quarta-feira, 30 de maio de 2012

Aviso: Seminário Martin Bucer!

Caros alunos matriculados,

A nossa próxima aula será nesse sábado (02/06/2012) no mesmo local. Caso não tenha recebido o e-mail com o aviso, por favor, me avise no campo de comentários ou pelo e-mail. O horário, como na última aula, será pontualmente das 14h às 18h.

Obrigado


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Você está preparado para defender a sua fé?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

[Esboço de um sermão preparado neste domingo na Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Lago Azul, São Paulo-SP]

“Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” [1 Pedro 3.15]

Introdução

A defesa da fé cristã é uma necessidade. Estamos preparados? Estamos preocupados com a voz cristã no espaço público? Ou simplesmente achamos que o nosso cristianismo é algo a ser guardado em um armário? Estamos sendo luz do mundo ou uma lâmpada escondida debaixo da cama? Em tempos de secularismo e desprezo pela verdade de Cristo como único Salvador e Senhor devemos estar mais do que preparados para essa batalha.

1. Ok! Defenderei a fé cristã. Mas eu tenho fé em Deus?

1.1. Como eu poderei defender aquilo que não tenho? Como defendei aquilo que não acredito? Como defenderei aquilo que eu não amo? Por isso, Pedro escreveu: “antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração”.

1.2 O que significa “santificar a Cristo em nosso coração”? Significa glorificá-lo, honrá-lo e adorá-lo.

1.2.1 “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino” [Lucas 11.2]

1.3 Glorificar a Deus “com o coração” vai além de uma adoração de lábios. É uma atitude sincera em reconhecer Cristo como Senhor. É o dever de satisfazer-se em Deus.

1.3.1. “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”  [Mateus 15.8]

1.4 Glorificar a Deus com o coração é deleitar-se nele. O nosso dever é alegra-se no Senhor. Servir ao Senhor não é fardo, mas verdadeiro prazer.

1.4.1. “Deus é mais glorificado em mim quando sou mais satisfeito nEle” [John Piper].

1.4.2 “Deleite-se no Senhor” [Salmos 37.4] é um mandamento. A palavra hebraica עָנַג (anog) pode ser traduzida por “prazer” e “brincadeira”. É como se o salmista dissesse: “Divirta-se no Senhor” ou “Tenha prazer no Senhor”. Você já pensou que servir ao Senhor pode ser uma grande e prazerosa brincadeira?

2. “Estejam preparados para defender”.

2.1 É nosso dever estar preparado para expor a fé cristã. Logo porque sempre existirá pessoas procurando saber sobre a nossa fé.

2.2. O preparo demanda conhecimento da fé que se professa.

2.3 O verbo “defender” é ἀπολογίαν (apologian) é a mesma palavra usada para referir-se a uma defesa no tribunal.

3. “A qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”

3.1 Fica claro nessa frase que a fé genuína chama a atenção e desperta a curiosidade das pessoas.

3.2. “Santificamos a Deus diante dos outros quando nos comportamos de tal maneira que convida e encoraja outros a glorificá-lo e honrá-lo”. [Matthew Henry]. A Bíblia relata: “Moisés então disse a Arão: "Foi isto que o Senhor disse: ‘Aos que de mim se aproximam santo me mostrarei; à vista de todo o povo glorificado serei’ ". [Levítico 10.3]

4. “Com mansidão e temor”

4.1 A defesa da fé não é ataque da fé.

4.2 πραΰτητος (prautētos) significa “mansidão, gentileza, doçura e suavidade". A defesa da fé deve ser feita com doçura (não amargura), gentiliza (não indelicadeza) e suavidade (não com agressividade).

4.3 A defesa da fé ainda deve ser feita com respeito [φόβου phobou ] e reverência. Essa reverência é em relação ao inquiridor.  

4.4 O comportamento do defensor é tão importante quanto a sua argumentação.

Conclusão

A defesa da fé cristã vai além de mera argumentação. É a defesa com a vida, com as palavras e com respeito. É a defesa com a glorificação de Deus no interior.

domingo, 27 de maio de 2012

A Igreja em Laodicéia: O retrato de uma comunidade cristã indiferente e presa ao seu bem-estar!

Teatro em Laodicéia
Por Gutierres Fernandes Siqueira

O conforto, a riqueza e o bem-estar são ótimos. Quem não os deseja? Vivemos em uma nação que emerge entre as mais ricas do mundo. Motivo de alegria? É claro. É crescente a classe média que compra carros, geladeiras, serviços e viaja pelo mundo. Oh, que maravilha! E as igrejas? Estão cada vez mais ricas! Os templos são confortáveis e enormes. Há ar-condicionado, berçários e estacionamentos que lembram os grandes shoppings-centers. Mas com toda essa riqueza crescente aproveitamos para viver uma fé mais intensa ou somos movidos pela “indiferença preguiçosa” que é a tentação do bem-estar?

A mitologia grega apresenta vários homens que foram punidos pelos deuses por causa do pecado conhecido como húbris. Em sua autossuficiência os homens esqueciam de seus limites e desafiavam os deuses, mas não ficavam sem punição de sua insolência, arrogância e confiança excessiva produzida pelo poder e riqueza que desfrutavam. “Podes observar como a divindade fulmina com os seus raios os seres que sobressaem demais, sem permitir que se jactem da sua condição; por outro lado, os pequenos não despertam as suas iras. Podes observar também como sempre lança os seus dardos desde o céu contra os maiores edifícios e as árvores mais altas, pois a divindade tende a abater todo o que descola em demasia”, dizia o historiador grego Heródoto.

A Torre de Babel é uma história bíblica que mostra como a arrogância de um povo acabou em “confusão de línguas”. Eles, em sua arrogância, queriam ser deuses. Queriam como o “cume da torre” tocar os céus (cf. Gênesis 11.1-9). O que vale uma grande construção sem a base em Deus? “Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção. Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda” (Salmos 127.1). E ainda lembra o salmista: “Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor nosso Deus” (Salmos 20.7).

A Igreja em Laodicéia

O nome Laodicéia significa “justiça do povo” ou “povo justo”. Era uma cidade riquíssima. Havia ali um intenso comércio de madeira, produção de lã e uma indústria avançada, logo porque a cidade ficava no entroncamento de três estradas importantes e entre terras férteis. Laodicéia foi a sede de uma grande escola médica e era um importante distrito político que representava mais de vinte cidades e onde os julgamentos eram realizados. O grande filósofo Cícero mantinha a sua corte nessa cidade. As inscrições arqueológicas a descrevem como “metrópole”.  A divindade tutelar da cidade era de Zeus (Júpiter). Daí o seu nome anterior Diospolis ou Cidade de Zeus. O povo de Laodicéia era culto e apreciava a arte, a ciência e a literatura grega. Como Laodice era um nome comum entre as mulheres da casa real da Selêucidas, o nome foi dado a várias cidades na Síria e Ásia Menor. “É agora um lugar deserto chamado pelos turcos ‘Eski-Hissar’ ou ‘velho castelo’”, como descreve o Easton's Bible Dictionary.

