domingo, 18 de outubro de 2015

Renuncie ao seu direito!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Todos sabem que “digno é o obreiro do seu salário” (cf. 1 Timóteo 5.18; Lucas 10.7; Mateus 10.10; 1 Coríntios 9.4 etc.). Essa é uma verdade bíblica afirmada pelo próprio Cristo e que vem da tradição judaica onde a tribo de Levi, responsável direta pelo culto, recebia sustento das demais tribos através dos dízimos e ofertas. Não há nenhuma dúvida nesse princípio, apenas certezas.

Agora, é interessante que nem todo direito existe para ser usado. O apóstolo Paulo escreveu: “Se outros têm direito de ser sustentados por vocês, não o temos nós ainda mais? Mas nós nunca usamos desse direito. Pelo contrário, suportamos tudo para não colocar obstáculo algum ao evangelho de Cristo.” [1 Coríntios 9.12, grifo meu]. Entendeu? O direito existe, mas também existe a possibilidade de renunciá-lo.

A oferta da viúva
Por que é bom o obreiro renunciar ao sustento da congregação e viver de renda de um trabalho não-eclesiástico?

1.       O próprio Paulo fala em não colocar “obstáculo algum” ao Evangelho. Ora, algumas igrejas vivem em impasses sérios na questão salarial de pastores. É sempre um murmurinho onde alguns acham que o líder ganha muito e outros que acham que o pastor precisa ganhar mais. Se o murmurinho é passível de ser evitado é melhor que seja.

2.      Alguns dizem que é bom ter um pastor em tempo integral porque ele pode fazer visitas e estudar mais a fundo as Sagradas Escrituras. Bom, muito tempo disponível não necessariamente torna essas atividades melhores. Deveria, mas nem sempre funciona assim.

3.      É bom sair do mundo eclesiástico, ou seja, conviver com pessoas que não sabem e nem entendem o contexto evangélico. É bom trabalhar com ateus, não- religiosos, budistas, cristãos nominais etc. Assim é possível pensar e conviver com pessoas fora da fé cristã. É viver horas e horas do seu dia com pessoas com todo tipo de cosmovisão. O que nunca é bom é a vivência numa bolha.

4.      Se você tem um emprego formal é possível comprar um carro bacana ou um apartamento bem localizado sem ninguém acusá-lo de viver no luxo à custa das ofertas da viúva.

5.      Paulo também diz: “Porque, se prego de livre vontade, tenho recompensa; contudo, como prego por obrigação, estou simplesmente cumprindo uma incumbência a mim confiada.” [1 Coríntios 9.17]. Ou dizendo no português popular: nada melhor do que não ter “rabo preso” com ninguém. É desejável uma consciência livre, leve e solta. Quantos pastores estão caladinhos diante de escândalos da sua convenção ou concílio pelo medo do desemprego? E outros que pregam o que não acreditam para não contrariar os superiores? E ainda aqueles que vivem reféns de uma família poderosa porque o dízimo do grupo pesa no orçamento da congregação e no salário do líder?


Portanto, jovem obreiro, o versículo que diz: “há maior felicidade em dar do que em receber” [Atos 20.35] também serve para você. Nunca trabalhe com o objetivo de bons salários eclesiásticos, mas sim para a glória do Senhor e com espírito servidor à Igreja. Sempre que possível, para o bem de todos, renuncie aos seus direitos.

7 comentários:

Izabel disse...

Esse tema é realmente complicado.
Acredito que é possível um obreiro/pastor ter um trabalho em paralelo ao ministério, tanto que sempre foi assim com meu próprio pai, mas isto trás coisas boas e outras nem tanto, uma delas e a melhor, com certeza é a independência, a liberdade citada no texto, mas há também o desgaste físico e a falta de tempo que muitas vezes compromete o convívio com a família e até mesmo a saúde, mas não há como ter tudo.
No passado muito pastores viviam esta dupla jornada simplesmente porque suas igrejas não consigam lhes prover completamente e era preciso complementar a renda, hoje eu vejo muitos jovens com esta visão porque tem medo de ficar dependentes do ministério, porque querem cultivar sua individualidade e como mencionado no texto porque querem adquirir bens sem serem julgados por isto.
Ainda assim é um dilema, porque, para que a maioria não precisasse se dedicar unicamente ao ministério as estruturas precisariam ser simplificadas.
A maioria dos membros torce o nariz para o fato de os dízimos e ofertas sustentarem obreiros, mas ao tempo querem igrejas com uma estrutura que demanda muito trabalho, e essas pessoas também não querem se voluntariar para ajudar de alguma forma. Querem um grupo de louvor impecável, uma igreja sempre ultra limpa, eventos, congressos, mais eventos, um pastor que prega citando de cabeça um versículo, que está disponível para ajudar em conflitos familiares, enfim deu para entender rs.
Eu só quis mesmo acrescentar mostrando o outro lado.
De todo modo, a despeito de tudo que mencionei acima, eu optaria por manter um trabalho e ter uma renda desvinculada da igreja.

Domingos Massa disse...

Concordo com vc querido! Pois tenho feito isso para ser exemplo aos irmãos.

Grande Abraço.

Domingos Massa
www.domingosmassa.com

Tadeu Costa disse...

No ponto 2, você disse:"Bom, muito tempo disponível não necessariamente torna essas atividades melhores. Deveria, mas nem sempre funciona assim.";E, no ponto 3:"É bom sair do mundo eclesiástico, ou seja, conviver com pessoas que não sabem e nem entendem o contexto evangélico". O que Paulo fazia não era uma regra, mas uma exceção. Pedro disse que "nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra(Atos 6:4). Essa é a regra. Dependendo do contexto social, o ministro deve usar ou a regra(tempo integral) ou a exceção!!!

Joezer Barros de Souza disse...

Paz irmão, aprecio muito suas postagens. Nesse caso, se abster do salário não parece uma exceçao e não a regra? Me parece ser esse o ponto das abordagens paulinas. Usando outro exemplo, ficar solteiro( como Paulo) também seria exceção. Acho difícil- tendo em vista as cartas pastorais e os mandamentos e orientações deixadas por Paulo - deduzir que os que são chamados o são para ter um trabalho a parte para o sustento.

Gutierres Siqueira disse...

Caros,

Em momento algum eu escrevo aqui que tal renúncia seja a regra. No texto fica claro que é uma exceção. Só quero levantar os pontos positivos dessa exceção.

Abs.

MARIA SELMA DA SILVA Roch disse...

Aqui,no estado do Es, tem pastor da AD;ganhando 15 salarios livre de tudo e ainda querendo mais! Vivem como verdadeiros rei(rodeado por bajuladores) em um país em crise e miserável!

João Emiliano Martins Neto disse...

O cristão é chamado pra renunciar a própria vida, a derramar o próprio sangue em testemunho de sua fé em Cristo quanto mais pra renunciar a um mero salário.

O direito aqui neste mundo renunciado resulta em um direito à uma distinção maravilhosa no mundo vindouro.