segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A difícil vida de um blogueiro pentecostal

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Este blog é de linha pentecostal. Isso é meio óbvio, mas é necessário reafirmar. O Blog Teologia Pentecostal, na pessoa de seu autor, concorda com a pneumatologia pentecostal clássica expressa por grandes pensadores carismáticos como Stanley Horton, Donald Gee, Antonio Gilberto, J. Rodman Williams, Myer Pearlman, Anthony D. Palma, William Menzies, Roger Stronstad etc [1]. O blog abraça a Confissão de Fé assembleiana na questão do Batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais, portanto, é pentecostal em essência.

Agora, o autor deste blog não tem nenhum compromisso em manter e alimentar a teologia popular dos púlpitos. Essa mesma teologia que, algumas vezes, é sacralizada e tida como oficial. O compromisso é, em primeiro lugar, com as Sagradas Escrituras, e em segundo lugar, com a fé pentecostal clássica. Portanto, este blog sempre será crítico de um pentecostalismo deturpado pelo tempo e pelos pregadores populares. Essa crítica ao pentecostalismo não é, de forma alguma, aderência à fé protestante dita tradicional e divergente dos pentecostais. O pentecostalismo precisa adquirir a maturidade suficiente de abraçar e incentivar críticas internas para o crescimento e amadurecimento do próprio Movimento Pentecostal. Não é sábio e nem desejável um comportamento corporativista.


Não é raro perguntarem se eu sou realmente um assembleiano. Sim, sou e reafirmo a minha crença nas bases carismáticas advindas da Rua Azuza. Falo isso, pois muitos assembleianos desconhecendo sua própria teologia se escandalizam com a reafirmação dela. É uma situação meio bizarra. Eu recebo broncas de assembleianos por afirmar a própria teologia da denominação. É uma volta às origens que é tida como uma grave inovação.

Muitos fiscais do pentecostalismo são desconhecedores da própria doutrina pentecostal, pois continuam presos em clichês e modinhas advindas de pregadores populares. Dificilmente tiveram contato com a moderação de um Donald Gee, por exemplo, que ainda no começo do século XX condenava um pentecostalismo místico, barulhento e sem substância. Querem medir o grau de pentecostalidade de alguém na base de crendices já rechaçadas pelos pioneiros da teologia pentecostal.

O pentecostalismo, diferente do calvinismo ou mesmo do luteranismo, não é um sistema doutrinário enlaçado que abrange todos os aspectos de uma Teologia Sistemática. É, e continua sendo, uma doutrina pneumatológica - e apenas isso. Portanto, ser pentecostal independe da soteriologia, eclesiologia, antropologia ou mesmo da escatologia de algúem [2]. O compromisso formal do pentecostal é com a pneumatologia. É na Doutrina do Espírito Santo que alguém mostra alguma diferença para receber tal classificação.

Portanto, cabe aos “fiscais da pureza pentecostal” estudar um pouco mais a história e a doutrina do pentecostalismo.

Nota:

[1] Apesar de discordar, algumas vezes, em outras matérias teológicas com esses mesmos autores, especialmente em escatologia.

[2] Ainda que os pentecostais, especialmente agrupados em grandes denominações como Assembleias de Deus (Brasil e EUA), Igreja O Brasil para Cristo, Igreja do Evangelho Quadrangular (EUA e Brasil) e Igreja Deus em Cristo (EUA) mantêm alguma uniformidade nessas doutrinas. Por exemplo, a maioria dos pentecostais são pré-tribulacionistas dispensacionalistas. Mas a fé pentecostal não depende desse sistema escatológico.

4 comentários:

Fernanda Rodrigues✞ disse...

"Muitos fiscais do pentecostalismo são desconhecedores da própria doutrina pentecostal"
#truestory

PB. João Eduardo Silva disse...

Saudações em Cristo!, concordo com vc, apenas queria acrescentar que infelizmente muitos pentecostais, não gostam de estudar, ler, pesquisar, enfim, saber a doutrina que professam. Por isso vc recebe tantas critícas, a verdade é que a maioria dos pentecostais tem preguiça de estudar e por isso falam tantas bobagens, e frases sem fundamentação bíblica.

Abraços no amor de Cristo - Pb. João Eduardo Silva - AD Min. Belém - SP.

Erick Lima disse...

Por isso que prefiro o termo continuísta ao termo pentecostal. Resolve uma série de problemas. Outro público.
#hint

Anônimo disse...

Sempre me pergunto o que é a "teologia pentecostal" ou "doutrina pentecostal"?
Se aceitamos que todo aquele que crê no revestimento distinto do Espírito Santo
é um cristão pentecostal, ainda ficam diversas questões teologicas em aberto
(escatologia, soteriologia, eclesiologia).
Temos então o pentecostal arminiano, o pentecostal calvinista ou o pentecostal liberal,
mas todos são pentecostais pela experiencia distina do batismo com o Espírito Santo.
Agora se "doutrina pentecostal"=confissão de fé assembleia de Deus Brasil,
podemos de fato fazer a distinção teologica do movimento de outros.
Porém não acho que assim seja, portanto, ser pentecostal é crer e experimentar o Espírito Santo,
o batismo com o Espirito Santo, e esta experiencia é impactante, principalmente na questão da evangelização
com sinais, milagres etc. Sem sinais a evangelização não é pentecostal, mas é igualmente poderosa
quando vidas são alcançadas e transformadas. Vd. o grande Billy Graham, um não pentecostal,
é o evangelista mais conceituado, sem ter feito uma cura).
Termino dizendo, pentecostalismo é mais uma forma de Deus operar através de Sua igreja neste mundo.
E tem principalmente a ver com missões e evangelização.
Podemos criticar os diversos desdobramentos desde a Rua Azusa, mas não poderemos negar que a
história da evangelização e das missões, graças ao Pentecostalismo, é outra (vd Asia, Africa, America LAtina....).
O seculo XX foi o seculo do pentecostalismo. Portanto é uma verdadeiro avivamento.
Um abraço fraternal, Matias