domingo, 30 de agosto de 2015

O corporativismo eclesiástico

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Recentemente a comunidade evangélica brasileira ficou escandalizada com o segundo casamento de importantes lideranças eclesiásticas. Ambos os casos repercutiram nas redes sociais. O que quero comentar neste texto não são os casos em si, mas sim sobre outro problema no mundo eclesiástico: o corporativismo. O corporativismo é a “defesa dos interesses de uma categoria profissional em detrimento dos da sociedade como um todo; é o espírito de corpo”, com afirma o Dicionário Aulete. No contexto evangélico é quando um grupo de pastores tenta proteger colegas de ministério em flagrante pecado.

É muito comum nesse tipo de escândalo pastores que se calam em nome do coleguismo. Daí está o espírito de corpo. Igrejas que possuem uma longa tradição de disciplina para membros anônimos nada fazem diante do pecado de um presbítero ou pastor. Tal corporativismo é uma afronta clara à Palavra de Deus.

Em 1 Timóteo 5.17-25 está escrito:
Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino, pois a Escritura diz: "Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal", e "o trabalhador merece o seu salário". Não aceite acusação contra um presbítero, se não for apoiada por duas ou três testemunhas. Os que pecarem deverão ser repreendidos em público, para que os demais também temam. Eu o exorto solenemente, diante de Deus, de Cristo Jesus e dos anjos eleitos, a que procure observar essas instruções sem parcialidade; e não faça nada por favoritismo. Não se precipite em impor as mãos sobre ninguém e não participe dos pecados dos outros. Conserve-se puro. Não continue a beber somente água; tome também um pouco de vinho, por causa do seu estômago e das suas frequentes enfermidades. Os pecados de alguns são evidentes, mesmo antes de serem submetidos a julgamento; enquanto que os pecados de outros se manifestam posteriormente. Da mesma forma, as boas obras são evidentes, e as que não o são não podem permanecer ocultas. [grifos meus]

É preciso comentar alguma coisa? O texto está muito claro. O julgamento nunca pode ser sumário, mas o transgressor comprovado deve ser exposto publicamente para que os outros líderes temam. Veja que a categoria de disciplina para os pastores-presbíteros é ainda mais dura do que aos demais membros da igreja. Todavia, hoje vemos justamente o contrário. Conheço gente que foi disciplina pelo pastor porque emitiu uma opinião, enquanto há pastores em claro adultério recebendo gordos salários de ricas igrejas sem nenhuma disciplina. 

Oremos para que Deus tenha misericórdia das nossas vidas e da vida eclesiástica da igreja brasileira. Que sejamos livres soberanamente pelo Senhor desses “espíritos de corpo”, pois estes são espíritos tão demoníacos quantos outros advindos do inferno. 

5 comentários:

philippe disse...

Pois bem, esse corporativismo acontece tanto em grandes igrejas lideradas pelos seus ''papas'' como em igrejas pequenas aonde tem seus ''pastores'' como ''donos da igreja'', pois foram eles que fundaram e a visão de Deus está somente com eles. Assim sendo todo tipo de pecado é cometido pela liderança sem ter alguém para os corrrigir ou disciplinar, e assim aqueles que resolvem falar, ou emitir opiniões são tratados como rebeldes, com sindorme de lúcifer, sem visão e coisas piores. Esses pseudos líderes são capazes de destruir famílias e mais famílias em nome de Deus, são lentos para disciplinar os ''seus'' e rápidos ao disciplinar os de fora de seu círculo de ''amizades''. Infelizmente o que vemos hoje são milhares de ovelhas de cristo deixando de congregar, pois passarão todo tipo de decepção, humilhação e mal caratismos em nome de Deus. Mas eu creio que o próprio Deus está trabalhando de forma diferente, para mostrar as ovelhas de seu rebanho que o puro e verdadeiro evangelho e manifestado fora de 4 paredes.

Davi Faria de Caires disse...

Parabéns, Gutierres!
Crítica consistente e correta.

claudiopimenta disse...

Dois pesos duas medidas infeliente sem falar alguns após essas coisas se aposentam com 50 ,100 salários mínimos além do.patronio que adquiriram legalmente surrupiado da igreja tem dono de ministerio aí racebendo mais do que os maiores executivos da pertobras um conhecido meu visitando determinado dono de ministério constatou que a esposa desse camarada ganhava mais do que um grande executivo e afirmou ao mesmo que quando eles morressem (ironic ) iam para o inferno pois já haviam recebido o céu na terra só o tapete na sala do homem dava um 2 erros de profundidade (risos) sem falar nos trezentos empregados dentro de
casa

Mario Sérgio de Santana disse...

A corda sempre arrebenta pro lado do mais fraco. E hoje em dia disciplina só se for membro pobre e sem expressão social.

Tadeu Costa disse...

você pode dizer quais são esses líderes que se casaram de novo?