sábado, 31 de março de 2012

Apocalipse, a Revelação de Jesus Cristo

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Abaixo segue um esboço que preparei para a Escola Bíblica Dominical. Nesse domingo estudaremos a Lição 01: Apocalipse, a Revelação de Jesus Cristo. No final segue uma bibliografia.



O LIVRO DO APOCALIPSE

     ESBOÇO AUTOR           TEMA            DATA                   PROPÓSITO

Prólogo (1. 1-8)



I. 1.9-3.22- O Senhor Glorificado e Suas Igrejas



II. 4.1- 11.19- O Digno Cordeiro e Seus Feitos no Desfecho da História.



III. 12.1- 22.5- Deus Pai e Cristo, no Grande Conflito com Satanás.



Epílogo (22.6-21)
João, o apóstolo é provavelmente o autor do último livro das Sagradas Escrituras. O mesmo autor do Evangelho Segundo João e das três epístolas universais que levam o seu nome. O apóstolo era conhecido no segundo século como “João, o teólogo”. A Consumação do Conflito dos séculos (numa pespectiva futurista).

O conforto de Deus para os corações perseguidos (numa pespectiva preterista).
Cerca de 90-96  d.C.

Alguns estudiosos apostam que o livro é pós-Nero, ou seja, escrito entre 68-69 d.C.
Há um tríplice propósito no livro: (1) Revelar os desvios doutrinários das igrejas da Ásia. (2) Fortalecer a fé e a firmeza na fidelidade a Cristo. (3) Dar aos crentes uma perspectiva divina na revelação do desfecho na história humana.





PRINCIPAIS ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE
Escola Preterista- O Apocalipse é a descrição de eventos passados, especialmente do primeiro século da Era Cristã.

Escola Histórica- O Apocalipse é uma visão panorâmica da história entre a primeira e segunda vinda de Cristo.

Escola Futurista- O Apocalipse é profético e, portanto, é uma descrição do futuro que ainda não aconteceu.

Escola Idealista (Poética)- O Apocalipse é meramente simbólico, místico e alegórico. É a representação da luta entre o bem e o mal, onde o bem triunfa para o conforto dos corações perseguidos.



O Apocalipse é do gênero do Apocaliptismo. A literatura apocalíptica centralizou na crença da iminente intervenção de Deus mediante o grande sofrimento do seu povo, ou seja, são textos que surgem em momentos de grande tensão social. É uma literatura cheia de símbolos, dualismos, inversão da ordem estabelecida e a crença que Deus acaba com o caos presente. Como literatura, o Apocalipse é epistolar, alegórico e com descrições de rituais de adoração judaica.



O que o Apocalipse não é?

Alguns conceitos distorcidos sobre o livro do Apocalipse (do grego, a Revelação)
O Apocalipse não é Cabala. O Apocalipse não é um livro misterioso que precisa de um dom (intuição especial) para revelar mistérios. Não é um guia astrológico ou tabela de números egnimáticos. O Apocalipse não é meramente um livro sobre o futuro. “Este livro foi escrito para nos ensinar a viver com Deus no presente e não para fornecer matéria-prima para vãs especulações sobre o futuro”. O livro é sobre o presente (encorajando o bem) e o futuro (alimentando a esperança e desencorajando o mal).
O Apocalipse não é um livro aterrorizante. O propósito do Apocalipse, pelo contrário, é de conforto aos corações dos cristãos perseguidos pelos tiranos. O Apocalipse é profético, mas não um visionário frenético e detalhista. As profecias não têm o propósito de ser um guia sobre eventos futuros, mas sim para lembrar a consumação do triunfo de Cristo.
O Apocalipse não é numerologia. Os números no livro não podem ser espiritualizados. Os números são parte de suas figuras.O Apocalipse não é o único livro apocalíptico. O Antigo Testamento é farto em literatura apocalíptica, como Daniel, Isaías, Ezequiel e Zacarias.
O Apocalipse não tem tribulações como o centro da sua mensagem, mas sim a pessoa de Jesus Cristo. O Apocalipse, como toda Escritura, tem o propósito de mostrar a Glória de Deus. O Apocalipse não é um livro literal, excetuando-se alguns trechos. É um livro de simbologias de difícil interpretação para o leitor contemporâneo. O livro contém espítola.



