segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Culto ao Progresso


Por Gutierres Siqueira

Ainda estou em recesso, mas quero deixar com vocês duas referências sobre o “culto ao progresso” no mundo moderno. Volto a postar normalmente em quinze dias. Até lá!

“Essa desconsideração pela autoridade humana pode ter duas origens. Pode brotar da convicção de que a história humana é um simples movimento unilinear do pior para o melhor- o que se chama de crença no Progresso- de modo que qualquer geração é em todos os aspectos mais sábia que as gerações anteriores. Para os que pensam assim, nossos antecessores estão superados e parece não haver nada de improvável na afirmação de que o mundo inteiro estava errado até anteontem e agora ficou certo, de repente. Com essas pessoas, confesso, não consigo discutir, pois não participo de seus pressupostos básicos. Os que creem no progresso notam corretamente que no mundo das máquinas o novo modelo supera o antigo; disso infere falsamente uma espécie de superação em elementos como virtude e sabedoria”.  [C. S. Lewis em O Peso de Glória. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2009. p 82-83.]

“Minha atitude perante o progresso passou do antagonismo ao tédio. Parei, há muito tempo, de discutir com as pessoas que preferem quinta-feira à quarta-feira porque é quinta-feira” [G. K. Chesterton].

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O dentista e o revolucionário!

"Acredito serem os melhores resultados os obtidos por gente que trabalha em silêncio e diligentemente com objetivos restritos, como a abolição do tráfico de escravos ou a reforma do sistema prisional, as leis de proteção aos trabalhadores das indústrias ou o combate à tuberculose, não por aqueles que acham que podem alcançar a justiça, a saúde, ou a paz universal. Acredito que a arte da vida consiste em enfrentar, da melhor maneira, cada mal imediato. Evitar ou adiar determinada campanha com força e habilidade ou deixá-la menos hedionda por misericórdia pelos vencidos e pelos civis é mais útil que todas as propostas de paz universal que já se fizeram. Exatamente como o dentista que pode estancar uma dor de dente merece mais da humanidade que todos os homens que julgam ter um plano para produzir uma raça perfeitamente saudável".

C. S. Lewis em Por que não sou pacifista. O Peso de Glória. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2008. p 80.

A Teologia Natural e a tarefa do artista cristão contemporâneo

Ótima palestra do teólogo Guilherme de Carvalho.

Lição 09 - A angústia das dívidas

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD


EU TENHO, ENTÃO EU SOU

Por Julie Ann Barnhil

Lembro-me de um hino que eu costumava cantar quando era menina; um dos versos era mais ou menos assim: “Minha esperança está firmada em nada menos que o sangue e a justiça de Jesus; eu ouso não acreditar no mais belo quadro, mas confiar totalmente no nome de Jesus”.

Eu já não canto aquele hino há muito tempo. E se o fizesse, teria de admitir pesarosamente que a letra do meu hino de fracasso financeiro soaria como algo assim: “Minha esperança está firmada em nada menos que caixas automáticos e planos para enriquecer. Eu ouso não viver dentro de minhas condições, mas gastar meu cartão o máximo”.

Deixe-me ser mais direta e específica. Não é necessário ser prolixa nem tomará tanto espaço para escrever, porque não vou estar usando uma linguagem que você não entenda. (Prossiga apenas quando tiver tirado este sorrisinho do rosto!) Eu só tenho uma chance para explicar, mas isto é um blefe! É o trunfo que supera todos os trunfos! E isto sempre me induz a participar de uma grande atividade maníaca na loja de departamentos mais próxima. Então aqui está em toda esta profunda e superficial glória:

Eu gosto de dinheiro e das coisas que o dinheiro compra. E muito.

• Eletrodomésticos com 75 por cento de desconto em um preço com desconto? Eu gosto.
• Sorvete de chocolate com cobertura de nozes, encontrado no Aeroporto Internacional O’Hare de Chicago? Eu gosto disso.
• Revistas de decoração, moeda, beleza, fofocas? Gosto disso também.
• Pacotes dos distribuidores de livrarias evangélicas? Eu realmente gosto disso!

Não somente gosto destas coisas que o dinheiro compra... Eu sou perigosamente atraída por todo tipo de quinquilharias que julgo serem refinadas.

[...] Nós, fracassados financeiros, parecemos desenvolver uma perigosa paixão por acumular, armazenar, possuir e simplesmente ter coisas. Vamos encarar os fatos, não há muita coisa na terra criada por Deus que eu e outros perdedores financeiros não queiramos! E quanto mais coisas nós tivermos, mais gostaríamos de ter.

É um Mundo Consumista

“E o que há de errado com isto?”, você pode estar se perguntado. Talvez você pense que eu queira persuadi-lo a vender tudo o que tem e ir viver nas montanhas feito eremita. Relaxe, eu não pretendo fazer isto! Nem estou tentando fazê-lo sentir-se culpado por ter uma lista de “coisas a comprar” guardada na gaveta de cômoda.

Não. Não é nada disso.

O que estou tentando dizer é que o problema está em ser acometido pela síndrome do “adquira-e-possua” de nossa cultura, em viver para ter e ter para viver, em ter uma casa cheia de “coisas” ― todas estas coisas raramente satisfazem. A batedeira que você almejava desde 1987 rapidamente perderá seu brilho. E logo logo você estará procurando “mais uma coisinha” para equipar sua cozinha. A casa de quatro quartos com piscina e churrasqueira na qual você depositou todas as suas economias, em algum momento perderá seu brilho também.

E quanto mais ficamos fascinados com as coisas novas que brilham à nossa volta, mais espaço, energia, tempo e dinheiro será necessário para manter o vício do consumo!

