domingo, 22 de maio de 2016

Como deveria ser a relação entre cristãos tradicionais e pentecostais?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Tenho um enorme carinho pelos irmãos das igrejas protestantes tradicionais, sejam eles da Convenção Batista Brasileira (CBB), Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), Igreja Presbiteriana Independente (IPI), Igreja Metodista do Brasil (IMB), etc. E, da mesma forma, a maior parte dos pentecostais que conheço, sejam eles acadêmicos ou pessoas simples, nutrem o mesmo respeito.

É cada vez mais comum na minha denominação, especialmente nas maiores congregações, o convite aos pregadores de igrejas tradicionais para ministrarem em nossos púlpitos. O reverendo Hernandes Dias Lopes, ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), por exemplo, é figura carimbada em muitos eventos das Assembleias de Deus. Mas não só ele. Eu mesmo já ouvi outros nomes como Russell Shedd, Augustus Nicodemus, Luiz Sayão etc. em igrejas pentecostais.


Infelizmente, o contrário não é verdadeiro. Raramente um pastor pentecostal prega em púlpitos tradicionais, especialmente de igrejas calvinistas, e as exceções, normalmente, são de pentecostais calvinistas. Isso é por que temos poucos pregadores bons? Evidente que não. Há inúmeros pregadores e ensinadores pentecostais que são homens comprometidos com a boa interpretação das Escrituras. E eventos teológicos de igrejas tradicionais? É mais fácil ver um palestrante católico do que pentecostal, por exemplo.

Será que apenas nós, como pentecostais, temos que aprender e ouvir? Reconheço na teoria e na prática que os tradicionais são ótimos professores. Eu mesmo tenho muito deles como as maiores referências na teologia. Mas, calma lá, e os tradicionais? Nada podem aprender conosco? Essa “interação” é uma via de mão única? Alguns podem alegar que faltam bons acadêmicos nos meios pentecostais. E eu pergunto: no meio tradicional é assim tão diferente? Ou a carência acadêmica é fruto de nossa cultura pouca afeita à leitura?

Por que a interação é deficiente?

1. Em parte porque muitos tradicionais, até hoje, ainda debatem se os pentecostais podem ser considerados “irmãos em Cristo”. Isso mesmo, em pleno ano de 2016 há tradicionais, especialmente de igrejas calvinistas, travando esse debate infértil, prepotente e infantil.

2. Preconceito. O conceito antecipado que se é pentecostal não há qualidade exegética reflete a mentalidade de muitos tradicionais. Até o tom como discordam de doutrinas pentecostais como a glossolalia, por exemplo, envolve o deboche e não há a assertividade de uma argumentação. Ignoram completamente os trabalhos acadêmicos sobre o assunto e focam nas manifestações populares. 
3. Muitos tradicionais precisam reconhecer que não somos apenas um movimento, no sentido sociológico do termo, mas também uma teologia. E como teologia já há solidez. Ninguém que conheça a teologia pentecostal a fundo, especialmente manifestada em autores contemporâneos como Robert Menzies e Roger J. Stronstad pode desprezar a importância da mesma. Considerar não é concordar, mas respeitar como um par a ser ouvido. 
4. Há alguns pentecostais que também não ajudam na interação. Seja porque nutrem um sectarismo semelhante aos grupos reformados seja porque não valorizam a riqueza da tradição cristã anterior e posterior ao Avivamento de Azuza.

Conclusão

Escrevo isso não porque os pentecostais necessitam da reafirmação dos tradicionais para se sentirem gente. Não, nada disso. Escrevo isso porque a verdadeira unidade e interação entre as diversas tradições cristãs só nos enriquecem como Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo. O fundamentalismo sectário é um atraso para a Igreja Evangélica e, ao tentar defender a ortodoxia, os sectários matam a essência da comunhão e confundem o próprio pensamento como doutrina essencial da fé, ou seja, uma verdadeira usurpação da doutrina. 

11 comentários:

Jonathan de Alcântara disse...

Olá caro irmão Gutierres, muito boa e elucidativo a sua análise. Bem pontual. Deus o abençoe.

Ps: Sobre o Congresso Mundial Pentecostal que acontecerá aqui no Brasil. Pretende escrever algo sobre? Valeu a pena prestigiar o evento?

Abraços em Crsito.

