segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"Não critiqueis o Marco Feliciano"

#Medo
Por Gutierres Fernandes Siqueira
Eu não sabia, mas Deus desceu do céu para nos dar o décimo primeiro mandamento: "Não critiqueis o Marco Feliciano"! Esse mandamento, se não for cabalmente cumprido, será punido por pragas piores do aquelas no Egito, ou seja, a praga da militância feliciana. É anátema quem ousa contestar o grande ungido de Deus, o messias da família tradicional e do conservadorismo moral. Aquele que nos salvará dos gays comunistas. Sob proteção dos orixás, é claro! Hosana!
Assim, apontar o caminhão de equívocos do Feliciano só poder ser coisa de um agente secreto da causa gayzista e da mídia secularista. E, por que não dizer, do próprio Satã. No mundo dualista não há campos em cinza.
Os apologistas do Marco Feliciano, assim como os defensores de outros descalabros, sempre criticam a crítica e dizem que devemos apenas orar. Oh, que gente piedosa. Estou comovido com tanta espiritualidade!  Onde está escrito isso nas Sagradas Escrituras? É verdade que devemos orar por todos os homens, bem que para alguns a Bíblia diz que a oração nem adianta (cf. I Jo 5.16), mas por acaso os profetas, os apóstolos e o próprio Cristo ficaram constrangidos para não analisar- especialmente-  aqueles se dizem ministros do Evangelho? E por que os críticos da minha crítica não aplicam a própria receita e simplesmente intercedem por mim? Por que me criticam se são contra a crítica? A lógica já morreu?
Falam em um grande trabalho na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados. Como assim? Talvez seja a negociata com o governo central para assumir um posto em troca de apoio ao desgoverno Dilma Rousseff. Parabéns aos moralistas da família que sustentam o partido defensor, em seu programa e prática, de uma avançada liberalização dos costumes. Sim, os deputados da base de apoio da presidente são fantásticos, pois defendem uma bandeira moral e esquecem da ética no balcão de negócios dos partidos com o governo. Já esqueceram a Máfia das Sanguessugas há uma década? E envolvidos na contratação de pastores como assessores parlamentares que nunca batiam ponto em Brasília? Ah, mas é legal! Sim, é moral?
A minha crítica é superficial para outros. Isso é verdade, pois não é necessário uma tese de doutorado para rebater os pensamentos bizarros do Marco Feliciano.  Basta um tweet ou talvez um breve post no Facebook.  Ele é a própria encarnação do conservador caricato e envolvido em política. É o nosso Pat Robertson. É o teólogo com diploma de mestrado por correspondência! Onde já se viu? Aquele que critica a tradução de João Ferreira de Almeida porque era “um padre [ele nunca foi padre] que traduziu a Bíblia a partir do inglês” [outra bobagem facilmente rebatida até por leitores da Wikipédia] ou ainda aquele para quem Deus o deve por seus méritos, pois "quem aqui ora é o Marco Feliciano". E o Quico? Há quem deseje a presidência do país para o mesmo. Que o Senhor tenha misericórdia.
Outros dizem que o Feliciano representa a Igreja Evangélica Brasileira. Quem deu a ele a procuração?  Por acaso a própria natureza do protestantismo não demanda uma quebra de qualquer hierarquia centralizada?  Bom, para quem sempre se julga grande e se adjetiva como aquele a quem Deus deve respostas, não é difícil imaginar que o mesmo realmente ache que represente uma classe tão heterogênea. É verdade que ele representa parte da Igreja Evangélica, especialmente aquela que falta na Escola Dominical.

Bom, quando escrevi que os evangélicos perderam o senso do ridículo, não sabia que os comentários do post seriam a comprovação da tese.

domingo, 24 de novembro de 2013

Muitos evangélicos perderam o “senso do ridículo”!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Caso 01. Composições em homenagens aos pastores. Você sabia que há igrejas evangélicas compondo músicas em homenagem aos seus pastores? Sim, realmente isso existe. Segundo eles “nós devemos honrar nossos líderes”, ou seja, não sabem a diferença entre honra, bajulação e idolatria. Em algumas rádios evangélicas o pastor-locutor tem um jingle para si. É a velha “mania de grandeza”, a megalomania. É bajulação pura e simples. É idolatria rasteira. É seguir uma liderança cegamente. É falto de “senso do ridículo”.

