segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sobre o meu último texto. Ou porque é sempre complicado escrever...

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Caros leitores, eis alguns pontos do meu pensamento exposto no último texto.

1. Pelo amor de Deus, eu não generalizei dizendo que todos os pastores são arrogantes. É necessário reler o texto. Caso seja necessário, por favor, o releia dez vezes. O que disse- e repito- é que a vaidade tem aumentado barbaramente em nosso meio, especialmente no pentecostalismo clássico. Não é, infelizmente, apenas um mal neopentecostal. Veja os púlpitos, especialmente os famosos, das Assembleias de Deus e de outras comunidades carismáticas. É tanta arrogância, tanto brilhantismo, tanta bajulação, tanta reverência ao homem. É tanto cheiro de egolatria. Nesse sentido, as atitudes de Francisco é, no mínimo, uma vergonha para nós.


2. Não, não virei católico. Não é necessário lembrar as inúmeras doutrinas estranhas do catolicismo. Eu rejeito todas (purgatório, infalibilidade papal, imaculada conceição, missa como sacrifício permanente, liturgia veterotestamentária, veneração teórica e a idolatria prática, tradição em pé de igualdade com a Bíblia etc. e tal). Mas também não esqueço que a Igreja Católica é ortodoxa em matéria das doutrinas centrais, logo porque ela professa os credos da cristandade. Não é uma seita. Na minha opinião, é uma denominação com inúmeros problemas doutrinários em matéria de legalismo salvífico. É a Igreja da Galácia contemporânea. O apóstolo Paulo, ao falar com uma igreja tão problemática com as doutrinas da graça, não deixou de dizer “a todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia, graça a vós, e paz da parte de Deus nosso pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo” [Gálatas 1.2-3]. 


3. Eu não disse que Francisco seja o modelo ou solução para o evangelicalismo brasileiro. Meu Deus, é necessário curso de hermenêutica para ler blogs? Francisco, com o seu exemplo, foi apenas um tapa na cara da nossa arrogância pentecostal. Um dia fomos humildes, mas hoje arrotamos soberba. Há um vídeo onde um famoso pastor assembleiano ora em seu “próprio nome”! Isso não é o próprio anticristo? E nem venha me dizer que esse camarada representa apenas uma minoria, pois o mesmo é bem admirado em nossos arraiais. 


4. Jesus Cristo não foi assembleiano, luterano, batista e nem presbiteriano. Jesus também não foi católico. Aliás, Jesus nem era cristão, mas a religião dEle era o judaísmo. Se sou protestante - e sou feliz por isso- sou porque vejo no protestantismo a melhor expressão da cristandade. Mas vamos lembrar que a própria cristandade não se resume ao protestantismo. Que o diga Agostinho de Hipona, Tomás de Aquino, Antonio Vieira, Joseph Ratzinger, G. K. Chesterton, Hans Urs von Balthasar etc. Não vamos esquecer que a Igreja de Cristo não nasceu em 1500.

domingo, 28 de julho de 2013

Sobre a visita do papa Francisco...

Por Gutierres Fernandes Siqueira


1. Francisco, o humilde, mais a humildade é moralidade. E moralidade não é redentora! 

Francisco é um exemplo de humildade. Isso é ótimo. Quantos pastores arrogantes precisam que os seus auxiliares segurem suas malas? Já o papa Francisco, ainda como chefe de Estado, anda em avião comercial e carrega sua própria maleta. Francisco é um exemplo para muitos cristãos, inclusive entre aqueles que se dizem ministros do Evangelho. Quisera eu que a mensagem contra a ostentação entrasse no coração de muitos evangélicos. Cansei de ver pastores e pregadores vaidosos. A humildade anda em falta no nosso meio.

Agora, o exemplo de humildade de Francisco é incapaz de redimir. Pelo contrário, a humildade do homem cristão que aponta para Cristo é condenatória. Lembremos que “somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo” [Isaías 64.6]. Se sou humilde, mas sem a redenção de Cristo, sou apenas trapo de imundícia. Francisco é um exemplo para quem já experimentou o novo nascimento, mas para o homem não regenerado é apenas um moralista. E moralismo “não salva” ninguém. Moralismo é como a Lei. A Lei revela o pecado. A Lei e a moral é o exame médico, mas não é a cura. A cura está apenas na graça e misericórdia do Senhor.

Infelizmente, muito se falou na humildade de Francisco. Mas pouco se falou que a humildade não é o primeiro passo, mas sim é um fruto da real conversão pelo Santo Espírito.