Coisas e Caos

Ilyce Glink, uma planejadora financeira [...], faz a seguinte observação:

Quando você compra uma casa grande para acomodar suas coisas, você paga altas taxas, altas contas de luz, altas contas de gás e uma hipoteca maior; somando-se ainda tudo o que estas coisas exigem de custos de manutenção!

Manter ou expandir as coisas que você já tem toma muito dinheiro e tempo. E não estou falando apenas de casas. Coisas simples como uma placa de memória com maior capacidade de armazenamento para o computador do seu filho. Ou “coisas” como férias de família. Apenas visitar um parque temático já o deixa sem algumas centenas de dólares hoje em dia. E Disneylândia? Bem, é mais fácil ganhar uma medalha de ouro olímpica do que passar as férias lá! E não esqueça dos eventos esportivos como jogos de basquete [ou futebol] profissional [...].

Agora, eu imagino que muitos dos leitores ganham consideravelmente mais dólares [ou reais] do que eu e Rick. Outros de vocês mantêm família com salário mínimo. Não é minha intenção fazer um debate entre classes aqui. Pelo contrário, quero chamar sua atenção de perdedor financeiro para simples fato: muitos de nós estamos nadando em dívidas e vivendo um caos conjugal como resultado de nada menos que uma necessidade descontrolada de possuir e acumular coisas. A verdade é que o caos em nosso casamento poderia ter fim se nós simplesmente parássemos de acumular e começássemos a estar satisfeitos com as coisas que já temos.

Texto extraído da obra “Antes que as Dívidas nos Separem: Respostas e cura para os conflitos financeiros em seu casamento”, editada pela CPAD.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Livros, livros e mais livros...

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Ainda estou em férias, mas quero recomendar dois livros que li recentemente. O primeiro é teológico e o segundo de filosofia.

SAYÃO, Luiz Alberto. O Problema do Mal no Antigo Testamento: O Caso de Habacuque (Hagnos; 160 páginas; 22,50 reais)

O livro do Sayão faz um ótimo resumo sobre a teodiceia, ou seja, o “problema do mal”. O ponto alto do livro é a síntese (o livro é pequeno) sem superficialidade. Não há como deixar de aprender algo novo. Muitos livros evangélicos que são uma síntese sobre determinado assunto acabam por pecar no simplismo. Isso não acontece com o Sayão, que é um experiente teólogo de confissão batista, biblista, hebraísta e tradutor. Há também um trabalho exegético com a palavra “mal” no contexto do Antigo e Novo Testamento. Essa exegese será muito útil na preparação de sermões sobre o assunto. E, é claro, um comentário sobre a teodiceia no Livro de Habacuque.

PONDÉ, Luiz Felipe. Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (Leya; 224 páginas; 39,90 reais)

O filósofo Luiz Felipe Pondé não tem religião, mas alguns capítulos de seus livros deveriam ser lidos por todos os cristãos. Conhecedor da teologia judaica, cristã e islâmica; o pernambucano Pondé apresenta ótimos insights sobre a teologia, o secularismo contemporâneo e a relação do homem consigo mesmo. Especialista em Blaise Pascal, teólogo católico, Pondé trabalha com assuntos como o “politicamente correto”, o multiculturalismo, o feminismo, o ambientalismo, as teologias da libertação etc.

sábado, 18 de agosto de 2012

Aviso aos leitores!

Caro amigo leitor,

Entre hoje e o dia 10 de setembro postarei em um ritmo menor e os comentários serão moderados com mais demora.

Até a volta!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Lição 08 - A rebeldia dos filhos


SUBSÍDIO preparado pela equipe de educação da CPAD



ESTILOS DE DISCIPLINA ENTRE OS PAIS


Por Ed Young

Os Pais Autocráticos

Há vários estilos disciplinares por parte dos pais. Os pais autocráticos são ditadores no lar. “É do meu jeito ou rua”, afirmam certos pais, em termos bem claros. Repetidas vezes, os filhos ouvem de pais e mães autocráticos: “Você vai fazer isso do meu jeito, senão...”, ou “Não pergunte por quê! Porque eu disse e está acabado!” Os pais autocráticos são fortes na disciplina de castigo e ameaça, mas fracos em relacionamentos. Eles têm um nível elevado de exigências, e um nível baixo de sensibilidade.

George Brackman, um conselheiro familiar, diz que os pais autocráticos emitem ultimatos aos seus filhos, tais como: “Faça isso, senão...!” “Não há discussão ou respeito pela posição ou pedido do filho... não há espaço para acordo”, escreve o Dr. Brackman. Os pais autocráticos “dão ordens e esperam obediência imediata – sem perguntas a fazer”.

Os pais autocráticos tendem a desenvolver filhos que se ressentem da autoridade e são limitados na auto-expressão. Os adolescentes que convivem com pais autocráticos frequentemente se tornam rebeldes. A frustração se desenvolve quando a criança se torna mais velha e o estilo autocrático não funciona mais. Porém, pelo fato de as linhas de comunicação não terem sido estabelecidas entre o pai autocrático e seu filho, há somente o silêncio – frequentemente repleto de mágoa e ira.

Os Pais Permissivos


Os pais permissivos se orgulham de construir relacionamentos, mas são fracos em prover a disciplina que guia, estabelece os limites necessários e desenvolve a segurança na criança. Uma mãe permissiva poderia dizer: “Amo tanto os meus filhos que não consigo castigá-los”. Ela cometeu dois erros. Primeiro, está confundindo castigo e disciplina, e, segundo, acredita que castigo e amor são opostos.

