sábado, 30 de junho de 2012

A expansão evangélica e alguns pontos do Censo 2010 [Parte 01]

Capa da revista Veja em julho de 2002
Por Gutierres Fernandes Siqueira


1. O crescimento da população evangélica continua com força, mas em ritmo menor. Alguns sociólogos da religião diziam que o fôlego do crescimento evangélico estaria diminuindo e, de fato, o ritmo diminuiu, mas não fortemente. A população evangélica continua crescendo com força, mas já não é a mesma força da década de 1990. Apesar disso, a estagnação anda longe desse crescimento puxado por comunidades pentecostais e neopentecostais. Em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, diz que, mantida a tendência das últimas décadas, o número de evangélicos irá superar o de católicos em 20 ou 30 anos. "O maior país católico do mundo vai deixar de ser católico", afirmou Alves. Portanto, a previsão da SEPAL (Serviço para Evangelização da América Latina) que afirma que em 2020 metade dos brasileiros serão evangélicos é um tanto otimista.

2. A Assembleia de Deus puxou o crescimento dos pentecostais e isso é uma surpresa. É surpreendente que uma igreja já centenária e em amplo processo de “historização” puxe o crescimento dos evangélicos no Brasil. Na última década a denominação ampliou fortemente sua presença na mídia, no ensino teológico e na liberalização dos “tabus comunais”. Nesse processo de amadurecimento institucional se esperava um crescimento menor, mas não foi o que aconteceu. Eu, particularmente, acreditava que a Assembleia de Deus estava estagnada e, assim, errei feio na minha percepção.

3. A Igreja Universal do Reino de Deus caiu e isso é uma boa notícia. Entre 2000 e 2010, a Universal
perdeu 228 mil fiéis, ou 10% de seus adeptos. Os 2,1 milhões de frequentadores em 2000 caíram
para 1,8 milhão em 2010. Ora, por que isso é uma boa notícia? A Universal é um divisor de águas no meio evangélico. Depois do Edir Macedo toda a sociedade vê a Igreja Evangélica como um grupo de alienados que são roubados por pastores espertalhões. Não há uma instituição que tenha mais manchado o nome dos evangélicos do que Edir Macedo e sua turma da Universal. E só uma pena que parte significativa desse rebanho perdido não a deixou por ter entendido o Evangelho melhor, mas sim para seguir o milagreiro e fazendeiro Valdemiro Santiago.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Lição 01 - No mundo tereis aflições

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

SOFRER FAZ ALGUM SENTIDO?

Por Charles Colson e Nancy Pearcey

[...] Se Deus sabia de antemão que faríamos tal bagunça com as coisas, diz o cético, por que deixou que isso acontecesse? Por que nos criou com a capacidade de pecar? Pergunta justa. Mas pense com cuidado sobre o que isso significa. Para que Deus assegurasse que nós não pudéssemos pecar, ele teria de mexer no nosso livre-arbítrio – para nos criar não como seres humanos completos, mas como marionetes ou robôs programados para fazer somente o que Ele quisesse. Isso, porém, nos faria incapazes de amar a Deus ou a outro semelhante, pois o amor genuíno não pode ser coagido. Também, sem livre-arbítrio, não seríamos capazes de responsabilidade moral, criatividade, obediência, lealdade ou heroísmo. A única maneira pela qual Deus poderia criar seres que fossem completamente humanos era correr o risco de que eles usassem sua liberdade para escolher o mal.

Assim, uma vez que os seres humanos realmente escolheram o mal, o caráter santo de Deus exigiu justiça. Ele não poderia ignorá-la, fazer vistas grossas, ou simplesmente limpar a lista de candidatos e começar tudo de novo. Uma vez que as balanças da justiça perderam o equilíbrio, teriam de ser reequilibradas. Uma vez que o tecido moral do Universo foi rasgado, teria de ser consertado.

Neste caso, diz o cético, a raça humana deveria ter sido extinta com Adão e Eva. Eles deveriam ter sido punidos por sua rebelião, lançados no inferno, o que seria o fim da história da humanidade. Ah, mas Deus é misericordioso assim como justo, e inventou uma alternativa impressionante: Ele próprio suportaria a punição por suas criaturas. Ele mesmo entraria no mundo da humanidade para sofrer o julgamento e a morte que os seres humanos mereciam. E foi exatamente isso o que fez. Através do Deus-homem, Jesus Cristo.

Não era isso que qualquer pessoa jamais esperaria; não era nada que os seres humanos pudessem ter inventado. Jesus cumpriu as exigências da justiça divina quando aceitou a crucificação na cruz romana. Ele venceu Satanás em seu próprio jogo: Ele levou o pior que Satanás e o pecado humano pudessem acumular e transformou isso num meio para a nossa salvação. “Pelas suas pisaduras, fomos sarados”, escreveu Isaías (Isaías 53.5). Através de sua morte na cruz, Jesus venceu o mal e garantiu a vitória definitiva sobre ele. No final dos tempos haverá um novo céu e uma nova terra, livres do pecado e do sofrimento, onde o Senhor “limpará de seus olhos toda lágrima” (Apocalipse 21.4).

Até que venha esse tempo, Deus usa os “espinhos e cardos” que infestaram a Criação desde a Queda para nos ensinar, castigar, santificar e transformar, preparando-nos para aquele novo céu e nova terra. Isso é algo que eu bem entendo: as maiores bênçãos de minha vida emergiram do sofrimento, e tenho visto o mesmo processo repetido em incontáveis vidas. Assim como dói quando o médico coloca um osso quebrado no lugar, pode também causar uma enorme dor quando Deus reajusta nosso caráter. Não obstante, essa é a única maneira de ser completo e saudável.

Um antigo documento descrevendo os mártires da Igreja no primeiro século diz que eles “atingiram tão elevada força da alma que nenhum deles articulou um grito ou gemido”. Através do sofrimento para nos separar dos nossos hábitos errados, das nossas noções erradas e dos ídolos para os quais devemos para os quais vivemos, para que nossos corações estejam livres para amar a Deus.
Friedrich Nietzche, embora ele mesmo fosse ateu, certa vez articulou uma verdade bíblica profunda: “Os homens e as mulheres podem suportar qualquer quantidade de dor contanto que saibam a razão de sua existência”. A Bíblia nos dá “a razão”, o contexto mais amplo de significado e propósito, uma perspectiva eterna. Os propósitos de Deus são o contexto que dá ao sofrimento dignificado e importância.

Em sua famosa doutrina de “Falta Abençoada”, Agostinho definiu o mistério do sofrimento: “Deus julgou ser melhor tirar o bem a partir do mal do que sofrer absolutamente nenhum mal”. Melhor suportar a dor envolvida na redenção do pecado do que não ter de forma alguma criado os seres humanos.

Por que Ele fez isso? Existe somente uma resposta. Amor. Deus nos amou tanto que, até mesmo quando previu o pecado e o sofrimento que escureceriam e distorceriam a Criação, decidiu nos criar de todo jeito. Este é o mistério mais profundo de todos, e o que inspira nossos corações a adorá-lo.

Texto extraído da obra “E Agora Como Viveremos?”, editada pela CPAD.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Grata Nova!

Infelizmente, a qualidade do vídeo é ruim, mas no Encontro de Bandas e Orquestras do Distrito Federal o grupo musical tocou maravilhosamente o lindo hino "Grata Nova" (Harpa Cristã 18). Que nossas igrejas sejam despertadas para a música de qualidade!




