sábado, 7 de fevereiro de 2015

A glossolalia, a teologia e a ciência: uma resposta a Yago Martins

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Yago Martins é um jovem teólogo reformado muito competente. Eu sempre acompanho o seu ótimo trabalho nas mídias sociais. Todavia, recentemente Yago Martins gravou e divulgou um vídeo onde defendia duas premissas básicas: a) As línguas estranhas no Novo Testamento eram idiomas. b) Estudos linguísticos em laboratório provam que as falas oriundas do dom de línguas do Movimento Pentecostal não são idiomas em nenhum sentido. Daí se conclui que o pentecostalismo contemporâneo exerce apenas uma linguagem desconexa e, ao mesmo tempo, sujeita ao próprio idioma pátrio, sem nenhuma sobrenaturalidade. Bom, vejamos porque Yago Martins está muitíssimo equivocado neste assunto. 

1. Martins comete o pecado original da teologia liberal protestante: a ciência, seja biológica ou social, como autoridade teológica. 

É até engraçado que alguém oriundo da tradição reformada fundamentalista venha usar o “laboratório”, o templo do naturalismo, como o método do fazer teológico. Nem os mais radicais evolucionistas teístas fazem isso. Os evolucionistas do evangelicalismo recorrem primeiramente à hermenêutica e, especialmente, usam métodos de exegese para entender a mensagem factual de Gênesis 1 a 3. Goste-se ou não do evolucionismo teísta, esse busca uma causa exegética e não simplesmente científica. Porém, em Martins o método científico vem antes da exegese. Aliás, ele nem vem antes. É simplesmente o único e definitivo no papel de autoridade. 

- Ah, você não assistiu a exegese que Yago Martins faz sobre a glossolalia?, alguém pode perguntar. Sim, é claro, mas a premissa A não leva à premissa B. Ou seja, concordar com o Yago que a língua sobrenatural no Novo Testamento era apenas idiomas humanos não leva à conclusão que a glossolalia atual seja falsa. É somente com estudos linguísticos que ele toma a posição da premissa B. Teologicamente, a premissa B só faria sentido se Martins provasse (ou tentasse provar) exegeticamente a cessação do dom de línguas para a Igreja Cristã depois da era apostólica. E ao mesmo hermeneuticamente. Ora, como isso é impossível, então ele deixa a teologia de lado e se dedica à antropologia e suas derivações - como a linguística. Ou seja, a análise exegética da primeira parte do vídeo não leva à conclusão que ele toma a partir dos estudos linguísticos. Vocês viram quem é a real autoridade para Martins nesse assunto?

É ingenuidade abraçar a agenda de um linguista secularista, por exemplo, para fazer pneumatologia ou eclesiologia. É tomar o transitório na definição de doutrinas importantes da cristandade. “É impossível pressupor que o conhecimento científico de hoje determinará como as coisas serão vistas no futuro, ou que as teorias científicas atuais continuarão a manter a confiança das futuras gerações” [1], como escreveu o bioquímico e teólogo Alister McGrath. O processo científico é transitório, e isso é da própria natureza da ciência. Portanto, a teologia não pode ter como autoridade final o transitório. Não se trata de uma postura anti-intelectual ou mesmo anticientífica, mas é apenas o reafirmar da própria natureza científica. E, como se verá mais a frente, a famosa tese apresentada em 1972 pelo linguista William J. Samarin de que a glossolalia não é linguagem, e reproduzida fielmente por todo cessacionista, já possui contestações entre outros linguistas. Surpreso? Ora, é da natureza científica... É como o ovo, hoje uma pesquisa indica que o é o inimigo da saúde e amanhã outra pesquisa divulga que faz um bem danado para o coração. 

A teologia protestante liberal floresceu especialmente na Alemanha do século XIX. E foi justamente nessa época que muitos cientistas declararam que todo o conhecimento científico possível já estava disponível para o homem moderno. Havia um entusiasmo ingênuo, uma ideia de estabilidade, pois ápice do conhecimento tinha sido supostamente alcançado. Assim, a construção da base de uma cosmovisão cristã parecia mais sólida na ciência do que nas Sagradas Escrituras. Porém, nada como o tempo- não é verdade?- e logo a solidez da ciência triunfante do século XIX precisou ceder lugar para o repouso temporário, relativo e provisório da ciência do século XX e XXI. Aí vem a pergunta: é possível construir uma cosmovisão ou uma teologia a partir da ciência? E logo se ouve um sonoro “não”!

Ironicamente, o fundamentalismo costuma usar os métodos que tanto condena no liberalismo. E o racionalismo é um deles. O racionalismo é uma derivação do naturalismo do Iluminismo. Isso diferencia o pentecostalismo do fundamentalismo protestante, como bem escreveu o teólogo pentecostal Amos Yong, professor de teologia no Fuller Theological Seminary:


O surgimento do pentecostalismo nas primeiras décadas do século XX pode ser entendido, pelo menos em parte, como uma reação ao liberalismo e ao modernismo. Ao contrário dos fundamentalistas que, comprovadamente, tinham reagido ao modernismo usando o racionalismo do próprio modernismo; os pentecostais reagiram ao modernismo, em parte, com o desencadeamento de um grito de dentro do espírito humano. A glossolalia simboliza esse 'discurso' contra-moderno que irritou e derrubou as 'gaiolas de ferro' (Weber) do racionalismo iluminista." [2]


Evidentemente que Yago Martins não é um teólogo liberal. Ele está na e expressa a tradição reformada conservadora e fundamentalista. Ele parece até ser membro de uma “batista regular”. Porém, é necessário observar que o entusiamo dele com as conclusões de alguns estudos linguísticos não combina com o princípio do conservadorismo teológico em ter a Bíblia como a única regra de fé. A conclusão teológica de Yago não depende uma linha sequer da exegese ou mesmo da hermenêutica, apenas de “estudos de laboratório”. Por que, então, não adotar todas as conclusões da Alta Crítica ou as explicações naturalistas para as pragas do Egito ou a abertura do Mar Vermelho? Ou então, por que não aceitar cada explicação já dada para os milagres de Jesus? É um caminho desejável? Embora o diálogo com a ciência seja não só importante como essencial, a teologia não pode ficar refém de uma estrutura cadente. A própria razão leva o homem para avanços cognitivos e não para conclusões definitivas. A fé cristã é racional, mas não racionalista. E a teologia é primeiramente dependente da fé [3]. 

