domingo, 15 de dezembro de 2013

Jogando bola para a glória de Deus!

Por Gutierres Fernandes Siqueira
Deus é soberano sobre todos os aspectos da nossa vida. Não há uma área em nossa vida que seja apenas secular, ou seja, onde Deus não tenha jurisdição. Seja o ato de comer um hambúrguer, assistir o último lançamento no cinema ou jogar bola no parque do bairro, tudo precisa ser feito para a glória de Deus. Ora, mas como é isso na prática?  É orar ao entrar na sala de cinema?  É levantar as mãos para o céu quando fizer um gol? É cantar ao Senhor no meio no Burger King pelo hambúrguer de churrasco? Tudo isso pode ser feito, mas glorificar a Deus é mais do que um gesto religioso, é viver a plenitude da vida sem ceder espaço para a rebelião do pecado. É comer sem gula, é jogar sem estupidez, é se entreter com limite e sabedoria etc.
Como diz as Escrituras: “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”. [1 Coríntios 10.31, grio meu]. É bom observar que Paulo estava escrevendo no contexto pagão de carnes sacrificadas aos ídolos. E ainda “tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai” [Colossenses 3.17]. Ou como Pedro escreveu: “Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus. Se alguém serve, faça-o com a força que Deus provê, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre”. [1 Pedro 4.11]. Portanto, qualquer atividade trivial sem a devida glória a Deus é uma atividade pecaminosa. A comida é boa em si, mas para o homem glutão é pecaminosa. O deus dele é “o estômago e têm orgulho do que é vergonhoso; eles só pensam nas coisas terrenas” [Filipenses 3.19]. O sexo é divino, mas dentro dos parâmetros do amor no casamento, pois somente assim se glorifica a Deus. O futebol ou qualquer outro esporte é, também, como atividade do dia a dia um terreno fértil para a discórdia ou um momento agradável de companheirismo, diversão,  atividade física e saudável competição. Sim, é possível glorificar a Deus enquanto se grita “goooool”!
Portanto, não há segredo. A atividade do dia a dia precisa ser cúltica. E é agindo conforme os padrões estabelecidos pelo próprio Deus que teremos uma vida de glorificação a Ele. Veja que biblicamente há uma conexão entre a nossa prática e a atividade adoradora. Dizer, por exemplo, que “ama a Deus” é um ato de adoração, mas tal palavra só tem efeito com a prática do amor ao próximo [eg. I João 4.20]. Portanto, quando se ama o outro já se adora e glorifica. Não há uma necessidade permanente de proclamação de palavras. Não é necessário falar em Deus o tempo todo e nem transformar atividades em falatório religioso. A ação primeiro. A palavra depois.
Portanto, o pecado é um ato anticúltico. Sim, um ato de desprezo à adoração. Muitas vezes pensamos que mundanismo é aproveitar as coisas boas do mundo. Não, isso não é mundanismo. Mundanismo é abraçar qualquer atividade sem o propósito de glorificar a Deus, portanto, mesmo um louvor “cristão” pode ser mundano. Assim, podemos desfrutar qualquer atividade dentro dos parâmetros da vontade de Deus manifestada em sua glorificação permanente. Logo porque não é possível pecar para a glória dEle.

5 comentários:

Felipe disse...

Texto simples e direto. Adorar a Deus deve ser um ato constante em nossa vida, seja na igreja ou fora dela. Costumo pensar que eu não tenho inúmeras vidas (profissional, pessoal, religiosa e etc), tenho uma só, e onde estiver e no que fazer devo sempre fazer para a Glória de Deus.

Ótima reflexão para o começo da semana.

Cleber disse...

Paz mano! Gostei do texto e concordo com ele. Mas minha crise é com frases que dizem que tomar um sorvete é tão espiritual quanto um momento de oração... Eu concordo que ambas as atividades precisam ser feitas com um coração puro para glorificar a Deus, mas vejo um tempo de oração ou jejum como uma prática "espiritual" enquanto tomar sorvete é uma prática "natural". Por exemplo, a Bíblia tbm distingue dons naturais e dons espirituais... Por isso creio que há práticas espirituais e práticas naturais... reconheço que preciso glorificar a Deus em tudo que faço, mas uma leitura da Palavra me edifica mais do que quando leio o jornal, por exemplo.

Vc concorda com essa distinção?

Talvez os termos "natural" e "espiritual" não sejam os melhores, mas vc não concorda que existem práticas que que "alimentam mais nosso espírito"?

Como vc diferencia isso?

Cleber

Gutierres Siqueira disse...

A oração é um meio de graça, assim como a leitura das Escrituras, a liturgia de um culto, o batismo, a Ceia do Senhor etc. Nesse sentido, são atividades que nos ajudam mais na edificação e na glorificação de Cristo do que tomar um sorvete para a Sua glória. Sim, nesse sentido precisamos diferenciar atividades do dia a dia dos meios de graça.

Erick Lima disse...

Gostei do artigo, fala muito em poucas palavras.

Só não concordo com uma coisa:
"Muitas vezes pensamos que mundanismo é aproveitar as coisas boas do mundo. Não, isso não é mundanismo. Mundanismo é abraçar qualquer atividade sem o propósito de glorificar a Deus"

As duas coisas que você mencionou são mundanismo. Se é do mundo não é para mim. Ser santo, separado não é religiosidade.

Felipe de Souza disse...

Parabéns pelo mano