quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Macedo e Bell: duas facetas da mesma moeda!

Por Gutierres Siqueira

Nesta semana, a revista Istoé entrevistou o Edir Macedo e a revista Veja entrevistou o Rob Bell. Os dois entrevistados mostram facetas lamentáveis do "cristianismo" contemporâneo. De um lado temos um "bispo" que vende Cristo como um guru da prosperidade. É a autoajuda vulgar. Do outro temos um líder que vende Cristo como um guru moralista onde o importante é seguir o "exemplo humano de Jesus". É a autoajuda "cool". 

No fim, parece que estamos diante de dois "cristianismos" bem diferentes, mas na verdade há um toque sutil entre eles. Ambos expressam a cega confiança na salvação pelo próprio ego. Um confia em suas riquezas. Outro confia em sua "bondade" para com os desvalidos. Ambos confiam em si. É simplesmente trágico. 

Em nenhum desses vemos o Cristo da graça. Em nenhum desses vemos o Cristo Salvador. Aquele que nos salva de nós mesmos. Salva-nos baseado em Seus próprios méritos. E não no nosso. Sim, o Cristo da cruz não é meramente alguém que serve de exemplo para a vida existencial ou a vida de negócios, mas é Aquele que faz a própria transformação de nossa natureza. Sem essa transformação, chamada de novo nascimento, não há o grande mistério do homem pecador e justificado ao mesmo tempo. 

Jesus respondeu: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus". [João 3.5]

domingo, 25 de novembro de 2012

Personalismo: Só falta colocar uma melancia na cabeça!

O que é pior: o personalismo dos gritos ou do terno "cheguei"?!

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Uma vez fui a uma reunião e vi uma propaganda minha (detesto publicidade) em letras garrafais: “Donald Gee, o Grande Evangelista Escocês”. Levantei-me na primeira reunião e disse: “Vou ter de corrigir um mal-entendido. Em primeiro lugar não sou grande, em segundo lugar não sou escocês, e em terceiro lugar não sou um ‘evangelista’; o Senhor fez-me algo mais. O dom e o ministério que Deus nos dá indicam a função”. (Donald Gee, teólogo pentecostal inglês na década de 1930[1])

Mediante o último post [leia aqui] o leitor Aprendiz fez a seguinte pergunta sobre o “personalismo” nas igrejas pentecostais: “Na sua opinião, qual o motivo do fortíssimo personalismo nas igrejas pentencostais e neopentecostais?”.

Antes da resposta é importante definir o termo. Segundo o Dicionário Houaiss personalismo é “conduta, procedimento do indivíduo que refere todas as coisas a si mesmo, que tem a si próprio como ponto de referência de tudo o que ocorre à sua volta”.

Vejamos as possíveis causas:

a) Herança católica e cultural. O catolicismo brasileiro é personalista. A política nacional é personalista. Hoje, infelizmente, os evangélicos talvez passem nesse quesito o próprio catolicismo.  É inegável a nossa herança do catolicismo, logo porque foram quatro séculos de pura dominação católica neste país. A formação cultural é forte, visível  e o personalismo dos famosos padres com poderes milagrosos passou para pastores que manipulam o sagrado. Não é à toa que o famoso padre Cícero era “milagreiro” e líder político populista como coronelista.

O teólogo presbiteriano Augustus Nicodemus escreveu:

Na Igreja Católica, o sistema papal impõe a autoridade de um único homem sobre todo o povo. A distinção entre clérigos (padres, bispos, cardeais e o papa) e leigos (o povo comum) coloca os sacerdotes católicos em um nível acima das pessoas normais, como se fossem revestidos de uma autoridade, um carisma, uma espiritualidade inacessível, que provoca a admiração e o espanto da gente comum, infundindo respeito e veneração. Há um gosto na alma brasileira por bispos, catedrais, pompas, rituais. Só assim consigo entender a aceitação generalizada por parte dos próprios evangélicos de bispos e apóstolos auto-nomeados, mesmo após Lutero ter rasgado a bula papal que o excomungava e queimá-la na fogueira. A doutrina reformada do sacerdócio universal dos crentes e a abolição da distinção entre clérigos e leigos ainda não permearam a cosmovisão dos evangélicos no Brasil, com poucas exceções. [2]

b) Deficiência hermenêutica. Só mesmo quem não sabe interpretar bem o texto bíblico pode deduzir através da Bíblia que a liderança eclesiástica é incontestável ou que os líderes devem ser servidos no lugar de serem servidores.

