domingo, 29 de setembro de 2013

O sacrifício que agrada a Deus

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Breve análise do texto base para a última lição deste trimestre sobre a Epístola aos Filipenses.

Traduções

“Todavia, fizestes bem em tomar parte na minha aflição”. [Almeida Revista Corrigida]
“Todavia fizestes bem em tomar parte na minha aflição”. [Almeida Revista Fiel]
“Todavia, fizestes bem, associando-vos na minha tribulação”. [Almeida Revista Atualizada]
“Mesmo assim vocês fizeram bem em me ajudar nas minhas aflições”[Nova Tradução Linguagem de Hoje].
“Apesar disso, vocês fizeram bem em participar de minhas tribulações. [Nova Versão Internacional].
“Todavia, fizestes bem em participar da minha aflição”[Almeida Século XXI]
“Entretanto, fizestes bem em participar da minha aflição”. [Bíblia de Jerusalém]
“Entretanto fizestes bem em tomar parte na minha tribulação”. [Tradução Brasileira]

Análise exegética

Plēn - Traduzido por “todavia”. Poderia ser traduzido por “mesmo assim” [NTLH]. Paulo quer mostrar que, mesmo reconhecendo unicamente a ajuda divina e a independência do auxílio humano, não despreza a ajuda da Igreja. Ele não queria parecer desdenhar da preciosa ajuda vinda pelos irmãos de Filipos, mas muito pelo contrário.

É interessante notar como Paulo mostra uma independência dependente em relação à igreja. É comum no texto paulino a expressão de gratidão pela ajuda recebida, mas ao mesmo tempo o apóstolo nunca esquece de mostrar que a ajuda- mesmo bem vinda- não o torna dependente dos humores de uma congregação. “Não que que esteja procurando ofertas”, diz o apóstolo logo em seguida, “mas o que pode ser creditado na conta de vocês” [4.16 NVI].  Ou seja, não são vantagens pessoais que o apóstolo busca, mas o crescimento espiritual da congregação.

Em todo o capítulo nove de I Coríntios, por exemplo, Paulo argumenta sobre o direito de receber ajudar como anunciante do Evangelho, mas ao mesmo tempo mostra como renunciou a esse direito para que ninguém o acusasse de “constrangimento”, ou seja, de servir à igreja por vantagens e glórias pessoais. Ele estava tão focado na livre pregação do Evangelho que queria exercer livremente tal vocação sem depender de sustento financeiro alheio. E é por isso que ele fazia tendas (Atos 18.3).

A postura do apóstolo é exemplo de nobreza, ética e desprendimento. Ora, renunciar direitos é uma tendência cada vez mais rara. A busca do homem moderno é a busca de direitos. O apóstolo buscou o dever maior da proclamação. Mas, é claro, nem sempre foi possível trabalhar para o próprio sustento, especialmente quando este esteve preso em Roma por causa da pregação evangélica. Nesse momento de profunda tribulação o apóstolo só poderia contar com ajuda externa.

Ajuda esta que ele não negou, logo porque era inevitável aceitá-la, mesmo preferindo não exercê-la. Paulo, também, não sofrera do agudo orgulho ferido de alguns que, acostumados ao trabalho rígido e autossustento, não aceitam ser ajudados no momento da dificuldade. Tal pensamento acomete principalmente aqueles que, generalizando, atribuem qualquer necessidade aos méritos e desméritos de um homem. Paulo, mesmo centrado no autossustento, não abdicou de agradecer aos irmãos que o ajudaram.

Kalōs epoiēsate- Traduzido por “fizestes bem”. É uma expressão idiomática, ou seja, uma expressão popular (gíria, ditado etc.). Não passível de uma tradução literal. É de significação cultural. Ao usar tal expressão Paulo expressa a satisfação na ação da igreja filipense. A expressão é como um “muito obrigado”.

Sugkoinóneó- Traduzido por “tomar parte”. Pode significar: “para ter comunhão com”, “compartilhar com alguém pelo conjunto”, “compartilhar com outrem em alguma coisa”, “compartilhar por estar totalmente identificado”, “coparticipar”. No original traz a ideia de uma associação profunda e de consequências relacionais duradouras. A Almeida Atualizada traz a tradução como “associando-vos”.  A expressão está no “particípio aoristo”, ou seja, indicando uma ação simples e pontual feita no passado. Mas é o tipo de ajuda que desperta a exclamação do “sou eternamente grato pela ajuda prestada a mim no momento da dificuldade”.