A demonstração da riqueza de Laodicéia ficou evidente no ano 60 d. C. quando um grande terremoto destruiu toda a cidade, mas os habitantes rejeitaram a ajuda de Roma e reconstruíram sozinhos a cidade. Além disso, os habitantes da cidade ajudaram outras cidades atingidas. A cidade também era um importante centro bancário, ou seja, um lugar onde havia intensa troca de moedas. Assim como a cidade era rica a igreja em Laodicéia era também riquíssima em bens materiais. No texto bíblico não menciona nenhuma perseguição à igreja promovida pelo Império Romano ou judeus e nem houve ameaças de falsos profetas. Mas ainda assim a igreja em Laodicéia é a pior. Não recebe do Senhor nenhum elogio.

A fidelidade do Amém e a inconstância da igreja

O Senhor sempre se apresenta para a igreja conforme a sua necessidade. Deus, ao contrário da pregação contemporânea, não fala o que o povo quer ouvir, mas sim o que precisa ouvir. Portanto, Cristo se apresenta como o fiel, o “Amém” como nome próprio (v.14). É aquele que faz o que afirma. É a excelência da sinceridade. Ele não somente fala a verdade, como é a própria Verdade. É justamente o contraste de uma igreja morna, indiferente e escondida em uma máscara de riqueza e glória terrena.

Marvin R. Vincent  escreveu em Vincent's Word Studies: “Apenas nesse texto é usado como um nome próprio. Veja Isaías 65.16, onde a tradução correta é “o Deus do Amém”, em vez de “Deus da verdade”. O termo aplicado para o Senhor significa que Ele mesmo é o cumprimento de tudo o que Deus falou para as igrejas”. O termo “amém” é a forma do Senhor de dizer que Deus é fiel.

O termo grego αμην (amḗn) traz a ideia de firmeza e fidelidade. “A ideia expressão por esta frase não é de que Deus é o Deus verdadeiro em contraste com deuses falsos, mas que Deus é fiel, que podemos confiar nele, que ele cumprirá o acordo que fez com seu povo”, como escreveu George Ladd [1]. “Uma vez no Novo Testamento encontramos ‘amém’ como título de Cristo (Ap. 3.14), porque por meio dEle os propósitos de Deus são estabelecidos (2 Co 1.20)” [2].

A expressão “testemunha fiel e verdadeira” (ho martys ho pistos kai ho alēthinos) é, digamos, a tradução do substantivo Amém. A expressão poderia ser traduzida como “testemunha confiável e legítima [3]”. Em Cristo não há falsa espiritualidade escondida em máscaras. Em Cristo não há aparência de vida, mas sim vida verdadeira. Em Cristo não há motivos para desconfiança, pois o seu caráter é imutável e firme. O compositor Thomas Obediah Chisholm expressou de forma linda a fidelidade de Deus no hino Tu és Fiel, Senhor:

Tu és fiel, Senhor, meu Pai celeste:
Pleno poder aos teus filhos darás. 
Nunca mudaste: tu nunca faltaste:
Tal como eras, tu sempre serás.

Quando falamos de fidelidade falamos de verdade. Somos o que dizemos que somos? Vivemos de aparências? Era o que acontecia com essa igreja morna. E é o que acontece com muitos de nós nos dias de hoje. A hipocrisia sempre foi um pecado bem presente na aparência de religiosidade. E talvez seja o pecado mais fácil de ser praticado por todos aqueles que vivem em um “ambiente religioso”. O pastor Antonio Gilberto escreveu:

Poderíamos nos perguntar: “Minha fidelidade a Deus é tão confiável quando sua fidelidade a mim? Estou revestido de fidelidade? Cumpro minhas promessas a Deus? Sou fiel em expressar o meu amor por Ele e cumprir meus votos? Sofro pacientemente e de boa vontade por causa do Evangelho? Sou mordomo leal e consistente? Deus pode me confiar o tesouro que ele pôs em minhas mãos? Estas são perguntas importantes que deveriam nos motivar a ser mais fiéis [4].

A fidelidade é uma virtude do Espírito Santo. É o fruto que Ele quer trabalhar em nossas vidas (cf. Gálatas 5.22).



(fi.de.li.da.de) sf.
1. Qualidade ou atributo de quem é fiel
2. Qualidade, atributo ou caráter do que é fiel à veracidade ou à representatividade de algo, ou à verdade dos fatos (fidelidade do resultado): Contestou a fidelidade da tradução
3. Respeito aos compromissos assumidos ou ao vínculo com alguém ou algo (fidelidade à causa; fidelidade partidária): Sempre acreditou na fidelidade do irmão.
4. Compromisso ou respeito ao compromisso (assumido com pessoa com a qual se mantém relação amorosa) de sinceridade, reciprocidade e esp. de não envolvimento amoroso ou sexual com outrem (fidelidade do marido; fidelidade da namorada)
5. Constância, firmeza, perseverança. [ antôn.: Antôn.: inconstância; volubilidade. ]
[F.: Do lat. fidelì tas, a tis. Ant. nas acps. de 1 a 4: infidelidade.]  

fonte: Dicionário Aulete


Quem é o Soberano?

Soberano não é quem pensa que “de nada tenho falta”, mas sim o Criador de tudo o que existe. Cristo, em sua apresentação ainda mostra que Ele é o Criador junto com o Pai e o Espírito Santo (Jo 1. 4-9; Cl 1.15,16; Hb 1.2,10) e que Ele possui autoridade sobre a criação (Mt 28.18; Cl 1. 16-18; Hb 2.8). A igreja em Laodicéia estava esquecendo em sua arrogância e autossuficiência quem era o Soberano.

Jesus é o “princípio da criação de Deus”, ou seja, Ele é a origem da criação porque “todas as coisas foram feitas por intermédio dele” (Jo 1.3). A centralidade está em Cristo e não no “eu”. Nada é suficiente diante de Cristo. Nada é comparado ao Senhor. A igreja que esquece da centralidade de Cristo e de seu poder simplesmente caminha para a morte espiritual.


Como Cristo se apresenta para uma igreja com graves defeitos?


Cristo como o Amém (o Fiel e Verdadeiro)Cristo como Soberano da criação
Igreja indiferente e não compromissadaIgreja autossuficiente e arrogante


Igreja Morna!

Portanto, a igreja estava morna. Assim como as águas térmicas eram transportadas para Laodicéia e chegavam mornas na cidade, assim era a igreja daquele lugar. Uma igreja que vivia de professar aquilo que não sentia. E pior: não reconhecia o seu erro. Estava cega e precisava do colírio do Senhor.

Ou reconhecemos que nada somos e que sempre precisamos do Senhor ou viveremos da arrogância de Laodicéia. Em tempos de ufanismo e triunfalismo essa carta é como um grito forte e ressonante.

Referências Bibliográficas:

[1] LADD, George. Apocalipse. Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1980. p 50.

[2] VINE, W. E.; UNGER, Merril F. e WHITE Jr., William. Dicionário Vine: O Significado Exegético e Expositivo das Palavras do Antigo e do Novo Testamento. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002. p 394.

[3] A maior parte dos tradutores preferem usar o termo “fiel” do que “confiável” para referir-se a Deus.

[4] GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. 117.

Bibliografia:

JAMIESON, R. Jamieson, Fausset, and Brown's Commentary On the Whole Bible. 1 ed. Grand Rapids: Zondervan, 1999.

VICENT, Marvin R. Vincent's New Testament Word Studies. 1 ed. Peabody: Hendrickson Publishers, 2009.

_ Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.



[Texto preparado para a Escola Bíblica Dominical da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Jardim das Pedras, São Paulo-SP]

sábado, 26 de maio de 2012

Lição 09 - Laodiceia, uma Igreja morna

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

Por David Jeremiah

A última igreja mencionada em Apocalipse é a morna igreja de Laodiceia, a igreja que existirá quando Cristo voltar. Creio que a maioria das igrejas deste século é morna. Vamos observar as similaridades entre a comunidade cristã organizada hoje e a igreja de Laodiceia.

A igreja que recebeu a última carta do “carteiro de Patmos” era aparentemente impressionante. Ostentava prosperidade, mas faltava algo.

Sob o governo romano, a cidade de Laodiceia tornou-se amplamente conhecida por seus estabelecimentos bancários, escola de medicina e indústria têxtil. Entretanto, com toda essa riqueza, a igreja estava adormecida. Os membros eram ricos materialmente, mas pobres espiritualmente. O Senhor não teve nada de positivo para dizer sobre essa igreja; de fato, ela o enjoou. É interessante que Deus olha para a apostasia e fica irado – mas olha para a indiferença e fica indisposto.

A pregação da igreja estava comprometida com o mundo. Provavelmente, o pastor não queria perturbar sua congregação. Talvez ele tenha desconcertado um pouco suas consciências – apenas o suficiente para expor a culpa e mostrar trabalho, mas o que ele desejava ouvir depois do culto era: “Que sermão maravilhoso, pastor. Gostei muito”. 

Diz o Senhor: “Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Ap 3.16).
Esta é a única passagem no Novo Testamento em que a palavra “morno” é empregada. A expressão deriva da geografia da área que cerca a cidade. No distrito de Hierápolis havia nascentes minerais quentes, cuja água era transportada para laodiceia por canais. Porém, no momento em que chegava à cidade, a água não era mais quente. A água fria era levada para Laodiceia de Colossos, e quando chegava ao destino estava morna também. A mornidão é como deixar o café esfriar e a limonada esquentar. 

Na Bíblia, há três temperaturas possíveis do coração: o coração ardente, “Porventura, não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras” (Lc 24.32); o coração frio, “E, por ser multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará” (Mt 24.12); e o coração morno da última igreja.

John Stott escreveu: “A igreja de Laodiceia era indiferente. Talvez nenhuma outra das sete igrejas se assemelhe mais à igreja do Século XXI do que esta. Ela descreve com perfeição a religiosidade respeitável, sentimental, nominal e superficial tão amplamente difundida entre nós hoje. Nosso cristianismo é tão débil e anêmico. Apresentamo-nos para tomarmos um banho morno de religião”. 

Temos muito medo de sermos fervorosos por Cristo; não queremos ser tachados de fanáticos ou extremistas, ainda que em outras áreas da vida nos desprendamos à nossa maneira e transpiremos entusiasmo. Quantas vezes ficamos assistindo a um jogo de basquete ou futebol e aplaudimos um cantor ou músico talentoso até nossas mãos ficarem vermelhas?

Lembro-me de ter ouvido um homem excêntrico que andava pela cidade com um cartaz nos ombros. A frente do cartaz dizia: “Sou louco por Cristo”. Conforme ele vagueava pelas ruas, era ridicularizado pelos que viam a frente do cartaz, até ele passar e lerem a frase do outro lado: “Por quem você é louco?”.
A igreja morna de Laodiceia era presunçosa: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e cego, e nu)” (Ap 3.17). 

A rica cidade dos negócios bancários moldou a igreja; o espírito do mercado entrou sorrateiramente e os valores foram distorcidos. A igreja estava orgulhosa de seu trabalho porque usava o padrão de medida humano, e não o divino. 

David Wilkerson, autor de A Cruz e o Punhal, comentou: "Jesus advertiu que uma igreja se expandiria nos últimos dias da civilização, a qual se orgulharia de ser rica, crescente, progressiva em número e autossuficiente..."

Durante aproximadamente dois mil anos, a Igreja de Jesus Cristo foi rejeitada e perseguida pelo mundo. O sangue de milhões de mártires desprezados clama. A Bíblia diz que todos morreram na fé, dos quais o mundo não era digno. Devo pensar que Jesus mudou de ideia e decidiu encerrar os séculos em uma igreja egoísta, orgulhosa, mimada, rica e morna? Consistirá o último exército de Deus de obreiros fugindo do alistamento?

Texto extraído da obra “Antes Que a Noite Venha: A Mensagem de Esperança em Tempos de Crise”, editada pela CPAD.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Blog de Economia e Política!

Caros leitores,

Eu gosto muito e sinto prazer em escrever sobre teologia, Bíblia e vida cristã. Além dessa paixão nascida na pré-adolescência eu tenho outra alegria: escrever sobre economia e política. Sendo assim, eu montei um blog exclusivamente para esses temas. Antes, eu já havia tentado um blog de economia, mas as plataformas de acesso não eram adequadas para a minha necessidade. Agora, pelo Wordpress, eu criei o blog Economic Brasil.

Eu convido para você conhecer o blog, especialmente uma matéria que escrevi sobre a violência no Brasil.

É bom lembrar que o ritmo de escrita no Blog Teologia Pentecostal continuará o mesmo.

Abraços!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Regeneração e Santificação!

"Se a regeneração é uma obra da nova criação, a santificação é uma obra da nova formação. Se a regeneração é um novo nascimento, a santificação é um novo crescimento. Se a regeneração é a crucificação da nossa natureza adâmica e a implantação em nós da vida ressurreta de Cristo, a santificação é a morte da nossa natureza adâmica e o fluir da vida de Cristo dentro de nós. 'Aqueles a quem justificou, também glorificou' (Rm 8.30). Se a regeneração é a glorificação em semente, a santificação é a glorificação em botão; e a glorificação no céu é a plena florescência. É dentro desta organização que devemos estudar aquilo que o puritano Walter Marshall chamou de 'o mistério evangélico da santificação'". [J. I. Packer]

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A Liderança Cristã (Módulo I)

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Material de apoio do Curso de Capacitação de Liderança Cristã e Teologia Básica do Seminário Martin Bucer.

A Igreja é uma instituição divina e humana. Na sua composição terrena essa instituição depende de lideranças capazes para o bom exercício da comunhão cristã. O líder cristão deve apresentar fortes qualidades morais, éticas e espirituais para exercer influência positiva sobre a família do Senhor.

 No mercado editorial (evangélico ou secular) há muitos livros de autoajuda que se propõem a ensinar o exercício de uma boa liderança. As Sagradas Escrituras, especialmente as Epístolas Paulinas, apresentam farto “material” de apoio para uma liderança digna do nome. Confira, por exemplo, a qualificação que as Escrituras exigem para o candidato ao ministério pastoral (exemplo: I Timóteo 3. 1-7).

1. O princípio básico da liderança cristã

 O princípio básico da liderança cristã está registrado nas palavras de Cristo: “Qualquer que, entre vós, quiser ser grande será vosso serviçal” (Marcos 10.43). A liderança cristã deve ser serviçal, ou seja, aquele que deseja o ministério e apresenta vocação precisa demonstrar a sua aptidão para servir todos os homens. O líder cristão não é um aristocrata que manda e desmanda, mas sim um auxiliar que ajuda e fortalece o seu grupo.