c) Caciquismo eclesiástico. O personalismo também é “sistema político que se baseia na personalidade dinâmica do seu líder” e a “predominância dos interesses pessoais, locais ou de um partido político sobre os interesses coletivos” (Dicionário Houaiss). Assim como na política secular, o personalismo é o braço do populismo vazio na política eclesiástica. É uma afirmação de poder. O poder temporal é confundido com o poder dito espiritual.

d) Ênfase em manifestações espirituais. Bom, não há nada de errado nos milagres e busca pelos dons, mas uma ênfase exagerada nesses aspectos leva para a valorização daqueles que possuem carismas. O mesmo aconteceu na Igreja de Corinto, onde aqueles que exerciam dons eram ditos como mais espirituais. O tempo passou, mas esse problema ainda persiste. Assim como os coríntios, muitos evangélicos acham que manifestações carismáticas são atestados de espiritualidade e, assim, reverenciam os portadores de dons. Você já observou como há um silêncio reverente quando alguém se levanta em profecia? Isso é bom, mas por que o mesmo não acontece na ministração da Palavra?

Portanto, esses são alguns pontos que coloco como a razão do personalismo no meio pentecostal.

Referências Bibliográficas:

[1] GEE, Donald. Como Receber o Batismo no Espírito Santo. 6 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 68-69.

[2] NICODEMUS, Augustus. O Que Estão Fazendo com a Igreja. 1 ed. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2008. p 26.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Irreverência. Quanta, irreverência!

Pregação expositiva? Isso non ecziste!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Não faz muito tempo levei alguns amigos para conhecer uma importante igreja pentecostal aqui em São Paulo (SP). E, apesar de morar na cidade, eu também queria conhecer o culto dominical noturno daquela igreja. Mas, para mim, a experiência foi decepcionante.

Por que a decepção? Bom, uma igreja que deveria servir de referência, pois é um marco entre as igrejas pentecostais da cidade, simplesmente mostra exatamente os mesmos vícios e manias que mancham as demais igrejas pentecostais. 


Vejamos:

1) Pregação temática e mal interpretada. A pregação foi sofrível. O pregador falou de Abraão sem citar Jesus Cristo. Como pode? Abraão e a sua aliança com Deus deve nos levar para a lembrança da aliança de Cristo com todos nós. Colocar Abraão meramente como um exemplo de fé para as dificuldades do dia a dia é uma distorção gritante do texto de Gênesis 12. Não há problema em uma pregação temática, mas desde que ela seja fiel ao texto bíblico. Além disso, se possível, seria mais interessante uma pregação expositiva. Mas, eu sei, é pedir demais!

2) Irreverência no púlpito. Por que tanta conversa na plataforma que abriga o púlpito? É um troca-troca de papéis e recados que chamam a atenção de qualquer um. É um púlpito ou um escritório? Além disso, qual é o motivo para toda aquela tropa de engravatados sentados em uma plataforma? É um converseiro sem fim.

3) Excesso de oportunidades. Crianças, adolescentes, senhoras, quartetos, corais, orquestras, cantores individuais... E assim são “oportunidades” sem fim. Há, ainda, as famosas “saudações”, pois o “visitante ilustre” não pode ficar sem uma “palhinha”. É um culto a Deus ou sei lá o quê?

4) Personalismo. Bem, personalismo é uma doença cada vez mais presente no meio pentecostal. Antes, em igrejas pentecostais históricas, em uma sadia iconoclastia, havia um repúdio a qualquer imagem em seus templos. Hoje, a imagem do líder impera nos cartazes e nas paredes das igrejas.

Bom, é ruim quando você guarda uma expectativa que não é cumprida. E, pior, ainda não temos um grande modelo e isso é uma pena.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Palestra



PS: Apesar de discordar em muitas coisas da irmã Marina Silva (especialmente sua visão utópica da vida), ainda assim acho que vale a pena ouvir essa palestra. É sempre importante dialogar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Liberalismo teológico e sua natureza anticristã...


