domingo, 12 de outubro de 2014

A confissão pública de pecados: mais uma influência do catolicismo sobre a prática assembleiana!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Antigamente na Igreja Evangélica Assembleia de Deus havia o costume de estimular a confissão do pecado individual diante da congregação, especialmente antes da Ceia do Senhor. Outros faziam o confissão diante do pastor que informava à igreja local sobre a contrição do “pecador arrependido”. Essa prática tem a influência direta da doutrina da Confissão Auricular, uma das práticas tradicionais da Igreja Católica que violam a doutrina bíblica do sacerdócio universal de todos os crentes. Alguns leitores informam que, infelizmente, essa prática ainda existe em algumas congregações das Assembleias de Deus. O leitor Célio Castro, por exemplo, relata que em alguns casos a confissão do pecado diante de um corpo de obreiros e a consequente disciplina era matéria de ata formalizada diante da congregação.

Bom, essa tradição é terrivelmente antibíblica. A confissão pública nunca é estimulada nas Escrituras. Quando Tiago [5.16] fala em “confessem os seus pecados uns aos outros” é subtendido que não há hierarquização, ou seja, não é a confissão de um “pecador” para com o “santo sacerdote” ou a uma “santa congregação”. Quando o pecado envolve ofensa ao outro é óbvio que o ofensor deve pedir perdão ao ofendido, mas tal fato não precisa ser feito de espetáculo para o público da congregação. É certo que a congregação também pode ser vítima de um escândalo público de um membro e, igualmente, esse membro deve perdão à congregação. Como escreveu Curtis Vaughan: “A confissão é o vômito da alma e pode, quando realizada de modo muito geral ou indiscriminado, fazer mais mal do que bem”. A discrição é recomendada pelo próprio Cristo e somente em casos de resistência e teimosia a decisão deve ser submetida à igreja para disciplina pública (Mateus 18. 15-17). Esse era o caso em Corinto, onde um jovem estava envolvido sexualmente com a própria madrasta e a congregação tolerava essa comportamento sem aplicada a devida disciplina (cf. 1 Coríntios 5.3 ss; 2 Coríntios 2.6 ss).

Portanto, o arrependimento diante de Deus redime o nosso pecado (Salmo 32.3-6; 1 João 1.9). O perdão não é dependente do sacerdote ou da congregação. A disciplina é necessária, mas a excomunhão só se aplica a quem se desligou da própria Igreja pela permanência teimosa no pecado. A confissão está para nós como um desabafo diante de Deus das nossas próprias misérias. “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado” (Salmo 32.5).

17 comentários:

Geraldo Wellington da silva Correa disse...

Conversava ontem com dois irmãos sobre isso e na sexta com mais um outro. Hoje não cabe mais a igreja levar a público o pecado de membros. Cheguei a presenciar a situação de jovens que mantinham relação sexual antes do casamento e foram levados a presença da igreja.
As pessoas continuarão olhando com olhos desconfiados ou condenação. Mesmo que exista perdão sempre existirá aquele que lembrará do passado da pessoa e ela ficará rotulada. Cito ela, pois mesmo no meio evangélico existe o preconceito, onde a mulher passará por fácil, que amoleceu e o rapaz quase que uma vitima que caiu em sua rede. Inclusive alguns casos não são com o consentimento da pessoa, passivo de processo judicial.
O que cabe é o líder pregar o evangelho, alertar, ser vigilante, exortar, mais para isso tem que ser próximo as suas ovelhas, sabendo assim do seu dia a dia, gerando confiança, sendo ético, coerente. Saber por terceiros é prova de que não sabe da vida de suas ovelhas como deveria, ainda mais porque a visão de terceiros não será a mesma impressão do líder quando acompanha sua ovelha, visitar seu lar, sabe a condição sócio-econômica, e até mesmo assim saberá que tipo de personalidade a pessoa tem pelo meio que convive e que de repente fez tomar certas ações.
Mais é bom saber que de fato é anti-bíblico tal ação, ficando assim ciente os lideres que tal ação contraria a Palavra de Deus.
Terão lideres que não concordaram com tal posição pois é mais uma fatia ser retirada de sua dita autoridade, do seu controle descontrolado e de uma posição pretensamente comoda, achando que nada em sua pessoa e ministério pode ser questionado.
Isso fere o ego, pois é falta de humildade e razão (inteligencia), ser questionado, mostra primeiramente a mim que ou as pessoas estão tendo um impressão errada sobre minha pessoa ou de fato estou tendo esse erro pelos meus próprios atos. Falar e viver o que prega é um bom exemplo disso. Ser ouvinte e fazer uma auto-analise e pensar em que atitudes estou tendo para levar pessoas sobre um pré-conceito sobre mim já é um começo. Pois não é possível que, um numero considerável de pessoas enxergam coisas e isto seja descontentamento qualquer ou pessoas frustradas que começam vê erro em tudo. Isso mostra intolerância e desrespeito com aqueles que assim enxergam e que em muitas vezes fazem isso para vê o melhoramento das coisas e não pura e simplesmente para atacar e desqualificar o líder que eles o amam e o próprio evangelho que poderá ser marcado.

