quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Afinal, Deus ama ou odeia o pecador?

O retorno do filho pródigo (Rembrandt, 1627)

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Se você é arminiano responderá que Deus ama o pecador, mas aborrece o pecado. Se você um calvinista - daquele tipo militante e chato - certamente responderá com baba na boca que Deus odeia os pecadores, assim como o próprio pecado. Bom, afinal de contas, Deus ama ou odeia os pecadores? Devo responder essa questão biblicamente como arminiano ou calvinista? A resposta é: as duas coisas, pois Deus tanto ama como odeia o pecador.

Reconheço que é dura a tarefa de explicar algo tão complexo em um post breve.  Ainda posso, com toda razão, ser acusado de escrever um artigo superficial e simplista. Bom, sei das minhas limitações, mas ainda assim grave essa frase com a chave do texto: Deus ama e odeia o pecador.   

A primeira objeção a minha argumentação é de natureza lógica. Ora, se eu amo não odeio, mas se odeio eu não amo, assim como praia é praia e campo é campo. Agora, quem disse que o pensamento bíblico é restrito à razão? Adoramos um Deus que é três em um; celebramos o Cristo que é plenamente homem e plenamente Deus; louvamos o Deus infinito que encarnou como bebê; sabemos que Deus é completamente Soberano, mas ainda assim concedeu liberdade ao homem. É possível explicar qualquer uma dessas verdades cristãs pela lógica elementar? É claro que não. Da mesma forma, é possível afirmar que o Senhor ama e odeia um pecador.

O teólogo Luiz Sayão argumenta:

Uma das razões pelas quais criamos uma teologia limitada assim é a nossa herança racionalista. Os antigos hebreus e cristãos sabiam que a realidade era muito mais complexa do que a nossa razão. Além disso, entendiam que certas dimensões da fé aparentemente distintas não eram necessariamente contraditórias. O problema é que quando nossa teologia se “helenizou” exageradamente, adotamos uma logicamente simplista que nos trouxe diversos problemas. [1]

Deus é um Ser pleno. Ele é plenamente amor, mas plenamente justo. Ora, o Seu amor não é maior que a Sua justiça, assim como a Sua justiça não é maior que o Seu amor. A cruz, por exemplo, é um gesto de justiça ou de amor? Como diz poeticamente o hino Grata Nova:Mostra ao triste pecador, que na cruz estão unidos a justiça e o amor” [2]. Por que uma virtude não se sobressai sobre a outra? Ora, pelo simples fato que em Deus nada é incompleto. É por isso que não é possível acreditar em um céu sem inferno. No juízo sem a misericórdia. Na salvação sem a perdição. “Portanto, considere a bondade e a severidade de Deus” [Rm 11.22].

Por que Deus odeia o pecador? O pecado não é um estrangeiro na vida do homem. Somos pecadores por natureza, ou seja, temos integralmente o pecado em nossas vidas. É o que Paulo chama de “carne” [ex: Rm 8.8]. É uma natureza inseparável mesmo no homem regenerado. Logo, Deus que é santíssimo não pode aceitar o nosso pecado, pois a transgressão é parte nossa. Poderia citar inúmeros textos, mas vamos ficar com Malaquias 2.16: “‘Eu odeio o divórcio’, diz o Senhor, o Deus de Israel, e ‘o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas’, diz o Senhor dos Exércitos. Por isso tenham bom senso; não sejam infiéis [NVI]”. Veja que Deus odeia o pecado (“divórcio”, nesse caso) e o pecador (“o homem que se cobre de violência”).

Por que, também, Deus ama o pecador? Ora, esse é o grande tema das Escrituras. Quem nunca leu João 3.16? Sim, maravilhosamente Deus nos ama ainda como pecadores. É uma pena que calvinistas insistam tanto que “mundo” desse texto seja “eleitos”. Mesmo o teólogo reformado D. A. Carson, grande exegeta, discorda desse posição:

Eu sei que alguns calvinistas tentam tomar o grego kosmos (“mundo”) aqui para se referir aos que eles chamam de eleitos. Mas isto realmente não servirá. Todas as evidências do uso da palavra no Evangelho de João são contrárias a esta sugestão. Para dizer a verdade, mundo em João não se refere tanto a grandeza como a maldade. No vocabulário de João, mundo é primeiramente a ordem moral em rebelião intencional e culpável contra Deus. Em João 3.16 o amor de Deus ao enviar o Senhor Jesus deve ser admirado, não porque seja estendido a algo tão grande quanto o mundo, mas a algo tão mau; não a tantas pessoas, mas a pessoas tão impiedosas. [...] Neste eixo, o amor de Deus pelo mundo não pode ser reduzido ao seu amor pelos chamados eleitos. [3]

Sim, é Deus quem ama e odeia ao mesmo tempo. Como entender? Ora, difícil, pois é o Senhor da misericórdia e da ira, do amor e da justiça, da paciência e do juízo. O mesmo Jesus que proclamou “bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus” [Mt 5.9] foi o mesmo Jesus que disse: “Vocês pensam que vim trazer paz à terra? Não, eu lhes digo. Pelo contrário, vim trazer divisão!” [Lucas 12.51]. Esse é o nosso Deus. Um Deus não irracional, mas além da razão. Louvador seja Deus! Glorificado seja o SENHOR!!

