quinta-feira, 26 de junho de 2014

Gol ou Glória a Deus?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

GOL OU GLÓRIA A DEUS? Muitos pentecostais estão reclamando que "os crentes gritam com mais entusiasmo 'gol' na Copa do Mundo do que 'glórias a Deus' no culto". Esse tipo de advertência é boba e descabida, além de antibíblica. Não se compara culto com jogo de futebol. Lá no estádio se grita para animar ou criticar o time, mas no culto prestamos adoração. E adoração não depende em nada de decibéis.

-----------

PASTOR RICO. Um pastor pode ser rico? Sim e não. Se a riqueza é fruto de herança, empreendedorismo ou mesmo de sucesso na carreira profissional e secular, logo essa riqueza é legítima. Agora, se essa riqueza veio com o ministério pastoral, tal dinheiro é fruto de usurpação do Evangelho. Maldito é o pastor que fica rico com o ministério. O apóstolo Paulo, pelo grau de instrução, era um homem de família rica, mas com o Evangelho ele teve "prejuízo" financeiro. Nenhum apóstolo fez do ministério uma loteria.

-----------

MÚSICA PENTECOSTAL. Infelizmente, como todos sabem, muitas cantoras pentecostais interpretam composições com erros bíblicos e doutrinários. Mas o problema não é apenas esse, pois algumas letras até passam pelo crivo bíblico, mas são totalmente pobres em conteúdo e melodia. A composição precisa ser bíblica, rica em conteúdo e bem trabalhada em sua melodia. Não se adora a Deus com qualquer palha.

Esses e outros pequenos posts na página do blog no Facebook: www.facebook.com/teologiapentecostal

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A salvação não se constrói

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Mensagem pregada na Comunidade Cristã de Cidade Ademar (CCCA) em São Paulo (SP).  


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Assembleia de Deus, 103 anos

Por Gutierres Fernandes Siqueira

ASSEMBLEIA de Deus, 103 anos. Nesta semana comemoramos mais um aniversário da maior denominação pentecostal do país. Sabemos dos inúmeros problemas presentes nela, mas podemos glorificar a Deus por diversos motivos:


a) A Igreja Evangélica Assembleia de Deus é uma comunidade sem dono. Algumas lideranças até pensam possuir a procuração da denominação, mas isso não passa de vaidade. A grandeza dessa igreja está no fato dela não depender de uma personalidade.

Os primeiros assembleianos





b) Na sua grandeza há vasta diversidade. O assembleiano não é mais um único tipo, um esteriótipo. A diversidade é tão grande que abriga até mesmo políticos diferentes como Marco Feliciano e Marina Silva. Aqui você acha erudito e anti-intelectual, cantores de música clássica e fãs de trágicas composições como “Jesus não é dinheiro, mas Ele é real”. Há diversidade, mas há unidade. O assembleiano pode ser muito diferente na individualidade, mas dificilmente será na cultura denominacional.


c) Pode-se discordar da doutrina assembleiana em alguns pontos, especialmente a pneumatologia e escatologia, mas é uma denominação que prima pela ortodoxia cristã. A discordância em pontos secundários em nada afeta o compromisso dessa igreja com as doutrinas fundamentais da fé cristã e protestante. É doutrinária, mas também evangelizadora.


d) É uma igreja brasileira, tanto nas virtudes quanto nos defeitos. É a única igreja que está no meio do Amazonas, nas favelas cariocas, no sertão do Ceará ou nos bairros centrais de Curitiba. O atual comercial da cerveja Brahma para a Copa do Mundo é bem significativo, pois para exemplificar a busca por uma pequena cidade e distante, o caminhão passa por um caminho de terra onde há uma Assembleia de Deus. É apenas uma amostra inusitada como essa igreja evangelizadora está em cada pedaço deste grande país.


Parabéns, assembleianos!

sábado, 14 de junho de 2014

Por que as Assembleias de Deus possuem presbíteros que não são Ministros do Evangelho?

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Bispo, Presbítero ou Pastor? Infelizmente, a denominação que faço parte- as Assembleias de Deus- decidiu em antiga convenção um conceito completamente equivocado sobre a definição neotestamentária dos ministérios de bispo, presbítero, pastor e ancião. Em 1937, a Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), numa interpretação espúria de 1 Pe 5.1, At 20.28 e 1 Tm 5.17, concluiu que o presbitério não é equivalente ao episcopado (pastores, bispos e anciãos). Assim, hoje nas Assembleias de Deus existe uma hierarquia onde o presbítero é apenas um auxiliar do bispo (o pastor, nesse caso) e o evangelista ganhou a indicação de Ministro do Evangelho- algo sem nenhuma base bíblica. Infelizmente, a  partir de 1937 a Assembleia de Deus enterrou o seu congregacionalismo. É consenso entre os especialistas do Novo Testamento que “bispo” é um equivalente a “presbítero” ou “ancião”. Portanto, é um erro hierarquizar o presbitério como se esse fosse um trampolim para o ministério pastoral.