2. Por que o anticatolicismo não faz sentido para mim? Uma rápida palavra sobre Asaph Borba!

Se sou cristão protestante isso implica que, obviamente, eu não concorde com um caminhão de práticas, costumes, liturgias e até doutrinas da Igreja Católica Apostólica Romana. Repito, isso é óbvio! Quando vejo, por exemplo, o cardeal Jorge Mario Bergoglio, atual papa Francisco, beijando uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida isso fere a minha sensibilidade, mesmo ouvindo dos amigos católicos que o uso dos santos é um exercício para contemplar o exemplo dos grandes cristãos da história. 

Agora, feita a ressalva, confesso que já fui extremamente anticatólico, mas deixei de ser. Por que escrevo isso? Ora, como cristão protestante carismático (pentecostal) observo entre os meus pares uma idolatria e uma superstição igual ou se não semelhante ao catolicismo popular. Se vejo um católico idolatrando determinada imagem, vejo também em meu meio uma idolatria em relação a  pastores megalomaníacos e bispos arrogantes. Vejo evangélicos supersticiosos, ignorantes de Bíblia e desprezadores de qualquer tradição. 

Portanto, qual a diferença entre uma pessoa séria como o Asaph Borba cantar entre jovens católicos e em alguns templos onde a imagem do pastor é posta como um verdadeiro deus? Bom, talvez o Asaph Borba já tenha cantado em ambientes de idolatria maior entre os pares evangélicos...

Que Deus abençoe o bispo de Roma.

domingo, 21 de julho de 2013

Neymar, o dízimo e o mercantilismo divino!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O gafanhoto devorador?
Um determinado blog pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) divulga com entusiamo um trecho de uma entrevista dada pelo jogador Neymar à jornalista Marília Gabriela. Nessa conversa, Neymar diz que é dizimista desde criança e que, ainda hoje, contribui com a igreja. O blogueiro escreve sobre isso como “prova incontestável de que quem devolve o dízimo a Deus não perde e sim ganha (sic)!”

Bom, tal post seria somente mais uma peça ridícula da seita macediana se não fosse o sucesso desse “testemunho”. Eu vi, inclusive, vários assembleianos compartilhando o referido post

Vejamos:

1. Não aprendemos nada com Mateus 23.23? O dízimo passou a ser visto como uma contribuição supersticiosa. É uma oferenda dada em agradecimento a Deus e para garantir ainda mais prosperidade. Alguns usam o dízimo. Outros utilizam “pés de coelho”. Outros ainda usam um trevo de quatro folhas. Assim, você nem precisa ser um cristão praticante, pois o seu único compromisso é com o dízimo. 

2. O debate se o dízimo continua ou não na Nova Aliança é desnecessário. O importante é entender que o dízimo, mesmo se praticado, não pode ter na Antiga Aliança um modelo para a Igreja Cristã. A realidade é outra. O modelo é outro. Hoje não há o ministério levítico e a ordem sacerdotal. Não há uma cultura agrícola e pastoril. Não há a figura de autoridade humana na chancela divina. Há um princípio de descontinuidade e continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento. Todo o nosso respeito à religião judaica, mas somos cristãos e não judeus. Portanto, todo mundo que fala em devorador como um "espírito demoníaco" deveria ficar internado em uma faculdade de hermenêutica por dois anos.

3. Deus não se apresenta- nem mesmo no Antigo Testamento- como um deus mercantilista (nunca leram o Livro de Jó?). A relação da Aliança como troca (cf. Deuteronômio 28) é algo exclusivo à nação de Israel, mas não ao indivíduo por si ou à Igreja Cristã neotestamentária. 

Portanto, fico muito triste quando vejo pentecostais históricos divulgando falácias do neopentecostalismo enriquecido do Edir Macedo. É necessário mais respeito à Bíblia e aos princípios de interpretação de um texto antigo, mas divino.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Cristianismo e Política: minha participação no BTCast!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Caros amigos e leitores do Blog Teologia Pentecostal,

Fiz uma participação no BiboTalk no famoso podcast teológico BTCast. Justamente com o Maurício Machado, mais conhecido com Mac, e o Alexandre Stahlhoefer, o Alex. O BiboTalk foi criado pelo Rodrigo Bibo de Aquino e reúne mais de 50 podcasts sobre teologia. Recomendo bastante não só esse último programa, mas toda a série de debates. É um aprendizado com bastante conteúdo e bom humor. 

Ouça e/ou faça o download neste link




terça-feira, 16 de julho de 2013

Dilma e as evangélicas: um circo de horrores!

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Leia essa matéria antes. Link aqui. Eu, sinceramente, não poderia deixar de comentar esse circo de horrores. 

1. Cantoras evangélicas “louvando” a vingança no “Sabor de Mel” da Damares com a presidente Dilma. Será que os reclamantes nos protestos vão sentir o gosto amargo da vingança divina? 


