terça-feira, 25 de setembro de 2012

A islamofobia de Dilma Rousseff

Foto: Band
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) a presidente brasileira Dilma Rousseff falou uma grande bobagem. Mas, é claro, que o pensamento da nossa presidente não é original. Eu já ouvi essa mesma bobagem de teólogos cristãos que odeiam o cristianismo! Freud explica?

Ora, no discurso a presidente Rousseff falou:



Ainda como presidenta de um país no qual vivem milhares e milhares de brasileiros de confissão islâmica, registro neste plenário nosso mais veemente repúdio à escalada de preconceito islamofóbico em países ocidentais. O Brasil é um dos protagonistas da iniciativa generosa “Aliança de Civilizações”, convocada originalmente pelo governo turco. [...] Com a mesma veemência, senhor Presidente, repudiamos também os atos de terrorismo que vitimaram diplomatas americanos na Líbia.

Se eu entendi bem a nossa presidente comparou terroristas que mataram diplomatas com supostos “islamofóbicos” ocidentais. É o mesmo raciocínio torto de quem acusa a estuprada pelo estupro, pois a vítima “provocou” o molestador com sua "sensualidade". Ora, quer dizer que fazer um filme falando algumas coisas “ofensivas” sobre Maomé é a mesma coisa que explodir uma embaixada e matar vários diplomatas? Só faltou dizer que eles mereceram...

Bom, que eu saiba é possível ser muçulmano em todos as democracias ocidentais sem nenhum medo, pois em todos esses lugares existe a garantia da liberdade de expressão. Quanta islamofobia, meu Deus!

Ora, por que a nossa presidente não mencionou a cristofobia e o antissemitismo no mundo islâmico? O Paquistão, por exemplo, aplica com gosto a lei da blasfêmia e ninguém fala nada.  Além disso, é impossível ser cristão, judeu ou budista na Arábia Saudita. Na maioria esmagadora dos países islâmicos é crime converter um nativo muçulmano para outra religião. Cadê os protestos?

E ainda falam em islamofobia?

Ainda sonho que um presidente brasileiro lide com os fatos e não com ideologias.


Leia mais:

Seria o “fundamentalismo cristão” tão perigoso quanto o “fundamentalismo islâmico”?

Cristofobia (Ayaan Hirsi Ali na Revista Época)

sábado, 22 de setembro de 2012

Assembleianos, uni-vos contra a transformação da denominação em um grande comitê eleitoral!




Russomano na AD em Santo Amaro.
Foto: Marcelo Mora/G1
Por Gutierres Fernandes Siqueira


Na cidade de São Paulo a Igreja Evangélica Assembleia de Deus, a maior denominação protestante do país, virou um gigantesco comitê eleitoral. Vejamos:

Ministério Santo Amaro. Esse ramo da denominação tem a meta de eleger o candidato Celso Russomano (PRB). O pastor local chegou a colocar uma meta: 100 votos para cada pastor. A Igreja em Santo Amaro, bairro da zona sul, é independente, ou seja, não coligada às convenções nacionais. 

José Serra em evento no Belenzinho.
Foto: Blog do pastor José Wellington
Ministério Belém. O maior ministério assembleiano da cidade tem a meta de eleger o candidato José Serra (PSDB). Serra palestrou na última Escola Bíblica de Obreiros, tradicional evento da igreja paulistana, onde recebeu apoio do pastor José Wellington Bezerra da Costa. A Assembleia de Deus no Belém, bairro da zona leste paulistana, é o principal ministério da maior convenção assembleiana, a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). A CGADB também é presidida pelo pastor Bezerra da Costa. 

Chalita com Ferreira.
 Foto: Campanha do PMDB
Ministério Brás. O pastor Samuel Ferreira declarou apoio ao candidato Gabriel Chalita (PMDB). No último domingo o vice-presidente da República Michel Temer esteve no culto daquela igreja para ouvir mais do apoio ao seu candidato em São Paulo. O Ministério do Brás faz parte da segunda maior convenção nacional, a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil de Madureira (CONAMAD).

O candidato Fernando Haddad (PT) bem que tentou, mas não conseguiu apoio dos principais ministérios assembleianos. Os apoios já estavam fechados. Na última eleição presidencial a então candidata petista Dilma Rousseff conseguiu apoio da CONAMAD, assim como a CGADB apoiou o tucano José Serra.
Haddad comunga em missa carismática,
mas ficou sem apoio das ADs principais. Foto: Ecclesia Una.