"Ao afirmar que o Liberalismo na igreja moderna representa um retrocesso para uma forma de religião não cristã ou subcristã, ficamos temerosos de que sejamos mal interpretados. Não cristã, numa relação como essa, às vezes, é tomado como um termo degradante. Mas não é isso que queremos dizer. Sócrates não era um cristão, assim como Goethe também não; no entanto, compartilhamos do respeito com o qual os nomes deles são vistos. Eles estão muito acima da média, do homem comum. Se o menor no Reino dos Céus é maior que eles, com certeza não o é por uma questão de superioridade inerente, mas por consequência de um privilégio imerecido que o tornará humilde, e não desrespeitoso. [...] Essas considerações não deveriam obscurecer a importância vital do ponto em questão. Se pudéssemos imaginar uma situação na qual toda a pregação da igreja fosse controlada pelo Liberalismo, o que já é preponderante em muitos lugares, cremos que o Cristianismo teria, afinal, desaparecido da face da terra, e o Evangelho já não seria mais proclamado. Se for assim, segue-se que a questão a ser investigada aqui é de máxima importância entre as outras questões com que a igreja tem que lidar. Muito mais importante do que todas as questões sobre método de pregação, é a questão sobre o que devemos pregar".

[MACHEN, John Gresham. Cristianismo e liberalismo. 1 ed. São Paulo : Shedd Publicações, 2012. p 14.]

domingo, 18 de novembro de 2012

Diante de Deus eu passo a enxergar diferente!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Caros leitores e amigos,

Ouçam abaixo uma pequena pregação baseada em Isaías 6.1: "No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo."

É possível fazer o download para ouvir no seu celular/smartphone ou MP3




Duração: 26:43 min.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Lição7- Miqueias — A superioridade da obediência em relação aos rituais

Subsídio preparado pela Equipe de Educação da CPAD

FORMA E LIBERDADE

Por John R.W. Stott

As estruturas seculares estão desmoronando em todos os lugares. Há uma rebelião mundial contra formas institucionais rígidas e um sentimento universal à procura de liberdade e flexibilidade. A igreja cristã, considerada em muitas partes do mundo como uma das principais estruturas do tradicionalismo, não pode escapar a este desafio de nossos tempos. Além disso, o desafio vem tanto de dentro como de fora. Muitos jovens crentes estão requerendo um novo e não estruturado tipo de cristianismo, despojado dos obstáculos eclesiásticos que têm sido herdados do passado.

Permiti-me classificar as três expressões principais desta onda.

Referem-se à igreja e seu ministério, à direção de cultos públicos, e ao relacionamento com os outros crentes. É perigoso generalizar. Todavia, alguém pode dizer, em primeiro lugar, que muitos estão procurando igrejas que não tenham cerimônia fixa. Grupos de crentes estão, agora, reunindo-se em muitas partes do mundo, libertando-se da tradição e fazendo as coisas à sua maneira. Em segundo lugar, há um desejo por cultos informais, nos quais o ministro não mais domina, mas onde a participação da congregação é incentivada, onde o órgão é substituído pelo violão e uma liturgia antiga, pela linguagem de hoje, onde há mais liberdade e menos formalidade, mais espontaneidade e menos rigidez. Em terceiro lugar, há uma rejeição de denominacionalismo e uma nova ênfase em independência. A geração jovem está bastante contente em cortar laços que os prendem ao passado e mesmo a outras igrejas do presente. Eles querem chamar-se “crentes”, mas sem qualquer rótulo denominacional.

Sem dúvida, estas três exigências têm alguma lógica. Elas são fortemente sentidas e poderosamente manifestadas. Não podemos simplesmente considerá-las como irresponsabilidades loucas do jovem. Há uma ampla busca para o livre, o flexível, o espontâneo, o não-estruturado. A geração dos crentes mais velhos e tradicionais precisa entender isso, ser solidária e acompanhar, na medida do possível, o que está acontecendo. Todos nós concordamos em que o Espírito Santo pode ser (e às vezes tem sido) aprisionado em nossas estruturas e sufocado por nossas formalidades.