Jesus Cristo, certamente, é o melhor exemplo de líder servidor, como disse o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 8.9: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”. Jesus se entregou por toda a humanidade a fim de ganhar alguns.

Quando Jesus via que alguém o bajulava baseado em interesse mesquinhos Ele respondia abertamente: “As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mateus 8.20). Jesus veio para servir e não para ser servido por pessoas interesseiras por um lugar privilegiado em seu Reino. Muitos, naquela época, viam em Jesus um líder político que libertaria Israel da opressão de Roma. Alguns seguiam a Cristo interessados nas bonanças de um reino terreno.
O modelo de Jesus Cristo tem como base a humildade, a paciência, o exercício da piedade e a visão que os liderados devem ser servidos. O verdadeiro pastor não arranca as lãs da ovelha para proveito próprio, mas vive em função de seu cuidado e como guia. O pastor verdadeiro não monopoliza e não se acha o centro do universo, mas multiplica os ministérios no Reino como lembrou John Stott:
O conceito de pastor no Novo Testamento não é de uma pessoa que detém todo o ministério em suas mãos e, como bastante sucesso, esmaga todas as iniciativas leigas; mas o NT diz que o pastor é aquela pessoa que ajuda e encoraja o povo de Deus a descobrir, desenvolver e exercitar seus dons. Seus ensinamentos e treinamentos são direcionados para este objetivo: capacitar o povo de Deus a ser um povoo servil e, em um mundo de alienação e dor, ministrar ativamente, mas de forma humilde, de acordo com seus dons. Assim o pastor, em vez de monopolizar todo ministério, na verdade, multiplica esses ministérios. [1] 

O apóstolo Paulo seguia o modelo de Cristo. Escrevendo para a Igreja em Corinto ele diz: “Eis que, pela terceira vez, estou pronto a ir ter convosco e não vos serei pesado; pois não vou atrás dos vossos bens, mas procuro a vós outros. Não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos” (2 Coríntios 12.14). O apóstolo tinha uma grande preocupação que ninguém entendesse que ele via no ministério uma fonte de lucro e benefício pessoal. Ele mesmo lembrou: “Ao contrário de muitos, não negociamos a palavra de Deus visando lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus” (2 Coríntios 2.17 NVI).

2. Os principais ministérios cristãos

O Antigo Testamento conheceu diversos líderes como juízes, profetas, reis e sacerdotes. Em o Novo Testamento temos alguns ministérios que visam a edificação da Igreja, sendo eles os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Leia Efésios 4.11-15).

2.1 Apóstolo

O ministério de apóstolo nada tem a ver com o Movimento Apostólico que se popularizou na década de 1980 com o pastor Charles Peter Wagner. Nas Sagradas Escrituras, a palavra apóstolo (do grego “apostolo”, enviado) se refere aos dozes escolhidos por Cristo (Lc 6.13; 9.10) e, mais genericamente, aos missionários cristãos do primeiro século (exemplo: Atos 14.4,14; 2 Coríntios 8.23; Filipenses 2.25). O apóstolo nos primeiros dias da igreja era um simples missionário. O apóstolo não era um líder denominacional que vivia no luxo enquanto prometia milagres. É até possível chamar alguém nos dias de hoje de apóstolo, mas não como uma cadeia hierárquica maior do que o ministério pastoral, como se o apóstolo fosse, digamos, um “chefe” de pastores. Na Bíblia, apóstolo é aquele enviado para uma missão, ou seja, são homens e mulheres que chamamos de missionários. Portanto, o ministério apostólico neopentecostal é um engano.

2.2 Profetas

Quando falamos em profetas (do grego “prophetes”, aquele que fala abertamente) normalmente pensamos em grandes personagens do Antigo Testamento como Jeremias, Malaquias e Isaías. Mas é importante lembrar que “a Lei e os Profetas profetizaram até João” (Lucas 16.16). Portanto, João Batista foi o último profeta na Antiga Aliança. Com a morte de Cristo e seu triunfo na ressurreição não temos a necessidade do ministério profético veterotestamentário. Os profetas em o Novo Testamento são aqueles que proclamam a Palavra relevada. A pregação vinda de um homem portador da dádiva profética prega com autoridade e ousadia. Portanto, nenhum profeta contemporâneo pode ser portador de uma “verdade nova” que teria sido esquecida de ser relevada nas Escrituras. O profeta já tem uma base revelacional: A Bíblia. Os profetas no Antigo Testamento foram usados para escrever as Escrituras, mas já os profetas na Nova Aliança são usados na transmissão dessas mesmas Escrituras. Não há profetas hoje como no Antigo Testamento, mas hoje temos “profetas” como proclamadores da Palavra.

2.3 Evangelista

A missão evangelística é dever de todo crente (Mateus 28. 19-20). Agora, alguns são chamados para o ministério como evangelista (do grego “evangelistes”, mensagem do bem). Ser evangelista não é um cargo prévio para ser pastor, mas sim um dom dado por Deus para que a Igreja tenha pessoas capacitadas no chamamento daqueles que estão perdidos. O evangelista é um ganhador de almas, eis a sua missão mais especial. O evangelista, ao contrário do pastor, é itinerante. Enquanto que o pastor é líder de uma igreja local, o evangelista corre por todo canto anunciando o Evangelho. Todos os cristãos devem evangelizar, mas ao evangelista tal incumbência é o seu maior prazer e responsabilidade.

2.4 Pastores e Doutores

No texto em grego de Efésios 4.11 as duas palavras estão relacionadas. O pastor precisa ser necessariamente um mestre. A principal missão de um pastor não é construir templos, levantar ofertas, cantar no coral ou recitar poemas... A principal missão do pastor é ensinar as Sagradas Escrituras. Todo o resto pode ser feito desde que o vocacionado para o ministério pastoral não esqueça sua missão primordial. Mas nem todo mestre é pastor, como lembrava o grande mestre e pastor John Stott: “Embora todo pastor deva ser um mestre, tendo o dom de ministrar a Palavra de Deus ao povo (seja na congregação , seja a grupos ou a indivíduos) mesmo assim, nem todo mestre cristão é também um pastor” [2]. O conselho de Paulo a Timóteo é muito vivo: “Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina” (2 Timóteo 4.2). O pastor, também, deve ser exemplo de marido, pai e homem social (confira 1 Timóteo 3.1-7). Aliás, todo pastor deve ler atentamente as cartas de Paulo a Timóteo. Outros nomes para pastores em o Novo Testamento são: ancião, presbítero e bispo. Todos esses nomes são sinônimos para o termo “pastor”. Como resume Mark Driscoll:

Os presbíteros também são chamados de bispos (embora a Bíblia não utilize esse termo para designar oficiais denominacionais, como em inglês [e português]) que pastoreiam o rebanho (Atos 20.28; Efésisos 4.11; I Pedro 5.2). Em inglês [e também em português], presbíteros ou anciãos são tipicamente chamados de pastores. Isso pode ser confuso, pois, com a possível exceção de Efésios 4.11, a Bíblia não utiliza a palavra “pastor” para se referir a um cargo, mas sim para designar uma função. Um líder pastoreia o rebanho, mas não é chamado de pastor e sim de presbítero [ou ancião] ou bispo. Simplificando, esses vários termos são utilizados de forma alternada para se referir à mesma pessoa que ocupa o mesmo cargo, não diferentemente da forma como Jesus Cristo é citado ao longo do Novo Testamento por meio de diversos títulos, tais como Filho do Homem, Filho de Deus, Videira, Leão, Sumo Pastor e Cordeiro, os quais apontam todos para aspectos do seu papel como o cabeça da igreja. [2]

2.5 Diácono

Paulo não relacionou o diaconato com os demais ministérios de Efésios 4.11, mas todo o Novo Testamento mostra a importância dessa função. O diácono (do grego “diakonos”, criado) são pessoas escolhidas para o auxílio na assistência social e nas tarefas serviçais das quais uma igreja carece. Diácono não é enfeite de púlpito, mas uma pessoa importantíssima nas funções administrativas e sociais de uma congregação (cf. Atos 6.1-8 e 1 Timóteo 3.8-16). 