Além de serem não-punitivos, os pais permissivos apresentam várias outras características. Eles realmente não querem estar no controle, e prefeririam que os filhos regulassem seu próprio comportamento. A razão prevalecerá sobre o poder na atitude de um pai permissivo. Os filhos não terão mais – se alguma – responsabilidades domésticas casos os pais sejam permissivos. Eles se desenvolverão como pessoas impulsivas, e, mais tarde, ficarão chocados ao descobrirem que seus “chefes” nem sempre os consultarão sobre toda decisão política.

Os Pais Indiferentes


O amor é o oposto do terceiro estilo de criação de filhos, os pais indiferentes. Esses pais são fracos tanto na construção da disciplina quanto do relacionamento. O que o filho ouve desses pais é: “Eu não me importo”. Os pais indiferentes vão desde não estar envolvidos com seus filhos até a total negligência. Eles minimizam a interação com seus filhos, que por sua vez crescem e se tornam execessivamente exigentes. Eles carecem de domínio próprio e se recusam a agir até mesmo de acordo com os padrões e regras razoáveis. Também se mostram agressivos.

Os Pais Relacionais


Pais relacionais cuidam o suficiente para disciplinar os filhos. Esses pais entendem a verdade disciplinar vital de que as regras sem o relacionamento produzem rebelião. O amor verbalmente expresso sem dar tempo leva à raiva. Muitos filhos são rebeldes e raivosos porque são criados por pais que não são relacionais.

Anteriormente, consideramos pais que são autocráticos. Os pais relacionais têm autoridade sem ser autocráticos. Eles têm o equilíbrio de ser exigentes e sensíveis. A pesquisadora da Universidade da Califórnia Diane Baumrind descobriu que esses pais utilizam métodos disciplinares que em primeiro lugar dão apoio, em vez de meramente punir. Os pais relacionais que têm autoridade exercem o controle sobre seus filhos, mas pelo fato de os entenderem, eles crescem em flexibilidade. Eles colocam limites, mas promovem a independência. Os limites definem o “campo de jogo”, a “arena de atividade”, em vez de serem cercas que aprisionam. Os pais relacionais fazem exigências aos filhos, mas explicam os motivos por que as exigências estão sendo feitas. Esses pais levam em conta o diálogo, para que o filho seja capaz de expressar a sua opinião.

A pessoa desenvolvida por pais assim sabe como fazer parte de um time. O filho desenvolve a confiança em si mesmo e cresce em responsabilidade. Em vez de ser agitado e de desenvolver quando adulto sempre uma busca por “pastos verdejantes”, seja no casamento ou no trabalho, as pessoas criadas por pais relacionais com autoridade tendem a ser pessoas satisfeitas.

Há uma grande quantidade de pesquisas e bibliotecas de livros do tipo “como dizer” sobre criar filhos. Mas se quisermos nos tornar pais que se relacionam bem com os nossos filhos corretamente, exercer a autoridade, mas sem tirania, e disciplinar de maneira eficiente, então precisaremos de sabedoria, inspiração e amor sobrenaturais. O nosso relacionamento com Deus determinará a qualidade do nosso relacionamento com nossos filhos.

Texto extraído da obra “Os 10 mandamentos da Criação dos Filhos: O que Fazer e o que não Fazer para Criar Ótimos Filhos”, editada pela CPAD.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Recomendações de Filmes

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Hoje quero recomendar dois filmes. É um evangélico. O outro é um blockbuster hollywoodiano.

Billy: The Early Years (EUA, 2008, 98 min)

O primeiro é sobre a vida de Billy Graham, o maior evangelista do século 20. O filme retrata a vida do jovem Graham entre os anos de 1930 e 1950. A história de William Franklin Graham é contada pelo seu amigo cético Charles Templeton. O evangelista começa como um jovem cético em uma família com fé fervorosa. Após a conversão Graham dedica-se ao seminário teológico e também estuda antropologia. Como um fraco vendedor, pensa que jamais será um pregador.

Na faculdade ele conhece a sua futura esposa Ruth (1920-2007). Após o casamento torna-se o reitor mais jovem de uma universidade americana. Nos anos da Grande Guerra o seu melhor amigo abandona a fé cristã. Deus passa a ser um absurdo diante da dor e sofrimento para Charles Templeton. É interessante como Templeton foi honesto com sua congregação sobre a sua renúncia à fé cristã. Como Billy Graham falou, Charles foi integro na sua transparência. Infelizmente, os “ateus cristãos” de hoje não saem do armário porque estão confortáveis em seus “empregos religiosos”.

O filme acaba com Billy Graham pregando em uma cruzada em Los Angeles no ano de 1949. É uma bela maneira de aprender mais sobre a vida desse grande evangelista e, também, ver como Deus trabalha na vida de um homem em questões triviais, mas que toda diferença faz no decorrer dos anos. É a providência divina.

O longa pode ser visto legendado no YouTube.

The Dark Knight Rises (EUA, 2012, 165 min)

O último filme da trilogia Batman: O Cavaleiro da Trevas Ressurge mostra como é possível discutir ciência política com o entretenimento de um blockbuster. Não é necessário fazer um chato filme europeu para promover tal debate.

O Homem Morcego luta contra um revolucionário típico, ou seja, um sujeito ressentido, violento, totalitário, messiânico, populista e que é movido por uma ideologia que precisa de imposição, pois essa jamais nasce em um ambiente de liberdade.