Não importa o candidato para qual você depositará o seu voto, mas o que devemos rejeitar com ênfase é a transformação da nossa denominação em um grande comitê eleitoral. Mesmo que o seu ministério apoie o seu candidato, por favor, não aceite a imoralidade dessas igrejas e de seus respectivos pastores. Eu já escolhi o meu candidato, mas o apoio recebido pela igreja que congrego é um ponto bem negativo para ele.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Lição 13- A verdadeira motivação do crente

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD


CRESCENDO À SEMELHANÇA DAS CRIANÇAS

Por David Jeremiah

Se queremos adorar em espírito e em verdade, precisamos redescobrir a capacidade de nos maravilharmos, a qual Deus colocou dentro de cada um de nós. Ela foi distorcida pelo pecado, de forma que nossas percepções foram confundidas. O oposto preciso de maravilha é ceticismo, e eu duvido que alguma vez houve um tempo mais caracterizado por ceticismo que este em que vivemos. Se não tivermos cuidado, cairemos nesta armadilha.

Afinal de contas, o ceticismo está no ar cultural que respiramos diariamente. A menos que você viva em uma ilha deserta, passa mais tempo exposto a atitudes céticas do que comendo ou se exercitando.

Pense em nossos programas de televisão. Considere os filmes a que nossos jovens assistem e a música que pulsa em seus fones de ouvido.

Depois de 11 de setembro de 2001, houve muita discussão na mídia sobre “a morte da ironia”, mas na realidade pouco mudou. Há uma cultura do sarcasmo que tem, há décadas, se infiltrado em nossa mídia e chega até nós através de muito de nossos líderes a fim de infectar a todos.

Frequentemente digo que não vejo como um servo compromissado com Cristo pode manter uma atitude sarcástica a título de humor, porém temos muito poucos outros modelos diante de nós. Depois de um tempo, não nos maravilhamos mais com Oz, o Grande e Poderoso ― estamos esticando nossos pescoços para achar o pequeno homem encolhido atrás da cortina. Estamos certos de que deve haver um, pois tudo parece ser uma fraude e subterfúgio.

Enquanto o pregador está nos falando sobre Deus, estamos desejando saber quanto pagam a ele para pregar o sermão. O ceticismo é uma infecção mortal que corrói nossa habilidade pueril de sermos surpreendidos e nos maravilharmos. Ele corrói nossos canais de adoração, e esta é uma doença terminal.

Este não é um problema novo, naturalmente. Jesus enfrentou os céticos a cada esquina. Não só os fariseus eram incapazes de participar da experiência maravilhosa dos seus milagres e ensinos, mas até mesmo os seus próprios discípulos constantemente falhavam em alcançar um entendimento maior.

Tantas das suas parábolas convidavam os ouvintes a se maravilhar ante à grandeza do Reino de Deus, mas quase todos não entenderam o essencial.

Finalmente, como não pudessem ver o quadro maior, Ele lhe deu um pequeno. Pôs em seu colo uma criancinha. Os discípulos forma surpreendidos; eles achavam que as crianças não eram merecedoras do tempo do Mestre, e geralmente as mantinham à parte:

Mas Jesus, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus. Em verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele.

― Lucas 18.16,17

O tema principal aqui, naturalmente, é a humildade. (Mateus 18 nos fala que os discípulos estavam discutindo ― outra vez ― sobre quem seria o maior no Reino de Jesus.) Todavia, humildade e maravilha andam de mãos dadas. Nossa fé precisa ser pueril, não infantil. Precisamos redescobrir o temor de Deus. Muito do cristianismo contemporâneo, como nós percebemos, se refere a Deus em termos muito casuais, como principal Melhor Amigo ― o que, naturalmente, Ele é. Mas se não tivermos cuidado, nós o colocamos do nosso tamanho. Então nosso Deus se torna muito pequeno. Não precisamos de um deus conveniente e compacto.

Precisamos daquEle que nos faça cair de joelhos, que nos deixe mudos, que faça nossos olhos brilharem com o seu fogo e nos despeça como pessoas transformadas. E precisamos deste Deus a cada momento do dia.

Texto extraído da obra “O Desejo do Meu Coração: Vivendo Cada Momento na Maravilha da Adoração”, editada pela CPAD.

LEIA MAIS

Por Gutierres Siqueira

Os pregadores megalomaníacos

Megalomania das paredes!