Apóstolo (Missionário) A Igreja fazendo missões
Profeta (Expoente das Escrituras) A Igreja proclamando a Palavra
Evangelista (Ganhador de Almas) A Igreja anunciando o Evangelho
Pastor A Igreja guiando na Palavra
Mestre (Doutores)  A Igreja discipulando nas Escrituras
Diácono A Igreja servindo a comunidade cristã e a sociedade em geral



3. O cargo não é dom


É importante lembrar que cargo não é dom ou ministério. É possível que alguém ganhe o cargo de diácono por amizade com a liderança de uma igreja, mas que seja desprovido do dom do diaconato. Os cargos são humanos, enquanto o dom é divino. Quantos não são pastores porque seus pais são chefes denominacionais? É o famoso nepotismo. Um homem que tem cargo de pastor e não possui o dom pastoral traz grandes sofrimentos para o rebanho. O que faz um pastor não é uma carteira especial, mas sim o chamado de Deus. Ainda assim, é importante que uma igreja ratifique o dom presente na vida de um vocacionado. Há muita gente com cargo e sem o dom e com o dom e sem o cargo. É bom quando associamos os dois para a edificação da igreja.

Quando o dom é encarado como mero cargo, logo a mentalidade “profissional” toma conta da igreja. O ministério não é profissão ou emprego. Não é hereditário e nem transferível. O pastor José Apolônio Silva escreveu: “Existe a chamada humana, esta é perigosa: 'Vem para nossa igreja, estamos precisado de obreiros e te consagraremos'. Como se o ministério fosse uma empresa secular” [4]

E John Piper completa [5]:

Nós, pastores, estamos sendo massacrados pela profissionalização do ministério pastoral. A mentalidade do profissional não é a mentalidade do profeta. Não é a mentalidade do escravo de Cristo. O profissionalismo não tem nada que ver com a essência e o cerne do ministério cristão. Quanto mais profissionais desejamos ser, mais morte espiritual deixaremos em nosso rastro. Pois não existe a versão profissional do “tornar-se como criança” (Mt 18.3); não existe compassividade profissional (Ef 4.32); não existem anseios profissionais por Deus (Sl 42.1).

 4. As qualificações do ministério pastoral

O texto de 1 Timóteo 3. 1-7 é clássico para definir a qualificação de uma pessoa para o ministério pastoral. No texto há, pelo menos, quinze quesitos como: ser irrepreensível, cônjuge fiel, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro, apto para ensinar (intelectualmente, moralmente e didaticamente), moderado com a bebida, não violento, amável, pacífico e não avarento ou cobiçoso. Além disso, deve ter uma educação familiar exemplar e ser um ótimo marido. O ministério pastoral não pode aceitar novos na fé e nem crentes imaturos. Resumindo: o candidato ao ministério pastoral deve ter (e viver) uma boa reputação.

Conclusão

“Se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função”, assim disse Paulo, o experiente apóstolo. Seja qual for a função no Reino de Deus é necessário trabalhar baseado no dom de Deus.

Referências Bibliográficas:

[1] STOTT, John R. W. Cristianismo Autêntico. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. p 393.

[2] STOTT, John R. W. A Mensagem de Efésios. 1 ed. São Paulo: ABU Editora, 1986. p 118

[3] DRISCOLL, Mark e BRESHEARS, Gerry. Igreja Vintage: Questões Atemporais e Métodos Atuais. 1 ed. Niterói: Tempo de Colheita, 2012. p 63.

[4] SILVA, José Apolônio da. O Obreiro e seu Ministério. Bíblia Obreiro Aprovado. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. p 1445.

[5] PIPER, John. Irmãos, Nós Não Somos Profissionais. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2009. p 15.

Bibliografia:

VINE, W. E.; UNGER, Merril F. e WHITE Jr., William. Dicionário Vine. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

BROWN, Colin e COENEN, Lothar. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 2 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2000.

domingo, 20 de maio de 2012

Desigrejados! Por que tantos desaminam e desistem da fé em Cristo?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

"Conforme se diz, a igreja de Jesus Cristo é como a arca de Noé: o mau cheiro de dentro seria insuportável se não houvesse uma tempestade do lado de fora". [Charles Colson]

É apenas cafeteria. Não é uma igreja!
É crescente o número dos “sem-igreja”. O que antigamente chamávamos de “desviados” ou “ex-cristãos” agora chamamos de “desigrejados”. Essas pessoas ainda consideram que vivem a fé em Cristo, mas que podem se dar ao luxo de desprezarem a Igreja. Os desigrejados defendem que a fé cristã pode ser exercida fora da comunhão eclesiástica. É uma espécie de individualismo radical manifesto como a “comunhão sou eu” ou “eu tenho em comum comigo mesmo”. 

A igreja nunca foi e nunca será (nesta terra) um ambiente de notáveis cidadãos perfeitos. A igreja não é uma reunião de anjos, mas sim uma reunião de pecadores em busca de redenção. Sim, há comunidades melhores e piores, mas você nunca encontrará uma perfeita. Portanto, a busca pelo “cristianismo autêntico” é nobre, mas quando esquecemos que ainda estamos no mundo podemos mergulhar em uma espiral de decepção com a instituição chamada igreja. A maior prova que a igreja não é perfeita é o nosso espelho. Ora, se a igreja é formada de homens, logo...

Portanto, se eu me tornar um desigrejado porque só vejo imperfeições nas instituições, logo sou duas coisas: a) um idealista que não pisa o pé no chão e ignora a própria imperfeição ou b) alguém que usa isso como desculpa para justificar o seu abandono da fé com ares de heroísmo e zelo pela “essência do cristianismo”.

Quando leio o final do Sermão do Monte (cf. Mateus 7. 24-27) fico a pensar que o fenômeno dos desigrejados é mais uma consequência do esvaziamento do púlpito cristão associado aos pressupostos contemporâneos. É o casamento perfeito entre uma igreja divorciada do compromisso doutrinário com a cultura da egolatria. É a insensatez com ar de militância e sabedoria. Além disso, é uma forma de dizer “eu sou igreja”, mas eu não preciso compartilhar com ninguém. Infantil? Sim, a infantilização é marca crescente na sociedade.

