domingo, 2 de junho de 2013

O púlpito como o “teatro das vaidades”!

Por Gutierres Fernandes Siqueira


No dia marcado, Herodes, vestindo seus trajes reais, sentou-se em seu trono e fez um discurso ao povo. Eles começaram a gritar: "É voz de deus, e não de homem". Visto que Herodes não glorificou a Deus, imediatamente um anjo do Senhor o feriu; e ele morreu comido por vermes. [Atos 12.21-23 NVI]

Na semana passada escrevi um texto sobre a não valorização da pregação nos meios pentecostais. Isso em si já é uma tragédia, mas o trágico sempre vem acompanhado de outros fatos igualmente lamentáveis. Ora, “um abismo chama outro abismo” [Salmo 42.7]. O descaso com a pregação vem casado com a teatralização das vaidades humanas. 

“Glória a Deus” ou glória ao pregador? Quem frequenta uma comunidade pentecostal sabe que uma das maiores preocupações dos pregadores “avivalistas” (conceito bizarro que atribui ao homem o poder de vivificação) é a igreja “glorificar a Deus”. É comum mandar que a igreja grite em alto e bom som um “glóóóória a Deus”!

Alguém pode dizer que isso é bom, pois quem em sã consciência pode falar que a exortação para adorar a Deus seja algo ruim? Mas não sejamos ingênuos. Muitos pregadores quando fazem essa exortação não estão realmente preocupados com a glória de Deus, mas sim com o efeito espetaculador da ministração. Ou seja, não “o glória a Deus”, mas sim o “glória a mim” que está em jogo. É a satisfação de ver o público da igreja recepcionar a mensagem de maneira acalorada.  

É um sentimento semelhante ao de Herodes. Com um discurso Herodes despertou no povo um sentimento de ouvir a voz de Deus e, vaidoso como era, Herodes ficou cheio de si e não glorificou a Deus de fato. A vaidade do pregador pode vir acompanhada de palavras religiosas. Assim como Herodes tomou a glória de Deus para si. Muitos pregadores encaram o “glória a Deus” como um elogio a si mesmo. É a “confirmação” que a pregação foi “abençoada”, pensam embriagados no ego.

Outra coisa. Que o Senhor nos livre da exortação vaidosa. Que o Senhor nos livre da vaidade do púlpito. É a vaidade que exorta com ar de superioridade. Há quem pregue dizendo que não é “como os demais pregadores porque fala simplesmente a verdade”. Ora, quem fala a verdade não precisa de autopropaganda. Quanta arrogância! Como atribuir a mim um título de arauto da verdade? Ora, sejamos mais pés no chão. Preguemos com a consciência que a verdade do Evangelho pode estar distante daquelas palavras ditas por mim mesmo. Sejamos conscientes que podemos ser canais de erros. 

Muitos pensam que a vaidade está nos pregadores eruditos. Ora, quem é verdadeiramente sábio agirá com sabedoria. Na minha experiência pessoal sempre vi que os maiores egos estavam justamente entre aqueles que diziam mover o céu. Que o Senhor nos livre dos “avivalistas” e derrame sobre nós um avivamento de fato. Falam que movem o céu e estremecem o inferno, mas é apenas o “eu” inchado. 

Que a nossa oração seja: “Senhor, livrai-me do erro, das palavras falsas, da exortação arrogante, das doutrinas frívolas e da vaidade do púlpito. Amém!”

9 comentários:

junior moreira disse...

muito interessante sua observação quem dera que en todas as igrejas petencostais tivesse essa conciência não teria tanta esteria e tanta reteté no meio petencostal

Oseias B. Ferreira disse...

Gutierres,

Recomendo a leitura do livro "A Arte dos Sofistas na Pregação Pentecostal", de Esdras Gregório. Ele aprofundou o tema o qual você discorreu.

Oseias B. Ferreira disse...

Gutierres,

Recomendo a leitura do livro "A Arte dos Sofistas na Pregação Pentecostal", de Esdras Gregório.

tadeu disse...

Excelente texto. Temos que desconstruir esse pensamento, mas não é fácil; Levará algum tempo. Precisamos urgente de uma reforma na pregação, no conteúdo e na forma.

Germano Nascimento disse...

Parece que o amado Irmão teve experiências não muito boas com os "avivalistas". Seu texto está excelente, contudo, percebo que a igreja precisa 'desse espetáculo' para alimentar a fé de muitos que, por causa de tantos desvios de conduta dos lideres, estão desanimados. Mal necessário.

Germano Nascimento disse...

Não consigo enxergar uma mudança sistêmica nesta situação pois a 'cultura gospel' vive desses pregadores (animadores de púlpitos) para alimentar 'o negócio chamado igreja'. Graças á Deus que ainda existem alguns fieis, que com atos isolados refutam toda essa pratica vil. A maioria dos lideres estão preocupados em manter o status quo, o domínio sobre os crentes e a arrecadação elevada da igreja. Se um 'avivalista' ajudar. Amém!!!

Luccas Andrade disse...

Fico chateado, pq está faltando teologia no post. apenas criticar os pregadores, as igrejas, o povo não faz nenhum profeta. E o problema não está em exortar a igreja a glorificar a Deus. Tbm não existe nenhum problem aem pregadores que interagem com a igreja durante a pregação. isso é natural e saudável. Varia de acordo com a cultura e a época. Há muitos pregadores solenes, que no pulpito nao se movem e nao tem nenhuma interação com as pessoas, mas que por trás tem um orgulho tremendo, a sensação de ser superior aos demais, e inflação do ego, nunca querendo explicar realmente a mensagem, usando palavras sempre dificeis de entender, que talvez nem ele mesmo saiba conceituar. Esses com certeza seriam glorificados aqui como os reformados, os teologos, os grandes pensadores. Caem no mesmo erro de que acusam os "glorificadores", o de inflar a arrogancia e idolatrar a si mesmos. Isso é objeto de combate: a glorificação do homem. Mas é mais facil intelectualmente combater qualquer coisa que seja aceita pela massa do que pensar teologicamente sobre o assunto.

Ivair José Lehm disse...

A PAZ

ESSA POSTAGEM É SIMPLESMENTE ESCLARECEDORA, ATUAL E EDIFICANTE COMO TODAS AS MENSAGENS DESTE HOMEM DE DEUS, POIS APRENDO TODOS OS DIAS AQUI....

P.S PEÇO AUTORIZAÇÃO PARA REPRODUZIR ESTA POSTAGEM EM MEU BLOG CITANDO A FONTE....

OBG

Dario Ribeiro disse...

Gostei, bateu com os meu pensamentos. Inclusive na noite de ontem na minha igreja. Veio um "pregador" q em momento nenhum se preocupou com a mensagem e sim com sua sabedoria. Inclusive minha mãe q ta começando agora a caminhar na igreja me perguntou: o q Deus falou, nao entendi nada! E pra mim traduzir... nao foi facil.