A denominação nasceu como uma "Assembleia" de congregações e não no personalismo de um líder maior!


Ancião. Nas sociedades antigas havia uma classe de homens mais velhos e sábios que exerciam liderança numa comunidade. Os hebreus chamavam os “anciãos” de zaqen, ou seja, termo que significa "aquele que tem barba" e, assim, denotavam o peso da experiência no processo da liderança. Os gregos chamavam esses homens de gerontes, os romanos de senatus, os espartanos de presbys e os árabes de sheikh. É importante observar que, mesmo no hoje na Igreja Cristã, o valor da experiência é essencial na condução equilibrada do povo de Deus. O voluntarismo, a empolgação momentânea e o espírito revolucionário nem sempre indicam o caminho para o progresso da Igreja. Portanto, nada mais conservador do que observar o peso da barba na condução de uma comunidade. O pastor precisa incorporar as qualidades de um ancião: moderação, experiência, equilíbrio, senso de realismo e capacidade de aconselhamento sem paternalismo.

Eleição na Congregação. Eleição denota escolha. E escolha da e na congregação era um padrão no Novo Testamento para estabelecimento da liderança. Lemos em 2 Coríntios 8.16-19:


Agradeço a Deus, que pôs no coração de Tito o mesmo cuidado que tenho por vocês, pois Tito não apenas aceitou o nosso pedido, mas está indo até vocês, com muito entusiasmo e por iniciativa própria. Com ele estamos enviando o irmão que é recomendado por todas as igrejas por seu serviço no evangelho. Não só por isso, mas ele também foi escolhido [gr. χειροτονέω ou transliterado cheirotoneó]  pelas igrejas para nos acompanhar quando formos ministrar esta doação, o que fazemos para honrar o próprio Senhor e mostrar a nossa disposição. [grifo meu]


É claro no texto a soberania da congregação sobre a escolha do ministro. A palavra grega χειροτονέω (cheirotoneó) significa literalmente “esticar as mãos” e denota o exercício do voto popular pela expressão de concordância com os braços levantados. Não há espaço para coronéis e líderes que mandam e desmandam conforme seu bel-prazer. Infelizmente, só podemos lamentar a perda das nossas raízes congregacionais para um modelo onde a figura do “pastor-presidente” incorpora o figurino de um CEO centralizador. Em Atos 6.3 o colegiado apostólico ordenou à congregação a “escolha”  de homens capazes do serviço diaconal. Portanto, nada mais distante dos ensinos do Novo Testamento uma igreja cuja soberania está apenas na pessoa do pastor-presidente ou bispo-mor, ou seja, biblicamente é a congregação quem legitima o ministro e não o contrário.

Sem mais!

domingo, 8 de junho de 2014

Não tenha medo dos meteorologistas!