A história lembra uma observação de C. S. Lewis:
De todas as tiranias, aquelas exercidas sinceramente para ‘o bem’ de suas vítimas podem ser as mais opressivas. Seria melhor viver sob barões ladrões do que sob ‘onipotentes’ metidos à moralidade. A crueldade do barão pode, por vezes, adormecer, e a sua cobiça pode em algum momento ser saciada; mas aqueles que atormentam-nos para ‘o nosso próprio bem’ vão nos atormentar sem fim, pois fazem isso com a aprovação da própria consciência.
É um ótimo filme e ainda está em cartaz. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A santidade falsificada!


Por Gutierres Fernandes Siqueira

O falso santo é uma figura marcante na Igreja Evangélica Brasileira. Vejamos suas características:

Cita o nome do diabo a cada cinco frases. Se cai da escada foi o diabo quem o derrubou. Se pega trânsito foi o diabo quem o provocou para perturbá-lo. Se alguém olha com cara feia para ele... É o diabo agindo na vida do seu oponente. A visão do falso santo é dualista, pois a força do demônio é proporcional a força de Deus.

É vingativo. Despreza o exercício de misericórdia quando de todos exige uma perfeição inexistente em sua própria vida. Deseja o mal do outro com uma "vestimenta espiritual", ou seja, costuma orar para que Deus "cuide" daqueles que o ofenderam.

Acha tudo pecaminoso. O falso santo normalmente é "santo" em demasia. Tudo é pecado. Nada é puro. Comemorar o Natal? É pecado! Usar maquiagem? É pecado! Tomar banho na praia? É pecado! Jogar bola? É pecado... Ora, quando tudo que eu enxergo é podre pode ser que a minha visão esteja suja.  "Para os puros, todas as coisas são puras; mas para os impuros e descrentes, nada é puro. De fato, tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas". [Tito 1.15]

O falso santo é malicioso. Este parágrafo tem ligação com o tópico anterior. Ora, se eu vejo pecado em uma praia será que o problema é realmente a água e a areia ou o meu coração cheio de malícia? Será que a condenação do banho marítimo não é uma forma velada de esconder o descontrole sexual que um simples passeio no litoral revelaria? Assim como o ciúme é uma forma de autocontrole para o sujeito inseguro, assim é o legalismo para um sujeito sem controle.

Só fala de assuntos "espirituais". Certa vez um pastor disse que o único jornal que lia era a Bíblia. Bom, é certo que uma leitura cuidadosa das Sagradas Escrituras não deixa ninguém isolado. "Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno" [João 17.15], disse Jesus. Somos como estrangeiro em terra estranha, mas não como ET em outro planeta.

Despreza qualquer atividade cultural como um mal a ser combatido. O falso santo precisa entender que a cultura é uma atividade humana. Não é, em si, nem divina e nem diabólica. Assim, a cultura como um produto humano pode refletir a sua natureza pecaminosa (mundanismo) ou expressar a imagem de Deus em sua vida (graça comum). Cabe discernimento. A questão não é abraçar ou rejeitar toda cultura produzida pelo homem, mas filtrá-la segundo os valores do Evangelho.

domingo, 12 de agosto de 2012

E lá vem as teorias conspiratórias...

Satanismo? Aff!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Você observa que a Igreja Evangélica está mal não apenas pelos seus hereges, mas também por alguns de seus “apologetas”. Há coisa mais ridícula do que esses “arautos da web” que acreditam em teorias conspiratórias e mensagens subliminares? Essa mania de ver chifre em cabeça de cavalo é um caso sério de banalização da atividade de defesa doutrinária.

A vítima da vez é o novo CD do grupo musical Diante do Trono. A capa seria uma alusão ao pentagrama invertido, ou seja, uma associação a um símbolo do satanismo. O que dizer disso?

Ora, tenho sérias críticas aos modismos doutrinários que a Igreja Batista da Lagoinha promove por meio do seu grupo musical, como uma certa tendência judaizante e muitos exageros litúrgicos. Mas no geral é um grupo evangélico com boa contribuição para a musicalidade cristã, mesmo que em meio há tropeços. Ou alguém diria que os hinos “Aclame ao Senhor”, “A Ele a Glória”, “Ainda Existe uma Cruz”, “Seja o Centro” ou “Preciso de Ti” seriam destrutivos para a fé cristã? Prefiro muito vezes isso do que a maior parte da composição feita por cantoras da minha denominação com seus “sabores de mel” e aquelas que “seguram anjos”!

Agora, pior do que isso é essa “apologética” de quinta categoria que vê satanismo até em fogos de artifício. Fico imaginando se essas pessoas sabem a gravidade que é acusar um grupo de associação com o satanismo por causa de uma capa de CD. Onde fica a responsabilidade diante de tantas pessoas que podem ler tais bobagens na internet?

Vamos combater o que se deve combater. Não fique preso a especulações infantis. Quem acredita em teorias conspiratórias normalmente precisa consultar um psiquiatra. Quem em tudo vê o diabo precisa limpar a sua visão.

Há algo de errado quando "tudo está errado" ao redor desse "apologeta". E, normalmente, esse errado é ele mesmo.

Quando a Igreja Evangélica será madura para exercer uma verdadeira defesa do Evangelho? Uma defesa que se importe com aquilo que realmente seja sério? Uma defesa que não seja vítima de uma coisa tão tosca quando “teorias conspiratórias”? Ora, ora. Infelizmente, cada um tem o herege e o inquisidor que merece!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Lição 07 - A divisão espiritual no lar

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

O SEGREDO DO AMOR

Por Debra White Smith

Já li e ouvi inúmeras pessoas que põem a culpa de todos os problemas do casamento e da manutenção do lar na falta de submissão da esposa. Além disso, fico doente quando vejo mulheres saindo de conferências completamente convencidas de que são o problema principal de seus matrimônios. À primeira vista, uma visão tendenciosa da submissão pode parecer bíblica. As palavras soam como verdades sagradas. Afinal de contas, o Novo Testamento de fato diz que as esposas devem se submeter a seus maridos. No entanto, uma análise mais profunda mostra que esta visão polarizada da submissão acaba com a vitalidade do casamento, não deixando lugar para uma sexualidade sadia ou mesmo um pouquinho de romance sincero.