Grata Nova

1
Grata nova Deus proclama
Hoje, ao mundo pecador!
Doce nova revelada,
Lá na cruz do Salvador;
Cego e desviado, o homem,
Dos caminhos do Senhor,
Desconhece e desconfia
Deste Deus, o Deus de amor.

Grata nova, doce nova,
Vem dos lábios do Senhor;
Escutai com alegria:
“Deus é luz, Deus é amor”.


2
Com ofertas e obras mortas,
Sacrifícios sem valor,
Enganado, pensa o homem,
Propiciar Seu Criador,
Meios de salvar-se inventa;
Clama, roga em seu favor,
A supostos mediadores,
Desprezando o Deus de amor.

3
Luz divina, resplandece!
Mostra ao triste pecador,
Que na cruz estão unidos
A justiça e o amor.
Fala aos corações feridos,
Mostra-te, Deus Salvador;
E sem fim, proclamaremos:
“Deus é luz! Deus é amor!”

domingo, 24 de junho de 2012

Que os bajuladores fiquem em pé!

Isso tem sido feito errado!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

A aristocracia eclesiástica, o abuso de poder e a figura dos bajuladores já foram temas tratados neste blog. Mas não poderia deixar de comentar o que ouvi de um colega. Ele me contou que estava em uma grande reunião de obreiros ouvindo uma boa pregação quando o pastor-presidente daquela igreja chegou (bem atrasado, inclusive) e, vejam só, a pregação foi interrompida e os obreiros ficaram em pé para recepcionar o “chefe”.

A palavra “absurdo” é pequena demais para expressar tamanha imoralidade. A aristocracia casada com a bajulação é o pior dos mundos. Esses homens nunca leram o Evangelho? Ora, se leram não entenderam. Se entenderam não praticaram. Se não praticaram estão em falta com o próprio Evangelho. Tal comportamento tem ligação com as palavras de Jesus? Vejamos:

Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos". [Mateus 20.25-28]

É certo que isso é um mal cultural. No Brasil quem tem carro importado não liga muito para sinalizar a sua virada à direita ou esquerda. O "dono do mundo" por ter um “carrão” se acha o "dono da rua". E o sujeito que coloca o pé no banco do trem como se fosse o sofá de sua casa? E aquele que ouve música sem fone de ouvido em um ônibus? E a autoridade que diante de uma blitz diz: - Você sabe com quem está falando? É certo que uma igreja que interrompe uma pregação para receber um pastor em pé está presa nesse mundanismo.

Mas esse é apenas um exemplo extremo. No meio pentecostal há inúmeros pequenos casos de aristocracia. Alguns dizem que é questão de respeito, mas não é. É exagero puro. É espírito aristocrático. Vejamos:

- Pedir que a igreja receba em pé um pastor convidado para pregar.

- Separar um prato/bebida melhor para o pastor em uma festa da igreja.

- Colocar cadeiras “mais bonitas” para as “autoridades” da igreja sentarem.

- Carregar rotineiramente malas e pastas do “chefe” como os seguranças fazem com um presidente da República. 

- Distribuir presentes caros para a liderança em uma realidade cheia de membros pobres (Ex: Já ouvi que igrejas pobres da periferia que pagaram um viagem a Israel para o pastor e sua esposa). 

- Tratar pastores-presidentes como se fossem “chefes”.

- Achar que assédio moral é normal e aceitável.

- Comemorar todos os anos o aniversário do pastor como “programação oficial” da igreja.

Os pastores merecem todo respeito e honra. Mas é fácil saber quando o respeito passa a ser bajulação e alimentação de uma aristocracia distante do exemplo e do Evangelho de Cristo.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Lição 13 - A formosa Jerusalém

[Obs: Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD]


O PARAÍSO RECUPERADO

Por David Jeremiah

Viajamos com João na máquina do tempo profético e, quando olhamos para trás, para as pessoas que conhecemos e lugares que vimos, poderíamos chamar nossa viagem de “Uma Jornada Incrível”.
Agora, chegamos ao fim de nossa jornada e nos será dada uma amostra da eternidade futura; um novo céu e uma nova terra serão criados. Embora seja difícil imaginar algo mais maravilhoso do que o céu para onde vamos após a morte, o céu eterno será ainda mais glorioso. A “princesinha” do paraíso será a Cidade Santa, a nova Jerusalém. 

João assistiu a tantas tragédias e triunfos que deve ter sido maravilhoso observar o fim da visão com resplendor. Ele escreveu:

E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe... E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve, porque estas palavras são verdadeiras e fiéis (Ap 21.1,5).

Parece estranho que o novo céu e nova terra não tenham mar. Considerando que três quartos do globo estão debaixo d’água, esse novo mundo certamente será diferente. Sabemos que os oceanos separam as pessoas; talvez a possibilidade de haver um continente unificado seja a razão de não existirem mais grandes massas de águas. João conhecia a solidão do isolamento da ilha de Patmos e esteve separado de seus amigos e do ministério eclesiástico no continente pelo mar Egeu. 

A nova terra será cheia de justiça (2 Pe 3.13). Não haverá nada para arruinar o relacionamento com Jesus e com as outras pessoas. Os pensamentos e ações que dominam nossa existência no planeta Terra já não existirão ― nem inveja, ira, engano, homicídio, fornicação, imundície, pobreza ou poluição. Se isso parece agradável, espere até descobrir o que haverá ali. 

Sentiremos saudade de nossa “vida antiga”? De jeito nenhum. O profeta Isaías escreveu: “Porque eis que eu crio céus novos e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Is 65.17).
Não haverá morte ou pranto. O céu descrito nas canções ou pintado pelos artistas da Renascença é apenas um microcosmo de como será o céu real. O Senhor, que criou essa linda terra que temos hoje, reserva algumas surpresas para nós, tenho certeza.

O QUE ACONTECERÁ COM O VELHO CÉU E A VELHA TERRA?

A seguir, uma descrição do fim desse mundo presente que nos foi dada pelo apóstolo Pedro. Disse ele:

Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de Deus, em que os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? (2 Pe 30.10-12)

Creio que as palavras de Pedro não significam aniquilação total da velha terra e céu, mas uma recriação deles. 

Tanto no Antigo como no Novo Testamento, a palavra “novo” significa frescor ou renovação. É como pegar um prédio velho e remodelá-lo. Um estudioso [R. C. H. Lenski] disse o seguinte: “A renovação do céu e da terra será como a nossa própria renovação. Seremos as mesmas pessoas e teremos o mesmo corpo e a mesma alma que temos agora; só que renovados... O mesmo acontecerá com o novo céu e a nova terra”.
O Apocalipse revela apenas o que devemos saber por ora. Há alguns mistérios que Deus nos permitirá conhecer somente quando chegarmos ao Paraíso; deve ser por este motivo que temos tão poucas descrições do nosso lar eterno. Ele descreveu, porém, a nova Jerusalém, o centro do universo e a capital de onde Jesus reinará.