Notas e Referências Bibliográficas:

[1] SAYÃO, Luiz Alberto. Agora Sim! Teologia na Prática do Começo ao Fim. 1 ed. São Paulo: Voxlitteris, 2012. p 16.

[2] Música de número 18 da Harpa Cristã (CPAD).

[3] CARSON, Donald Arthur. A Difícil Doutrina do Amor de Deus. 1 ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2007. p 17, 18. Leia também: CARSON, D. A. O Comentário de João. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. pp 205-207. O famoso puritano J. C. Ryle, também, defendia a interpretação de mundo como “humanidade” e não como “eleitos”. Veja em: RYLE, J. C. Meditações no Evangelho de João. 1 ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2000. p 35.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Santa Maria e o pecado da moralização!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Eu particularmente não vi, mas muitos relataram que alguns evangélicos estavam postando nas redes sociais bobagens sobre a tragédia na boate Kiss de Santa Maria (RS). Uns diziam que se os jovens tivessem na igreja eles estariam vivos. Outros diziam que a tragédia é a manifestação da ira de Deus sobre a sociedade permissiva. É caso para chorar!

Deus sabe o quanto fiquei triste com essa tragédia. Cada rosto despertou em mim um sentimento de luto. Aquele jovem poderia ser um parente meu, quem sabe um irmão ou um primo. Ora, poderia ser um grande amigo ou um colega de faculdade. Números em tragédias são impessoais, mas rostos não! Dei graças a Deus que a minha congregação levantou um clamor pelo consolo das famílias. Infelizmente, em muitas tragédias a igreja esquece de orar, enquanto se apressa em explicar.

Mas por que esses evangélicos falaram besteiras? Em setembro de 2009, a jovem Gabriela Lacerda, 15 anos, morreu. Na balada? Não, ela morreu porque foi ao culto. Lacerda era uma das vítimas do desabamento do teto da Igreja Renascer em Cristo em São Paulo (SP). Em 1998, 25 pessoas morreram dentro de um templo da Igreja Universal em Osasco (SP). Se elas estivessem em suas casas não teriam morrido. Então, se você abriu a boca para falar “se eles tivessem na igreja estariam vivos” lembre, também, os templos sem manutenção provocam acidentes. A maioria de nós congregamos em templos sem nenhuma segurança. Sim, talvez você e eu corramos o mesmo perigo daqueles jovens. E há até igrejas que usam vereadores “evangélicos” para darem um “jeitinho” na prefeitura. Já pensou nisso?

O pecado da moralização

Todas as vezes que uso a expressão “eu avisei” ou “bem feito”, logo me sinto em pecado.  Desde cedo Deus me incomoda quando abro a boca para usar essas palavras. Jogar na cara de alguém o erro com certo prazer de “arauto eficaz” é iniquidade. Sim, é transgressão quando você diz “eu avisei” para jogar ao desobediente o seu prazer mórbido no desastre dele. Isso se chama vaidade. É orgulho, o orgulho dos fariseus. É o pecado da moralização.

Vamos falar do pecado alheio? Sim, é claro, mas com dor no coração. Quando Jesus profere um longo discurso sobre os pecados dos fariseus Ele encerra dizendo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” [Mateus 23.37]. Observe bem quanta lamentação, quanta dor no coração de Jesus com a incredulidade de Jerusalém. Se eu falo de pecado sem dor, eu peco. Motivo? Ora, estamos falando de seres humanos dos quais Cristo deu a Sua própria vida.

Portanto, nada dessas lições de moralismo de beato. Sejamos prudentes. Paulo disse a Tito: “Exorta semelhantemente os jovens a que sejam moderados”. [Tt 2.6 ARF], mas alguns versículos antes ele também exortou: “Ensine os homens mais velhos a serem sóbrios, dignos de respeito, sensatos, e sadios na fé, no amor e na perseverança” [Tt 2.2]. Será sobriedade, sensatez, fé sadia falar “bem feito” para jovens mortos em uma tragédia? Será amor e respeito mostrar o seu poder moralizador no calor da tragédia?