Os problemas neste terreno escorregadio surgem quando os versículos-chave sobre submissão são tirados do seu contexto e analisados sem levar em conta todas as passagens que se referem ao casamento e aos relacionamentos em geral. Este método tem sido usado com frequência para justificar o rebaixamento, a dominação e a depreciação das mulheres, ignorando completamente vários versículos bíblicos importantíssimos...

E houve também entre eles contenda sobre qual deles parecia ser o maior. E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores. Mas não sereis vós assim; antes, o maior entre vós seja como o menor; e quem governa, como quem serve. Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós, sou como aquele que serve (Lc 22.24-27).

Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros (Rm 12.3-5).

Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2.3-8).

Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela [...]. Assim devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo (Ef 5.25,28).

Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus (Ef 5.21).

Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas (Mt 7.12).

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará (1 Co 13.4-8).

À luz desses versículos, não há fundamento para se considerar um sexo mais responsável do que o outro, no que se refere à submissão. De acordo com H. Norman Wright, “um marido amoroso deseja dar tudo o que for necessário para preencher a vida da sua mulher. O seu amor está pronto a fazer qualquer sacrifício para o bem de sua amada. A responsabilidade primeira do homem é para com a sua mulher. O amor que sente por sua esposa o capacita a entregar-se por ela”. O dicionário Webster define submissão desta forma: “Oferecer por vontade própria”. Tiago escreveu: “... assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2.26b). O amor sem submissão também está morto.

A submissão é uma via de mão dupla. De acordo com o Dr. Stan Toler, “chegou o momento de termos uma visão equilibrada sobre submissão. Nenhum casamento se manterá saudável sem altas doses de submissão, tanto do marido quanto da mulher”.

Texto extraído da obra “Apaixonando-se Por Seu Marido: Desfrutando Juntos uma Vida Prazerosa”, editada pela CPAD.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os jovens pentecostais, os teólogos liberais e a pseudoerudição (Parte 2)

Por Gutierres Fernandes Siqueira

No último domingo publiquei o texto Os jovens pentecostais, os teólogos liberais e a pseudoerudição e nele esqueci de mencionar uma observação do erudito evangélico D. A. Carson que eu tinha separado para esse artigo. O Carson alerta quanto ao bom, mas perigoso “negativismo” contínuo. E, também, quero falar brevemente sobre a doutora Eta Linnemann que foi mencionada pelo amigo-leitor Matias Heidmann no campo de comentários. E, por último, escrevo sobre o termo “conservador” como colocado impecavelmente pelo amigo-leitor Ricardo Rocha.

Portanto, por favor, peço que você leia a primeira parte do texto e os comentários antes de prosseguir neste artigo [leia aqui]. E, do diálogo com os leitores, vamos criando novos textos pelos novos debates. Houve outros comentários bem interessantes dos leitores, mas não há espaço de tempo para trabalhar todos os pontos levantados.

Negativistas!

Um traço marcante na vida acadêmica é o negativismo, ou seja, a tendência de sempre apontar problemas, viver de refutações, negar a estrutura vigente etc. e tal. Isso atinge tanto liberais como conservadores. Mas não é exagero afirmar que o liberalismo teológico é o ápice do negativismo. Além disso, ser negativo em excesso é uma baita tentação para blogueiros e estudantes de teologia. E aí eu me incluo, pois como diziam os antigos católicos na missa conhecida como Confiteor: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa (minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa; em latim)!

Bom, mas qual é o lado ruim do negativismo? Ora, é a velha e conhecida vaidade. O orgulho, como dizia C. S. Lewis, é o “grande pecado” porque um orgulhoso nunca se reconhece como tal. Se eu tenho um conceito elevado sobre mim mesmo, como poderei considerar-me entregue ao pior dos vícios? O orgulho cega. É fácil se reconhecer adúltero, mas não é simples confessar a altivez. “Não existe nenhum outro defeito que torne alguém mais impopular, e mesmo assim não existe defeito mais difícil de ser detectado em nós mesmos. Quanto mais o temos, menos gostamos de vê-lo nos outros”, escreveu Lewis [1].

Mas voltando ao D. A. Carson, que é um teólogo de primeira linha, ele escreveu sobre o negativismo:

Um negativismo contínuo é espiritualmente perigoso. Se a principal ambição da vida de alguém é descobrir tudo o que está errado- seja com relação à vida, seja no que diz respeito a algum componente dela, como por exemplo a exegese- essa pessoa está se expondo à destruição espiritual. Gratidão a Deus tanto pelos coisas boas quanto por Sua soberana proteção e propósito, mesmo nos fatos ruins, é a primeira virtude que se perde. A isso logo se seguira a humildade, na medida em que o crítico, conhecendo profundamente as falhas e falácias (especialmente as dos outros!), começa a sentir superior àqueles que ele censura. Sentimento de superioridade espiritual não é uma virtude cristão. O negativismo constante é um alimento altamente energético para o orgulho. Tenho observado que os estudantes de seminário, sem falar dos professores, não estão particularmente livres desse perigo [2]. 