Contudo, há algo a ser dito em relação ao outro extremo. Liberdade não é sinônimo de anarquia. Que argumento pode ser apresentado, então, em favor de alguns tipos de cerimônias e estruturas?

Primeiro: uma igreja estruturada. Os crentes pertencem a diferentes origens denominacionais e apreciam tradições diferentes. Contudo, a maioria (talvez todos nós) concorda em que o Fundador da Igreja tencionou que ela tivesse uma estrutura visível. [...] Ele mesmo insistiu no batismo como a cerimônia de iniciação na sua Igreja, e batismo é um ato visível e público. Ele também instituiu sua ceia como a refeição da comunhão cristã, pela qual a Igreja identifica a si mesma e exercita disciplina sobre os membros.

Segundo: adoração formal. Em particular, sou completamente a favor da adoração espontânea, exuberante, alegre e barulhenta do jovem, ainda que, algumas vezes, possa ser doloroso, como experimentei uma vez, em Beirute, quando o meu ouvido direito estava a apenas algumas polegadas do trombone. Alguns de nossos cultos são por demais formais, sérios e maçantes. Ao mesmo tempo, em algumas reuniões modernas, a quase total noção de reverência perturba-me. Parece que alguns acham que a principal evidência da presença do Espírito Santo é o barulho [...].

Terceiro: um princípio de conexão. A maioria de nós desejaria insistir em, pelo menos, um certo grau de independência para a igreja local que, em conformidade com o Novo Testamento, é uma manifestação local e visível da Igreja universal. [...] A unidade da Igreja é derivada da unidade de Deus.

E porque há um só Pai, há uma só família; e um só Senhor, há uma só fé, uma só esperança e um só batismo; e porque há um só Espírito, há somente um corpo: Ef 4.4-6. Portanto, toda questão do relacionamento com outros crentes é controversa e complicada, e certamente as Escrituras não nos dão autoridade para procurar ou assegurar unidade sem verdade. Mas não nos dá, tampouco, autoridade para buscar a verdade sem unidade. Independência é conveniente. Mas também o é a comunhão na fé comum que professamos.

Mais uma vez meu argumento é que não polarizemos nesta questão. Há um lugar necessário na Igreja de Cristo, tanto para o estruturado como para o não-estruturado, tanto para o formal como para o informal, tanto para o sério como para o informal, tanto para o sério como para o espontâneo, tanto para a independência como para a comunhão.

[...] Os mais antigos membros tradicionais da igreja, que amam a liturgia, precisam experimentar a liberdade do culto no lar, ao passo que os mais novos, que amam o barulho e a espontaneidade, precisam experimentar a seriedade e reverência dos cultos formais da igreja. A combinação é muito saudável!

Texto extraído da obra “Cristianismo Equilibrado”, editada pela CPAD.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Estado Laico? Sim! Estado antirreligioso? Não!

Que o Estado seja neutro. Não religioso. Não arreligioso

Por Gutierres Fernandes Siqueira
“Partindo da liberdade ilimitada, chego ao despotismo ilimitado. Acrescento, não obstante, que não pode haver nenhuma solução da fórmula social a não ser a minha” [Shigaliov, em Os demônios (1), de Dostoiévski]

O Brasil é regido pelo lacismo. Graças a Deus! Não há uma religião ou igreja oficial. Isso é ótimo! A separação da Igreja e do Estado está clara nas palavras de Jesus: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" [Mateus 22.21]. Eu detesto a ideia de um Estado misturado com uma religião. Já escrevi sobre isso. Veja aqui e aqui.

Todos vocês sabem que um procurador do Ministério Público, certamente buscando publicidade, intimou o Banco Central do Brasil para retirar a frase “Deus seja louvado” das notas monetárias. Segundo o procurador, o objetivo é defender o Estado laico e liberdade religiosa (sic)!