Bibliografia:


AUNE, D. E. Apocaliptismo em: HARWTHORNE, Gerald F.; MARTIN P. Ralph e REID, Daniel G. Dicionário de Paulo e suas Cartas. 2 ed. São Paulo: Paulus, Edições Loyola e Edições Vida Nova, 2008.

BRUCE, F. F. Apocalipse. em: BRUCE, F. F. (org.) Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamentos. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2008.

GOUVÊA, Ricardo Quadros. O Anticristo na Bíblia e na História. 1 ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2011. 

JENNEY, Timothy P. Apocalipse em: ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 

LADD, George. Apocalipse: Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1980. 

MAUERHOFER, Erich. Uma Introdução aos Escritos do Novo Testamento. 1 ed. São Paulo: Vida, 2010.

MORRIS, Leon L. Livro do Apocalipse em: DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. 3 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2006. 

MORRIS, Leon L. Teologia do Novo Testamento. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2003. 

MURRAY, George R. Beasley. Apocalipse em: CARSON, D. A. (org.) Comentário Bíblico Vida Nova. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2009. 

STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

quinta-feira, 29 de março de 2012

O que o Apocalipse não é?

Não confunda o profeta João com o lunático Nostradamus!
Por Gutierres Fernandes Siqueira


Neste segundo trimestre de 2012 estudaremos, nas escolas dominicais de confissão assembleiana, o último livro da Bíblia: o Apocalipse de João.

Estudar o livro das revelações será uma rica oportunidade para apresentar o que o Apocalipse não é. Infelizmente, a Igreja Evangélica Brasileira está contaminada por uma escatologia de matriz popular e espetacular sem a devida reflexão bíblica e desprovida de uma exegese bem trabalhada.

O que o Apocalipse não é?

1. O Apocalipse não é Cabala. O livro não pode ser interpretado como um manual de códigos misteriosos que precisam de uma intuição apurada para abraçar verdades ocultas. O Apocalipse não é “uma tabela de enigmas matemáticos ou um almanaque astrológico divinamente inspirado” [1]. A simbologia do Apocalipse não é de fácil interpretação, mas como lembrava o teólogo F. F. Bruce: “mesmo que em alguns aspectos tenhamos perdido totalmente a chave para a compreensão do texto, as linhas gerais da mensagem são suficientemente claras” [2]. A dificuldade em analisar símbolos, imagens e figuras não justifica nenhuma interpretação exótica e rica em criatividade ficcional.

2. O Apocalipse não é numerologia. As análises dos números no Apocalipse certamente são parte importante da interpretação dos símbolos e figuras. Mas é certamente temoroso qualquer espiritualização dos números classificando-os como divinos. A tendência supersticiosa é forte na numerologia.

3. O Apocalipse não é um livro aterrorizante. A revelação bíblica não é baixa literatura de terror. Quantos dizem ter medo de ler o último livro da Bíblia? Já ouvi de uma professora de literatura a confissão desse temor. Quem assim pensa esquece que o Apocalipse foi escrito para o conforto dos cristãos que eram duramente perseguidos pelos governadores tiranos de Roma.

4. O Apocalipse é profético, mas não frenético e detalhista. Há quem veja a União Soviética (que nem existe mais), a União Europeia, o papa João Paulo II (que já morreu), a queda das Torres Gêmeas, a China (seria o dragão?) e outros fatos históricos, geopolíticos e religiosos nas páginas do Apocalipse. É quem quer ler o jornal do dia nas profecias de João. É o desejo estranho ao cristianismo de adivinhar detalhes do futuro. Infelizmente, para muitos evangélicos o Apocalipse é uma espécie de Nostradamus.

5. O Apocalipse tem Cristo como tema principal. Como Sagradas Escrituras o livro não poderia de deixar a ênfase na supremacia de Cristo. O foco do livro não são tribulações, mas sim a pessoa de Jesus Cristo.

Referências Bibliográficas:

[1] BRUCE, F. F. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamentos. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2008. p 2214.
[2] BRUCE. Idem. pp 2212 e 2213.

terça-feira, 27 de março de 2012

Verdade e Pluralidade

O Dr. William Lane Craig, filósofo e apologeta cristão mundialmente conhecido, proferiu a palestra "Verdade e Pluralidade" no auditório da Universidade Mackenzie, no dia 20/03/2012.