Por André Gomes Quirino
Sempre que chove podemos ter duas certezas: a cidade de São Paulo vai parar e ouviremos algum evangélico dizer: “Tá vendo só? Os meteorologistas disseram que não ia chover. Nisso é que dá querer saber mais do que Deus...” Este é um dos muitos lugares comuns que só alcançaram unanimidade pelas vias da repetição acrítica. Acontece que ele revela um medo infundado e desnecessário, o qual, antes ainda de ser socialmente danoso, é biblicamente ignorante: o medo dos cientistas.
Ele é movido pela ideia de que esse grupo de pessoas possui acesso privilegiado a um conjunto de verdades que, vindas à tona, seriam potencialmente desastrosas para a fé cristã. Além de endossar a dicotomia “ciência x religião” (que, como sabe qualquer um que tenha lido o protestante do século XIX Abraham Kuyper, o historiador católico contemporâneo Thomas E. Woods Jr. ou mesmo a Questão 1 da Suma Teológica de Tomás de Aquino e os debates engendrados por ela na Alta Escolástica, é absurdamente falsa), essa ideia, que via de regra presenteia o repetidor do lugar comum com um ar de sabedoria ascética, acreditem (acreditem porque irei demonstrá-lo), desnuda na verdade uma constrangedora falta de fé, justamente daquela fé que a revelação cristã requer por princípio.
Se não, vejamos.
Para o evangélico que acha que sua fé exige uma desconfiança em relação à meteorologia (aqui utilizada como metonímia para a ciência em geral), quem não alimenta essa desconfiança, quem acredita na meteorologia, está sendo conivente com um movimento humano de arrogância que pretende superar a sabedoria divina, já que Deus Ele mesmo é quem resolve pessoal e deliberadamente, a cada minuto, e em cada metro quadrado do céu, se vai ou não chover, quanto o vai e quais serão a temperatura ambiente e a velocidade e umidade do ar.
Bem, qual é a fé que a revelação cristã requer por princípio? É a fé em que Deus se fez homem, que esse sonho que a humanidade alimenta desde antes de Abraão se tornou realidade e Deus veio até nós. Na teologia cristã, isso é chamado de Encarnação. Qual é o primeiro requisito para se acreditar que Deus se fez homem? É assumir que Deus por Sua própria natureza pode se fazer homem, que Ele não é só e permanentemente incognoscível e transcendente, mas se revela, se comunica e é também imanente. E qual o segundo requisito para essa crença? É assumir que Deus por Sua posição pode se fazer homem, que Ele tem poder para tanto, poder para interferir na História, para gerar um bebê no ventre de uma virgem sendo Ele mesmo esse bebê, poder, enfim, para fazer a Si mesmo a forma de uma criatura.
No limite, a fé que a revelação cristã requer por princípio (para que possa ser recebida com o mínimo conveniente de simpatia) é em que Deus seja o criador único, pessoal e soberano do Universo. Mas não só isso – porque a fé que a Bíblia instiga não é meramente passiva, nominal; é uma fé ativa, uma fé nervosa: também em que Ele possa e queira revelar Suas obras. De fato, esta era a fé peculiar ao povo de Israel, para quem Jesus disse ter vindo ao mundo: Eles criam “no Senhor Deus, que fez os céus e a terra”, e em seus cânticos O louvavam por Seu poder criativo, além de descansarem um dia inteiro a cada semana para rememorar o descanso de que o Criador teria desfrutado no sétimo dia da criação – este era o sinal de que Israel era “feitura das mãos de Deus”.
O poder e a vontade de Deus de se tornar conhecido foram tão grandes que Ele nos revelou o que Lhe há de mais precioso: Seu próprio Filho. Isso desencadeia consequências até na ciência. Pois, se aprouve a Deus que o Filho fosse visto e tocado por nós, que conversássemos com Ele, que aprendêssemos Sua doutrina pessoalmente, se foi tamanho o desprendimento de Deus, quão mesquinhos seremos nós se quisermos impedir que nos seja revelado o funcionamento de obras menores (mas ainda grandes) de Deus, como a meteorologia!
Atentemos, portanto, ao desconfortável paradoxo a que chegamos: um cristão acha descabido que um mortal possa conhecer o modus operandi da chuva, do vento e do ar... Espere só até ele descobrir que foi-nos dado, a nós mortais, o conhecimento do Filho de Deus! Falta fé a quem receia a meteorologia: ela é legítima justamente porque Deus é o criador pessoal do mundo. É em questões como esta que percebemos a tamanha novidade e alegria que há no evangelho, e como ele é inesgotável. Assim vê-se que mesmo nós, cristãos, podemos ainda a todo momento ser confrontados e esclarecidos por ele. Aliás, nós o devemos, se quisermos conhecer a missão que Deus nos outorgou, o nosso lugar no mundo e como devemos abordar os que estão em outros lugares no mundo. Porque Deus faz raiar Seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.

Mesmo à parte a previsão do tempo, a previsão e análise de clichês evangélicos já se tornou uma ciência exata – e enquanto tal executá-la é uma obrigação moral que nos cabe.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

As origens batistas da Assembleia de Deus (AD) no Brasil e as diferenças com a coirmã Assemblies of God (AG)

Por Victor Leonardo Barbosa


A Assembleia de Deus no Brasil possui mais de cem anos de existência, o que vem chamando a atenção de historiadores e sociólogos brasileiros e dentre as obras publicadas merece destaque o livro do sociólogo Gedeon de Alencar Assembleias de Deus: Origem, Implantação e Militância, publicada pela Arte Editorial em 2010. A obra de Alencar possui excelente material histórico acerca das origens da maior denominação pentecostal do Brasil. Um dos pontos altos da obra é quando o autor discute as diferenças entre a Assembleia de Deus norte-americana e a brasileira, assim demonstrando o pouco que estas denominações têm em comum. Todavia, como qualquer obra dessa natureza, o livro possui certas limitações em suas análises sociológicas (algo que nunca fui de apreciar). Dentre as quais noto a quase ausência acerca da mentalidade teológica que cercou a origem das Assembleias de Deus, e que a meu ver vale a pena atentar [1].
Infelizmente, a visão eclesiástica do
 missionário Nils Kastberg prevaleceu
Venho estudando há quase quatro anos em uma instituição teológica batista em Belém do Pará, assim também com tenho pregado em algumas igrejas. É notável observar várias semelhanças entre o “estilo batista de ser” com as Assembleias de Deus, em especial em Belém. Há um compartilhamento das ideias, das virtudes e vicissitudes ainda que já tenham se passado um século e obviamente as diferenças tendem a ficar mais evidentes.

