segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Rápidas impressões sobre a Conferência Mundial Pentecostal (CMP)

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A 24° Conferência Mundial Pentecostal (CMP) foi um evento interessante em diversos aspectos. 
Vejamos:

O evento foi muito bem organizado. Os pentecostais brasileiros são conhecidos pela desorganização. Não sei se essa fama é derivada da nossa práxis carismática ou da nossa brasilidade. De qualquer forma, a organização foi impecável. Eu particularmente não peguei fila ao retirar o meu kit e, segundo um casal de amigos que almoçou no templo, a distribuição de comida funcionou muito bem diante de centenas de pessoas. É claro que houve falhas pontuais, especialmente na qualidade do som, no gerenciamento do conteúdo dos telões e no trabalho de tradução – muitas falas e músicas não tinham acompanhamento em inglês. Mas, no geral, a marca da organização foi positiva.

Os cultos do evento tiveram a imagem e semelhança da Assembleia de Deus, especialmente do Ministério Belém. O Pentecostal World Fellowship é um órgão cooperativo de igrejas e grupos pentecostais de todo o mundo e organiza a Conferência Mundial Pentecostal a cada três anos. Nessa instituição estão denominações como a Igreja de Deus, a Igreja do Evangelho Quadrangular, a Igreja Metodista Wesleyana etc., mas os cultos foram reproduções da liturgia assembleiana local. Isso se explica porque o comitê organizador tinha como nomes principais alguns pastores assembleianos. Não sei como isso foi encarado pelos irmãos de outras denominações que estiveram presentes no evento. O ponto alto dessa “marca assembleiana” esteve na apresentação da orquestra John Sorhein e na banda da igreja do Belenzinho.

Pregações marcantes. Infelizmente, não pude acompanhar as plenárias. Amigos meus que participaram elogiaram a abordagem dada aos temas apresentados pelos pastores estrangeiros. Mas, em compensação, pude desfrutar das pregações. A melhor e mais impactante, certamente, foi ministrada pelo alemão Reinhard Boonke. O evangelista Boonke prega com vitalidade, mesmo diante dos seus 76 anos, e tem mantido uma mensagem cristocêntrica, especialmente focada em salvação de almas. Apesar de simples, a pregação de Boonke simbolizou o melhor do querigma pentecostal.

Um pentecostalismo institucionalizado. O fervor característico do culto pentecostal esteve presente, mas em nada lembrou outros eventos de nomenclatura carismática. Chamou minha atenção quando o evangelista Reinhard Bonnke comparou o culto local com os cultos na África. Após afirmar que gostava de pregar no continente africano Boonke, em forma de exortação e indagação, falou: “o que está acontecendo com os crentes do Brasil?”. A pergunta é pertinente, especialmente no contexto assembleiano, onde há um pêndulo entre o pentecostalismo tresloucado do reteté e o pós-pentecostalismo que cultiva uma fé apenas como monumento histórico e teórico. O desafio sempre será o equilíbrio.

Que outros eventos como esse aconteçam em nosso país!

4 comentários:

Márcio Cruz disse...

"Chamou minha atenção quando o evangelista Reinhard Bonnke comparou o culto local com os cultos na África. Após afirmar que gostava de pregar no continente africano Boonke, em forma de exortação e indagação, falou: 'O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM OS CRENTES DO BRASIL?'. A pergunta é pertinente, especialmente no contexto assembleiano, onde há um pêndulo entre o pentecostalismo tresloucado do reteté e o pós-pentecostalismo que cultiva uma fé apenas como monumento histórico e teórico. O desafio sempre será o equilíbrio."

Depois duma dessa, eu enterrava a minha cara NA HORA!!!

Prof. Pr. Estenyo Bezerra disse...

Gutierres, a paz do Senhor:

Sempre leio suas postagens por apreciar sua visão teológica pentecostal e sobretudo sua ponderação em tratar de temas e problemas ligados ao movimento pentecostal, especialmente em solo brasileiro. Achei bastante oportuno suas críticas (no bom sentido, é claro) concernentes á Conferência Mundial Pentecostal ocorrida em nosso país, que foi um marco na história do movimento, afinal, depois de aproximadamente 49 anos hospedamos outra e desta feita trazendo a marca inegável do pentecostalismo brasileiro que sempre encantou o mundo. Embora percebi que o evento teve uma forte marca assembleiana (o que concordo com vc) porém foi visível o Ministério do Belenzinho imprimir sua marca nesse importante evento mundial e se não fosse aquela velha política eclesiástica que conhecemos teria sido mais aberto ás outras denominações pentecostais no Brasil. Apesar disso também gostei muito das ministrações que acompanhei, do teor dos temas e da objetividade deles. Achei interessante a cosmovisão das autoridades teológicas sobre os rumos do movimento pentecostal para os próximos anos (claro, se houver tempo!) e também uma das melhore ministrações que achei foi de fato a do evangelista alemão Reinhard Bonkke, o que já era de se esperar dele como notável avivalista que é e por ter deixado fortes impressões de outras participações suas em eventos no Brasil, especialmente no Centenário da Assembléia de Deus realizado em Belém, PA em 2011. No mais essa 24º CMP foi muito importante para a igreja pentecostal brasileira e para a biografia do movimento pentecostal que está sendo escrita e nós brasileiros temos a oportunidade de destacar nesse mister. Deus te abençoe!

Anônimo disse...

De fato, a 24 CMP foi impactante e muito bem organizada. Cada palestrante contribuiu de forma positiva para aprofundarmos a espiritualidade pentecostal e compreendermos melhor a missão da igreja.
Como alemão sou suspeito, mas Reinhard Bonnke foi, sem dúvida, o mais desafiador, fechando com chave de ouro o ciclo "interno" da conferência (já que o encerramento oficial se deu no Campo de Marte, aberto para o publico, de qual participei apenas por 30 minutos (curiosidade para ver como estava o "clima").
Muito importante para mim foi o conteúdo do workshop do pastor finlandes Mika Yrjola e das pregações de Daniel Kolenda e Prince Guneratnam. Parabéns ao comitê organizador!
Matias H.

Santos Teodoro disse...

hoje, já não dar para diferencia entre pentecostais e neopentecostais. São todos iguais, com as mesmas praticas litúrgicas, com seus pontos de contatos da "fé" não basta só Jesus.

claudenor