segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sobre o meu último texto. Ou porque é sempre complicado escrever...

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Caros leitores, eis alguns pontos do meu pensamento exposto no último texto.

1. Pelo amor de Deus, eu não generalizei dizendo que todos os pastores são arrogantes. É necessário reler o texto. Caso seja necessário, por favor, o releia dez vezes. O que disse- e repito- é que a vaidade tem aumentado barbaramente em nosso meio, especialmente no pentecostalismo clássico. Não é, infelizmente, apenas um mal neopentecostal. Veja os púlpitos, especialmente os famosos, das Assembleias de Deus e de outras comunidades carismáticas. É tanta arrogância, tanto brilhantismo, tanta bajulação, tanta reverência ao homem. É tanto cheiro de egolatria. Nesse sentido, as atitudes de Francisco é, no mínimo, uma vergonha para nós.


2. Não, não virei católico. Não é necessário lembrar as inúmeras doutrinas estranhas do catolicismo. Eu rejeito todas (purgatório, infalibilidade papal, imaculada conceição, missa como sacrifício permanente, liturgia veterotestamentária, veneração teórica e a idolatria prática, tradição em pé de igualdade com a Bíblia etc. e tal). Mas também não esqueço que a Igreja Católica é ortodoxa em matéria das doutrinas centrais, logo porque ela professa os credos da cristandade. Não é uma seita. Na minha opinião, é uma denominação com inúmeros problemas doutrinários em matéria de legalismo salvífico. É a Igreja da Galácia contemporânea. O apóstolo Paulo, ao falar com uma igreja tão problemática com as doutrinas da graça, não deixou de dizer “a todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia, graça a vós, e paz da parte de Deus nosso pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo” [Gálatas 1.2-3]. 


3. Eu não disse que Francisco seja o modelo ou solução para o evangelicalismo brasileiro. Meu Deus, é necessário curso de hermenêutica para ler blogs? Francisco, com o seu exemplo, foi apenas um tapa na cara da nossa arrogância pentecostal. Um dia fomos humildes, mas hoje arrotamos soberba. Há um vídeo onde um famoso pastor assembleiano ora em seu “próprio nome”! Isso não é o próprio anticristo? E nem venha me dizer que esse camarada representa apenas uma minoria, pois o mesmo é bem admirado em nossos arraiais. 


4. Jesus Cristo não foi assembleiano, luterano, batista e nem presbiteriano. Jesus também não foi católico. Aliás, Jesus nem era cristão, mas a religião dEle era o judaísmo. Se sou protestante - e sou feliz por isso- sou porque vejo no protestantismo a melhor expressão da cristandade. Mas vamos lembrar que a própria cristandade não se resume ao protestantismo. Que o diga Agostinho de Hipona, Tomás de Aquino, Antonio Vieira, Joseph Ratzinger, G. K. Chesterton, Hans Urs von Balthasar etc. Não vamos esquecer que a Igreja de Cristo não nasceu em 1500.

6 comentários:

Alexander Stahlhoefer disse...

Pessoal vive no obscurantismo teológico. Foram ensinados por décadas a pensar que o catolicismo é o inimigo a ser combatido. Sua identidade cristã foi moldada como negação ao catolicismo, logo ser crente significa não ser católico, em nada. Com isto jogam fora inclusive o que é certo (ou o que é cultural, e só por isso não está errado).
Mas paciência, tens que continuar escrevendo, e com o tempo o Espírito promove mudança. Espero que de ambos os lados, pentecosal e católico (no meu caso luteranos e reformados inclusive rs.)
Abraço

Charles Souza disse...

Gutierres,

E quanto a participação do Asaph Borba no evento JMJ?
Seria uma forma de compactuar com o erro?

Charles

Gutierres Siqueira disse...

Charles,

Assim como o Alex (em comentário no texto anterior), eu teria sérias dificuldades de participar ativamente da liturgia católica. Mas compactuar com o erro já é um conceito que é amplo demais para esse caso...

Gildo Gomes disse...

Olá, Guttierres, vez em quando dou uma lidinha no Teologia Pentecostal. Parabéns pelo blog. Li e entendi seu texto e confesso que não é possível a partir dele fazer interpretações erradas do tipo que o irmão acabou de explicar. Mas com esse seu texto referindo-se ao anterior ficou-me uma indagação: o fato do irmão afirmar que a igreja católica não é uma seita não o coloca na contramão do estudo heresiológico? Afinal os estudiosos na área afirmam que sim. Exemplos: Seitas e Heresias, um sinal dos tempos de Raimundo F. de Oliveira(CPAD); A Mulher Montada na Besta, vol I e II de Dave Hunt;(Actual edições); Resposta as Seitas, Norman Geisler e Ron Rhodes(CPAD); A Bíblia Apologética (ICP editora) e as próprias revistas Defesa da Fé publicadas por esta instituição. Não vou nem citar a obra Desmascarando as Seitas, de Nataniel Rinaldi e Paulo Romeiro, pesquisadores do ICP já que a mesma não aborda o catolicismo especificamente, mas os autores concordam que o catolicismo é uma seita. Sei que o amado irmão conhece essas obras apologéticas. Mas como até hoje vejo divergências na classificação de seita ou não para a Congregação Cristã no Brasil, mas nunca ao catolicismo, estranhou-me um pouco sua afirmação. O irmão poderia explicar melhor então o que realmente significa ao afirmar que a Igreja Católica não é uma seita? Agradeço e a paz e felicidades no Senhor querido..

Gutierres Siqueira disse...

Gildo,

Conheço os livros mencionados e, sim, discordo da conceituação da Igreja Católica como um grupo sectário. A Igreja Católica, apesar de suas inúmeras doutrinas estranhas, preserva em sua totalidade os credos da cristandade. A ICAR é um ramo da cristandade, não uma seita particular dessa mesma cristandade.

Dito isso, eu poderia passar horas falando das doutrinas das quais discordo desse grupo...

Izabel disse...

Eu ri com essa
Meu Deus, é necessário curso de hermenêutica para ler blogs?

Brincadeiras a parte, tive que voltar ao texto e ler mais uma vez, sinceramente, não vi como o texto pode ter uma interpretação distorcida.

Abraços