimento da Fé acha que o homem tem autoridade até sobre Deus.

“Deus precisa receber permissão para trabalhar neste reino terrestre em favor do homem... Sim! Você está no controle das coisas! Assim, se o homem detém o controle, quem deixou de exercê-lo? Deus”. (Frederick K. C. Price)

“Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?” Romanos 9.20.

"Por ti tenho sido sustentado desde o ventre; tu és aquele que me tiraste das entranhas de minha mãe; o meu louvor será para ti constantemente". (Salmo 71.6)

05. O Movimento da Fé diviniza o homem, ou seja, faz dele um verdadeiro deus. É um movimento antropocêntrico, ou seja, tem o homem como centro e medida de todas as coisas.

 “O homem foi criado em termos de igualdade com Deus, e podia permanecer na presença dele sem qualquer consciência de inferioridade”. Kenneth E. Hagin

“Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor Deus: Visto como se elevou o teu coração, e disseste: Eu sou um deus, na cadeira dos deuses me assento, no meio dos mares; todavia tu és homem, e não deus, embora consideres o teu coração como se fora o coração de um deus”. (Ezequiel 28.2)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Lição 02 - A prosperidade no Antigo Testamento

A FUNÇÃO DO SENHOR

(OBS: Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD)

Por Eugene H. Merril

O [...] modo da auto-revelação de Deus em Deuteronômio é a sua atividade histórica e supra-histórica. Levando em conta a estrutura e teor do concerto exposto em Deuteronômio, a função dominante (e talvez abrangente) do Senhor é a de Senhor soberano do universo, que escolhe fazer concerto com Israel a fim de executar o seu plano para o mundo. Dada esta suposição, uma suposição que uma abordagem teológica analítica sustenta, é metodologicamente apropriado virmos que a atividade e relações divinas específicas em Deuteronômio constituem-se de elementos do exercício da suserania [soberania] de Deus.

A revelação do Senhor conforme vemos na maneira de sua expressão na discussão prévia e em termos dos nomes e epítetos, pessoa e atributos divinos, tem de, necessariamente, encontrar eco e até coincidir com a revelação esclarecida pelo seu papel como soberano. Mas a abordagem que apresentaremos a seguir ressaltará o tema do concerto em Deuteronômio e, de fato, no Pentateuco, contribuindo esperançosamente para compreendermos a revelação que Deus faz de si mesmo no próprio contexto hermenêutico da relação do concerto.

Criador. Claro que a obra como Criador é fundamental aos atos de Deus na história. Embora em outros lugares este seja um tema bíblico importante, só Deuteronômio 4.32 trata-o claramente em todo o corpo do texto do concerto sob revisão aqui. Mesmo aqui é quase incidental, pois o ponto a que se quer chegar é que desde a criação não havia precedente histórico a Deus ter falado e resgatado um povo como Ele fez com Israel. Logicamente a ênfase não está no concerto universal com todo o gênero humano por meio do qual Deus o designou para assumir o domínio sobre todas as coisas criadas. A ênfase em Deuteronômio está no concerto com Israel pelo qual esta nação, chamada de entre as nações existentes, dê testemunho do Deus Criador, cuja obra como Criador é pressuposta. A chamada para Israel não é para encher a terra criada, mas para ocupar uma terra. O papel do Senhor aqui não é de Criador, mas de Redentor e Iniciador do concerto.

Redentor. Muitas passagens deixam clara a função de Deus como Redentor (Dt 5.6,5; 6.12,21,23; 7.8; 8.14; 9.26,29; 13.5,10; 15.15; 16.1; 24.18; 26.8). Foi só com base em seu amor que Ele derrotou a escravatura egípcia, livrou, contra todas as possibilidades inimagináveis, o filho Israel e levou o povo ao ponto em que eles poderiam considerar o convite do concerto com todas as suas promessas e expectativas. Estes foram atos poderosos que ocorreram na história, atos tão monumentais e humanamente inexplicáveis que o mundo tem de ver neles que o Deus de Israel realmente era inigualável. A obra de redenção era uma ordem de eventos que testemunhavam da soberania do Senhor sobre toda a criação [grifo nosso] e dos propósitos graciosos em chamar um povo que seria um canal para a obra contínua dEle de redenção em escala universal.

O objetivo imediato do ato redentor era colocar o povo redimido em comunhão de concerto com o Senhor. O Senhor é o Deus do concerto, que iniciou esta relação especial e que a fez acontecer em um evento histórico e concreto. E não foi uma ideia que surgiu posteriormente, uma mera sequência lógica ao êxodo, pois o Senhor prometera aos pais de Israel que Ele chamaria e separaria a semente deles, os salvaria com poder grandioso e os levaria para si como propriedade especial. De fato, Deuteronômio em todos lugares declara o concerto sinaítico e deuteronômico e seus benefícios exatamente nas promessas aos patriarcas (1.8,11,21,35; 6.3,10,19; 7.8,12; 8.18; 9.5,27; 11.9; 19.8; 26.3; 29.13; 30.20; 34.4).