Leia, também, a entrevista do filósofo para o site da revista Veja. Link aqui.

domingo, 25 de março de 2012

O que é teologia da prosperidade?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Esboço preparado para ministração de aula na Escola Bíblica Dominical na Assembleia de Deus em Cubatão (SP).

O que é teologia da prosperidade?

É um movimento surgido nas primeiras décadas do século XX nos Estados Unidos da América entre os primeiros pentecostais. Sua doutrina afirma, a partir da interpretação equivocada de alguns textos bíblicos como Gênesis 17.7, Marcos 11.23-24 e Lucas 11.9-10, que os que são verdadeiramente fiéis a Deus devem desfrutar de uma excelente situação na área financeira, na saúde, na família etc. É também conhecido como Confissão Positiva e Movimento da Fé. A sua versão mais light (leve) é conhecida como Triunfalismo.

Principais ensinamentos

O cristão tem que ser próspero financeiramente e livre de qualquer enfermidade.É danoso declarar algo negativo.Os vocábulos logos e rhema são distintos
No texto de Isaías 53. 4,5, Deus promete curar todas as enfermidades.Toda enfermidade procede do diabo e é consequência da falta de fé ou do pecado na vida do crente.Toda enfermo está possesso por um demônio na sua alma e no seu corpo.
Deus nunca diz “não” às orações de fé.Devemos orar apenas uma vez. Oração repetida é falta de fé.Sofrimento é falta de fé e a pobreza não combina com a posição de “filhos do Rei”.

Principais teorias

Incubação (visualização)Especificar detalhadamente a bênção
Poder criativo da palavra faladaDivinização humana
Fórmula de FéDeterminação

Quem foi o “fundador” dessa doutrina?


Um pastor norte-americano, de origem metodista, chamado Essek William Kenyou (1867-1948). Ele foi influenciado pelas ideiais de Mary Baker Eddy, fundadora da seita Ciência Cristã. A seita ensinava que a matéria não existia e que a doença e o pecado poderiam ser curados com “pensamentos positivos”.

Quem foi o principal divulgador dessa doutrina?


O grande pregador da Teologia da Prosperidade foi o pastor norte-americano Kenneth Hagin (1917-2003). Muito doente aos 16 anos, ele disse que visitou o céu e o inferno três vezes quando se converteu a Jesus Cristo. Além disso, o próprio Cristo, em pessoa, relevou para ele novas verdades sobre a fé. Essas novas verdades ficaram conhecidas como a Fórmula da Fé ensinada no livro O Nome de Jesus (Graça Editorial).

A Fórmula da Fé.

“Creia no seu coração, decrete com a boca e será seu (tomar posse)” (Kenneth Hagin). A formula de fé está associada a determinação: “eu determino...”.

Principais equívocos

Privilegia a fé “para ter” em detrimento da fé “para viver”.Coloca a emoção como fonte de fé. Idolatra a fé que gera ansiedade pelo ter.
Coloca todo o peso da realização nas palavras pronunciadas e na atitude mental rigorosamente mantida, em vez de apoiar-se no fato de que a fé que temos vem de Deus.Obriga Deus a fazer nossa vontade baseada na ideia de que a fé é um poder que podemos utilizar a fim de influênciá-lo.Ênfase demasiada no ter.
Reduz a perspectiva ética da prosperidade à mesquinhez das coisas terrenas. Associa sucesso à espiritualidade. Ensina que o cristão está isento de derrotas.

Hermenêutica da Teologia da Prosperidade


A hermenêutica dos “evangelistas da fé” é uma leitura pobre e distorcida do Antigo Testamento. Veja o porquê.

Por que as promessas de “prosperidade material” no Antigo Testamento não são para os nossos dias?

1. Porque hoje Deus não trabalha com uma nação específica, como era Israel no Antigo Pacto, mas sim com a Igreja. Hoje todos aqueles que aceitam o sacrifício de Cristo são o Israel de Deus (Gálatas 6.16).

2. Algumas promessas bíblicas foram feitas para indivíduos específicos. A promessa de Deus para um personagem bíblico não significa o mesmo para nós. Exemplo é Abraão em Gênesis 12.2: “Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teunome; e tu, sê uma bênção”. É claro que nenhum de nós pode reivindicar essa promessa.


