segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Palestra do bispo Cavalcanti


Semana Jovem IBAB 2010 - Robinson Cavalcanti from Recursos.org.br on Vimeo.


Acima foi a última palestra que eu assisti pessoalmente do bispo Robinson Cavalcanti. Vale a pena ver. Que Deus console a família anglicana no Brasil.

Leia mais neste link.

Bispo Robinson Cavalcanti e esposa mortos a facadas. Filho é suspeito

O Diário de Pernambuco nos traz no dia de hoje essa trágica notícia sobre a morte do bispo anglicano Robinson Cavalcanti e esposa. Eu já tive o privilégio de entrevistá-lo para este blog e eu era leitor assíduo de seus textos. Mesmo discordando de algumas ideias, eu achava Robinson uma das melhores mentes do evangelicalismo brasileiro. É dia de luto para a Igreja Evangélica Brasileira. Lamentável.

Leia a notícia do jornal de Recife:

O bispo diocesano da Igreja Anglicana, cientista político e ex-reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Dom Edward Robinson Cavalcanti, de 64 anos, e a esposa dele, a professora aposentada Mirian Nunes Machado Cotias Cavalcanti, também de 64 anos, foram assassinados na casa da família, na Rua Barão de São Borja, número 305, em Jardim Fragoso, Olinda, na noite do último domingo (26).

De acordo com a policia, o autor do crime é o filho adotivo do casal Eduardo Olímpio Cotias Cavalcanti, de 29 anos. O rapaz morava nos Estados Unidos desde os 16 anos de idade e teria voltado ao Brasil há cerca de 15 dias depois de ter sido preso no país estrangeiro várias vezes por envolvimento com drogas e outros delitos.

Segundo o reverendo Hermany Soares, amigo da família, quando Eduardo chegou ao Brasil, ele foi buscá-lo no aeroporto e ainda no desembarque teria perguntado onde poderia comprar uma arma.

Ontem pela manhã, o rapaz saiu de casa, foi beber na praia e voltou à tarde. À noite, foi visto amolando uma faca na frente do portão de casa. Por volta das 22 horas, Eduardo começou a discutir com o pai, pegou a faca e golpeou o idoso. A mãe foi defender o marido e também foi esfaqueada.

O bispo Robison morreu no quarto. A mãe ainda foi levada para o Hospital Tricentenário, em Olinda, com uma facada no peito esquerdo, mas já chegou morta. Após o crime, Eduardo tentou cometer suicídio ingerindo uma substância ainda não identificada e desferindo vários golpes de faca no próprio peito. Ele foi levado para o Hospital da Restauração (HR) por uma viatura da Polícia Militar. Eduardo estava passando por um processo de deportação.

Segundo informações de parentes, o bispo Robinson foi o coordenador regional da primeira campanha do ex-presidente Lula para presidente da República, que, inclusive, o teria visitado em casa depois de eleito. O bispo também foi candidato à deputado federal e proferiu palestras na Organizações das Nações Unidas.

Em relação ao ocorrido, a Igreja Anglicana divulgou uma nota de falecimento. Confira o documento na íntegra:

É com grande pesar que a Igreja Anglicana - Diocese do Recife, comunica o trágico falecimento do Reverendíssimo Bispo Diocesano, Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti, e de sua esposa Miriam Cavalcanti, ocorrido neste domingo 26/02/2012 por volta das 22h na cidade de Olinda-PE.

A família diocesana agradece a Deus pela vida e devotado ministério do seu Pai em Deus, pastor, mestre e amigo, um verdadeiro profeta e mártir do nosso tempo, que lutou pela causa do evangelho de Cristo, por Sua igreja, bem como pela Comunhão Anglicana, e que contou sempre com sua esposa que, como fiel ajudadora, o apoiou em todos os anos de seu ministério.

Partiu para a Eternidade deixando um legado de serviço, amor e firmeza doutrinária, pelos quais essa Diocese continuará.

Oportunamente estaremos divulgando dia, horário e local do seu sepultamento.

Revmº Bispo Evilásio Tenório – Bispo Sufragâneo Eleito

Revmº Bispo Flávio Adair – Bispo Sufragâneo Eleito

Rev. Márcio Simões – Presidente do Conselho Diocesano

Com informações do repórter Edson Araújo, da TV Clube

Bispo faleceu na noite de ontem.

Leia a entrevista que fiz para este blog com Cavalcanti em 2008. Veja neste link:

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O esquema de “caixa dois” nas Igrejas Evangélicas

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O caixa dois é um dinheiro não contabilizado, não oficializado. As empresas e os políticos usam para sonegar impostos e para alimentar redes de relações. É interessante observar que o caixa dois é uma prática em diversas igrejas evangélicas. O problema acontece principalmente em denominações como as Assembleias de Deus, onde as congregações normalmente “sustentam” as respectivas sedes. O objetivo é evitar que todo o dinheiro que entra na congregação seja dirigido para uma sede distante.

Não quero comentar o valor moral do caixa dois em igrejas evangélicas. Sendo certo ou errado é uma questão menor neste texto. Fiquei escandalizado ao saber dessa realidade, mas existe a causa. A questão principal é: por que congregações fazem caixa dois para não mandar todo o dinheiro para uma sede? Por que alguns dirigentes tomam essa medida tão extrema? Qual a questão de fundo?

Algumas questões


1. O esquema “congregação sustentando sede” é irracional

As congregações mais pobres mandam dinheiro para sedes ricas. Isso soa irracional e o é. Na maioria das Assembleias de Deus e seus ministérios o esquema é parte essencial das igrejas pequenas com suas centrais. É comum ver templos maravilhosos em sedes pomposas e congregações em salões alugados sem nenhuma estrutura.

2. A congregação não possui autonomia sobre o dinheiro que arrecada

Na teoria a Assembleia de Deus é congregacional. Mas isso é só teoria, infelizmente. As congregações não possuem autonomia administrativa e financeira. As escolhas de investimento e aplicação dos dízimos e ofertas são feitas pelas respectivas sedes. Nada menos congregacional.

3. O dinheiro que vai para a sede não volta em resultados práticos

Durante anos e anos a congregação direciona dinheiro para uma sede, mas não recebe nada de volta. O dinheiro sempre vai, mas nunca volta em forma de investimento. É um dinheiro que fica invisível para quem contribui na base, pois o mesmo continua congregando em um salão alugado sem nenhuma estrutura. Não se vê investimento em missões transculturais, estrutura física da Escola Bíblica Dominical e assistência social.

4. A falta de transparência

O que é feito com o dinheiro? Onde é investido? Quais os planos futuros que envolvem contribuição financeira? Quando é direcionado para assistência social? Difícil responder qualquer uma dessas perguntas, pois nenhum relatório é disponibilizado. O único relatório disponível nas igrejas é aquele onde marca os “contribuintes do mês”.

É interessante ver como o apóstolo Paulo era preocupado em prestar contas às igrejas, mas hoje parece que isso não é necessário. Paulo, inclusive, não queria que o tema fosse empecilho para a proclamação do Evangelho. A sociedade contemporânea cobra coerência e transparência dos governantes, mas a igreja, como instituição, parece que não se deu conta disso. Lamentável.
________

Portanto, falar em dízimos e ofertas em um ambiente onde as pessoas veem o dinheiro que contribuem simplesmente “sumindo”, pois o resultado é invisível, logo fica difícil de ver um aumento da contribuição voluntária.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Lição 09 - Dízimos e ofertas

Amigos, abaixo segue a reprodução do subsídio preparado pela Equipe de Educação da CPAD. E, também, segue links de três textos escritos por mim sobre o assunto, além de um ótimo texto escrito pelo pastor Altair Germano. Para acessar o texto clique no título.

A transparência com o dinheiro é necessária! Por Gutierres Fernandes Siqueira

Ajuda aos Necessitados.  Por Gutierres Fernandes Siqueira

Ofertar é... Por Gutierres Fernandes Siqueira

Por quais razões Malaquias cap. 3 vers. 10 não deve ser aplicado à Igreja? Por Altair Germano

Subsídio da CPAD

DÍZIMO [NO PENTATEUCO]

A palavra hebraica ‘asar, “dizimar” é derivada da palavra que significa “dez” e que também significa “ser rico”. O princípio básico do dízimo é o reconhecimento de que tudo pertence por direito a Deus, inclusive as propriedades dos homens, das quais eles são apenas guardiões. O dízimo corresponde a um testemunho oferecido em honra a Deus, e em reconhecimento de que tudo pertence a Ele.

O costume de pagar o dízimo era muito comum entre os povos semíticos, e era anterior à lei de Moisés. Abraão deu a Melquisedeque um décimo de todo o despojo conquistado de Quedorlaomer (Gn 14.20. cf. Hb 7-10). A forma como este fato foi mencionado parece indicar que se tratava de um costume estabelecido. O voto de Jacó (Gn 28.22) acrescenta ainda mais peso a esta opinião.