VINDE E ARRAZOEMOS disse...

Irmão Gutierres, gostaria muito que você nos apresentasse como a passagem de 1Tm 5.20., se encaixa em sua abordagem aqui no texto. Acredito que deixará ainda mais completa a resposta e proposta do irmão aqui.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Vinde, a paz!

Até esperava que alguém trouxesse a lembrança o texto de 1 Timóteo 5.20. A resposta é simples: o contexto indica disciplina entre obreiros. Se o pecado é de algum presbítero, por exemplo, o mesmo deve ser admoestado para que sirva de exemplo aos demais. É interesse que essa prática vai contra ao corporativismo que é visível em muitas convenções de pastores.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Vinde, a paz!

Até esperava que alguém trouxesse a lembrança o texto de 1 Timóteo 5.20. A resposta é simples: o contexto indica disciplina entre obreiros. Se o pecado é de algum presbítero, por exemplo, o mesmo deve ser admoestado para que sirva de exemplo aos demais. É interesse que essa prática vai contra ao corporativismo que é visível em muitas convenções de pastores.

claudiopimenta disse...

bom dia saudações cristas
nobrissimo poderia abordar como era a disciplina ou esclusao na igreja primitiva ?
o pastor ode impedir alguem de tomar a ceia por um determinado tempo ? por exemplo adulterio 1 ano sem ceia fumar 3 meses , beber bebidas alcoolicas 6 meses , tem base biblicas deixar o membro por determinado tempo sem ceiar ?

Gilson Barbosa disse...

Olá amado irmão Gutierrez.

Interessante... o bispo Robson Rodovalho (pastor da Igreja Sara Nossa Terra) ainda que numa perspectiva diferente afirma a necessidade da confissão de pecados publicamente.

Ainda, a Igreja de Cristo Internacional, uma igreja controversa, admite a confissão dos pecados ao discipulador. Os pecados revelados não são mantidos confidenciais, mas podem ser comunicados à hierarquia da igreja, que, com freqüência, os usa contra os discípulos para mantê-los sob controle.

Quer dizer: não podemos andar para trás na doutrina - quando usamos técnicas de movimentos perigosos e controversos é isso que estamos fazendo.

Grande abraço

Gutierres Siqueira disse...

Claudio. Pelo texto paulino se entende disciplina como excomunhão. Portanto, não há tratamento de datas e sobre autonomia de cargos.

Luccas Andrade disse...

Querido, por favor, comente o texto de Atos 19.18. Me parece que para o apóstolo Paulo, embora a confissão não fosse uma condição para o perdão, era uma prática saudável, e demonstrava o poder do Espírito Santo atuando sobre a vida dos que se convertiam.

Ivomar Costa disse...

Realmente, a confissão auricular foi criada para controlar os membros. Durante muito tempo foi o "serviço secreto" mais eficaz que se conheceu. Sem duvida, existiram sacerdotes que a trataram como um meio de ajuda ao pecador, mas a maioria dos sacerdotes, sobretudo os da ordem jesuíta, elevaram a confissão auricular ao nível de excelência como meio de controle e manipulação. Muitos pastores e sacerdotes ainda hoje se utilizam dela para este fim, apesar de estar adaptada ao contexto da atualidade.

Mariana Felipe Mariana disse...

Gutierres, se a disciplina é necessária, como ela será aplicada sem o conhecimento do pecado?
Eu sempre enxerguei como você, mas infelizmente, nunca conheci uma AD que não coloque os irmãos "de prova". Aliás, conheço muita gente que peca e sai da igreja com medo do castigo do pastor. Isso infla o ego das pessoas, pois elas sempre especulam a vida de quem está em disciplina e se julgam melhores. O que tbm passa bem longe do "ser igreja".
E conheço muita gente que não peca não por temor a Deus, mas por vergonha do castigo.
Aliás, isso de estipular datas dependendo do pecado é muito sem noção e anti-bíblico.