A Igreja Cristã sempre teve em seu meio pessoas que a deixaram. Alguns com sérias justificativas e outros nem tanto. O que temos de novo é o não-reconhecimento do abandono. Hoje, os desigrejados acreditam que o rompimento completo com qualquer igreja institucionaliza ou um grupo eclesiástico não-institucionalizado é revolucionário. Assim, para eles, o romper com a igreja visível é abraçar sinceramente a Igreja invisível.

É bem verdade que precisamos romper com muitas instituições para não perdemos o foco de Cristo. É também verdade que muitas igrejas institucionalizadas mais nos afastam do que nos aproximam do Evangelho. Tudo isso é verdade. Mas é um retumbante exagero achar que é possível viver a Igreja invisível e não buscar um grupo para compartilhar a comunhão cristã.

No quadro abaixo temos as principais causas do movimento dos “desigrejados”. Vejamos:


1. Acreditar, por ingenuidade ou conveniência, que existem igrejas perfeitas e, portanto, o desigrejado precisa abandonar as comunidades imperfeitas.

2. Uma baita dose de orgulho. A maioria dos desigrejados acusam as comunidades cristãs como ambientes hipócritas. Será que eles são a essência da transparência e da sinceridade?

3. A Síndrome de Elias é outra explicação para o crescimento dos desigrejados. Muitos acham que são o único remanescente justo que sobrou neste planeta.

4. Abraçar radicalmente o individualismo como uma forma de “comunhão comigo mesmo”. O homem é essencialmente social e com isso não quero dizer que devemos abraçar coletivismos.

5. O movimento é parte, também, da cultura evangelical emergente. Hoje, muitos acham que falar de Deus e de artes enquanto tomam café no Starbucks é um exercício de culto e a formação de uma igreja.

6. As mídias são ótimas ferramentas de divulgação do Evangelho, mas alguns substituíram o ambiente eclesiástico pelos cultos eletrônicos. Ora, é fácil ser “membro” de uma igreja em que eu não preciso compartilhar "o que tenho em comum" com ninguém!

7. As mega-igrejas são apontadas como uma das causas desse "fenômeno desigrejad"o. Ele pode até ir uma vez ou nunca numa dessas igrejas enormes e ninguém notará a sua ausência no domingo seguinte.




Na divulgação do Censo 2010 veremos como o grupo dos desigrejados apresentará o maior crescimento no quesito “religião”. Talvez não seja o desafio do século, mas certamente é o desafio da década para a igreja contemporânea no Brasil e nos países ocidentais.

Mas, sinceramente falando, poucos foram os movimentos dentro da igreja na história pobre de substância do que o movimento dos desigrejados.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Lição 08 - Filadélfia, a Igreja do amor perfeito

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

Por Steven J. Lawson

Jesus reconhece: “Não negaste o meu nome”. Esta igreja não se envergonhava do Evangelho. Muitos em Filadélfia, especialmente os judeus incrédulos, forçavam os crentes a negligenciar os ensinamentos de Cristo e a negar a fé.

Mas este pequeno rebanho não se dobraria jamais. Permanecia fiel ao Senhor que os redimira. Onde quer que fossem, o nome de Jesus estava sempre em seus lábios. Corajosamente, testemunhavam em cada oportunidade.

Não admira que Cristo haja aberto grandes portas a esta pequena igreja. Haviam sido fiéis no pouco, então Deus coloca-lhes para serem fiéis no muito.
Alguns pensam: “Se Deus fizer de mim um homem de negócios bem sucedido, darei muito dinheiro para a igreja”. Mas, o fato é: “O que você tem feito com o dinheiro que agora possui?” Através de nossa fidelidade ao pouco, Deus determina como obtermos maiores oportunidades.

Aqui está o segredo de Filadélfia. Eram fiéis no pouco que possuíam. Por isto, abre-lhes Cristo a porta que leva as grandes oportunidades ministeriais. É a esta pequena igreja que Jesus promete: “Não importa quão pequena sejas, a fé num grande Deus abre-te grandes portas”.

[...] Quando Deus abre a porta, imediatamente remove todos os obstáculos e organiza as circunstâncias. Novo caminho é aberto; conduz-nos ao brilhante amanhã. Neste momento, Ele anuncia um novo dia para o ministério; fases de estratégico impacto são trazidas à cena.

Paulo foi recompensado com muitas portas divinamente abertas: “Porque uma grande e eficaz se me abriu” (1 Co 16.9). Mais tarde, acentua: “Ora, quando cheguei a Troas para pregar o evangelho de Cristo, e abrindo-se uma porta no Senhor” (2 Co 2.12). “Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do ministério de Cristo, pelo qual estou também preso” (Cl 4.3).

Quando retorna à igreja em Antioquia, regozija-se por tudo o que Deus fizera em sua primeira viagem missionária. Lucas registra: “E quando chegaram e reuniram a igreja, relataram quão grandes coisas fizera por eles, e como abrira aos gentios a porta da fé” (At 14.27). O apóstolo relata todos os seus sucessos obtidos através desta porta aberta por Deus.

Que porta colocou Deus diante de você? Às vezes falhamos em ver tais portas. Não precisamos forçar porta alguma, pois Ele já abriu a porta certa diante de nós. Que oportunidade Deus já lhe proporcionou? Você, quem sabe, pode ministrar estudos bíblicos, alcançar um vizinho ou até mesmo usar algum talento na igreja.

Texto extraído da obra “As Sete Igrejas do Apocalipse: O Alerta Final de Cristo para o seu Povo”, editada pela CPAD.

domingo, 13 de maio de 2012

Quão nojento é o triunfalismo!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

“Que mais direi? Não tenho tempo para falar de Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas, os quais pela fé conquistaram reinos, praticaram a justiça, alcançaram o cumprimento de promessas, fecharam a boca de leões, apagaram o poder do fogo e escaparam do fio da espada; da fraqueza tiraram força, tornaram-se poderosos na batalha e puseram em fuga exércitos estrangeiros. Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos. Alguns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior. Outros enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas. Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido. Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem eles aperfeiçoados”. [Hebreus 11.32-40] 
É triste quando uma mensagem dita evangélica 
mais parece a pregação da Seicho-No-Ie!
“O único modo de se tornar rico com um livro de autoajuda é escrever um”! [Christopher Buckley e John Tierney em God is My Broker] 

Não faz muito tempo um membro de uma igreja em nossa região perdeu o filho tragicamente. O garoto de nove anos esperava o ônibus escolar junto com o pai quando foi atingido por uma bala perdida. O caso foi tão triste e chocante que teve ampla cobertura pela imprensa local. Todas as igrejas da região comentaram o caso e lamentaram tamanha perda. A família, infelizmente, foi mais uma vítima inocente da violência presente neste país.

Quando eu cheguei no culto em uma igreja do bairro vizinho eu pensei: “Com uma notícia tão triste como essa (que abalou toda uma região da cidade) ninguém terá coragem de pregar as baboseiras triunfalistas”. Como eu estava enganado! O infeliz pregador chegou a dizer que derrota não era coisa de cristão e que Deus sempre nos enche de vitória. As palavras não foram literalmente essas, mas o espírito do comentário era exatamente esse. Eu sai do culto escandalizado, pois vi que nem a tragédia sensibiliza os triunfalistas.

Quando o modelo esgotará?