Tragédia não é para moralizar, é para chorar. Ah, mas foi juízo divino, diriam alguns. Bom, você sabe? Você conhece todos os caminhos de Deus? O pastor que morre de bala perdida dentro de um templo foi fulminado pelo juízo? Ou você pensa que quando pecas continuamente e nada acontece se isso não é uma forma terrível de juízo divino? Quando um grande terremoto destruiu a católica Lisboa de 1755, matando milhares, alguns religiosos descobriram os culpados que atraíram a ira divina: os protestantes!


Mães choram em Santa Maria! (imagem: Veja.com)

Sinceramente, é triste ter que escrever um texto como esse diante de tanta bobagem dita por evangélicos na instrumentalização de uma tragédia. Encerro com as sábias palavras de Jesus:
“Naquela ocasião, alguns dos que estavam presentes contaram a Jesus que Pilatos misturara o sangue de alguns galileus com os sacrifícios deles.Jesus respondeu: "Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros, por terem sofrido dessa maneira? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. Ou vocês pensam que aqueles dezoito que morreram, quando caiu sobre eles a torre de Siloé, eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão". [Lucas 13.1-5 NVI]


sábado, 26 de janeiro de 2013

Por que não ocorrem nos dias de hoje os milagres da igreja primitiva?

"A incredulidade de Tomé".
Obra de Caravaggio (1600-1601). 
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Sou evangélico pentecostal desde 2001, mas nunca vi pessoalmente nenhum morto ressuscitar ou um cadeirante curado de sua deficiência. Entretanto, já ouvi inúmeros relatos sobre milagres extraordinários [1]. Talvez, você, caro leitor, já tenha visto algum fato fora do comum operado pelo Senhor ou, quem sabe, você tenha um forte testemunho de cura. Eu, por exemplo, ainda muito bebê peguei um sarampo fortíssimo onde o médico falou que a única esperança era sobreviver com sequelas. Graças ao bom Deus, não há nenhum resquício daquela doença. Mas repito: nunca vi um morto ressuscitar ou um cego de nascença passando a enxergar.

Reitero aos mais desavisados  que acredito em milagres e nos dons espirituais para os nossos dias. Aliás, acreditar em Deus e desacreditar de milagres é um raciocínio torto, ilógico, irracional... Bom, mas por que nos dias de hoje não vemos os milagres da primitiva igreja? Vejamos:

1. O livro de Atos é um relato histórico. É da natureza da narrativa histórica destacar os fatos mais importantes. Seja o historiador religioso ou secular, não veremos a menção do dia comum, mesmo sendo o "não-acontecimento" a tomar o maior tempo linear. Isso não quer dizer que os "fatos mais importantes" fossem ordinários. O historiador é um jornalista tardio. Você já assistiu algum jornal noticiando que a dona Maria foi na feira e comprou duas melancias? É claro que não. A notícia é sobre o acontecimento fora do comum. A história, da mesma forma, trata sobre os principais fatos. Portanto, devemos tomar o cuidado de não ler um fato histórico como o corriqueiro, o trivial. Portanto, não é porque você leu vários milagres em Atos que tais sinais fossem diários.

2. O milagre é, em si, extraordinário. O milagre é raro, pois se acontecesse todos os dias deixaria de ser milagre. É uma questão de lógica. Sim, você pode estranhar o fato de uma comunidade dita cristã vivendo em torno do milagre, pois a fé cristã tem milagres, mas não vive em torno dele. Devemos entender que o milagre é exceção e não a regra, o comum, o dia a dia. Paulo, o apóstolo, pergunta os coríntios: “Porventura são... todos operadores de milagres?” [1 Co 12.29]. Evidente que a resposta é negativa.

3. O milagre era a reafirmação da mensagem apostólica. Embora o dom de “poder para operar milagres” [cf. 1Co 12.10 NVI] seja acessível a qualquer cristão em qualquer época, também, é necessário entender que a natureza dos milagres através dos apóstolos visava a confirmação de sua mensagem [cf. At 2.43 comp. Mc 16.20 e At 14.3]. A Igreja Cristã é universal (católica, em grego) e apostólica, pois está baseada na “doutrina dos apóstolos” [At 2.42]. A Igreja está firmada sobre o “fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular” [cf. Ef 2.20 NVI]. O milagre, portanto, serviu como um selo de autenticidade da mensagem apostólica. Logo, se concluiu que a diminuição dos milagres no presente momento histórico se dá pelo fato de não estarmos a construir uma nova revelação escriturística. Nós, hoje, não temos a autoridade dos profetas e apóstolos do passado e, assim, a necessidade dessa confirmação sobrenatural é diminuída.