O dízimo de Israel consistia de um décimo de toda a produção anual de alimentos e do crescimento dos rebanhos de ovelhas e gado. Era um costume considerado sagrado para Jeová, da mesma forma que o aluguel ou imposto feudal dedicado a Ele que era, realmente, o dono da terra. Certas Escrituras sugerem que esses dízimos consistiam de décimo de tudo que restava das “primícias de todos os frutos da terra”, depois que a oferta sacerdotal havia sido separada (Êx 23.19; Dt 26.1ss). Como a lei não estabelecia a quantidade a ser oferecida como uma oferta das primícias, alguns consideram as regras do dízimo como a definição do que deveria ser pago. Outros consideram o dízimo um complemento destes primeiros frutos. Fontes judaicas indicam que essa segunda hipótese é verdadeira e que as “primícias dos primeiros frutos” geralmente representavam uma quinta parte da produção.

No Pentateuco, a legislação sobre os dízimos era a seguinte:

1. Levítico 27.30-33. Um décimo de toda a produção (safras, frutas, azeite, vinho) e de todos os animais deveria ser dedicado ao Senhor. O dízimo da produção da terra podia ser compensado (ou “remido”) se a ele fosse acrescido um quinto de seu valor. O dízimo dos animais não podia ser compensado. O crescimento do rebanho era calculado e todo décimo animal era considerado santificado para o Senhor. Isso estava de acordo com as instruções dadas a Israel, anteriores ao Sinai, de que os primogênitos dos rebanhos pertenciam ao Senhor (Êx 13.12,13). Tudo o que passasse “debaixo da vara” (Lv 27.32) era designado aos levitas para fazer o que bem entendessem, pois não haviam recebido nenhuma parte da terra como herança (cf. Nm 18.21-32). Além desse dízimo, os levitas pagavam um dízimo (ou oferta alçada) aos sacerdotes, que deveria ser levado ao templo de Jerusalém. Neemias 10.38 sugere que havia uma supervisão dessa divisão de dízimos.

2. Deuteronômio 12.5,6,11,18 (cf. Am 4.4). O dízimo das festas correspondia a um décimo dos nove décimos que restava. Devia ser separado e levado para Jerusalém onde era consumido como refeição sagrada pelo ofertante e seus familiares, junto com o levita que está dentro das suas portas (Dt 12.15). Se a distância era proibitiva, os dízimos podiam ser vendidos e o dinheiro usado para a compra de alimentos ou animais para servirem como ofertas em Jerusalém (cf. Dt 14.22-27).

3. Deuteronômio 26.12-15; 14.28-29. O dízimo trienal ou dízimo da caridade, oferecido durante o terceiro ano, era destinado aos levitas, aos estrangeiros, aos órfãos de pai e às viúvas.
As opiniões diferem em relação a esse terceiro dízimo. De acordo com Josefo ele era, na verdade, um terceiro dízimo oferecido a cada três anos, do qual os levitas e os sacerdotes eram obrigados a participar. Outros afirmam que a cada três anos, o segundo dízimo, ou dízimo da festa, era oferecido aos pobres em casa, invés de ser levado a Jerusalém.
O pagamento do dízimo não era obrigatório, mas uma questão de consciência perante o Senhor. O povo deveria obedecer a estes decretos com todo coração e alma (Dt 26.16). A cada três anos deveria ser feita uma solene declaração no último dia da Páscoa, dizendo o seguinte: “Obedeci à voz do Senhor, meu Deus; conforme tudo o que me ordenaste, tenho feito” (Dt 26.14).

Texto extraído do “Dicionário Bíblico Wycliffe”, editado pela CPAD.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Onde estão as decisões objetivas da CGADB?


Por Gutierres Fernandes Siqueira

No próximo ano a politicagem da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus) voltará com toda força. As convenções se resumiram a reuniões eleitorais, ou seja, não há debates teológicos e eclesiásticos. A CGADB perde sua relevância positiva a cada reunião eleitoral e, infelizmente, acaba exportando uma agenda de influência negativa.

Em toda reunião há formalmente uma pauta, mas que fica em segundo plano. Quais são as posições oficiais da Convenção Geral sobre grandes temas da teologia e eclesiologia? Só ouvimos um estrondoso silêncio. Como a politicagem toma todo tempo, logo não sobra espaço para um debate complexo e os temas realmente importantes são direcionadas para comissões que “ficam de se reunir” e, na maioria das vezes, não se reúnem.

Qual a posição da CGADB sobre, por exemplo, a hermenêutica e suas teorias relacionadas? Onde estão grandes tratados sobre temas pastorais como o divórcio e segundo casamento? Onde os pastores podem buscar auxílio sobre modismos teológicos? Teoricamente, a CGADB é contra a Teologia da Prosperidade, mas por que ainda mantém como membros aqueles pastores-famosos que a pregam? Por que nos próprios cultos da Convenção sobram mensagens triunfalistas e de autoajuda?

E os temas sociais? Qual a posição da CGADB sobre a política assistencial do governo? É contra ou a favor? Qual a visão sobre direitos humanos? E a política? A CGADB acha certo que os seus pastores-deputados alimentem o mesmo vício político dos demais na confusão do público e privado? Há algum Código de Ética da Convenção ou esses deputados votam conforme orientação do partido? Como a CGADB se posiciona diante daquelas pastores maranhenses que se aliam à família Sarney?

Nem acho que a CGADB deve ter uma opinião sobre tudo, mas incomoda que essa instituição não tenha opinião sobre nada, absolutamente nada. E pior, pouco se sabe sobre questões básicas de doutrina. Isso tudo é fruto de uma instituição que só pensa naquilo: politicagem eclesiástica. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Varão e varoa, estamos no século XXI!

Amigos leitores, reproduzo abaixo um artigo do pastor Jonas Madureira que reflete uma das minhas preocupações sobre o evangelismo do século XXI.


VARÃO E VAROA, ESTAMOS NO SÉCULO XXI!

Por Jonas Madureira

Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
(Lucas 15.1)

É inegável que o cristianismo contemporâneo vive a crise da relevância. Os novos críticos do cristianismo não se cansam de dizer que o discurso dos cristãos cheira naftalina, é tão antiquado, fora de moda e irrelevante. Para ilustrar esse fato, lembro-me de que, há poucos dias, um colega da USP, sabendo que sou cristão, se aproximou de mim e, sem rodeios, perguntou-me: “Por que muitos evangélicos falam tão esquisito? Eles chamam uns aos outros de varão e varoa! Abusam dos arcaísmos! Usam expressões tão ultrapassadas que às vezes me sinto nos dias de Olavo Bilac!” Dureza, não?! Expliquei que muitas das versões bíblicas que as pessoas leem são muito antigas, e, por esse motivo, acabam trazendo o vocabulário delas para o dia a dia. “Que bizarro!”, disse meu colega. E incomodado com isso, perguntei: “Por que bizarro?”. Ele prontamente me respondeu: “Porque isso assusta qualquer um! É uma linguagem muito distante da realidade!”. Nessa hora, infelizmente, tive que concordar com ele. Nossa linguagem, às vezes, é tão descontextualizada que, em vez de atrair, assusta os publicanos e pecadores de nossos dias.

O que acho mais interessante no texto de Lucas 15 é o fato de que os publicanos e pecadores não se aproximaram de Jesus para pedir um milagre, uma bênção. Pelo contrário, se aproximaram dele só para ouvi-lo. Isso aconteceu porque a pregação de Jesus era empolgante, o Mestre era verdadeiramente relevante. Veja a bela imagem que Lucas nos oferece: o Filho de Deus, sentado à mesa com publicanos e pecadores, completamente atraídos pelo seu discurso. Ou seja, Lucas mostrou que Jesus era interessante não apenas por causa dos milagres que fazia, mas principalmente por causa de seu pensamento, de sua capacidade de ler o coração dos homens e de expor os desígnios de Deus, com ousadia, sabedoria e relevância.

Ouvindo algumas pregações aqui e acolá, em canais de TV e em igrejas, percebo que muitos dos discursos e pregações de nossos dias estão muito distantes de ser comparados às pregações empolgantes de Jesus. Acredito que uma das razões seja a nossa incapacidade de ler nosso tempo, agravada pela pobreza de nossa leitura dos desígnios de Deus, expressos nas Escrituras. Quando digo “ler nosso tempo”, digo “ler as pessoas de nossos dias”. Jesus entendia o homem de seu tempo como ninguém. Ele compreendia as questões que o homem de seu tempo fazia e, por isso, respondia de forma relevante aos publicanos e pecadores de seu tempo.