Texto extraído da obra “Antes Que a Noite Venha: A Mensagem de Esperança em Tempos de Crise”, editada pela CPAD.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Irmã Zuleide e a “caricatura evangélica”

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Alguém muito criativo criou uma personagem que faz sucesso na Internet. É a “Irmã Zuleide”. No Facebook mais de 445 mil pessoas curtem a página e no Twitter a “irmã” é seguida por mais de 222 mil twitteiros. A “Irmã Zuleide” é uma sátira dos evangélicos brasileiros. Ela é legalista, viciada em temas de sexualidade, vingativa, moralista e gosta de expressar sua espiritualidade com a expressão “tô orando por você...”. Além disso ela é a própria encarnação do “evangeliquês”.
A famosa "Irmã Zuleide"

Por que tanto sucesso na Internet? É simples. A caricatura funciona porque muitos evangélicos são a própria caricatura em carne e osso. Quando leio as frases da “Irmã Zuleide” não é difícil lembrar de muitos evangélicos que eu conheço. O sucesso advém do fato que o criador da personagem consegue sintetizar ironicamente a identidade do “evangélico médio”. 

Eu não lamento a sátira em si. Aliás, o humor nunca foi reverente e nem espero isso dos humoristas. Combater o humor não é a minha praia. Deixo essas manias autoritárias para outros... Chesterton dizia que não queria fazer parte de uma religião incapaz de rir de si mesma. Eu também não!

O que lamento são as sátiras vivas que pregam e cantam todos os domingos nos nossos cultos. Lamento a quantidade de “Irmãs Zuleides” que estão presas em clichês e não sabem o ABC do Evangelho. Lamento os inúmeros pastores que desprezam a principal missão pastoral: o ensino da Palavra! Ora, são pastores que preferem fazer do púlpito um verdadeiro circo com gritarias e manias teatrais. 

Oh, como lamento que a sátira de um humorista faça todo sentido, logo porque muitos evangélicos nada sabem da Cruz, mas encarnam os mesmos valores da “Irmã Zuleide”. Quantos no nosso meio são moralistas vazios, vingativos, sexualmente doentes e gostam de um evangeliquês recheado com uma espiritualidade água com açúcar?

É rir para não chorar!

Academia em Debate: Entrevista com Paulo Romeiro

terça-feira, 19 de junho de 2012

Martin Bucer: Módulo 02

Caros alunos e leitores,

Por meio deste blog vou disponibilizar o material apresentado nas aulas do Curso de Capacitação de Liderança Cristã e Teologia Básica do Seminário Martin Bucer ministrado na Assembleia de Deus Ministério Redenção em Cidade Ademar, São Paulo (SP).

Apresentarei os slides das aulas do professor Matias Heidmann e das minhas aulas. Segue abaixo os slides do terceiro módulo. Em breve apresentarei os primeiros slides. O material abaixo permite que você faça download. Para fazer o download basta clicar no desenho da engrenagem. 

Bibliologia (Gutierres Siqueira)


Conversão (Matias Heidmann)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Martin Bucer: Módulo 03

Caros alunos e leitores,

Por meio deste blog vou disponibilizar o material apresentado nas aulas do Curso de Capacitação de Liderança Cristã e Teologia Básica do Seminário Martin Bucer ministrado na Assembleia de Deus Ministério Redenção em Cidade Ademar, São Paulo (SP).

Apresentarei os slides das aulas do professor Matias Heidmann e das minhas aulas. Segue abaixo os slides do terceiro módulo. Em breve apresentarei os primeiros slides. O material abaixo permite que você faça download


A Trindade (Matias Heidmann)



O pecado da "infalibilidade evangélica" (Gutierres Siqueira)


domingo, 17 de junho de 2012

Lugar vazio!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Lugar vazio!

“O hedonismo do Ocidente é a outra face do seu desespero; o seu ceticismo não é uma sabedoria, mas uma renúncia; o seu niilismo desemboca no suicídio e em formas degradadas de credulidade, como os fanatismos políticos e as quimeras da magia. O lugar vazio deixado pelo cristianismo nas almas modernas não foi ocupado pela filosofia, mas pelas superstições mais grosseiras. Nosso erotismo é uma técnica, não uma arte ou uma paixão.” [Octavio Paz]

É como G. K. Chesterton dizia: "não há problema em não acreditar em Deus; o problema é que quem deixa de acreditar em Deus começa a acreditar em qualquer outra bobagem, seja na história, na ciência ou sem si mesmo...". O vazio de Deus sempre é preenchido de forma medíocre. O vazio de Deus, certamente é o grande conflito da humanidade, mas com a simples resposta na cruz.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O mito da “nação cristã” [parte 02]

Nenhum símbolo ideológico pode substituir o simbolismo da cruz!

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Nesta segunda parte quero comentar alguns pontos que ficaram de fora no primeiro artigo. [Leia a primeira parte aqui].

O texto essencial para quebrar o mito da “nação cristã” é a famosa frase de Jesus: “Dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" [Mateus 22.21]. Jesus Cristo não está falando que há duas dimensões onde em uma Deus age soberanamente e em outra o homem vive como absoluto. O principal ensinamento desse texto é: o Reino de Cristo não é um Estado. O Reino de Cristo não é uma teocracia. Há uma clara separação entre a Igreja (Reino de Cristo) e o Estado (reino de César).

É uma pena que alguns cristãos insistam na ideia de uma “teocracia cristã” baseados em textos do Antigo Testamento. Não é somente um problema de civilidade, mas também de péssima hermenêutica. É o que eu chamo de “hermenêutica judaizante”, ou seja, aquela velha tendência de trazer elementos conceituais da Antiga Aliança para a Nova Aliança. O cristianismo é em essência uma “religião” que nasce separada de propósito estatal. É também uma pena que por tantas vezes a cristandade se casou apaixonadamente com o Estado.

O judaísmo da época de Cristo tinha sérias dificuldades para justificar teologicamente o pagamento de impostos ao Império Romano. Mas Jesus, ao apresentar a separação religião-Estado, quebra esse dilema. O grande teólogo D. A. Carson escreve:

Os judeus, com sua herança teocrática, eram mal equipados para formular um argumento teológico justificando o pagamento de tributos para governantes estrangeiros e pagãos, a menos que eles, como os judeus no exílio, interpretassem sua situação como de julgamento divino. Mas não era só o monoteísmo judaico que ligava religião e Estado. O paganismo, em geral, insistia ainda mais firmemente na unidade do que distinguimos como obrigações civis e religiosas. [1]

Em Jesus há uma tremenda quebra de paradigma: o Estado não será depositário da fé. Nada de teocracia. César no seu lugar limitado. Deus, o Todo-Poderoso, em todo o universo. Cada um em seu lugar. “Este pronunciamento da máxima importância feito por Jesus mostra que Ele distinguia o secular e o sagrado sem cindi-los, e que distinguia sem unificar as duas esferas em que os seus discípulos têm de viver. Eles são cidadãos de suas cidades, a terrena e a celeste, e têm deveres a cumprir em ambas”, como escreveu R. V. G. Tasker [2].

Misturar Estado e Igreja é um grande sacrilégio!

É conhecido de nós que muitas igrejas na Alemanha nazista aderiram com entusiasmo ao programa totalitário de Aldoph Hitler. Havia, inclusive, um amplo programa estatal para a criação da Igreja Nacional do Reich, ou seja, literalmente uma congregação de essência nazista. Entre os artigos, mostrados no ótimo livro de Erwin Lutzer, estava aquele que simboliza o estremo da mistura Igreja e Estado: “No dia de sua fundação, a cruz cristã deverá ser removida de todas igrejas, catedrais e capelas [...] para ser substituída pelo único símbolo invencível, a suástica” [3]. A suástica substituindo a cruz chegou a virar realidade. O simbolismo é fortíssimo e o alerta é ainda maior!