Por que isso é um absurdo? Ora, esses procuradores seguem a velha máxima do iluminismo francês que não sabe diferenciar Estado laico de Estado secular. O lacismo não significa a exclusão da religião do espaço público, mas a convivência de todos os credos religiosos e não-religiosos. O Banco Central respondeu sabiamente: “A República Federativa do Brasil não é antirreligiosa ou anticlerical, sendo-lhe vedada apenas a associação a uma específica doutrina religiosa ou a um certo e determinado credo”.

O que essa parte do Ministério Público quer? Ora, na verdade é a implantação do Estado secular. O secularismo radical sonha com o Estado em que o religioso se coloca em âmbito fechado. Não vai demorar para que surjam a proibição da Bíblia pela sua “defesa” homofóbica e/ou escravocata, segundo a leitura míope de alguns. Essa aberração é muito diferente do Estado verdadeiramente laico.

A questão aqui não é uma frase. Se a frase não existisse em nada mudaria nossas vidas, mas a chave é o espírito da crítica desses "homens da justiça". É um pequeno sinal que muitos sonham com a exclusão total do religioso na esfera pública. Ou seja, há motivos para preocupação. O que está em perigo é, no fundo, a própria liberdade.  Repito a essência da frase de Shigaliov: eles dizem que lutam pela liberdade enquanto implantam um despotismo. 


Que Deus seja louvado!

Referência Bibliográfica:

[1] DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Os demônios. 2 ed. São Paulo: Editora 34, 2005. p 391

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Uma crítica boba ao Natal!

Rembrandt - Simeão e o Menino Jesus, 1669

"Quando um homem considera o dia de Natal uma mera desculpa para se encharcar de comida e bebida, isso seria falso mas, haveria um fato verdadeiro escondido em algum lugar. Mas quando Bernard Shaw [famoso ateu] diz que o dia de Natal é somente uma conspiração estritamente comercial de avicultores e comerciantes de vinho, então ele diz algo chocante e magnificentemente estúpido. Ele poderia também ter dito que os dois sexos foram inventados por joalheiros interessados na venda de anéis". [G. K. Chesterton]

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aviso!

Caros,

Ando meio sumido há uma semana e meia. O motivo? Provas e trabalhos da faculdade, além de certificação do emprego. Mas depois desse feriado volto com um texto inédito.

Até breve!

Abraço a todos!

sábado, 10 de novembro de 2012

Lição 6 Jonas- A misericórdia divina

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

JONAS


Por Robert B. Chrisholm, JR.

A GRAÇA SOBERANA DE DEUS

Ao longo do livro de Jonas Deus aparece como o Rei soberano e onipotente do universo. Provocou uma tempestade violenta (Jn 1.4) e depois fez com que parasse (v.15). Determinou o resultado da sorte que os marinheiros lançaram (v.7), mandou que uma grande criatura marinha lhe fizesse a vontade (Jn 1.17; 2.10), induziu uma planta a crescer (Jn 4.6), fez uma lagarta matar a planta (Jn 4.7) e chamou o vento quente do deserto (Jn 4.8). Até a maior cidade da terra estava sujeita ao seu decreto soberano (Jn 1.2; 3.1-10; 4.11).

Deus mostrou poder soberano visando uma meta em particular ― a recuperação de homens pecadores. Embora os ninivitas merecessem ser castigados por atos pecaminosos, Deus na sua graça decidiu dar-lhes a oportunidade de arrepender-se. Com isso, Ele demonstrou a verdade da confissão de Jonas, registrada em Jonas 4.2: “[Tu] és Deus piedoso e misericordioso, longânimo e grande em benignidade e que te arrependes do mal”.

A RESPOSTA DE JONAS A DEUS

A confissão registrada em Jonas 4.2 não se originou com a [do] profeta.

Palavras quase indênticas constam em Êxodo 36.6,7 onde a referência é a misericórdia de Deus por Israel imediatamente após a queda vergonhosa do bezerro de ouro. Uma forma abreviada do credo ocorre em Números 14.18, onde Moisés pediu que o Senhor perdoasse o povo depois de terem recusado confiar no Senhor para vencer os cananeus. O uso de Jonas desta confissão tradicional deve tê-lo lembrado que Deus desde o começo da história demonstrara misericórdia a Israel.

Apesar da desobediência e presunção, o próprio Jonas experimentara a libertação misericordiosa de Deus e recebera uma segunda chance.