Em contrapartida, nossa leitura do varão hodierno — ops! do homem de hoje! — é vergonhosa. Não entendemos seus pensamentos, não entendemos suas questões. Às vezes, tenho a impressão de que a maioria de nós está falando para homens do século XIX, e não só com uma linguagem oitocentista, mas — o que é pior ainda — usando uma lógica e um tipo de reflexão e postura intelectual que é típico do universo espiritual oitocentista.

A verdade é que alguns sermões de hoje se tornam irrelevantes porque apenas respondem às perguntas que o homem do século XIX fazia. São sermões tão distantes do século XXI, que dão sono! Cá para nós, às vezes me pergunto se isso acontece por causa do delay de publicações das obras teológicas oitocentistas, que são publicadas hoje em dia como “grandes lançamentos do ano”. Sinceramente, não sei. O que sei é que, se queremos proclamar o reino de Deus para o nosso tempo, temos de nos livrar de nossas lentes oitocentistas. Precisamos ler o homem de nossos dias, com lentes apropriadas para o século XXI.

O homem de hoje é um homem sem transcendente, ou melhor, um homem deslumbrado com o imanente, que passa a ser tomado como se fosse transcendente. Em outras palavras, alguém que trocou a adoração a Deus pela veneração ao carro do ano, ao último modelo de celular, de notebook, de TV e por aí vai. Por isso, as megaigrejas estão tão cheias. E garanto que não é pela relevância do discurso, mas pela exploração da angústia do homem moderno. Este vai à igreja não mais para simplesmente adorar, mas para clamar a Deus por um carro novo, uma casa maior, mais dinheiro, mais sucesso, mais poder. A tara por essas bênçãos materiais mostra o quanto somos niilistas, vazios, sem um sentido ulterior para vida, que seja superior a tudo o que está preso ao tempo e ao espaço.

Não precisamos de sermões que alimentem nossa angústia niilista. Precisamos de sermões que nos conscientizem de nossa real situação. Sermões que revelem as novas faces de nossas depravações e desesperos. Sermões que sejam resultado de uma exegese bíblica cuidadosa e contextualizada, e, ao mesmo tempo, conscientes de que nossa inteligência e compreensão devem ser submetidas à luz do Espírito, o único que nos permite ver o Jesus supracultural, supratemporal, preexistente, Filho de Deus, Senhor do tempo, da história, da terra e do céu. Sermões que nos sirvam como espelhos para mostrar a face sofrida e angustiada de nosso coração, tão longe da busca pelo transcendente e tão entregue à busca exacerbada por bens transitórios. Só assim haverá conversão genuína, adoração verdadeira, pregação relevante. Só assim publicanos e pecadores de nosso tempo deixarão de se assustar com esse nosso esquisito jeito oitocentista de ser, e se aproximarão de nós para conhecer o Jesus do século XXI, que, paradoxalmente, em nada deve ser menos atraente do que o Jesus do século I.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ordinário e extraordinário!

"Tem sido afirmado, muito acertadamente, que a religião é a coisa que faz o homem ordinário se sentir extraordinário; é uma verdade igualmente importante que a religião é a coisa que faz o homem extraordinário se sentir ordinário". 

G. K. Chesterton

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Falsos demônios!

"Idolatria é cometida, não somente pela instituição de falsos deuses, mas também, pela instituição de falsos demônios; fazendo os homens temerem a guerra e o álcool, ou a lei econômica, quando eles devem temer a corrupção espiritual e a covardia".

G. K. Chesterton

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Tudo em Cristo

Por Gutierres Siqueira

Veja abaixo esse vídeo com a versão inglesa do hino de número 56 da Harpa Cristã. Um dica do André Neves no Facebook.

Tudo em Cristo

1
Dantes, trabalhava sempre com temor,
Mas descanso, agora em meu Salvador;
Dantes “esperava”; hoje, “bem o sei”
Que estou salvo em Cristo, meu bendito Rei.
Tudo! Tudo em Custo’
Que por mim morreu.
Tudo! Tudo em Cristo!
Cristo é todo meu.
2
Dantes, desejava bênção do Senhor;
Hoje, mais de Cristo, mais de Seu amor!
Não somente a bênção, que tão pronto dá,
Mas Ele mesmo a fonte em quem tudo está.
3
Dantes, duvidava, era sempre “o eu”:
Hoje, bem conheço Cristo, além do véu,
Sacerdote eterno, lá por mim entrou;
NEle estou completo, nEle aceito sou.
4
Dantes queria o mundo; hoje, é só Jesus!
Dantes, eram trevas: hoje, é plena luz;
Dantes, o receio, hoje, a doce paz,
Tudo a Cristo deixo, Ele me satisfaz.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Não há nada que possamos fazer para deixar Deus impressionado!

São os deuses-pagãos que dependem de sacrifícios...
Por Gutierres Fernandes Siqueira

“O que buscamos quando buscamos a Deus?” [Agostinho de Hipona]

Orações, preces, sacrifícios, adoração, lamentações... Não há nada que possamos fazer para deixar Deus impressionado. Não há nada que “mova o braço de Deus”. Deus não é um ídolo-pagão alimentado por sacrifícios e agrados. Deus de nada necessita, absolutamente nada. É necessário repetir: a nossa bênção não depende daquilo que fazemos, mas sim da misericórdia e bondade do Senhor.

Mas a Bíblia não está cheia de advertências do tipo “faça isso e terás aquilo”? É verdade, mas aí não está toda a verdade. Em uma leitura apressada e superficial das Escrituras temos a impressão que a relação com Deus é uma espécie de “causa e efeito”. O Livro de Jó, talvez o manuscrito mais velho do Antigo Testamento, já mostra que a relação com Deus não é mercantil, ou seja, não é simples “toma lá, dá cá”.

Jó era justo. Quem assim testemunhou foi o próprio Deus, mas ainda assim Jó sofreu as maiores dores e privações que um homem pode suportar. Não é à toa que os promotores do “Evangelho da Prosperidade” tentam a todo custo desqualificar a Jó. À semelhança dos amigos de Jó, os pregadores da prosperidade não compreendem como alguém justo pode sofrer tanto! Eles pensam: "Deve ter algum pecado escondido"!  Ao pensar assim desprezar a realidade que o justo (aliás, o justificado) pode sofrer! Ora, pelos menos os amigos de Jó não conheceram a história de Cristo, mas os pregadores da prosperidade desprezam a sacrifício do Senhor.

Asafe lamentou a prosperidade dos ímpios (cf. Salmo 73) e outros tantos servos de Deus sofreram barbaridades, mesmo sendo homens “dos quais o mundo não era digno” (Hebreus 11.38). Como alguém que diz ler as Sagradas Escrituras pode se escandalizar com a frase verdadeira de Larry Crabb, que disse: “Nossa maldade não é um empecilho para a bênção, assim como nossa bondade não é condição para sermos abençoados”.

Não se deve orar, adorar, louvar ou lamentar em busca de uma recompensa, mas sim movidos pelo amor ao Senhor. Quão vã é a atitude daqueles que confundem o Deus Todo-Poderoso com um ídolo-pagão “comprado” com uma prece automatizada. Quem confunde Deus com um ídolo nada entendeu sobre a graça divina.

A pergunta de Agostinho, que abre este texto, nos leva a uma profunda reflexão. O que buscamos quando buscamos a Deus? Autossatisfação, bênçãos e mais bênçãos, uma vaga no céu, segurança e prosperidade material? Quão pobre isso é! Ou estamos buscando a Ele porque o amamos e queremos desfrutar de sua companhia? Quão excelente isso é! Que o Senhor nos dê graça!

A Bíblia chama Deus de pai, amigo, noivo e senhor, mas nunca chama de comerciante. Infelizmente, Deus é pregado como um trocador de mercadorias e não como aquilo que Ele é: Pai, Amigo, Noivo e Senhor.

[Texto escrito para apoio da próxima aula na Escola Dominical onde estudaremos a lição 8: “O Perigo de Querer Barganhar com Deus”]

Lição 08 - O perigo de querer barganhar com Deus

O HALL DA FAMA DA FÉ

Por Hank Hanegraaff

Bem, que dizer acerca disso? Na sua maneira de pensar, quem é que deveria ser introduzido no “hall da fama” da Fé? Jó ou seus “amigos”? Já está na hora de você dar seu voto. A quem escolherá?

Sugiro que, antes, você considere atentamente o caso de Jó. A questão a ser respondida é esta: Em questões de fé, Jó integra o “hall da fama”, lado a lado com luminares como Abraão, Isaque e Jacó? Ou seria um homem carnal e sem fé, cuja propensão para confissões negativas acarretou-lhes a própria queda, tão trágica?