Eta Linnemann:
Liberal que tornou-se pentecostal
Sim, mesmo reconhecendo que eu possa ser um negativo extremado, volto a falar no liberalismo teológico. A preocupação de um jovem teólogo que “descobriu a roda” que fora “inventada” pelo alemão Friedrich Schleiermacher (1768-1834) é o, volto ao termo, negativismo profundo. Não é à toa que alguns tornam-se “desigrejados” e passam a abraçar uma militância pelo fim da igreja institucionalizada. E, convenhamos, todo militante é um chato. É uma mistura de azedume com ressentimento [3]. Outros, ainda dentro da instituição, tentam converter os “ignorantes e manipulados da igreja”, como relatei no primeiro texto.

Uma característica do negativista é sempre achar “o outro” um “manipulado” e “ignorante”. Bom, os adolescentes costumam achar que os seus pais são uns imbecis porque esses não sabem abrir uma conta no Facebook ou não sabem ligar o PlayStation. Mera arrogância aborrecente, pois os mesmos ainda passarão por experiências de vida que os pais já passaram há décadas e que eles ainda nem sonham com lidar com tais realidades. Assim, o negativista se comporta como um adolescente. É a arrogância na ignorância. O “ignorante” da igreja pode dar um aula que jamais imaginaríamos.

Eta Linnemann

A professora alemã de teologia Eta Linnemann (1926-2009) foi discípula direta de Rudolf Bultmann (1884-1976). Ela trabalhou, também, com outro grande nome do liberalismo, o teólogo Ernst Fuchs. Linnemann escreveu várias obras defendendo a Alta Crítica na sua vida acadêmica, mas renunciou o método histórico-crítico ao se converter (segundo seu próprio testemunho) em uma igreja pentecostal. Depois disso, Eta Linnemann pediu a todos que desconsiderassem os seus antigos escritos e seguiu carreia missionária a partir de 1983. Ela treinou inúmeros pastores na Indonésia. [Leia o testemunho dela aqui]

O amigo-leitor Matias Heidmann lembra que Eta Linnemann começou a se sentir incomodada ao ler relatos de milagres contemporâneos escritos por teólogos africanos. Convidada por alunos para uma ouvir uma pregação evangelística, Linnemann acabou se convertendo em uma igreja pentecostal. Ela cria no exercício contemporâneo dos dons espirituais e passou a ensinar o método histórico-gramatical.

Há dois livros em português publicados pela editora Cultura Cristã dessa autora: A Crítica Bíblica em Julgamento e Crítica Histórica da Bíblia.

Bom, com esse testemunho vemos que antes o pentecostalismo “convertia” liberais, mas agora está acontecendo o oposto. Que pena!

O termo “conservador” e “liberal”

A “Teologia Liberal é um movimento que, iniciado no final do século XIX na Europa e Estados Unidos, tinha como objetivo extirpar da Bíblia todo elemento sobrenatural, submetendo as Escrituras ao crivo da crítica científica (leia-se ciências humanas) e humanista. No liberalismo teológico, geralmente, não há espaço para os milagres, profecias e a divindade de Cristo Jesus” [4]. Mas não confunda os liberalismos. O Ocidente recebeu a influência de dois tipos opostos de liberalismo, sendo o inglês e o francês. O economista Luiz Felipe Estanislau do Amaral assim desenha as diferenças:

O conceito de liberal tem duas origens distintas, independentes e quase opostas- a clássica, de Smith, e uma outra na Revolução Francesa e no movimento liberal espanhol do século XIX. Este não tinha como objetivo a liberdade de mercado, mas o enfraquecimento da monarquia e da Igreja na Espanha. Seus membros diziam-se liberales por contraposição com os "servos" do Rei; e, curiosamente, o liberalismo no sentido norte-americano provém desta segunda origem. [5]

O liberalismo teológico é herança do Iluminismo e, por isso, recebe o nome de “liberal”.O teólogo alemão Friedrich Schleiermacher, o pai da teologia liberal, acatou as críticas do Iluminismo contra a ortodoxia protestante, mesmo rejeitando alguns pontos da filosofia das luzes. Em Schleiermacher, a experiência era a causa da doutrina, enquanto a objetividade ortodoxa colocava (e coloca) a doutrina como originadora da experiência.

A experiência conservadora nasce como eu reação ao Iluminismo e à Revolução Francesa. Portanto, antes de ser uma caricatura de “defensores do status quo” o conservador desconfia como um cético de todo discurso que diz promover o progresso do homem em alguma engenharia social. O conservadorismo não é a busca de um “estado perfeito” que supostamente existiu no passado (isso se chama “reacionarismo”). Ora, enquanto o revolucionário busca a perfeição futura com suas temerárias paixões totalitárias, o reacionário busca a perfeição em um passado idílico. Ambos são a mesma coisa, ou seja, são pessoas que negam o presente em sua complexidade. O presente envolve o passado (tradição) e os desafios futuros (inovação). Nem oito nem oitenta. O conservador consciente desafia a ideia de progresso que faz engenharia social (utopias políticas), mas não nega a necessidade de avanços.

O ensaísta João Pereira Coutinho expressa bem esse ponto:

Na utopia, a liberdade, a igualdade e a fraternidade são totais- sem concessões ou compromissos. Exatamente o contrário do que sucede na vida real, na vida dos homens reais, permanentemente dividios entre valores rivais, incompatíveis, incomensuráveis. “Total liberdade para os lobos significa a morte dos cordeiros”, escreve Berlin. Pensar politicamente é pensar num universo de escolhas, e de sacrifícios, e de compromissos [6].