Quando a megalomania passa de todos os limites


O heliponto e a lógica ilógica da contribuição

A mania de grandeza

Ei, o conferencista internacional vem aí!

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Por Altair Germano

A VERDADEIRA MOTIVAÇÃO DO CRENTE: COMO LIDAR COM O ANONIMATO NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

PREGAÇÃO, DESEJO E MOTIVO: UM ALERTA PARA OS JOVENS PREGADORES NUMA CULTURA NARCÍSICA E NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

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Por Judson Canto

Lições Bíblicas: “A verdadeira motivação do crente”

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Carta aos cantores evangélicos

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Caros cantores evangélicos, boa noite!

Não sei se vocês têm tempo para ler blogs, pois creio que uma agenda cheia dificulta atividades triviais. Ainda assim, eu escrevo este texto para fazer um pedido aos famosos e não famosos. Vocês, caros cantores, precisam decidir o que são: cantores da e para a igreja ou artistas que eventualmente são evangélicos. Qual a posição que os caríssimos adotam?

O que é um cantor da e para a igreja?

Em primeiro lugar, é necessário explicar que não existe, biblicamente falando, o “ministério de louvor”. O nosso culto deve ser neotestamentário e, assim sendo, não há no contexto bíblico qualquer base para “ministros de louvor”. Não há a figura do “levita” no culto do Novo Testamento, assim sendo, qualquer volta ao ministério levítico é uma tentação judaizante. É bem verdade que pouco se fala sobre cânticos em Atos dos Apóstolos ou nas epístolas paulinas, mas não é possível defender a partir do Novo Testamento o ofício ministerial para a música.

A música deve ser congregacional, ou seja, toda a congregação deve participar do momento musical. Aquele que conduz o louvor não é um ministro, mas somente um membro que ajuda os demais no privilégio de entregar cânticos a Deus. A celebração conjunta que chamamos de “culto” deve ser coletiva, pois não é uma apresentação (ou show) de um culto individualizado. Mesmo as igrejas mais tradicionais pecam com cultos em que o momento do louvor pouco envolve (ou nada envolve) os frequentadores da liturgia (ou serviço). O culto em comunidade passa a ser a exposição de um culto pessoal, assim ferindo um princípio básico exposto pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 14, onde o culto deve a todos edificar.

Portanto, o “cantor” da igreja não é uma função, pois todos devem “cantar” na congregação. Aquele que conduz o louvor é, nada mais do que isso, um condutor. Assim como alguém conduz o andamento da celebração cúltica, o cantor conduzirá a igreja nos cânticos para o louvor e a honra do Senhor. Essa é a lógica dos hinários, mas, é claro, que tal lógica não depende somente deles.

Portanto, é importante diferenciar aquele que conduz o louvor congregacional do artista evangélico.

O artista evangélico

Os artistas evangélicos são como os artista seculares, ou seja, cobram pelas apresentações, fazem shows, requerem direitos autorais, assinam contratos com grandes gravadoras, possuem inúmeros fãs etc. e tal. Qual a diferença dos “mundanos”? Bom, a diferença é que o artista evangélico é metido a “ministro de louvor”. Vive regaladamente disso, mas diz que faz uma missão!

Ora, por que os artistas evangélicos não assumem o que realmente são? Não haveria nenhum problema que tais cantores fizessem isso, pois pior é vestir uma capa de “espiritualização” de suas funções. E ainda pior é chamar os seus próprios shows de “culto a Deus”. Ora, que façam suas atividades para a glória de Deus, mas não vendam isso como um ministério eclesiástico.


Músicas do céu ou cantores nas nuvens?
E na década de 2000 era comum ouvir em inúmeras "profecias" nas igrejas pentecostais onde Deus (?) prometia "gravação de CDs". Eu achava estranho...

Portanto, caro cantor, se você é artista assuma-se como tal. Não diga por aí que você é um "levita", por favor, não fale bobagens! Agora, se você não quer ser artista, então não se comporte como um. Seja um simples condutor de louvor congregacional, assim dedicando com afinco o seu talento na estrutura da liturgia eclesiástica. Agora, se você quer ser os dois...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Lição 12- As dores do abandono

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD


ACEITAR A VIDA EM SEUS TERMOS: LIGADOS A JESUS

Por Don Schmierer e Lela Gilbert

Infelizmente, uma atitude de gratidão é, em geral, a primeira a desaparecer quando as coisas ficam difíceis. E existem muitas coisas difíceis na vida para as quais não encontramos respostas fáceis.