Messianismo

Ora, parte do mito reside na esperança messiânica que alguns evangélicos nutrem pela figura de um presidente evangélico. Ora, os evangélicos brasileiros esquecem que já tivemos dois presidentes protestantes (e um deles para vergonha nossa). Há realmente quem acredite que o nosso país será abençoado com a figura de um “crente” na presidência. Esse messianismo ficou evidente na eleição de 2002, onde Anthony Garotinho era o “candidato dos evangélicos”. O mesmo Garotinho que é herdeiro do brizolismo, ou seja, um populismo demagogo com tendências de gestão desastrada. O brizolismo foi responsável pela decadência do Rio de Janeiro nas últimas três décadas.

O primeiro presidente protestante deste país foi João Fernandes Campos Café Filho, vice de Getúlio Vargas, que assumiu o posto após o suicídio do presidente no ano de 1954. Mas Café Filho passou pouco mais de um ano no poder. Café Filho era membro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Natal (RN). O general Ernesto Geisel, que exerceu o mandato de 15 de Março de 1974 a 15 de Março de 1979, foi o segundo presidente protestante tupiniquim. Geisel era membro da Igreja Luterana no Rio Grande do Sul. Portanto, em plena Ditadura Militar, o povo evangélico teve um “representante”. Grande coisa!

Vejam que coisa temerária! Garotinho é filho político do populista demagogo Leonel Brizola. Café Filho era vice de outro grande populista: o demagogo e autoritário Getúlio Vargas. E o Ernesto Geisel? Ele em si encarnava todos esses valores do atraso: autoritarismo, estatismo e nacionalismo. Ora, ora... esses representantes foram bênçãos ou maldições para o Brasil? Acho que a segunda opção está mais próxima da realidade.

Depositar esperanças em um candidato presidencial messiânico não é pecado exclusivo dos evangélicos. Em 2008, a campanha democrata norte-americana ungiu Barack Obama como o “salvador do mundo”. Obama ganhou e está sendo um presidente como outro qualquer. E o messianismo em torno de Marina Silva? Apesar da minha simpatia por ela (a quem julgo inteligente e bem intencionada) eu fiquei espantado como muitos a tratavam em 2010 como a grande salvadora do Brasil e, quem sabe, do mundo. Infelizmente, o ambientalismo se tornou outro grande depositário de fé messiânica.

Portanto, é sempre temerário a mistura da Igreja com o Estado. É um casamento infeliz e adúltero. E o messianismo sem Jesus Cristo e posto em figuras políticas é a raiz de toda sorte de autoritarismo. A Igreja não pode trocar a cruz por outro símbolo ideológico qualquer!

Referências bibliográficas:

[1] CARSON, Donald Arthur. O Comentário de Mateus. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2010. p 534.

[2] TASKER, R. V. G. Mateus: Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1980. p 167.

[3] LUTZER, Erwin. A Cruz de Hitler. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2003. p 150.

sábado, 9 de junho de 2012

Lição 11- O Evangelho do Reino no Império do Mal

Os 144 mil. O que representaria?
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Texto preparado para aula na Escola Dominical da Assembleia de Deus no Jardim das Pedras (São Paulo- SP)

Vejamos os dois principais temas da lição desse domingo na perspectiva pré-milenista (adotada pela revista) e amilenista.

 

Quem são os 144 mil?


Visão pré-milenistaVisão amilenista
São judeus que se converterão a Cristo logo após o arrebatamento da igreja. Esse grupo precederá a conversão nacional de Israel. O evento da conversão dos judeus se dará no final da Grande TribulaçãoSignifica a Igreja em todos os tempos. A igreja redimida pelo sangue do Cordeiro e composta de judeus e gentios (não-judeus). O simbolismo do número 144 mil se refere a “totalidade” e não a um grupo separado [1].


Visão sectária- Segundo o Corpo Governante da organização sectária Testemunhas de Jeová, os 144 mil de Apocalipse 7 e 14 indicam o número exato daqueles mais fiéis dentro da organização que irão morar no céu. Mas em uma edição da revista Sentinela [maio de 2007] o número de “vagas no céu” teria aumentado [2]. Essa ideia é conhecida como a doutrina da “classe da grande multidão”. O grande problema da interpretação dessa seita é a sustentação do seu exclusivismo. Ninguém, não sendo um membro da organização, fará parte dessa multidão de 144 mil. O exclusivismo é um traço marcante de uma organização sectária e perigosa.



Quem são as duas testemunhas?

Visão pré-milenistaVisão amilenista
Dois profetas que proclamarão o Evangelho no período da Grande Tribulação.Representa a Igreja, em todos os tempos, em sua tarefa de evangelização e testemunho do Evangelho.



Notas:

[1] “Não é difícil entender o número de 12 x 12.000. Como é costume no Apocalipse, o número é simbólico e afirma que todo o povo de Deus será guiado com segurança através da tribulação; nem um só se perderá”. LADD, George. Apocalipse. Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1980. p 88.

[2] SOARES, Esequias. Respostas Às Testemunhas de Jeová. 1 ed. São Paulo: Editora Candeia, 2009. p 172.

A intolerância dos tolerantes!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Tolerância era:

- “Eu discordo das suas ideias, mas eu acredito no seu direito de expressá-las”. 
- “Eu acho que você está errado, mas creio que você tem o direito de falar”.

Tolerância agora é:

- “Eu concordo com todas as ideias, inclusive a sua”. 
- “Eu acho que você está certo, aliás, ninguém está errado”. - “Todas as ideias são válidas”.

O conceito de tolerância mudou. Antes a tolerância era discordar com respeito em um ambiente democrático (onde todos têm voz). Hoje a tolerância é acreditar que não há verdade objetiva, ou seja, não existe certo ou errado. Antes a tolerância estava ancorada no respeito ao indivíduo, mas hoje a tolerância é "respeitar" todas as ideias. Bom, eles dizem respeitar todas as ideias, mas a verdade é bem diferente!

Em intransigência, os "novos tolerantes" em nada
diferem dos antigos inquisidores!
Ora, eu prefiro a “tolerância antiga", pois a “nova tolerância” é a cara da hipocrisia pós-moderna. A "nova tolerância" é hipócrita por ser mentirosa. A "nova tolerância" é, também, um pensamento circular, pois diz tolerar tudo, mas não tolera aquele que eles consideram intolerantes segundo os seus critérios. Ninguém é relativista quando se sente ofendido. A hipocrisia pós-moderna, ancorada no politicamente correto, é falha de caráter. Eles são "mentes abertas" quando os seus pressupostos não são desafiados. Eles são "mentes abertas" somente dentro do próprio círculo conceitual. 

A "antiga tolerância" era realmente tolerante. É a tolerância que suporta. A "nova tolerância" é bem intolerante, autoritária e reacionária. A "nova tolerância" diz que não devemos ofender ninguém com nossas ideias, mas ao mesmo tempo expressa isso com um tom de censura. Ou seja, cale-se para não ferir os sentimentos de outrem. 