Ainda dentro desse contexto, se entende mais a grande diferença entre a Assembleia de Deus  (AD) brasileira e a americana (Assemblies of God- AG).  Algo flagrante, mas aparantemente pouco notado ou enfatizado: são duas denominações diferentes, ainda que semelhantes  (essa semelhança será explicada mais a frente). A história da formação da AD americana, como relatada na Teologia Sistemática editada por Stanley Horton [2]  é uma junção de várias denominações com forte influência metodista e do Movimento de Santidade (além dos batistas). A  igreja brasileira, por usa vez,  é quase que puramente de origem batista. Em outras palavras, a linha de continuidade da AD Brasileira em sua origem se encontra na história batista, em especial da Igreja Batista Sueca (no que tange a cultura e influência teológica geral). Na época o próprio pastor da 1° Igreja Batista em Belém, Erik Nilsson (conhecido como Eurico Nelson), era um batista sueco [3].

O próprio Vingren relata em seu diário, ao chegar em Belém,  ainda se apresentava como um batista e não necessariamente como um “pentecostal” [4].  As igrejas em que Vingren e Berg interagiam nos Estados Unidos eram de origem escandinávia, ou seja, eram batistas que haviam abraçado o movimento pentecostal que irrompera a partir de do avivamento em  Azuza, que também deu origem a AD americana. Ou seja, a única coisa que liga as duas AD são o movimento pneumatológico - compartilhadas por ambas em sua origem- e só. Enquanto que o pentecostalismo norte-americano sofria a controvérsia do racismo, Berg e Vingren, pobres e simples, batizavam os mais variados indivíduos, muitos sendo pardos e da classe média baixa. Na mentalidade pentecostal americana não há problemas no ministério pastoral ser exercido por mulheres, algo que fora veementemente rejeitado por Samuel Nyström, o sucessor de  Vingren.   Em sua formação, a AD brasileira inicia-se com uma membresia  essencialmente batista que houvera abraçado o pentecostalismo.

Como notado por meu amigo Gutierres Siqueira em artigo anterior [5], as diferenças entre assembleianos americanos e brasileiros, além da visão sobre o ministério feminino, há também outra questão: a interação com o catolicismo romano, muito mais forte na América do Norte do que aqui. A erudição da Assembleia de Deus americana , tanto na sistematização e no biblicismo da teologia pentecostal,  muito rapidamente foi estabelecida, enquanto que no Brasil, apesar de alguns grandes eruditos como Nyström, o destaque maior era a pregação popular e evangelismo pessoal, o que deixou as gerações subsequentes com uma parca herança literária. Esse processo pouco afeito ao estudo sistemático só começou a ser revertido na interação entre as duas AD's em meados dos anos 1950-1960, especialmente a partir da fundação de colégios como o IBAD (Instituto Bíblico da Assembleia de Deus). Essa interação entre as duas igrejas foi um processo bem positivo para a congregação nativa. 

Porém, diante do quadro em que as Assembleias de Deus se encontram atualmente, levando em consideração sua origem batista, como explicar o sistema eclesiástico atual, intimamente com as controvérsias doutrinárias que cercam a AD? Creio que todas essas questões devem ser analisadas e ponderadas tendo a história batista como auxílio, e partindo dela igualmente na busca de uma solução. É importante notar no aspecto eclesiológico e da Teologia Sistemática.

1. A diferente eclesiologia assembleiana: 

As igrejas batistas em Belém possuem, em geral, o mesmo principio que norteia os batistas desde a sua origem: a liberdade das igrejas locais e o modelo congregacional, sendo um pastor que direciona a igreja e cada congregação é guiada pela membresia. Como então surgiu esse sistema eclesiástico onde as “igrejas-sedes” ou “mães” dominam as congregações ou  “igrejas filhas”, e estas, por suas vez, estão totalmente sujeitas administravelmente  à vontade do templo-sede? De onde surgiu a hierarquia- com semelhanças do modelo episcopal- todavia secularizado e, até mesmo, opressor em certos momentos? De onde surge a ideia de um “pastor-presidente”, o ser superior aos demais e rodeados pelos asseclas? 