Perguntamos sobre os motivos, e somos recompensados com o silêncio.

Já passei por alguns desses desafios. Depois de um dos meus acidentes, o doutor gentilmente informou sobre aquilo que provavelmente estaria à minha espera. Suas palavras ainda soam aos meus ouvidos:

“Don, suas costas estão tão ruins que se sofrer um escorregão nós teremos que empurrar você numa cadeira de rodas pelo resto da sua vida”. Para dizer o mínimo, eu não estava interessado em ouvir a notícia, nem no restante do que ele disse: “Se eu operar as suas costas, você vai ter 50% de chance de ficar pior do que está agora. Meu conselho é que você cerre os dentes e aprenda a suportar a dor”.

Depois dessas palavras, eu fiquei realmente deprimido. Queria me enfiar no buraco escuro da autopiedade. Não sei dizer como minha esposa enfrentou isso, mas de uma coisa estou certo, ela estava orando com fervor e confiando no Senhor para conseguir forças. Felizmente, algumas passagens das Escrituras vieram à minha mente, exatamente no momento oportuno, antes que minhas emoções atingissem o nível mais baixo. Uma delas foi Mateus 11.28: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Encontrei outras palavras de encorajamento em 1 Pedro 5.7: “Lançando sobre ele todo a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”.

O significado desses versos para mim era que Jesus se preocupava com o meu sofrimento e queria participar dele. Deus estava me dando uma grande oportunidade de me unir ao seu Filho Jesus. Quando entendi as suas palavras, resolvi agradecer-lhe em oração a cada manhã, pelo privilégio de dar o meu sofrimento a Jesus, e por participar do seu sofrimento. Afinal de contas, Ele passou pelo indescritível sofrimento de morrer na cruz e Ele fez isso por mim. Aquilo que antes eu havia entendido como sendo parte totalmente negativa da existência humana tinha se transformado em alguma coisa positiva – uma identidade especial com Jesus. A dor não foi embora; eu simplesmente passei a encará-la de forma diferente.

Esse é um importante princípio, afinal, se queremos realmente conhecer a Cristo e experimentar o seu poder em nossa vida devemos participar do sofrimento pelo qual Ele passou. Como Paulo escreveu: “Para o conhecer, e o poder da ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos...” (Fp 3.10 – ARA). Num sentido semelhante, quando sofremos, somos capazes de participar do sofrimento dos nossos irmãos e irmãs em Cristo em todo o mundo.

Podemos oferecer o nosso sofrimento a Cristo como um reconhecimento dos seus sofrimentos e dos sofrimentos dos seus filhos, nossos irmãos. Ou podemos sentir pena de nós mesmos. A escolha é nossa!

Mas quando descobrimos a graça de agradecer a Deus por nossas lutas, recebemos a paz em meio ao sofrimento. Acredito que existe uma grande parcela de verdade nas palavras de Vaclev Havel: “Podemos descrever melhor a cura como sendo a conquista da paz interior”. Quando fazemos as pazes com o nosso sofrimento, tornamo-nos muito mais capazes de receber a cura. Mas somente se torna possível experimentar a paz de Deus quando expressamos a Ele a nossa gratidão.

Infelizmente, existem ocasiões em que nos recusamos a agradecer a Deus pelas nossas lutas porque, em primeiro lugar, estamos magoados pelo fato de Ele ter permitido que elas acontecessem. Dr. James Dobson fala francamente sobre isso em seu livro When God Doesn’t Make Sense (Quando Deus não Faz Sentido):

Minha preocupação é que, aparentemente, muitos crentes pensem que Deus lhes deva proporcionar uma viagem tranquila, ou, pelo menos, uma explicação satisfatória (e talvez até algum pedido de desculpas) pelas dificuldades que enfrentam. Entretanto, jamais devemos nos esquecer de que, afinal de contas, Ele é Deus. Ele é o Soberano, Santo e Majestoso.

Não presta contas a ninguém. Não é um garoto de recados à procura das missões que distribuímos. Não é um gênio que sai da garrafa para satisfazer os nossos caprichos. Ele não é nosso servo – nós é que somos servos dEle. E a razão da nossa existência é glorificá-lo e honrá-lo.

Mesmo assim, Ele resolve explicar os seus atos na nossa vida. Às vezes, sua presença é tão real como se tivéssemos encontrado frente a frente.