Mas, preste bem atenção, este texto não descarta a explicação científica para a interpretação teológica. Não, nada disso. Toda verdade é verdade de Deus, já diziam os pais da Igreja. O que se condena aqui é a dependência ÚNICA da ciência para a interpretação de um assunto bíblico. E é isso que Yago Martins faz nesse vídeo. 

2. Martins trabalha como a perspectiva da heterofenomenologia, ou seja, a autoridade do “outro” para observar a experiência de um terceiro. É um reducionismo materialista. 

O relato e a percepção do indivíduo que experimenta um fenômeno é válido para o trabalho científico? Não, segundo certos cânones da ciência contemporânea. A heterofenomenologia seria, por assim dizer, um método neutro e “mais confiável”. Ora, todavia existe neutralidade? Só porque alguém observa o outro “de fora” há garantia de isenção? Existe análise neutra quando essa é autoritativa a partir de um segundo ou um terceiro indivíduo? O outro que despreza a experiência do eu alheio pode confiar no eu próprio? Bom, deixando o tecnicismo de lado: o relato de milhões de pentecostais no último século é desprezível? Essa multidão de relatos pessoais deve ser simplesmente ignorado? Há como fazer uma pesquisa séria sem, ao menos, partir do princípio que essas opiniões devem ser analisadas? Ou por que, por exemplo, o relato da autotranscendência de um carismático não pode trazer para a ciência um método de estudo? A narrativa do indivíduo é importante no desenvolvimento do conhecimento, é “algo parecido com um autorrelato em que a  primeira pessoa comenta o próprio estado mental”, como escreveu Frederick L. Ware, professor da Howard University School of Divinity e pastor ordenado pela Igreja de Deus em Cristo, uma das maiores denominações pentecostais [4]. Se tal percepção é importante na ciência, ainda mais na teologia. Vale lembrar que o relato da ressurreição é um fenômeno testemunhal.  

O cristão, caso ceda somente ao argumento científico, não será diferente de qualquer naturalista. Da mesma forma, esse mesmo cristão não pode apelar apenas ao fideísmo, como se a fé fosse capaz de explicar tudo. Há coisas que estão além da ciência e além da fé. A relação entre fé e ciência deve ser holística. Ou seja, a fé e a razão são partes constituíntes do todo. E aí é necessário reproduzir outro insight do teólogo pentecostal Amos Yong:


Previsivelmente, os polemistas tentaram construir, a partir de dados científicos selecionados, um ataque pessoal aos pentecostais, por exemplo, como sendo esses tipicamente histéricos ou prejudiciais a espiritualidade e a piedade como um todo. Tais polêmicas são, no entanto, inevitavelmente reducionistas. As explicações fornecidas em qualquer nível — neurobiologia, psicologia ou sociologia, por exemplo — são pensadas para explicar completamente o fenômeno em questão. Todavia, essas conclusões polemistas são extra-científicas, e, lamentavelmente são introduzidas no sistema ao invés de construir uma variável a partir de qualquer conjunto de dados individuais. Pressupõe-se que uma explicação de nível inferior capta exaustivamente tudo o que há para saber sobre o que está em discussão ou que o próprio mundo é um sistema fechado de causas e efeitos onde se exclui uma dimensão religiosa ou teológica. [...] É questionável, no entanto, se a ciência pode produzir tal conclusão por si só. Parece que, em vez disso, qualquer explicação adequada do fenômeno religioso, incluindo a glossolalia, deve prestar atenção também para as explicações religiosas e teológicas de seus praticantes. Quando isso é contabilizado, um verdadeiro encontro entre ciência e religião poderá correr em duas direções: a) Por um lado, os pontos de vista científicos iriam complementar e até mesmo enriquecer nossas descrições religiosas e teológicas, em vez de ameaçá-los; b) por outro lado, as perspectivas religiosas e teológicas também adicionariam uma profundidade às explicações científicas, proporcionando "descrições densas" do fenômeno investigado. Então se a atividade do Espírito Santo não exclui o papel do ser humano, por que deveria uma interpretação teológica impedir explicações científicas e vice-versa? [5]


Portanto, é sadio para um cristão resumir sua crença apenas a uma explicação científica? Isso é amar o saber? Não, não é. É apenas uma postura, uma cosmovisão naturalista. A ciência, e nesse caso a linguística, não pode ser a única autoridade para afirmar que a glossolalia não está mais disponível para a igreja contemporânea.  

3. Não há outro linguista além de Samarin! Amém? 

Yago Martins, de maneira proposital ou por desconhecimento, esquece de citar o trabalho do linguista e comunicólogo Michael T. Motley, professor da Pennsylvania State University, escrito em 1982 com o título A linguistic analysis of glossolalia: Evidence of unique psycholinguistic processing [6]. O trabalho é uma contestação ao consenso que havia entre os linguistas da época (Samarin, 1972; Carlson, 1967; Jaquith, 1967; Nida, 1965) de que a glossolalia não era um linguagem/idioma e que o orante carismático estava totalmente dependente da língua-mãe. É um contraponto especial ao linguista William J. Samarin com a tese Tongues of Men And Angels: the Religious Language of Pentecostalism de 1972. Samarin é o principal teórico usado pelos cessacionistas. E, John MacArthur Jr.- sempre ele- popularizou esse nome entre os fundamentalistas [7]. 

Ao analisar dezenas de carismáticos “falando em línguas” e ao mesmo tempo sendo um publico provinciano, ou seja, sem nenhum contato amplo com estrangeiros em viagens ou por meios culturais, o linguista Michael T. Motley observou uma variedade alta de fonemas de línguas orientais (eslavo-russo) e até do espanhol (língua latina) entre falantes nativos do inglês (anglo-germânico). É um fenômeno totalmente contrário a conclusão de Samarin, pois esse foi categórico ao afirmar que o glossolálico norte-americano tinha na fala carismática a única presença dos fonemas de língua inglesa. 

Motley não é pentecostal. Ele fez uma análise técnica e concluiu que até o conhecimento presente não é possível catalogar a glossolalia como uma “não-linguagem”. Motley indicou que a glossolalia é uma espécie única de codificação da fala e, sim, possui inúmeras características idiomáticas (!). Ele não atribuiu à glossolalia algum fator sobrenatural, mas indicou claramente que a vocalização de línguas tão longínquas como o russo poderia ser falado por um americano monolinguístico. É interessante observar que o estudo de Motley contou com mais de 80 pessoas, enquanto alguns outros trabalhos no mesmo sentido não teve nem uma dezena de voluntários. 