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Leia mais sobre o tema em uma entrevista muito interessante com o teólogo D. A. Carson feita pelo teólogo Albert Mohler Jr. Neste link


Sexo: um deus, algo vulgar ou uma dadiva? (Parte 1)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Singularidade de Deus e a idolatria do homem!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Ao iniciar o estudo de Deus, o Deus trino, é importante destacar a singularidade do Senhor. Deus é único. Não há outro como Ele. “Ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém” [Judas v. 25]. Deus é, também, diferente da conceituação dada aos deuses deste mundo. E uma das formas de demonstrar a singularidade de Deus é destacar que o relacionamento com o homem não é parte de um chamamento humano, mas sim dEle próprio. É o Senhor que nos escolhe e não o contrário. Karl Barth, teólogo suíço, escreveu:
O Deus que a fé cristã confessa não é, à maneira dos deuses deste mundo, um ser que se encontra ou se inventa, uma divindade que se oferece ao homem ao término de seus esforços; ele não é o coroamente, seja ele o mais perfeito, de uma procura que pudéssemos iniciar sem mais nada a alcançar por nós mesmos. [...] É o Deus que, ao contrário, ocupa já e sem retorno o lugar de tudo aquilo que os homens costumavam chamar “Deus” e, que, excluindo de imediato todas as demais presenças, exceto a sua, reivindica o privilégio de ser dele somente a verdade. Se não se compreende isso, permanece-se incapaz de entender aquilo que a Igreja quer dizer quando confessa: creio em Deus. Trata-se aqui de um encontro do homem com a realidade a qual ele permanece para sempre incapaz de buscar e encontrar por is mesmo. “O que o olho não viu, o que o ouvido não escutou e o que não subiu ao coração do homem, Deus o revelou aos que o amam” ( 1Co 2.9). Assim se exprime o apóstolo Paulo a respeito dessa realidade. E não se pode falar diferentemente. [1]
Confundir Deus com os ídolos é sacrilégio. Toda vez que achamos que podemos convocar Deus por nosso méritos estamos pensando que o Senhor do Universo é um ídolo qualquer. Adorar um deus diferente da relevação bíblica na pessoa de Jesus Cristo é um caminho contra o primeiro mandamento. “Portanto, meus amados, fugi da idolatria” [1 Coríntios 10.14].

Idolatria! Livra-nos dela!
Referência Bibliográfica:

[1] BARTH, Karl. Esboço de uma Dogmática. 1 ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2006. p 45.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A Cristofobia ignorada e o Evangelho da Classe C

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Eu quero recomendar duas matérias divulgadas nesta semana pelas principais revistas do país.

1.

A revista Época publicou em seu site um maravilhoso artigo da ativista e ex-parlamentar Ayaan Hirsi Ali, de 42 anos, que nasceu de uma família muçulmana na Somália e emigrou para a Holanda. Produziu o filme Submissão (2004), sobre a repressão às mulheres no contexto islâmico.Ela afirma em seu livro Nômade: do islã para a América (Companhia das Letras) que ao ver a violência de Osama Bin Laden se convenceu que a visão de mundo preta e branca dos mulçumanos e o valor da jirah eram um mal.

No texto, a ativista mostra que o mundo ocidental ignora um fato óbvio: a cristofobia dos países mulçumanos. Muito se fala de islamofobia da Europa, mas o silêncio é estrondoso sobre a perseguição aos cristãos nos países islâmicos do Oriente Médio, Ásia e norte da África.

Entre as várias ideias do texto, Ali afirma:

Deveria ficar claro, a partir desse catálogo de atrocidades, que a violência contra os cristãos é um problema importante e pouco denunciado. Não, a violência não é planejada centralmente ou coordenada por alguma agência islâmica internacional. Nesse sentido, a guerra mundial contra os cristãos não é nem um pouco uma guerra tradicional. É uma expressão espontânea de uma animosidade anticristã por parte dos muçulmanos que transcende cultura, região e etnia.
Leia o artigo completo no site da revista Época neste link.

2.

O pastor Silas Malafaia deu uma entrevista para as famosas páginas amarelas da revista Veja. Há muito a se comentar sobre as afirmações do senhor Malafaia, mas eu quero trazer para o debate aquilo que conceituou como Evangelho. Veja abaixo:

O repórter Pedro Dias Leite pergunta: “A que o senhor atribui o crescimento do número de evangélicos no Brasil?” e o Malafaia responde:

O Evangelho não é algo litúrgico, para ser dissecado em um culto de duas horas. A grandeza do Evangelho está no fato de ser algo, que pode ser praticado. A Bíblia é o melhor manual de comportamento humano do mundo. As igrejas evangélicas têm pregado uma mensagem de grande utilidade para a vida das pessoas também depois do culto. Esse é o grande segredo. De que adianta eu fazer o meu fiel ficar duas horas dentro de um templo se, quando aquilo acaba, nada muda nas relações dele com a família, com o trabalho e na vida social? Nós pregamos uma mensagem que condiciona a prática da pessoa no seu dia a dia. Jesus disse: "Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância". Ele fala da vida terrena nessa passagem. Entre os católicos, quem mais se aproximou de nós, evangélicos, nessa maneira de encarar a pregação foi o movimento carismático. Os padres carismáticos católicos adotaram uma maneira de pregar que os pastores já utilizam há mais de quarenta anos. Os pastores são muito eficientes não apenas em atrair mas também em manter seu rebanho, não? Sim. Quando uma pessoa se diz católica e alguém pergunta qual foi a última vez que ela foi à igreja, uma resposta comum é que isso ocorreu há vinte anos, quando fez a primeira comunhão. Entre os evangélicos, o fiel mais desligado vai responder que comparece aos cultos pelo menos duas vezes por semana, que dá o dízimo e faz a oferta.

Eu destaquei em negrito a afirmação do Malafaia. É uma afirmação trágica. Como pastor se esperava uma resposta pastoral, mas a própria resposta mostra o conceito de Evangelho na cabeça do Silas Malafaia. É um outro Evangelho.

O Evangelho do Malafaia é autoajuda. É um Evangelho de dicas de “como viver essa vidinha movida pelo cartão de crédito”. É um Evangelho que vê a Bíblia não como “a revelação de Jesus Cristo”, mas sim como um manual prático, ou seja, o maior livro de autoestima do mundo. É o Evangelho que nunca viu a cruz, mas sempre consulta o modo mais pragmático de alçancar os sonhos da classe média emergente. É um Evangelho que não tem Cristo como centro, mas sim os desejos de consumo dos homens.

Consumir, sonhar, desejar uma vida melhor... Não há nada de errado com isso, mas Cristo não morreu por nós para que tivéssemos um Celta ou um apartamento de 50 metros quadrados. O Evangelho do Malafaia é estranho ao Evangelho de Cristo.

Paulo, o apóstolo, não era nem um pingo preocupado com a autoestima brega do  Evangelho da Autojuda!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O mito da “nação cristã”!

Constantino acredita no mito!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

No domingo passei alguns minutos assistindo, ao vivo, as cerimônias do Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth II. A rainha inglesa, em toda a sua pompa, recebia inúmeras homenagens de seus súditos. Apesar de crer que a monárquica Grã-Bretanha é mais republicana que a República Federativa do Brasil, ainda assim vejo como bem exótico tanta festa em torno de uma pessoa.