4. Embora Cristo seja o mesmo, a sua operação não necessariamente repete o passado. É muito comum no meio pentecostal citar Hebreus 13.8 para insinuar que o milagre do passado precisa repetir-se nos dias de hoje. O autor aos hebreus quis dizer que a natureza, o poder e o caráter de Cristo nunca mudam, mas não que Ele repete a sua forma de agir. O próprio livro começa informando que a forma de Deus se comunicar não é a mesma, mas passou por mudanças na pessoa de Cristo [cf. 1. 1-2]. Mortos ressuscitaram? Sim, é verdade. Mas na própria Bíblia depois vemos a ênfase sobre a esperança da última ressurreição. Horton escreveu: “Mas como Donald Gee informa (…) há, apenas, dois registros de ressurreição de mortos (Atos 9.40, 20.10). Nos outros casos, foi-lhes indicado o consolo da ressurreição e da volta do nosso Senhor (I Tessalonicenses 4.13-18)”.

5. Milagre não produz conversão,logo devemos nos preocupar mais com a falta da pregação evangélica. Blaise Pascal escreveu:

Se eu tivesse visto um milagre, dizem eles, eu me converteria. Como garantem que fariam o que ignoram? Imaginam que essa conversão consiste numa adoração que se faz de Deus como um comércio e uma conversão tal como a representam para si. A conversão verdadeira consiste em aniquilar-se diante desse ser universal a quem se irritou tantas vezes e que pode legitimamente pôr-vos a perder a qualquer momento, em reconhecer que nada se pode sem ele e que nada se mereceu dele, afora estar em desgraça. Ela consiste em conhecer que existe uma oposição invencível entre Deus e nós, e que, sem um mediador, não pode haver comércio [2].
6. Falta fé.E estes sinais seguirão aos que crerem “ [Mc 16.17]. Este tópico foi colocado por último propositadamente. Embora ache que as explicações já dadas mostrem bem que não devemos nos preocupar com essa pergunta, por outro lado, é inegável que precisamos ter mais fé no Deus no impossível. Sim, muitos milagres não acontecem porque simplesmente oramos mal ou agimos com ceticismo.

Referências Bibliográficas:

[1] HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD 1993. p 299.

[2] PASCAL, Blaise. Pensamentos. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005. p 143.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Alguns fatos sobre a matéria da Forbes!

Olha a alegria!
Por Gutierres Siqueira

1. Como um pastor que nunca exerceu nenhuma atividade - além do ministério pastoral- pode ficar milionário?

2. Um dos pastores citados disse que vai protestar a revista, pois essa contabilizou as empresas que ele fundou como parte de sua riqueza. Ora, por acaso a empresa é de capital aberto e ele é acionista minoritário? Que eu saiba são firmas de capital fechado com gestão familiar. Ora, se não são dele, então de quem é?

3. Se as empresas compradas são das igrejas que esses pastores pertencem, então porque a gestão dessas empresas são tão próximas da liderança e de sua família? Por que elas não são geridas por conselhos rotativos?

4. A revista começa a matéria afirmando que a religião sempre foi um bom negócio. Certamente é um exagero, mas não uma mentira. Para esses e outros nomes a religião é um ótimo negócio, logo porque o Evangelho quando verdadeiramente pregado não visa lucros. Paulo disse: “Ao contrário de muitos, não negociamos a palavra de Deus visando lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus” [2 Coríntios 2.17 NVI]. E Pedro complementou: “E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” [2 Pedro 2.3 ARF].

5. Ser rico não é pecado, mas ficar rico com dinheiro de ofertas é um grande pecado.

6. O pastor é digno de seu salário [cf. Lucas 10.7 e 1 Timóteo 5.18].  Agora, a riqueza está longe do mero sustento. E nunca nos esqueçamos da abordagem de Paulo em Coríntios, pois ele renunciou esse direito: “Se outros têm direito de ser sustentados por vocês, não o temos nós ainda mais? Mas nós nunca usamos desse direito. Pelo contrário, suportamos tudo para não colocar obstáculo algum ao evangelho de Cristo.” [1 Coríntios 9.12 NVI]. E complementa: “Mas eu não tenho usado de nenhum desses direitos” [1 Coríntios 9.15 NVI]. Paulo não queria ser visto como alguém que pregava por mera obrigação e recompensa financeira, por isso ele renunciou a um direito legítimo. Portanto, se você pode servir a igreja sem receber nada dela considere isso um grande privilégio.

7. A oferta em o Novo Testamento visa EM PRIMEIRO LUGAR a sustentação dos necessitados [cf. 2 Coríntios 8 e 9]. 


8. Como não ficar com vergonha de ser evangélico com uma matéria que fala sobre esses fatos? Graças a Deus, não precisamos ter vergonha do Evangelho. Você imagina algum profeta ou apóstolo nessas listas de ricos?