2. Essas cantoras não tem vergonha de servir como “agenda positiva” para uma presidente apenas preocupada com a queda de popularidade?


Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
3. Elas fizeram alguma observação sobre as políticas libertinas desse governo? Fizeram algum papel de palavra profética (não no sentido gospel, mas no sentido veterotestamentário)? Denunciaram os pecados desse governo?

4. E como elas (e o Marcelo Crivella) ousam se apresentar como “representantes dos evangélicos”? Graças a Deus, os evangélicos não possuem representantes. A nossa fragmentação é mais bênção do que maldição. A nossa única unidade no protestantismo/evangelicalismo deve ser nos Cinco Solas.


5. E uma delas ainda disse que a “bispa” (o certo seria episcopisa) Sônia é uma pessoa “respeitada”. Bom, especialmente na alfândega norte-americana.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Por que sou assim? [Romanos 7. 18-20]

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Esboço da mensagem pregada na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Itaquera, São Paulo (SP).

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. [Romanos 7. 18-20 ARC]

Há um intenso debate entre os comentaristas da Epístola aos Romanos em torno do capítulo sete. Estaria o apóstolo a falar de pessoas não regeneradas ou daqueles que já creram em Cristo Jesus? Porém, é claro em todo o contexto que o apóstolo dos gentios estava falando com uma igreja de regenerados. Portanto, é aos crentes em Jesus que tais palavras são direcionadas.

01. “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum.”

Karl Barth nos diz que a reconhecer tal verdade sobre a nossa natureza mostra como a revelação de Cristo é o ápice de qualquer revelação.  “Nem tampouco a revelação de Deus em Jesus Cristo se faz sem a iniciação da criatura neste terrível segredo e isto porque a revelação de Jesus Cristo é a revelação de todas as revelações” [1]. Assim, o aforismo grego “conhece-te a ti mesmo” na revelação cristã só é possível pela iluminação do Espírito Santo. Sem a exposição de Deus o homem continua cego sobre sua condição e, normalmente, acreditando em seu potencial.

Saber que somos pecadores por natureza nos impede de abraçar qualquer ideia de glorificação do homem [2]. O cristianismo é antropologicamente negativo, ou seja, olha o homem em suas reais limitações [3]. G. K. Chesterton disse: "Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de loucos". Assim, qualquer expoente cristão que se baseie na autoajuda (o homem buscando o seu potencial para ajudar a si mesmo), no moralismo (o homem buscando ser bom para salvar a si mesmo) ou no antropocentrismo (o homem como centro de todas as coisas para a solução de conflitos) está biblicamente distante dessa verdade [3].

A iluminação do Espírito Santo
transforma a nossa visão sobre si mesmo.
A palavra “carne” não significa corpo humano, como muitos equivocadamente interpretam [4]. Carne é o próprio homem natural. É como uma curva que sempre desvia o rio para determinado abismo. É o estado “normal” da humanidade em inimizade contra Deus e o próximo. É a humanidade que enxerga na lei não uma direção, mas um comando que incita à rebelião (cf. 7.7).

02. “E, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.”

Portanto, é na tensão constante que viverá o cristão. O cristão tem um ideal de santidade impossível de ser alcançada por sua própria força. Somente com ajuda do Espírito Santo é possível ser santo, pois a santidade também é recebida pela graça divina, pois “pela graça sois santificados”, parafraseando a Paulo.

E aí vem a pergunta: qual a diferença entre um regenerado e um não regenerado? Ora, se o cristão vive nesse conflito eterno entre o bem que deseja e o mal que pratica, qual é essa “nova criatura” que Paulo menciona em 2 Coríntios 5.17? Ora, a grande diferença está justamente na ação do Espírito Santo pela natureza divina recebida na regeneração. É uma ação progressiva como lembra John Piper:

Algumas pessoas não-regeneradas, devido a todos os tipos de razões genéticas e sociais, conformam-se a uma moralidade externa, enquanto, por dentro, são indiferentes a Deus e hostis a Ele. Deus distingue perfeitamente os regenerados dos não-regenerados. Nós não. Mas a distinção existe, e aqueles que nasceram de novo estão sendo transformados, embora lentamente, passando de um grau de humildade e amor a outro mais elevado. [5]

O cristão regenerado, muitas vezes, não se parecerá tão diferente assim dos demais homens. A nova criatura se refere a nova natureza. A salvação, assim como a santificação, tem um aspecto progressivo e, portanto, constante. Agora, é fato que essa nova criatura terá em si um inconformismo com o seu estado.

03. “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço”.