Motley também ensinou que, pelas regras fonotáticas, todas as línguas aceitam determinadas combinações de fonemas e rejeitam outras. Os trabalhos anteriores indicavam que a glossolalia era especialmente pobre de encontros consonantais, porém, nas amostras de Motley havia um número excepcionalmente elevado dessas amostras. Por exemplo, as chances entre os glossolálitas de usar o “f” seguido” do “w” era expresso pelo número .50, enquanto como falantes da língua inglesa a chance caia para .001. Ele escreveu: “As diversas e grandes probabilidades de transição de combinações consonantais na glossolalia implica que a própria glossolalia é foneticamente estruturada, em vez de foneticamente aleatória, e as diferenças entre as probabilidades particulares de encontro consonantais entre a língua inglesa e glossolalia implica que a estrutura fonotática da glossolalia não é regida pelas tendências fonotáticas do inglês” [8]. Outro exemplo interessante é que Motley observou que encontros consonantais como pw/vr/fw e wx eram abundantes nas falas da glossolalia, mas não possíveis na língua inglesa. Ou seja, os falantes da glossolalia estavam quebrando regras fonotáticas da língua materna sem desestruturar a fala. 

Outra conclusão de Motley foi a respeito dos morfemas. Morfemas são as partes de uma palavra. No estudo entre os voluntários ele observou que dentro de um intervalo de falas havia 282 tipos de morfemas (enquanto falavam a língua nativa) e 269 morfemas (enquanto falavam em glossolalia). Dentre esses morfemas apenas 61 deles foram comuns nas duas linguagens. E dos morfenas não-comuns entre as duas falas muitos não ocorreriam normalmente no inglês. Isso contraria diretamente a tese base de Samarin que a glossolalia somente possui sílabas nativas. “Além disso, consequente exame revelou que, em ambas as variedades, sequências de morfema, que é de dois ou mais morfemas adjacentes, foram definitivamente não-ingleses. Isto significa que, como morfemas foram selecionadas e sequenciados, de fato eles não foram baseados nas regras de morfologia inglesa e do léxico desse idioma” [9]. E Motley também verificou outra diferença para com a língua nativa: a acentuação. A acentuação nas sílabas vogais tinha não só regularidade (constância não-aleatória) como diferiam das comuns ao orador nativo. 

Motley notou que a glossolalia, longe do mero delírio, apresentava grande semelhança com as línguas naturais em uma questão-chave: a alta previsibilidade da posição de determinadas unidades de palavras nas estruturas das frases e das expressões. Ou seja, a estrutura glossolálica opera dentro de um sistema de regras lexicais e sintáticas. Ou seja, aquela velha acusação que a glossolalia era apenas o idioma pátrio seguido de expressões aleatórias não correspondeu às experiências laboratoriais de Motley. “Mesmo que havendo informações sobre o significado dos enunciados, concluiu-se que tal não-aleatoriedade dentro da glossolalia obviamente a caracteriza como  linguagem e, também, pressupunha a presença de sintaxe (Motley, 1981).


morfemas.png


Por que um linguista como Motley toma conclusões tão diferentes de seus pares? Ele atribuiu isso principalmente a superficialidade das pesquisas anteriores. Motley não só tomou amostras maiores como analisou o detalhamento da linguagem da glossolalia para concluir: o falar em línguas é em sua conclusão uma linguagem. É uma linguagem não derivada, ou seja, independente da língua-mãe do orador.

Outros trabalhos desqualificavam a glossolalia indicando que essa era fruto de transe, ou seja, falta de controle emocional. Talvez seja a tese mais popular (e mais errática) desde Freud. Esse era o trabalho principal da linguista Felicitas D. Goodman em 1972 no texto Speaking in Tongues: A Cross-cultural Study of Glossolalia. Já William Samarin também admitiu a possibilidade de alguém expressar uma linguagem desconhecida, mas apenas como transtorno de personalidade. Contrariando o consenso, a linguista polonesa Violetta Makovii observou em 2013 um total de 52 voluntários e tomou nota que nenhum deles apresentou qualquer sinal de transe ou doença mental. Todos, absolutamente todos, indicaram não só consciência do que se passava ao redor como, também, o controle para encerrar aquele momento glossolálico [10].  O curioso é que os trabalhos dos linguistas sobre a glossolalia tem, em sua maioria, mais de 40 anos. Depois disso muitos se fecharam em um falso consenso. Alguns trabalhos contemporâneos nada mais são do que a reprodução exata das ideias de Samarin sem acrescentar nenhuma vírgula [11]. É mais uma releitura do que a colocação a prova a tese de Samarin.

Outro ponto importante no trabalho de Samarin. Ele tomou os “critérios de linguagem” do linguista Charles Hockett e o aplicou integralmente à glossolalia. O próprio Hockett condenou a ideia de aplicar os 16 critérios de linguagem de maneira universal e absoluta. Ele mesmo escreveu que seus 16 princípios universais são generalizações indutivas, “hipóteses para serem testadas como novas informações empíricas assim que se tornarem disponíveis” [12].

Portanto, nem a linguística ainda tem uma palavra final sobre a glossolalia, mas quem assistiu ao vídeo do Martins tem a impressão que não existe contestação no meio científico à tese de Samarin. 

4. A frustração que vira teoria, ou ainda, o perigo de fazer teorização baseado em experiências ruis. 

Yago Martins afirma logo no início do vídeo:


Quando eu era pentecostal, algo sempre me deixou intrigado com o falar em línguas, quer fossem as minhas línguas estranhas ou a dos outros: se as línguas estranhas são de fato, idiomas, por qual motivo tantos homens só repetem a mesma sequência de sons vez após vez? Que tipo de idioma era este que possuía nada mais que a repetição das mesmas palavras e sons indefinidamente? [13]


Essa introdução é reveladora. Yago Martins, como muitos críticos do pentecostalismo, na verdade está atacando o fantoche do seu próprio pentecostalismo mal vivido. Muitos críticos normalmente são pessoas que frequentavam igrejas doentes, com pastores infantis e com um exército de obreiros ignorantes. Daí é fácil e até urgente romper com o caos e se declarar um “ex” isso ou aquilo. Infelizmente, muitos jovens pentecostais não encontram boas críticas entre os próprios pentecostais e logo abraçam a primeira canoa cessacionista. Acham no tradicionalismo protestante a salvação da ignorância. Bom, assim como os seus pastores esses jovens desconhecem que o pentecostalismo não é apenas as bizarrices do Benny Hinn ou Marco Feliciano, o pentecostalismo também é a erudição piedosa de homens como Donald Gee, Stanley M. Horton, Myer Pearlman, Antonio Gilberto, William Menzies, etc. É a paixão evangelística de David Wilkerson. O pentecostalismo também é erudição de primeira linha com nomes de peso: o hermeneuta Gordon Donald Fee; o teólogo e missiológo Amos Yong; o filósofo James K. A. Smith; o exegeta Craig Keener, o cientista da religião Bernardo Campos, etc. Talvez você até tenha lido algum trabalho desses homens sem se dar conta que eles são de um contexto carismático. 