É isso.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Quatro lições sobre Deus advindas da seca em Israel (1 Reis 17 e 18)!

Subsídio preparado para aula na Escola Dominical da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Jardim das Pedras (São Paulo, SP)


1. Deus é o Senhor da história. É o Deus que intervém, portanto, o deísmo é falso. O que é deísmo?

Uma doutrina que, apesar de admitir a existência de Deus, ensina que Ele nos criou, mas depois nos deixou à própria sorte. Deus, no deísmo, é alguém não interessado em nossas vidas e, assim, não intervém na história. Ele assiste tudo do alto com total indiferença. Portanto, o deísta não acredita em milagres ou em juízos e nem na providência ou no resgate divino. É um deus totalmente transcendente, mas nunca imanente.
2. Deus abomina a idolatria. Ele não admite dividir o nosso coração com outrem.

Agora, os israelitas atribuíam a chuva aos falsos deuses. O culto ao SENHOR era quase inexistente, mas o fervor religioso e supersticioso estava com Baal. Em Isaías 42.8 lemos: “Eu sou o Senhor; esse é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor”.
3. Deus supre as necessidades dos seus servos por duas formas: a) O milagre; b) A ajuda aos necessitados através dos seus santos.

Deus supriu as necessidades de Elias durante a seca usando alguns corvos (cf. 1 Reis 17. 1-7). Enquanto isso, Deus usava Obadias, servo do perverso rei Acabe, para suprir as necessidades de cem profetas (1 Reis 18.4). Obadias “reverenciava o SENHOR intensamente” (NRSV), pois era um verdadeira servo de Deus.
Costumamos admirar como Deus usou corvos, mas não nos esqueçamos que Deus usou, também, Obadias. Somos canais de milagre como ele? Nem sempre a provisão divina é extraordinária. Deus pode nos usar em questões ordinárias. Sim, um apenas foi sustentado de maneira sobrenatural, mas cem com o trabalho secreto e perigoso de um homem focado em Deus.
4. Deus emite juízo visando arrependimento, mas a resposta humana pode ser de endurecimento. Quanto mais advertência, pior o obstinado fica.

Enquanto Acabe ficava pior a cada juízo (1 Reis 18.17), o povo de Israel caiu em si após o juízo e a humilhação do profetas de Baal (cf. 1 Reis 18.39). Obadias lembra Faraó. Ora, a cada sentença contra o Egito, mais faraó fechava-se em sua incredulidade e desobediência. A Bíblia diz que “o SENHOR endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, para que perseguisse aos filhos de Israel; porém os filhos de Israel saíram com alta mão” (Êxodo 14.8). Como assim? Deus endurecia o coração de faraó? Sim, pois quanto mais Ele advertia mais faraó respondia negativamente. É nesse sentido que o texto trabalha, pois o versículo acima precisa ser lido à luz de outros, como Êxodo 9.7: “O faraó mandou verificar e constatou que nenhum animal dos israelitas havia morrido. Mesmo assim, seu coração continuou obstinado e não deixou o povo ir”. Deus “endureceu” faraó porque emitia juízos enquanto ele não respondia.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Participação na Musical FM (post atualizado)

Caros,

Nesse sábado (19/01/2013) estarei no "Um Toque de Deus", um programa da Igreja Cristã da Trindade (ICT) apresentado pelo pastor Paulo Romeiro, autor do livro "Evangélicos em Crise" (Editora Mundo Cristão). Ouça pela frequência FM 105,7 a partir das 13h (horário de Brasília).

Infelizmente, não achei nenhum link na Internet que reproduza o áudio da Rádio Musical FM. Vou tentar gravar e depois reproduzir o programa aqui no blog.

Faça a sua pergunta e participe.

Obrigado.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

“Você é pastor?” Eis a questão clerical!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O pentecostalismo sempre foi exaltado por sua suposta superação da dicotomia "leigos versus clérigos". Bom, será que isso é de fato uma verdade? É exata a ideia que a hierarquia pouco conta nas relações dos trabalhos eclesiásticos nos meios carismáticos? Os pentecostais aboliram o clericalismo em nome de uma “democracia leiga”?

Seria leviano em um artigo sem pretensões acadêmicas e históricas contestar ou reafirmar essa tese. A minha proposta é bem mais modesta, pois a partir da minha experiência vejo que essa dicotomia é tão ou mais forte no pentecostalismo quanto em qualquer outro grupo protestante mais tradicional e no catolicismo romano.  

O título deste artigo é uma pergunta que ouço constantemente quando alguém me sonda para convites de pregações ou qualquer outra atividade que envolva a igreja.  Quando respondo negativamente vejo alguns declinando do convite. O fato de não ser pastor (ou ter qualquer outro cargo "importante") parece ser um impeditivo considerável.