Paulo, como um ex-fariseu, jamais teria uma visão realista sobre si na religiosidade judaica [cf. Fp 3.6]. Ele, agora como cristão, era acusado de ser um antinomista, ou seja, de ser contra a Lei. Paulo mostra que isso é um equívoco. É agora na consciência do pecado, graças à Lei e a iluminação do Espírito Santo, que Paulo mostra a miserabilidade humana (cf. v. 15).

A vida cristã é uma luta. O próprio Paulo expressa tal verdade em Gálatas 5.16-24. É uma luta de fato constante: “Quem se empenha nesse combate, não pensa que sua concupiscência está morta só porque ficou quieta, mas continua lutando para infligir-lhe novas feridas, novos golpes, todos os dias. Como o fez o apóstolo (Cl 3.5)” [6].

04. “Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim”.

E seria tal expressão uma desculpa para o pecado? Evidente que não. Barth lembra: “O fato de ser o pecado quem pratica o mal, não me serve de desculpa; antes, é minha autocondenação pois, que bases tenho para dizer que o ‘eu’ que não quer, e o outro ‘eu’ que faz, não sejam os dois o mesmo ‘eu’?” [7].

Conclusão

É sinal de vida quando o seu coração está em conflito entre o querer e o realizar. Quem está em uma vida conformada no pecado não sente medo, culpa ou qualquer conflito. A vida cristã não é trivial, mas como uma guerra precisa ser combatida em cada batalha. O crescimento em maturidade, santidade e regojizo é o nosso desafio. Desafio esse que será vencido apenas com ajuda do Espírito Santo.



Notas e Referências:

[1] BARTH, Karl. Carta aos Romanos. 5 ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2009. p 407.

[2] “Gostaria de acrescentar aqui que os evangélicos frequentemente têm caído no grave erro de destacar demasiadamente o fato de que o homem está perdido e debaixo da ira de Deus, sugerindo que ele é um nada- um zero à esquerda. Não é isso que a Bíblia diz. Há algo de grandioso no homem, e talvez tenhamos perdido nossa maior oportunidade de evangelização, em nossa geração, por não frisarmos que é a Bíblia que explica por que o homem é grandioso. Entretanto, o homem não é só nobre... Mas também é cruel... O segundo dilema é o contraste que existe entre a dignidade humana e sua crueldade. [SCHAEFFER, Francis A. O Deus que se Revela. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002. p 41]

[3] "Quando olhamos para Jesus do ponto de vista de sua fé nos homens, ele nos parece um grande cético, que acredita estar tratando com uma geração adúltera e má, com um povo que apedreja os seus profetas e depois lhes ergue monumentos. Ele não deposita nenhuma confiança nas instituições e tradições prevalecentes de sua sociedade. Mostra pequena confiança nos seus discípulos, convencido de que eles se escandalizarão nele, e de que até o mais firme dentre eles será incapaz de permanecer ao seu lado na hora da prova. Somente a ficção romântica pode interpretar o Jesus do Novo Testamento como alguém que acreditava na bondade dos homens e que, por isto, procurava trazer à tona o que neles era bom." [NIEBUHR, H. Richard. Cristo e Cultura. 1 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967. pp 46, 47.]

[4] Alguns intérpretes consideram “a carne” não como constituição humana, isto é, a natureza pecaminosa, mas sim algo externo. É o velho Adão. “Estar na carne (igual a ser carnal, v. 14) é estar em Adão. É ser controlado pelo reino do pecado e da morte-  e neste reino não há nada de bom”. JOHNSON, Van. Romanos em: ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 863.

[5] PIPER, John. Finalmente Vivos: O Que Acontece Quando Nascemos de Novo? 1 ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2011. p 21.

[6] OWEN, John. A Mortificação do Pecado. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2005. p 87.

[7] BARTH, Karl. Idem. p 411.

domingo, 14 de julho de 2013

O “reteté” é uma afronta à glória de Deus!

Por Gutierres Fernandes Siqueira


“Assim, se toda a igreja se reunir e todos falarem em línguas, e entrarem alguns não instruídos ou descrentes não dirão que vocês estão loucos?” 1 Coríntios 14.23
No meio pentecostal, muitas vezes, nos damos como esquecidos sobre o aspecto sacro do culto cristão. O culto é um espaço de tempo onde Deus é glorificado por meio de orações, louvores e exposição das Sagradas Escrituras. Quando dizemos que é sacro é porque tal expressão nos remete ao caráter de “separação”. Ou seja, aquele momento é exclusivamente para e em Deus. Não é espaço para o espetáculo humano. Não é uma peça teatral, um jogral infantil, um show de calouros, uma palestra informacional ou uma ação de marketing. 