Portanto, como defensor da democracia em detrimento de “sonhos políticos”, o conservador sabe que o regime democrático é antiutópico por natureza [7]. Nesse pensamento, o conservadorismo político ou teológico entende que nenhuma aventura conceitual vale a pena sem sustentação histórica. “O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol” [Eclesiastes 1.9].


Referências Bibliográficas:

[1] LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009. p 161-162.

[2] CARSON, Donald Arthur. Os Perigos da Interpretação Bíblica. 1 ed. São Paulo: Vida Nova, 2008. p 20.

[3] Atenção! Não estou dizendo que toda “desigrejado” tenha essa causa em comum.

[4] ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 16 ed. Rio de Janeiro: 2007, p 253

[5] AMARAL, Luiz Felipe Estanislau do. Dicta & Contradicta. Instituto de Formação e Educação. jun de 2008, n. 01 p 187-189.

[6] COUTINHO, João Pereira; PONDÉ, Luiz Felipe e ROSENFIELD, Denis. Por Que Virei à Direita. 1 ed. São Paulo: Três Estrelas, 2012. p 37. O filósofo Russel Kirk escreve a obra The Conservative Mind em 1953 que é considerado o ideário conservador. Recomendo a leitura dos pontos resumidos de Kirk que podem ser estudados em: PONDÉ, Luiz Felipe. O Catolicismo Hoje. 1 ed. São Paulo: Benvirá, 2011. p 47-52.

[7] “A democracia é um regime essencialmente antiutópico, pois seu alicerce filosófico se encontra no princípio do pluralismo político: a ideia de que nenhum partido tem a propriedade da verdade histórica. Na democracia as leis valem para todos – mesmo para aqueles que, imbuídos de visões, reclamam uma aliança preferencial com o futuro” MAGNOLI, Demétrio. O Julgamento da História. O Estado de S. Paulo. 02 de agosto de 2012. p A2.

domingo, 5 de agosto de 2012

Os jovens pentecostais, os teólogos liberais e a pseudoerudição

Bultmann com "analfabetismo funcional":
 uma mistura ruim!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Um jovem neófito procura uma instituição de ensino teológico dentro da sua denominação. O estudante é de confissão pentecostal. Ele entra no seminário cheio de tradições, legalismos e perspectivas carismáticas. Um ano depois já é um “especialista” em Rudolf Bultmann. E pega para si uma missão: convencer o “povo ignorante” de sua igreja que a Bíblia está cheia de mitos e que o cristianismo é um instrumento político opressivo.

É assim que nasce um pequeno teólogo liberal (não gosto desse termo, pois a palavra “liberal” traz um sentido positivo para mim). Eu mesmo conheço alguns liberais de carteirinha. Eles nascem em seminários que levam o nome da nossa denominação e depois, imbuídos de uma missão iluminista, querem converter outros ao liberalismo teológico.

Mas neste texto apresento algumas características desses jovens liberais:

1. Mal sabem o português, mas já trabalham com temas complexos com certo ar de especialistas. Eu sei que a língua portuguesa é dificílima e, eu mesmo, sofro com ela todos os dias. Mas acho interessante um teólogo liberal que mal sabe preparar um artigo. Conheço um sujeito que não escreve nada com uma concordância razoável, mas sempre usa termos como: “paradigma”, “processo histórico”, “emancipação” e outras palavras viciadas em seus textos. Ora, se mal sabe o português como é capaz de ler livros complexos? E, se realmente os lê, como será capaz de entendê-los?

Normalmente esse grupo abraça com entusiasmo a Teologia da Libertação. Só que a Teologia da Libertação não tem apenas problemas metodológicos quanto à teologia. Essa cria latina é, também, um horror como teoria econômica. Dê o Ministério da Fazenda para qualquer teólogo da libertação é você terá o caos econômico e social, mas, é claro, tudo “em nome do bem”. E esses jovens falam de economia sem nunca terem lido nada a respeito. Mas, é claro, o “ar de especialista” paira no ambiente.

2. Em sua pouca experiência são facilmente ludibriados por uma pseudoerudição. Quando eu era adolescente morria de medo dos intelectuais. Eu achava que tamanha erudição poderia minar a minha fé em Cristo. Ora, a universidade seria um lugar que minha crença seria colocada no fogo... Até que entrei na faculdade. Nada de impressionante. Era apenas a extensão do Ensino Médio. Alguns professores ditos “progressistas” eram “fundamentalistas da vanguarda” e logo percebi esse traço intolerante no magistério que tanto falava em “pluralismo” e “democracia participativa”. Além disso, alguns tinham opiniões políticas tão idiotas que a faculdade perdeu aquela aura de um lugar tão “sabido”! Só quem não sabe de nada fica com medo de certos eruditos. E, infelizmente, muitos jovens que nutriam esse medo hoje prestam reverência a esses “eruditos”.

As ciências humanas, por exemplo, são o campo de maior conflito com essa erudição arrogante. É a intolerância dos tolerantes. O filósofo Luiz Felipe Pondé escreve:
Quando falamos em ciências humanas- ciências quase inúteis e de resultados dúbios-, o mérito então desaparece e, em seu lugar, resta mediocridade, corporativismo, repetições que mimetizam produtividade em termos numéricos e quantificáveis. Tudo a serviço de disputas miseráveis dos pequenos poderes institucionais [1].
Sim, até lembra a estrutura de certas igrejas. Por que ficar de boca aberta diante disso? Sendo deselegante diria que é pura breguice quem se impressiona com pouca coisa.