Bom, escrevo isso para lembrar que a rainha é chefe da Igreja Anglicana (em inglês: Supreme Governor of the Church of England). Isso faz do Reino Unido uma terra cristã? Absolutamente não! Não por causa de Elizabeth II, mas sim porque nunca houve e nunca haverá uma nação cristã. O cristianismo é uma religião de indivíduos e não de coletivos. Nós podemos falar em uma “cultura com influência cristã”, mas nunca em “nação cristã”. Ora, “nação cristã” é puro mito!

Quando vejo John MacArthur Jr. lamentando em uma pregação que os Estados Unidos deixaram de ser uma “nação cristã” fico me perguntando quando os Estados Unidos foram “cristãos”. Muitos cristãos americanos alimentam a fantasia de que o Pais Fundadores, como são chamados os líderes políticos que assinaram a Declaração de Independência ou participaram da Revolução Americana, eram cristãos fervorosos e pautavam suas decisões nos princípios bíblicos. Mas é bom lembrar que boa parte desses líderes eram simplesmente deístas. E nessa utopia muitos sonham com um passado idílico que nunca existiu.

É fato que o puritanismo na Nova Inglaterra influenciou a cultura americana. Isso ninguém contestará, mas daí supor que o país era cristão já é demais. E o que seria uma nação cristã? Ora, cristão é um seguidor de Cristo, logo, como o cristianismo seria formador de Estado se o Reino de Cristo não é deste mundo (João 18.36)? Seria cristão um Estado com base racialista, tribalista ou nacionalista? O “cristão’ Império Romano justificava suas guerras com um discurso religioso, sendo que isso não faria dos romanos ainda mais distantes do cristianismo de Cristo?

Não escrevo isso com um ranço bocó de antiamericanismo de uma teologia autóctone, pois nem os Estados Unidos e nenhum outro país tiveram algum momento cristão. E o Brasil não será uma nação cristã, como cantam os ufanistas da Teologia do Domínio. Muitos também acham que a Europa já foi cristã. Quando? A Europa dos colonizadores? A Europa das guerras intermináveis? A Europa da Revolução Francesa? A Europa das Cruzadas? A Europa já teve fortes influencias cristãs, mas nunca foi cristã.

Por que não existe “nação cristã”?

Ora, o cristianismo em sua essência nunca foi e nunca será de maiorias. O cristianismo é a espiritualidade da “porta estreita” (cf. Mateus 7.14). A fé autêntica é tão elevada que mesmo os mais santos são desafiados por esses valores e reconhecem o seu estado de miséria espiritual. Ora, quanto mais santo alguém for mais pecador se reconhecerá. George M. Marsden escreve:

Em nenhuma sociedade de qualquer tamanho que seja, a esmagadora maioria dos cidadãos foi ou é composta de cristãos radicalmente comprometidos com a fé. Além do mais, até mesmo os maiores santos fracassaram em vencer totalmente pecados tais como o orgulho e o interesse próprio e, frequentemente, fracassaram até mesmo diante do materialismo, do amor ao poder e do amor à violência. Assim, uma civilização, ainda que possa contar com muitos cristãos verdadeiros, manifestará estas características humanas universais. A introdução do cristianismo, na verdade, melhorará a civilização, desde que muitas pessoas e algumas atividades culturais e instituições resultantes sejam modelados pelos ideais mais ou menos afinados com a vontade de Deus. Assim, ao lado das tendências pecaminosas patentes no núcleo de uma civilização, podem existir outras tendências positivas importantes para as quais o cristianismo contribuiu. [1]

E muitas foram as contribuições do cristianismo para o mundo. Os hospitais são uma invenção cristã. Quando inúmeros carros se afastam no trânsito para uma ambulância passar com uma pessoa doente, isso nada mais é do que o molde do cristianismo sobre o tratamento aos doentes. Nem sempre os doentes foram tratados com prioridade. E o que falar do infanticídio dos romanos? No cristianismo o infanticídio se tornou um crime horrendo. E o que dizer das universidades? Sim, o cristianismo inventou a universidade.

Sim, podemos ver “Cristo como o transformador da cultura” como defendia H. Richard Niebuhr, mas nunca veremos uma teocracia cristã. E isso nem é desejável! Nunca veremos um Israel cristão governado por juízes piedosos e reis que fazem “o que é reto aos olhos do Senhor”! É temerário o cristão que sonha com uma espécie de teocracia que Israel viveu. Deus não se relaciona em sua revelação da Nova Aliança com uma nação específica, como fez no Antigo Testamento, mas sim através de Cristo “onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo ou livre, mas Cristo é tudo em todos” (Colossenses 3.11).

Não confunda “mandado cultural” com “teocracia cristã”

A teologia reformada holandesa trouxe grande contribuição para o cristianismo ao pregar com forças o “mandato cultural”. A ideia baseia-se no princípio que os cristãos têm a missão de influenciar positivamente a cultura local com os valores do Evangelho. A pretensão é de influência e não de dominação. Logo porque, para o crente no “mandato cultural” é mais importante um cientista cristão do que um político evangélico que “defenderá os valores do Evangelho no Congresso” (essas mentiras que eles contam para abocanharem votos!).

Portanto, é errado o cristão conformado com o mundo. Está errado o cristão que pensa que o seu dever é somente com "valores do céu". Está errado aquele cristão que esconde o seu cristianismo no armário, ou seja, aquele que afirmar ser os seus valores cristãos algo para o íntimo do ambiente familiar e nunca para a manifestação pública. Vivemos em um mundo e podemos influenciá-lo positivamente, mas sempre encarando os nossos limites. Sim, sem a arrogância da teonomia ou da Teologia do Domínio. Como afirma John Piper:

Os forasteiros cristãos não são passivos. Não riem maliciosamente diante da miséria nem se divertem com a cultura imoral. Choram, ou deveriam fazê-lo. Este é o ponto principal: ser forasteiro não significa ser cínico, indiferente ou omisso. O sal da terra não estraga o alimento. Onde ele pode, age para preservar e temperar; quando não pode, lamenta-se. A luz do mundo não se retrai, dizendo “problema seu”! para o ímpio em trevas. Ela se esforça em iluminar, não em dominar. [...] A grandeza dos cristãos forasteiros não é o sucesso, mas o serviço. Estejamos ganhando ou perdendo, nós testemunhamos o caminho da verdade, da beleza e da alegria. Não possuímos uma cultura, nem dominamos a cultura existente. Nós a servimos com alegria quebrantada e uma misericódia resignada, visando o bem do homem e a glória de Jesus Cristo. [2]

Portanto, como lembra Piper, a atuação da igreja é mais serviçal. É no serviço que a igreja mostrará a sua luz. É, por exemplo, na defesa dos direitos humanos (por isso lutamos contra o infanticídio chamado suavemente de “aborto”) e na formação cultural elevada e de qualidade. Mais do que preocupação política, nós deveríamos trabalhar por mais hospitais, escolas e faculdades que reflitam valores cristãos. Hoje, no Brasil, a Suprema Corte tem defendido ideias que vão de encontro com esses valores e a Igreja continua se preocupando em eleger deputados no lugar de incentivar o estudo do Direito.

A teonomia defende a ideia que a Lei (nomia) de Deus (Teo) deve reinar como no Israel do Antigo Testamento nos dias de hoje. Esses parecem que esqueceram a diferença entre as duas alianças. O “mandato cultural” nada tem a ver com isso. “O mandato cultural implicaria no envolvimento cristão em todas as áreas da vida humana, no seguimento da noção dos reformadores de nossa adoração se dá por meio de nossa vida: nosso trabalho e nossos compromissos de cidadania”, como lembra Ricardo Quadros Gouvêa [3].