Antes de votar, porém, considere o que o autor de bestsellers, Benny Hinn, tem a dizer. Ele afirma que as tribulações de Jó lhe sobrevieram porque ele proferiu palavras de medo e fez acusações a Deus. Hinn descreve Jó como homem “carnal” e “mau”, asseverando inclusive que a “boca de Jó era seu maior problema”. Em essência, ele diz que Jó tocou no lado negativo da força por meio de suas volumosas confissões negativas [Programa “Benny Hinn” TBN - 3 de Novembro de 1990].

A fim de que florescesse a mensagem da Fé, Jó precisava cair. E ele realmente caiu – mas não por ser culpado de alguma grande falha moral. Antes, foi derrubado por uma campanha de ataques maliciosos, na qual foi temerariamente caricaturado por Hinn como um dos maiores fracassos da fé de todos os tempos.

Naturalmente, Hinn precisou ignorar o claro contexto das Escrituras para liberar sua diatribe contra Jó. Pois enquanto Deus o chama de bom, Hinn acusa-o de mau. Quando Deus diz que Jó falou corretamente, Hinn diz que ele fez uma confissão negativa.

Deus deixou claro que Jó era “íntegro e reto, temente a Deus, e que se desviava do mal” (Jó 1.1,8; 2.3). De fato, o Senhor chegou a declarar a Satanás que “ninguém há na terra semelhante a ele” (Jó 1.8; 2.3).

A despeito dos elogios divinos recebidos por Jó, Benny Hinn insiste em atacá-lo. Numa das mais horrorosas que jamais testifiquei numa televisão evangélica, Hinn não somente aviltou Jó por sua falta de fé, mas denegriu uma das maiores declarações de fé jamais proferidas em meio à tragédia.

Apesar do aviso sombrio de Provérbios 3.6 (“Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso”), Hinn adicionou a palavra “nunca” ao texto de Jó 1.21, revertendo assim completamente o significado da passagem. Encorajado pela audiência, riu-se: “Vocês sabem o quê? Já dissemos isso um milhão de vezes, e nem ao menos é bíblico – tudo por causa de Jó: ‘O Senhor deu, e o Senhor o tomou’. Tenho uma novidade para vocês: isso não é a Bíblia; não é a Bíblia. O Senhor dá e nunca toma de volta. E somente porque ele disse: ‘Bendito seja o nome do Senhor’ não significa que estava com a razão. Quando falou: ‘Bendito seja o nome...’, Jó estava apenas sendo religioso. E ser religioso não significa que você está com a razão” [Programa TBN, 03 de Novembro de 1990].

O arroubo de Hinn não é fato isolado. Muito antes de ele atacar Jó, homens como Copeland, Capps, Savelle, Crouch e uma hoste de outros já o tinham feito.

Não somente esses mestres da Fé alteram a passagem para que ela diga precisamente o contrário do que está registrado na Bíblia, mas também ignoram que o versículo seguinte das Escrituras elogia Jó com as seguintes palavras: “Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma” (Jó 1.22).


Texto extraído da obra “Cristianismo em Crise: Um câncer está devorando a Igreja de Cristo. Ele tem de ser extirpado!”, editada pela CPAD.


Leia mais sobre o assunto neste link

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Oração do “cristão cult”

Por Gutierres Fernandes Siqueira

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Senhor Deus,

Aliás, por que não Senhora Deusa? Os céus precisam se despir dessa linguagem patriarcal!

Eu me dirijo a ti. Aliás, antes que eu me esqueça, por que chama-lo de “Senhor” ou “Senhora”? Ora, a nossa relação não pode passar pela hierarquia. Eu sou igual a Ti. Eu sou deus, a árvore é deus, a água é deus, o ar é deus, a criança é deus, ou seja, todos somos deuses. Então, por que essa hierarquia? Isso só pode ser invenção dos teólogos. Portanto, livra-me deles.

Eu queria lembrar que o meu coração transpira responsabilidade e transparência. Eu nunca roubei, matei ou assisti vídeos de stand up comedy. Eu sou uma boa pessoa e pratico meditação transcendental. Eu me preocupo com a África. Eu nasci bom, mas a sociedade tenta me corromper com o consumo e com a não preservação da natureza.

Ei cara aí de cima, perdoa-me! Quantos pecados sociais eu já cometi! Eu escovei os dentes com a torneira ligada. Ó, suplico o seu amor. Eu comprei um carro 2.0 que muito polui e hoje clamo a sua misericórdia. O “sistema” me obriga a ser assim. Livra-me do “sistema”. O coletivo é o meu pecado. A culpa, sim, a culpa é do sistema.

Livrai-me da culpa opressora. Eu sou livre, como viverei preso nessa ideia medieval de pecado e responsabilidade individual? Livra-me dos demônios retrógrados. Livra-me da ideia destruidora de moral. Livra-me da doutrina e daqueles que acreditam em verdade (eles são perigosos!). Livra-me do fundamentalismo, mas vinga aqueles que não vivem essa realidade alternativa. Ora, faça-me uma metamorfose ambulante.

E a ti agradeço as bênçãos. E peço mais bênçãos, pois a eternidade não existe.

Em meu nome, de Buda e do Mahatma Gandhi eu te peço e agradeço! Amém!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Os evangélicos são "conservadores que têm uma visão do mundo controlada por pastores de televisão”!

Por Gutierres Fernandes Siqueira
Gilberto Carvalho: um preconceituoso

O secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, disse a frase acima em um fórum social realizado em Porto Alegre. E ainda afirmou que os evangélicos possuem uma “hegemonia” junto à nova classe média e insinuou que os esquerdistas precisam enfrentar essa dominação.

A expressão do ministro é preconceituosa. Em primeiro lugar, os evangélicos nunca podem ser generalizados. Um evangélico neopentecostal supersticioso não é o mesmo que um jovem entusiasta do cristianismo clássico. Ambos são tidos como evangélicos, mas os dois apresentam uma “visão de mundo” totalmente diferente. Em segundo lugar, os evangélicos como “controlados” por pastores de TV mostra outra vez a visão preconceituosa do ministro. Ele está literalmente dizendo que os evangélicos são manipulados.

Manipulados?

Como essas pessoas não conhecem os evangélicos. Eu congrego em uma igreja pentecostal e vejo que o líder da minha igreja tem inúmeras opiniões que são contrárias a minha. Ele é o meu líder, mas nem por isso eu aceito tudo que ouço daquele púlpito. E digo mais: vejo o mesmo com os demais membros da igreja. Ninguém aceita o que houve acriticamente. Nem o que o pastor fala ou qualquer outro que tome o microfone para defender uma ideia.

Eu sou professor de Escola Dominical, ou seja, teoricamente um líder que “manipula” os “crentes idiotas” (no subconsciente do ministro). Ora, ora. Quantas vezes eu já dei aulas onde o debate rolou solto. Alunos que contestaram minhas ideias e outros que simplesmente diziam pensar o contrário. E eu estou falando que congrego e ensino em uma igreja pentecostal.

Sim, há algumas pessoas que são de fato crédulas, ou seja, aceitam qualquer coisa que você fala. Mas é uma “pequena minoria”. Eu, particularmente, alerto sempre na escola que uma postura acrítica deve ser evitada ao máximo.

Outro exemplo é este blog e a blogosfera evangélica como um todo. Quantos dos meus leitores assíduos já escreveram comentários discordando de alguns conceitos defendidos por mim? Vários e alguns com muito entusiasmo [risos].

Quantas vezes eu já vi murmurações quando alguém usa o púlpito para fazer política partidária ou eclesiástica. Povo manipulado? Bom, os preconceituosos podem achar qualquer coisa.

O “espírito protestante” é diverso em si e evita uniformização. Graças a Deus.

Conclusão
Os evangélicos possuem inúmeros defeitos e a Igreja Evangélica Brasileira está longe de ser uma referência positiva, mas a acusação de manipulação é injusta e preconceituosa. É preocupante que o representante de um partido que esteja no poder veja o Movimento Evangélico como algo “manipulador” que precisa ser combatido pelos militantes. A nossa liberdade religiosa é um bem precioso e nenhuma vigilância será à toa.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Eu não quero uma igreja!

Se você é ou conhece aqueles que não gostam da igreja e usam uma série de desculpas, então assista a esse interessante vídeo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Os “demônios doutrinadores”!

Cena do filme "The Rite". Até Hollywood sabe que não se pode dar ouvido aos demônios...

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Vocês viram uma suposta mulher possessa de demônios que acusava o autointitulado “apóstolo” Valdomiro Santiago de vários pecados e falcatruas. Quem conduzia esse exorcismo? Sim, o autointitulado “bispo” Edir Macedo. A guerra entre as duas empresas já está envolvendo até os demônios. Eles há muito tempo já perderam o senso do ridículo.

Pois bem, escrevo este artigo não para analisar essa guerrinha entre esses hereges, mas sim para mostrar que o uso de “demônios evangelistas” não é exclusividade do Edir Macedo.