Fico-me perguntando: Quando os evangélicos brasileiros estarão fartos e enjoados das “mensagens de autoajuda”? Será que esse modelo triunfalista se esgotará em um futuro não tão distante? Quando as pessoas “cairão na real” e verão que esse tipo de pregação nada tem de evangelho?

É desanimador ver que o modelo triunfalista nem apresente pequenos sinais de esgotamento.

Sim, muitas pessoas estão revoltadas com tudo isso, mas essas “muitas pessoas” são poucas para o universo de milhões de evangélicos. Há muitos, também, que não pregam mensagens triunfalistas, mas ao mesmo tempo toleram que tais mensagens sejam livremente pregadas em suas igrejas. Nós aprendemos com a Igreja em Tiatira que a tolerância para com o erro é igualmente errada. Será que queremos ouvir do Senhor isso: “Conheço as suas obras, o seu amor, a sua fé, o seu serviço e a sua perseverança, e sei que você está fazendo mais agora do que no princípio. No entanto, contra você tenho isto: você tolera Jezabel” [Apocalipse 2.19-20a]?

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Lição 07 - Sardes, uma Igreja morta

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

Por Stanley M. Horton

“E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas:Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. Sê vigilante e confirma o restante que estava para morrer, porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus. Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.”

Jesus chama a atenção da igreja de Sardes para o fato de Ele ter os sete Espírito de Deus (Is 11.2-5). O Espírito Santo estava, e está, disponível para cumprir a sua tarefa. Jesus tem nas mãos também as sete estrelas, que são os mensageiros, ou pastores das sete igrejas. O Senhor não faz nenhum elogio à igreja de Sardes como um todo, mas repreende-a e exorta-a. Afinal, tem Ele os pastores todos em suas mãos, e está preocupado com estes e com as igrejas que presidem.

A igreja de Sardes era muito ativa; tinha nome e reputação. Os de fora consideravam-na espiritual, cheia de vida. No entanto, Jesus vê o interior, aquilo que não é aparente e está escondido. Por isto, declara-a espiritualmente morta. Talvez não mais dependesse do Espírito Santo, e estivesse falhando em seguir a liderança que Deus lhe havia designado. Aqueles crentes ainda usavam o ritual pentecostal, mas não possuíam mais poder. Mesmo assim, não estavam cônscios de sua verdadeira condição, o que os levava a se orgulharem da reputação conquistada. Eis porque careciam estar vigilantes, literalmente “bem acordados”; sua “morte espiritual” era como um sono, ainda era possível despertar a uma nova vida em Cristo.

Os crentes de Sardes dependiam de experiências passadas. Por falta de vitalidade espiritual, achavam-se quase à morte. Nenhuma de suas “obras” era perfeita, isto é, completa. Tudo o que aquela igreja fazia carecia de unção, do toque de Deus, enfim, do movimento do Espírito Santo - o único que pode levar as obras de Deus à expressão completa. Por isso, tinham de acordar e ser vigilantes para fortalecer e encorajar os que estavam fracos e quase à morte. Com ajuda de Jesus, haveriam de fazê-lo.

Ao dar-lhes essa orientação (v.3), Jesus exigia que se arrependessem. Utiliza a promessa de sua vinda para reforçar suas palavras. Parece que a igreja de Sardes também estava negligenciando o ensino concernente à sua segunda vinda, tornando-se, assim, indiferente às coisas espirituais. Pois não há maior encorajamento à santidade e pureza de vida do que a maravilhosa esperança do retorno de Cristo (1 Jo 3.2,3).

Alguns em Sardes são elogiados (3.4)

“Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram seus vestidos, e comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso.”

Ao negligenciarem a esperança do retorno de Jesus, e ao falharem no depender do Espírito Santo para iluminar-lhes as verdades e dar-lhes poder para viverem uma vida santa, os crentes em Sardes haviam manchado suas vestimentas. Isto é: não mais estavam cooperando com o Espírito Santo no trabalho de santificação. Não mais obedeciam o mandamento de se guardarem puro e imaculados da influência do mundo (Tg 1.27). Precisavam colocar de lado tudo o que pudessem contaminá-los, especialmente a malícia, o rancor, a inveja e outros vícios perversos que caracterizam o mundo. Precisavam também ser submissos à Palavra de Deus e aos seus ensinos com humildade de espírito (Tg 1.21).

Contudo, havia ‘algumas pessoas’ que eram exceções, e Jesus as considerava dignas de andarem com Ele ‘de branco’. Esta é uma expressão usada geralmente para roupas feitas de fino linho. Em linguagem espiritual, são vestidos branqueados no sangue do Cordeiro (Ap 7.14), e hão de permanecer brancos por causa da justiça de Cristo (Ap 19.8). O texto mostra que estes crentes já estavam andando com o Senhor, seguindo-o bem de perto, pois ainda não haviam contaminado suas vestes. Os que andarem com o Senhor nesta vida, serão dignos de continuar a andar com Ele no reino que está por vir.

Texto extraído da obra Apocalipse: As coisas que brevemente devem acontecer. Editado pela CPAD.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Oh fundamentalistas! Voltem ao primeiro amor!


Por Gutierres Fernandes Siqueira

Recentemente estudamos na Escola Bíblica Dominical a Igreja de Éfeso. A comunidade dos santos em Éfeso era uma fervorosa defensora da doutrina cristã (e é elogiada por Cristo por sua perseverança na doutrina), mas ao mesmo tempo perdia o amor que um dia desfrutou. Um perigo que todos nós (metidos a apologistas) estamos sujeitos. E, segundo Jeremy Pace, a falta de amor afeta diretamente o fundamentalismo protestante.

Jeremy Pace, da Mars Hill Church, comenta: “Quando o fundamentalismo se torna a lente pela qual os líderes cristãos conduzem a igreja, logo dois principais perigos esperam por eles e seu povo: a perda do amor e uma distração da missão de Deus”.

Pode parecer duro com a ala fundamentalista do protestantismo, mas a falta de paciência e o desejo de “defender a fé” muitas vezes foge de um amor a Cristo e uma preocupação com a salvação do perdido. É possível que façamos da apologética um profissionalismo vazio? Sim, é possível. É possível defender a fé sem um pingo de misericórdia por aqueles que são envoltos em falsas doutrinas? Sim, é possível. E, talvez, seja o maior pecado do fundamentalismo contemporâneo: a defesa da fé como profissão.

Pace ainda argumenta:

"Quando o fundamentalismo se torna a lente primária daqueles que estão na liderança da igreja os liderados são chamados a buscar a “doutrina correta” e o “bom comportamento” até mais do que Cristo. Isso é o que a Igreja em Éfeso era culpada. Sua preocupação era mais para a “reta doutrina” do que pelo amor a Cristo. O que começou como defesa por causa de um amor por Cristo tornou-se uma defesa sem amor de Cristo".

Não é uma advertência trivial. Assim como podemos colocar um carro acima de Deus ou um filho acima do Senhor, é possível colocar a tarefa da preservação doutrinária acima de Cristo. Não foi isso que os fariseus fazeram? Não foi isso que muitos fundamentalistas da Escola de Scofield fizeram contra os pentecostais os acusando de “endemoninhados” por defenderem a contemporaneidade dos dons?