Por que trabalhar por uma “cultura influenciada” pelo cristianismo e não por um governo teocrático?

O nosso governo é a democracia. “A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas”, como resumiu magistralmente o primeiro ministro inglês Winston Churchill. A teocracia foi um modelo da Velha Aliança em um contexto de “nação escolhida” para trazer o Messias ao mundo. A teocracia é uma abominação na Nova Aliança. A democracia, como lembrava Abraham Kuyper, é “uma graça de Deus” [4]. E o famoso teólogo Reinhold Niebuhr dizia: “A capacidade do homem para a justiça torna a democracia possível; mas a inclinação do homem para a injustiça torna a democracia necessária” [5]. E é bom lembrar que a fadada teocracia do Império Romano era, na verdade, uma clerocracia.

Defender valores cristãos na sociedade é de suma importância. A voz cristã, como dito acima, não precisa se esconder atrás de um armário. Por que todos podem expressar suas opiniões e os cristãos devem aderir ao silêncio? Nada disso, em uma sociedade laica todos têm voz. 

Além disso, a voz cristã e a formação de uma cultura influenciada pelo cristianismo (“cultura cristã” é tão mítica quanto “nação cristã”) ajuda na preparação dos “pontos de contato” para a transmissão do Evangelho. Esse é inclusive o cerne da apologética cristã, como lembra o filósofo William Lane Craig:

A tarefa da apologética é ajudar a criar e manter um ambiente cultural em que o evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável para homens e mulheres pensantes. [...] Por isso, é vitalmente importante que preservemos um ambiente cultural em que o evangelho é ouvido como uma opção viva para pessoas pensantes, e a apologética será essencial para ajudar a produzir esse resultado. [6]

Portanto, sem querer impor o cristianismo com uma força tirânica, o nosso papel é influenciar a cultura positivamente. É influenciar com os altos valores do Reino. É trazer bênção para a sociedade por nossas atitudes. Não é imposição: “'Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito', diz o Senhor dos Exércitos" (Zacarias 4.6).

É certo legislar valores cristãos numa sociedade laica?


Quando um defensor da falaciosa teonomia como Mark R. Rushdoony diz que “um dos mitos mais absurdos do nosso tempo é que ‘você não pode legislar moralidade’. Nada poderia estar mais longe da verdade. Toda lei é uma moralidade legislada” [7] ele está certo. Só que Rushdoony esquece o óbvio: nem toda moralidade é legislada, mesmo que toda legislação tenha um fundo moral. Por exemplo, não existe nenhuma lei que puna o ódio não manifesto, mesmo que essa falha moral seja a raiz de toda violência.

Portanto, é certo que valores cristãos sejam impostos aos não-cristãos? É certo legislar valores que dependem a graça divina para a obediência? Bom, não existe uma resposta definitiva, pois é necessário analisar cada caso. A luta contra o aborto é um tido como um valor cristão, mas deveria ser meramente um valor humano, pois assassinar a vida de uma criança é mais do que desafiar um dogma do cristianismo. Mas e as questões de sexualidade? Será certo legislar moralidade nesse sentido? E o que adianta ser seguidor de tais leis exteriores se a conversão a Cristo está distante!

Diante do desafio plurarista, o filósofo cristão Rich Mouw defende:

Sou cauteloso dos esforços em estabelecer leis cujo propósito primário é forçar os não-cristãos a se conformarem a normas sexuais cristãs. Enquanto faça sentido construir “cercas” legislativas em torno de certas práticas de exploração sexual, as eis designadas a fazer os não-cristãos se conformarem relutantemente a normas cristãs não são satisfatórias. As Escrituras chamam os seres humanos a oferecerem a Deus sua obediência livre. Quando escolhem não fazer assim, temos de respeitar suas escolas mesmo que na nossa opinião sejam escolhas lamentáveis. [8]

Mas isso, em hipótese alguma, significa concordância ou relativismo, como ainda lembra Mouw:

Nenhuma tentativa de ser civil será biblicamente adequada se não dá importância à realidade do mal. Civilidade não pode significar relativismo. Todas as crenças e valores não estão numa paridade moral. Quando mostramos generosidade e reverenciamos as pessoas com quem discordamos sobre assuntos importantes, não pode ser porque não nos importamos com as questões últimas da verdade e da bondade. [9]

Quando lemos Romanos vemos um apóstolo Paulo que denuncia a imoralidade de Roma, mas sem nenhuma pretensão legislativa. E olha que o ambiente de depravação sexual era ainda pior do que hoje. Paulo sabe que a lei é incapaz de salvar. A lei é ótima, mas não passa de um tutor. A lei nos avisa do pecado, mas é incapaz de nos levar a conversão. Portanto, antes que os cristãos tenham uma fome legislativa os mesmos devem lembrar os limites das leis.

Conclusão

A “nação cristã” é um mito. O passado ocidental apresentava mais influência do cristianismo na cultura, mas isso não indica que poderíamos ter chamado o passado ocidental de cristão. Não vivemos uma era pós-cristã, pois nunca tivemos uma era cristã. Sim, devemos lamentar e perda de influência e trabalhar por ela, mas sem nenhuma pretensão teocrática com teonomias. 



Referências Bibliográficas:

[1] MARSDEN, George M. Origens “Cristãs” da América: A Nova Inglaterra Puritana como um Caso de Estudo. em: REID, W. Stanford. (ed.) Calvino e sua Influência no Mundo Ocidental. 1 ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990. p 319-320.

[2] PIPER, John. A Vida é como a Neblina. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2005. p 130-132.

[3] GOUVÊA, Ricardo Quadros. O Anticristo na Bíblia e na História. 1 ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2011. p 348-349.

[4] KUYPER, Abraham. Calvinismo. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002. p 91.

[5] NIEBUHR, Reinhold. The Children of Light and the Children of Darkness. 1 ed. Londres: Nisbet, 1945. p 6. cit. em: McNUTT, Dennis. Política para Cristãos e Outros Pecadores. PALMER, Michael D. (org.) Panorama do Pensamento Cristão. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001. p 439.

[6] CRAIG, William Lane. Apologética Contemporânea. 2 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2012. p 17 e 19.

[7] RUSHDOONY, Mark R. Em Defesa de uma Moralidade Legislada. Morgernismo. Disponível em: <http://monergismo.com/mark-rushdoony/em-defesa-de-uma-moralidade-legislada/ > Acesso em: 04/06/2012.

[8] MOUW, Rich. Uncommon Decency: Christian Civility In a Uncivil World. 1 ed. Downers Grove: InterVarsity Press, 1992. p 90. cit. em: McNUTT, Dennis. Política para Cristãos e Outros Pecadores. PALMER, Michael D. (org.) Panorama do Pensamento Cristão. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001. p 459.

[9] MOUW, Rich. Idem. p 143. Idem p 459.

domingo, 3 de junho de 2012

As escolas escatológicas


Material produzido para aula na Escola Bíblica Dominical na Assembleia de Deus no Jardim das Pedras, São Paulo (SP).