Texto extraído da obra: “Teologia do Antigo Testamento”, editada pela CPAD.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O que é o Inferno?



Uma pequena e edificante aula do teólogo anglicano J. I. Packer, um dos principais pensadores do evangelicalismo ainda vivo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Você acha que “isso” resume uma vida espiritual?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

1. Citar versículos nas redes sociais não faz de você uma pessoa espiritual. É bom e devemos proclamar as verdades cristãs em qualquer espaço, mas tal atitude não garante vida real com Deus. Falar somente de “assuntos espirituais” na “grande rede” não quer dizer muita coisa diante de um Deus que vê tudo com transparência.

2. Fazer cara de “gente séria” não é sinal de espiritualidade. O estado de austeridade é muitas vezes necessário, mas não indica que você está levando uma vida com Deus. Os monges budistas são bem mais austeros que qualquer cristão. Vamos chamar o budista de cristão por causa de sua austeridade?

3. Pregar todos os domingos sobre a Ira de Deus não faz de você uma pessoa mais bíblica. Quantos pregadores que conheço que são verdadeiros especialistas na Ira de Deus, mas não sabem interpretar minimamente um texto bíblico? O pregador bíblico prega como Paulo: “Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. Porque não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (Atos 20.26-27). Paulo não era um pregador monotemático, mas sabia falar sobre “todo o conselho de Deus”.

4. Escrever um blog apologético/teológico não faz de ninguém um cristão sério. Como sou feliz em ser editor deste blog, mas o website é neutro na minha espiritualidade. Distribuir conselhos, como faço neste texto, soa agradável, mas não torna a minha vida melhor diante de Deus. Antes de tudo devo ter um “blog teológico” para a minha própria vida. E fazer autoavaliação no silêncio do quarto é uma das tarefas mais difíceis de exercer diante do ego gritante.

5. Seguir diariamente um devocional é edificante e agradável, mas não o torna espiritual. Não é um exercício (repetições derivadas do esforço humano) que faz uma vida boa com Deus.

Afinal de contas, o que é ser espiritual? É ler a Bíblia e orar todos os dias? Evangelizar nas tardes de domingo? É frequentar os cultos dominicais? É cantar no coral da igreja? É lecionar na Escola Dominical? É não ter vícios? É cantar cânticos tradicionais? Não, nada disso. Tudo isso é fruto da espiritualidade, mas não a sua causa. É o efeito, mas não o que impulsiona. É possível no "esforço" fazer tudo isso sem ser espiritual. A verdadeira espiritualidade é como tudo na vida: é graça de Deus! Nós precisamos reconhecer nossas misérias para abraçarmos essa "graça santificadora".

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Citações (4)

"Há espaço para perguntas. Há momento para conversa. Mas também há a possibilidade de certeza, não porque tenhamos dissecado a Deus como um aluno do primeiro ano de biologia disseca um sapo, mas porque Deus nos falou de maneira clara e inteligível e nos deu ouvidos para ouvir sua voz". 
Kevin DeYoung - Não Quero Ser um Pastor Bacana (Mundo Cristão, 2011). p 46-47.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

O crescimento econômico traz uma responsabilidade evangelística


Por Gutierres Fernandes Siqueira

Na história da Igreja Cristã a difusão da mensagem do Evangelho esteve relacionada com os fluxos econômicos de cada época. As doutrinas cristãs e heresias anticristãs seguiam as rotas comerciais para a expansão de sua mensagem pelo mundo. Não era à toa que o apóstolo Paulo tinha um forte desejo de pregar a mensagem do Evangelho em Roma (Rm 1.15), a capital do maior império da época. É fato que, para o bem e para o mal, o cristianismo passou tempos ligado a Roma.

Nos últimos séculos a história se repetiu. A grande Inglaterra do século XIX enviou milhares de missionários pelo mundo. Os Estados Unidos, já no século XX, tomou dos ingleses o título de nação mais poderosa e, também, a posição como celeiro missionário. Ainda hoje a igreja evangélica norte-americana é agente influenciadora em tendências benignas e de modismos para o cristianismo mundial.

É inegável a ligação de grandeza econômica e expansão missionária. E aí nasce a nossa responsabilidade, como brasileiros, sobre o papel que vamos desempenhar no mundo como igreja evangelística e exportadora de tendências teológicas. O Brasil cresce em importância econômica perante o mundo e na mesma proporção cresce a responsabilidade de Igreja Brasileira no seu papel missionário.