Ainda que certos problemas e politicagem possam ser vistos nas congregações batistas, é impressionante como isto está acentuado na figura do pastor assembleiano! Um ponto que originou tal realidade é a forte influência militar oriunda dos grades líderes da denominação no decorrer dos anos, como mostrado aqui neste blog em um artigo anterior [6].  Hoje, as Assembleias de Deus sofrem com um forte modelo hierárquico, sendo que nesse caso, quanto maior a hierarquia, maior é a politicagem e a busca pelo poder. Nesse esquema, o diaconato muitas vezes não é visto como um ministério distinto e honroso, mas apenas um degrau na busca pelo pastorado. Cria-se, também, as castas familiares, gerando clãs distintos e até rivais. Porém, a questão é que isso não urge exatamente do nada e é provável que o modelo existente inicialmente tenha surgido com boas intenções, porém o grande desastre na eclesiologia assembleiana se dá na Convenção Geral de 1937. Ali, fora levantada a questão acerca das funções ancião/ presbítero. Esses poderiam serem considerados pastores? As decisões foram tratadas como se segue:

A Criação Geral de 1937 compreendeu, citando textos como 1 Pe 5.1, Atos 20.28 e 1 Tm 5.17, que em alguns casos parece haver diferença entre anciãos e anciãos com chamada ao ministério, estabelecendo assim,a  hierarquia eclesiástica que até hoje existe na Assembleia de Deus: diáconos, presbíteros e ministros do Evangelho (pastores e evangelistas)”. [7]

Aqui, devido a uma interpretação equivocada dos textos bíblicos citados, faz uma divisão inexistente entre os presbíteros que são chamados de pastores e os presbíteros que não são, sendo que os presbíteros como “chamados” estariam, assim, hierarquicamente acima dos demais. Tal interpretação, que ao que tudo indica tem origem no missionário Nils Kastberg, quando publicou um artigo no Mensageiro da Paz que influenciou as deliberações da convenção de 1937 [8]. Ora, por mais que tenha gerado resultados positivos para a igreja no início, mas ainda assim  há um grande problema: não encontra um respaldo bíblico consistente. Esse modelo gerou um estilo eclesiástico que é praticamente paralelo ao sistema episcopal básico: há o pastor-presidente (arcebispo), que por sua vez, comanda uma diocese, ou seja, igrejas que são dirigidas por bispos (pastores que governam determinados bairros). Que por sua vez comandam os reitores, que são os sacerdotes da igrejas (os pastores locais, que possuem por vezes o título de evangelista). Tal sistema claramente entra em choque com uma visão batista de um governo congregacional, pelo menos no que tange a centralidade de poderes.  Tal estilo de modelo não encontra respaldo suficiente no Novo Testamento, tende a ser regido pelo secularismo, prejudica a vida da igreja e favorece a centralização de poder. Esse modelo deve ser extirpado!

Há uma necessidade de voltarmos a uma estrutura congregacional que ainda reside de maneira enfraquecidas em muitas igreja locais. As igrejas locais devem ser guiadas por um grupo de presbíteros, que cuidem do trabalho pastoral de pregação e ensino (talvez orientada por alguns dentre eles como pastores regulares). A igreja local precisa respirar certa independência. Em meu entendimento, o modelo presbiteriano é o mais bíblico e recomendável. Caso essa mudança seja ainda para um futuro mais distante, uma congregação local,  com multiplicidade de presbíteros é um bálsamo bem-vindo [9]. 

1.1 A questão do ministério feminino

A história das Assembleias de Deus no Brasil é marcada por mulheres valorosas, de oração e do Evangelho. Tal atuação não pode ser menosprezada. Cada vez mais vêm se destacando a esquecida obra de Frida Vingren nos primeiros anos da Assembleia de Deus, sendo que é louvável  destacar a importância dessa mulher na obra de Cristo. 

Todavia, junto com a homenagem, vem o pacote ideológico: havendo a Assembleia de Deus cercada por tão grandes mulheres, logo não deveria legitimar o pastorado feminino? Minha resposta é simplesmente um franco não. E a razão é bem simples: Nesses momentos, costuma-se usar em prol de um ministério feminino as mais variadas formas de argumentos, menos a Bíblia. Posso certamente discordar do tratamento dado a Frida em certas ocasiões, mas isso não me dá a justificativa para apoiar os seus equívocos. Como escrevi a alguns atrás [10], não encontrando o mínimo respaldo bíblico para mulheres no pastorado. Os que encontram simplesmente solapam a Bíblia nesta questão. Creio ter sido acertada a firmeza doutrinária de Nyström a quase um século atrás nesta questão [11]. A meu ver,  não estamos somente sendo fiéis as nossas raízes, mas a Palavra de Deus.

2. A teologia dogmática assembleiana

O distintivo teológico assembleiano sem dúvida se dá no âmbito da pneumatologia, por isso, é mais do que urgente que nossas Assembleias de Deus tenham uma doutrina sólida e sadia à respeito dos dons do Espírito. Nisso, os teólogos assembleianos da América do Norte já produziram material vastíssimo e extremamente útil nos tempos em que vemos as doutrinas pseudopentecostais invadido nossa denominação e solapando o pentecostalismo clássico. A interação que houve entre as duas AD's e a influência positiva no âmbito de uma pneumatologia pentecostal e o aprofundamento em uma teologia saudável, fiel às Escrituras, deve permanecer. A CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) vem publicando excelentes obras, porém, muito ainda pode ser feito. Das obras de Donald Gee, célebre líder pentecostal, o único livro que continua a ser publicado pela editora é “Pentecoste”, que recebeu um novo título: “Como receber o Batismo com o Espírito Santo”. Creio que uma nova edição, com a volta do título original, seria de grande valia, assim também com outros livros de Gee, que foram publicados por outras editoras como,  por exemplo, os livretos Acerca dos Dons espirituais e os Dons do Ministério de Cristo, hoje encontrados apenas em sebos, assim também como o comentário ao livro de Atos feito por Stanley Horton. 

