quinta-feira, 12 de novembro de 2015

“A Teologia da Libertação é uma moda típica de um mundo de ressentidos”, declara Luiz Felipe Pondé

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O Blog Teologia Pentecostal teve um breve bate-papo com o filósofo Luiz Felipe Pondé sobre o tema “Teologia da Libertação”. Pondé é um dos mais famosos e polêmicos professores de filosofia do país. Ele fez a graduação na Universidade de São Paulo e o doutorado pela mesma instituição em parceria com a Universidade de Paris. Realizou pós-doutorado da Universidade de Tel Aviv. Além da filosofia, é um amplo conhecedor da teologia cristã e judaica e escreveu obras importantes sobre o filósofo-teólogo francês Blaise Pascal. 

Escreve semanalmente no jornal Folha de S.Paulo desde 2008 e é autor de diversas obras, entre elas, O homem insuficiente: Comentários de Psicologia Pascaliana (2001) e Conhecimento na desgraça: Ensaio da Epistemologia Pascaliana (2004), Crítica e profecia: filosofia da religião em Dostoiévski (2003), Do pensamento no deserto: Ensaio de Filosofia, Teologia e Literatura (2009) e Contra um mundo melhor: Ensaios do Afeto (2010), O Catolicismo Hoje (2011) e Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (2012). Entre os mais recentes títulos ele pulicou Os Dez Mandamentos (+ Um) (2015).

Vejamos a breve entrevista sobre a “Teologia da Libertação”. Pondé responde em aforismos, que é a nova marca do seu trabalho de escrita. 

1.      Quando podemos definir uma teologia como a “louca da casa”?

É aquela que fala fala mas ninguém leva a sério porque parte de um repertório confessional, inclusive os teólogos sabem que ela é a louca da casa, por isso só falam de política e ética, e de Deus só se for socialista.

2.      Por que a Teologia da Libertação é popular apenas entre uma pequena elite universitária? Como podemos entender que uma “teologia para os pobres” não tem apelo entre os pobres?

Porque comunistas não entendem nada de pobre assim como feministas não entendem nada de mulher. Pobres querem brilhar, não ficar pobre, ressentido e raivoso.

3.     A Teologia da Libertação é sempre vendida como uma ideia inovadora de teólogos da América Latina. É, em tom romantizado, exaltada como a “teologia feita na perifeira do mundo”. Levando em conta outras teologias europeias de viés iluminista e a própria Teologia do Evangelho Social, de matriz norte-americana, podemos falar em “coisa nova”? Ou seria apenas uma sequência natural dessas outras teologias?

A Teologia da Libertação é uma versão morena das outras, como Cuba e Venezuela são uma versão morena do socialismo. Dizer que é feita na periferia do mundo não me parece apenas romântico, mas marketing.

4.     O Partido dos Trabalhadores (PT) nasceu de uma base sindical e entre intelectuais uspianos e teólogos da Libertação. Alguns temas como coronelismo, messianismo e voto de cabresto eram caros a esses grupos. Especialmente depois da eleição do ex-presidente Lula tal temática saiu dos radares do “profetismo” de esquerda. É apenas conveniência política ou realmente não faz sentido falarmos no Brasil do século XXI em tais temas?

O PT é coronelismo com metafísica. Não há profetismo na esquerda, há populismo. Em 200 anos, Marx estará esquecido.

5.     Entre todos os aspectos, qual seria para você o principal problema da Teologia da Libertação? E qual a virtude dessa corrente?

Sua virtude é o carisma hebraico da crítica social, logo, não precisamos do marxismo pra que ela tivesse essa virtude. A Teologia da Libertação é uma moda típica de um mundo de ressentidos que até os pobres recusam porque são mais sábios, é uma brincadeira de teólogos de universidade e padres de passeata.

5 comentários:

Kennedy Silveira disse...

Interessante e reflexivo! Acho que poderia fazer mais perguntas ao Pondé, explorando mais o assunto!
Abraços.

João Emiliano Martins Neto disse...

O Cristianismo no mundo está sitiado. Do lado católico romano pela teologia da libertação que sequestrou para si as reformas do Vaticano II; do lado ortodoxo cismático pelo messianismo eurasiano de Putin que tem por acólitos a Igreja Ortodoxa Russa; e do lado protestante herege o Cristianismo está sitiado pela irmã fraterna da teologia da libertação que é a teologia da prosperidade com a promessa de um mundo melhor sustentado não pelo Estado-babá socialista, mas pelo liberalismo econômico de um capitalismo selvagem tão materialista e cobiçoso que pretende assim como o socialismo e o eurasianismo instaurar um reino de Cristo aqui neste mundo.

Gilnei Sacramento Mascarenhas disse...

Pondé como sempre muito ácido

Cesar Silva disse...

Percebo essa teologia invadindo os espaços: sem ser nomeada como Teologia da Libertação, pessoas vem aderindo só pelo caráter do trabalho com pobres.

Anônimo disse...

A Paz do Senhor!

Bela entrevista Gutierres, essa "teologia" deve ser desmascarada para que os ingênuos não a confundam com auxílio aos necessitados. Missão difícil num país, onde a educação é sinônimo de doutrinação e as pessoas mal conseguem entender um texto, como você mesmo disse num atrigo anterior que se as pessoas não conseguem entender um texto simples, imagine a Bíblia. E se a pessoa não entende a palavra de Deus, aí é so a misericórdia ....

Marco Davi