Não leia esse texto como uma defesa do anti-intelectualismo, pois não o é. O problema desses pequenos liberais não é a erudição, mas a pouca erudição. Eles seguem professores como alguns neopentecostais seguem “bispos” e “apóstolos”. Eles reverenciam certo eruditos como alguns pentecostais reverenciam certos caciques. Tanto num espaço como noutro o que temos é o exercício do cabresto. Só que no primeiro grupo isso é ser “cool”.

3. Mal conhecem a teologia conservadora e vivem de criticar caricaturas. Ora, como é fácil criticar caricaturas. Se todo reformado fosse um John MacArthur Jr., por exemplo, a crítica seria fácil e rasteira. Mas nem todo reformado é estreito com MacArthur Jr. Se todo pentecostal fosse um Silas Malafaia, por exemplo, como seria fácil criticá-los. O mesmo acontece com o conservadorismo. Não podemos simplesmente criticar a ortodoxia histórica baseados em caricaturas. Será que esses teólogos liberais já leram alguma linha do teólogo católico Joseph Ratzinger ou vivem de ler citações do Leonardo Boff? Eu sei que alguns conservadores comentem o mesmo erro em relação aos liberais, mas esse pecado é tão comum nesse meio que fico espantado como eles vivem em função das caricaturas.

Será que, tratando-se de conservadorismo filosófico, eles sabem que são os filósofos Edmund Burke, Michael Oakeshott ou Russell Kirk? Não, eles não sabem.

Se pouco sabem, como podem viver com aquele tipo professoral? "Que grande inutilidade! ", diz o Mestre. "Que grande inutilidade! Nada faz sentido!” [Eclesiastes 1.2]

Referência Bibliográfica:

[1] PONDÉ, Luiz Felipe. Contra um Mundo Melhor. 1 ed. São Paulo: Leya, 2010. p 178.


LEIA A SEGUNDA PARTE AQUI.

sábado, 4 de agosto de 2012

Lição 06 - A despensa vazia

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

ONIPOTENTE

Por Russell E. Joyner

Um antigo questionamento filosófico, indaga: “Deus é capaz de criar uma rocha tão grande que Ele não possa mover? Se Ele não consegue movê-la, logo, Ele não é todo-poderoso. Se Ele não é capaz de criar uma rocha tão grande assim, isso comprova que Ele também não é todo-poderoso”. Essa falácia da Lógica simplesmente brinca com as palavras e desconsidera o fato de que o poder de Deus está relacionado com os seus propósitos.

A pergunta mais honesta seria: Deus é poderoso para fazer tudo quanto pretende, e que esteja de acordo com o seu propósito? De acordo com os seus decretos, Ele demonstra que realmente tem a capacidade de realizar tudo quanto desejar: “Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem pois o invalidará? E a sua mão estendida está; quem, pois, a fará voltar atrás?” (Is 14.27). O poder ilimitado do único e verdadeiro Deus jamais será resistido, impedido ou anulado pelo ser humano (2 Cr 20.6; Sl 147.5; Sl 147.5; Is 43.13; Dn 4.35).

Através de sua revelação, Deus demonstrou que a sua grande prioridade é chamar, formar e transformar um povo para si mesmo. Isto pode ser visto na vida de Sara que, mesmo avançada em idade, Deus lhe concedeu a bênção da maternidade - conforme Ele mesmo o disse: “Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR?” (Gn 18.14; cf. Jr 32.17) - e na vida da jovem virgem Maria (Mt 1.20-25). O propósito sublime de Deus, contudo, foi realizado quando ressuscitou a Jesus dentro os mortos: “E qual a sobre excelente grandeza do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos céus” (Ef 1.19,20).

Os discípulos, após uma declaração enfática de Jesus, meditaram sobre a impossibilidade de um camelo passar pelo fundo de uma agulha de agulha de costura (Mc 10.25-27). A grande lição aqui é a impossibilidade de as pessoas se salvarem a si mesmas. No entanto, isto além de ser possível para Deus, está dentro do seu propósito. Por isso, a obra de salvação é de domínio exclusivo do Senhor. Podemos exaltá-lo, não somente porque Ele é onipotente, mas também porque os seus propósitos são grandiosos, e o seu grande poder é utilizado por Ele no cumprimento da sua vontade.

Texto extraído da “Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal”, editada pela CPAD.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Sardinha podre!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Um pastor (ou seria “apóstolo”?) é condenado por pedofilia. Ele disse para uma garota de 13 anos que “Deus queria que ela fizesse ‘aquilo’ com ele”. E, enquanto esse sujeito estava na prisão, os seus seguidores diziam em um programa de rádio que ele era “perseguido” por causa de sua pregação. O que ele faz quando ganha a liberdade provisória? Ora, nunca mais voltou para a prisão. E continuou pregando em sua igreja como um foragido da justiça.

Você acha isso escandaloso demais para ser verdade? Mas, infelizmente o é. E ele era um daqueles pregadores sensacionalistas que enchem as emissoras de rádio em todo o país. É possível ver algumas pregações (?) desse “apóstolo” no YouTube.

O Portal Terra informa:

José Leonardo Sardinha foi recapturado pela Polícia Militar na noite de terça-feira enquanto ministrava um culto em sua igreja na Vila Alpina, zona leste de São Paulo. Sardinha era foragido da Justiça desde janeiro.

O pastor estava detido no presídio de Tremembé por estupro de uma menina de 13 anos, em 1991, e havia conseguido o direito de cumprir pena em semi-aberto no começo deste ano.

Há cerca de um mês, a PM monitorava Sardinha e fez o cerco no templo da Assembleia de Deus. Ele tentou enganar os policiais e entregou o RG do irmão, mas acabou sendo descoberto. O pastor foi encaminhado ao 56º Distrito Policial da cidade e depois encaminhado para um presídio.