Porém, o fator continuidade não  pode ser menosprezado. Haja vista o fato de que a Assembleia de Deus no Brasil possui uma íntima ligação batista, é de extrema importância que mais e mais haja interação com a tradição batista. É essencial que o obreiro assembleiano conheça nomes como Charles Spurgeon, Benjamim Keach, John Gill, John Smyth e vários nomes da tradição teológica de onde viemos. Negar tal herança é presunção e adquirir uma visão ex-nihilo do surgimento da denominação.

Há outro importante que vem se destacando no cenário assembleiano: a crescente influência da Teologia Reformada, também conhecida como Teologia Calvinista.


2.1 Assembleianos calvinistas

Ao contrário do que se pensa, a questões envolvendo o calvinismo e o Movimento Pentecostal no Brasil estão mais próximos do que o comumente pensado. Isso vale em especial para a Assembleia de Deus. Logo no início, destaca-se as figuras de Adriano Nobre e Manuel Higino como um exemplo disso. Adriano, o presbiteriano que simpatizou com Berg e Vingren, e que mais tarde se tornou assembleiano, obviamente trouxe à igreja um toque de sua bagagem teológica. A primeira igreja da Assembleia de Deus no Ceará foi uma Igreja Presbiteriana independente que aceitou a doutrina pentecostal (e logo foi orientada espiritualmente por Nobre). Porém, o caso mais latente foi o ocorrido pelos irmão Manoel e João Higino, que resultou em sua excomunhão da Assembleia de Deus e a formação da igreja Assembleia de Cristo (mais tarde Igreja de Cristo).


A saída dos irmãos Higino e companheiros é pouco explorada ou citada nos livros de história assembleianos. Em sua História da Convenção, Silas Daniel nem mesmo cita o motivo da exclusão. Alencar afirma que Manoel Higino era um “calvinista ortodoxo”. As informações não são de fácil acesso. A mais confiável é encontrada no site da Igreja de Cristo em Parque Genibaú, na seção História [12]. Dentre os separatistas junto a Higino estava João Vicente de Queirós. Segundo ele, as controvérsias envolvendo Gunnar Vingren e Samuel Nystrom, com a formação dos dois periódicos e hinários distintos (respectivamente,  o Som Alegre e Boa Semente, e o Saltério e a Harpa Cristã) não havia chegado ao conhecimento de Queiroz e outros, que fundariam a Igreja de Cristo.


Quando o Mensageiro da Paz foi oficializado (na Convenção de 1930) [13], o missionário Nils Kastberg foi um dos mais conhecidos articulistas. Em uma das edições do Mensageiro da Paz surge um problema doutrinário: em uma mesma edição saíram dois artigos bem diferentes na essência. Em uma, José Bezerra de Menezes falava acerca da justificação pela fé e (segundo Queiroz) a salvação eterna do crente justificado. Em contrapartida, na mesma edição, havia um escrito de Kastberg acerca do dízimo, onde este afirma: “Que os irmãos trouxessem os dízimos ao tesouro da Igreja, porque é um dever de cada crente, e tomassem cuidado, porque muitos crentes já estavam no inferno, por não pagarem os dízimos do Senhor”. A salvação condicionada pelo dízimo de Kastberg transtornou os calvinistas assembleianos, defensores da salvação eterna. Outro problema surgido esteve na  4° edição da Harpa Cristã de 1932, onde o hino 138 de José Felinto aludia à segurança da salvação eterna na 1° estrofe, ao passo que o hino 418 de Jahn Sorheim, na última estrofe, se admitia-se a possibilidade de perder a salvação [14]. Então, a partir daí, os calvinistas assembleianos elegem Manoel Higino como o representante para levar uma carta endereçada a Nils Kastberg para  reunir uma Convenção a fim de debater a questão. A resposta de Kastberg fora incisiva. Ele afirmou “estar de acordo com os ensinos da salvação condicional, e quem estivesse aborrecido que saíssem para onde quisessem...”. A partir daí,  os calvinistas entregaram suas credenciais de obreiros e foram oficialmente excomungados da denominação na convenção de 1933. Uma tentativa de aproximação foi feita em 1933, porém ,com a firmeza de Higino nesta questão, a separação foi total. A partir daí, formou-se a Assembleia de Cristo (futura Igreja de Cristo), com uma soteriologia da certeza da salvação e um governo congregacional. Logo, uma fórmula popular de arminianismo (que depois se solidificou) espalhou-se no meio assembleiano, até tempos recentes, onde se vê cada vez mais um ressurgimento do calvinismo na denominação.