Portanto, quando alguém dança como os fiéis das religiões afro-brasileiras se dizendo “fora de controle”, por exemplo, não pode atribuir tal emocionalismo ao Espírito Santo, mas somente ao seu próprio descontrole emocional (êxtase). Nesse sentido, o reteté, que são movimentos corporais e vocais atribuídos ao enchimento do Espírito Santo, é uma afronta à glória de Deus porque traz atração para o homem em êxtase. O reteté é antropocêntrico, ou seja, tem o homem como o centro de um espetáculo. E um espetáculo de péssimo gosto. 


Não estou insinuado que essa pessoa seja possessa por algum espírito maligno ou algo do tipo, pois tal discernimento vai além das minhas capacidades, mas certamente tal pessoa está mergulhada em seus próprios sentimentalismos confundidos como obra divina. Ninguém que seja cheio do Espírito Santo perde sua capacidade de discernimento, ação e vontade. O Espírito Santo não é um substituto da alma humana. Portanto, o reteté também é uma afronta a Deus. 


Não se trata de colocar Deus em uma caixinha conforme regras litúrgicas e denominacionais. É bom lembrar que a própria Bíblia estabelece um limite no exercício dos dons espirituais, pois todo e qualquer dom deve visar a edificação da igreja (leia 1 Coríntios 12-14). Quem usa Deus como desculpa para bagunça litúrgica precisa voltar urgentemente para as Sagradas Escrituras.

sábado, 13 de julho de 2013

Esperança em Meio à Adversidade

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Amanhã estudaremos na Escola Dominical das Assembleias de Deus mais um trecho da Carta de Paulo aos Filipenses. O tema da Lição 2 é “Esperança em Meio à Adversidade”.

"Para a árvore pelo menos há esperança:
se é cortada, torna a brotar, e os seus renovos vingam". Jó 14.7
Gostaria de fazer uma exegese de todo o parágrafo, mas publico uma análise apenas do versículo 12. Espero que esse texto contribua com a sua aula. Bons estudos. 

Leia: Filipenses 1.12-21


1.12   E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho.


A fé cristã enxerga o sofrimento pela ótica do aperfeiçoamento. Há quem acuse o cristianismo de alimentar o sofrimento ao justificá-lo como obra divina. Assim, a fé cristã seria opressora e agente dos poderosos na manutenção do status quo e na manipulação dos mais pobres. Outros dizem que a glorificação do sofrimento mostra como o cristianismo é a religião dos fracos, covardes e ressentidos com o sucesso alheio. Portanto, o cristão é um fracassado que condena ao inferno todos os "bem-sucedidos" por pura inveja. 


Esses argumentos parecem ignorar duas verdades. 01.  Esquecem que o sofrimento começa com a própria pessoa de Deus em Cristo Jesus. O Deus cristão não é alheio ao sofrimento, pois Ele é totalmente envolvido na aflição pelo Filho. 02. Esquecem, também, que o sofrimento é naturalmente cego, imparcial e sem propósito, mas na fé cristã há um novo olhar sobre esse mesmo infortúnio. Não é o sofrimento que traz em si o propósito, mas é a fé que traz à tona o aspecto da esperança. É Cristo glorificado no sofrimento. “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam” [Romanos 8.28 NVI]. Sem Ele o sofrimento só é mais uma fagulha para a vida murmurante e azeda. 


E na fé cristã sempre há a consciência que o fruto pode ser produzido no meio do sofrimento. A esperança cristã não é escapismo, como escreveu J. I. Packer:

A esperança cristã é muito depreciada nos dias de hoje. Ela está em desacordo com o orgulho humana de nossa cultura sofisticada e materialista. Nossa esperança provoca ressentimento. Os marxistas se opõem a ela porque acham que a esperança celestial (enganosa, segundo eles) conduz à passividade e impede as massas de agirem revolucionariamente em prol da transformações sociais. Alguns conselheiros psicólogos são contra a esperança cristã porque a veem como forma de escapismo que impede as pessoas de verem a realidade. Mas a verdade é que a esperança cristã, em virtude do seu objeto (o que ela espera, que é a generosidade de Deus garantida e sem fim), produz amor, alegria, zelo, iniciativa e ação devotada, de modo que, como disse C. S. Lewis, aqueles que mais fizeram pelo presente mundo foram aqueles que mais pensavam no outro [1].

O apóstolo Paulo fala nas “coisas que me aconteceram” (gr. ta kat eme). A expressão poderia ser traduzida por as coisas sobre mim ou os meus assuntos. Assim, Paulo introduz a dolorosa vivência na prisão domiciliar em Roma. Ele expõe ao público filipense a experiência do sofrimento e diz “quero que saibais” ou “quero que conheceis”. Paulo não tinha o mal costume de se apresentar como um super-homem. Era tônica comum em suas epístolas, que são cartas pastorais, a apresentação da difícil situação pela qual ele passava. Era um líder transparente. O texto traz a ideia que havia entre os filipenses uma preocupação com Paulo, mas o mesmo os conforta com essas palavras.