A esposa do fundador das Assembleias de Deus, Frida Vingrer, por exemplo, sofria forte oposição na "democracia pentecostal" porque ensinava em convenções de pastores nas primeiras décadas do século 20. Ora, como alguém que não é oficialmente ordenado poderia ensinar? Independente da nossa posição sobre o ministério pastoral feminino, é inegável que alguns pastores não gostavam de ouvir conselhos e advertências de um leigo (principalmente de uma leiga) [1]. Ora, isso não é puro clericalismo?

Não estou advogando a ideia que toda a congregação deve ser envolvida em uma democracia literal, onde todos possuem voz de autoridade, ensino e aconselhamento. Longe disso, pois tal prática é simplesmente utópica, portanto, impossível e destruidora em uma aplicação direta. E também, nem todos tem algo a dizer, mas a questão é: restringiremos o falar e o debater somente aos clérigos?

É evidente que um “leigo” pode ser “clérigo” bem mais rápido em um igreja pentecostal, mas o “leigo” permanente parece tão restrito ao trabalho de ensino e pregação que em nada faz esquecer o catolicismo, por exemplo. Será que é mais uma influência da cultura romanista na Igreja Evangélica? Ou será algo da cultura nacional, ou seja, aquela fome pela hierarquia?

Notas:

[1] Aos mais animados para um debate polêmico: o texto não é sobre o ministério pastoral feminino, mas sobre o clericalismo.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Alguns conselhos de homilética para pregadores pentecostais

Esse garoto assistiu alguns DVDs e olha no que deu!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Como vocês sabem, a homilética é a arte de pregar. Mesmo que algum fanático pregador estridente negue, todo pregoeiro segue determinadas normas e tradições. A questão é: elas são boas ou ruins? E qual o critério de uma boa pregação? Ora, certamente é a centralidade de Cristo, a máxima fidelidade na interpretação e a edificação da Igreja.

Bom, tenho alguns breves conselhos para meus amigos que são pregadores advindos de igrejas pentecostais. Eu, como pentecostal que sou, valorizo a minha tradição teológica, mas igualmente abomino suas idiossincrasias. O texto visa esclarecer que toda pregação, como já dito acima, deve ser focada em Cristo, além, é claro, deve visar a edificação da Igreja.

01. Pare de gritar! Esse é o conselho elementar. Nunca fale que Deus o está impulsionando para gritarias. Não há um único texto bíblico mostrando que o descontrole seja o propósito e a forma da pregação. Há pregadores que são simplesmente insuportáveis. Lembre que sons com vários decibéis são prejudiciais para a saúde, inclusive das inúmeras crianças e idosos que frequentam cultos evangélicos. Gritar é simplesmente usar um tom de voz alto. E eu pergunto: qual a eficácia de um timbre alto para a comunicação entre você e a comunidade cristã? Você não poderia falar com melhor entendimento com um som equilibrado?

Em determinados momentos usaremos uma voz mais alta para enfatizar determinada ideia, mas esse recurso é a exceção, e não a regra. E, também, é evidente que em momentos de louvor usaremos a ênfase para destacar a grandeza de Deus. Mas, igualmente, estamos falando de exceções.

02. Você não é locutor de radionovela da década de 1960. Por que usar aquela “voz misteriosa”? E, também, você não é o Gil Gomes do “Aqui Agora”. Deixe esses personalismos para apresentadores sensacionalistas. Você está narrando um crime de folhetim mexicano ou expondo a Palavra de Deus?

03. Seja objetivo e não gaste meia hora falando da honra em pregar naquela igreja. Ora, tem coisa mais irritante do que esses pregadores que gastam minutos preciosos agradecendo o convite da igreja, exaltando o pastor local, falando como aquela igreja é bonita e ainda descrevendo um sentimento exultante ao se dirigir para o púlpito?


04. Pare de decorar pregação de DVDs para depois reproduzir besteiras no púlpito. Leia, estude, ore, estude, leia etc. e tal, mas não copie uma pregação do DVD. Eu já vi um pregador que imitava até a oração de um evangelista famoso. Sabe o pior? Quem imita pregação de DVD escolhe os piores e mais heréticos para se espelhar.

05. Respire normalmente. Como assim? Que conselho é esse? Ora, há vários pregadores pentecostais totalmente saudáveis que, enquanto pregam, usam de uma respiração ofegante. O motivo? Bom, a causa é a imitação dos ídolos de DVDs. E saiba que completar intervalos de respiração com “glórias a Deus” e “aleluias” é meramente um culto mecânico. 