3. Algumas promessas bíblicas foram feitas somente para a nação de Israel. Exemplo disso é o famoso capítulo de Deuteronômio 28.1-68.

4. Em nenhum texto do Novo Testamento a saúde perfeita ou a prosperidade material é prometida como fruto da obediência a Deus. As “promessas” do Novo Testamento são perseguições e provações. Como disse Paulo: “E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3.12). Leia também Mateus 5. 10-11. e Marcos 10. 29-30.

5. Os versos de sabedoria contidos em Provérbios não podem ser traduzidos como promessas. O livro de Provérbios mostra princípios gerais observados sobre o cotidiano e a vida das pessoas. Um exemplo está em Provérbios 24.25, que diz: “mas para os que julgam retamente haverá delícias, e sobre eles virá copiosa bênção”. De fato, como observa o Rei Salomão, os que julgam retamente desfrutam de delícias derivadas da justiça. É uma observação que Salomão viu na vida dele e de muitos outros, mas essa observação não é uma promessa. O autor quer dizer que a prática da justiça conduz normalmente para uma vida de delícias, mas isso não é automático. É possível praticar a justiça e desfrutar de amargura. Jesus mesmo disse: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça” (Mateus 5.10). Nenhuma perseguição é uma delícia. Portanto, os versos dos provérbios devem ser vistos como princípios gerais e não como promessas automáticas.

6. Os conceitos de alguns personagens registrados na Bíblia não significam promessas bíblicas. O maior exemplo está no livro de Jó. Muito do que é dito pelos amigos de Jó depois é contestado pelo próprio Deus no início ou no final do livro. Para Bildade, por exemplo, Jó sofria aquele mal porque não era justo: “Se fores puro e reto, certamente mesmo agora ele despertará por ti, e tornará segura a habitação da tua justiça” Jó 8.6. O próprio Deus testemunhou a justiça de Jó (1.8). Bildade estava errado, mas as palavras deles estão registradas para entendermos a história e não para aplicarmos os seus conceitos equivocados para os nossos dias.

7. A chave de compreensão do Antigo Testamento passa por Jesus Cristo. A Bíblia diz: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo” (Hebreus 1. 1-2) A chave de interpretação das promessas do Antigo Testamento precisam ser feitas a partir de uma leitura geral das Escrituras.

8. A Bíblia é mais do que um livro de experiências. O esquema “espiritualize, alegorize e devocionalize” não serve para todos os textos bíblicos e pode distorcer o conteúdo de muitos textos. É necessário um exercício de correta interpretação do texto bíblico levando em conta o contexto imediato, a gramática, o tempo, o tipo de literatura, o contexto histórico, as interpretações históricas etc. Exemplos dessas contextualizações abusivas são as campanhas neopentecostais, tais como “318 pastores”, “Ano de Elias”, “Jejum de Sansão” etc.


Bibliografia:

LIMA, Paulo César. O Que Está por trás do G12. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000. p 57-75.

LUTZER, Erwin W. Quem é Você para Julgar? 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p 64-66.

RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 19-27.

ROMEIRO, Paulo. Decepcionados com a Graça. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2005. p 117- 131.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Lição 13 - Somente me Jesus temos a verdadeira prosperidade

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

O VIVER EM PLENITUDE ― MUITO ALÉM DAS TEOLOGIAS DA PROSPERIDADE E DA MISÉRIA

Por José Gonçalves 

Justo Gonzáles, historiador da Igreja e teólogo, ao fazer um mapeamento sobre a pobreza na história do cristianismo, observou que a tradição cristã sempre sustentou que a pobreza, no sentido literal de carecer dos recursos necessários para a vida como o alimento, o abrigo, as vestes, etc., não é resultado da vontade de Deus, mas do pecado ― mesmo que não necessária ou exclusivamente o pecado dos pobres. Na literatura patrística, em geral, fala-se da pobreza como resultado da riqueza extrema e do uso egoísta do poder por parte de alguns e exorta, repetidamente, os cristãos a compartilharem seus bens com os necessitados. Durante a Idade Média, tais exortações eram tão radicais como foram antes e, portanto, limitava-se a convidar os ricos a darem esmolas aos pobres. Depois da Reforma, conforme o capitalismo se desenvolveu, popularizou-se a ideia segundo a qual os pobres o são como resultado de suas decisões, de sua desídia e sua falta de criatividade, enquanto os ricos o são graças às próprias qualidades.