Portanto, o que era ruim contribuiu  a “uma ida para frente” [2] (gr. prokopēn). Essa palavra era um termo técnico na filosofia estóica e indicava o “progresso em direção a sabedoria” [3].  Assim, a prisão de Paulo serviu como um “avanço pela derrubada daquilo que impedia o progresso” [4] da pregação cristã. Prokopēn é “cortar ou golpear para a frente” [5]. O impulso rápido e constante de um projeto não é uma imagem normalmente associada à privação da liberdade em uma prisão. [6] 


É fato que no papel se torna fácil escrever que podemos tirar proveito no sofrimento. Mas quem escrevia esse texto tinha autoridade moral para tal análise. Paulo estava simplesmente e injustamente preso. Nesse sofrimento viu a oportunidade de apresentar o Evangelho. Enquanto a própria igreja em Filipos via a prisão de Paulo como uma tragédia; ele- cabe destacar que ainda preso- conforta a essa congregação contra qualquer ansiedade. 


Portanto, enxergar o sofrimento com os olhos da esperança é um tema recorrente na Bíblia. Desde José na cisterna (Gn 37.23; 50.20) até Jesus na cruz (Mt 27.5) passando por Jó (1.2; 19.25-27; 42.5,6) essa verdade não deixa de pulsar. 


Referências:


  [1] PACKER, James. Nunca Perca a Esperança. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002. p 11.
[2] ROBINSON, Edward. Léxico Grego do Novo Testamento. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. p 780.
[3] ROBERTSON, A. T. Robertson's Word Pictures of the New Testament.
[4] HILL, Gary; ARCHER, Gleason. Helps Word-Studies.
[5] ROBINSON, Edward. Léxico Grego do Novo Testamento.
[6] GINGRICH, F. Wilbur e DANKER, Frederick W. Léxico do Novo Testamento: Grego Português. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007. p 176. O termo equivalente é usado novamente por Paulo em I Timóteo 4.15.

Leia mais:

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Efésios e Filipenses. 2 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2005. p 431- 443.

MARTIN, Ralph P. Filipenses: Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1985. p 83.



domingo, 7 de julho de 2013

Sejamos tradicionais, mas sem o tradicionalismo!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

“Tradição significa votar na mais obscura das classes, nossos antepassados. É a democracia dos mortos. A tradição recusa a se submeter à pequena e arrogante oligarquia dos que simplesmente por acaso estamos andando por aí. [...] A democracia nos pede para não ignorar a opinião de um homem bom, mesmo que ele seja nosso criado; a tradição nos pede para não ignorar a opinião de um homem bom, mesmo que ele seja nosso pai”. G. K. Chesterton, jornalista inglês [1].
“Tradição é a fé viva daqueles que já morreram. Tradicionalismo é a fé morta dos que ainda vivem”. Jaroslav Pelikan, teólogo luterano.

É certo que alguns assuntos teológicos tradicionais beiram ao tédio. Destaco, por exemplo, o debate sobre o papel da mulher no culto e no ministério cristão. Repito: esse é apenas um exemplo. Mas igualmente espantosa é a nossa tendência à relevância da contemporaneidade em detrimento da riqueza produzida pela tradição. Parecemos adolescentes que julgam-se mais sábios para a vida, em relação aos pais, porque sabem diferenciar modelos de smartphones.

John Owen. Há séculos um clássico contra o legalismo
Vamos voltar à democracia dos mortos? Que tal lermos um clássico da teologia cristã? 

Deixe uma sugestão no campo de comentários de algum clássico da tradição cristã que marcou sua caminhada. Atenção: quando falo em clássico falo em livros seculares e formadores de teologia. E, se possível, deixe um pequeno trecho da obra. 

A minha recomendação é o clássico puritano do século XVII com o título “A Mortificação da Pecado” escrito John Owen. 

Destaco a seguinte questão de Owen sobre o legalista: 


“Os seres humanos ficam amargurados com a culpa de um pecado que prevaleceu sobre eles. De imediato, prometem a si mesmos e a Deus que não mais pecarão, velam por si mesmos e oram durante algum período, até esse calor esfriar e a consciência do pecado esvair-se; desse modo, a mortificação desaparece também, e o pecado volta a seu domínio anterior. Os deveres são alimento excelente para uma alma sadia, porém não servem de remédio para a alma enferma. Quem transforma seu alimento em remédio, não deve esperar grande resultado. Indivíduos espiritualmente enfermos não podem livrar-se de sua indisposição mediante o suor de seu trabalho. ” [2].
Forte verdade, não é?