As tendências econômicas do Brasil

O Brasil é um país de renda média, ou seja, a nossa renda per capita (a riqueza de toda a nação dividida igualmente para cada habitante) não passa dos 13 mil dólares. É muito pouco quando você compara com nações ricas como Estados Unidos (46 mil dólares), Alemanha (40 mil dólares), Espanha (30 mil dólares) ou emergentes como a Coreia do Sul (20 mil dólares).

Comparando renda per capita brasileira com os principais emergentes, assim o país fica numa posição melhor: Brasil (13 mil dólares), Rússia (11 mil dólares), China (5 mil dólares) e Índia (1,5 mil dólares). Entre os emergentes o quadro brasileiro é positivo, mas entre os ricos ainda é muito negativo. A renda per capita é o melhor indicador para avaliar o bem-estar de uma população. Se o Brasil crescer 3,5% em média nos próximos anos a renda per capita dobrará em duas décadas, ou seja, somente na década de 2030 a renda  será equivalente a da Espanha de hoje.

Portanto, um grande PIB (Produto Interno Bruto) não é necessariamente garantia de bem estar. A China é a segunda nação mais rica do mundo, porém a sua população é tão grande que um morador do Suriname ou Peru vive em melhores condições. Agora, o grande PIB já garante grandeza geopolítica e influência econômica em todo o mundo. Se o Suriname sofre uma crise bancária nada acontecerá no mundo, mas se uma bolha de crédito estoura na China o mundo praticamente desaba.

No quesito PIB o Brasil tem projeções positivas. Veja abaixo o quadro que reflete projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) e da Economist Intelligence Unit, empresa de análise do grupo que produz a maior revista de economia do mundo, a inglesa The Economist.  

PIB em:
2020
2030
1
Estados Unidos
Estados Unidos
2
China
China
3
Japão
Índia
4
Índia
Brasil
5
Brasil
Japão
6
Alemanha
Alemanha

Segundo projeções o Brasil será a quarta maior economia do mundo na década de 2030, mas como afirmei no início, com uma renda per capita equivalente da Espanha de 2011. Os dados não permitem os ufanismos tradicionais dos governantes, mas mostra que o país ganhará cada vez mais importância geopolítica e econômica. O Brasil será chamado à mesa em organismos internacionais e, talvez, possa ganhar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

E o papel missionário do Brasil?

Com uma igreja crescente e uma economia mais forte aumenta a responsabilidade do Brasil como agente missionário. Os Estados Unidos continuam (e continuarão por muito tempo) como o país que mais envia missionários pelo mundo. Na Ásia há dois países que enviam muitos missionários, sendo a Coreia do Sul e a Índia. É interessante observar que os missionários indianos normalmente trabalham entre povos não alcançados dentro do próprio país.

O Brasil já é um país que envia muitos missionários, mas pelo tamanho da Igreja Evangélica Brasileira poderia enviar muito mais. Há projeções otimistas que desenham que metade da população brasileira será evangélica já na década de 2020. Um igreja grande em quantidade (em qualidade é outra história) e que se vê em um novo papel diante do mundo.

Um país mais rico com uma grande população evangélica. Celeiro?
Com a crescente importância econômica do país algumas janelas para divulgação do Evangelho já se abriram, como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Algumas igrejas já estão desenvolvendo estratégias evangelísticas para esses eventos.

O Brasil também começa a atrair um número crescente de estrangeiros, sejam aqueles vindos da Europa e Estados Unidos para trabalharem em multinacionais ou aqueles vindos de países mais pobres (Bolívia, Peru, Paraguai, Haiti etc.) para trabalharem na construção civil e no comércio ambulante. Os estrangeiros que escolhem o Brasil para morar formam um importante grupo para ser evangelizado. Já há igrejas em São Paulo visando à evangelização de bolivianos, onde a própria liderança é advinda do país sul-americano.

O Brasil cresce sem tendências imperialistas, como a China tem feito na África, por exemplo. Isso beneficia o Brasil, já que a imagem entre diversos povos é positiva. Além disso, o Brasil não participa de guerra há muitos anos e não possui conflitos étnicos ou religiosos. O “homem cordial” brasileiro faz com que a imagem dos missionários não seja confundida com “agentes estrangeiros opressores”. Os americanos, por exemplo, muitas vezes tiveram dificuldades de evangelizar na América Latina (principalmente os países de língua espanhola) pela forte tendência antiamericana desses países. É claro que a crescente influência econômica do Brasil pode despertar sentimentos “antibrasileiros”, especialmente em países latino-americanos, mas nada tão sério como aconteceu (e acontece) com os norte-americanos.

A revista The Economist destacou em uma matéria no final de 2009 que o Brasil e os Estados Unidos apresentavam algumas semelhanças (leia a matéria aqui), entre elas de serem duas grandes economias com fortes tendências evangélicas. Será bom para o Brasil quando este imitar o ímpeto missionário da igreja norte-americana.

Que o futuro (que sempre a Deus pertence) seja já trabalhado no presente pela Igreja Evangélica Brasileira.