E Pace completa: “O segundo perigo do fundamentalismo na liderança é que isso distrai a igreja de ser ministra da reconciliação no mundo para ser 'protetora da doutrina' e do 'comportamento moral' contra o mundo".

A matriz fundamentalista no Brasil já fez isso com a Igreja Evangélica Brasileira. Infelizmente, os evangélicos são vistos como policiais do comportamento moral, mas que se acham com várias imoralidades. Ou seja, são os morais imorais e hipócritas. É uma igreja que quer pregar santificação antes da regeneração. Isso nunca deu certo! Isso é moralismo, não é Evangelho!

PS: Leia o artigo de The Dangers of Fundamentalism in Leadership (Os Perigos do Fundamentalismo na Liderança) de Jeremy Pace aqui.

domingo, 6 de maio de 2012

Desesperados por saber a “secreta vontade de Deus”!

Cara, você está fazendo isso errado!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Você certamente conhece aquele jovem que espera um “sinal de Deus” para achar a “noiva abençoada” que Deus escolheu. Eu até escrevi sobre esses que fazem de Deus um cupido. Você também conhece aquela senhora que antes de viajar procura o “profeta da igreja” para ver se vai ou não no passeio com a família. Há ainda aquele que está buscando uma resposta divina para abrir ou não uma empresa. O que essas pessoas têm em comum? A visão que Deus desenhou um destino secreto que pode ser descoberto por meio de sinais (profecias, arrepios, versículos em caixinhas de promessa, sonhos ou conselhos de pastores). As pessoas querem basear suas atitudes em alguma mensagem do céu.

O grande teólogo anglicano J.I. Packer escreveu sobre essa perigosa mania:

Durante os últimos 150 anos tem-se estabelecido entre os cristãos um modo diferente de se tomar atitudes- um modo que negligencia o significado da reflexão e da sabedoria na busca da vontade de Deus. Passou-se a desejar uma espécie de orientação mais direta e imediata que a formação de um julgamento sábio sobre o assunto em pauta. O que é isto? O desejo parece refletir uma mistura de coisas. [...] Uma delas é a mentalidade a curto prazo da cultura secular hodierna, anti-intelectual, orientada por sentimentos, invadindo e inundando as mentes cristãs. [...] A outra coisa é uma admirável humildade. Os crentes não confiam em si mesmos para discernir o modo de agir ideal, e quem que este lhes seja diretamente revelado. [...] Outra, ainda, é a fantasia de que, uma vez que cada cristão é objeto especial do amor de Deus, instruções especiais de Deus devem ser esperadas sempre que tenham de tomar uma decisão importante- uma fantasia que parece refletir um egoísmo intantil próprio da fé pueril. [1]

O teólogo pentecostal Donald Stamps escreveu contra aqueles que buscam “direção” sobre decisões da vida em dons espirituais:

Note que, em nenhum incidente registrado no Novo Testamento, o dom de profecia foi usado para dirigir pessoas em casos que pudessem ser resolvidos pelos princípios bíblicos. As decisões no tocante à moralidade, compra e venda, ao casamento, ao lar e à família devem ser tomadas mediante a aplicação e obediência ao princípios da Palavra de Deus e não meramente à base de uma “profecia”.[2]

E Donald Gee, também pentecostal, defendeu bem antes a moderação de Stamps:

Existem graves problemas sendo levantados pelo hábito de dar e receber "mensagens" pessoais de orientação por meio dos dons do Espírito [...] A Bíblia dá lugar para tal direção vinda do Espírito Santo [...] Tudo isso, porém, deve ser mantido na devida proporção. O exame das Escrituras mostrará que, de fato, os primeiros cristãos não recebiam continuamente tais vozes do céu. Na maioria dos casos, eles tomavam suas decisões pelo uso do que normalmente chamamos "sendo comum santificado" e viviam normalmente. Muitos de nossos erros na área dos dons espirituais surgem quando queremos que o extraordinário e o excepcional sejam transformados no frequente e no habitual. Que todos os que desenvolvem desejo excessivo pelas "mensagens" possam aprender com os enormes desastres de gerações passadas e com nossos contemporâneos [...] As Sagradas Escrituras é que são a lâmpada nossos passos e a luz que clareia o nosso caminho. [3]

Lembro essas verdades para recomendar o ótimo livro Faça Alguma Coisa: Uma Abordagem Libertadora Sobre a Vontade de Deus em Sua Vida (Editora Mundo Cristão) do jovem teólogo reformado Kevin DeYoung. É o terceiro livro que a Editora Mundo Cristão lança dele e recomendo muitíssimo cada um dos títulos.

É bacana ver que o autor, um convicto calvinista, não adere ao determinismo preguiçoso. Ele lembra uma verdade inconveniente : “Deus não tem um plano específico para nossa vida, algo que ele queria que decifremos antecipadamente” [4]. E também destaca: “A forma como muitos cristãos lidam com a vontade de Deus não é diferente da maneira como uma pessoa qualquer consulta horóscopo” [5].

Portanto, Deus não tem uma pessoa específica para casar comigo no futuro. Deus não tem uma cidade específica para eu morar daqui dez anos. Deus não tem uma roupa específica para eu vestir amanhã cedo. O importante é que cada escolha que eu faça, seja uma esposa ou uma faculdade, que eu faça para a glória dEle. “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”, como disse Paulo em 1 Coríntios 10.31. Mas a escolha é minha. Deus, em sua soberania, nos deu liberdade. Não podemos terceirizar a responsabilidade individual e as nossas escolhas para o colo de Deus.

Portanto, leia Kevin DeYoung e o seu Faça Alguma Coisa.


Referências Bibliográficas:

[1] PACKER, James Innell. O Plano de Deus para Você. 2 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p 105 e 106.

[2] STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995. p 1679.

[3] GEE, Donald. Spiritual Gifts in The Work of Ministry Today. Springfield: Gospel Publishing House, 1963. p 51.

[4] DeYOUNG, Kevin. Faça Alguma Coisa. 1 ed. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2012. p 70.

[5] DeYOUNG, Kevin. Idem. p 51.

Post-scriptum:

O meu amigo Cristiano Moreira Silva, do blog Nerd Protestante, escreveu uma resenha completa sobre o livro Faça Alguma Coisa. Leia aqui.

Serviço

Sinopse da Editora

Muitos vivem correndo atrás do nada, buscando incessantemente satisfação no trabalho, na família e na prosperidade material. Não que isso seja ruim, mas, no fim das contas, essas coisas não nos satisfazem por completo. E por que não? [...] Você já deve ter ouvido falar que Deus tem um plano para a sua vida, o qual já está inteiramente traçado. Parte dessa insatisfação eterna do ser humano se dá por conta do distanciamento entre suas escolhas e esse projeto divino personalizado. [...] Saber como tomar decisões acertadas, de modo a não fugir do plano de Deus e alcançar satisfação plena é o que você vai descobrir com Kevin DeYoung nesta obra sobre a vontade de Deus. Aqui você não vai encontrar fórmulas prontas do tipo "faça isso e não faça aquilo", mas compreenderá de forma simples e libertadora como identificar a vontade de Deus e aplica-la em sua vida. Deixe a indecisão e a dúvida para trás e faça alguma coisa!




Ficha Técnica
ISBN: 978-85-7325-702-1
Páginas: 144
Ano: 2012