O Marco (In)Feliciano é o símbolo
dessa falta de bom senso!
Caso 02. Marco Feliciano e suas infelicidades. A última polêmica do Marco Feliciano foi relevar que está sob a proteção dos orixás. Ele fez uma meia culpa, mas o vídeo é claro. Marco Feliciano ficou famoso no Brasil inteiro por causa de suas bobagens. Quem é do meio assembleiano conhece esse sujeito há um bom tempo e sabe que a baboseira é a marca do Infeliciano. É claro nas pregações dele que o mesmo NADA conhece de interpretação bíblica. É impressionante a ignorância misturada com retórica fluída. Não há como não sentir vergonha alheia ao ouvir o Marco Feliciano. E o pior: ele se acha representante dos evangélicos.

sábado, 16 de novembro de 2013

A falsa dicotomia entre "doutrina correta" e "prática correta"!

"Conversão de S. Paulo"
Quadro de Caravaggio em 1600
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Vivemos em uma época onde os defensores da "sã doutrina" parecem desligados da justiça e distantes dos oprimidos. E, da mesma forma, os ditos defensores da justiça e do oprimido parecem distantes da "sã doutrina". Bom, é a velha e falsa dicotomia ortodoxia (doutrina reta) versus ortopraxia (conduta reta). Parece que o amor e a verdade são dois universos incompatíveis.

É “polêmica velha” porque sempre os defensores do “Evangelho Social” renegaram algumas verdades fundamentais do cristianismo em nome do “amor ao próximo”. E, depois do advento da pós-modernidade ou hipermodernidade, qualquer proclamação de verdade é associada à intolerância. Os “evangelistas do social” ligam qualquer revindicação da verdade com uma incompatibilidade em ajudar o próximo e amá-lo verdadeiramente. E, também, é uma polêmica falsa porque não é possível falar em amor desassociado de verdade. Jesus era ao mesmo tempo preocupado com a narrativa correta (“Quem dizem os homens que eu sou?”) e com a prática elevada (“Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos”). Sim, em Jesus Cristo não havia essa dicotomia. Com Ele era a verdade e o amor ao mesmo tempo.

Hans Urs von Balthasar escreveu magistralmente sobre essa relação:

"Não se pode contemplar o Senhor presente, como um mero objeto ou ideia, mas só como Aquele que é o dom do Pai para nós e por isso nos dirige uma interpelação. De fato toda a Graça inclui a exigência de corresponder a ela; cada contemplação (teoria) já contém em si o momento da conversão (práxis). Por isso não existe na meditação nenhum limite nítido entre os atos da inteligência e os da vontade. Paulo, dominado pela visão do Senhor e atirado por terra, só tem uma resposta: 'Senhor, o que queres que eu faça?' (At 9.6). Não que o olhar do contemplante deva primeiro desviar-se do olhar de Jesus, para aplicar em si as considerações morais; mas na contemplação mesma, e para ver e compreender melhor e mais profundamente, é preciso empreender também e sempre, uma mudança da própria conduta. Mudança essa que não procede do meu olhar para dentro de mim mesmo ou ainda, do meu olhar para Jesus, mas do Seu olhar para mim, que 'é um juiz dos pensamentos e sentimentos do coração...Tudo se apresenta nu e patente aos olhos Daquele a quem devemos prestar contas um dia' (Hb 4.12)." [1]

Portanto, não queira criar dicotomias. Amor e Verdade não são rivais, pois são virtudes do próprio Deus. Ninguém é dono da verdade, mas isso não significa relatividade ou a não existência da mesma. Os incontestáveis e os relativistas são distorções e parasitas de dois valores universais. O amor torna o homem semelhante a Deus, mas não necessariamente produz acesso a Ele. O escritor C. S. Lewis dizia: “Nenhum riqueza, de qualquer espécie, é passaporte para o Reino dos Céus” [2], nem mesmo a riqueza do amor advinda da Imago Dei, que está em todos os humanos. Um homem por ser a imagem e semelhança de Deus pode ser exemplo de altruísmo, mesmo não conhecendo o Altíssimo. Uma pessoa que ama pode até parecer com Deus, mas não estar próximo a Ele. Isso é possível. Assim como é possível defender a verdade, desprovido da própria Verdade, que é a pessoa de Jesus. Mas, tudo isso, são apenas reflexos de uma imagem distorcida lá no Éden.

Referências:

[1] BALTHASAR, Hans Urs von. Meditar como Cristãos. 1 ed. Aparecida: Editora Santuário, 2004. p 41,42.