O conceito é próximo do grego sumpátheia,  que significa a “participação no sofrimento de outrem, compaixão, comunhão de sentimentos ou de impressões”. E de “empatia” que é “a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende etc” [Houaiss]. Mas ao mesmo tempo produz a gratidão constante do ajudado.

Quem nunca teve a rica experiência de ser ajudado por alguém em uma passado remoto que jamais esquece? É o vizinho que leva para o hospital aquele prestes a morrer. É o parente que liga para consolar no momento de profunda angústia. É o amigo que o socorre financeiramente. Ora, são atitudes de ajuda que são únicas e passadas, mas marcam o início de um relacionamento duradouro. “Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão”, já dizia Provérbios 17.17.

A tradução de Almeida Corrigida como “tomar parte” traz a bonita ideia de que, uma vez que você ajuda o necessitado, você participa em prática. Não é mero sentimento ou emoção. É a prática real. Ou seja, eu “tomo a miha parte”. Eu divido a aflição do outro.

Mou tē thlipsei- Traduzido por “minha aflição”. A palavra grega para aflição (gr. thlipsei) aparece nove vezes em o Novo Testamento sendo sete ocorrências em textos paulinos, um joanino e outro em Tiago. Portanto, é uma expressão tipicamente paulina e pode ser entendida no sentido pessoal como “perseguição, aflição, angústia, tribulação” [Strong].

Agora é interessante notar que a palavra indica uma “pressão interna”, um “aperto no coração”. É um “confinamento da alma” diante das circunstâncias presentes, ou seja, são as aflições que o cercam por dentro. Uma palavra em português que capta melhor a ideia deste texto é “pertubação” ou “angústia”.

Certamente que a ajuda para o homem perturbado vai além de meros recursos financeiros. É o amor e o carinho de uma igreja acolhedora que ajudou Paulo na caminhada cristã. O texto está estruturado na ideia sobre a qual a solidariedade é melhor do que doações em si, mesmo sabendo que as doações são provas preciosas dessa mesma solidariedade. Logo porque, os filipenses foram os únicos que lembraram do apóstolo Paulo. 

"Nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente"! Isso em si já diz muito dessa relação entre Paulo e os Filipenses.

sábado, 28 de setembro de 2013

Escandalizar é um prazer para você?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Peça provocativa :
"Luteranos: tão ruim para vocês, batistas!"
A liberdade cristã é uma dádiva da graça preciosa e misericordiosa de Jesus Cristo. O legalismo é uma praga destruidora , pois tira a cruz de Cristo e coloca o próprio fardo humano como salvífico. Nenhum cristão pode ser legalista, mas todo cristão tem o dever de exercer a liberdade com sabedoria.

Por que escrevo isso? Percebo na atual conjuntura evangélica um prazer por “escandalizar” crentes mais legalistas. Alguns jogam a nossa preciosa liberdade cristã no enfrentamento aos ultraconservadores.  É o prazer em si de arrepiar mentes mais sensíveis. Ora, tudo isso vai contra o espírito do Novo Testamento (leia especialmente Romanos 14 e I Coríntios 8). 

Por exemplo, se na minha liberdade vou a um show dito “secular", ora, por qual razão preciso anunciar tal fato a todos? É como se eu quisesse provocar os mais “fracos” em um espetáculo que alguns crentes acham como atitude pecaminosa. É uma satisfação meio mórbida. Se, ainda, na minha liberdade bebo bebidas alcoólicas, por que vou convidar outro a beber comigo se sei que esse cristão se escandalizaria com isso? 

Não estou dizendo com isso que eu não posso conscientizar as mentes legalistas do seu próprio legalismo, mas isso se dá com ensino paciente e persistente. Não é simplesmente com o choque, o escândalo, o prazer em arrepiar os outros. Ora, vamos lembrar que Cristo também morreu pelos legalistas. A liberdade é boa, mas usada de qualquer maneira é apenas mais uma forma de vaidade.

E será que eu estaria disposto a renunciar a minha própria liberdade em amor ao irmão mais "fraco"?

domingo, 22 de setembro de 2013

Os filhos pródigos

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Esboço do sermão pregado na Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Jardim das Pedras, São Paulo (SP).