Agora, Yago Martins afirma que tudo o que ele ouvia se resumia ao balbuciar dos mesmos sons e das “mesmas palavras”.  Só é possível julgar que a experiência pentecostal de Martins fora extremamente superficial. Ora, como alguém vive anos de pentecostalismo e apenas ouve “labaxúrias”, “cantarramarrás” e outros paralelos de vocalidade extremamente aberta na glossolalia? O autor desde texto é pentecostal desde 2001 e, assim como o Yago Martins, nesses anos todos já presenciou muitas bobagens, falsos idiomas, supostas falas que não passavam de repetição de sílabas ou vogais. Ouviu também muitas falas monossilábicas (exemplo: lálálálálá), mas a experiência não se resumiu (ou se resume) a isso. Inúmeras vezes em si e/ou ouvindo outros foi possível detectar frases estruturadas e complexas (com vogais e consoantes). Sim, até mesmo em um idioma conhecido, como o inglês, entre pessoas sem formação nem meramente básica nessa língua estrangeira. E a pergunta se repete: como alguém passa anos numa igreja pentecostal e nunca observa uma única glossolalia que vai além da mera repetição de sílabas? 

É lamentável que alguém experimente o pentecostalismo de maneira tão negativa e depois busque rejeitá-lo sem ao menos entendé-lo. Nesse quesito Norman Champlin foi feliz quando escreveu:


Ainda pior do que as línguas fraudulentas é a atitude de indiferença, da parte de alguns cristãos que se consideram ortodoxos, os quais pensam que os valores religiosos residem na correção dos credos. Precisamos desesperadamente de experiências espirituais mais profundas. Precisamos aquecer as nossas mãos nas chamas da presença de Deus. Precisamos ver o Rei. Dessa maneira, a fé assume grande poder de convicção. Precisamos tanto do poder quanto da convicção. [14]


Rejeitar com entendimento é melhor do que a rejeição por paixão e afetação emocional de um passado mal resolvido. O que faltou a muitos ex-pentecostais foi o pentecostalismo.

5. As “labaxúrias” da vida não são expressões idiomáticas. Todavia, a glossolalia se resume a isso?

Esse texto não foi escrito para negar as inúmeras falsificações transvertidas em glossolalia. Obviamente há vários pentecostais que falam “línguas” porque aprenderam, inconsciente ou não, e repetem como meros reprodutores de um ambiente envolvido de carisma- no sentido sociológico do termo. É fácil reproduzir e até imitar essas línguas de vogais abertas. E, sim, até mesmo os bebês podem reproduzí-las de alguma forma. Porém, como já foi visto acima, a glossolalia não se resume a isso. Pelo contrário, no estudo de Michael T. Motley, como já acima mencionado, a glossolalia analisada apresentou mais combinações de consoantes do que o próprio idioma inglês. 

E outra observação: mesmo que a glossolalia fosse apenas constituída de palavras com sílabas abertas (ou seja, sílabas que terminam com sons de vogais não fechadas por uma consoante), o que não é, ainda assim não poderia ser descartada como idioma. Como lembra William Graham MacDonald, especialista em grego e pastor pentecostal, há idiomas não-ocidentais que usam constantemente palavras com sílabas abertas, ou seja, o som é rico em vogais e, também, há reduplicação de vogais [15]. Um exemplo é a língua japonesa e o dialeto telegu, um dos principais da Índia. Como ilustração: na frase em japonês “watashi wa hon o kaitai” (“eu quero comprar um livro”) a sonoridade vogal domina. Matthew Wolf escreve:


O fato de que glossolalia exibir geralmente os sons mais fáceis e fala articulada mais comum (chamados de sons não-marcados por linguistas) é tomado como evidência de ser uma não-língua. Isso é impressionantemente contraintuitivo, uma vez que as línguas naturais também preferem os sons menos marcados. A conformidade com os princípios de caracterização é um sinal de que a glossolalia é mais semelhante à linguagem; isso mostra que os processos mentais que regem a linguagem comum também regem a glossolalia. [...] Pode ser que a familiaridade dos pesquisadores com o inglês (e o português), que apresenta um inventário de som mais diversificado e marcado do que muitas línguas, exagerou a impressão de que glossolalia seja marginal. No estado atual da investigação, a glossolalia poderia ser chamada de fenômeno não-semântico ou não-gramatical, mas descrevé-lo como "não-linguístico" ou "pseudolinguagem” é inapropriado. [16]


Ao ouvir a crítica de Martins fica parecendo que todo pentecostal é alienado, pois confunde o mero balbuciar natural do ser humano (derivado a tentativa de um bebê ao falar) com um idioma. Entre pentecostais há especialistas em grego e hebraico, poliglotas, linguistas e aqueles que trabalham com comunicação... É até ofensivo insinuar indiretamente que essas pessoas não sabem discernir entre o balbuciar infantil e um idioma. A não-aleatoriedade da glossolalia, como proposta por Motler, ainda não encontrou respostas nesses estudos. O balbuciar de um bebê é aleatório, mas a glossolalia normalmente não é. 

Conclusão

Este texto trabalha apenas a segunda premissa de Yago Martins e, assim, conclui que 1) a teologia não pode ser completamente dependente da ciência; 2) a fé não pode ignorar o conhecimento científico, mas a sua relação é holística e não hierárquica; 3) há estudos que indicam ser a glossolalia uma linguagem; 4) não há consenso entre estudiosos da língua sobre esse tema; 5) Yago Martins critica a própria experiência superficial e generaliza para meio bilhão de pentecostais no mundo; 6) as conclusão de Yago não dependem da premissa A (que é teológica), mas apenas da premissa B (que é apenas científica); 7) Yago Martins despreza o relato testemunhal dos pentecostais de maneira categórica; 8) e, como lembra Matthew Wolf, “o desejo de provar o milagroso não deve ser o que impulsiona os pentecostais no engajamento científico” [17], pois esse é transitório e limitado. 