[2] LEWIS, C. S. Os Quatro Amores. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009. p 8.

domingo, 10 de novembro de 2013

O cessacionismo é deísta, portanto, mundano!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Há muitos anos li um texto de R.C. Sproul que era uma apologia do cessacionismo [1]. A argumentação central de Sproul era que Deus não realiza eventos extraordinários em nossos dias porque nos deu leis, inclusive leis naturais. Por que Deus ignoraria suas próprias leis? Questionava o teólogo reformado! Bem, na hora que li aquilo pensei que estava diante de um deísta, e não de um teísta. E aí passei a observar como muitos teólogos cessacionistas usam argumentos deístas. O deísta acredita em Deus, mas ao mesmo tempo afirma que Deus não intervém, pois já entregou ao mundo as leis naturais e físicas. Bom, qualquer semelhança não é mera coincidência. 

Mark Driscoll, pastor de linha reformada como R. C. Sproul, mostra nesse ótimo vídeo a conexão entre o deísmo filosófico e o cessacionismo teológico. Por isso, Driscoll provoca: o cessacionismo é mundanismo. Assista abaixo:




[1] Perdoem a minha falha memória, mas não lembro exatamente a fonte. Só consigo me recordar que era da Editora Cultura Cristã.

domingo, 3 de novembro de 2013

Você é um evangélico panteísta do B?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Galinha do mal. #Medo!
Galinha Pintadinha é do diabo. A brincadeira da girafa no Facebook é pacto satânico. O Rei Leão faz uma dança de incentivo à homossexualidade. O castelo da pequena Sereia é a representação do órgão sexual masculino e quer incentivar crianças à sexualidade. O maionese Hellmanns significa "homem do inferno". Há uma articulação escondida da Nova Ordem Mundial atrás da mídia, da maçonaria e da ONU para destruir a família cristã. O Obama ou o papa Francisco são as bestas do Apocalipse etc. e tal. 

Bom, tudo isso você já ouviu de alguns evangélicos. Essa cosmovisão é o panteísmo do B, pois vê o diabo como um deus que está em tudo. E pior: atribui a esse deus um poder inclusive de pactuação involuntária. Um deus arbitrário e todo-poderoso, capaz de romper a própria liberdade humana. Não seria exagero dizer que para alguns evangélicos o diabo é tão poderoso quanto Deus, ou até mais. É uma mistura de panteísmo com maniqueísmo. 

Isso não é cristianismo. É paganismo. Portanto, fuja dessa mentalidade doente. E estou com um sentimento de "vergonha alheia" ao saber que é um assembleiano o divulgador do suposto "pacto oculto com satã mediante a brincadeira da girafa". É muita ignorância para pouco espaço. O panteísmo do B esquece que "do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam" [Salmos 24.1]. 

E para encerrar não custa lembrar a velha e conhecida observação de C. S. Lewis:

Há dois erros idênticos e opostos nos quais nossa espécie pode cair acerca dos demônios. Um é não acreditar em sua existência. O outro é acreditar e nutrir um interesse excessivo e doentio neles. Os próprios diabos ficam igualmente satisfeitos com ambos os erros e saúdam o materialista ou o mágico com o mesmo deleite. [LEWIS, C. S. Cartas de um diabo a seu aprendiz. 1 ed. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2009. p 4.]



Leia mais:

Pacto Involutário? por Norma Braga

Aos galinhopintadinhólogos de platão! por Ciro Sanches Zibordi

O fascínio pelas mensagens subliminares! por Gutierres Siqueira


sábado, 2 de novembro de 2013

Onde estão os seus evangelistas entre os pagãos? Uma provocação de Vinson Synan aos cessacionistas!

Por Vinson Synan

John MacArthur, o calvinista , o fundamentalista, o pregador cessacionista da Califórnia fez isso de novo. Com seu mais recente ataque contra os pentecostais e carismáticos, no Strange Fire, MacArthur, como Dom Quixote contra os moinhos de vento, continua sua busca desesperada para pôr fim ao grupo mais enérgico e de rápido crescimento entre os cristãos no planeta. MacArthur nunca desiste. Este é seu terceiro livro sobre o assunto, e talvez, seja o último.