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Lucas 15. 11-32

Este sermão contrasta duas formas de alienação a Deus. A primeira é a libertinagem de uma vida mundana. A segunda é a religiosidade de uma vida legalista. Ou seja, é possível rejeitar a Deus como “desviado” e como “crente”. 

“Um certo homem tinha dois filhos” (v. 11)- Não é apenas a história de um filho perdido, mas sim de dois. Sendo que o foco é o desprezo da alegria pelo filho mais velho. Essa foi uma parábola escrita para mostrar que o moralismo farisaico e dos escribas era uma atitude tão pródiga quanto a libertinagem do filho mais novo. 

“E ele repartiu por eles a fazenda” (v.12). O texto está dizendo literalmente no grego que esse pai estava “desperdiçando sua vida”, pois tamanha era a generosidade- considerada irresponsável pela sociedade da época- em repartir uma herança ainda em vida. Outro paradoxo da vida cristã é que o amor demanda liberdade: “Sou amado a tal ponto que tenho liberdade para abandonar a casa” [Henri Nouwen]. 

“Ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente.” (v. 13). Entre viver dissolutamente e celebrar festas com o pai. Uma questão entre a estupidez e a sabedoria. 

“E chegou-se a um dos cidadãos daquela terra” (v. 15). O verbo “chegar” traz a ideia que o filho pródigo conseguiu um empreso humilhante e amaldiçoado com muita custo. O fundo do poço era, ainda, fruto de humilhação. 

“Caindo em si” (v. 17). Uma expressão da própria conversão é reconhecer a si como miserável. Isso diferencia a atitude do filho pródigo para o seu irmão moralista e cheio de “dever”. O estado de rebelião é alienação parente Deus. É uma espécie de loucura. 

“Quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão” (v. 20). Os pais, na maioria das vezes, cuidam mais dos filhos problemáticos do que dos filhos que “não dão trabalho”. Esse aspecto do amor muitas vezes irrita aqueles que não são objeto desse cuidado. Isso, também, reflete a atitude de Jesus para com os pecadores: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores”. [Marcos 2.17 NVI]

"A volta do Filho Pródigo"
Pintura de Rembrandt van Rijn
“E, correndo” (v. 20). Não era próprio a um homem velho correr. Correr era atitude de crianças. Mostrar as pernas era uma desonra ao homem judeu de certa idade. As extravagâncias do pai é o símbolo das extravagâncias que Deus pai concede pela Sua rica e infinita misericórdia. 

“Já não sou digno de ser chamado teu filho” (v. 21). O pródigo queria ser visto como um empregado. O filho mais velho queria ser reconhecido como um bom servo. O pai queria que ambos entendessem que o melhor seria ser filho. A graça é o resgate da identidade.

“Comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado” (v. 23, 24). A alegria da conversão é restaurada. 

“Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele” (v. 28). O filho mais velho mostra intolerância, mesquinhez e uma falta de compreensão da misericórdia. Ou seja, a atitude de qualquer religioso. Ele desonra o pai ao negar participação na festa. O religioso tem uma espiritualidade rasa, pois na primeira oportunidade interpreta as atitudes de misericórdia como injustiça e “insta” com Deus.

“Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos” (v. 29). O problema da religiosidade é achar que pode comprar Deus como “bom comportamento”. 

“Este teu filho” (v. 30). “Este teu irmão” (v. 32). O pai contrasta a aceitação dele com o filho moralista. É a própria conclusão que bate de frente com o espírito farisaico

Bibliografia consultada:


KELLER, Timothy. O Deus Pródigo. 1 ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2010. p 173. 

NOUWEN, Henri J. M. A Volta da Filho Pródigo: A história de um retorno para casa. 1 ed. São Paulo: Editora Paulinas, 1997. p 167. 

RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. 1 ed. São Paulo: Editora Planeta, 2007. p 179-187.

SNODGRASS, Klyne. Compreendendo Todas as Parábolas de Jesus. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. p 182- 218. 

VICENT, Marvin. Vincent: Estudo do Vocabulário Grego do Novo Testamento (Volume I). 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. p 316-322.

sábado, 21 de setembro de 2013

A paciência, a esperança e a vinda de Cristo

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Esboço do sermão pregado no culto matutino da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no bairro Monte Verde, São Paulo (SP).

Tiago 5.7 “Sede, pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor”.