Quando comissionado por Deus para ir a Nínive, Jonas fugiu na direção oposta. Quando lançado ao mar furioso e engolido por um peixe, Ele teve a audácia de presumir que estava livre. Em lugar de oferecer um clamor penitencial e humilde por libertação, ele agradeceu ao Senhor por tê-lo libertado (Jn 2.1-9). Mas Deus preservou e comissionou novamente o profeta (Jn 2.10 ― 3.2). O livro termina com um Deus gracioso ainda tentando persuadir Jonas a pensar corretamente na sua misericórdia (Jn 4.9-11).

Embora Jonas, como Israel, fosse recebedor da misericórdia de Deus, o profeta negou a mesma misericórdia para o mundo gentio. Ironicamente, estes pagãos a quem Jonas detestava por serem idolatras (Jn 2.8), mostraram mais sensibilidade espiritual do que o profeta. Jonas reivindicou temer “ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca” (Jn 1.9). Mas suas ações contradisseram o seu credo. Enquanto Jonas tentou fugir do Criador do mar através do mar, os pagãos expressaram que temiam genuinamente ao Senhor por meio de sacrifícios e orações (Jn 1.16). Em contraste com Jonas que desobedeceu à palavra revelada de Deus e prevaleceu-se da misericórdia divina, os ninivitas responderam imediata e positivamente à palavra de Deus e humildemente se lançaram aos pés do Deus soberano (Jn 3.4-9). Embora Deus enviasse Jonas para denunciar a “malícia” (ra’ah) de Nínive (Jn 1.2), o profeta desobediente trouxe “mal” (ra’ah novamente) aos marinheiros (Jn 1.7) e acabou ficando “todo ressentido” (ra’ah de novo) pelo tratamento misericordioso dado por Deus aos ninivitas (Jn 4.1). Esta repetição da palavra hebraica (ainda que em sentidos semânticos diferentes) indica que Jonas, de certo modo, se tornara mais semelhante [a]os pagãos de que ele percebera. Por meio de contraste, os ninivitas tinham se afastado “do seu mal [ra’ah] caminho” (Jn 3.10).

O livro de Jonas é uma lembrança vívida para que o povo de Deus não resista ou questione as decisões soberanas de Deus dar a sua graça a quem Ele quer. Quando Deus chama os seus servos para lhe cumprir as determinações e ser instrumentos da graça aos pecadores, eles têm de obedecer, cientes de que eles também têm experimentado a misericórdia divina de forma conjunta e individual.


Texto extraído da obra “Teologia do Antigo Testamento”, editada pela CPAD.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Jesus dos liberais amou o amor. Isso está certo?

"Amor mit Seifenblase" 1634 por Rembrandt

“Em lugar nenhum Jesus exige amor pelo amor, e em parte nenhuma exibe aquele domínio completo dos sentimentos  e emoções amáveis sobre os agressivos, que parece indicado pela ideia de que nele o amor "tem de encher a alma, completamente", ou de que a sua ética se caracteriza pelo "ideal de amor". A virtude do amor no caráter e exigência de Jesus é a virtude do amor de Deus e do próximo em Deus, não a virtude do amor de amor. A unidade desta pessoa está na simplicidade e integridade do seu curso para Deus, quer seja em termos de amor, de fé ou de medo”.  [NIEBUHR, H. Richard. Cristo e Cultura. 1 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967. p 36.]

sábado, 3 de novembro de 2012

Existe uma “Teologia Pentecostal”?


Por Gutierres Fernandes Siqueira

O pentecostalismo construiu uma teologia bem sofisticada, mas ignorada e totalmente desconhecida. A ignorância está presente principalmente entre os próprios pentecostais. É bem verdade que a estruturação acadêmica do pentecostalismo tem pouco menos de 30 anos, mas nunca é demais conferir essa teologia. Normalmente, se fala na contribuição pentecostal para a liturgia e espiritualidade cristã, mas se ignora a contribuição acadêmica. E existe uma “Teologia Pentecostal”? Sim, isso porque há método na construção dessa matéria.

Qual o método dos “estudos pentecostais”?

