domingo, 24 de julho de 2016

A prosperidade de Jó

"Escárnio contra Jó".
Pintura de Gioacchino Assereto. 1645-1650.


Não sei, e duvido que os eruditos o saibam, se o livro de Jó teve grande repercussão, se é que teve alguma, no desenvolvimento posterior do mundo judaico. Contudo, se teve algum efeito, pode haver salvado os judeus de terrível fracasso e decadência. Neste livro se formula realmente a pergunta para saber se Deus invariavelmente castiga o vício com penas terrenas e recompensa a virtude com bens e riquezas deste mundo. Se os judeus tivessem respondido erradamente a esta pergunta, poderiam haver perdido toda a sua influência posterior na história da humanidade. Poderiam ter descido ao nível da sociedade culta moderna. Pois, quando as pessoas começam a crer que a prosperidade é consequência da virtude, sua calamidade próxima fica evidente. Se se vê a prosperidade como a recompensa da virtude, ela será vista como sintoma da virtude. (...) Jó é atormentado não por ser o pior dos homens, mas por ser o melhor. A lição de toda a obra é a de que o homem encontra no paradoxo o seu máximo consolo. [G. K. Chesterton]

Um comentário:

Luis disse...

Boa abordagem, gostei