Eu já li um artigo de adventistas onde um demônio dizia que somente a Igreja Adventista do Sétimo Dia era divina e que todas as outras igrejas, por não guardarem o sábado, eram demoníacas. Que coisa, hein?!

Os demônios que pregam “usos e costumes”

Não foi um ou duas vezes que ouvi histórias de demônios que diziam sair de uma possessa somente se essa largasse calças, adornos e maquiagens, por exemplo. Sim, são demônios que não saem em nome de Jesus, mas sim em nome dos “usos e costumes”. Inclusive, isso aconteceu na congregação assembleiana em que eu me converti.

Hoje, graça a Deus, a mudança na mentalidade quanto aos costumes evita que tais manifestações bizarras aconteçam, mas é ainda possível encontrar tais coisas em igrejas mais legalistas, como a Igreja Pentecostal Deus é Amor (IPAD) e em algumas Assembleias de Deus espalhadas pela federação.

Quem escuta demônio não pode escutar a voz do Espírito Santo pelas Sagradas Escrituras.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"Tudo posso naquele que me fortalece"

Um interessante estudo de Dennis Downing que reforça o estudo da lição deste domingo na Escola Dominical.

Um estudo exegético de Filipenses 4:13

Por Dennis Downing

Será que o Cristão pode fazer de tudo? Será que temos, por meio de Cristo, poder para realizar qualquer feito? O que é que Paulo quis dizer com esta declaração ousada?

O contexto imediato

Esta passagem tem sido entendida por muitos Cristãos como uma afirmação geral de que realmente “tudo” podemos fazer. Como sempre é necessário observar o contexto da passagem. O contexto imediato (Fil 4:10-20) indica que Paulo está tratando de necessidades pessoais. Podemos ver isso quando ele usa frases e termos como “pobreza” (v. 11) “fartura e fome”; “abundância e escassez” (v. 12); “dar e receber” (v. 15) e “necessidades” (vv. 16 e 19). Todas estas palavras e frases tratam de necessidades físicas e imediatas como comida e moradia. Ele pessoalmente passou por necessidades nestas áreas e está mostrando como Cristo lhe deu força para enfrentá-las.

Paulo poderia, de repente, sair deste contexto para formalizar uma afirmação sobre todas as necessidades em geral. Ou, como alguns entendem pela frase isolada, ele poderia dizer que, por meio de Cristo, consegue realizar de tudo. No entanto, para fazer isso, seria esperado que Paulo desse algum sinal de tal mudança. A ausência de uma sinalização não impede de forma categórica esta possibilidade. Mas, sendo que o contexto imediato é satisfatório, e que não há evidência clara dele ter intencionado uma afirmação mais geral, devemos concluir que o ponto dele neste versículo é de que, dentro das necessidades pessoais (embora estas necessidades sejam enormes), com Cristo, ele terá tudo que precisa para lidar com elas.

Como Paulo usava “tudo”

Ajuda-nos a entender que Paulo, como autores e oradores modernos, às vezes usava o adjetivo “tudo” (gr. panta de pas) para se referir à maior parte ou à maioria de uma categoria, sem necessariamente se referir a algo em sua totalidade. [1]



Podemos ver este tipo de uso em passagens como 1 Cor. 9:22 “...Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns.” Paulo não quis dizer que havia se tornado absolutamente tudo para com toda a humanidade. O ponto dele foi de que ele se esforçou, negando seus próprios interesses e tendências, para influenciar todos aqueles com quem ele teve contato e oportunidade.

De forma parecida, em Colossenses 1:28 Paulo afirmou “o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”. Aqui Paulo não quis dizer que ensinava literalmente todos os homens existentes, nem que aquilo que ele ensinava fosse toda a sabedoria existente. O ponto dele, novamente, se restringia àqueles dentro do seu raio de alcance e à sabedoria necessária e suficiente para a plena vida em Cristo.

Da mesma forma, em Fil 2:21, ao dizer “pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus.” Paulo não estava se referindo à totalidade da raça humana, nem a todos da cidade de Roma, onde ele se encontrava (Fil 1:13). Ele estava se referindo a muitos outros que não se preocupavam com seus interesses da forma como Timóteo havia feito. Mas, presumimos que Paulo contaria entre aqueles em quem confiava pessoas como Epafrodito (4:18) e os da casa de César (4:22). Portanto, ele não estava relegando nem a raça como um todo, nem toda a população de Roma ao grupo dos que “buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus.” Ele quis dizer que muitos eram assim, porém Timóteo era diferente.

De igual modo, ao dizer em Fil 4:13 “Tudo posso naquele que me fortalece”, Paulo não quis dizer “tudo” num sentido absoluto. O que ele quis dizer era que, de todas as coisas que havia passado que necessitavam de poder para enfrentar, como pobreza, fome, escassez e necessidades, Cristo supria toda esta força que ele precisava. É neste sentido que Paulo escreveu “Tudo posso naquele que me fortalece”. Pelo que já havia passado, Paulo tinha confiança, e quis passar esta mesma confiança aos Cristãos em Filipos, de que Cristo havia de suprir toda a força que eles precisavam, seja qual fosse a situação. É por isso que ele encoraja os Cristãos em Filipos com as palavras “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (4:19).

O foco da passagem

Embora muitas traduções modernas como a NVI, ARA e BJ traduzam o verso praticamente igual como “tudo posso naquele que me fortalece”, aqui a NTLH traz uma tradução bastante interessante “Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação”. Esta tradução é salutar, pois coloca a ênfase em Cristo e demonstra que o objetivo não é as conquistas do homem e sim sua capacitação para, com Cristo, enfrentar as situações, tão adversas quanto forem, que a vida traz.


É um eqúivoco pensar que o ponto de Paulo é que, com Cristo, ele pode alcancar grandes realizações ou conquistas. Paulo, embora falando das coisas que fazia por conta própria, já descartou a imporância das grandes realizações pessoais. Em 3:4-8 Paulo relembrou suas grandes conquistas em nome do zelo religioso. Daí, ele mostrou como o simples conhecer e comunhão com Cristo eram muito superior a todas as suas conquistas (3:8,10). Dificilmente Paulo agora estaria chamando a atenção dos Cristãos em Filipos para a idéia de realizar grandes coisas, mesmo com Cristo. O ponto de Paulo é de assegurar estes irmãos de que, na abundância ou na adversidade, Cristo os faria fortes o suficiente para lidar com qualquer situação, permanecendo fiéis a Ele.

Perigo de interpretação

Existe pelo menos um perigo de uma interpretação demasiadamente genérica deste versículo. Crentes podem ficar frustrados ou duvidando das promessas de Deus se tentarem coisas que consideram dentro da vontade de Deus, mas falharem. “Cristãos frequentemente anunciam, ‘Tudo posso naquele que me fortalece’, para assegurar a outros (e a eles mesmos) que podem ser bem sucedidos em empreendimentos para os quais eles podem ou não ser qualificados. Fracasso subsequente os deixa transtornados com Deus como se ele tivesse quebrado uma promessa!” [2]

Se “tudo posso naquele que me fortalece” significa que posso realizar qualquer obra ou feito, desde que seja algo que Deus teoricamente ia querer, então haverá muita frustração, pois nem sempre Deus de fato faz tudo que pode. Deus podia ter evitado que Cristo morresse na cruz (Mat 26:53). Certamente Ele não queria que Cristo tivesse que morrer na cruz. Mas, por causa do grande amor dEle por nós (outro aspecto da sua soberana vontade), Ele permitiu. Se nem Deus sempre faz tudo que pode e tudo que quer, podemos concluir que nem tampouco o homem fará, ou que Deus o fará por meio dele.


A Paulo, um homem de fé sincera e poderosa, foi negado algo bom e desejável que pediu ao Senhor – uma cura. Em 2 Coríntios 12:8-9 vimos que, apesar de toda sua fé e amor ao Senhor, Paulo não recebeu o que queria. Tudo posso naquele que me fortalece? Sim, se for da vontade de Deus.

Paulo tinha o dom de curar e curou muitas pessoas, chegando a curar todos numa ilha inteira (Atos 28:7-9). Mas, houve ocasião em que Paulo não pôde curar um discípulo próximo a ele, Trófimo (2 Tim 4:20). Tudo posso naquele que me fortalece? Sim, dentro dos limites que Deus estabelece e permite. Haverá ocasiões em que vamos querer fazer coisas boas, até coisas para Deus, mas não conseguiremos, porque não era a vontade de Deus naquele momento, ou naquela situação, ou com aquela pessoa.