A vinda de Cristo era objeto de espectativa, esperança e, até mesmo, de ansiedade entre muitos cristãos da primeira igreja. Vemos a vinda de Cristo da mesma forma? “Ser paciente” [gr. makrothumeó] é como ordenar a tolerância que sofre perseverante. É o estado de calma emocional que não sucumbe na murmuração diante do mal real. É um verdadeiro milagre operado por Deus no coração do homem caído em seus próprios pecados, preocupações e anseios.

01. A espectativa é mais do que simplesmente esperar. É desejar. É anelar. É amar a “vinda do Senhor”.

“Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda”. 2 Timóteo 4.8 [NVI]

Maravilhado, extasiado
Eu fico ao ouvir Teu nome
Jesus, Teu nome é Força
É fôlego de Vida
Misteriosa Água Viva
[Canção do Apocalipse, Revelation Song de Kari Jobe]

Extasiado é arrebatado, encantado, perplexo, é ficar cheio de admiração.

02. Esperança é a espectativa do melhor. Ninguém tem “esperança” sobre o pior.

“Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”. Tito 2:12-13 [NVI]

03. Esperança é uma virtude como o amor e a fé (1 Co 13.13). Porque a esperança é fruto da experiência, da paciência e das dificuldades. É fruto de uma maturidade.

“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. Romanos 5.3-5 [NVI]

04. Esperança é produzida a partir de um olhar para Cristo. É o lembrar a obra gloriosa do Senhor. É a memória viva. É como cantamos “Quero trazer à memória aquilo que me dá esperança”. É por isso que celebramos rituais como batismos e ceias, pois a memória sempre precisa ser vivificada.

“Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do fel. Minha alma, certamente, se lembra e se abate dentro de mim. Disso me recordarei no meu coração; por isso, tenho esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o SENHOR para os que se atêm a ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR.” Lamentações 3.19-26 [ARC].

“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha.” 1 Coríntios 11.26 [ARC]

Conclusão. Há uma ligação íntima entre esperança e a vinda de Cristo. Ora, o grande evento do encontro de Cristo com sua Igreja não é expectativa do terror e do medo. Não é o servir com pavor e na ansiedade pelo pior. A vinda do Senhor é o anelo do cristão tocado pelo Espírito Santo. É na espera paciente que o cristão encontra paz diante da adversidade presente.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Meu e-book: Reflexões sobre uma Teologia Pentecostal

Caros leitores,

Lancei o meu primeiro e-book. É uma copilação de textos revisados sobre temas tratados no blog Teologia Pentecostal. É possível comprar pelo site da AMAZON. Caso você não tenha um Kindle, é possível acessar livros da Amazon por aplicativos para smartphones, tablets e para PCs. Acesse aqui.


domingo, 15 de setembro de 2013

Arminianos militantes são tão chatos quanto calvinistas militantes!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Há poucos dias escrevi que uma bênção do arminianismo é a ausência de militância, mas isso, infelizmente, tem mudado. Hoje, para minha surpresa, descobri uma comunidade no Facebook chamada “Não ao calvinismo na CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus)”. Mil desculpas aos meus amigos internautas que curtiram aquela página, mas é muita bobagem para pouco espaço. É militância desprovida de razão.

1. Editora confessional não significa “confessionalismo” radical. Ora, não é porque a Assembleia de Deus seja uma igreja majoritariamente arminiana wesleyana que a mesma não possa publicar outras visões soteriológicas. Isso mais enriquece do que empobrece os leitores assembleianos.

Carson é exemplo de erudito calvinista
 moderado publicado pela CPAD. Que venha mais!
2. A maior parte dos livros de autores calvinistas publicados pela CPAD não tem como tema a soteriologia. O ótimo livro A Supremacia de Cristo em um Mundo Pós-Moderno, por exemplo, fala sobre a nossa relação com a cultura. Nele, por exemplo, lemos ótimos textos de Tim Keller, Mark Driscoll, John Piper, D. A. Carson etc. Não há calvinismo propriamente dito. Outro exemplo de teologia da cultura é da calvinista Nancy Pearcey em Verdade Absoluta. No maravilhoso livro A Difícil Doutrina do Amor de Deus, também publicado pelos assembleianos da Casa, o autor D. A. Carson critica o calvinismo em duas ocasiões.