2.2 Assembleianos Calvinistas hoje

Cada vez mais evidencia-se grupos que aderem ao calvinismo ou são simpatizantes deste nas fileiras assembleianas. A própria CPAD vem publicando obras teor reformado nos últimos anos, com a publicação de obras escritas por autores como Jonathan Edwards, Matthew Henry,  D. A. Carson, John Piper, R. C. Sproul, todos de orientação reformada [15]. Tal concepção teológica é boa e salutar, tendo em muito para contribuir para a AD americana, apesar de várias objeções já feitas, tanto por outros reformados quanto pelos assembleianos de uma linha mais arminiana. As doutrinas pentecostais não entram em choque com relação às doutrinas reformadas [16]. Hoje, inclusive , nomes como Wayne Grudem, John Piper e até mesmo Lloyd-Jones possuem uma pneumatologia que se assemelha a uma vertente pentecostal, sendo que todos eram (ou são) firmemente reformados. Diante disso, deve ser assegurado aos obreiros calvinistas que estão nas fileiras ministeriais da Assembleia de Deus a liberdade teológica no exercício de seu ministério. Um ponto importante porém, é ressaltar o conhecimento destes com relação ao diferencial da pneumatologia pentecostal, o que nos distingue como movimento e denominação.

Conclusão

Ao analisar a historia assembleiana brasileira vemos que as Assembleia de Deus no Brasil segue uma linha bastante distinta da americana (AG). A sua origem e influência está atrelada a Igreja Batista no Brasil, assim como a influência sueca. A primeira congregação assembleiana no Brasil era uma igreja batista que adotara uma pneumatologia pentecostal. Tanto Berg, Erik Nelson e Vingren tinham uma origem nas igreja batistas da Suécia. É essencial que o pentecostal assembleiano saiba as suas origens e a explore positivamente, recebendo a herança batista disponível também a ele, o que o fortalecerá em sua teologia. Os assembleianos devem retomar um modelo que garanta a auto-suficiência da igreja local  em todos os aspectos possíveis. Deve aprender (ou reaprender) também com a tradição batista a liberdade aos que seguem a doutrina reformada. Atitudes como as tomadas na convenção de 1937 não caberiam no contexto atual. A liberdade a obreiros de linha reformada deve ser mantida, sempre também mantendo os princípios assembleianos como uma elevada visão da Sagrada Escritura e a manifestação dos dons espirituais e um revestimento de poder pós-conversão. Certamente que,  com resoluções mais bíblicas, toda a família assembleiana será abençoada.

Soli Deo Gloria


Notas:


[1] Outra falha vista na obra de Alencar (para um assembleiano paraense é quase um pecado imperdoável) é a visão apresentada por ele acerca de Daniel Berg. Em sua perspetiva, Berg não contribuiu para a formação da denominção, sendo que enquanto este dirigiu-se para a “periferia”, tornar-se inexistente  Vingren é que fomentou o desenvolvimento da igreja. É óbvio que Vingren fez bastante,  porém o trabalho de Berg foi pioneiro e excepcional.  Primeiramente, fora ele quem arrumou um trabalho secular para bancar as aulas de português de Vingren, sendo inicialmente criticado por este, que não queria vê-lo envolvido com um trabalho secular (Enviado de Deus, p. 50-51). Foi ele quem praticamente fundou as primeiras congregações de crentes na Ilha de Marajó, Bragança e outros interiores, sendo uma espécia de desbravador evangélico do Pará mais habitável.  A grande questão é que, em termo missiológicos, o trabalho de Berg foi mais amplo e em certo sentido, ainda mais empreendedor do que o de Vingren. A memória e influência de Berg ainda é sentida até hoje nessas igrejas paraenses. Por isso, a afirmação de Alencar que nos primeiros 20 anos quem lidera a igreja é Gunnar e Frida Vingren (ou quem sabe, apenas Frida) é simplesmente uma interpretação ideológica insustentável diante da evidência histórica.


[2] Horton, Stanley (ed). Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,1996. p. 11-41.