Mas, outras vezes, quando nada faz sentido – quando aquilo pelo que estamos passando não é justo, quando nos sentimos totalmente sozinhos na sala de espera de Deus – Ele diz simplesmente: “Confie em mim”.

Texto extraído da obra “Curando as Feridas do Passado: Encontrando, enfim, a Paz Interior”, editada pela CPAD.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O “voto dos evangélicos”, o voto de cabresto e o preconceito velado nas análises jornalísticas e sociológicas!

O retrato dos evangélicos em muitas análises sociológicas é como essa charge.
 Será que os evangélicos são mais manipuláveis do que a média da população?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

As minhas posições sobre igreja e política são claras. Mas não custa relembrar: 1) A igreja não deve apoiar oficialmente um candidato, seja ele evangélico ou não, isso porque a igreja deve ser uma entidade neutra sem interesses no poder temporal. 2) O papel da igreja é educar, ou seja, orientar os fiéis a um voto consciente. E a ação educadora passa também pela formação de uma alta cultura. 3) A igreja deve defender a democracia e a voz eclesiástica ativa em sua sociedade laica, assim como deve rejeitar movimentos teocráticos ou extremistas que se escondem sob o secularismo. 4) A igreja jamais deve ceder o seu espaço para a propaganda política, ideológica ou partidária. 5) O prédio da igreja não pode ser confundido com comitê eleitoral. 6) O candidato que visitar um culto deve ser tratado como qualquer outro visitante, ou seja, com educação, mas sem nenhuma diferenciação. 7) A igreja evangélica deve ser a maior defensora da separação entre a Igreja e o Estado.

Mas neste texto quero falar sobre o “voto dos evangélicos”, ou seja, essa entidade mística buscada com afinco pelos políticos, vendida pelos pastores sem escrúpulos e objeto de análise dos “especialistas”. O tom é meio de “voto de cabresto”, ou seja, se uma denominação apoia determinado candidato parece que todo membro daquela igreja votará no indivíduo. Será que é assim mesmo?

Na verdade, tal visão é preconceituosa. A ideia que o “rebanho” é tão dependente da orientação pastoral que votará em qualquer um apresentado pela igreja é simplesmente absurda. Eu, pessoalmente, já vi inúmeras vezes pastores defendendo determinado candidato e membros da mesma igreja dizendo que iam votar no candidato adversário. O que pesa mais não é a palavra do pastor, mas sim a percepção geral daquele eleitor sobre o candidato. Pode até ser que a opinião do eleitor coincida com a orientação daquele pastor, mas tal processo não é automático, principalmente para eleger os membros do Poder Executivo.

Em 2008 fui em um culto onde defendiam abertamente o voto no então candidato e prefeito Gilberto Kassab. O culto era composto em sua maioria de jovens, mas ao final eu ouvi um grupo deles comentando: “Eu não vou votar no Kassab. Eu vou votar na Marta (Suplicy) porque ela vai colocar internet de graça em toda a cidade”. Dias depois vi uma cena parecida, mas as palavras foram de uma senhora bem idosa. Naquele dia percebi que não existe voto de cabresto em igrejas evangélicas. As pessoas votam conforme a sua própria cabeça.

É claro que alguns ouvirão os seus pastores inescrupulosos. E repito: tais pastores envergonham o Evangelho, pois a missão pastoral é a exposição bíblica e o discipulado. Mas não é a maioria. A maioria vota com autonomia. Portanto, o “pastor” que vende apoio a um candidato está enganando aquele político. Aliás, um pastor que vende apoio deveria pedir sua demissão, pois traz desgraça sobre o seu ministério.

Deveriam aprender com Paulo, o apóstolo, que era tão preocupado com a credibilidade de seu testemunho diante do mundo. “Não damos motivo de escândalo a ninguém, em circunstância alguma, para que o nosso ministério não caia em descrédito”, disse ele aos coríntios [2 Coríntios 6.3].

Os evangélicos em sua maioria, repito, não são ovelhas mansas levadas a qualquer voto. A decisão é bem pessoal, mesmo que baseada em promessas populistas. A qualidade do voto não é melhor e nem pior que a média geral da população brasileira. Portanto, os evangélicos são mais manipuláveis do que os não-evangélicos? É claro que não. Para o bem ou para o mal, o nível é o mesmo!