A respeito desta passagem D.A. Carson alerta: - Uma antiga preferência é Filipenses 4.13: "... tudo posso naquele que me fortalece". O "tudo" não pode ser completamente ilimitado (e. g., saltar sobre a lua, resolver "de cabeça" complexas equações matemáticas ou transformar areia em ouro); portanto, a passagem geralmente é exposta como um texto que promete aos crentes a força de Cristo em tudo o que eles têm a fazer ou em tudo o que Deus lhes ordena que façam. Sem dúvida, este é um conceito bíblico; contudo, no que se refere a esse versículo, dá-se pouca atenção ao contexto. O "tudo" aqui consiste em viver alegre em meio a fartura ou fome, em abundância ou escassez (Fp 4.10-12). Seja qual for sua situação, Paulo pode lutar com alegria por meio de Cristo, que o fortalece. [3]

Concluímos que o ponto de Paulo em Filipenses 4:13 quanto àquilo que ele pode fazer se refere à força para enfrentar situações que a vida traz a ele, especificamente no sentido de necessidades pessoais. Mas a ênfase não está nele só, e sim nAquele que lhe dá esta força – Cristo Jesus. O versículo pode ser dividido em duas partes “tudo posso” e “naquele que me fortalece”. O mundo declara com orgulho e confiança “tudo posso” e pronto. O Cristão corrige, com humildade temperada pela fé em Jesus “Sei que enfrentarei muitas dificuldades nesta vida, e que sozinho seria derrubado, mas, ‘Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação’.”

Hoje em dia os Cristãos ainda enfrentam as incertezas do desemprego, o medo da violência e da doença. É preciso assegurá-los de que, com Cristo, podemos lidar com qualquer situação, não importa quão adversa for. Podemos confiar em Deus de que Ele nos dará a força que precisamos. Basta caminharmos junto a Jesus.


E o “tudo” que podemos fazer?

Alguns ainda querem saber, "o homem pode fazer tudo o que ele precisa fazer?" Até isso, na verdade, é relativo. O homem às vezes pensa que precisa fazer algo, tenta fazer e se frustra quando não consegue. Ele declara que Deus não existe, ou reclama que Deus não ouviu suas orações. Mas, Deus muitas vezes sabe que há uma grande diferença entre o que o homem pensa que precisa e o que ele realmente precisa. Quando era jovem namorei uma moça e pensei que precisava casar com ela. Não deu certo. Acabei esperando até quase 40 anos de idade para casar. Hoje, sei que Deus me deu, graças à sua vontade que é sempre melhor, a esposa que eu realmente precisava.

Dentro da vontade soberana (e para nós muitas vezes misteriosa) de Deus, sim, diria que o homem pode fazer o que precisa. Mas, esse fazer nem sempre será o que ele quer. Prova disso é que há muita coisa que, além de poder fazer, devíamos fazer, mas nem sempre fazemos.

Talvez a grande questão não é se Deus me capacita para fazer tudo que preciso. Dentro da soberana vontade dEle, Ele sempre capacita. O problema é que eu nem sempre quero fazer tudo para o qual Ele me capacitou. Talvez para Deus parece que queremos saber se podemos fazer de tudo, quando tão pouco fazemos com o “tudo” que já podemos. Que Deus nos ajude a, como Paulo, nos contentarmos não só com aquilo que Ele nos deu, mas com aquilo que Ele nos capacitou a fazer, e esmeremo-nos ao fazê-lo.

Nota:

[1] Bullinger, E. W. (1898). Figures of speech used in the Bible (Page 615). London; New York: Eyre & Spottiswoode; E. & J. B. Young & Co.)

[2] Klein, W. W., Blomberg, C., Hubbard, R. L., & Ecklebarger, K. A. (1993). Introduction to biblical interpretation (Page 481). Dallas, Tex.: Word Pub.

[3] Carson, D.A. “Os Perigos da Interpretação Bíblica” (antiga “Exegese E Suas Falácias”), São Paulo: Edições Vida Nova, 1992, numa seção intitulada “Inferências Injustificadas” (páginas 108-9)


Para uma pregação baseada neste estudo sobre Filipenses 4:13 veja:

“Será que realmente 'Tudo posso naquele que me fortalece'?”

Para uma meditação sobre Filipenses 4:13 veja:

"Posso TUDO?" do site iluminalma

Copyright © 2006 Dennis Downing e www.hermeneutica.com. Todos os direitos reservados.

Lição 07 - Tudo posso naquele que me fortalece

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

COMPROMISSO COM O CONTENTAMENTO (Filipenses 4.10-13)

Por David Demchuk

Paulo começa expressando sua alegria pela renovada preocupação dos filipenses para com ele. O acontecimento particular que causou esta explosão de alegria foi a vinda de Epafrodito com a oferta da igreja. A alegre reação de Paulo (apropriadamente traduzida como “regozijo”; Fee, 428) comunica sua gratidão. A magnitude de sua gratidão é salientada pela palavra “muito” (colocada como ênfase na frase). Paulo se regozijava “no Senhor”, uma expressão ligada à alegria expressa ao longo da carta (3.1; 4.4).

A frase “reviver a vossa lembrança de mim” tem várias implicações. A palavra “renovar” ou “reviver” ilustra o rejuvenescimento de uma árvore ou planta na primavera, após uma estação dormente. Paulo não está expressando algum lapso na preocupação dos filipenses para com ele, por esquecimento. Está sugerindo que embora sempre tenham cuidado dele, seus cuidados finalmente produziram frutos, uma obra tangível refletida pelas ofertas que lhe foram enviadas. A “lembrança” ou “preocupação” é a tradução de uma palavra comum na carta (phroneo; 1.7; 2.2,5). As palavras escolhidos por Paulo não falam somente sobre estar ciente das necessidades de alguém, mas também implicam uma aplicação prática deste pensamento. Por meio de suas ofertas, estavam de fato agindo para com ele conforme aquilo que lhes havia ensinado em relação ao tratamento mútuo entre os membros da comunidade de Filipos. Isto foi reforçado na parte final do verso 10, onde Paulo reconhece que os filipenses estavam realmente preocupados com ele, porém, faltava-lhes a oportunidade para expressá-lo.

Esta nota de consideração não surge do sentimento de alívio. O apóstolo não está dizendo: “Afinal, vocês me ajudaram; eu estava ficando desesperado!” Nos versos 11-14, Paulo ressalta ser livre da opressão da necessidade. Sua alegria não se deve a ter suas necessidades satisfeitas, mas ao fato de que a preocupação dos filipenses está fundamentada no Senhor. O relacionamento de Paulo com Deus tem-no conduzido a um senso de contentamento que transcende sua circunstância imediata. Os filósofos estóicos usaram a palavra “contentamento” (autarkes) para denotar o caráter desejável de uma pessoa que aprendeu a viver de maneira auto-suficiente. Este indivíduo seria capaz de viver uma vida livre da influência das circunstâncias e pressões externas. Para Paulo, este contentamento não consistia em auto-suficiência, mas, antes, na dependência de Deus. Foi o poder de Deus em sua vida que o capacitou a viver acima de suas circunstâncias presentes. Este contentamento foi “aprendido”, não de modo teórico, mas nas experiências através das quais Deus conduziu Paulo até este ponto em sua vida.

Paulo desenvolve este contentamento no verso 12. Experimentou tanto a necessidade quanto a abundância. (A palavra usada para “necessidade” aqui, é a mesma para humilhação de Cristo no capítulo 2.8; mas, devido a este contexto, provavelmente se refere à privação econômica). Ele então emprega dois conjuntos de verbos contrastantes para mostrar os extremos através dos quais experimentou este contentamento: quando estava bem alimentado, quando teve fome, quando viveu períodos de abundância e quando viveu e quando padeceu necessidades. Através de todas estas situações, descobriu o segredo do contentamento.

Em uma conclusão final, o verso 13 revela a principal fonte do contentamento de Paulo: “posso todas as coisas, naquele que me fortalece”. Este contexto do verso tem sido frequentemente transgredido, e esta verdade tem sido colocada a serviço de extravagâncias caprichosas. O apóstolo está claramente se referindo à grande variedade de suas experiências (v. 12). A importância do verso 13 é encontrada no fato dessa capacidade de Paulo lutar com as adversidades da vida não ter sido alcançada por meio da auto-suficiência (como os estóicos ensinavam), mas através da suficiência em Cristo. Este fortalecimento foi parte da experiência cristã contínua de Paulo e estava fundamentado em sua união com Cristo.

Texto extraído do Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, editado pela CPAD.

Leia mais sobre o assunto neste link.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Coisas que não fazem sentido na religião, na política, na filosofia...

Por Gutierres Fernandes Siqueira

01. Se o sentimento da culpa é um instrumento de opressão do cristianismo para escravizar os homens, como dizem os “foucaultianos de resenha”, então os psicopatas seriam serem seres livres e saudáveis? Ora, o psicopata não conhece o sentimento “opressor da culpa“.

02. Se toda verdade é relativa, então por que eu não posso relativizar o relativismo?

03. Por que todo grupo social que fala em “justiça social” a cada frase proferida costuma apoiar regimes totalitários? Ora, existe justiça na injustiça?