06. Quando for pregar algum “sermão biográfico” não faça teatro da história já lida. Eu já cansei de ouvir pregações sobre Daniel na cova dos leões onde o pregador faz uma leitura do capítulo seis e depois repete a narração em cada detalhe e, pior, com dramatização. E a interpretação? E a aplicação? Qual o sentido do texto para o cristão de hoje? E a supremacia de Cristo na vida de Daniel? Bom, só ouvimos clichês como “Deus não nos livra da cova, mas nos salva na cova”! Já ouvi isso 1784 vezes de vários pregadores diferentes.!

É isso!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Pesquisa com pastores assembleianos

Caros,

Se você é pastor da Assembleia de Deus (independente do ministério) e tem formação superior completa (independente do curso), por favor, responda uma pesquisa feita pelo sociólogo Gedeon Alencar neste link. O seu nome não será identificado, apenas as suas colocações. Alencar está trabalhando com uma tese de doutorado sobre as Assembleias de Deus e sua participação é importante. Caso conheça um pastor nessas condições, passe o link para ele.

Obrigado a todos!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Silas Malafaia do passado!

Lembram?

Por Gutierres Siqueira

Caros,

Quando escrevi o texto “Carta aberta para Silas Malafaia” (leia o texto aqui) eu lembrava, em parte, de uma entrevista que o referido pastor deu para a Revista Eclésia. Não lembro exatamente o ano, mas faz algum tempinho. Quando li essa entrevista ainda estava no começo da minha fé, mas me ajudou a repudiar, por exemplo, o movimento apostólico moderno. Infelizmente, aquela voz apologética virou água.

Veja, nessa entrevista, o que o Silas Malafaia pensava sobre diversos assuntos, enquanto hoje reproduz o que há de pior na Igreja Evangélica norte-americana e brasileira:





Neopentecostalismo

O movimento neopentecostal, buscando identidade e afirmação, começou a buscar uma série de medidas de experimentação. O problema é que veio junto uma série de modismos de pataquada.

G12

Só faço uma pergunta: cadê o G12? Cadê a revolução que iriam fazer? Disseram que eu era profeta do diabo, me amaldiçoaram, rogaram praga, pintaram o caneco, cadê? Acabou o modismo. Só serviu para dividir e derrubar igrejas. Olha, eu recebi mais de 50 mil faxes e e-mails falando dos estragos do G12. O que mais teve foi crente perturbado, crente decepcionado porque descobriu que o Evangelho não é mágica. Talvez tenha sido uma das maiores perturbações que a Igreja Brasileira enfrentou na sua história.

Movimento Apostólico

Que unção de apóstolo? Tá, vamos lá. Primeiro, teria que ter visto Jesus. Mas vamos quebrar o galho, vamos deixar este aspecto de lado. Apóstolo é aquele que vem para a base, é o desbravador, o que estabelece a base da Igreja. E esses apóstolos que temos ai? Qual é a deles? É tudo pescador de aquário dos outros. Estão com a Igreja cheia de membros das Igrejas dos outros e ficam pregando em grandes centros. E tem outra coisa: se são apóstolos têm que entregar a direção de suas igrejas. O verdadeiro apóstolo é o que rompe, estabelece a igreja e vai embora. Ah, para com essa brincadeira. É uma insensatez, um modismo barato. Apóstolo no Brasil, é uma função hierárquica. O camarada era pastor, se intitulou bispo, depois tem que ter um titulo maior. Só falta querer ser vice-Deus, do jeito que vai.

Teologia da Prosperidade

A teologia da prosperidade, copiada do modelo americano é outro besteirol puro. Aquele modelo de super-homens espirituais que conquistam tudo, que oram e Deus abre as portas, que não podem ficar doentes, que não podem ser pobres. Esse modelo não é bíblico. Quero ver implantarem esse troço na Somália. Prosperidade a luz da Bíblia, é um conjunto de elementos. É repartir, é viver feliz e alegre com o que se tem. Não é apenas a questão financeira, como andam dizendo por ai

Quanta mudança (ou era tudo um teatro?)! Leia a entrevista completa aqui.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Uma boa notícia para o estudo teológico no Brasil!

"Deus, a liberdade e o mal" é apenas o primeiro!
Por Gutierres Siqueira

A editora Vida Nova vai lançar uma série de livros sobre filosofia teológica, filosofia política, filosofia da religião, epistemologia e lógica.

Por que é uma ótima notícia? Ora, a teologia conservadora no Brasil é, ainda, pouco acadêmica e excessivamente “introdutória”. Agora, precisamos correr atrás do tempo perdido.  Infelizmente, boa parte dos livros de filosofia da religião publicados por editora evangélicas eram o “básico do básico”. Felizmente, isso mudará com esse novo selo da editora paulistana.