PS: Motley não analisou 80 voluntários, como dito no texto acima. Essa afirmação foi fruto de um erro de tradução da minha parte. No estudo original houve a análise intensiva de apenas um voluntário. Peço desculpas pelo equívoco que poderia ser evitado com uma leitura mais atenta. Apesar do equívoco, a ideia central do texto permanece inalterada.

Referências Bibliográficas:

[1] McGRATH, Alister. O Deus de Dawkins. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2008. p 128. Para ler um livro que relaciona fé e ciência de maneira equilibrada veja: BANCEWICZ, Ruth (ed). O Teste de Fé: Os cientistas também creem. 1 ed. Viçosa: Editora Ultimato, 2013. A editora do livro, a geneticista Ruth Bancewick, assim com o físico Ard Louis, outro colaborador do livro, são pentecostais. 

[2] YONG, Amos. Academic Glossolalia? Pentecostal Scholarship, Multi-disciplinarity, and the Science-Religion Conversation.  Journal of Pentecostal Theology 14:1 (2005), pp 61-80.

[3] “A teologia nasce do coração da própria fé. É, na definição felicíssima de Sto. Anselmo, ‘a fé que ama saber’. Igualmente o amor, que nasce da fé, deseja saber as razões porque ama. Tal é a dupla objetiva da teologia”. BOFF, Clodovis. Teoria do Método Teológico. 6 ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2014. p 17.


[4] WARE, Frederick L. Can Religious Experience Be Reduced To Brain Activity? The Place and Significance of Pentecostal Narrative. em: SMITH, James K. A e YONG, Amos. Sience and the Spirit: A Pentecostal Engagement with the Sciences. 1 ed. Bloomington: Indiana University Press, 2010. p 114. 

[5] YONG, Amos. How Does God do What God Does? Pentecostal- Charismatic Perspectives on Divine Action in Dialogue with Modern Science. em: SMITH, James K. A e YONG, Amos. Sience and the Spirit: A Pentecostal Engagement with the Sciences. 1 ed. Bloomington: Indiana University Press, 2010. pp 45,46. 

[6] Uma síntese da controvérsia entre os linguistas pode ser lida nesse trabalho de filologia em: MAKOVII, Violetta. The linguistic and non-linguistic aspects of glossolalia and xenoglossia. University of Economy in Bydgoszcz: Faculty of Applied Studies. Polônia. 2013. p 1-34. 

[7] MacARTHUR Jr., John F. Os Carismáticos: Um panorama doutrinário. 5 ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2002. p 172. 

[8] MOTLEY, Michael T. A linguistic analysis of glossolalia: Evidence of unique psycholinguistic processing. Communication Quarterly. Volume 30, Issue 1, 1982. pp 18-27.

[9] MOTLEY, Michael T. Idem

[10] MAKOVII, Violetta. Idem. Um conclusão fácil do trabalho da acadêmica polonesa é que a glossolalia não é necessariamente uma manifestação de êxtase ou mesmo que seja um “estado alterado de consciência”, como defendeu Felicitas Goodman. Mesmo William Samarin observou que o trabalho de Goodman esquece um dado básico: nem todo glossolalista entra em transe. 

[11] Os argumentos antigos e contemporâneos podem ser resumidos em três frases: “Glossolalia é de maior interesse social e psicológico do que interesse lingüístico, uma vez que as vocalizações não constituem uma língua”.  [HOWELL, Richard W. e VETTER,  Harold J. Language in Behavior. 2 ed. New York: Human Sciences Press, 1985 p. 206.] “Quando compreendemos o que é linguagem, podemos concluir que nenhuma glossa, não importa o quão bem construída seja, é um espécime de linguagem humana”. [SAMARIN, William J. Tongues of Men and Angels: The Religious Language of Pentecostalism. 1 ed. New York: Macmillan Press, 1972, p. 127.] Apesar das semelhanças superficiais, a glossolalia não é fundamentalmente uma língua. [Samarin, Idem , p. 227.].

[12] WOLF, Matthew. Tongues and Language: Renewing the Linguistic Study of Glossolalia. Journal of Pentecostal Theology. v 20 (2011) p 122–154.

[13] MARTINS, Yago. As Línguas Estranhas Pentecostais são Línguas de Verdade? Racionalizando 3. Dois Dedos de Teologia. Fortaleza, 2015. Acesso em 03/02/2015. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=dW4zdJqwhME>


[14] CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 2 ed. São Paulo: Editora Hagnos, 2002. Vl 3. p 849.

[15] MacDONALD, William Graham. Biblical Glossolalia. Enrichment Journal. Springfield, 2015. Acesso em 04/02/2015. Disponível em: <http://enrichmentjournal.ag.org/200501/200501_Glossolalia_4.cfm

[16] WOLF, Matthew. Idem. 

[17] WOLF, Matthew. Idem.

40 comentários:

Anderson disse...

Excelente texto para ser lido e relido, aprendi bastante e fortaleceu minha fé pentecostal. Muito bom saber que há pentecostais engajados em defender sua fé sem intrigas e com bastante respeito.
Acompanho o Yago há muito tempo e tem um trabalho ótimo, o que discordo dele é nessa visão cessacionista.
Algo que me incomodou no vídeo é justamente a questão de que as expressões da glossolalia são sempre as mesmas. Pensei, de duas uma ou ele viveu muito pouco tempo no ambiente pentecostal ou está simplesmente uma negando o notório no culto pentecostal.
Sem mais, uma bela desconstrução do argumento "cessacionista-científico".
Paz.

Daladier Lima disse...

Onde assino?

Abração!

ROBSON SILVA disse...

Amigo, estás virando um erudito teólogo apologista pentecostal. Que posso eu dizer - como bom pentecostal - se não: Glóoooooriaaa a DEUS!!!

Que o Eterno prossiga te enriquecendo de graça, sabedoria, humildade e determinação.

Prossigo(a) para o Alvo... Fp.3.14

Pastor Geremias Couto disse...

Bravo!

n3tho disse...

Fazia tempo que não lia um texto tão brilhante!

Como já falou o irmão Anderson, fortaleceu ainda mais minha fé pentecostal!

David Lima disse...

uooolll!! Muito bom!