[...] É fácil perceber que dentro da tradição cristã quando o assunto tratado é um viver próspero, quer seja através da posse de bens materiais, quer seja do desfrutar de saúde plena, não há unanimidade de pensamento. Muitos acreditam que uma vida abundante deve suprimir toda dor, pobreza e sofrimento. Por outro lado, outros acreditam que não se deve possuir nenhum bem material, mas viver em completa pobreza. Todavia a resposta para esse conflito de ideias passa necessariamente por um entendimento correto sobre o valor das realidades material e espiritual. Como um ser com espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23), o homem possui necessidades tanto materiais como espirituais. A vida abundante não nega o valor dos bens materiais, afirmando a supremacia do espírito sobre a matéria, e, dessa forma, considerando pecado a aquisição de bens ou posses. Por outro lado, não nega também o valor das coisas espirituais, afirmando que a matéria seja a única realidade existente e que a busca dos valores espirituais são desnecessários. A Bíblia mostra a necessidade de se buscar um equilíbrio entre essas duas realidades.

Texto extraído da obra “A Prosperidade à Luz da Bíblia”, editada pela CPAD.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Macedo versus Valdomiro e os novos ricos da fé alheia!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A briga entre dois falsos profetas não deve ser preocupação nossa. O sujo falando do mal lavado só mostra a falência moral daqueles líderes religiosos que ficam ricos com dinheiro de dízimos e ofertas. Agora, a forma escusa como o dinheiro é tratado, mesmo em denominações mais antigas, deve ser objeto de preocupação e zelo. Infelizmente, a riqueza com dinheiro de igrejas não é exclusividade dos neopentecostais.

Quantas rádios e emissoras evangélicas foram construídas com dinheiro de ofertas e hoje, como grandes empresas, geram lucros para uma diminuta diretoria? As emissoras evangélicas não deveriam ser como empresas tradicionais, pois o capital inicial não foi fruto de um único empreendedor. O sujeito vira dono de uma empresa que ele levantou com o dinheiro alheio sem pagar dividendos. Isso é no mínimo imoral.

Portanto, é triste saber que os Macedos e Valdomiros não são os únicos a lucrarem com um pseudoevangelho. Há muitos líderes denominacionais que vivem uma vida com grandes regalias. De onde vem o dinheiro?

Um pastor pode ser rico? É claro que sim. Mas ele deve ser rico apesar do ministério, mas não por causa do ministério. Se o pastor é um advogado de sucesso ou vem de uma família empresarial, logo não há imoralidade. O grande problema é um pastor ficar rico com dinheiro da igreja. E há muitos.

domingo, 18 de março de 2012

O cristão, a universidade e os desafios do presente século!

Novos tempos! Novos desafios!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

É ainda comum pensar que o principal desafio do jovem cristão na universidade seja o ateísmo militante dos professores incrédulos. Talvez isso fosse verdade na década de 1970 e 1980, ou seja, o período que os teólogos-apologistas estudaram. Mas hoje a realidade é outra, completamente outra.

Ainda há professores ateístas, mas não em número suficiente para afirmar que a universidade brasileira seja um templo do ateísmo. Na minha opinião, o principal desafio do cristão universitário não é intelectual, mas sim moral. É o hedonismo. É a "farra" como modo de vida. É o relativismo prático. Aliás, é um desafio que passa pela universidade, mas nasce intensamente no Ensino Médio.

Mas não há desafios intelectuais? Sim, há. Os principais dogmas contemporâneos, como o relativismo e o politicamente correto, são abundantes nas universidades, mas a pregação é ouvida também nas redes de televisão, nas redes sociais, nas conversas de bar e no próprio Ensino Médio. Os dogmas das universidades já são conhecidos mesmo antes que o jovem vire um universitário. A questão intelectual, eu insisto, é menor.

Eu sei que minha experiência não é parâmetro de metodologia científica, mas eu nunca conheci um universitário cristão que se desviou por desafios intelectuais. A minha geração abandona mais o cristianismo por causa da loira do bar do que pelo barbudo Karl Marx. Os jovens que conheço são mais atraídos pelo relativismo moral prático do que pelo relativismo teórico dos filósofos pós-modernos. E eles são relativistas não porque leem Friedrich Nietzsche, mas sim porque assistem Pânico na TV. Sim, não há sofisticação nesse relativismo.