Por Gutierres Fernandes Siqueira

O Anticristo é aquele que se apresenta como igual a Cristo, atuando como Cristo e o ocupando um lugar que pertence exclusivamente a Cristo. O estudo do Anticristo é tema na lição de hoje. É importante lembrar que a escatologia é o ramo da teologia que estuda as “últimas coisas”. Entre as escolas estudadas, a mais popular nas Assembleias de Deus é o pré-milenismo dispensacional. Independente de nossa posição, é essencial conhecer todas as escolas. Segue uma tabela que apresenta as principais escolas escatológicas e o que elas pensam sobre importantes conceitos relacionados ao tema. A tabela é uma adaptação de: FERREIRA, Franklin. Teologia Cristã: uma introdução à sistematização das doutrinas. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2011. p 218-219. Mas o quadro no livro de Ferreira também já era uma adaptação de: HOUSE, H. Wayne. Teologia Cristã em Quadros. São Paulo: Editora Vida, 2000. p. 146. Segue:

CategoriaAmilenismoPós-MilenismoPré-Milenismo Histórico Pré-Milenismo Dispensacional
Segunda Vinda de CristoUm único evento; nenhuma distinção entre arrebatamento e segunda vinda; introduz o estado eterno.Um único evento; nenhuma distinção entre arrebatamento e segunda vinda; Cristo retorna após o milênio. Arrebatamento e segunda vinda simultâneos; Cristo volta para reinar na terra.A segunda vida será em duas fases; arrebatamento da igreja; segunda vinda à terra sete anos depois.
RessurreiçãoRessurreição geral dos crentes e incrédulos na segunda vinda de Cristo.Ressurreição geral dos crentes e incrédulos na segunda vinda de Cristo.Ressurreição dos crentes no início do Milênio. Ressurreição dos incrédulos no final do Milênio.Distinção entre duas ressurreições: [1]. Igreja no arrebatamento. [2] Santos do Antigo Testamento e da tribulação na segunda vida; [3] Incrédulos no final do Milênio.
JulgamentosJulgamento geral de todas as pessoas. Julgamento geral de todas as pessoas.Julgamento na segunda vida. Julgamento no final da tribulação.Distinção no julgamento: [1] Obras dos crentes no arrebatamento; [2] Judeus/gentios no final da tribulação; [3] Incrédulos no final do Milênio.
TribulaçãoA tribulação é experimentada nesta era presente. A tribulação é experimentada nesta era presente.Conceito pós-tribulação; a igreja passará pela futura tribulação. Conceito pré-tribulação; a igreja é arrebatada antes da tribulação.
MilênioNenhum milênio literal na terra após a segunda vinda. O reino está presente na era da Igreja.A era presente transforma-se no milênio por causa do progresso do evangelho.O milênio é tanto presente quando futuro. Cristo está reinando no ceú. O milênio não tem necessariamente mil anos. Na segunda vida, Cristo inaugura um milênio literal de mil anos na terra.
Israel e a IgrejaA igreja é o novo Israel. Não há distinção entre Israel e a igreja.A igreja é o novo Israel. Não há distinção entre Israel e a igreja. Alguma distinção entre Israel e a igreja. Há um futuro para Israel, mas a Igreja é o Israel espiritual.Completa distinção entre Israel e a igreja. Programa distinto para cada um.
O AnticristoO anticristo não é um necessariamente um indivíduo, mas sim um sistema.O anticristo é todo aquele que retarda o triunfo final da igreja nesta terra. Figura literal e histórica. Último e poderoso inimigo da fé cristã.Figura literal e histórica. Último e poderoso inimigo da fé cristã.
DefensoresLouis Berkhof; Anthony Hoekema; Herman Bavinck. É bem comum entre tradições mais históricas, como os reformados calvinistas e os luteranos.Charles Hodge; B.B; Warfield; Augustus H. Strong; J. Grescham MachenGeorge E. Ladd; Wayne Grudem; Millard J. EricksonLewis S. Chafer; J. D Pentecost; Charles C. Ryrie; Stanley Horton; John MacArthur Jr.; Tim LaHaye. É bem popular no fundamentalismo clássico e no pentecostalismo.

sábado, 2 de junho de 2012

Teste definitivo de repertório!

"Quando estou em jantares com pessoas 'inteligentes', costumo escutar absurdos como: 'A Bíblia é um livro opressivo e ultrapassado'. Para mim, esse é um teste definitivo de repertório: quem pensa assim é basicamente um ignorante. A clássica desqualificação que a esquerda faz da herança bíblica, confundindo-a com as mazelas da história do cristianismo, é um indicador de sua inconsistência intelectual".  
[Luiz Felipe Pondé, filósofo não-cristão]

FONTE: Por Que Virei À Direita. 1 ed. São Paulo: Editora Três Estrelas, 2012. p 64.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Lição 10 - O governo do anticristo

SUBSÍDIO PREPARADO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD


OS ABUTRES SE REUNINDO

Por John Macarthur Jr.

Outra vez Cristo levanta a questão dos falsos messias: “Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui ou ali, não lhe deis crédito, porque surgirão falsos Cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito” [Mt 24] (vv.23-25). Os sinais das dores de parto ainda estarão chegando em ondas cada vez mais fortes, e cada vez mais difíceis de enfrentar.

E agora os falsos messias terão até mesmo o poder de operar grandes sinais e maravilhas. Estes “milagres” serão tão convincentes que até mesmo os eleitos serão passíveis de ser enganados, exceto por uma coisa – Deus soberanamente capacita as ovelhas de Cristo a ouvirem a sua voz e a distinguirem das vozes dos mercenários e ladrões. “De modo nenhum, seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos” (Jo 10.5). 

A advertência de nosso Senhor parece sugerir que os falsos messias irão, na verdade, se infiltrar nas fileiras daqueles que fogem. Embora o povo de Deus possa fugir das perseguições do Anticristo, eles não conseguirão escapar dos agentes mentirosos de Satanás, que irão evidentemente segui-los até o esconderijo. Mesmo em seu exílio da ameaça da aniquilação, os refugiados constantemente ouvirão pessoas mentirosas afirmar, “Eis que o Cristo está aqui”; “Ali” (v.23). “Eis que ele está no deserto!” Ou, “Ele está nas salas interiores!” Todas estas afirmações serão mentiras, talvez até deliberadamente planejadas para atrair os refugiados para fora do esconderijo. Os crentes são, com antecedência, solenemente instruídos a não darem atenção a elas. 

Então como alguém saberá quando o verdadeiro Cristo finalmente aparecerá? Como o verdadeiro Cristo pode ser distinguido de todas as falsificações? Será óbvio a todos: “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem” (v.27). “Eis que vem com as nuvens, e todo olho verá” (Ap 1.7). A sua vinda não será segredo. Repentinamente, publicamente, e gloriosamente, Ele voltará, e a sua vinda será universalmente visível!

 Não só aqueles que estiverem escondidos da perseguição o reconhecerão, mas também os seus inimigos. Ele vem “com milhares de seus santos, para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade que impiamente cometeram e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele” (Jd 14-15).

E quando Cristo aparecer, o seu povo e os seus inimigos trocarão de lugar, como deve ser. Aqueles que estavam se escondendo nas montanhas e cavernas serão libertos de todo medo e perigo, enquanto que os seus atormentadores buscarão refúgio da justa ira de Deus, suplicando que as rochas e as montanhas caiam sobre eles e os escondam da ira do Cordeiro (cf. Ap 6.16,17).

Texto extraído da obra “A Segunda Vinda”, editada pela CPAD.


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