quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O baixo nível do debate teológico

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Não faz muitos dias li no perfil de um famoso teólogo que flerta constantemente com a Teologia Liberal, e esse é um dado objetivo e não mera especulação, que ele nunca havia adjetivado o outro - isso mesmo, esse pastor usou a palavra “nunca”. Bom, na hora lembrei das inúmeras postagens e artigos escritos por ele onde a tônica sempre é a mesma: “a Igreja Evangélica Brasileira é fundamentalista, retrógrada e perigosamente obscurantista”. Em um livro, esse teólogo chega a especular que há poucas traduções de “comentários bíblicos” no Brasil porque haveria um interesse “oculto dos grandes e poderosos” em manter a ignorância do povo evangélico. Bom, na hora quase caí da cadeira ao ler tamanha bobagem de um erudito metido a conspiracionista. 

Bom, o nível do debate teológico no Brasil reflete o clima belicoso que vive o país. A "conversa" no Brasil resume tudo como uma "luta de classes". É o "nós" contra "eles". O rico contra o pobre. O heterossexual contra o homossexual. Palmeirenses contra corintianos. Os tucanos contra os petistas. Sudeste contra nordeste. Fãs de música clássica contra fãs da Anitta. Classe média contra rolezinhos da periferia. Higienópolis contra Itaquera etc. Ou seja, tudo é “opressor” versus “oprimido”. É como alguém escreveu no Facebook: poderíamos publicar uma obra póstuma do historiador britânico Eric Hobsbawm: “A Era do Mimimi”. Hoje, todo mundo é vítima de alguma coisa, inclusive dos fundamentalistas.

Qualquer manifestação de pensamento conservador, mesmo o mais embasado, erudito e bem argumentado é simplesmente carimbado como “fundamentalista”. Quando não: ignorante, obscurantista, nova Idade Média, amigos do Feliciano, retrógrados, opressores etc. O mais irônico é que, até hoje, eu fui bloqueado apenas uma vez em redes sociais. E o bloqueador era um pastor "relacional" e falava constantemente em tolerância, amor, coletivismo, renúncia pelo outro etc. e tal. Mas, por favor, não me pergunte o nome.

Alguns leitores estranham porque acho uma ofensa a adjetivação “fundamentalista”. É simples. Já foi a época onde “fundamentalista” era sinônimo de “aquele que professa os fundamentos do cristianismo”. Nesse sentido, sim, eu sou fundamentalista. Só que hoje em dia quase ninguém usa esse adjetivo como nos primeiros anos do século 20. Fundamentalista é, para a atual geração, uma pessoa que resiste a qualquer mudança sem nenhuma reflexão e se opõe de forma violenta e autoritária. É o próprio retrato da Al Qaeda. Ora, desde quando ser chamado de um Bin Laden “cristão’ pode ser considerado normal?

Portanto, voltando ao pastor que “nunca” adjetivou ninguém no debate teológico, segundo o próprio, como o mesmo explica essa sanha em desenhar a Igreja Brasileira como um grande amaranhado de fundamentalistas? Se isso não é adjetivação, então...

4 comentários:

Erick Lima disse...

Esse pastor que flerta com a teologia liberal, só pode ser o Ed René Kvitz

Matheus Henrique Santos Fernandes disse...

Tá falando do Ed, do Elienai Jr. ou do Gondim?
Paz do Senhor !

Gutierres Siqueira disse...

Caros,

Como no texto não cito, logo não citarei nos comentários,hehe. Mas não é nenhum deles.

Ricardo Rocha Lima da Silva disse...

Concordo plenamente com o Gutierrez a respeito do bom mocismo hipócrita de certos tipos modernosos de líderes evangélicos da atualidade.

Contudo, penso que estejamos num momento em que não devemos também ser bom moços no mal sentido do termo. Assim, penso eu, é necessário que se de nome aos bois. E isso não é nenhum tipo de declaração de guerra mas sim somente a demonstração de que se procura um debate sério.

Isso sempre foi feito. Socrate, Platão e Aristóteles nunca se incomodaram em nomear aqueles de quem discordava. O próprio Cristo sempre disse que os fariseus, e não um grupo judaico genérico, é que eram hipócritas.

Respeito sua atitude, Gutierrez, mas penso que você prestaria um serviço ainda melhor a igreja se nomeasse diretamente àqueles que supostamente fazem um desserviço a igreja.