Diego Antunes disse...

Boa Noite. Paz meu irmão! Texto muito bem explicado! Toda via, gostaria que me provasse biblicamente através da hermenêutica, usando métodos de exegese, que as línguas usadas pelos pentecostais hoje, são as mesmas línguas no NT... Partindo do pressuposto no qual você citou "Matthew Wolf" de que não tem desejo de provar o "milagroso" pois isso não deve ser o que impulsiona os "pentecostais" no engajamento científico”... Eu pergunto: Essas línguas, é um "dom", ou "milagre"? Como citado... Sabemos que Milagre não se explica é claro... Mais "dom", será que não se explica?... Enfim... É uma duvida que tive relação ao assunto, e a sua Conclusão. Deus o abençoe. A paz.

Anônimo disse...

Umas perguntas por que falar em linguas? Quem bem traria hoje para igreja? Se nao tem um interprete nao deveset usado.

Jossy Soares disse...

Brilhante!

J Alencar disse...

Excelente.

Diego t ferreira disse...

Bela defesa Gutierres!!!

Rubcler M. disse...

A Paz do Senhor,
Excelente os dois textos...Precisamos de mais apologias pentecostais, pois muitos jovens hoje não sabem nem o que é batismo no/com Espirito Santo...
PrRubcler

Carlos Roberto Silva, Pr. disse...

Caro Gutierrez,

A Paz do Senhor.

Seu excelente texto é uma brilhante defesa à causa pentecostal.
Fui abençoado!
Saúde & Paz!

Amagomes disse...

Muito boa discussão. Em alto nível e por isso mesmo, edificante e esclarecedora. Também admiro e acompanho o trabalho do Yago, mas obviamente não concordo com tudo o que ele diz e o mesmo se aplica a este espaço. Parabéns pelas argumentações.E de debates nesse nível que precisamos para aprender mais da forma correta e não para nos acharmos superiores ou mais crentes que os outros.

David Sander disse...

Fantástico!

Marlom Araujo disse...

Brilhante! Cessacionistas não tem base bíblica alguma para defenderem sua causa, ao invés de defenderem a bíblia, tentam forçar interpretações e ignorar certas passagens que são muito claras, para colocar bases no cessacionismo, mas ao perceberem o quão frágeis e falsas são essas bases, vão buscar outras em outras áreas porque na bíblia não encontram.

carlos roberto N GOMES disse...

Para mim ficou provado que a ciência não é muito confiável nas questões espirituais; muita erudição, nenhum uso da bíblia, nenhuma abordagem exegética.
Carlos roberto N Gomes

Wilma Rejane disse...


Irmão Gutierres,

O argumento do Yago se exposto a própria ciência (que ele utiliza como base de sua defesa) se constituirá em falácia: argumento inconsistente gera conclusão inválida.

Você foi brilhante, caro colega!

Deus o abençoe.


Angelo André disse...

Só queria fazer um adendo ao autor do texto. O irmão escreveu na tentativa de provar que o Yago estava errado, ele fato provou, mas onde está o argumento hermenêutico e exegético, conforme foi tão citado na crítica ao Yago, para provar que tal dom é para hoje? E mais, raramente, atente para a expressão raramente, vemos no seioz pentecostal as línguas estranhas sendo interpretadas conforme a REDOMENDAÇAO DO IRMÃO PAULO, POR QUÊ? Nesse caso, o pentecostalismo é mais coerente do que as Escrituras?
Só uma coisa, imprimo o meu pensamento, meramente na tentativa de obter repostas conclusivas.

samuel silva disse...

Calma ae gente, não se deve esconder os méritos.Primeiro, estamos diante de dois competentíssimos estudiosos. Segundo, o que nosso irmão Gutierres diz, que método cientifico não determina conclusoes biblico-teológica é fato. Terceiro, o nosso irmão Yago não deve ser tomado como a única voz representante do cessacionismo.
Se faz necessário analisar outras muitas obras e comentários sobre o assunto, entre as quais indico - Glossolalia: de Deus ou de homem, de Jimmy Gividem

samuel silva disse...

meu nome : Samuel José da Silva

Gustavo Silva disse...

Caro, você diz que não pode basear Teologia apenas em um sistema científico mas logo depois utiliza um artigo para promover o seu ideário. Em segundo lugar, se você for cientista deve saber que "vozes no deserto" como a do dr. Motley, via de regra, representam uma das 2 opções: 1) pesquisa conduzida erroneamente e que, por isso, não encontra respaldo no meio científico e 2) pesquisa "por encomenda" (e não acredito que seja o caso). Um último comentário a respeito dos argumentos é a facilidade com que você usa o ad populum dizendo que todas as inúmeras experiências pentecostais não podem ser simplesmente invalidadas assim. Mesmo assim, a conclusão é interessante porque mostra como, às vezes, os "ismos" tal como o Pentecostalismo é colocado acima da Palavra. Isso porque, mesmo se todo o seu argumento estiver correto e de fato as línguas forem idiomas que em nada tem a ver com a língua-mãe, isso significa que, assim como em Atos 2, o Dom deve ser usado para pregação do Evangelho (1Cor 14:22) e para isso algumas coisas são necessárias como: a presença de um não-falante da língua local(Atos 2:5) e um intérprete (1Cor 14:28). Novamente em 1Cor 14:28, é dito que se não houver quem interprete o cristão se mantenha em silêncio. Enfim, não sou cessacionista, acredito no Dom de línguas firmemente mas num Dom bíblico (http://novotempo.com/estaescrito/o-dom-de-linguas-biblico/) e não no que ocorre na maioria das igrejas pentecostais (basta ver não só a experiência do Yago, mas também as comunidades locais e até mesmo vídeos na internet). Posso ser chamado de "batista regular" também apesar de achar que foi de forma pejorativa, mas em um vídeo mais recente do canal do Yago você pode ver ele dando mais detalhes e dizendo também não acreditar na cessação dos Dons, o que não acreditamos é no dom de línguas de muitos pentecostais.

Gutierres Siqueira disse...

Aos que reclamaram a falta das Escrituras no texto ou mesmo de uma análise hermenêutica. Em primeiro lugar, o texto é para mostrar que não há consenso científico sobre o tema como o Yago deu a entender no vídeo. Em segundo lugar, o texto ficaria essencialmente longo e, em breve, publicarei uma análise exegética sobre o tema. Em terceiro lugar, a minha crença na potencialidade do dons de línguas não está baseada em conclusões de linguistas, mas naquilo que as Escrituras ensinam. E em quarto lugar, o texto, como qualquer texto meu, não pretende esgotar o tema em um único post.