Talvez a única exceção seja entre os estudantes de teologia, mas aí é assunto para outro post.

Eu nunca esqueço quando apresentei um trabalho para o meu professor de filosofia, um homossexual assumido e especialista em Nietzsche. Eu disse para ele que faria um paralelo entre o filósofo prussiano e Richard Dawkins, o papa do neoateísmo. Ele me respondeu: "Nossa, esse Dawkins é um boçal. Sua pregação é terrível. Acho que todos nós devemos ter uma espiritualidade". Seria o ateísmo essa ameaça toda? Precisamos ler melhor os nossos tempos. Não digo que hoje estejamos melhor ou pior, mas os tempos mudam e os desafios também.

sábado, 17 de março de 2012

Lição 12 - O propósito da verdadeira prosperidade

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

VIDA COMPARTILHADA


Por Cheryl Bridges Johns e Vardaman W.White

Snyder descreve a vida compartilhada como “passar tempo juntos” e diz que “tal vida encontra seu real significado no equilíbrio da adoração, nutrimento e testemunho compartilhados”. Talvez na expressão “vida compartilhada” esteja o significado encapsulado da koinonia. “Compartilhado” implica pluralidade; deve haver mais de um para compartilhar. “Vida” é singular. As vidas não são tanto compartilhadas quanto a vida é compartilhada. Koinonia é uma unidade orgânica composta de muitas pessoas. As pessoas testemunham com o objetivo de edificação, adoram juntas, participam de uma essência, buscam uma experiência, contam a mesma história, olham para o mesmo futuro, professam a mesma esperança. Compartilham da única vida. Contudo, as pessoas permanecem distintas, trazendo suas próprias histórias para uma história, trazendo suas próprias características para uma essência.

Tanto o concerto quanto a vida compartilhada fornecem integridade. Para McClendon, integridade “significa a sociedade não apoiada principalmente em mentiras; significa oportunidade para a educação que nutre a sinceridade da mente, o exame crítico das crenças atuais, maneiras coerentes ou integrantes de pensamento para cada um consistente com o próximo item a seguir, a liberdade espiritual plena”. Para que a integridade seja nutrida, os indivíduos têm de se comprometer mutuamente e compartilhar suas vidas uns com os outros.

Tal compromisso e compartilhamento também conduzem à lealdade. Lealdade não é obediência cega ou confiança ingênua, mas fidelidade crítica originada da veracidade comprovada na prova. Hauerwas escreve: “Nenhuma sociedade pode ser justa ou boa se tiver sido construída na falsidade. A primeira tarefa ética social cristã é [...] ajudar o povo cristão a formar sua comunidade consistente com sua convicção de que a história de Cristo é um relato verdadeiro de nossa existência”. Os indivíduos são leais uns aos outros e a Deus quando sabem que sua comunidade está baseada no que é verdadeiro e que suas crenças são verdadeiras.

A integridade e a lealdade são, então, recíprocas. O cristão e a comunidade têm integridade e tornam-se leais sendo verdadeiros à historia de Cristo; Deus tem integridade e demonstra lealdade fornecendo uma história que é verdadeira.

Texto extraído da obra “Panorama do Pensamento Cristão”, editada pela CPAD.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Fé, Razão e Sentimentos

Devemos empregar o melhor de nossa razão para conhecer quais são as verdadeiras Escrituras canônicas, para expandir o texto para traduzi-lo verdadeiramente, para agregar inferências exatas e justas das declarações das Escrituras, e então aplicar tudo isso em questões de doutrina e adoração. [Richard Baxter]
Por Rick Nañez 

Em nossa revolta contra a razão, mudamos a “fé de uma vez por toda confiada aos santos” (Jd 3) e fracassamos em nos preparar para defender essa fé.

Embora a razão, a lógica e o pensamento crítico não sejam nossas únicas ferramentas, sem eles somos inclinados a interpretar erroneamente a palavra de Deus, possuindo zelo sem conhecimento e utilizando de modo equivocado os dons celestiais.

Ondas de romantismo, relativismo e individualismo têm desencadeado uma ênfase crescente no sentimento em prejuízo do pensamento, na emoção em detrimento da doutrina e na experiência em detrimento do intelecto.