Referências:


[1] CHESTERTON, Gilbert K. Ortodoxia. 1 ed. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2008. p 80-81.


[2] OWEN, John. A Mortificação do Pecado. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2005. p 53-54.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Por que Deus puniu toda a família de Acã se o pecado era apenas dele?


Por Gutierres Fernandes Siqueira

Israel estava perdendo a guerra. Josué fica desesperado. Como o Senhor permitiria tamanha desgraça a fim de humilhar o Seu próprio nome? “Os cananeus e os demais habitantes desta terra saberão disso, nos cercarão e eliminarão o nosso nome da terra. Que farás, então, pelo teu grande nome?”, diz Josué ao Senhor [1].

Deus então releva o motivo de tamanho infortúnio. Um, dentre o povo, estava com propriedade roubada. Josué ordena uma investigação: “Aquele que for pego com as coisas consagradas será queimado no fogo com tudo o que lhe pertence. Violou a aliança do Senhor e cometeu loucura em Israel! " [2]. 

O culpado foi achado. Era Acã. Ambicioso, ele encontrou uma bela capa feita na Babilônia, além de prata e ouro em grandes somas. Acã tomou para si aquilo que não era seu. Sentença? Para o roubo era pena capital. Acã foi morto. “E todo o Israel o apedrejou, e depois apedrejou também os seus, e os queimou no fogo” [3].

Opa, por que a família de Acã foi morta? O roubo não fora cometido apenas por ele? Por que Deus mandava invadir a terra e matar, além dos exércitos, todas as famílias daquele lugar? Por que crianças pagavam pelos pecados dos adultos? E o genocídio cananeu?

Princípio hermenêutico: atenção ao ler um livro antigo com ósculos modernos!

É difícil compreender a Bíblia com um óculos da contemporaneidade no rosto. A Bíblia, como qualquer livro antigo, precisa de uma interpretação capaz de entender o momento histórico do fato. É necessário voltar no tempo. É necessário sair desse mundo de hoje com todas suas referências e pressupostos. É chocante para qualquer ocidental formado em um país democrático e com uma educação secular entender como Deus pode cometer tal ato, mas essa não era a visão daquela sociedade na época. Ninguém naquele momento contestava Deus por esse motivo.

O conceito corporativo da personalidade hebraica e das sociedades tribais 

No mundo antigo, e em Israel não era diferente, a sociedade tribal regia as relações humanas [4]. Não existia a figura do “indivíduo” como “unidade formal”. A verdadeira unidade era a célula familiar. A bênção [5] ou a maldição se estendia para toda a família. 


A estrutura de sociedade é claramente descrita na sentença divina que institui a investigação: Apresentem-se de manhã, uma tribo de cada vez. A tribo que o Senhor escolher virá à frente, um clã de cada vez; o clã que o Senhor escolher virá à frente, uma família de cada vez; e a família que o Senhor escolher virá à frente, um homem de cada vez. [6]

Família, clã e tribo e nação. Essas divisões “constituem os tijolos básicos da sociedade israelita” [7]. Assim era construída a unidade nuclear do indivíduo, ou seja, o homem era ser existente a partir de sua família. O pecado de um homem era o pecado de sua família, o pecado de sua nação. Portanto, como unidade fazia todo o sentido para essas sociedades antigas, onde a punição ou a bênção eram um fenômeno coletivo. A membresia daquela família sabia do crime de Acã? Se sim, a justiça fora implacável com o pecador e seus sustentadores. Mas se a resposta é negativa, pois o texto não é claro, a família inocente paga pelo pecado do membro superior. 

O assunto é complicadíssimo, pois o texto em análise, como já dito, não traz muitos detalhes. Mas o “conceito corporativo da personalidade hebraica” [8] e das sociedades tribais como um todo parece ser a explicação mais razoável para o texto em apreço, assim como para o genocídio cananeu. Como bem escreveu Kyle Yates, todo o capítulo sete de Josué traz em si o cerne da “solidariedade comunitária” para o bem ou para o mal:


O antigo conceito de solidariedade comunitária está subjacente à história em toda parte. (1) O pacto divino da unidade de Israel como nação “consagrada” (isto é, santificada. cf. Êx 13.11-15; 4.23) deu-lhes a segurança da proteção do Senhor; (2) a ofensa de Acã estabeleceu sua associação com os cananeus que eram “consagradas ao Senhor para a destruição” (isto é, amaldiçoados) e os separou da proteção do pacto (Js 6.17,18: 7.15); (3) a ofensa de Acã tornou-se a ofensa de Israel até que eles se separassem das “coisas consagradas” cujo fim deveria ser a destruição (Js 6.18; 7.11,12); (4) toda a família de Acã e todas as suas posses haviam sofrido o estigma das “coisas consagradas” e compartilharam sua responsabilidade e destruição (Js 7.24,25). [9] 

Portanto, todo o contexto favorece a leitura do texto a partir do “conceito corporativo da personalidade hebraica”. Mas vem a pergunta inevitável: como fica Deuteronômio 24.16 à luz da “solidariedade comunitária”? Onde está escrito: “Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais; cada um morrerá pelo seu próprio pecado.” 