Seu primeiro ataque foi em The Charismatics: A Doctrinal Perspective [Os Carismáticos: Uma Perspectiva Doutrinária] que foi publicado em 1978. Sua segunda investida veio em um livro similar intitulado Charismatic Chaos [O Caos Carismático], que foi publicado em 1993. Este último Strange Fire, publicado no final de 2013, é uma continuação dos dois primeiros com os mesmos argumentos velhos, surrados e retocados para uma nova geração de leitores. Em todos os três livros ele destaca os piores e casos extremos que conseguiu encontrar e tenta marcar todos os cristãos carismáticos como fanáticos que oferecem "fogo estranho" em sua teologia e estilos de adoração. Se usasse as mesmas observações [sobre os fanáticos] do seu próprio movimento presbiteriano, também, estaria sujeito à mesma crítica, pois sempre houve extremos em todos os movimentos religiosos, incluindo os seus companheiros calvinistas. Talvez seja válido lembrar que muitas das práticas contestadas entre os carismáticos ocorreram em sua própria tradição calvinista. Há testemunhos de gritos e pessoas caídas sob a pregação do puritano calvinista Jonathan Edwards na Nova Inglaterra e, também, latidos, ruídos e “caídos” no Avivamento de Cane Ridge em Kentucky entre os presbiterianos. Talvez MacArthur precisa oferecer as mesmas correções para a sua própria tradição.

Os pentecostais mais sérios vão reconhecer que tem havido alguns extremos ao longo dos anos. Mas eles sempre vieram ao abrigo do discernimento e foram corrigidos no decorrer do tempo. Mas, ao julgar e condenar centenas de milhões de cristãos sólidos que amam Jesus de todo o coração e que estão evangelizando o mundo em uma escala nunca antes vista, vemos aí a essência do preconceito cego. Afinal, Satanás nunca foi conhecido por fazer amantes de Jesus. Além disso, os próprios dons espirituais que MacArthur condena, em sua maioria, são os mesmos que impulsionaram o enorme crescimento das igrejas pentecostais e carismáticas de todo o mundo. Os milagres de línguas estranhas e interpretações, além do exorcismo de demônios e da cura divina, tem convencido centenas de milhões de pagãos que Jesus Cristo é o Senhor. Estima-se que mais de 80% das conversões do paganismo para o cristianismo são creditados aos ministérios pentecostais e carismáticos. Alguém poderia perguntar sobre os registros de evangelização mundial dos seus próprios colegas fundamentalistas em comparação com os pentecostais.

MacArthur é um dos poucos hipercessacionistas ainda em pé. Olhando para trás, há uma longa lista de ataques semelhantes que têm sido feitos ao longo dos anos por fundamentalistas e igrejas clássicas da Santidade que rejeitaram o falar em línguas depois da Avivamento da Rua Azusa entre 1906-1909. Um dos piores ataques veio do livro Demons and Tongues (Demônios e Línguas) de Alma White publicado em 1910. Apesar dessas colocações, o Movimento Pentecostal continuou a crescer exponencialmente em todo o mundo. Com o advento do Movimento Carismático depois de 1960, uma nova geração de críticos surgiram, incluindo MacArthur. Mas cada vez mais, são vozes solitárias em seu próprio deserto fundamentalista, largamente ignorados pelos líderes estupeficados no resto da cristandade.

Quando MacArthur publicou seu primeiro ataque, The Charismatics em 1978, já havia cerca de 100 milhões pentecostais e carismáticos no mundo. Até o momento que ele apresentou o seu segundo ataque, Charismatic Chaos em Tulsa, Oklahoma, em 1993, o número havia crescido para 450 milhões. E agora, com a publicação de seu terceiro ataque, Strange Fire, o número chegou a nada menos do que 628 milhões. Tudo o que posso dizer é que, quanto mais MacArthur nos ataca, mais nós crescemos.

Escrever outro livro John.

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Vinson Synan é professor emérito em História da Igreja na Regente University School of Divinity. Synan possui mestrado e doutorado em educação pela Universidade da Geórgia.

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[O texto é uma tradução do John MacArthur Strikes Again with Strange Fire escrito pelo historiador Vinson Synan no blog da Regente University School of Divinity. O artigo é uma provocação, pois não procura argumentos teológicos para rebater as ideias de MacArthur. Isso pode ser lido em outros textos, especialmente em inglês. E como provocação levanta algumas questões práticas sobre a própria espiritualidade cessacionista: Onde estão os seus evangelistas entre aqueles que não conhecem a Cristo? Eis uma pergunta instigante e que não pode ser desprezada.]

Leia Mais:

John MacArthur e os Pentecostais de J. Lee Grady (em inglês) (em português).

Strange Fire – A Charismatic Response to John MacArthur de Adrian Warnock (em inglês).

As Sandices de John MacArthur de Silas Daniel (em português).

O Fogo Estranho de John MacArthur por Victor Leonardo Barbosa e Gutierres Siqueira (em português).

See You In Seattle, pastor John MacArthur? por Mark Driscoll (em inglês).