04. Por que os homens lutam pela preservação dos ovos das tartarugas marinhas, mas são a favor do aborto?

05. Por que o Rio de Janeiro tem mais “ONGs para cuidar de crianças de rua” do que, propriamente, crianças de rua?

06. Por que todos nós condenamos o hiper-arminianismo e pouco falamos do, igualmente herético, hiper-calvinismo?

07. É claro que não deve existir aula de religião em uma sociedade laica, mas então por que todos os alunos brasileiros são submetidos ao marxismo, ou seja, a religião política que tem até um profeta apocalíptico e barbudo?

08. Por que todos os pregadores da prosperidade ensinam a “doutrina da semente” e sempre andam na forca para pagar seus programas? A fórmula mágica não funciona para eles?

09. Por que o problema do mundo é sempre externo na mentalidade contemporânea? E a responsabilidade individual?


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Seminário Martin Bucer (SMB) no Brasil

Caros leitores, abaixo segue um informativo sobre o Seminário Martin Bucer no Brasil. É um projeto que o meu amigo Matias Heidmann idealizou juntamente com outros pastores e teólogos. O Blog Teologia Pentecostal apoia esse projeto. 

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"Seminário Martin Bucer (SMB) desenvolveu um currículo para fornecer ao líder cristão a possibilidade de aprofundar seus conhecimentos teológicos e práticos e ainda participar de uma efetiva rede de contato com outros líderes das mais diversas denominações brasileiras. Tudo isto sem comprometer sua agenda profissional, ministerial e, acima de tudo, familiar." Franklin Ferreira, diretor acadêmico do SMB.

INSCRIÇÕES ABERTAS!

Telefone: (0xx12) 3021-3013

E-mail: seminariomartinbucer@gmail.com


Quem são os professores? 

O corpo docente do SMB é composto de pastores e professores brasileiros, alemães e americanos, qualificados academicamente (a maioria com mestrado em teologia), com experiência ministerial e acessíveis ao aluno. Durante os encontros, os professores estarão disponíveis para aconselhamento e podem ser procurados para ajudar com a vida espiritual, relacionamentos familiares e desenvolvimento ministerial.

ALAN DOYLE MYATT Bacharel em História e Psicologia pela Vanderbilt University, Tennesse, EUA, Mestre em Divindades pelo Seminário Batista Conservador, Colorado, EUA, e Ph.D. em Estudos Religiosos e Teológicos pela Denver University/Iliff School of Theology, Colorado, EUA. Leciona teologia sistemática, apologética e ética cristã.

FRANKLIN FERREIRA Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Mestre em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. Atua como Consultor Acadêmico de Edições Vida Nova e Diretor Acadêmico do SMB (Studienleiter Brasilien). Leciona culto cristão, catequese pastoral, teologia sistemática, história da igreja, forma e estrutura da igreja e exposição bíblica do NT.

GILSON SANTOS DE SOUZA Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista Fluminense e Licenciado em Geografia e História pela Faculdade de Filosofia de Campos (FAFIC), em Campos dos Goytacazes-RJ, e atualmente cursao Bacharelado em Psicologia na Universidade Paulista (UNIP). É pastor da Igreja Batista da Graça, em São José dos Campos-SP. Leciona culto cristão, teologia sistemática, história da igreja, aconselhamento, ministério pastoral, pregação expositiva, forma e estrutura da igreja e exposição bíblica do AT e do NT.

JONAS MADUREIRA Bacharel em Teologia pelo Seminário Betel Brasileiro e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Bacharel e Mestre em Filosofia pela PUC-SP e doutorando em filosofia pela USP e pela Universidade de Colônia, Alemanha. É pastor da Igreja Batista Fonte de Sicar em São Paulo-SP e editor de Edições Vida Nova. Leciona teologia sistemática, apologética e exposição bíblica do AT e do NT.

JUDICLAY SILVA SANTOS Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. É pastor da Igreja Batista Betel de Mesquita-RJ. Leciona teologia sistemática, história da igreja, panorama bíblico do AT e exposição bíblica do AT.

KEN DAVIS Bacharel em Engenharia Eletrônica pelo Michigan Technological University, EUA, e Mestre em Teologia pelo Dallas Theological Seminary, Texas, EUA. É Diretor Executivo de Edições Vida Nova e presbítero da Primeira Igreja Batista em Jardim das Imbuias, São Paulo-SP. Leciona hermenêutica, pregação expositiva, forma e estrutura da igreja, exposição bíblica do AT e do NT e implantação de igrejas.

MARILENE FERREIRA Bacharel em Educação Religiosa pelo Instituto Batista de Educação Religiosa e Bacharel em Pedagogia pela UERJ. É coordenadora pedagógica do MBS. Leciona disciplinas na área de educação cristã no sistema in church training.

MATIAS HEIDMANN Bacharel em Teologia pelo Martin Bucer Seminar, Alemanha. Fez cursos teológicos no STH, em Basel, Suíça, e no Seminário Teológico Batista Nacional, em São Paulo-SP. Atualmente cursa MBA Banking na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo-SP. Leciona teologia sistemática, ética cristã e ministério pastoral.

PAULO CÉSAR DO VALLE Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil e Bacharel em Linguística pelo Centro Universitário Geraldo Di Biase, e atualmente cursa o Mestrado em Vernáculas na UFRJ. É pastor da Igreja Batista de Fé Reformada, em Volta Redonda-RJ. Leciona hermenêutica, panorama bíblico, língua e literatura, forma e estrutura da igreja e exposição bíblica do AT e do NT.

THOMAS SCHIRRMACHER é Mestre em Teologia pela Staatsunabhängige Theologische Hochschule Basel na Suíça, Dr.theol. pela Theological University of the Reformed Churches em Kampen, na Holanda, Ph.D. em Antropologia Cultural pela Pacific Western University, em Los Angeles, EUA, Th.D. em Ética pelo Whitefield Theological Seminary, Florida, EUA, e Dr.phil. em Sociologia da Religião pela Universität Bonn, Alemanha. É reitor do Martin Bucer Seminar. Leciona teologia sistemática, apologética e ética, especialista em sociologia da religião e atuante na área dos direitos humanos e liberdade religiosa.

TIAGO DOS SANTOS é Bacharel em Direito pela Universidade do Vale do Paraíba. Atualmente faz seu Mestrado em Divindade no Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É diácono da Igreja Batista da Graça, em São José dos Campos-SP e Editor-chefe da Editora Fiel. É o Deão do SMB. Leciona teologia sistemática, ética cristã, forma e estrutura da igreja e exposição bíblica do AT e do NT.

TITUS VOGT Lic. theol., Mestre em Teologia pela Staatsunabhängige Theologische Hochschule Basel, Suíça. É deão dos programas internacionais do Martin Bucer Seminar. Leciona hebraico, grego, teologia sistemática, história da teologia e ética cristã nos diversos centros de estudos do Martin Bucer Seminar.

WILSON PORTE JR. Bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e Mestre em Teologia pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É pastor da Igreja Batista Liberdade em Araraquara-SP. Leciona grego, hebraico, teologia sistemática, ética cristã, pregação expositiva, história da igreja e exposição bíblica do AT e do NT.
A quem se destina?

Aos interessados de fala portuguesa que residem ou não no Brasil. O SMB visa atender a demanda por parte de líderes evangélicos que estão inseridos no mercado de trabalho secular, mas ativamente estão envolvidos no ministério cristão e desejam aprofundar seus conhecimentos práticos e teológicos.

Por essa razão, os estudos são organizados de forma que permita que o estudante possa participar ativamente do curso sem comprometer sua agenda profissional, ministerial e, sobretudo, familiar. Evidentemente, ministros cristãos de tempo integral são igualmente bem-vindos para estudar conosco!

O Seminário Martin Bucer é vinculado a alguma organização?

O SMB é uma extensão do Martin Bucer Seminar (http://www.bucer.de/) na Alemanha. Seu alvo é equipar pastores e liderança cristã em geral para as igrejas evangélicas brasileiras. O SMB está aberto para firmar parceria e intercâmbio com igrejas locais do Brasil, EUA, Inglaterra e Alemanha, assim como com organizações evangélicas que sejam comprometidas com a fé cristã ortodoxa.

Que é o Martin Bucer Seminar na Alemanha?


O Martin Bucer Seminar é um seminário teológico reformado, fundado na Alemanha pelo teólogo Dr. Thomas Schirrmacher. Seu ensino está ancorado na fé reformada como exposta nas suas principais confissões de fé.

Hoje o Martin Bucer Seminar tem nove centros de estudo em cinco países do mundo (Alemanha, Turquia, Áustria, Suíça e República Tcheca). O MBS, sigla pela qual é conhecido, tem oferecido os graus de Bacharel e Mestre em Teologia, com ênfases de pesquisa nas áreas de ética, dogmática, estudos islâmicos, missões e liberdade religiosa.

