terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Quem doa dinheiro aos mercenários da fé é apenas vítima?

Ninguém é uma "tabula rasa"!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Vez ou outra lemos sobre um fiel arrependido processando a igreja da qual era membro porque ao ofertar não recebeu a “bênção divina” esperada. Essa bizarrice é comum em denominações adeptas da "teologia da prosperidade". Há quem veja nessas pessoas - sujeitos que vendem casas, propriedades e carros para entregar ofertas nas igrejas empresariais- como vítimas inocentes de lobos devoradores. Bom, já acho que a coisa não é tão branco no preto.

Embora o mercenário da fé seja um pilantra no ponto de vista ético e um falso profeta na visão religiosa, não é exagero afirmar que a maior parte daqueles que entregam fortunas em igrejas, na busca mágica do milagre imediato, é igualmente carente de um caráter nobre. Vítima? Sim, mas não somente!

Boa parte dessas “vítimas” estão comprometidas numa relação contratual com mercenários. Movidas pela ambição, elas caem nas tentações mais chulas e encaram Deus com um ídolo pagão, ou seja, um ser manipulável pela quantidade de oferta entregue. Certamente que uma pessoa aperfeiçoada pelo caráter de Cristo não buscará uma relação tão vulgar com o Todo-Poderoso.

Ah, mas são pessoas manipuladas, dirão alguns. Ora, acreditar que um ser humano pleno de suas faculdades mentais seja plenamente manipulável por outro é como acreditar no Papai Noel. A manipulação na arena religiosa é também uma concessão do "manipulado". Ninguém é uma tabula rasa.

Portanto, sempre que eu vejo uma “vítima” do falso profeta da prosperidade eu lembro desse trecho da epístola do Tiago: “Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte”. [1.14-15]


Leia Mais: O mito da "manipulação midiática"

7 comentários:

Marcos Bandeira disse...

Eu acho que muitos desses que fazem "contratos" com o deus pagão da teologia da prosperidade caem no seguinte erro:

"Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." (1 Timóteo 6:9-10)

Eles vão atrás daquilo que a Bíblia não incentiva: ficarem ricos e por isso acabam se dando mal, conforme a própria Palavra de Deus nos ensina!

Excelente post! Deus o abençoe!

Augusto Men disse...

E também: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências." 2Tm 4:3

Daladier Lima disse...

É prezado Gutierres, tem muito inocente querendo estes cultos. Depois passam a reclamar quando não recebem.

Abraços!

Carlos Almeida disse...

Aonde existe demanda existe oferta. Se existem os mercadores da fé e porque certamente existe o crente ávido por se dar bem.

Ivo Gomes de Lima disse...

Creio que somente Aquele que sonda os corações e pesa os espíritos, (e que não vê como vê o homem), consegue distinguir até que ponto cada frequentador de "faith shopping" consegue ser vítima e ser mercenário. (Mas isso é problema de "mercados de fé" - onde a questão é dinheiro - e não assunto do Corpo de Cristo).

Nos rebanhos da Igreja do Deus vivo, como livrar ovelha de se tornar “vítima” (e/ou “mercenário”), quando a questão for "doutrina" que é apenas mandamento de homem, ou "poder de Deus" que é apenas dinamismo pessoal, ou "fruto do Espírito" que é apenas habilidade diplomática ou "mover do Espírito" que é apenas mobilização humana?

Gutierres Siqueira disse...

Caros,

Os versículos citados, e bem lembrado por vocês, só reforçam a tese.

Ivo Gomes de Lima disse...

De fato. E a Escritura previne amorosamente, instrui seguramente e responsabiliza firmemente cada membro do Corpo de como "portai-vos varonilmente para com os que estão de fora" e sobre "como convém andar na Casa de Deus".

Por quê ocuparem-se os filhos de Deus, de "vítimas" e "mercenários" (de dinheiro) em "mercados de fé", quando sobre as questões do mundo o Senhor instituiu as autoridades constituídas, e quando sobre a Igreja foi imposta a responsabilidade maior e intransferível do socorro aos santos?

Não se faz mais necessário e urgente (aos filhos de Deus) prevenir as ovelhas de virem a padecer como "vítimas" ou como "mercenários" (de mandamentos humanos que tentem ocupar o lugar da Palavra de Deus, de dinamismo pessoal que tente usurpar a ação do poder divino, de diplomacia que procure substituir o fruto do Espírito ou de movimento que obstacule o avivamento do Espírito) dentro da Casa de Deus?