domingo, 7 de julho de 2013

Sejamos tradicionais, mas sem o tradicionalismo!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

“Tradição significa votar na mais obscura das classes, nossos antepassados. É a democracia dos mortos. A tradição recusa a se submeter à pequena e arrogante oligarquia dos que simplesmente por acaso estamos andando por aí. [...] A democracia nos pede para não ignorar a opinião de um homem bom, mesmo que ele seja nosso criado; a tradição nos pede para não ignorar a opinião de um homem bom, mesmo que ele seja nosso pai”. G. K. Chesterton, jornalista inglês [1].
“Tradição é a fé viva daqueles que já morreram. Tradicionalismo é a fé morta dos que ainda vivem”. Jaroslav Pelikan, teólogo luterano.

É certo que alguns assuntos teológicos tradicionais beiram ao tédio. Destaco, por exemplo, o debate sobre o papel da mulher no culto e no ministério cristão. Repito: esse é apenas um exemplo. Mas igualmente espantosa é a nossa tendência à relevância da contemporaneidade em detrimento da riqueza produzida pela tradição. Parecemos adolescentes que julgam-se mais sábios para a vida, em relação aos pais, porque sabem diferenciar modelos de smartphones.

John Owen. Há séculos um clássico contra o legalismo
Vamos voltar à democracia dos mortos? Que tal lermos um clássico da teologia cristã? 

Deixe uma sugestão no campo de comentários de algum clássico da tradição cristã que marcou sua caminhada. Atenção: quando falo em clássico falo em livros seculares e formadores de teologia. E, se possível, deixe um pequeno trecho da obra. 

A minha recomendação é o clássico puritano do século XVII com o título “A Mortificação da Pecado” escrito John Owen. 

Destaco a seguinte questão de Owen sobre o legalista: 


“Os seres humanos ficam amargurados com a culpa de um pecado que prevaleceu sobre eles. De imediato, prometem a si mesmos e a Deus que não mais pecarão, velam por si mesmos e oram durante algum período, até esse calor esfriar e a consciência do pecado esvair-se; desse modo, a mortificação desaparece também, e o pecado volta a seu domínio anterior. Os deveres são alimento excelente para uma alma sadia, porém não servem de remédio para a alma enferma. Quem transforma seu alimento em remédio, não deve esperar grande resultado. Indivíduos espiritualmente enfermos não podem livrar-se de sua indisposição mediante o suor de seu trabalho. ” [2].
Forte verdade, não é?


Referências:


[1] CHESTERTON, Gilbert K. Ortodoxia. 1 ed. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2008. p 80-81.


[2] OWEN, John. A Mortificação do Pecado. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2005. p 53-54.

5 comentários:

Thiago Mendes disse...

A crença prevalecente na segunda metade do século 20 é que o homem está morto — e o próprio Deus também morreu. A vida se tornou uma existência sem significado, e o homem não passa de uma roda na engrenagem cósmica. O único escape passa por um mundo de vazio existencial, drogas, absurdo, pornografia e loucura. Mas, a responsabilidade da igreja não é apenas confessar as doutrinas básicas da fé cristã — é seu dever comunicar essas verdades à sua geração.




Cada geração de cristãos se defronta com o problema de aprender como falar ao seu tempo. É um problema que não se pode resolver sem o entendimento do tempo presente, em constante mudança, com que a igreja também se defronta. Para que consigamos comunicar a fé cristã de modo eficiente, portanto, temos de conhecer e entender o pensamento da nossa geração.
Francis Schaeffer em A Morte da Razão

Thiago Mendes disse...

A crença prevalecente na segunda metade do século 20 é que o homem está morto — e o próprio Deus também morreu. A vida se tornou uma existência sem significado, e o homem não passa de uma roda na engrenagem cósmica. O único escape passa por um mundo de vazio existencial, drogas, absurdo, pornografia e loucura. Mas, a responsabilidade da igreja não é apenas confessar as doutrinas básicas da fé cristã — é seu dever comunicar essas verdades à sua geração.




Cada geração de cristãos se defronta com o problema de aprender como falar ao seu tempo. É um problema que não se pode resolver sem o entendimento do tempo presente, em constante mudança, com que a igreja também se defronta. Para que consigamos comunicar a fé cristã de modo eficiente, portanto, temos de conhecer e entender o pensamento da nossa geração.
Francis Schaeffer em A Morte da Razão

Anônimo disse...

Muito bom Gutieres...
Você é um excelente teólogo.
Viu o que vc acha da expressão onde os pastores fazem um convite para ´´aceitar Jesus´´. Já vi alguns dizerem que isso é errado fazer.
O que vc acha disso ?
Mas como então fazer esse convite sem usar essas palavras ?
.
Obrigado.
Fique com Deus !!!
T+++
.
Matheus

Gutierres Siqueira disse...

Mathues, a paz!

Não vejo tanto problema na expressão. O mais importante é que o pastor ou quem quer que seja enfatize que a salvação é fruto da graça de Deus.

Anônimo disse...

BOM DIA,

A questão está no fato de que é Jesus que nos aceita. Nós o recebemos através da sua oferta de morte na cruz. mas o uso de nós o aceitarmos é compreensível. Torna-se algo corriqueiro. Essa discussão é muito pequena diante daquilo que Cristo fez por nós.