A hipótese mais provável é que o sentido comunitário para punição e bênção divina era mais uma influência cultural do tribalismo como modo de organização social do que o ideal divino manifesto na lei (Deuteronômio 24.16) e confirmado nos profetas, a exemplo de Jeremias 31.29-30 e Ezequiel 18. Assim, a individualização da pena já vinha sendo desenhada aos poucos no coração da mentalidade hebraica. Já em o Novo Testamento a individualização da responsabilidade é claríssima: “De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Romanos 14.12). Veja também: Romanos 2.6; 1 Coríntios 3.8; 11.28; Efésios 4.7; Gálatas 6. 4-5;  1 Tessalonicenses 4.4; Tiago 1.14. 

Referências Bibliográficas:

[1] Livro de Josué 7.9. Todos as citações deste post são da Nova Versão Internacional (NVI). Salvo indicação ao contrário. 

[2] Livro de Josué 7.15

[3] Livro de Josué 7.25. Há intérpretes, baseados especialmente em Deuteronômio 24.16, que não acreditam na morte dos familiares de Acã. “Como a lei divina proibia expressamente os filhos para serem mortos pelos pecados do seu pai (Deuteronômio 24. 16), o transporte dos ‘filhos e filhas’ de Acã para o local da execução poderia ser apenas como espectadores, para que pudessem tomar a advertência do destino que o seu pai tomou, ou, se eles compartilharam a punição de Acã (Josué 22.20), tinham provavelmente sido cúmplices de seu crime, e, na verdade, Acã dificilmente poderia ter cavado um buraco dentro de sua tenda sem a ciência de sua família”. [JAMIESON, Robert; FAUSSET, A. R. e BROWN, David. em Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Biblie Study Tools. EUA: Salem Web Network, 2008]. O mesmo argumento usado por RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. 149.

[4] "Nas sociedades ocidentais os indivíduos são muitas vezes considerados como unidades sociais, reunidas por alguma necessidade em comum (comércio, indústria, defesa mútua, etc.) Em contraste, a estrutura social de Israel era tribal e, portanto, corporativa (solidária), em suas relações internas, gerando comunidades fortemente estruturadas. Não importando seu tamanho, essas comunidades se percebiam como totalidades, unidas através de agências internas que faziam sentir sua presença em cada membro individual. O indivíduo não era esquecido, mas também não era considerado a unidade em que a sociedade fora constituída. Em vez disso, a família era a unidade, e o indivíduo encontrava o seu lugar na sociedade através da família e de suas extensões. A subtribo era realmente uma família muito extensa, e uma coleção de subtribos relacionadas formaram uma tribo, e uma federação de tribos produziam uma nação." [WILLIAMS, William C. . Family Life and Relations. ELWELL, Walter A. Evangelical Dictionary of Theology .Grand Rapids: Baker Book House Company, 1997. p/d] Grifos meus. 

[5] Em Gênesis 12.3 lemos a promessa de Deus a Abraão: “E em ti serão benditas todas as famílias da terra”. Na mentalidade hebraica- não só nela - você não leria: “E em ti serão benditas todos os indivíduos da terra”. A unidade não é a pessoa, mas a célula familiar. 

[6] Livro de Josué 7.14. “Em Josué 7.16-18, que descreve a busca feita para identificar o homem culpado de deixar Deus insatisfeito com Israel, isola-se primeiramente a ‘tribo’ (shebet) de Judá, em seguida a ‘família’ (mishpaha) dos zeraítas, então a ‘casa’ (bet) de Zabdi. A casa de Zabdi é então examinada e se descobre que um dos seus netos, Acã, ele próprio tendo vários filhos, é o culpado”. [HARRIS, R. Land; ARCHER Jr, Gleason L. e WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1998. p 1602.]

[7] HESS, Richard. Josué: Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2006. p 134. Para uma introdução sobre os termos hebraicos para cada divisão societária em Israel, veja: BENTHO, Esdras Costa. Análise Sócio--Histórica da Família. A Família no Antigo Testamento. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. pp 23-36. Para uma introdução mais generalista, veja: GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. 2 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. pp 54-70.

[8] Expressão usada em tom crítico por: RICHARDS, Lawrence O. Op. cit. p 149.

[9] PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p 1226.