Onde quer que esses valores encontrem adeptos,encontram-nos à custa de se atirarem fora os lemes da razão. Conseqüentemente, isso leva muitos cristãos às correntes da desobediência, para dentro do grande mar da subjetividade, onde nuvens carregadas de misticismo ditam a jornada espiritual.

Quando isso ocorre, ventos turbulentos de meias verdades sopram, empurrando os náufragos indefesos contra os penhascos violentos da confusão e da espiritualidade insensata.

É uma pena que tão poucos autores pentecostais- carismáticos escrevam sobre a a natureza e os perigos do misticismo e da intuição subjetiva.

Com essa lacuna, parecemos dizer que o problema é raro em nosso meio ou que é comum, todavia insignificante. O misticismo é, de maneira geral, o modo de julgar a verdade e a realidade por meio de sentimentos, impressões e experiências pessoais, formulando assim a visão de vida e ditando as decisões de alguém.

Aqueles que abordam a vida espiritual desse modo freqüentemente assumem “que sabem que sabem” e se colocam acima do escrutínio da razão e dos bons conselhos.

Mesmo quando a “verdade” acolhida por eles não é aceita, tendem a questionar a não aceitação ou alterar a “verdade” de modo que se ajuste ao que tem que ser.

Em sua avaliação, a impressão que eles têm apresenta autoridade porque vem de seu interior; e, como vem do interior, deve ter a autoridade do Espírito Santo; e, sendo do Espírito Santo, essa voz não mente.

Esse tipo de raciocínio circular não apenas prejudica o testemunho cristão como também causa tremenda dor de cabeça para amigos, familiares e congregações que ficam refém de tais absurdos.

Qualquer um de nós provavelmente consegue se recordar de numerosas ocasiões estranhas que presenciamos de numerosas ocasiões estranhas que presenciamos como resultado de fortes impressões questionáveis, intuição pessoal e vozes interiores. Isso mostra o tipo de loucura que pode ocorrer quando se descarta a razão.

Não podemos esquecer também, das multidões que se sentem firmemente guiadas por Deus a determinada igreja, mas que, convenientemente, não se envolvem com ela e se sentem à vontade para ir para outra igreja poucas semanas depois.

É de vital importância crermos que o Espírito Santo ainda fala ao corpo de Cristo e que o direcionamento pessoal é um dos métodos pelo qual Deus dirige seus filhos. Há algo de errado conosco se não nos alegrarmos diante do pensamento de sermos conduzidos pelo Espírito de Deus.

Entretanto, há também algo de errado se rejeitamos nossa razão, confundindo cada firme opinião interna com a voz de Deus, fundamentando assim nosso sistema de crença em fenômenos sobrenaturais ininterruptos (reais ou imaginários).

Certamente devemos estar abertos a acontecimentos extraordinários, mas devemos acreditar apenas no que é claramente ensinado nas Escrituras.

Teste cada espírito, avalie todas as coisas, e, evite todas as formas de ser diferente, porque na maioria das vezes isso é mera vaidade.

Precisamos ser cuidadosos para não seguir toda unção interior (especialmente quando essa é egoísta), não nos inclinarmos a buscar sinais e maravilhas e não nos desvencilharmos da lógica e da razão como se elas fossem inimigas do sobrenatural.

Os dois grandes extremos entre os quais devemos operar são o ato de apagar o Espírito por um lado e o sensacionalismo pelo outro.

Devemos conhecer nossas próprias fraquezas e tendências a fim de trazer equilíbrio para nossa vida espiritual. Sem estar aberto a outras visões e sem honestidade diante dos próprios preconceitos, uma pessoa nunca conseguirá descobrir tal equilíbrio.

Há muito trabalho a ser feito a fim de dar assistência adequada aos seguidores do Evangelho, para que tenham uma vida plenamente consciente e correta em uma sociedade tão enganadora e confusa.

Um dos primeiros passos para se atingir esse objetivo é ajudar nosso povo a perceber que razão e fé não são inimigas mortais, ensinando-os também a limitar suas convicções doutrinárias ao campo dos ensinamentos bíblicos explícitos.

Autor: Rick Nañez é pastor assembleiano (EUA) e foi missionário no Equador.