Gutierres Siqueira disse...

A disciplina bíblica é aplicada naqueles casos onde o pecado tomou de conta de um homem ao ponto desse apostatar da fé em Cristo. A disciplina é mais um reconhecimento da comunidade de algo que já aconteceu na vida do indivíduo: que é a separação do Corpo de Cristo pela vida de pecado persistente e sem arrependimento. Quando alguém está assim dificilmente isso não vem ao público.

Gutierres Siqueira disse...

"E muitos dos que tinham crido vinham, confessando e publicando os seus feitos." Esse texto está no contexto da conversão e não da vivência na comunidade de crentes.

Anônimo disse...

Ótimo texto!!

Ivan disse...

Engraçado...

Como fica a confissão pública do pecado da masturbação?

Imagine hipoteticamente uma jovem que estivesse lutando contra esse pecado - sim já pesquisei sobre o assunto e há mulheres que o fazem também, e não só homens - ela deveria confessar ele pra igreja toda?

E o jovem que tiver acessado uma página pornográfica?

Existe disciplina por masturbação ou pornografia em alguma igreja do BR?

A verdade é que cada grupo decide o que é menos ou mais pecado e o que seria passível de disciplina.

Pensar em casos assim me faz ver que é meio sem sentido isso.

paz.

REGINALDO RHO disse...

Infelizmente sempre existe essa distorção em interpretar e praticar a verdade bíblica; Provérbios 28:13 "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas as confessa e deixa alcançara misericórdia." No princípio foi tomada essa palavra literalmente, mas com a evolução, entendemos que o simples fato de declarar(sou pecador), reconhecendo através da confissão; (não descritiva dos fatos), pois pecamos no olhar, no agir, no pensar, no falar, "...pois não há homem que não peque",...I Reis 8:46, e ainda Rm 3:23 "Porque todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus." E se Cristo foi crucificado em meu lugar, fazendo maldito, tendo o castigo que me traz a paz sobre Ele, meus irmãos sempre que houver Santa Ceia do Senhor; levantar-me-ei, pedirei perdão ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo, ao Ministério da igreja, pelos meus pecados por pensamentos, palavras, atos, omissões e negligências no "Ide, que Jesus nos ordenou; para que a igreja do Senhor declare: Perdoado em o nome de Jesus. Amém.

mauro ferreira disse...

ha uma recomendação bíblica ,filhinhos ''não pequeis''herdamos de Adão e Eva a capacidade de errar ,indiferente de ter ou não de confessar ha um líder ou diretamente para Deus,ou ser este ou aquele pecado que deva ou não ser comunicado a igreja ,o triste foi não ter vencido a tentação,o passar ou não por disciplina,o enfrentar o publico ,é de menos tamanho que o mal,de pecar traz por si,a condenação,os valores que foram desprezado ,por fraqueza ,ou necessidade fisiológica,separa-nos do criador,quando sentimos na pele esta separação ,é um bom sinal,minha opinião com respeito a todos que postarão é que ha uma maneira de lidarmos com este assunto,vi um leve comentário direcionando ao Líder da comunidade cristã se ha necessidade de confessar a ele para obter perdão,sabemos que não é bem assim,e digo nenhum líder chamado por Deus,tem prazer em ouvir ,mas a voz da consciência é que pode nortear esta direção,ha igrejas com muitas atividades espirituais,e exigem um certo cuidado de seu s participantes,um deles,é estar participando da ceia,e o que nus impede de tomar a ceia?o que pode ser examine-se a si mesmo?aqui entra o papel do líder,a bíblia diz que Deus deu uns para apóstolos,doutores,pastores com a finalidade de aperfeiçoamento dos santos,no velho testamento ,coisas pequenas não eram levadas a moisés,so as tidas como mais serias,acredito que hoje muitos sabem o que é necessário levar ao líder espiritual,minha linha de pensamento é que levar ao lider tem sim seu valor administrativo,ha muitas coisas que podem ser tratadas em sigilo.

Jaqueline Steinbach disse...

Por que ninguém fala algo útil aqui. O que se conclui no que tange a questão da confissão (testemunho)´público?