3. É estranho uma editora pentecostal publicar John MacArthur Jr.? Sim, concordo que é meio bizarro publicar o mais conhecido antipentecostal dos Estados Unidos. Mas isso mostra uma virtude da CPAD: a tolerância. Será que a Editora Cultura Cristã, por exemplo, teria a mesma atitude? Isso é ponto positivo para a editora assembleiana. E, é claro, em nenhuma obra publicada pela Casa o autor fala sobre pentecostalismo propriamente dito. Eu também não gosto do MacArthur, mas isso não significa que ele seja totalmente desprezável.

4. Como a CPAD pode desprezar autores calvinistas se eles escrevem mais do que outros autores de confissões conservadoras? Cite pra mim, por favor, alguma obra de referência escrita por uma pentecostal brasileiro! Não há nenhuma. Mesmo os nossos melhores teólogos têm livros que lembram mais apostilas de seminário de férias. Somente quem escreve mais do que os calvinistas são os teólogos liberais. Logo, a CPAD não tem muita escolha. Nem ela e nem as batistas Vida Nova e Hagnos e  a interdenominacional Editora Vida.

5. Eu dou graças a Deus pela postura sem preconceitos da CPAD. Não sou calvinista, mas os autores calvinistas publicados pela Casa muito me ajudaram a compreender melhor a fé cristã. Sim, sou bastante feliz de ter livros da Casa com ótimos autores como J. I. Packer, John Piper, Nancy Pearcey, Charles Colson, D. A. Carson, Matthew Henry etc.

Portanto, caros arminianos, voltem ao tempo que a militância chata era algo apenas de calvinistas desmiolados.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

#Agenda Teológica. Muitas atividades para os amantes de teologia...

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Nos próximos dias haverá uma intensa agenda teológica na cidade de São Paulo. Aos amigos leitores desta cidade digo uma coisa: vamos aproveitar! E os eventos, em sua maioria, são gratuitos. 

Dia 09/09. Semana de Estudos Teológicos. Contribuições de C. S. Lewis à Teologia. Palestra: Metodologia Apologética de C. S. Lewis por Gabriela Greggersen. Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Às 19h30. Endereço: Rua Monte Alegre, 850. Perdizes. 

Dia 10/09. Semana de Estudos Teológicos. Contribuições de C. S. Lewis à Teologia. Palestra: C. S. Lewis hoje e sua importância para a pesquisa em Teologia. por Gabriela Greggersen. Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Às 19h30. Endereço: Rua Monte Alegre, 850. Perdizes. 

Dia 11/09. Semana de Estudos Teológicos. Contribuições de C. S. Lewis à Teologia. Palestra: C. S. Leis e a Teologia, Literatura, Educação e Imaginação por Gabriela Greggersen, Jonas Madureira e Cristiano Camilo. Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Às 19h30. Endereço: Rua Monte Alegre, 850. Perdizes. 

Dia 11/09. Quarta Teológica. Tema: Pentecostalismo e Criminalidade. Palestrante: Wagner Marques. ICEC- Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos. Endereço: Av. Eng. Alberto de Zagottis, 1000 – Jd. Marajoara. Horário: 20h00.

Dia 19/09. Conferência PUC-SP: O Diálogo de Religião e Ciência Hoje: Uma Introdução, com a Dra Ruth Bancewicz. Às 16h30 . No CAMPUS MONTE ALEGRE. Realização: Grupo de Pesquisa “Traços Religiosos na Atividade Científica Contemporânea” (Depto Ciências da Religião, Puc/SP)Raphael Uchoa (PUC-SP)


Dia 21/09. Conferência: O Diálogo de Religião e Ciência Hoje, com a Dr. Ruth Bancewicz, e Diálogos sobre ciência e fé e lançamento do Teste da Fé Brasil Das 9h às 11h na Faculdade Teológica Batista de São Paulo: Rua João Ramalho, 466, Bairro Perdizes.

Dia 21/09. Lançamento do Teste da Fé Brasil. Conferência e Mesa Redonda: “Beleza, Reverência e Indagação na Ciência e na Teologia Cristã”, com Dr. Ruth Bancewicz, Sandro Baggio (Steiger, 242) e Guilherme de Carvalho (L’Abri). Às 19h do sábado, no Projeto 242 (Rua da Glória 900). 

Dia 22/09. Conferência e Mesa Redonda: “Beleza, Reverência e Indagação na Ciência e na Teologia Cristã”, com Dr. Ruth Bancewicz. Reações com Prof. Luiz Sayão e Guilherme de Carvalho (L’Abri). A partir das 17h30 do domingo na Igreja Batista das Nações Unidas (IBNU). R. José Guerra, 130.

