domingo, 17 de agosto de 2014

Assembly of God, 100 anos

Por Gutierres Fernandes Siqueira

No último final de semana a Assembleia de Deus nos Estados Unidos (AG) comemorou cem anos e o Concílio Geral promoveu uma grande festa na cidade de Springfield (MO, Estados Unidos), a sede mundial dos assembleianos. O Rev. George Wood, presidente da organização, celebrou a grandeza da denominação e chegou a destacar que havia mais Assembleias de Deus pelo mundo do que lojas do McDonald's, uma analogia que no Brasil é apenas trocada pelos pontos de venda da Coca-Cola. Coreanos do sul, indianos, africanos e brasileiros com outras diversas nacionalidades fizeram parte da programação.

A AG não começou em 1911 como muitos pensam. A denominação com essa nomenclatura nasceu apenas em 1914 no acampamento de Hot Springs, Arkansas, como uma reunião formal de uma série de igrejas pentecostais independentes. Em seu bojo era uma formalização de igrejas congregacionais.  Havia, infelizmente, um forte componente de divisão racial, pois a AG nasceu como uma versão branca dos pentecostais americanos.

Bom, o que quero comentar neste post é sobre a festa em si e as diferenças que um simples evento pode transparecer sobre a coirmã brasileira.  Você também pode acompanhar os vídeos e reportagens das comemorações pelo site: 100.ag.org.

1) A festa foi bem organizada. Havia o momento certo para entrada de pastores e cantores, assim como havia um controle do tempo e das imagens no telão em sincronia com as falas. Isso me chama atenção porque o assembleianismo brasileiro não tem a cultura de organização. A maioria das nossas festas e eventos ainda são feitos na base do improviso. Não é incomum o dirigente de um culto não saber exatamente quem vai ou não cantar naquele momento, além disso, não há um planejamento se os diversos participantes não serão excessivos para o tempo disponível naquele culto.
2. Não há personalismo. Sabe aquelas placas em homenagens aos pastores-presidentes e aos convidados ilustres? Sabe aquela bajulação dos convidados pelo pastor anfitrião? Bom, não espere essa bobeira na festa americana.

3. Hinos bem escolhidos. De clássicos aos hinos contemporâneos você não vai ouvir aquele estilo triunfalista que tanta marca as nossas festas.

4. Legalismo não é a palavra de ordem, mas sim a contextualização. Por aqui, a contextualização anda algumas vezes um tanto desorganizada e o legalismo ainda impera.

5. Houve uma bela apresentação sobre direitos humanos. Aqui, quando se fala em política e sociedade, logo só se fala em eleições. É a nossa velha mania nacional de resumir a vida pública ao Estado.

Bom, de maneira geral a AG deveria ser um exemplo para a Assembleia de Deus brasileira. Não falo de cópia automática, mas sim sobre um perfil de uma denominação que conseguiu se desenvolver e superar muitos vícios comuns na nossa terra.

4 comentários:

Cleber disse...

"A AG não começou em 1911 como muitos pensam. A denominação com essa nomenclatura nasceu apenas em 1914 no acampamento de Hot Springs, Arkansas, como uma reunião formal de uma série de igrejas pentecostais independentes."

Mano, eram igrejas independentes ou ligadas à Igreja de Cristo?

Anônimo disse...

Eu sempre pensei que se a AD no Brasil fosse igual é nos USA eu seria Assembleiano.

Marcos Fialho disse...

Legalismo??? Eu não entendi o que você quis dizer com isso. Pois vivi no EUA 12 anos e não vi legalismo. Por favor me explica o seu ponto de vista.

Marcio Araujo Barboza disse...

Mas em termos de evangelismo as ADs conseguiram um resultado pelo menos quatro vezes maior do que as AGs, mas se essa contextualização for feita ao custo dos costumes assembleianos podemos ter fuga de membros, o ideal é mantermos os costumes, organizar melhor o culto e avançar no ensino teológico.

Devemos reformular alguns costumes e eliminar outros, a exemplo disso temos a harpa, ela se bem usada pode facilitar o louvor principalmente em novas igrejas que ainda não tem condições de montar uma banda, porém muitos hinos são desconhecidos, lançar CDs com esses hinos seria uma boa ideia, certa vez comprei um CD desses mas alguns hinos foram gravados há tanto tempo que soam estranhos aos nossos ouvidos (incluindo hinos famosos) uma nova gravação seria muito bom. Outro exemplo é o das roupas, as irmãs não precisaram abolir a saia nem o cabelo comprido, mas apenas começaram a usá-las de maneira elegante e estão muito bonitas. Porém quanto aquelas cadeiras como símbolo de hierarquia da igreja deve ser abolido.

No que toca a organização do culto, as famosas "oportunidades" devem ser mantidas pois dá mais espaço para a igreja e ajuda a preparar irmãos, porém o ideal é que haja uma lista e que os irmãos sejam avisados com antecedência e instruídos quanto a questão de tempo, na minha igreja houve um caso recente em que um 'pastor itinerante" levou tanto tempo com a pregação que tiveram que cancelar a santa ceia.

Já no ensino teológico o ideal é que os nossos seminários estejam preparados para formarem mestres e que sejam abertos polos em todas as cidades em que as ADs tenham uma presença significativa, isso ajudará muito, recentemente na escola dominical eu tive problemas em convencer um irmão que insistia que a igreja deve ser hierarquizada isso mostra que nós devemos avançar e muito no ensino.