Há algum tempo um erudito católico, que foi o meu professor de língua portuguesa na faculdade de Comunicação, perguntou a mim porque Plantinga ainda não havia sido lançado no Brasil pelos evangélicos. Finalmente, poderei avisar o meu ex-professor sobre essa novidade.

Leia a matéria aqui.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Carta aberta para Silas Malafaia

Por Gutierres Siqueira

Caro Silas,

Cadê aquele Silas Malafaia que pregava contra a Teologia da Prosperidade? Onde está aquele Silas Malafaia que nos desafiava sobre os modismos da Bênção de Toronto e do G12? Onde está aquela voz apologética?

Caro Malafaia, antes, como assembleiano, você me dava orgulho, mas hoje, infelizmente, você me causa profunda vergonha. Sim, eu tenho vergonha quando alguém pergunta se o Silas Malafaia é da Assembleia de Deus! Como alguém da minha querida denominação pode ser um dos maiores divulgadores de modismos deste país?

Malafaia, nem adianta falar que a “doutrina da semente” não é o mesmo que a “teologia da prosperidade”. Somente um ser desprovido de lógica e bom senso pode separar essas duas heresias. Você agora vende bênçãos! Onde você está com a cabeça?

O que adianta pregar bons costumes para o Congresso Nacional e para novelas da Globo se você VENDE o Evangelho? Ora, não adianta agredir os blogueiros. Não adianta se achar acima da crítica. Não adianta jogar em nossa cara as suas três décadas como tele-evangelista. Não adianta. Tudo isso é esterco. Seja humilde para voltar ao seu próprio passado. Ou tudo aquilo era uma farsa?

Sabe o pior? Quando o heresiarca Mike Murdock disse a besteira que “somente um tolo corrige autoridade” você balançou a cabeça com um sinal positivo e com um grande entusiasmo. Infelizmente, Malafaia, temo que seja um caminho sem volta.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos livre desses caminhos perversos!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Eu não sou o próximo Lutero!

Esse cara não sou eu!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

A história de Lutero é inspiradora. Ainda no início de minha fé tive a oportunidade de ler um livro sobre a história do cristianismo e a vida de Lutero era um dos destaques. Com o tempo tive um envolvimento com a atividade apologética e, na ânsia de consertar o mundo, pensava que seria um reformador como Lutero. Mas, graças a Deus, eu cresci e acordei do instinto revolucionário.

01. Não, eu não serei o próximo reformador do cristianismo. Nem eu e nem você, meu caro leitor. A nossa contribuição é pequena, local e limitada no tempo. Ora, pode ser grande, global e ilimitada? Sim, todavia, o primeiro cenário talvez seja o mais provável.

02. Lutero queria ser ouvido pela hierarquia romana, mas não tinha a intenção de acabar com a Igreja Católica. Ele, na verdade, foi expulso. Lutero sabia apontar o erro sem jogar fora todo o bebê com a água suja (perdoem-me pelo clichê). É certo apontar os problemas da Igreja Evangélica, mas será que muitas vezes não estamos viciados na crítica em si? Será que há somente problemas na Igreja Evangélica? Será que não cometemos o mesmo erro natural da velhice ao ver o passado com um idealismo irreal? Será que somos profetas com a síndrome de Elias, pois achamos que somos as únicas vozes de Deus na terra? A Igreja está doente? Sim, talvez, mas não está morta.

03. A juventude é ótima, mas normalmente imprudente. Você já observou como o seu avô é mais paciente do que o seu pai? E já observou que o seu pai relata que essa paciência não condiz com o passado do seu avô? Ora, o homem é naturalmente mais tolerante e paciente com o passar do tempo. Não é à toa que os avós sejam tão divertidos para os netos. Nós, os jovens, somos normalmente mais intolerantes e revolucionários. E não há revolução sem violência. A natureza da juventude é a velocidade, a violência, a aventura, o perigo, ou seja, "velozes e furiosos". O jovem sempre acredita ser um agente do progresso, mas, por vezes, perpetua erros do passado pela sua imprudência.

04. É possível ser jovem e contribuir com a história. Você sabia que João Calvino escreveu uma das obras mais importantes do Ocidente cristão com apenas 26 anos? E, também, o pastor João Ferreira de Almeida começou a traduzir a Bíblia para o português com apenas 16 anos. Há inúmeros outros exemplos. Sim, é possível contribuir significamente com pouca idade. É possível ser maduro ainda jovem. E faz parte da maturidade atribuir menor importância para a nossa própria obra. Faz parte do crescimento espiritual enxergar as nossas limitações.

Eu não serei o próximo Lutero, mas sou apenas um blogueiro. “Entretanto, cada um continue vivendo na condição que o Senhor lhe designou e de acordo com o chamado de Deus. Esta é a minha ordem para todas as igrejas” [1 Coríntios 7.17].