Anônimo disse...

Base bíblica pra provar que é possível falar "linguas sobrenaturais" você tem alguma? E mesmo que tivesse, o que eu sei que não tem, já leu 1Co 14? O que vejo nas igrejas pentecostais está em TOTAL desacordo com Coríntios 14, pois se não há interprete, QUE SE CALE, simples assim, mas ao invés de se calarem, seguem numa bagunça total, causando desordem e confusão no culto.

JOSIAS LEO disse...

SE esse irmão Yago não crê no poder de DEeus, como ele mostra que não crê, como ele terá uma prova de demonstração dele? Não creio, logo, não usufruo. Realmente ele deve ter tido uma péssima experiência pentecostal. Aqui em Recife, várias vezes, vi e ouvi Deus usar seus servos em outras línguas, e percebia-se que havia períodos inteiros, não só frases, até mesmo em língua conhecidas, mas que o falante não conhecia, como um irmão aqui que Deus o usava em francês fluente.Glória a Deus que temos bons apologistas. Te cuida, Calvino!

Lejota Produções disse...

Até os da universal está copiando o texto nos comentários do vídeo.

Maravilhoso texto...

Jair Ramalho disse...

ainda que.... (não estou dizendo que seja) fosse realmente linguas "estranhas" ou de "anjos" segundo o que paulo ensina em 1 Coríntios 14:27-28 " E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete.
Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.' o uso de tal dom continuaria equivocado...

Yuri De Martino disse...

Ok, discorreu bem sobre o argumento Científico. Posto tudo isso, qual o argumento Teológico que prove a autenticidade? Além da experiência oque pode comprovar que este dom é real?

João disse...

Texto interessante, porém não provou o contrário.

Granconato disse...

Viram o PS do artigo? A "tese" de Mottley foi construída após ele observar UMA pessoa!!! Fala sério!

Granconato disse...

Se alguém me dissesse que os dinossauros ainda existem, eu não buscaria evidências e artigos científicos para verificar se é verdade ou não. Só perguntaria onde os dinossauros estão. Simples assim. Da mesma forma, se o dom de línguas existe, onde ele está? Se existisse, não deveria ser tema de debates. Estaria aí em qualquer igreja, todos os dias, sempre impressionando a todos. O que se vê, porém é só a experiência que o Yago compartilhou. O próprio autor do artigo disse que só ouviu algumas vezes pessoas falando frases estrangeiras mesmo. Ora, se o dom existe, devia ser a coisa mais óbvia, notável e frequente nas reuniões cristãs. E que dizer dos 19 séculos sem quase nada sobre isso. Será que o Espírito só passou a dar o dom novamente em 1900, na rua Azuza? Ora, tenham dó!

Granconato disse...

Sou pastor de uma igreja tradicional. Nos últimos dois anos, TODOS os novos membros da minha igreja vieram de igrejas pentecostais e outros estão chegando. Esse grupo chega a umas trinta pessoas.e o grupo só não é maior porque o processo de entrada no nosso rol de membros é lento. Outros pastores tradicionais têm testemunhado o mesmo fenômeno em suas igrejas. Aliás, temos duas congregações onde o mesmo está acontecendo. E os que chegam sempre contam a mesma história de desilusão com as experiências pentecostais, inclusive línguas. É uma desilusão GERAL. Será que a experiência de frustração do Yago não é a experiência comum nesse meio? Creio que sim. Ninguém se alimenta com frutas de cera. Da mesma forma, alimento espiritual falso não nutre a alma de pessoa alguma. Graças a Deus um despertamento verdadeiro está começando. Hoje mesmo, duas familías pentecostais me procuraram para dizer que querem vir pra minha igreja.

Ferreira Ferreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ferreira Ferreira disse...


Parabéns! Excelente Refutação!


Exemplo prático.John L. Sherill, em seu livro Eles falam em Outras línguas,pp153-155, afirma que apresentou a seis lingüistas(três deles da Universidade de Colúmbia)fitas de vozes de pessoas que falavam em línguas, que ele gravou em cultos pentecostais.Um deles era técnico no estudo e estruturas lingüísticas.Ao ouvirem essas fitas , não puderam identificar coisa alguma dessas línguas.Disseram que eram línguas estruturadas , embora não as identificassem.(Extraído da revista da escola dominical- CPAD)

R. Cunha disse...

Granconato disse:

"Só perguntaria onde os dinossauros estão. Simples assim. Da mesma forma, se o dom de línguas existe, onde ele está? Se existisse, não deveria ser tema de debates. Estaria aí em qualquer igreja, todos os dias, sempre impressionando a todos."

Os dons na Igreja neotestamentária se deram em todas elas ou apenas em Corinto, Tessalônica e Roma? Pra quem bate no peito e enche a boca com Sola Scriptura, deveria conhecer um pouquinho mais de Bíblia.

Quanto ao mais Gutierres, penso que o último livro do Carson (A Manifestação do Espírito) esgota a questão, sobretudo porque dialoga exaustivamente com outras teses, bem como apresenta um trabalho exegético irretocável. É uma obra primorosa.

Por fim, Granconato e seus pares reclamam tanto o fato de que experiências não provam nada, mas seu único argumento para refutar os dons aqui neste artigo, além da reclamação por evidências (ilustrada com um tolo exemplo de dinossauros), é a suposta frustração revelada de ex-pentecostais, segundo ele, diante do êxodo deles buscando abrigo em SUA igreja. Fala sério... Já não basta a surra que este senhor levou de um arminiano em rede nacional de TV?

Alan DLF disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alan DLF disse...

o que foi escrito pelo profeta Joel ainda vale para os nossos dias,os dons espirituais, o falar em linguas.....

No Novo Testamento, sempre que lemos que algo foi cumprido, isso significa completa e plenamente, sem necessidade de um cumprimento posterior ou final. Vejamos alguns exemplos do Evangelho de Mateus, onde, a cada evento, está escrito “para que se cumprisse”:

Mateus 1.22-23: o nascimento virginal.
Mateus 2.15,17-18,23: a fuga para o Egito, a matança dos inocentes em Belém e Jesus ser chamado de Nazareno.
Mateus 4.14-16: a profecia sobre Zebulom, Naftali e a Galiléia dos gentios.
Mateus 13.14-15,35: a cegueira dos fariseus e o falar em parábolas.
Mateus 21.4-5: a entrada triunfal em Jerusalém, montado em um jumento.
Mateus 27.9-10: a traição por trinta moedas de prata e a compra do campo do oleiro.