Leia mais:

A professora Magali Nascimento Cunha escreveu o texto Rebanho não tão unânime no jornal O Estado de S. Paulo onde contesta essa visão tradicional sobre o voto evangélico. Leia aqui.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Seria a "esperança cristã" um impeditivo a ação social?

"A esperança cristã é muito depreciada nos dias de hoje. Ela está em desacordo com o orgulho humana de nossa cultura sofisticada e materialista. Nossa esperança provoca ressentimento. Os marxistas se opõem a ela porque acham que a esperança celestial (enganosa, segundo eles) conduz à passividade e impede as massas de agirem revolucionariamente em prol da transformações sociais. Alguns conselheiros psicólogos são contra a esperança cristã porque a veem como forma de escapismo que impede as pessoas de verem a realidade. Mas a verdade é que a esperança cristã, em virtude do seu objeto (o que ela espera, que é a generosidade de Deus garantida e sem fim), produz amor, alegria, zelo, iniciativa e ação devotada, de modo que, como disse C. S. Lewis, aqueles que mais fizeram pelo presente mundo foram aqueles que mais pensavam no outro". [James I. Packer]


fonte: PACKER, James. Nunca Perca a Esperança. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002. p 11.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A hermenêutica falha e a praga da “moralização”

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Interpretar a Bíblia não é uma tarefa fácil. Ainda assim, é obrigação do pregador buscar a melhor interpretação possível para o desenvolvimento de um sermão que respeite as Sagradas Escrituras. Uma hermenêutica falha acaba por prejudicar a mensagem da pregação e nada pior para a saúde de uma comunidade cristã do que a fome pela Palavra genuína derivada de um púlpito pobre.

Hoje em dia a maioria dos pregadores querem transmitir “praticidade” para o público. Não é à toa que tantas pregações comecem com “cinco chaves para isso...”, “sete passos para aquilo”, “dez atitudes para aquilo outro”, etc. e tal. É um excesso de “moralização”, pois o pregador assume que “os princípios para a vida diária podem ser derivados de qualquer passagem” [1].

A moralização é o exercício de ensinar a “prática da boa conduta”, ou seja, aquilo que é correto e deve ser reproduzido. É, basicamente, ensinar a imitar exemplos externos. E, é claro, a Bíblia é moralizadora em certo aspecto, mas nem todo texto bíblico pode ser colocado de tal forma. Moralizar com texto não moralizante torce o sentido que o autor quis dar àquelas páginas.

Isso acontece especialmente com textos narrativos do Antigo Testamento e com o livro neotestamentário Atos dos Apóstolos. Alguém pode dizer ao ler Atos 5.15: “Vejam, o apóstolo Pedro era tão ungido que a sua sombra curava” e depois perguntar: “Por que isso não acontece conosco? Onde está a nossa fé? Igreja, desperta!”. Assim, a congregação pode concluir que o seu cristianismo será de fato verdadeiro quando a sua sombra mostrar um poder curativo.

Ou ainda mais comum. Alguém lê a história de Daniel no capítulo 6 e diz: “Quantos de nós oramos três vezes ao dia? Será que podemos nos considerar cristãos orando somente antes de dormir? Desperta, povo de Deus!”. Assim, essa congregação de ouvintes conclui que um cristão verdadeiro precisa orar como uma atividade alimentícia, ou seja, em alguns momentos do dia. Assim, a oração pode deixar de ser um momento de “conversa com Deus” para ser um rito religioso. A mudança é aparentemente sutil, mas altamente destrutiva.

Portanto, será que toda e qualquer passagem têm “uma moral” sobre o que ser e fazer assim como no final das histórias infantis? É claro que não. Ou vamos ler as genealogias de Números e concluir que temos o dever de fazer uma “árvore genealógica”? Tal conclusão soaria ridícula, mas o mesmo raciocínio torto permeia muitas pregações que não respeitam o texto em suas próprias características. 

Além disso, é sempre bom lembrar que uma mensagem moralizante sem a graça de Cristo é mera religiosidade, menos Evangelho. Assim como declarou Bryan Chapell: " “uma mensagem que meramente defende a moralidade e a compaixão permanece na condição de mensagem não integralmente cristã, mesmo que o pregador seja capaz de provar que a Bíblia exige tais ensinamentos” [2]. É preciso temperar o "seja assim e assado" com "permita que a graça de Deus o ajude a ser assim".

