sábado, 14 de junho de 2014

Por que as Assembleias de Deus possuem presbíteros que não são Ministros do Evangelho?

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Bispo, Presbítero ou Pastor? Infelizmente, a denominação que faço parte- as Assembleias de Deus- decidiu em antiga convenção um conceito completamente equivocado sobre a definição neotestamentária dos ministérios de bispo, presbítero, pastor e ancião. Em 1937, a Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), numa interpretação espúria de 1 Pe 5.1, At 20.28 e 1 Tm 5.17, concluiu que o presbitério não é equivalente ao episcopado (pastores, bispos e anciãos). Assim, hoje nas Assembleias de Deus existe uma hierarquia onde o presbítero é apenas um auxiliar do bispo (o pastor, nesse caso) e o evangelista ganhou a indicação de Ministro do Evangelho- algo sem nenhuma base bíblica. Infelizmente, a  partir de 1937 a Assembleia de Deus enterrou o seu congregacionalismo. É consenso entre os especialistas do Novo Testamento que “bispo” é um equivalente a “presbítero” ou “ancião”. Portanto, é um erro hierarquizar o presbitério como se esse fosse um trampolim para o ministério pastoral.


A denominação nasceu como uma "Assembleia" de congregações e não no personalismo de um líder maior!


Ancião. Nas sociedades antigas havia uma classe de homens mais velhos e sábios que exerciam liderança numa comunidade. Os hebreus chamavam os “anciãos” de zaqen, ou seja, termo que significa "aquele que tem barba" e, assim, denotavam o peso da experiência no processo da liderança. Os gregos chamavam esses homens de gerontes, os romanos de senatus, os espartanos de presbys e os árabes de sheikh. É importante observar que, mesmo no hoje na Igreja Cristã, o valor da experiência é essencial na condução equilibrada do povo de Deus. O voluntarismo, a empolgação momentânea e o espírito revolucionário nem sempre indicam o caminho para o progresso da Igreja. Portanto, nada mais conservador do que observar o peso da barba na condução de uma comunidade. O pastor precisa incorporar as qualidades de um ancião: moderação, experiência, equilíbrio, senso de realismo e capacidade de aconselhamento sem paternalismo.

Eleição na Congregação. Eleição denota escolha. E escolha da e na congregação era um padrão no Novo Testamento para estabelecimento da liderança. Lemos em 2 Coríntios 8.16-19:


Agradeço a Deus, que pôs no coração de Tito o mesmo cuidado que tenho por vocês, pois Tito não apenas aceitou o nosso pedido, mas está indo até vocês, com muito entusiasmo e por iniciativa própria. Com ele estamos enviando o irmão que é recomendado por todas as igrejas por seu serviço no evangelho. Não só por isso, mas ele também foi escolhido [gr. χειροτονέω ou transliterado cheirotoneó]  pelas igrejas para nos acompanhar quando formos ministrar esta doação, o que fazemos para honrar o próprio Senhor e mostrar a nossa disposição. [grifo meu]


É claro no texto a soberania da congregação sobre a escolha do ministro. A palavra grega χειροτονέω (cheirotoneó) significa literalmente “esticar as mãos” e denota o exercício do voto popular pela expressão de concordância com os braços levantados. Não há espaço para coronéis e líderes que mandam e desmandam conforme seu bel-prazer. Infelizmente, só podemos lamentar a perda das nossas raízes congregacionais para um modelo onde a figura do “pastor-presidente” incorpora o figurino de um CEO centralizador. Em Atos 6.3 o colegiado apostólico ordenou à congregação a “escolha”  de homens capazes do serviço diaconal. Portanto, nada mais distante dos ensinos do Novo Testamento uma igreja cuja soberania está apenas na pessoa do pastor-presidente ou bispo-mor, ou seja, biblicamente é a congregação quem legitima o ministro e não o contrário.

Sem mais!

2 comentários:

JOL JOLE disse...

Infelizmente fizeram isso, e, agora, o poder é centralizador demais.

Samuel Oliveira Silva disse...

Realmente!!!! Será que que não se utilizaram do texto de Mt 18-18;19?