[3] Erik Nilsson, conhecido como Eric Nelson pelos americanos e Eurico Nelson pelos brasileiros,  e, também,  conhecido no meio batista como o “apóstolo da Amazônia”, foi um missionário pioneiro na região do Pará. Sua história, incrivelmente, tem certos paralelos com a de Vingren e Berg, em especial deste último.  Quando chegou ao Brasil, Erik não era um pastor ordenado, nem tampouco fora enviado por alguma  junta missionária (duas coisas que aconteceriam posteriormente). Assim como Berg, foi um colportor e vendia bíblias, o que lhe dava oportunidade de evangelismo e meio de sustento. Depois de amargar grandes dificuldades iniciais, conseguiu através da pregação formar um bom número de membros em Belém do Pará, associando-se com o célebre Salomão Ginsburg, missionário judeu da Junta de Richmmond. Sua vida é marcada por lutas e sofrimentos, além  de várias perseguições. Segundo John Landers, em sua tese de doutorado em filosofia pela Texas Christian University, afirma que apesar de certa apreensão com Vingren e Berg, Nelson (nas palavras de Landers) “apreciava seu entusiasmo”(LANDERS, The First Baptist Missionary on the Amazon,1891-1939,p.88). Quando Berg e Vingren foram excomungados da igreja, Nelson não estava presente.


[4] Quando chegaram em Belém,  Vingren e Berg se encontraram com Justus Nelson, pastor metodista, identificaram-se ainda como batistas, motivo pelo qual Nelson os encaminhou para a Primeira Igreja Batista (VINGREN, Diário do Pioneiro, p.36). Após a saída dos dois missionários pentecostais, Eurico Nelson escreveu uma carta justificando que aceitara os dois missionários escandinavos por eles terem se identificado como batistas. Acerca disso, Laners firma: “Devido ao Movimento Pentecostal estava ainda em processo de desenvolver-se em uma denominação separada, é possível que Vingren e Berg tivessem esperança de permanecer dentro da denominação batista no  Brasil e levar todo o grupo para os ensinamentos pentecostais” (LANDERS, Op. Cit. p.90).




[6] ___________________. Assembleia de Deus e nossa Herança militar. Disponível em: http://www.teologiapentecostal.com/2013/04/assembleia-de-deus-e-nossa-heranca.html


[7] DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p 135.


[8] Como atestado pelo pastor Altair Germano em artigo publicado em seu blog


[9] No caso, esse  seria um modelo batista, porém com vários presbíteros, e não somente um pastor  que cuida de uma congregação local. A estrutura de uma congregação local autossuficiente é  mantida.


[10] Em meu artigo Por que não elas? Uma abordagem bíblica sobre o ministério feminino, trato dos principais argumentos em defesa do ministério feminino em na liderança pastoral e do ensino bíblico. Disponível em: http://gqlgeracaoquelamba.blogspot.com.br/2008/04/por-qu-no-elas-uma-abordagem-bblica.html


[11] Cabe ressaltar que Nystrom não agiu simplesmente sozinho, mas angariou ao que tudo indica, o apoio de Simon Ludgren e do próprio Daniel Berg ( DANIEL., p. 35)


[12] O interessante é que temos a perspetiva dos calvinistas assembleianos. Disponível em: http://www.genibau.com.br/principal/nossa_historia_nacional.htm


[13] Vide DANIEL, ibid, p.39.


[14] Segue aqui as ditas estrofes dos hinos, extraídas do site da Igreja de Cristo em Genibau:
                                 
“Do céu à terra veio Jesus, Não é condenado quem nele crer
Em meu lugar morrer na cruz; A morte eterna não irá sofrer;
Tudo sofreu para me salvar; Já livre pode cantar o louvor;
Junto a Ele quero estar. A Jesus, seu Salvador...”  (autoria de José Felinto).


       “Oh Aleluia! Já está perto;
       O dia da restauração.
       Alerta, Alerta, irmãos queridos,
       P’ra não perderdes a salvação
       Jesus nas nuvens voltará
       E para Si nos levará”. (autoria de Jahn Sorheim)


[15] As obras de cada autor são, respectivamente: Pecadores nas Mãos de um Deus Irado e Outros Sermões, Comentário do Antigo e Novo Testamento, A Difícil Doutrina do Amor de Deus, A Supremacia de Cristo em um Mundo Pós-Moderno e Defenda a sua Fé.


[16] Clóvis Gonçalves, autor do blog Cinco Solas, escreveu um excelente artigo a este respeito, intitulado Pentecostalismo e Calvinismo: Alguma relação Possível? Disponível em: http://www.teologiapentecostal.com/2013/06/pentecostalismo-e-calvinismo-alguma.html


Bibliografia:


ALENCAR, Gedeon. Assembleia de Deus: Origem, Implantação e Militância. São Paulo: Arte Editorial, 2010.


BERG, Daniel. Enviado de Deus: Memorias de Daniel Berg. Edição Comemorativa. 6° Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.


DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. 1 ed. Rio de Janeiro, CPAD. 2004.


LANDERS, John Monroe. The First Baptist Missionary on Amazon: 1831-1939. Tese de doutorado. Texas Christian University, 1982.


MCGEE, Gary B. Panorama  Histórico. In: HORTON, Stanley (Ed). Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.