Referências Bibliográficas:

[1] FEE, Gordon D. e STUART, Douglas. Manual de Exegese Bíblica: Antigo e Novo Testamento. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2008. p 199.

[2] CHAPELL, Bryan. Pregação cristocêntrica. 1 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2002. p 290. (cit. em:) CARDOSO, Dario de Araújo. Uma Abordagem Cristocêntrica para Sermões Biográficos. Fides Reformata. n 1. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2010. pp 57-79.

domingo, 9 de setembro de 2012

A escandalosa imoralidade da "meta de votos"

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Na última sexta o jornal O Estado de S. Paulo informou que a Assembleia de Deus Ministério Santo Amaro, braço independente de convenções nacionais, estabeleceu uma meta clara aos seus pastores: ganhar 100 votos para o candidato a prefeito Celso Russomanno (PRB-SP). Leia a matéria aqui.

Ora, preciso comentar alguma coisa? Ou a Igreja Evangélica perdeu o sentimento do "espanto"? Como uma igreja pode estabelecer metas de votos? Ora, se já é errado uma igreja apoiar um candidato, agora imagine uma igreja que vira comitê eleitoral?!

Já estou com saudades do tempo em que as igrejas tinham como objetivo "ganhar almas" para Jesus Cristo.

Sabe o pior: ela não é única!


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Reverendo Moon morreu, mas o Manoel Ferreira continua bem vivo!

Por Gutierres Siqueira

Todos vocês já sabem que o heresiarca Sun Myung Moon- ou simplesmente Reverendo Moon- morreu aos 92 anos vítima de uma pneumonia na Coreia do Sul. Moon já foi preso nos Estados Unidos por evasão fiscal e era investigado no Brasil pelo mesmo crime. Fundador da Igreja da Unificação, o reverendo proclamava-se como messias. Além de herege, ele tinha mania de grandeza. Moon acreditava ser o "continuador" do trabalho de Cristo na terra.

Bom, o pior foi ver o bispo Manoel Ferreira negando no programa de TV de seu filho Samuel Ferreira que tivesse relações com o Reverendo Moon. Meses depois todos viram pelo YouTube um vídeo onde o mesmo bispo Manoel Ferreira recebe uma homenagem de Moon na própria Igreja da Unificação.

Por que o bispo Ferreira mentiu em rede nacional? E até onde ia essa relação de amizade entre os dois? E por que a Assembleia de Deus de Madureira e sua alta direção aceita passivamente esse escândalo? Bom, são perguntas sem respostas. Está mais do que na hora do bispo Ferreira pedir desculpas para a comunidade pentecostal, especialmente para os assembleianos de Madureira.

Além disso, o bispo Manoel Ferreira é político e tem algumas acusações graves de corrupção envolvendo laranjas e uma faculdade em sonegação de impostos. (Leia aqui).

Não tenho nenhum prazer em citar o nome de um importante pastor nas Assembleias de Deus, mas é simplesmente escandaloso que o mesmo continue na direção do segundo maior segmento da denominação. Até quando?

Leia mais sobre o escândalo com o Reverendo Moon aqui.

sábado, 1 de setembro de 2012

A vingança nunca é plena...



Por Gutierres Siqueira

Ainda estou em viagem e, por isso, ando sumido por aqui. Mas enquanto eu estava em uma van viajando pelas tristes estradas do interior maranhense acabei por ouvir a nova música da Damares. Para a "minha alegria" eu ainda não havia escutado esse "hino" (?). Estrada ruim, poeira, calor e música da Damares: que coisa triste!

Essa é a segunda música que essa cantora pentecostal exalta a vingança. Há algo de muito errado nessa tendência vingadora da Damares e dos seus seguidores. Que cristianismo é esse? Já leram as palavras de Jesus? A dita "música pentecostal" está há muito tempo (a tendência não é recente) contaminada com essa fome vingativa e pela sede triunfalista. É difícil louvar a Deus com músicas que a maioria dos pentecostais tanto amam. Eu poderia citar várias cantoras que são iguais ou pior do que a Damares. Algumas estão no "mercado pentecostal" há mais de 30 anos.

Insisto que o problema não é de hoje. Experimente pesquisar alguns "hinos pentecostais" da década de 1970 e 1980 e você já verá essa ênfase nos problemas humanos, no desejo de retribuição e na temática de "vitória".

Como dizia o Seu Madruga: "A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena". Quem diria que o personagem cômico ensina nessa frase mais cristianismo do que alguns "hinos"?!