Por que o nome Martin Bucer?

O reformador Martin Bucer, nasceu em Sélestat, na França, em 11 de novembro de 1491. Por meio da influência de Martinho Lutero, deixou o catolicismo em 1518. Foi atuante na região do Baixo Reno, na Alsácia.

Em 1549 ele aceitou lecionar na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, como professor de teologia, onde foi instrumental na segunda revisão do Livro de Oração Comum.

Morreu em Cambridge, Inglaterra, em 28 de fevereiro de 1551, aos 59 anos de idade, tendo influenciado fortemente as tradições luterana, calvinista, anglicana e puritana, sendo celebrado como um dos pioneiros do ecumenismo evangélico.

Foi tambêm o único reformador que procurou a unidade com os anabatistas e outros grupos independentes. Martin Bucer foi um fervoroso defensor da unidade da igreja.

Assim sendo, Martin Bucer é fonte de inspiração para o seminário, que quer contribuir para a unidade dos cristãos evangélicos, tendo como base a fé reformada e o estudo renovado da Palavra de Deus.

Se você mandar um e-mail para seminariomartinbucer@gmail.com você recebrá um PDF com esses e outros detalhes.

Martin Bucer Seminar: Startseite
www.bucer.eu

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Um download legal...


É apenas um dos títulos. 

A Editora Fiel e site Satisfação em Deus, a versão portuguesa do site Desiring God, estão disponibilizando alguns livros escritos pelo pastor John Piper. O pastor Piper já tem esse interessante costume de disponibilizar livros gratuitos em seu site, mas eram somente em língua inglesa. Com essa parceria com a Editora Fiel algumas traduções interessantes, como o livro Penetrado pela Palavra, estão disponíveis, legalmente, para download.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Lição 06 - A prosperidade dos bem-aventurados

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

SERMÃO DO MONTE

As passagens em Mateus 5.1 – 7.29 e Lucas 6.20 – 7.1 receberam esta designação desde o início do século IV d.C., dada por Agostinho em seu comentário (De Sermone domini in monte). O discurso foi feito em alguma colina, provavelmente no planalto elevado da Galileia. Uma tradição do século XIII considera o episódio como ocorrido em um local conhecido como “chifres de Hattin”. A importância do prefácio consiste na expressão “vendo a multidão”. Percy C. Ainsworth observa: “O grande comentário sobre o Sermão do Monte é a vida – a vida como todos nós devemos viver – o pão cotidiano, a simples comunhão, a fadiga trazida pelo próximo, e as lágrimas”.

O Sermão começa com as Beatitudes (Mt 5.3-12) nas quais o Senhor Jesus mostra que conhece bem o significado da vida e como ela deve ser vivida, mostrando que a resposta para a busca universal pela felicidade só pode ser encontrada à medida que os homens se identificarem com o reino de Deus [...].

Neste sermão – que Lord Acton definiu como a verdadeira revelação de uma sociedade moralmente nova – o Senhor Jesus contrasta ideias espirituais que sustentam a conduta moral adequada, com as exigências meramente exteriores da lei. Ele ensina que a ira que traz como fruto o assassinato é errada; que a reconciliação com um irmão é mais essencial do que o desempenho de atos exteriores de adoração; que o cultivo de pensamentos lascivos tornam as pessoas tão culpadas quanto a prática do próprio adultério; que seus seguidores devem ser extremamente comprometidos com a verdade, a ponto de os juramentos tornarem-se desnecessário; que a vingança é maligna; que os inimigos, assim como os amigos e benfeitores, devem receber nosso amor; que destacar os defeitos da vida dos outros, e tentar remodelar a vida destes de forma intrometida, e tudo isto através de uma atitude de censura, são repreensíveis; que o exercício da piedade como a doação de esmolas, as orações, e o jejum devem ser destituídos de ostentação; que o cristão só pode ter um Senhor.

Muitas passagens notáveis podem ser destacadas neste sermão. Existem as parábolas que falam da luz interior (Mt 6.22,23), e das duas casas (Mt 7.24-27). A oração do Senhor, citada por Mateus, em sua primeira seção trata dos deveres para com Deus, e, na sua segunda, trata dos deveres para com o próximo. O Senhor Jesus preparou este modelo a partir de um contexto judaico, dando um exemplo de como a alma, mesmo com poucas palavras, pode falar com Deus [...].

A “regra áurea” (Mt 7.12) foi assim chamada no século XVIII por Richard Godfrey e Isaac Watts. Willian Dean Howells em seu romance Silas Lapham (1985) usou esta frase que agora nos é familiar. Este princípio de reciprocidade, que de acordo com Wesley é recomendado pela própria consciência humana, tornou-se a base do sistema ético de John Stuart Mill. Este princípio também é refletido na afirmação de Kant de que a pessoa deve agir como se sua regra de conduta estivesse destinada – pela força de sua vontade – a se tornar uma lei universal da natureza. A diferença entre a ordem categórica de Kant e a “regra áurea” de Cristo é que a ordem de Kant não tem conteúdo, enquanto Cristo resume o conteúdo da segunda tábua da lei moral de Deus. O Senhor Jesus Cristo exemplificou a “regra áurea” na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25ss.).

Texto extraído do “Dicionário Bíblico Wycliffe”, editado pela CPAD.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Se a vida fosse tão simples como a soma de dois mais dois...

Será que essa conta bate?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O cartaz acima foi compartilhado por milhares de evangélicos no Facebook. Mas eu resumiria a mensagem do cartaz em uma única palavra: ingenuidade.

Bem, se eu interpretei direito o cartaz, então temos o seguinte: a) Uma vida devassa e regada a baladas e “mundanidades” resulta em solidão no final da vida. b) O namoro casto e crente resulta em um casamento duradouro e, sendo o melhor, uma garantia de companhia no final da vida.

É verdade? Eu respondo: nem sempre!

A vida não é uma soma simples. A nossa vida é mais complicada do que admitimos. Não é uma mera lei de “causa e efeito”.

Mas você pode argumentar que a minha frase acima contradiz Gálatas 6.7-9, que diz:

Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos.

Opa, a leitura atenta do texto paulino não ensina uma “lei de causa e efeito”. O que Paulo nos ensina é a “lei da semeadura”. Se a “lei da semeadura” fosse uma simples “causa e efeito” a semente jogada na terra sempre geraria frutos, mas sabemos que a semeadura não é tão simples assim (cf. Marcos 4. 1-9).

O êxito de uma semeadura depende de uma semente plantada, é óbvio, mas também de uma terra boa, limpa, regada etc. E tudo isso na medida certa, ou seja, nem mais nem menos. O agricultor sofre com a seca e com a chuva demasiada e sofre com a terra com pedras ou excessivamente adubada.

Portanto, achar que um simples namoro cristão resultará em uma velhice equilibrada é pura ingenuidade. Alguns até pensam que o “sacrifício da virgindade” resultará em bênçãos contínuas de Deus sobre o casal “fiel”. O namoro casto e cristão é só o primeiro desafio desse casal, mas não o único. A velhice sossegada dependerá de vários percalços vencidos no decorrer da vida em casal. E, muitas vezes, até o nascimento de um filho pode gerar crise em um casamento.

Veja que é justamente isso que Paulo fala no contexto: “E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos”. Portanto, de nada adianta começar um namoro cristão e terminar com um casamento pagão. É semente jogada em terra estéril, como diz a parábola do semeador, cujo contexto é a pregação do Evangelho, quando escreve: “Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda. Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz” (Marcos 4. 5-6).

Eu, pessoalmente, conheci dois casais que todos adjetivavam como “abençoados” e eram frutos de “namoros exemplos”. Mas, infelizmente, são dois divórcios que aumentaram as estatísticas de “separações não amigáveis”. E foram divórcios dolorosos. E ambos foram escolhas erradas de um dos pares. O par que foi vítima certamente pensava que o seu casamento cristão seria todo esse sofrimento? É claro que não, mas a escolha errada do cônjuge foi como a contingência de uma chuva forte que destrói toda a plantação que uma primeira chuva, na medida, ajudara a regar.

A vida humana é batalha contínua. A semeadura precisa destruir inúmeras barreiras. Não é um processo como a soma de dois mais dois.

E o casal “baladeiro” acabará na solidão? Depende. A vida de arrependimento e a misericórdia do Senhor vivem de quebrar a lei da semeadura, pois uma semente podre é substituída por uma semente sadia. É a graça trazendo vida onde havia colheita de morte (cf. Efésios 2. 1-9). Não é à toa que Jesus escreveu: "Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos” (Mateus 20. 16).

Semeadura contínua? Sim. Ingenuidade com a complexidade da vida? Nunca!