Todas essas profecias não terão um cumprimento futuro, uma vez que já estão cumpridas. A exatidão da Bíblia a respeito fica evidente no dia de Pentecostes. Quando este aconteceu, não está escrito que era o cumprimento da profecia de Joel,“mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei o meu Espírito sobre toda carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão” (At 2.16-17). Por que Pedro não usa a palavra “cumpriu”? Porque Pentecostes ainda não era o cumprimento definitivo e final dessa profecia de Joel. Ela ainda está em aberto e espera seu cumprimento final, que se dará quando Jesus voltar. É o que vemos também em João 19.36-37: “E isto aconteceu para se cumprir a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado. E outra vez diz a Escritura: Eles verão aquele a quem traspassaram”. No versículo 36 a Escritura está cumprida; no versículo 37 ainda não, uma vez que essa parte é futura, o que explica a diferença na afirmação.

Alan DLF disse...

Esta é para os Calvinistas cessacionistas,coloquei para o Martins no you tube ele jamais comentou este texto.(está no Inglês, e Português)

Did John Calvin Speak in Tongues?


Here is an interesting article from the archives of The Paper, a student publication of Gordon-Conwell Theological Seminary. On page 6 of the March 24, 1975 issue is a short piece by Quent Warford, “Calvin Speaks Unknown Tongue.”

Forasmuch as there has been much inquiry concerning the discovery at the Episcopal Divinity School, I feel obligated to shed what light that I can on the matter. After, all, molehills do have a way of being made into mountains, given enough discussion.

Quite frankly, I personally find any notion preposterous, to the effect that Calvin experienced glossolalia. Therefore, the only logical thing to do is to take the advice of my dear Church History professor, and go to the primary source.

The volume which allegedly contains the account of Calvin’s ecstatic utterances is in the library at the Episcopal Divinity School. It is his biography by his friend and confidant, Theodore Beza, entitled De Vitam Iohannes Cauvin. It is contained in The Vault, the Rare Book Room at E.D.S. Entering The Vault involves a great deal of red tape, and the invocation of the higher powers of the B.T.I. Prof. Hiles’ dining-hall pass also came in handy.

De Vitam Ihohannes Cauvin was published posthumously by Beza. All it contains concerning glossolalia is a small entry, confided to Beza by Calvin, shortly before the latter’s death. On several oc­casions, Calvin, in his devotions, found himself uttering a lingua non nota et cognota mini. That is, the language was not known or understood by him.


Himself a skilled linguist, Calvin set about to discover the orthography of the utterance. Unable to trace it, he confided to Beza that although the language was Hebraic in character, he yet feared that he had spoken a lingua barbarorum. That is, he feared having spoken in an accursed tongue, such as what was spoken by the Canaanites.

The matter was only a minor one to Beza, who allots it only a few sentences in De Vitam Iohannes Cauvin. Calvin’s concern was only a matter of linguistics. Therefore, there is not enough primary source material to build a case one way or the other.

My roommate, Ken Macari, was most helpful to me in interpreting this passage from Beza, since Latin is more native to him than to me. Yet I must say, however, that I found Calvin’s Latin to be very smooth, elegant, and Vergilian.

If John Calvin found himself on several devotional occasions speaking in a language he did not know or understand — well, that certainly sounds to me very much like speaking in tongues.

NÃO COUBE A TRADUÇÃO DO TEXTO,CONTINUA ........

Alan DLF disse...

Calvino Falava em Línguas?


Aqui está um interessante artigo dos artigos de The Paper, uma publicação estudantil do Gordon-Cornwell Theological Seminary. Na página 6 da edição de 24 de Março de 1975, há um breve texto de Quent Warford, "Calvino Fala Língua Desconhecida".

Como tem havido muita indagação concernente à descoberta na Episcopal Divinity School, sinto-me obrigado a lançar toda luz que puder sobre o assunto. Afinal, montículos podem se tornar em montanhas, dada suficiente discussão.

Com toda a franqueza, pessoalmente, acho ridícula qualquer idéia no sentido de que Calvino tenha experimentado glossolália. Portanto, a única coisa lógica a se fazer é aceitar o conselho do meu caro professor de História da Igreja, e ir até a fonte primária.

O volume que supostamente contém o relato das elocuções extáticas de Calvino está na biblioteca da Episcopal Divinity School. É a sua biografia feita pelo seu amigo e confidente, Teodoro Beza, intitulada De Vitam Iohannes Cauvin. Está contida no Cofre, a Sala de Livros Raros da E.D.S. Entrar no Cofre envolve muita burocracia, e a invocação dos mais altos poderes da B.T.I. O passe do refeitório do professor Hiles também veio a calhar.

De Vitam Iohannes Cauvin foi publicado postumamente por Beza. Tudo o que contém concernente a glossolália é um pequeno registro, confidenciado a Beza por Calvino, pouco antes da morte deste. Em várias ocasiões, Calvino, em suas devoções, achou-se proferindo uma lingua non nota et cognota mini. Ou seja, a língua não era conhecida ou entendida por ele.

Sendo ele um hábil linguista, Calvino se pôs a descobrir a ortografia da expressão. Incapaz de encontrá-la, confidenciou a Beza que, embora a língua fosse hebraica em caráter, ele temia que tivesse falado uma lingua barbarorum. Ou seja, ele temia ter falado em uma língua amaldiçoada, como a que fora falada pelos cananeus.

O assunto era apenas secundário para Beza, o qual lhe atribuiu apenas algumas sentenças em De Vitam Iohannes Cauvin. A preocupação de Calvino era apenas uma questão de linguística. Portanto, não há fonte primária sólida suficiente para construir um argumento em um sentido ou em outro.

Meu colega de classe, Ken Macari, foi muito útil a mim ao interpretar esta passagem de Beza, visto que o latim é mais natural para ele do que para mim. Contudo, devo dizer que achei o latim de Calvino muito suave, elegante e virgiliano.

Se João Calvino se achou em diversas ocasiões devocionais falando em uma língua que ele não conhecia ou entendia — bem, para mim isso certamente soa muito parecido com falar em línguas.

Yasmin disse...

Irmão, qual foi o vídeo que o Yago disse não acreditar na cessação dos dons?