Talvez o livro mais importante para a Teologia Pentecostal seja The Charismatic Theology of St. Luke do teólogo canadense Roger Stronstad. Nessa obra de 1984, Stronstad defende uma interpretação diferente de Lucas-Atos pela formação de uma teologia lucana. Stronstad argumenta que Lucas acreditava no dom do Espírito como serviçal, ao invés de soteriológico ou ético, ou seja, o Espírito Santo foi dado para capacitar os cristãos a serem testemunhas do Evangelho.

William Menzies, que foi outro importante teólogo pentecostal, escreveu sobre a obra de seu colega Stronstad:

A tese de Stronstad representa um desafio direto aos pontos de vista evangélicos tradicionais sobre o Espírito. Se Stronstad está certo, o aspecto carismático do Espírito, do qual Lucas dá testemunho, deve ser posto ao lado do aspecto soteriológico, tão preeminente nos escritos de Paulo. Pois uma teologia do Espírito verdadeiramente bíblica deve fazer justiça à pneumatologia de cada autor bíblico. [1]

Em Strontad aprendemos que a pneumatologia lucana é diferente da pneumatologia paulina. Mas atenção: é diferente, mas não contraditórias. É diferente, mas ao mesmo tempo complementares.  Enquanto Lucas fala do Espírito e sua capacitação serviçal, o apóstolo Paulo destaca o papel do Espírito como agente salvador. A teologia do Espírito Santo em Lucas é carismática, enquanto em Paulo é soteriológica.

Qual a base de Stronstad? Podemos dizer que o pentecostal canadense traz uma “nova perspectiva sobre Lucas”. Na hermenêutica de Stronstad vemos o destaque para a importância de uma teologia narrativa. A ideia hermenêutica central é que Lucas escrevia como historiador e teólogo, ou seja, temos a formação de um teologia a partir da narrativa lucana. Stronstad faz um resumo de sua abordagem: “A fim de interpretar corretamente o registro lucano do Espírito Santo devemos resolver três problemas metodológicos fundamentais: 1) a homogeneidade literária e teológica de Lucas. 2) O caráter teológico da historiografia de Lucas, e 3) a independência teológica de Lucas” [2].

Portanto, longe de ser uma mera provocação litúrgica, o pentecostalismo e sua formação teológica é uma provocação hermenêutica. A contribuição para os estudos do Novo Testamento não é pequena e, assim, podemos analisar as propostas dos teólogos pentecostais da América do Norte com uma quebra de paradigma na leitura pneumatológica lucana e paulina. É certo que essa leitura acadêmica dos pentecostais está em um contexto de debates sobre a leitura do Novo Testamento. Não é um desenvolvimento isolado e, muito menos, está restrito ao ambiente pentecostal.

Leia Mais:

Leia sobre o desenvolvimento da hermenêutica pentecostal.

Tendências da Hermenêutica Pentecostal por Roger Stronstad.

Referências Bibliográficas:

[1] MENZIES, William W. e MENZIES, Robert P. No Poder do Espírito: Fundamentos da Experiência Pentecostal, Uma Chamado ao Diálogo. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2002. p 60.

[2] STRONSTAD, Roger. The Charismatic Theology of St. Luke. 1 ed. Grand Rapids: Baker Academic, 1984. p 3.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Jesus Cristo tinha fé nos homens?

   Rembrandt: Expulsão dos Vendilhões do Templo
"Quando olhamos para Jesus do ponto de vista de sua fé nos homens, ele nos parece um grande cético, que acredita estar tratando com uma geração adúltera e má, com um povo que apedreja os seus profetas e depois lhes ergue monumentos. Ele não deposita nenhuma confiança nas instituições e tradições prevalecentes de sua sociedade. Mostra pequena confiança nos seus discípulos, convencido de que eles se escandalizarão nele, e de que até o mais firme dentre eles será incapaz de permanecer ao seu lado na hora da prova. Somente a ficção romântica pode interpretar o Jesus do Novo Testamento como alguém que acreditava na bondade dos homens e que, por isto, procurava trazer à tona o que neles era bom."
[NIEBUHR, H. Richard. Cristo e Cultura. 1 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967. pp 46, 47.]