Dia 23/09. 4ª.Semana de Estudos Teológicos no Servo de Cristo. Tema: C.S.Lewis Puro e Simples. Seminário Teológico Servo de Cristo. Local: Rua Bartolomeu de Gusmão, n. 521, Vila Mariana. Horário: 19h30. Palestrante e tema: Guilherme de Carvalho – A apologética imaginativa de C. S. Lewis.

Dia 24/09. 4ª.Semana de Estudos Teológicos no Servo de Cristo. Tema: C.S.Lewis Puro e Simples. Seminário Teológico Servo de Cristo. Local: Rua Bartolomeu de Gusmão, n. 521, Vila Mariana. Horário: 19h30. Palestrante e tema: Aldo Menezes - Alister McGrath e a busca do C. S. Lewis histórico.

Dia 25/09. 4ª.Semana de Estudos Teológicos no Servo de Cristo. Tema: C.S.Lewis Puro e Simples. Seminário Teológico Servo de Cristo. Local: Rua Bartolomeu de Gusmão, n. 521, Vila Mariana. Horário: 19h30. Palestrante e tema: Cristiano Lopes – Da terra das sombras à terra dos sonhos: C. S. Lewis e o sagrado na literatura infanto-juvenil


Dia 26/09. 4ª.Semana de Estudos Teológicos no Servo de Cristo. Tema: C.S.Lewis Puro e Simples. Seminário Teológico Servo de Cristo. Local: Rua Bartolomeu de Gusmão, n. 521, Vila Mariana. Horário: 19h30. Palestrante e tema:  Jonas Madureira – A teologia e o sequestro da metáfora: C. S. Lewis como teólogo.

Dia 27/09. 4ª.Semana de Estudos Teológicos no Servo de Cristo. Tema: C.S.Lewis Puro e Simples. Seminário Teológico Servo de Cristo. Local: Rua Bartolomeu de Gusmão, n. 521, Vila Mariana. Horário: 19h30. Palestrante e tema:  Raphael Uchôa -’Ciência, natureza e poder: C.S. Lewis e a abolição do homem.

Dia 27/09. Encontro Apologético. Igreja Cristã da Trindade. Tema: Ovelhas sem Pastor. O fenômeno dos desigrejados. Preletor: Pr. Paulo Romeiro. Local: Avenida Jabaquara, 2461 (ao lado da Estação São Judas do Metrô). Horário: 19h30.

Dia 02/10. Refo500. A Espiritualidade da Reforma. Universidade Presbiteriana Mackenzie. Rua Itambé, 135. Auditório Ruy Barbosa - Prédio 19. Palestra e Palestrante: Conhecendo a Deus: A espiritualidade de João Calvino por Dr. Herman Selderhius. E palavra de Rev. Davi Charles Gomes. Horário: 19h00 até 21h00. 

Dia 03/10. Refo500. A Espiritualidade da Reforma. Universidade Presbiteriana Mackenzie. Rua Itambé, 135. Auditório Ruy Barbosa - Prédio 19. Palestra e Palestrante: A piedade da Reforma Inglesa: Puritanismo e Dissidentes. Por Dr. Carl Trueman e mesa redonda. Horário: 19h00 até 21h00.

Dia 04/10. Refo500. A Espiritualidade da Reforma. Universidade Presbiteriana Mackenzie. Rua Itambé, 135. Auditório Ruy Barbosa - Prédio 19. Palestra e Palestrante: Perseguindo a Espiritualidade. Por D. A. Carson. Horário: 19h00 até 20h15. Calvino na Vida Cristã. Por Michael Horton. Horário: 20h15 até 21h00. 

Dia 04/10. Congresso Steiger Brasil. Abertura e preleção de David Pierce. Igreja Missionária Oriental de São Paulo – Rua Mamoré, 71 Bom Retiro. Horário: 19h00.

Dia 05/10. Congresso Steiger Brasil. Abertura e preleção de David Pierce, Jonas Madureira, Russel Shedd, Sandro Baggio, Zé Bruno (Banda Resgate) e louvor com Adhemar de Campos. Igreja Missionária Oriental de São Paulo – Rua Mamoré, 71 Bom Retiro. Horário: 19h00.

PS: A cientista cristã Ruth Bancewicz também dará palestras em outras cidades (veja aqui http://ultimato.com.br/sites/testedafebrasil/agenda/).