Tadeu Costa disse...

já imaginou um pregador/ensinador pentecostal falando em línguas num púlpito da IPB? Acho que a ausência de pregadores pentecostais em igrejas tradicionais não é por questões acadêmicas, mas pelo não reconhecimento dos dons espirituais como legítimos para os dias atuais. É isso! O Batismo no Espírito Santo com a manifestações dos dons sempre foi (desde 1910) o motivo da falta de expositores pentecostais em igrejas históricas. Historicamente era raro, muito raro pregadores de igrejas tradicionais para ministrarem em nossos púlpitos. Repito: não é por questões intelectuais.

Anônimo disse...

Boa tarde queridos

Como cristão Presbiteriano (IPB), rogo a Deus que haja uma maior interação entre o povo de Deus.

Penso que há uma precaução por parte das igrejas tradicionais em chamar Pastores pentecostais devido ao exageros de alguns deles.

Mas que Deus nos guie nessa caminhada rumo a unidade cristã.

Tadeu Costa disse...

enquanto os tradicionais considerarem os dons carismáticos atuais um "fogo estranho"(demoníaco/humano), pode ter certeza: infelizmente está muito distante (anos-luz) de vermos um intercâmbio de púlpitos dos tradicionais para os pentecostais.

Anônimo disse...

Talvez, e só talvez, a mais provável explicação esteja no sectarismo que, percebo, é alimentado por lideranças egocêntricas.

Savio Luan disse...

Pra mim , as maiores heresias surgiram dos tradicionais , como por exemplo , Caio fabio e seu neo-liberalismo marxista que saiu da da Igreja presbiteriana , que nos EUA , faz "casamentos" gays etc e etc.

Savio Luan disse...

Pra mim , as maiores heresias surgiram dos tradicionais , como por exemplo , Caio fabio e seu neo-liberalismo marxista que saiu da da Igreja presbiteriana , que nos EUA , faz "casamentos" gays etc e etc.

Savio Luan disse...

Pra mim , as maiores heresias surgiram no lado tradicional , como por exemplo , Caio Fabio e seu cristianismo anti-biblico que foi da Presbiteriana , a mesma que nos EUA realiza "casamentos" gays , o Batista Ed René kivitz e seu universalismo , achando que todos sem excessão serão salvos.
Claro que não podemos esquecer os neo-pentecostais que com seu curandeirismo barato , manchando a reputação das demais denominações.
Infelizmente é essa a nossa realidade , o que mais vejo é pessoas atacando/segregando o pentecostalismo por ideias pré-concebidas.

Mike Duarte disse...

Mas pregar como um pentecostal nao diz redpeito ao falar em línguas. Dentre os mais acadêmicos pentecostais, com toda a certeza o falar em linguas nao ocorreria em pulpito de igrejas reformadas. Paz meu irmao.

João Emiliano Martins Neto disse...

A doutrina essencial da fé, de fato, eis que é a católica romana. Um herege não tem fé divina alguma, só possui fé humana vinda da carne e do sangue. Porque um herege não segue a Tradição Sagrada herdada da Lei e dos profetas pelos apóstolos que legaram aos seus sucessores, os bispos católicos do mundo inteiro de todos os tempos da era cristã em comunhão com os sucessores de Pedro, os papas, até aos nossos dias.

Agora, é claro que os protestantes mais antigos e de boa cepa desconfiem dos carismáticos, porque o apego humanístico renascentista de um "duro de espírito" à letra de um livro como a Bíblia que desprezou o Magistério da Igreja Católica e a Tradição parece ser contraditado pela crença de que o Espírito Santo poderia, ainda, falar e fala mesmo, segundo penso baseado no que sei de Catolicismo, por outros meios que não somente à letra morta de um livro.

Sejam católicos, amigos pentecostais, e esqueçam-se dos ditos tradicionais com o orgulho deles tipicamente protestante junto com as traças de um livro velho, pois o Espírito sopra aonde quer e nesses dois mil e tantos anos tem se manifestado maravilhosamente na Tradição católica, no Magistério romano, na arte sacra, na filosofia perene aristotélico-tomista e na vida inspirada de tantos santos.

Clecius disse...

Ora, em suma tudo isto ocorre por falta da pratica do que está escrito, amais uns aos outros como Eu os amei..
Sou da Batista tradicional, mas, não faço descriminação dos meus irmãos em Cristo, os pentecostais...Graça e Paz!